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sábado, 13 de julho de 2019

Eu sou...


No Evangelho de João, Jesus fala mais de Si próprio do que nos Sinópticos. Existem sete afirmações do tipo “Eu sou…” em que Jesus fala de Si próprio de forma simbólica. Todas estas afirmações descrevem Jesus como um caminho para Deus e para a vida eterna. Existem outros excertos no Evangelho de João em que Jesus afirma simplesmente “Eu sou”.

  • Eu sou o pão da vida (6:35)
  • Eu sou a luz do mundo (8:12)
  • Eu sou a porta (das ovelhas) (10:7,9)
  • Eu sou o bom Pastor (10:11,14)
  • Eu sou a ressurreição e a vida (11:25)
  • Eu sou o caminho, a verdade e a vida (14:6)
  • Eu sou a videira verdadeira (15:1)

É interessante notar que Bahá’u’lláh também Se descreve de forma simbólica. Aqui ficam alguns exemplos:

  • Eu sou o sol da Sabedoria e o Oceano do Conhecimento. Eu animo o débil e revivifico o morto. Eu sou a Luz que guia e ilumina o caminho. Eu sou o Falcão real no braço do Omnipotente. (Tabernacle of Unity, 1.14)
  • Eu sou Aquele Que a língua de Isaías enalteceu, Aquele com Cujo nome a Torá como o Evangelho se adornaram. (The Summons of the Lord of Hosts, ¶164)
  • Eu sou a Fidedignidade, e a sua revelação, e a sua beleza. Recompensarei quem quer que se ligue a Mim, e reconheça a Minha condição e posição, e se segure firmemente à Minha orla. Eu sou o mais grandioso ornamento do povo de Bahá, e a vestimenta da glória para todos os que estão no reino da criação. Eu sou o instrumento supremo para a prosperidade do mundo e o horizonte da confiança para todos os seres. (Tablets of Bahá’u’lláh, p.38)
  • Em verdade, Eu sou Aquele Que exorta com justiça. (Tablets of Bahá’u’lláh, p.78)
  • Nesta condição, se Ele Que é a Personificação do Fim dissesse: “Em verdade Eu sou o Ponto do Princípio”, Ele, de facto, estaria a dizer a verdade. (Gems of Divine Mysteries, ¶40)
  • Eu sou a verdadeira Fé de Deus entre vós. Acautelai-vos para não Me negarem. Deus manifestou-Me com uma luz que envolveu todos os que estão nos céus e todos os que estão na terra. (Epistle to the Son of the Wolf, p.96)
  • Eu sou a Donzela do Céu, que permanece no centro do coração do Paraíso, oculta por trás do véu do Todo Misericordioso e guardada dos olhos dos homens. (Days of Remembrance, Súriy-i-Qalam, ¶17)

E sobre estas formas como os Manifestantes De descrevem a Si próprios, Bahá’u’lláh afirma que todas as definições simbólicas são aplicáveis a qualquer um dos Mensageiros de Deus:

  • Se algum dos Manifestantes de Deus, que abrangem tudo, declarar: “Eu sou Deus!”, Ele, em verdade, diria a verdade, e nenhuma dúvida haveria sobre isso... E se algum deles pronunciasse a frase: “Sou um Mensageiro de Deus,” Ele também teria dito a verdade, a indubitável verdade. (Kitab-i-Iqan, ¶196)

sábado, 12 de janeiro de 2019

Bahá’u’lláh recebe o primeiro Cristão

Por Christopher Buck e Joshua Hall.


No artigo anterior falámos de Faris, o médico sírio que se tornou o primeiro Bahá’í de origem cristã, em 1868.

Também referimos o conhecido escritor e historiador Bahá’í, Nabil-i A’zam, ou Nabil-i Zarandi (1831–1892), que ‘Abdu’l-Bahá elogiou nos seguintes termos:
Este homem distinto era erudito, sábio e tinha um discurso eloquente. O seu génio nato era pura inspiração, o seu dom poético era como um fluxo de cristal. (‘Abdu’l-Bahá, Memorials of the Faithful, p. 35)
O relato de Nabil sobre a decisão de Faris em tornar-se Bahá’í prossegue da seguinte forma:
Em resposta às nossas petições, havia uma Epístola, em caligrafia de Revelação [a escrita rápida que Mirza Aqa Jan registava à medida que Bahá’u’lláh falava], uma Carta do Mais Grandioso Ramo, e um papel com nuql [rebuçado] de amêndoas... Na Epístola, Faris,o médico, era particularmente elogiado.
Um dos presentes escreveu:
Várias vezes testemunhei evidências de um poder que nunca conseguirei esquecer. E assim aconteceu hoje. O navio estava em movimento, quando vimos um barco ao longe. O capitão parou o navio, e este jovem relojoeiro chegou até nós, e gritou pelo meu nome. Aproximámo-nos e ele deu-nos o teu envelope. Todos os olhares estavam sobre nós, os exilados. No entanto, ninguém questionou a acção do capitão. (Nabil-i A’zam, de uma história não publicada, traduzida por H.M. Balyuzi, Baha’u’llah, The King of Glory, p. 268)
E agora a narrativa completa de Bahá’u’lláh, escrita pouco depois da Sua chegada a Akká:
Em nome de Deus, o Eterno, o Imutável.

Ó tu que colocaste o teu olhar sobre o semblante divino, dando ouvidos à voz d’Aquele que sofreu o encarceramento várias vezes no caminho de Deus, o teu Senhor e Senhor dos mundos. Sabe, pois, que a Beleza Antiga partiu da Terra do Mistério devido àquilo que as mãos dos opressores forjaram. Anteriormente, Ele caminhara na terra, revelando a cada momento os versículos que arrebataram o povo ao Concurso no Alto, e expondo provas que fizeram desfalecer os anjos próximos de Deus.

Por Deus, as brisas perfumadas da Revelação divina foram sopradas sobre as regiões do oriente e do ocidente, e isto, em verdade, é uma graça abundante. Ao perceber estas fragrâncias, o osso decomposto despertou e ressuscitou, de acordo com a permissão de Deus, o Rei, o Omnipotente, o Belíssimo. Sob todas as condições, colocámos sob cada pedra, pérolas de palavras perspícuas e jóias de explicação; em breve, levantar-se-á Aquele que proclamará perante todas as pedras: “Ele é, em verdade, o Bem-Amado dos Mundos!”

Os dias passaram até que chegámos à beira-mar. Quando o Mais Grandioso oceano embarcou na Arca, os habitantes do Mais Alto Paraíso gritaram o nome de Deus, por Cuja ordem foi posta em movimento e dirigiram-se à Arca dizendo: “Bem-Aventurada sejas, pois Aquele que é a Esperança dos Mundos pôs os pés sobre ti”.

Seguidamente, a Arca começou a navegar sobre o mar, e ouvimos de cada uma das suas gotas aquilo que nenhum homem consegue ouvir, e o teu Senhor conhece bem a verdade daquilo que digo. Quando chegámos a uma das cidades da terra, percebemos-lhe a fragrância do Todo-Misericordioso, e assim que inalámos as brisas da santidade que dali sopravam, o mar acalmou-se e a Arca parou sobre ele. No entanto, por Deus, as ondas deste mar não ficarão calmas para sempre.

Perante o Rosto Divino veio um de entre a comunidade de Cristo com uma eloquente missiva em mão. Ao quebrar o selo, percebemos os perfumes de santidade daquele que se incendiou com o fogo do amor pelo teu Senhor, o Todo-Misericordioso. Tão arrebatado estava pelos êxtases da Revelação, que ele se separou de todas as coisas e segurou-se firmemente ao cordão que estava suspenso entre o céu e a terra. Lemos as palavras da sua missiva, e quem desejar, poderá lê-las para que possa observar como os dedos do poder do teu Senhor, o Mais Exaltado, o Omnipotente, o Todo-Poderoso, podem voltar os corações dos homens para Ele.

Que bom seria se tivesses estado perante Nós e escutado o Jovem a recitar aquela missiva na entoação de Deus, o Omnipotente, o Todo-Poderoso, o Sapientíssimo! Desta forma, Deus cria o que deseja como sinal do Seu poder; mas as pessoas, envoltas nos véus do ego estão entre os desatentos. Por Deus! A criação desse homem é maior aos olhos de Deus do que a criação dos céus e da terra. Quando leres a sua missiva, exclama: “Exaltado seja Deus, que desperta quem Ele deseja no Seu poder; Ele, em verdade, é o Revivificador dos Mundos!” (tradução provisória de Joshua Hall)
Esta notável epístola de Bahá’u’lláh começa por se dirigir ao destinatário, Rad’ar-Ruh (ou “Espírito Contente”, um nome dado a Mulla Muhammad-Rida-yi Manshadi por Bahá’u’lláh)

Provavelmente, naquele tempo, não houve contacto directo com o próprio Faris Effendi, mas esta epístola de Bahá’u’lláh (a “Beleza Antiga”) refere os seus múltiplos encarceramentos no passado e o primeiro Cristão a tornar-se Bahá’í. A caminho de um novo encarceramento, Bahá’u’lláh continuou a revelar escrituras de sabedoria divina, agitando as almas dos ouvintes receptivos.

Bahá’u´lláh caracteriza a Sua revelação como tendo âmbito universal (“as brisas perfumadas da Revelação divina foram sopradas sobre as regiões do oriente e do ocidente”) e tendo poder para revivificar os espiritualmente mortos (“o osso decomposto despertou e ressuscitou, de acordo com a permissão de Deus”). Esta referência à ressurreição tem um significado espiritual, e não físico.

Depois Bahá’u’lláh usa metáforas como “pérolas” e “jóias” colocadas sob “cada pedra” (corações empedernidos). Seguidamente, Bahá’u’lláh compara o navio a vapor da Austrian-Lloyd à Arca de Noé, o que, na simbologia Bahá’í, representa a comunidade dos espiritualmente despertos – neste caso, os seguidores de Bahá’u’lláh.

O texto prossegue com a alusão a Alexandria (“uma das cidades da terra”). O “um de entre a comunidade de Cristo” que veio à presença de Bahá’u’lláh era Constantino, o relojoeiro, que trouxe “uma eloquente missiva em mão”, a carta de Faris Effendi para Bahá’u’lláh.

O texto da epístola de Bahá’u’lláh não distingue claramente entre Constantino e Faris. Num certo sentido, estes dois indivíduos aparecem juntos, cada um representando o outro. Alcançar a presença de Bahá’u’lláh e sentir a Sua majestade divina e o Seu poder carismático, teve um grande efeito em Constantino, que ficou agitado até às profundezas da sua alma com os “êxtases da Revelação”. Quanto à carta de Faris, Bahá’u’lláh afirma que “Quem desejar, pode lê-la”. Mas como? Ao anexar o conteúdo da carta ao final da Sua epístola, Bahá’u’lláh disponibiliza-a a todos nós. No próximo artigo desta série vamos ler a carta de Faris.

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Texto original: Baha’u’llah’s Welcome to the First Christian Baha’i (www.bahaiteachings.org)

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Joshua Hall é um Bahá’í que vive no Montana (EUA). Os seus interesses incluem linguística e estudo de religiões comparadas. Tem uma paixão especial pelo estudo e tradução de textos árabes das Escrituras Bahá’ís.
Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.

sábado, 5 de janeiro de 2019

O primeiro Cristão a tornar-se Bahá’í

Por Christopher Buck.


Gostaria que conhecessem o Dr. Faris Effendi, um médico sírio que foi o primeiro Cristão a tornar-se Bahá’í.

A história de como o Dr. Effendi percebeu que Bahá’u’lláh era Aquele que Cristo tinha predito – em termos espirituais e simbólicos tinha cumprido as profecias – é muito interessante.

Em Agosto de 1868, Bahá’u’lláh era um prisioneiro do Império Otomano e foi exilado de Edirne (antes conhecida como Adrianópolis) para Gallipoli, e dali para a cidade-prisão de Akka (hoje “Acre” ou “Akko”) na Palestina (hoje Israel).

Na manhã de 21 de Agosto de 1868, Bahá’u’lláh e a Sua comitiva – todos eles prisioneiros – foram colocados a bordo de um navio a vapor da companhia Austrian-Lloyd. Os exilados – que seriam 72 segundo um relato – eram acompanhados por uma escolta militar constituída por dois oficiais e dez soldados.

A bordo do navio, Bahá’u’lláh, em tom de gracejo, disse para os Seus companheiros: “Não seria divertido se o navio se afundasse?” E apressou-Se a acrescentar – com total confiança e evidente presciência – esta garantia: “Mas não se afundará, mesmo que seja atingido por todas as ondas.”

Segundo um relato, inicialmente, Bahá’u’lláh e os Seus companheiros não sabiam o seu destino. Todo o que lhes tinham dito é que iam ser levados para “uma prisão desconhecida, numa terra desconhecida”. (ver Hasan M. Balyuzi, Bahá’u’lláh: The King of Glory (Oxford: George Ronald, 1980), p. 264.) Mais tarde foi dito aos exilados que iam ser levados para Akka.

As condições a bordo do navio eram indescritíveis e posteriormente foram referidas como “onze dias de horror”. Com pouca comida, o convés sobre-lotado e espaço insuficiente até para dormir, a maioria dos exilados ficou “muito indisposta”. Um dos companheiros adoeceu e teve de ser levado para o hospital em Esmirna, onde faleceu. ‘Abdu’l-Bahá organizou-lhe um funeral simples.

Alguns dias mais tarde, na manhã de 27 de Agosto de 1868, o navio austríaco chegou ao porto de Alexandria. Ali, Bahá’u’lláh e os Seus companheiros foram transferidos para outro vapor austríaco.

Porto de Alexandria (Egipto) em meados do séc. XIX
Entretanto, sem que os exilados soubessem, Nabil-i A'ẓam – um dos dezanove Apóstolos de Bahá’u’lláh e famoso historiador Bahá’í – tinha ido ao Egipto apelar ao governador turco para que libertasse outros sete ou oito prisioneiros Bahá’ís que ali se encontravam detidos (ver Shoghi Effendi, God Passes By, p. 178). Ninguém, entre os Bahá’ís, sabia exactamente onde é que esses crentes se encontravam presos em Alexandria.

Quando o navio austríaco ancorou na baía de Alexandria, vários exilados Bahá’ís desembarcaram para ir comprar mantimentos. Por sorte, um dos exilados, Aqa Muhammad-Ibrahim-i-Nazir, passou perto da prisão. Nabil, reconheceu-o ao longe e gritou-lhe.

Nessa prisão, Nabil tinha conhecido um Cristão que tinha tentado “salvar” a sua alma, tentando convertê-lo ao Cristianismo. Mas, segundo Nabil, os papeis inverteram-se rapidamente. “O médico estava naquela prisão. Ele tentou converter-me à Fé Protestante. Tivemos longas conversas e ele tornou-se Bahá’í.” Tratava-se do Dr. Effendi, também conhecido como “Faris, o sírio”, que estava preso devido a grandes dívidas. Nabil registou a sua narrativa:
No octogésimo primeiro dia do meu sonho, do terraço da prisão, vi Aqa Muhammad-Ibrahim-i-Nazir a passar na rua. Chamei-o e ele subiu. Perguntei-lhe o que fazia ali e ele disse-me que [Bahá’u’lláh] e os companheiros estavam a ser levados para Akka… e que ele tinha desembarcado na companhia de um polícia para fazer algumas compras.

O polícia, disse ele, “não me vai deixar ficar aqui muito mais tempo. Vou e informarei [‘Abdu’l-Bahá] da tua presença aqui. Se o barco se demorar aqui mais tempo, talvez venha visitar-te outra vez”. Ele deixou-me em brasas e foi-se embora.

O médico [Faris Effendi] não se encontrava ali nessa ocasião. Quando apareceu, encontrou-me lavado em lágrimas e recitando as seguintes palavras: “O Bem-Amado está ao meu lado e eu estou longe d’Ele; estou nas margens das águas da proximidade, e, no entanto, estou privado. Ó Amigo! Leva-me, leva-me a um lugar no navio da proximidade. Estou desamparado, estou vencido, sou um prisioneiro”.

Foi à noite que Faris... veio e viu a minha agonia. Disse-me: “Dizias-me que no octogésimo primeiro dia do teu sonho devias receber um motivo de regozijo, e que hoje é o octogésimo primeiro dia. Agora, pelo contrário, vejo-te profundamente perturbado”.

Respondi: “Na verdade, a causa de regozijo aparecei, mas ai de mim! A data está na palmeira e nossas mãos não podem alcançá-la”. Ele disse: “Conta-me o que aconteceu; talvez eu possa fazer alguma coisa”.

E assim, contei-lhe que [Bahá’u’lláh] estava no navio. Ele, tal como eu, ficou profundamente perturbado e disse: “Num dos próximos dias que não seja Sexta-feira… podemos, nós dois, obter permissão para ir a bordo do navio e estar na Sua presença. E ainda podemos fazer mais alguma coisa. Escreve o que quiseres; eu também vou escrever. Amanhã, um conhecido meu vem cá. Nós entregamos-lhe estas cartas para ele as levar ao navio”.

Escrevi a minha história e juntei alguns poemas que tinha escrito na prisão. Faris, o médico, também escreveu uma carta e descreveu a sua grande mágoa. Era muito comovedor. Colocámos tudo num envelope, que entregámos a um jovem relojoeiro chamado Constantino, para entregar ao início da manhã. Dei-lhe o nome do Khadim [Mirza Aqa Jan] e de alguns outros companheiros, disse-lhe como os podia identificar, e salientei que não devia entregar o envelope enquanto não encontrasse um deles.

Ele saiu de manhã. Nós ficámos a ver no topo do telhado. Primeiramente ouvimos um sinal e depois o barulho do movimento do navio; ficámos perplexos, com medo de não termos conseguido. Depois o navio parou e começou novamente após quinze minutos. Estávamos na expectativa quando, de repente, chegou Constantino. Entregou-me um envelope e um pacote embrulhado num lenço e gritou: “Por Deus! Eu vi o Pai de Cristo!”

Faris, o médico, beijou os seus olhos e disse: “O nosso destino foi o fogo da separação, o teu foi a bênção de ver o Bem-Amado do Mundo.” (Nabil-i A'ẓam, de uma história não publicada, traduzida por H.M. Balyuzi, Baha’u’llah, the King of Glory, pags. 267–268.)
Imagine-se o quão surpreendido deve ter ficado Constantino, o relojoeiro, ao contemplar Bahá’u’lláh pela primeira vez! Aquela primeira impressão tornou-se uma impressão permanente, quando ele – pleno de espanto e admiração – gritou para Faris: “Por Deus! Eu vi o Pai de Cristo!”

Estávamos no dia 28 de Agosto de 1868. Três dias mais tarde, Faris foi libertado da prisão, conforme prometido por Bahá’u’lláh. O segundo navio austríaco, com Bahá’u’lláh e os seus companheiros a bordo, partiu para Haifa.

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Texto original: The First Christian to Become a Baha’i (www.bahaiteachings.org)

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Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Bahá’u’lláh e a Revolução Russa

Por Baron Harper.


Há um século atrás, Vladimir Lenine levou o partido bolchevique - que ele tinha fundado - a derrubar o governo provisório de Alexander Kerensky.

A revolução que Lenine preparou arduamente durante anos teria amplas consequências nas décadas que se seguiram a 1917. Sendo reconhecidamente ateu, Lenine aderiu ao movimento revolucionário na Rússia czarista. Mais tarde, o seu fervor revolucionário intensificou-se quando o seu amado irmão mais velho foi enforcado por conspirar para assassinar Czar Alexandre III.

Vladimir Lenine
Lenine era um leitor ávido de literatura política revolucionária - incluindo “O Capital” de Karl Marx - e tornou-se marxista em 1889. Quando tentava unificar os grupos marxistas russos, esforçou-se por minar a veneração dos trabalhadores pelo Czar e afirmou que o capitalismo estava a destruir rapidamente a comuna agrícola - uma comunidade autónoma de famílias camponesas. Lenine acreditava que o proletariado - o povo da classe trabalhadora - nunca poderia entender que, ao derrubar capitalismo, só seria possível construir o socialismo marxista com um núcleo duro de revolucionários que governasse esse movimento.

Lenine nasceu durante o reinado do Czar Alexandre II, que reinou entre 1865-1881 e que foi saudado como o "Czar libertador" por ter libertado os camponeses servos. Na Rússia, a servidão era um estado de sujeição que vinha desde a Idade Média, em que as pessoas eram obrigadas a prestar serviços a um senhor e à sua terra.

Conhecido pelas opiniões liberais, Alexandre II foi um dos oito soberanos a quem Bahá’u’lláh Se dirigiu nas Suas singulares Epístolas aos reis e governantes na década de 1860. Para Alexandre II e os governantes que, no século XIX, exerciam autoridade absoluta civil e eclesiástica, escreveu:
Harmonizai as vossas diferenças e reduzi os vossos armamentos, para que o fardo das vossas despesas possa ser aliviado e para que as vossas mentes e corações possam ficar tranquilos. Sarai as dissensões que vos dividem… Ficámos a saber que aumentais as vossas despesas todos os anos e que colocais o respectivo fardo sobre os vossos súbditos. Em verdade, isto é mais do que eles podem suportar e é uma penosa injustiça. (SEB, CXVIII)
Especificamente para o Czar Alexandre II, Bahá’u’lláh declarou:
Em verdade, ouvimos aquilo que suplicastes ao teu Senhor, quando comungavas em segredo com Ele. Por isso, a briza da Minha benevolência soprou, e o mar da Minha misericórdia agitou-se, e respondemos-te em verdade. O teu Senhor, verdadeiramente, é o Omnisciente, o Sapientíssimo. (The Summons of the Lord of Hosts, p. 83)
Bahá’u’lláh disse aos governantes mais poderosos do mundo que os seus reinos terminariam se eles não prestassem atenção aos Seus avisos. Dirigindo-se ao Czar Nicolau II, escreveu:
Ó orgulhosos da terra! Acreditais que viveis em palácios enquanto Aquele Que é o Rei da Revelação reside na mais desolada das moradas? Não, por Minha vida! É em túmulos que habitais, se apenas o percebêsseis! (Idem, p. 87)
As políticas liberais do Czar tiveram a oposição dos nobres que perdiam posição e influência. Posteriormente, Alexandre II aceitou as suas pressões e iniciou uma política reaccionária que provocou uma desilusão generalizada, niilismo, agitação e terrorismo no seu império - e o que levou ao seu assassinato em 1881.

O seu filho, Alexandre III, que reinou de 1881-1894, prosseguiu uma política de repressão severa e hostilidade desafiadora para as vozes inovadoras e progressistas que apelavam para mudanças sociais. Ele acreditava que a ortodoxia, a autocracia e a nacionalismo russos salvariam a Rússia da agitação revolucionária. Invertendo algumas das reformas liberais do seu pai, decretou que o seu autoritarismo não teria limites.

Alexandre III morreu de nefrite aos 49 anos, em 1894. Quando o seu sucessor, Nicolau II, que reinou entre 1894-1917, se viu imperador da Rússia, perguntou ao seu primo: "O que vai acontecer comigo e com toda a Rússia?"

O Czar Nicolau II
Destinado a ser o último dos Romanov, que governavam desde 1613, Nicolau, com 26 anos, casou apressadamente com a princesa Alice (Alexandra), tornando-se ela a única pessoa em que podia confiar. Como Czar, Nicolau decidiu governar segundo o modelo do seu falecido pai. A sua política resoluta de repressão e absolutismo contribuiria para o declínio do Império Russo, acabando com a sua hegemonia e deixando de ser uma das grandes potências do mundo.

Debilitado por uma burocracia corrupta, humilhado numa guerra com o pequeno Japão em 1905, culpado pelo massacre do “Domingo Sangrento” (1389 pessoas) no mesmo ano, e arruinado pela morte de mais de 3.300.000 russos que ele quis liderar na Grande Guerra, Nicolau foi forçado a abdicar no início de 1917 - há um século. Ele e a sua amada consorte, juntamente com os seus cinco filhos, foram mantidos em prisão rigorosa pelo governo provisório de Kerensky até que surgisse a oportunidade de os exilar no estrangeiro. Em vez disso, os bolcheviques liderados por Lenine tomaram o poder em Outubro de 1917, e passado um ano executaram o czar e a sua família.

Ao acusar a conspiração leninista pela destruição brutal do primeiro governo democrático estabelecido na Rússia, a Casa Universal de Justiça condenou a revolução russa dos bolcheviques:
Durante longos anos, o sistema soviético criado por Vladimir Lenine conseguiu apresentar-se a muitos como um benfeitor da humanidade e o defensor da justiça social. À luz dos acontecimentos históricos, essas pretensões eram grotescas. A documentação agora disponível fornece provas irrefutáveis de crimes tão enormes e loucuras tão abismais que não tem paralelo nos seis mil anos de história registada. A um grau nunca antes imaginado, e nem sequer tentado, a conspiração leninista contra a natureza humana também procurou sistematicamente extinguir a fé em Deus... O seu efeito espiritual a longo prazo, tragicamente, era perverter, para o serviço da sua própria agenda amoral, os anseios legítimos de liberdade e justiça dos povos oprimidos em todo o mundo. (Century of Light, pp. 61-62)
Um século após a revolução russa, a crescente agitação entre populações civis em todo o mundo foi incapaz de criar um sistema justo e equitativo de governação internacional. Apesar de se apresentarem reivindicações, de se comprometerem lealdades, de se travarem batalhas, de se reformularem tratados e de se derrubarem governos, a verdade é que, em todo o mundo, os povos ainda se sentem desconfiados, em conflito e sem liderança. E podemos reflectir sobre uma das mais duras lições da Revolução Russa: que os bolcheviques substituíram uma autocracia indiferente por uma ditadura brutal, que se tornou responsável por engendrar atrocidades muito piores do que alguma vez se poderia ter imaginado sob domínio dos czares. Essa lição recorda-nos que as lutas tradicionais pela mudança podem piorar em vez de melhorar as condições - mas, ainda mais importante, lembra-nos que nenhum governante, por mais poderoso que seja, pode ignorar as advertências de um profeta de Deus. Bahá’u’lláh deu à humanidade um caminho para uma mudança positiva quando apelou aos governantes do mundo que estabelecessem a unidade através da justiça: "O propósito da justiça é o aparecimento da unidade entre os homens". (Tablets of Baha’u’llah, p. 66)

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Texto original: Baha’u’llah and the Revolution in Russia (www.bahaiteachings.org)

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Barron Harper é um consultor fiscal internacional. Aceitou a Fé Bahá’í em 1967, serviu em instituições Bahá’ís locais e nacionais nos Estados Unidos, Argentina e Portugal, e é autor de dois livros Bahá’ís - “Lights of Fortitude” (George Ronald Press) e “Unfurling the Divine Standard".

sábado, 21 de outubro de 2017

Quem foi Bahá’u’lláh?

Por Rodney Richards.


Quem foi Bahá’u’lláh? Uma pergunta mais correcta seria: "Quem é Bahá’u’lláh?", porque Ele ainda hoje inspira milhões de crianças, jovens e adultos em todo o mundo. Como é que alguém ainda inspira milhões de pessoas quase cento e vinte e cinco anos após a sua morte?

Como se fossem milhares de grandes personalidades que deixam a sua marca no progresso da humanidade, a Fé de Bahá’u’lláh impulsiona a humanidade para um futuro glorioso e edificante. Os ensinamentos de Bahá’u’lláh persistem após o seu falecimento (em 1892) e têm ainda mais significado no mundo de hoje do que quando Ele os revelou no século XIX.

Os Bahá’ís acreditam que Bahá’u’lláh é um daqueles grandes reveladores da história, como Cristo, Maomé, Buda, Krishna, o Báb e outros. O Seu aparecimento foi anunciado pela dramática figura do Bab em meados do século XIX, na Pérsia, que foi executado por um regimento de 750 soldados por anunciar o advento de um novo profeta universal de Deus. Bahá’u’lláh era aquele a que o Bab se referia como "Aquele que Deus tornará Manifesto" e que guiou os primeiros Bábis durante décadas de perseguição cruel e desumana pelas mãos fanáticas do clero, governo e população muçulmanas:
Dominando todo a extensão deste espectáculo fascinante, destaca-se a incomparável figura de Bahá'u'lláh, transcendente na Sua majestade, sereno, inspirador, irreversivelmente glorioso. (Shoghi Effendi, The World Order of Baha’u’llah, p. 97)
Em Abril de 1863, no Jardim de Ridvan, situado numa pequena ilha no rio Tigre, nos arredores de Bagdade, Bahá’u’lláh anunciou aos Seus seguidores que Ele era, de facto, o prometido pelo Báb, cuja ordem mundial "revolucionaria" os destinos da humanidade. Hoje, mais de cinco milhões de seguidores, distribuídos por mais de 100 mil localidades, trabalham para promover a mensagem central de Bahá’u’lláh: chegou a hora da humanidade se unir e pôr fim aos seus comportamentos ruinosos, infantis e antagónicos. Bahá’u’lláh afirmou que estamos próximos da idade da maturidade da humanidade, em que todos poderemos finalmente viver em paz, harmonia e prosperidade.

O nome Bahá’u’lláh é um título que significa "Glória de Deus", e que cumpre diversas passagens da Bíblia e outras escrituras. Os títulos "Ancião dos Dias" e "Beleza Antiga" significam a Sua sabedoria, sagacidade e unidade com o Criador único. "O Senhor dos Exércitos" significa a Sua posição de senhor do tempo, e a "Nova Jerusalém que desceu dos céus" simboliza plenamente a Sua nova revelação directa de Deus para toda a humanidade.
Testemunho perante Deus a grandeza, a inconcebível grandeza desta revelação. Repetidamente, na maioria das Nossas Epístolas, testemunhamos essa verdade, para que a humanidade pudesse ser acordada da sua negligência. (Bahá'u'lláh, citado em The Advent of Divine Justice, p. 77)
A "inconcebível grandeza desta revelação" recebe a sua inspiração dos ensinamentos de Bahá’u’lláh para um mundo desorientado e dividido, para uma humanidade que se debate entre o perceber da sua própria grandeza e o revoltar-se com as suas próprias depravações. Toda a humanidade reconhece que a ordem actual é "lamentável defeituosa", que um novo dia e uma nova mensagem são necessárias para mudar o seu destino e afastar-se do caminho actual da sua própria destruição.

Bahá’u’lláh afirma ter trazido esse novo dia e essa nova mensagem, proclamando isso de forma aberta e directa para que todos a examinem. É um novo dia precisamente porque "todas as Dispensações do passado atingiram a sua mais elevada e derradeira consumação" nesta nova revelação trazida por Bahá’u’lláh:
O que se tornou manifesto neste preeminente, nesta mais exaltada Revelação, não tem paralelo nos anais do passado, nem as eras futuras testemunharão algo semelhante. (Idem, pags. 103-104)
O que Bahá’u’lláh declara aos seguidores de todas as outras religiões é, no mínimo, surpreendente:
“Seguidores do Evangelho, eis que as portas do céu plenamente abertas. Aquele que lhe ascendeu voltou agora. Dai ouvidos à Sua voz que brada sobre a terra e o mar, anunciando a toda humanidade o advento da Sua Revelação..." E ao povo judeu: "E da Sarça-ardente surgiu o grito: ‘Eis que a Promessa sagrada foi cumprida, porque Ele, o Prometido, já veio!’" E "O Pai já veio. Aquilo que vos foi prometido no Reino de Deus cumpriu-se." E aos seguidores de Maomé, Bahá’u’lláh grita: "Se Maomé, o Apóstolo de Deus, tivesse alcançado este Dia, teria exclamado: 'Eu, em verdade, reconheço-Te, ó Desejo dos Mensageiros Divinos!'" (citado por Shoghi Effendi, The World Order of Baha’u’llah, pags. 104-105)
Sim, estas são as surpreendentes afirmações que Bahá’u’lláh fez. A Sua vida, a beleza dos Seus ensinamentos, os Seus milhares de livros e epístolas, e os Seus milhões de fiéis seguidores dão-lhes credibilidade. Tudo está disponível gratuitamente para leitura e estudo.

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Texto original: Who Was Baha’u’llah? (www.bahaiteachings.org)

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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um encontro com Bahá'u'lláh

Uma descrição de um encontro com Bahá'u'lláh foi publicada num importante jornal francês pelo jornalista libanês druso Amír Amín Arslan:
Tive a honra de captar um vislumbre daquele que é a encarnação da "Palavra de Deus" aos olhos dos persas, durante uma viagem que fiz a S. João do Acre ['Akká]. Estava ansioso por visitar "Abbás Effendi, o filho mais velho da "Palavra", que era responsável pelas relações externas da comunidade... Naturalmente, solicitei-lhe a honra de uma audiência com o seu santo pai. Ele explicou-me, de uma maneira muito simpática, que não era costume da Divindade admitir mortais incrédulos na sua presença. Mas como eu insisti, ele prometeu fazer todos os esforços possíveis para realizar o meu desejo.

... Tive de contentar-me com um vislumbre do ilustre Bahá'u'lláh no momento em que ele saiu para fazer a sua caminhada diária... durante a tarde, um momento em que ele poderia evitar melhor a atenção indiscreta dos estranhos. Mas 'Abbás Effendi colocou-me cuidadosamente atrás de uma parte da parede, ao longo do seu caminho, de tal maneira que eu poderia facilmente contemplá-lo durante um curto período de tempo... A sua aparência [de Bahá'u'lláh] atingiu a minha imaginação de tal maneira que não posso descrevê-lo melhor do que evocando a imagem de Deus Pai, comandando, na sua majestade, os elementos da natureza, no meio das nuvens.
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FONTE: The Bábí and Bahá’í Religions, Momen, pp. 224–25.

domingo, 30 de junho de 2013

Os Anos em Bagdade


Um extenso relato do período em que Bahá'u'lláh esteve exilado em Bagdade (1853-1863), que na época era uma capital provincial do Império Otomano. As circunstâncias da revelação de diversos livros e epístolas, as actividades de crentes e inimigos, e a declaração da Sua Missão no jardim de Ridvan são os principais tópicos deste livro.

A reler nestes dias.

Para quem preferir, existe uma tradução brasileira deste livro.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Casa de Bahá'u'lláh em Bagdade

No Facebook, um Bahá’í da Alemanha colocou um post curioso. Segundo ele, um livro intitulado "Traditional houses in Baghdad" de Ihsan Fethi e John Warren, encontra-se uma fotografia rara da “Mais Grandiosa Casa”, em Bagdade. As janelas do segundo andar são provavelmente do quarto de Bahá'u'lláh. A foto colorida na capa do livro exibe também uma parte da residência.

Aqui ficam as fotos.