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sexta-feira, 12 de novembro de 2004

Nascimento de Bahá'u'lláh

Hoje os bahá'ís celebram um feriado especial; o nascimento de Bahá'u'lláh. Tal como o Báb, não existem relatos detalhados sobre as circunstâncias do Seu nascimento. No entanto, há registo de uma série de episódios ocorridos durante a Sua infância e juventude que merecem ser recordados neste dia.

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Ao nascer do sol do dia 12 de Novembro de 1817, nascia em Teerão, mais um filho de Mirzá 'Abbás (também conhecido como Mirzá Buzurg) e da sua segunda esposa Khadijih Khanum. A criança nasceu numa casa grande, perto do Porta de Shimran, na zona oriental da cidade; era lá que Mirzá Buzurg passava o inverno juntamente com a família. Em casa todos se regozijaram com aquele nascimento; o parto decorrera dentro da normalidade possível, e a mãe estava de boa saúde. Os pais, que já tinham uma filha e um filho, deram a esta terceira criança, o nome de Husayn 'Alí. Para a história ficaria conhecido como Bahá'u'lláh.

Teerão, a porta Meidan Machke
Os filhos da nobreza persa eram educados por professores particulares; mas tratava-se de uma educação muito limitada. Aprendiam a andar a cavalo, a caçar, a manejar armas de fogo e espadas. A isto juntavam-se aulas sobre técnicas básicas de caligrafia, estudo da língua árabe, poesia persa e estudo do Alcorão.

O pequeno Husayn 'Alí era diferentes dos restantes irmãos; era tranquilo, sossegado, não chorava, nem fazia birras. Após as primeiras aulas com professores particulares começou a constar que aquela criança não necessitava de professores; respondia a questões que eram domínio dos homens que estudavam teologia, filosofia e lei religiosa. O pai, que pouca atenção prestava aos filhos, não podia deixar de notar o contraste; a sua admiração por aquele filho foi crescendo. Conta-se que um dia, quando Husayn 'Alí tinha sete anos, os pais observaram-No a caminhar e a mãe comentou que Ele era um pouco baixo. Mirza Buzurg respondeu: "Isso não importa. Não viste como Ele é inteligente e a mente maravilhosa que Ele tem? E que percepção! É como uma chama de fogo. É tão novo e já é superior a homens adultos."

A esta capacidade intelectual juntavam-se qualidades pessoais que não passavam despercebidas a quem O conhecia. Delicadeza, eloquência, humildade, paciência, generosidade e sentido de humor são as mais referidas. Várias actividades filantrópicas valeram-lhe o título de "Pai dos Pobres" devido à Sua extraordinária generosidade e atenção para com os carenciados. Parecia que a riqueza tinha pouca importância para Ele, apesar de ter estado sempre rodeado por esta. As preocupações espirituais eram o centro da Sua vida.

UM SONHO

Quando Husayn 'Alí tinha cinco ou seis anos, teve um sonho que contou ao Seu pai. No sonho, Ele estava num jardim quando pássaros enormes O atacaram por todos os lados; mas nenhum O magoou. Depois foi até ao mar, onde foi atacado por pássaros e por peixes, mas mais uma vez não O conseguiram magoar.

Intrigado com o sonho do filho, Mirzá Buzurg mandou chamar um homem que dizia ser intérprete de sonhos; este disse-lhe que o mar representava todo o mundo, que os pássaros e os peixes representavam todos os povos do mundo que atacariam o seu filho, pois Ele proclamaria algo muito importante para toda a humanidade. Mas todos os povos do mundo, não Lhe conseguiriam fazer mal; e Ele seria vitorioso sobre todos.


Praça da Artilharia, frente à porta sul do palácio do Xá, em Teerão.
Gravura datada de 1840


SABEDORIA

Testemunhos da sabedoria e espiritualidade do jovem Husayn Alí também ficaram registados. Conta-se que Ele sabia resolver problemas como ninguém e que o Seu profundo conhecimento do Alcorão e das Hadiths (tradições islâmicas) surpreendiam muitos homens instruídos.

Um sábio famoso, Shaykh Muhammad-Taqí, pediu uma vez a uma centena de alunos que lhe explicassem o significado de uma certa Hadith. Segundo essa tradição islâmica, "Fátima é a melhor das mulheres neste mundo, com excepção da filha de Maria". Mas Maria não teve nenhuma filha; o que significava esta tradição?

Bahá'u'lláh respondeu que a afirmação inicial afirma a impossibilidade da alternativa, e portanto não existia outra mulher comparável a Fátima. Era o mesmo que dizer que um certo monarca é o maior dos reis deste mundo, com excepção daquele que desceu do céu. Como nenhum monarca desceu do céu, está-se a afirmar o carácter único do monarca.

O Shaykh ficou silencioso durante uns momentos. Depois repreendeu os seus alunos: "Instrui-vos durante vários anos e agora desiludiram-me. Vejo que vos falta compreensão, enquanto que este jovem sem formação tem uma explicação brilhante para o problema que vos apresentei".


Teerão, Dervazek Dovlette, uma das portas da cidade


O RESPEITO PELOS MENSAGEIROS DE DEUS

A única coisa que incomodava Bahá'u'lláh profundamente eram faltas de respeito pelos Mensageiros de Deus; mas mesmo nessas situações, advertia o Seu interlocutor com calma e gentileza.

Numa ocasião, realizava-se uma reunião com várias pessoas, em que estavam Bahá'u'lláh e um conhecido sábio sufi, Nazar-'Ali, de Qazvin; este último falou muito, enaltecendo a condição espiritual que um ser humano pode atingir. E referindo-se a si próprio, o sábio sufi declarou: "Sou tão desprendido que se o meu servo me dissesse que Jesus Cristo estava à minha porta, à minha procura, eu não mostraria qualquer desejo em vê-Lo". A maioria dos presentes ficou em silencio; alguns murmuraram admiração pelas palavras do sábio.

Bahá'u'lláh sentiu nas palavras uma enorme falta de respeito por um Mensageiro de Deus. Perguntou-lhe: "És uma pessoa muito próximo do nosso soberano, o Xá Muhammad, e ele aprecia muito a tua sabedoria. Mas se o chefe da prisão viesse bater à tua porta, acompanhado por dez homens e te dissesse que o monarca queria falar contigo, ficarias calmo ou perturbado?"[1]

Nazar-'Ali pensou um pouco e respondeu: "Na verdade, ficaria muito ansioso".

"Nesse caso, também não deves proferir essas afirmações", retorquiu Bahá'u'lláh.


Teerão, gravura datada de 1850

MATURIDADE

Em Outubro de 1835, Bahá'u'lláh, já tinha quase 18 anos, quando casou com Asiyih Khanum, filha de uma outra família da nobreza persa de Yalrud (Mazindaran). Deste casamento nasceram vários filhos que ficaram conhecidos na história da religião bahá'í: 'Abdu'l-Bahá, Mirzá Mihdhi e Bahiyyih Khanum.

Em Agosto de 1844, Mullá Husayn, o primeiro discípulo do Báb, viajou até Teerão. O Báb pedira-lhe que levasse um documento à capital; não lhe disse a quem deveria entregar o documento. Adiantou apenas que "encontra-se oculto um segredo nessa cidade" e que Mullá Husayn encontraria a pessoa que deveria receber o documento.

Em Teerão teve conhecimento da existência do Husayn 'Ali, do Seu carácter e modo de vida. Compreendeu que era Ele o destinatário daquele documento. Dirigiu-se à casa junto da Porta de Shimran e encontrou-se com Mirzá Musá, um dos irmãos de Bahá'u'lláh. Entregou-lhe o documento com a recomendação que o fizesse chegar às mãos de Bahá'u'lláh.

Quando Bahá'u'lláh recebeu o documento das mãos do Seu irmão, abriu e leu-o; alguns dos excertos foi lendo em voz alta. Quando terminou voltou-se par ao irmão e perguntou: "Musá, que dizes disto? Em verdade te digo, quem acredita no Alcorão e reconhece a sua origem divina, mas hesita por um momento que seja em admitir que estas palavras extraordinárias estão dotadas do mesmo poder regenerador, essa pessoa errou no seu juízo e afastou-se do caminho da justiça". Com estas palavras, Bahá'u'lláh declarava a Sua adesão à Mensagem do Báb. A partir desse momento ia dedicar todo o Seu tempo e energia à divulgação daquela Causa. Era o início do fim da Sua vida tranquila e privilegiada.

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NOTAS
[1] - Palavras atribuídas a Bahá'u'lláh

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

A cela



Um dos locais de visita dos peregrinos bahá'ís, na Terra Santa é a Fortaleza de 'Akká. Quando fiz a minha peregrinação, em 1991, também visitei este local, e tive a oportunidade de entrar na cela onde Bahá'u'lláh esteve detido durante mais de dois anos. À entrada da cela uma placa indicava que se trata de um local sagrado para os bahá'ís; o interior tinha apenas um tapete no chão.

Dez anos após essa visita a recordação mais forte que guardo desse local, foi o silêncio que se fazendo entre o grupo de peregrinos (cerca de 50 pessoas) à medida que nos aproximávamos da cela. No interior, o silêncio foi total. Uns sentavam-se no chão e faziam as suas orações; outros contemplavam aquele espaço vazio. Creio que todos tentámos imaginar o que deve ter sido a vida de Bahá'u'lláh naquele pequeno espaço.

Aquele local era diferente de todos os outros que nós, peregrinos, visitámos. A ausência de mobiliário dava uma tremenda sensação de vazio; apenas paredes espessas e umas janelas de onde se podia ver o mar. Tudo isto nos levava a perceber o que deve ter sido o isolamento a que Ele ficou sujeito.

terça-feira, 20 de julho de 2004

Há 134 anos, a França lançava-se no abismo

Em 19 de Julho de 1870, culminando uma série de crispações diplomáticas e um clima de crescente tensão com o Rei da Prússia, Napoleão III declara guerra àquele país. Nos meses seguinte os poderes políticos na Europa seriam profundamente abalados; a França seria humilhada e a Prússia regozijar-se-ia no seu orgulho nacionalista.

A queda do império francês impressiona toda a Europa; aquela que era, aparentemente, a grande potência europeia, fica de rastos. (o impacto deste acontecimento em Portugal é descrito nas últimas páginas d'O Crime do Padre Amaro). É a estupefacção geral. Como foi possível aquilo acontecer?
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NAPOLEÃO III

Carlos Luís Napoleão Bonaparte nasceu em Paris em 20 de Abril de 1808. Era o terceiro e último filho do Rei Luís e da Rainha Hortense da Holanda; era, também, sobrinho de Napoleão I. A família Bonaparte tinha sido expulsa de França após a queda do seu tio; assim Luís Napoleão foi cresceu e foi educado na Suíça e na Baviera. Educado sob os valores do mito Napoleónico e incentivado pela mãe a reconquistar o poder da família, escreve uma série de textos e tratados, formulando um programa político e apresentando-se como um liberal, especialista militar e defensor do desenvolvimento industrial e agrícola.

Lidera duas tentativas de derrube do rei Luís Filipe; a primeira, em Estrasburgo (1836), acaba por o levar ao exílio nos Estados Unidos; a segunda, em Boulogne-sur-Mer (1840) vale-lhe uma sentença de prisão perpétua na fortaleza de Ham, no Somme. Consegue evadir-se em 1846 e foge para Inglaterra.




Após a revolução que levou à queda do rei Luís Filipe em Fevereiro de 1848, Luís Napoleão regressa a França e lança-se de novo na arena política ao apresentar-se como candidato à presidência da nova república francesa. O nome e a nostalgia da era napoleónica ajudam-no a vencer as eleições com uma larga maioria de votos. Mas o limite do mandato de presidente e uma vitória monárquica nas eleições legislativas acabam por condicionar a sua acção política; resolve esse problema com um golpe de estado em Dezembro de 1851, assumindo poderes ditatoriais e alargando a duração do seu mandato.

O SEGUNDO IMPÉRIO

Um ano mais tarde, um plebiscito aprova a substituição da Segunda República pelo Segundo Império: assumiu o titulo de Napoleão III, tentando assim invocar uma herança política do anterior imperador. Durante oito anos mantém poderes ditatoriais; simultaneamente, a França assiste a grandes desenvolvimentos industriais e económicos.

Os caminhos de ferro expandem-se fortemente; as condições das populações desfavorecidas também melhoram. É no seu reinado que se assiste à reconstrução de Paris, sob a supervisão de Baron Haussman. Vários Bancos de Investimento são autorizados. Mas simultaneamente, o Imperador limitou a liberdade de imprensa e de pensamento; censurou jornais e exilou escritores (Victor Hugo viu os seus trabalhos proibidos).

A partir de 1860, e fruto de uma acentuada queda de popularidade, Napoleão III inicia uma série de reformas liberais; os poderes da Assembleia Legislativa são alargados e muitas liberdades civis são restabelecidas. É criada uma legislação laboral, surgem incentivos ao mercado livre e a permissão de existência de partidos de oposição; a liberdade de associação e de imprensa também surgem nessas reformas. Era o período do "Império Liberal".

A POLÍTICA EXTERNA

Ao seu sucesso interno contrapõem-se uma política externa demasiado ingénua, que coloca a França em situações muito delicadas. Entre 1854 e 1856 a França junta-se ao Reino Unido, ao reino da Sardenha e ao Império Otomano na Guerra de Crimeia contra a Rússia. A participação na construção do Canal do Suez e a intervenção na China (1857-60) levam os franceses a acreditar que a França recuperou o seu poder e prestígio internacional.

Em 1859, a França alia-se à Sardenha numa guerra para expulsar a Áustria da península italiana. Com isso recebeu Nice e Saboia; mas os custos da guerra foram demasiado elevados. A intervenção francesa em Itália teve outras consequências, nomeadamente a unificação italiana (1861): a Itália surgiu como uma nova potência europeia com quem a França tinha de se entender. Uma intervenção no México (1861-67) é desastrada; as tropas francesas deixam o país por exigência norte-americana, e o Imperador Maximiliano é abandonado à sua sorte.

Napoleão III mantém a neutralidade francesa durante a guerra Autro-Prussiana de 1866. A ascensão da Prússia, sob a liderança de Otto von Bismarck, à condição de potência europeia é subestimada por Napoleão III. Contrariando os seus conselheiros, decide assumir uma postura agressiva na questão da sucessão do trono espanhol; é o pretexto que os Prussianos necessitavam para provocar uma guerra com a França.

A guerra Franco-Prussiana lança o segundo Império na ruína. O próprio Napoleão é capturado pelos prussianos após a batalha de Sedan (1 de Setembro de 1870). Uma revolução em Paris declara a sua deposição em 4 de Setembro desse ano.




Libertado após o armistício, parte para o exílio em Inglaterra; o seu único filho morreu ao serviço do exército inglês. Morreu a 9 de Janeiro de 1873 em Chislehurst, Inglaterra.

EPÍSTOLAS DE BAHÁ'U'LLÁH A NAPOLEÃO III

Bahá'u'lláh revelou duas epístolas para Napoleão III. A primeira deve ter sido revelada entre 1866 e 1867, durante o exílio em Adrianópolis; a segunda foi revelada entre 1868 e 1870, na prisão em 'Akká, durante o último exílio. Tal como fez noutras epístolas a reis e governantes, nestas duas epístolas Bahá'u'lláh anuncia o aparecimento de uma nova revelação divina. No entanto, há uma clara diferença de estilos entre as duas epístolas; a primeira chega ser elogiosa e aconselha o Imperador sobre diversos assuntos; a segunda é claramente condenatória e ameaçadora, profetizando a queda do império francês e a humilhação de Napoleão.

Alguns excertos da segunda epístola:

Ó Rei de Paris! Diz ao padre que não toque mais os sinos. O Mais Grandioso Sino apareceu na forma daquele que é o Mais Grandioso Nome, e os dedos da vontade do Teu Senhor, o Excelso, o Altíssimo, fazem-no soar no céu da imortalidade, em Seu Nome, o Todo-Glorioso. Assim os poderosos versículos do Teu Senhor foram enviados de novo para ti, para que pudesses levantar-te para celebrar Deus, o Criador do Céu e da Terra, nestes dias em que todas as tribos da terra se lamentaram e as fundações das cidades tremeram, e o pó da irreligião envolveu todos os homens, salvo aqueles que Deus, o Omnisciente, a Suprema Sabedoria, decidiu poupar.
(...)

Ó Rei! Ouvirmos as palavras que pronunciaste em resposta ao Czar da Rússia a respeito da decisão tomada à cerca da guerra (guerra da Crimeia). O teu Senhor, em verdade, sabe, está informado de tudo. Disseste: "Eu estava adormecido no meu leito, quando o grito dos oprimidos, que eram afogados no Mar Negro, me despertou". Isto foi o que te ouvimos dizer e, em verdade, teu Senhor é testemunha daquilo que digo. Damos testemunho que aquilo que te despertou não foi o seu grito, mas os impulsos das tuas próprias paixões, pois Nós testámo-te e julgamo-te em falta. Compreende o significado das Minhas palavras e sê dos que discernem.
(...)

Tivesses tu sido sincero nas tuas palavras, não terias lançado para trás de ti o Livro de Deus quando te foi enviado por Aquele que é o Todo-Poderoso, o Omnisciente. Através dele te pusemos à prova e encontramo-te diferente do que professas ser. Levanta-te e emenda-te naquilo que te escapou. Em breve, o mundo e tudo o que tu possuis perecerão e o reino será devolvido a Deus, teu Senhor e o Senhor de teus pais de antanho. Não te convém proceder segundo os ditames de teus desejos. Teme os suspiros deste Injuriado e protege-0 contra os dardos daqueles que agem com injustiça. Por causa daquilo que fizeste, o teu reino será lançado na confusão; e o teu império passará das tuas mãos, como punição pelo que perpetraste.

Então saberás que erraste claramente. Uma grande convulsão apossar-se-á de todo o povo dessa terra, a menos que te levantes para ajudar esta Causa e sigas Aquele que é o Espírito de Deus (Jesus Cristo) neste caminho recto. Será que a tua pompa te tornou orgulhoso? Por minha vida! Não perdurará; muito em breve há-de passar, a menos que te segures firmemente a esta Corda forte. Vemos a humilhação aproximar-se de ti rapidamente, enquanto estás desatento.
(...)

Sabe, em verdade, que os teus súbditos são uma responsabilidade que Deus te conferiu. Cuida deles, como cuidas de ti. Acautela-te para que os lobos não se tornem pastores do rebanho, ou o orgulho e a soberba te impeçam de cuidar dos pobres e dos desprotegidos.
(...)


As duas epístolas foram enviadas através de diplomatas franceses em Constantinopla; alguns autores dizem que Napoleão, ao ouvir a tradução da primeira epístola, tê-la-ia atirado para o chão e dito "Se este homem é Deus, então eu sou duas vezes Deus". No entanto, não temos nenhuma confirmação independente sobre esta reacção de Napoleão (ver este esclarecimento).
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Links e Referências

* Biografia de Napoleão III (Encyclopedia Britannica)
* Biografia de Napoleão III (Atrium, em francês)
* Análise comparativa das duas Epistolas a Napoleao III encontra-se aqui.
* O texto completo desta segunda epístola encontra-se aqui.
* Sobre o Rei da Prussia (e Kaiser da Alemanha), ver este post.

sexta-feira, 18 de junho de 2004

Há 133 anos: o triunfo do Kaiser

No dia 18 de Junho de 1871 o exército alemão desfila em Berlim com grande aparato. O império alemão tem motivos para celebrar: depois da unificação em torno da Prússia, a França, a grande potência europeia liderada por Napoleão III, foi completamente derrotada numa guerra rápida. O recém proclamado Império Alemão parece ter todos os motivos para estar orgulhoso. O Kaiser Guilherme I é aclamado como "Deus da Guerra". Longe dali, numa remota prisão do Império Otomano, um nobre persa exilado adverte-o sobre a sua conduta; tal como já fizera com outros Reis e Governantes daquele tempo.

Guilherme Frederico Ludwig nasceu em 22 de Março de 1797, em Berlim. Era o segundo filho de Frederico Guilherme III da Prússia e da rainha Louise de Mecklenburg-Strelitz. Entrou no Exército prussiano em 1807 e serviu durante as guerras napoleónicas. Em 1829 casou com Augusta de Saxe-Weimar, de quem teve dois filhos. Após a ascensão ao trono do seu irmão Frederico Guilherme IV em 1840, Guilherme torna-se o primeiro na linha de sucessão. Em 1858, após o seu irmão ter sido declarado incapaz, Guilherme torna-se regente e três anos mais tarde sucede-lhe no trono. Crente firme no direito divino dos reis, declara na sua coroação que "governará por favor de Deus e de mais ninguém".

Em 1862, Guilherme nomeia Otto von Bismarck primeiro ministro; desde esse ano até à morte do imperador, o Bismarck guiaria os destinos da Prússia e da Alemanha. A oposição ao programa militar do Kaiser e do Bismarck é silenciada. É lançado um programa de unificação dos estados alemães sob liderança prussiana. A estratégia de unificação passa por uma guerra com a Dinamarca em 1864 (por causa de Schleswig-Holstein) e com a Áustria em 1866. Durante a guerra Franco-Prussiana (1870-71), o Kaiser assume o comando da guerra e recebe pessoalmente a rendição de Napoleão III em Sedan. É proclamado imperador alemão na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes, em 1871, enquanto as tropas alemãs cercam Paris

Durante o seu reinado, Guilherme nem sempre concordava com as políticas do Bismarck; alguns historiadores dizem que se deixava convencer pelo seu Chanceler. Apesar de concordar com as políticas militaristas, Guilherme I não concordou com a Kulturkampf (a luta do Bismarck contra a Igreja Católica Romana) mas deu-lhe um consentimento tácito. As suas políticas militaristas e antidemocráticas valeram-lhe o ódio de grupos radicais; em 1878 foi alvo de dois atentados.

Faleceu em Berlim, em 9 de Março de 1888. Sucedeu-lhe o filho, Frederico III.

A EPÍSTOLA DE BAHÁ'U'LLÁH AO KAISER

O Kaiser Guilherme I foi um dos governantes europeus para quem Bahá'u'lláh revelou uma epístola (não descobri a data exacta em que foi revelada, mas creio ter sido por volta de 1870).Tal como a outros governantes, anuncia-lhe o aparecimento de uma nova revelação divina, e aconselha-o na condução da governação. Chama-lhe a atenção para o destino de Napoleão III (a quem Bahá'u'lláh enviara duas epístolas) e para o destino de todos os governantes despóticos. Por fim, profetiza duas derrotas da Alemanha.

Ó Rei de Berlim! Dá ouvidos à Voz que chama deste Templo manifesto: - Em verdade, não há outro Deus senão Eu, o Eterno, o Incomparável, o Ancião dos Dias. Acautela-te para que o orgulho não te impeça de reconhecer a Aurora da Revelação Divina, nem os desejos terrenos te excluam, como se o fosse por um véu do Senhor do Trono no alto e da terra em baixo. Assim te aconselha a Pena do Altíssimo. Ele, em verdade, é o Mais Misericordioso, o Todo-Generoso. Lembra-te daquele cujo poder transcendeu o teu poder (Napoleão III), e cuja posição era superior à tua posição! Onde está ele? Onde foram as coisas que ele possuía? Fica avisado, e não sejas dos que estão profundamente adormecidos. Ele foi quem lançou para trás de si a Epistola de Deus quando Nós o informamos daquilo que as hostes da tirania Nos fizeram sofrer. Por isso a desgraça o atacou de todos os lados e, com grande perda, ele se baixou ao pó. Pondera, ó Rei, sobre ele e sobre os outros que, como tu, venceram cidades e dominaram os homens. 0 Todo-Misericordioso fê-los descerem dos seus palácios às suas sepulturas. Sê advertido, sê dos que reflectem... Ó margens do Reno! Nós vos vimos cobertas de sangue, porque as espadas da retribuição foram desembainhadas contra vós; e tê-la-eis ainda outra vez. E ouvimos as lamentações de Berlim, apesar de hoje estar em glória conspícua.

O texto em inglês desta epístola encontra-se aqui.

quarta-feira, 16 de junho de 2004

Pio IX foi eleito há 158 anos

Há 158 anos, no dia 16 de Junho, Pio IX era eleito Papa. O seu papado – o mais longo da história – seria marcado por uma série de episódios que marcariam profundamente o destino da Igreja Católica. Este Papa encontra-se entre os governantes do séc. XIX a quem Bahá'ú'lláh enviou epístolas.
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Giovanni Maria Mastai-Ferretti nasceu em 13 de Maio de 1792. Foi ordenado sacerdote em 1819; tornou-se arcebispo de Spoleto em 1827; foi nomeado cardeal em 1840 pelo Papa Gregório XVI, a quem viria a suceder em 1846.

O primeiro ano do seu pontificado foi marcado por reformas políticas na administração dos Estados Papais. A constituição então publicada satisfazia algumas exigências de representação popular; mas não foi suficiente para acalmar a vaga de nacionalismo que alastrava pela Itália. A revolução de 1848 leva o Papa a refugiar-se em Gaeta, no Reino de Nápoles. Dois anos mais tarde, a recém-criada República Romana é dissolvida após uma intervenção francesa; Pio IX começa então a alinhar-se com a oposição ao liberalismo político e eclesiástico.

Pio IX defendeu sempre o controlo da ciência, educação e cultura nos Estados Papais, e resistiu vigorosamente às exigências de criação de um governo constitucional e à unificação da Itália. Numa bula publicada em 1854, proclamou o dogma da Imaculada Concepção. Em 1864 publicou a encíclica Quanta Cura acompanhada de uma lista condenatória de oitenta erros, entre os quais a crença de que o próprio Papa se devia reconciliar com o "progresso, liberalismo e civilização moderna". Apoiou o Ultramontanismo, uma doutrina que, entre outras coisas, proclamava a autoridade papal sobre a igreja internacional. O triunfo desta doutrina no Primeiro Concílio do Vaticano (1869-70) resultou na proclamação da infalibilidade papal.

O poder temporal do Papado ficara muito diminuído em 1860, quando o novo Reino de Itália absorveu todo os territórios dos Estados Papais com excepção de Roma. Esse poder temporal termina definitivamente em 1870, após a queda de Napoleão III, quando as tropas francesas, que protegiam o domínio papal, se retiram, e a cidade de Roma se tornou capital de uma Itália unida.

Pio IX recusou assinar o Acto Parlamentar de 1871 que definia as relações entre o Papado e o governo Italiano, e retirou-se para o Vaticano. Ali permaneceu até à sua morte em 7 de Fevereiro de 1878, considerando-se um prisioneiro na sua cela. O mesmo fizeram os seus sucessores até à conclusão do Tratado de Laterano, em 1929; neste tratado definia-se, entre outras coisas o estatuto da Cidade do Vaticano.

O seu papado foi o mais longo da história. Foi sucedido por Leão XIII. No ano 2000, Pio IX foi beatificado por João Paulo II.


A EPÍSTOLA AO PAPA

Como já escrevi noutros posts, Bahá'u'lláh dirigiu epistolas aos mais importantes governantes do seu tempo. Pio IX foi um desses governantes. A Epístola ao Papa (Lawh-i-Páp) foi revelada em árabe entre 1868 e 1869; à semelhança de outras epístolas a Reis e Governantes, o seu tom é claramente autoritário e majestático. Nela Bahá'u'lláh anuncia numa linguagem inequívoca o retorno de Cristo na Glória do Pai. As analogias entre o Papa e os doutores judeus que condenaram Jesus, sucedem-se; incluem-se também várias exortações para que o Papa seja um exemplo de virtude entre os cristãos.
Ó PAPA ! Rasga os véus. Aquele que é o Senhor dos Senhores veio envolto em nuvens e Deus, o Todo-Poderoso, o Independente, cumpriu o Seu decreto… Ele, em verdade, desceu novamente do Céu tal como desceu da primeira vez. Acautela-te para não argumentar com Ele como fizeram os fariseus com Ele (Jesus) sem qualquer sinal ou prova evidente(...)...lembra-te Daquele que foi o Espirito (Jesus), que quando veio, os maiores doutores do Seu tempo O condenaram no Seu próprio país. Mas aquele que era apenas um pescador acreditou Nele.(...)Considera aqueles que se opuseram ao Filho (Jesus), quando Ele veio até eles com soberania e poder. Quantos fariseus que esperavam poder contemplá-Lo e se lamentavam de estarem separados Dele! E, no entanto, quando a fragrância da Sua vinda soprou sobre eles, e a Sua beleza se desvelou, afastaram-se Dele e discutiram com Ele... Ninguém voltou a face para Ele, com excepção alguns que eram destituídos de poder entre os homens.(...)Ó Pontífice Supremo! Dá ouvidos ao que te aconselha Aquele que molda os ossos que se desfazem em pó, pela voz Daquele que é o Seu Mais Grandioso Nome. Vende todos os ornamentos elaborados que possuis e gasta-os no caminho de Deus, Aquele que faz a noite suceder ao dia e o dia suceder à noite. Abandona o teu reino aos reis, e sai do teu lar, com tua face voltada para o Reino, e, desprendido do mundo, proclama os louvores de Deus entre o céu e a terra. Assim te ordena Aquele que é o Possuidor dos Nomes, por parte do teu Senhor, o Omnipotente, o Omnisciente. Exorta os reis e diz: "Tratai os homens com equidade. Acautelai-vos para não transgredires os limites fixados no Livro". Isto na verdade, convém-te.
Quanto ao destino desta epístola, apenas sabemos que foi entregue no Vaticano; não sabemos se o próprio Pio IX a leu, ou se alguém a terá traduzido para o Papa. O texto completo desta epístola encontra-se aqui (em inglês)
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NOTAS / LINKS
Encyclopedia Britannica - Biografia de Pio IX (link)
The Revelation of Bahá'u'lláh, vol III, Adib Taherzadeh, pags 116-118
Site Oficial do Vaticano sobre Pio IX (link)
Site Italiano sobre Pio IX (link)

terça-feira, 1 de junho de 2004

A vantagem de sermos poucos...

Como já referi aqui, a peregrinação bahá'í até hoje tem sido feita em pequenos grupos de 200 crentes. São pessoas provenientes dos mais diversos lugares do mundo. Depois de nos inscrevermos, aguardamos 4 a 5 anos até sermos avisados que no ano seguinte vamos ter oportunidade de fazer a peregrinação. O facto do grupo de peregrinos ser pequeno dá uma certa tranquilidade; a peregrinação consegue ser mais um momento de reflexão sobre a nossa relação com Deus, do que um fenómeno de massas.

Quando fiz a minha peregrinação, um iraniano idoso insistia que, de alguma forma, nós éramos um privilegiados. Estávamos ali num pequeno grupo de peregrinos e podíamos entrar nos túmulos; com sorte até conseguíamos estar a sós lá dentro. No futuro, quando houvesse muitos milhões de bahá'ís, não poderíamos entrar nos túmulos; teríamos apenas a possibilidade de circular ao seu redor.

Em 1992, celebrava-se o centenário do falecimento de Bahá'u'lláh. Para assinalar o evento, realizou-se na Terra Santa uma cerimónia especial de homenagem ao fundador da religião Bahá'í. De cada país foram convidadas 19 pessoas; ao todo éramos mais de 4000 pessoas. E como, tinha antevisto aquele iraniano idoso, não podíamos entrar todos nos túmulos. Tivemos de circular ao seu redor.

A foto seguinte mostra uma imagem aérea do jardim que circunda a ultima residência e o túmulo de Bahá'u'lláh, em Bahji, na Terra Santa.

sábado, 29 de maio de 2004

Há 112 anos: "Apagou-se o Sol de Bahá"

Em Novembro de 1891 Bahá'u'lláh completara 75 anos de idade. Os últimos anos tinham sido mais tranquilos do que as décadas anteriores. Residia em Bahji, na Terra Santa. A Sua saúde física ressentia-se de acontecimentos vividos: envenenamento, espancamentos, torturas prolongadas na prisão de Teerão (o tristemente célebre Siyah-Chal) e dois anos na mais grandiosa prisão ('Akká).

A Sua esposa, Naváb, tinha falecido em 1886; no ano seguinte falecera o seu irmão e apoiante leal, Mirzá Musá.

Nesse ano de 1891, Bahá'u'lláh revelara a Sua última grande obra, a Epistola ao Filho do Lobo. Trata-se de um livro dirigido a um clérigo muçulmano responsável pela morte de dois bahá'ís, executados na cidade de Isfahan em 1878. Ao longo de várias páginas recorda vários acontecimentos do Seu ministério e revela novamente as epístolas dirigidas aos reis e governantes do Seu tempo.

Em 8 de Maio de 1892 começou a sentir febre. Nos dias seguintes tentou manter alguma rotina diária, continuando a receber crentes em Sua casa. Com o passar dos dias a febre agravou-se, e toda a sua saúde piorou.

Seis dias antes de falecer chamou toda a família à Sua presença; alguns crentes e peregrinos também foram convocados. "Estou satisfeito com todos vós... Prestaram-Me muitos serviços... Que Deus vos ajude a permanecer unidos...".

Na madrugada de 29 de Maio de 1892, Bahá'u'lláh abandonou este mundo físico.



Entrada do Túmulo de Bahá'u'lláh, em Bahji.
Para os bahá'ís, este é considerado o local mais sagrado do mundo.


No dia seguinte as mesquitas em ‘Akká, e noutras partes da Palestina, anunciavam a morte daquele homem que muitos consideravam santo. De Damasco, Beirute, Alepo e Cairo chegam palavras de pesar, homenagens e comitivas. Ao Sultão do Império Otomano(que governava a Palestina, e tinha sido responsável por muitos dos sofrimentos de Bahá’u’lláh), 'Abdu'l-Bahá enviou um telegrama anunciando a morte de Seu Pai; começava coma frase "Apagou-se o Sol de Bahá".

Nove dias após o falecimento de Bahá'u'lláh, procedeu-se à abertura do Seu testamento; perante várias testemunhas, abriu-se caixa que continha esse documento e os respectivos selos foram quebrados. O documento foi lido em voz alta para os Seus filhos e um grande número de crentes; neste, 'Abdu'l-Bahá, o filho mais velho de Bahá'u'lláh, era nomeado Seu sucessor.

'Abdu'l-Bahá tinha então quarenta e oito anos; obedecendo às instruções de Seu Pai carregou o fardo da liderança da Comunidade Bahá'í.

segunda-feira, 24 de maio de 2004

Há 185 anos nascia a Rainha Vitória

Em 24 de Maio de 1819, no palácio de Kensington, em Londres, nascia Alexandrina Vitoria. O seu pai, o Duque de Kent, morreu quando ela tinha oito meses. Vitoria cresceu no Palácio de Kensington sob o cuidado de uma governanta alemã e tutores ingleses e do tio, o Príncipe Leopoldo (que viria a ser Rei da Bélgica). Vitória aprendeu francês e alemão; estudou história, geografia e religião; aprendeu piano e cultivou o gosto pela pintura (que manteve até aos seus sessenta anos). Quando o seu tio, rei Guilherme IV, falece em Junho de 1837 sem ter filhos, Vitoria torna-se Rainha. Tinha então 18 anos.

Casou em 1840 com o Príncipe Alberto, de quem teve nove filhos. O casal transmitiu uma imagem de família tranquila e respeitável, que contrastava com os anteriores monarcas. Envolveram-se pessoalmente na educação dos filhos (não deixaram isso apenas a cargo de amas ou tutores). Alberto tornou-se um braço direito da Rainha no que toca aos assuntos de estado; apoiou o desenvolvimento de artes e ciências e foi um grande impulsionador da modernização e fortalecimento do exército britânico; apesar disso, alguns britânicos nunca lhe perdoaram o sotaque alemão.

Após a morte de Alberto em 1861 manteve um luto carregado durante quase 10 anos. Os seus nove filhos foram casando; oito tiveram filhos. Alguns dos seus filhos e netos casaram com membros de casas reais de outros países, nomeadamente Espanha, Rússia, Suécia, Noruega, e Roménia; Devido à sua numerosa descendência, os britânicos ainda gostam de lhe chamar a "Avó da Europa".

O reinado de Vitória seria o mais longo de um monarca britânico e é frequentemente referido como a "era vitoriana". Durante esse tempo o Império fortaleceu-se e desenvolveu-se; Vitória simpatizava com algumas das mudanças e desenvolvimentos a que ia assistindo: o caminho de ferro, a fotografia, a anestesia para parturientes. Mas tinha dúvida relativamente a outras questões: o direito de voto universal, a criação de escolas públicas e acesso de mulheres a todas as profissões (nomeadamente a medicina). Orgulhava-se de ser chefe de estado do mais vasto império multirracial e multi-religioso do mundo; a sua honestidade, patriotismo e devoção à vida familiar tornaram-na o símbolo máximo de uma era.

Os episódios políticos mais marcantes e conhecidos do seu reinado são a Guerra da Crimeia (1853-1856), a guerra dos Boers na África do Sul (1899-1901) e várias rebeliões na Índia. O incidente do Mapa Cor-de-Rosa também se dá durante o reinado de Vitoria. Do ponto de vista social podemos salientar a abolição da escravatura em todo o império britânico (1838), a lei de redução do horário de trabalho (para dez horas) na industria têxtil (1847) e o "Third Reform Act" que concedia o direito de voto a todos os homens trabalhadores (1884).


Ilustração da Grande Exposição Universal de 1851.
Um momento para a Grã-Bretanha mostrar ao mundo o seu poderio industrial e tecnológico.


A Rainha Vitória reinou durante 63 anos e foi chefe de estado de todo o Império Britânico, que incluía, o Canadá, a Austrália, a Índia, e vastos territórios em África. Personificação do Reino, Vitoria sempre pretendeu que o Império fosse considerado como uma poderosa potência económica e militar e um modelo de civilização. Faleceu em 22 de Janeiro de 1901.

A Epistola revelada por Bahá'u'lláh

Entre 1968 e 1870, Bahá'u'lláh revelou uma epístola dirigida à Rainha Vitória. Tal como noutras epístolas dirigidas aos reis e governantes do seu tempo, anuncia-lhe o aparecimento de uma nova revelação divina e faz um juízo sobre os actos da Rainha, enquanto governante. Alguns excertos dessa epístola:

Ó Rainha em Londres! Inclina teu ouvido para a voz de teu Senhor, o Senhor de toda a humanidade, que clama do Loto Divino: Verdadeiramente, nenhum Deus há senão Eu, o Todo-Poderoso, o Omnisciente! Rejeita tudo o que está na terra, e, adorna a cabeça de teu reino com o coroa da lembrança de teu Senhor, o Todo-Glorioso. Ele, em verdade, veio ao mundo na Sua mais grandiosa glória, e tudo o que foi mencionado no Evangelho se cumpriu.
(...)
Põe de lado o teu desejo e volta o teu coração para teu Senhor, o Ancião dos Dias. Fazemos menção de ti por amor a Deus e desejamos que o teu nome seja exaltado pela tua comemoração de Deus, o Criador da terra e do céu. Ele, em verdade, dá testemunho daquilo que digo. Fomos informados de que tu proibiste o tráfico de escravos, tanto de homens como de mulheres. Isso, em verdade, é o que Deus ordenou nesta Revelação maravilhosa. Deus, em verdade, destinou-te uma recompensa por isso.
(...)
Soubemos também que entregaste as rédeas do conselho nas mãos dos representantes do povo. Em verdade, fizeste bem pois assim os alicerces do edifício de tuas actividades serão fortalecidos, e os corações de todos os que se acham abrigados à tua sombra, sejam de alta ou de baixa condição, serão tranquilizados. Compete-lhes, entretanto, ser dignos de confiança entre Seus servos e considerarem-se a si próprios como os representantes de todos os que habitam na terra.
(...)


A tradução completa da epístola em inglês encontra-se aqui. Existe uma espécie de "tradição oral" entre os bahá'ís, segundo a qual a Rainha Vitória teria sido o único governante que teria respondido a Bahá'u'lláh. A resposta teria sido algo do género "Se essa causa provém de Deus, então não necessita da nossa ajuda para triunfar; mas se não provém de Deus, então cairá por si própria". No entanto, não há qualquer confirmação sobre a existência dessa resposta (ver este esclarecimento).
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A biografia da Rainha Vitória que consta da Encyclopedia Britannica encontra-se aqui na Baha'i Library Online.

domingo, 2 de maio de 2004

Foi há 141 anos: o fim do Primeiro Exílio

Em 1863, após dez anos de exílio em Bagdade, a popularidade de Bahá'u'lláh e do pequeno número de "exilados persas" era suficiente para incomodar as autoridades persas e otomanas. Os persas temiam pelo peregrinos xiitas que se deslocavam em peregrinação a Kerbala e a Najaf, e que se convertiam à nova religião (depois de visitarem Bagdade); os otomanos receavam que a popularidade daquele grupo de persas fosse prelúdio de alguma revolta entre a população xiita.

Deste modo, sentiram que a melhor solução seria exilar Bahá'u'lláh para longe da fronteira persa-otomana; o local escolhido foi a capital do império: Constantinopla. Pensavam que ali, próximo da corte imperial, as actividades daqueles exilados seriam mais controladas e menor o contacto com os apoiantes daquela nova religião.

Depois de receberem a ordem de partida para Constantinopla, Bahá'u'lláh, familiares e o pequeno grupo de exilados acamparam no jardim de Ridvan (em português, "Paraíso") nos arredores de Bagdade. Durante doze dias, receberam visitas de despedidas dos notáveis e de muita população da cidade.



Foi durante esses dias que Bahá'u'lláh revelou a alguns dos Seus discípulos que Ele era o Prometido anunciado pelo Báb. Aos que receberam esta boa nova foi pedido que não a revelassem por enquanto. A revelação da Sua posição apenas seria feita anos mais tarde.

Estes dias em que Bahá'u'lláh esteve no jardim de Ridvan é assinalado no calendário bahá’í como o "Festival de Ridvan". É celebrado entre os dias 21 de Abril e 2 de Maio.

Parece-me que é possível estabelecer um certo paralelismo entre este episódio e o momento em que Cristo anuncia aos apóstolos que Ele é o Messias, pedindo que mantivessem o segredo por algum tempo (Lc 9:18-21).

Mais detalhes sobre os acontecimentos no jardim de Ridvan encontram-se no livro God Passes By (há uma tradução brasileira deste livro com o título "Presença de Deus")