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domingo, 27 de julho de 2008

João Ubaldo Ribeiro



Vencedor do Prémio Camões 2008! Finalmente...
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LISBOA (AFP) — O Prêmio Camões, o mais importante da literatura concedido a autores de língua portuguesa, foi entregue neste ano ao escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, informou neste sábado o Ministério da Cultura português.

Ubaldo Ribeiro é o oitavo escritor brasileiro a receber essa distinção. Nascido em 1941, na ilha de Itaparica, Bahia, João Ubaldo Ribeiro é autor de várias obras de sucesso, muitas delas traduzidas para o francês e o inglês, como "Viva o povo brasileiro" (1984) e "O sorriso do lagarto" (1989).

Ele recebeu o prêmio na véspera, em uma cerimônia na presença do presidente português Aníbal Cavaco Silva e de seu colega brasileiro, Luiz Inacio Lula da Silva, que participaram em Portugal da cúpula dos países de língua portuguesa (CPLP).

O Prêmio Camões, no valor de 100.000 euros, foi criado em 1988 por Portugal e Brasil para distinguir os autores de língua portuguesa que contribuíram para enriquecer o patrimônio cultural e literário das duas nações.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O primeiro edifício giratório

As agências noticiosas distribuíram hoje uma notícia segundo a qual as cidades de Moscovo e Dubai iriam receber os primeiros edifício giratório do mundo. Mas a verdade é que já existe um edifício giratório: fica em Curitiba, no bairro Ecoville, e foi inaugurado há alguns anos.


O edifício designado Suíte Vollard é uma das muitas atracções da capital do Paraná. Cada apartamento possui uma área de 287 m2 e os preços rondam os 200.000 euros. Os apartamentos podem giram nos dois sentidos, podendo o movimento ser activado por comando de voz.

Para quê Moscovo e Dubai, se já temos Curitiba?

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Primeiro edifício giratório vai ser construído no Dubai (DN)
Arquiteto cria prédio que se movimenta (Estadão)

domingo, 20 de janeiro de 2008

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Como a Fé resiste à Descrença

Outro excerto do artigo Como a Fé resiste à Descrença (do jornalista André Petry, revista VEJA) onde se refere as transformações na identidade religiosa da população brasileira. O sombreado amarelo é da minha responsabilidade.
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Em maio passado, o instituto Datafolha fez uma pesquisa sobre religiosidade por ocasião da visita ao país do papa Bento XVI. A pesquisa relevou a dimensão impressionante da fé brasileira: 97% disseram acreditar na existência de Deus, 93% informaram crer que Jesus Cristo ressuscitou depois de morrer crucificado e 86% concordaram que Maria deu à luz sendo virgem. Com números tão possantes, não há dúvida de que o Brasil figura entre os países mais crédulos do mundo – e isso abre um paradoxo. São cada vez mais abundantes as descobertas científicas sobre a origem do universo e das espécies. Se a credulidade não se abala diante disso, é lícito questionar que talvez nenhuma prova científica, por mais sólida e contundente, seja capaz de reduzir a pó o teísmo, a crença no divino

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De 1940 a 1970, a turma dos brasileiros sem religião ficou praticamente do mesmo tamanho, atolada em menos de 1% da população. Nas últimas três décadas, saltou de 1,6% para 7,3% (gráficos e mapa ainda não disponíveis online). Os sem-religião já são o terceiro maior grupo, atrás de católicos e de evangélicos. Pelos dados do último censo, os sem-religião eram 12,5 milhões, mais que um Portugal inteiro. Não são todos ateus, é claro. Entre eles, há agnósticos, secularistas, céticos e até quem acredita em Deus, mas não pratica nenhuma religião. O IBGE não pergunta aos entrevistados se são ateus ou não. Calcula-se, no entanto, que os ateus sejam uns 2%. Nos Estados Unidos, eles oscilam nessa faixa, mas os sem-religião de lá chegam aos 15%. No mundo, os ateus são uns 4%. São poucos, sobretudo se comparados aos bilhões de cristãos, muçulmanos e judeus, para ficar apenas nas três grandes religiões monoteístas, mas é uma massa crescente, principalmente nos países desenvolvidos. Na Espanha, Alemanha e Inglaterra, menos da metade da população acredita em Deus. Na França, os crentes não chegam a 30%.



Entre os brasileiros sem religião, a maior curiosidade está na Bahia de Todos os Santos, terra onde frei Henrique de Coimbra rezou a mítica primeira missa, em 26 de abril de 1500. A Bahia, que abriga Nova Ibiá e seu esquadrão de sem-religião, é o terceiro estado com o maior contingente de brasileiros sem filiação religiosa. E Salvador, entre as capitais, é a campeã nacional: 18% dos soteropolitanos não têm religião. Considerando-se o país todo, os sem-religião são mais numerosos entre os homens e entre os brasileiros com menos de 55 anos. Não se sabe de onde eles vêm. É provável que venham do rebanho de católicos desgarrados. O Rio de Janeiro, por exemplo, é o estado menos católico do país e, simultaneamente, tem o maior pelotão de sem-religião. Também é certo que boa parte dos católicos está virando neopentecostal. Nas duas últimas décadas, à queda acentuada de católicos correspondeu uma alta igualmente acentuada de evangélicos – em especial da Igreja Universal do Reino de Deus, que, sendo uma voraz sugadora de fiéis e dízimos, se transformou em potência divina e comercial.

A raiz do fenômeno que irriga o crescimento de evangélicos e de sem-religião faz parte da mesma genealogia: os laços étnicos e culturais de boa parte dos brasileiros estão se desfazendo como resultado da modernidade – do que a modernidade traz de positivo, como o aumento da escolarização e a crescente profissionalização de certas camadas sociais, e do que traz de negativo, como a desestruturação das famílias e a favelização das metrópoles. "É a religião atuando como solvente", diz o professor Flávio Pierucci, da USP. Seus números apóiam sua percepção. Um laço étnico que se desfaz: entre os adeptos do candomblé, credo de origem africana, 40% são brancos. Outro: nos cultos afro-brasileiros há cerca de 100.000 negros, e nos cultos evangélicos os negros já são 1,7 milhão. Mais um: os brasileiros que trocam o catolicismo pelo neopentecostalismo estão dissolvendo um laço cultural e histórico, substituindo a religião fundadora do Brasil, herança que vem do fundo do passado colonial, por uma novidade na cena religiosa do país. É aí, nesse processo de dissolução, que crescem os ateus e os sem-religião.

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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Brasil : Pesquisa mostra como a fé resiste à descrença
Dom Geraldo discorda que Salvador seja capital de menor fé do Brasil

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Vade-Retro, Ateu

Na edição desta semana da revista VEJA, é dado um destaque especial ao tema da religião e ao facto desta resistir num mundo cada vez mais marcado pela “descrença”. No artigo intitulado COMO A FÉ RESISTE À DESCRENÇA (do jornalista André Petry) encontra-se uma curiosa referência ao ateísmo no Brasil, acompanhada de uma sondagem (clique sobre a imagem para ampliar) não menos surpreendente. Aqui fica um excerto:

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Clique para ampliarÀs vésperas do Natal, quando 2,1 bilhões de cristãos vão comemorar os 2 007 anos do nascimento de Jesus Cristo, os católicos brasileiros seguem diminuindo ano após ano, como vem acontecendo desde 1940, mas ainda formam uma estupenda multidão: são quase 74% da população brasileira – o que equivale a mais de 130 milhões de fiéis. Com alguns disciplinados e praticantes e muitos displicentes e relapsos, os católicos do Brasil, com seu número espetacular, mostram o vigor da crença divina, a pujança da fé, a robustez de Deus – uma potência curiosamente dotada de todas as qualidades inversas às da humanidade, que é criada (e Deus é incriado), que é limitada (e Deus é ilimitado) e que é mortal (e Deus é imortal). Os números da fé no Brasil talvez sirvam como explicação para dois fenômenos. Explicam a resistência da religiosidade em um mundo marcado pela descrença e, ao mesmo tempo, o notável preconceito da maioria dos brasileiros em relação aos ateus. Faz sentido rejeitar alguém apenas porque não acredita em Deus?

"Faz todo o sentido", afirma a historiadora Eliane Moura Silva, professora da Universidade Estadual de Campinas e especialista em religião, ela própria uma atéia. "O brasileiro ainda entende o ateu como alguém sem caráter, sem ética, sem moral." É um entendimento que parece espalhar-se de modo mais ou menos homogêneo por todas as classes sociais. Recentemente, a historiadora deu duas aulas sobre ateísmo na Casa do Saber, instituição criada para eliminar lacunas intelectuais dos endinheirados de São Paulo, e a platéia teve uma reação adversa, quase hostil, às idéias ateístas. Antes, a neurocientista Silvia Helena Cardoso, doutora em psicobiologia pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, publicou um artigo num jornal de Campinas discutindo se os santos seriam esquizofrênicos, dada a freqüência com que tinham visões – ou alucinações. Recebeu tantas ameaças que resolveu abandonar o assunto. O professor Antônio Flávio Pierucci, da Universidade de São Paulo, especialista em sociologia da religião, explica o fenômeno: "Os brasileiros não estão habituados a se confrontar com a realidade do ateu". É o que leva os políticos – antes, durante e depois da eleição – a sempre dizer que ninguém é mais temente a Deus do que eles.

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COMENTÁRIO: De todos os brasileiros que conheço – incluindo vários familiares – uma das principais impressões que retenho é a imagem da tolerância e da religiosidade. Creio que isso forma parte do estereotipo que a maioria dos portugueses tem sobre os brasileiros. Por esse motivo o que me surpreende no texto e na sondagem da VEJA é o preconceito anti-ateu. É certo que não podemos dizer que o ateísmo seja uma religião; uma religião possui vários ensinamentos, e o ateísmo consiste num ensinamento: a não existência de Deus. Mas não vejo muitas diferenças entre o preconceito anti-baha’i, tão propagado no em países muçulmanos e este preconceito exposto nesta revista. Ambos são preconceitos religiosos, na medida em que sustentam a discriminação de pessoas com base numa (ou mais) convicções religiosas. Ambos são inaceitáveis.

sexta-feira, 29 de junho de 2007