O que é que os Evangélicos fazem quando há um choque entre aquilo que a Bíblia lhes diz sobre outras religiões e o que as outras religiões dizem sobre si próprias? Ouvimos de teólogos evangélicos que apesar da revelação geral que brilha nas outras tradições, todos os outros crentes acabarão por, de uma forma ou outra, tentar salvar-se a si próprios. Nunca compreenderão realmente, ou praticarão, a confiança total inerente ao entendimento Cristão de “apenas pela fé”. Estarão sempre a tentar colocar o Mistério de Deus nas suas próprias caixas. Tentam identificar o Deus do futuro nas claridades do presente. Mas Budistas, Hindus e Muçulmanos podem sentir dificuldades em reconhecer-se nestas descrições. Por exemplo, aquilo que os Cristãos chamam “teologia negativa” (aquela que reconhece que Deus é sempre mais do que aquilo que poderemos alguma vez saber) parece estar presente na maioria das religiões asiáticas – o lembrete Hindu neti, neti (Deus não é isto, não é aquilo), o nobre silêncio de Buda perante qualquer tentativa de definir ou descrever o Nirvana, a insistência Zen de que toda a linguagem religiosa é apenas um dedo que aponta para a lua, que não deve ser identificado com a lua. Também o próprio S. Francisco de Xavier quando conheceu a forma japonesa de Budismo Terra Pura com o seu apelo a confiar no Buda Amitaba e não fazer nada mais, pensou que Martinho Lutero o tinha vencido no Japão! O Budismo Terra Pura prega a mesma mensagem de “apenas pela fé” sem “boas obras”! Estes dados sobre as outras religiões parecem contradizer aquilo que os Evangélicos vêem nas outras religiões
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 56
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Bases para uma teologia das religiões
Quais são os principais materiais sobre os quais os Cristãos constroem a sua compreensão sobre as outras religiões? Serão os livros da Bíblia a única fonte para uma teologia das religiões? Ou devem os Cristãos, para formular a sua atitude em relação aos outros, também fazer uso dos livros das outras religiões, isto é, estudar os ensinamentos e dialogar com os seguidores de outras fés?
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 56
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 56
quarta-feira, 2 de maio de 2012
O diálogo inter-religioso não pode esquecer o passado
Mas o Princípio Protestante é necessário para o diálogo inter-religioso numa forma mais geral. Apela a todas as pessoas religiosas, quando se sentam para falar umas com as outras e a promover aquilo… que chamámos uma “nova comunidade de comunidades”, a não esquecer o registo das religiões ao longo dos séculos. A realidade, que se agiganta tanto no passado como no presente, é que a religião trouxe tanto sofrimento à humanidade assim como inspirou paz. De facto, à luz das guerras e violência religiosa que devastaram a história e ainda devastam - na Índia, Sri Lanka, Médio Oriente, Jugoslávia e Irlanda - os dados convencem algumas pessoas que a religião espalhou mais ódio do que amor. Este registo e estes desafios devem ser lembrados em qualquer encontro de religiões. De outra forma, o diálogo pode facilmente tornar-se um adoçado irenecismo em que as religiões do mundo se juntam para dizer umas às outras como são maravilhosas.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 55
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 55
quinta-feira, 26 de abril de 2012
O Sentido de Deus
A imagem da Palavra de Deus que encontra voz antes e depois do Jesus histórico foi apresentada nos primeiros séculos da igreja pelos primeiros teólogos, chamados Pais da Igreja; reconheciam claramente que a capacidade e o desejo de Deus comunicar não pode estar limitada aos círculos cristãos. Além disso, João Calvino, um dos Reformadores originais, estava de acordo com Martinho Lutero, quando falou de um “sentido de Deus” infundido na natureza humana para que “o conhecimento de Deus e de si próprio esteja ligado por uma relação recíproca”. Os adeptos do modelo de substituição [que defende que o Cristianismo surgiu para substituir as outras religiões] parecem esquecer ou negligenciar estas indicações da Bíblia e dos primeiros teólogos.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 34
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 34
segunda-feira, 5 de março de 2012
Carreira das Neves: Novas Hermenêuticas e Diálogo entre Cristãos
O Pe. Joaquim Carreira das Neves (O.F.M.) aborda o tema: "Novas Hermenêuticas e Diálogo entre Cristãos".
Filmado durante o colóquio "A Bíblia e o Diálogo Inter-Religioso", organizado pelo Centro de Reflexão Cristã.
domingo, 4 de março de 2012
Encontro Inter-Religioso na Mesquita Central de Lisboa
Hoje de manhã, num encontro inter-religioso na Mesquita Central de Lisboa - um local que considero um espaço de tranquilidade - estiveram presentes representantes de várias confissões religiosas. O objectivo era reflectir sobre as crises que nos estão a afectar e orar pelo bem-estar da humanidade.
Estiveram presentes representantes Hindus, Judeus, Católicos, Sikhs, Muçulmanos, Ismailis e Baha’is. Na minha intervenção, afirmei que era profundo desejo dos Bahá’ís que estas crises profundas que agora atravessamos não sejam motivo para virar uma cidade contra outra, um país contra outro, um povo contra outro. Pelo contrário, desejamos que estas crises levem cada vez maior número de pessoas a perceber que somos uma única família humana, que enfrentamos problemas globais e que temos de resolver os nossos problemas de uma forma global.
E desejando firmemente essa unidade da família humana, tinha escolhido uma oração de Bahá’u’lláh para recitar naquele local.
"Ó meu Deus! Ó meu Deus! Une os corações dos Teus servos e revela-lhes o Teu grande plano. Que sigam os Teus mandamentos e permaneçam firmes na Tua lei. Ajuda-os, ó Deus, nos seus esforços, e concede-lhes o poder de Te servirem. Ó Deus, não os abandones a si mesmos, mas guia os seus passos pela luz do Teu conhecimento e, com o Teu amor, alegra os seus corações. Em verdade, Tu és o seu Amparo, e o seu Senhor."
Quando terminei a oração, o Dr. Abdool Vakil, Presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, respondeu em tom de aprovação: “Que Deus o ouça!”
Por esse mundo fora, quantas comunidades islâmicas convidam os baha’is para diálogo inter-religioso? Em quantas Mesquitas se podem recitar orações Bahá’ís em voz alta? Em quantas são recebidas desta forma?
sábado, 3 de março de 2012
Dimas de Almeida: A Bíblia como Literatura de Crise
Intervenção do Pastor Dimas de Almeida no colóquio "A Bíblia e o Diálogo Inter-Religioso", organizado pelo Centro de Reflexão Cristã.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Diálogo Inter-Religioso - Crise e Fé
Um Baha'i, um Católico e um Judeu dialogam sobre a Crise e a Fé.
Programa "Caminhos" emitido no dia 29-Janeiro-2012, na RTP2
Programa "Caminhos" emitido no dia 29-Janeiro-2012, na RTP2
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Religiões mostram ser possível viver em harmonia
Texto de Nuno Abreu, publicado no jornal A Bola.
Um grupo de escuteiros irrompeu para o palco para cantar uma canção e muitos ficaram surpresos. Notou-se que a maioria das pessoas não pensava existir escuteiros de outros credos, mas no agrupamento 36 existem e são muçulmanos ismailitas. Não podia haver melhor metáfora para o encontro que ocorreu este sábado de manhã, no Mercado de Santa Clara em Lisboa, promovido pela Aliança das Civilizações. Entre 1 e 7 de fevereiro comemora-se a Semana Mundial de Harmonia entre Fés.
Mais de 13 credos juntaram-se para partilharem a sua visão de convivência entre religiões. Desde a fé bahá’i, passando pelas comunidades hindus, sikh, muçulmana, muçulmana ismailita, judaica, cristã e até ateia partilharam os seus testemunhos, todos com semelhante objetivo de tolerância e de união, mesmo que caminhando por «estradas diferentes».
Jorge Sampaio, antigo Presidente da República e atual Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, destacou o papel de Portugal como país que vive na multiculturalidade. «Numa semana de eventos violentos temos de nos lembrar que esta é também uma semana de harmonia. Uma semana para aprender a respeitar a diferença, sendo que todos partilhamos a nossa Humanidade. Portugal é um país onde há séculos existe uma aliança entre credos, com os mais diversos templos espalhados por todo o país», disse.
União das fés
Uma plateia multicultural, à imagem da celebração que decorria, ouviu atenta as palavras dos mais diversos representantes dos credos presentes em Portugal que, como objetivo da celebração, iam encontrando «harmonia» entre si, apesar de professarem credos diferentes. Como Marco Oliveira, da comunidade bahá’i, que destacou a iniciativa como forma de «refletir os diversos caminhos da verdade que permitem a construção da paz», opinião que Shree Trivedi, da comunidade hindu portuguesa, veio corroborar ao citar Gandhi, afirmando que «cada religião é um caminho diferente para atingir o mesmo ponto».
A comunidade hindu é um exemplo de integração que começou ainda fora de Portugal. «Moçambique foi o primeiro país a dar exemplo de convivência com os hindus e essa convivência amena foi trazida para a Europa, onde ainda se mantém», disse Trivedi.
Abdool Karim Vakil, presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, ilustrou a convivência inter-religiosa dando o exemplo da Península Ibérica, quando três religiões (cristã, judaica e islâmica) trabalharam lado a lado no Al-Andaluz, numa época de grande evolução. O líder islâmico apelou também a que «seja incutido nas crianças a solidariedade e compaixão entre povos».
Os representantes da comunidade islâmica ismaili, da comunidade israelita, da comunidade de Santo Egídio, dos Sikh, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, da Igreja Lusitana da Comunhão Anglicana, Sagrado Coração de Maria e do Templo de Shiva foram cada um falando sobre união entre credos, partilhando votos de paz mundial.
Para o fim ficou o pequeno-almoço de sabores do mundo, onde em cima da mesa, e como foi pedido pelos oradores, se reuniram em harmonia iguarias de todo o Mundo, desde África à Turquia, passado pela Croácia, Marrocos ou Sudeste Asiático.
Um grupo de escuteiros irrompeu para o palco para cantar uma canção e muitos ficaram surpresos. Notou-se que a maioria das pessoas não pensava existir escuteiros de outros credos, mas no agrupamento 36 existem e são muçulmanos ismailitas. Não podia haver melhor metáfora para o encontro que ocorreu este sábado de manhã, no Mercado de Santa Clara em Lisboa, promovido pela Aliança das Civilizações. Entre 1 e 7 de fevereiro comemora-se a Semana Mundial de Harmonia entre Fés.
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| Fotos de António Azevedo/ ASF |
Mais de 13 credos juntaram-se para partilharem a sua visão de convivência entre religiões. Desde a fé bahá’i, passando pelas comunidades hindus, sikh, muçulmana, muçulmana ismailita, judaica, cristã e até ateia partilharam os seus testemunhos, todos com semelhante objetivo de tolerância e de união, mesmo que caminhando por «estradas diferentes».
Jorge Sampaio, antigo Presidente da República e atual Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, destacou o papel de Portugal como país que vive na multiculturalidade. «Numa semana de eventos violentos temos de nos lembrar que esta é também uma semana de harmonia. Uma semana para aprender a respeitar a diferença, sendo que todos partilhamos a nossa Humanidade. Portugal é um país onde há séculos existe uma aliança entre credos, com os mais diversos templos espalhados por todo o país», disse.
União das fés
Uma plateia multicultural, à imagem da celebração que decorria, ouviu atenta as palavras dos mais diversos representantes dos credos presentes em Portugal que, como objetivo da celebração, iam encontrando «harmonia» entre si, apesar de professarem credos diferentes. Como Marco Oliveira, da comunidade bahá’i, que destacou a iniciativa como forma de «refletir os diversos caminhos da verdade que permitem a construção da paz», opinião que Shree Trivedi, da comunidade hindu portuguesa, veio corroborar ao citar Gandhi, afirmando que «cada religião é um caminho diferente para atingir o mesmo ponto».
A comunidade hindu é um exemplo de integração que começou ainda fora de Portugal. «Moçambique foi o primeiro país a dar exemplo de convivência com os hindus e essa convivência amena foi trazida para a Europa, onde ainda se mantém», disse Trivedi.
Abdool Karim Vakil, presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, ilustrou a convivência inter-religiosa dando o exemplo da Península Ibérica, quando três religiões (cristã, judaica e islâmica) trabalharam lado a lado no Al-Andaluz, numa época de grande evolução. O líder islâmico apelou também a que «seja incutido nas crianças a solidariedade e compaixão entre povos».
Os representantes da comunidade islâmica ismaili, da comunidade israelita, da comunidade de Santo Egídio, dos Sikh, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, da Igreja Lusitana da Comunhão Anglicana, Sagrado Coração de Maria e do Templo de Shiva foram cada um falando sobre união entre credos, partilhando votos de paz mundial.
Para o fim ficou o pequeno-almoço de sabores do mundo, onde em cima da mesa, e como foi pedido pelos oradores, se reuniram em harmonia iguarias de todo o Mundo, desde África à Turquia, passado pela Croácia, Marrocos ou Sudeste Asiático.
sábado, 24 de dezembro de 2011
O verme
Existe um verme em todas as religiões - Tillich chamava-lhe "o elemento demoníaco" - com o qual se tenta domesticar Deus e capturá-lo na segurança do conhecimento humano. Todas as religiões necessitam diariamente de uma reforma, porque todas - de formas simultaneamente flagrantes e subtis - procuram tornar-se a si, aos seus credos, códigos e cultos, mais importantes do que a revelação, e usam-no como meio para servir e transmitir. Apenas os cegos ou os “demasiadamente bem estabelecidos” não perceberão este elemento demoníaco na história de todas as tradições religiosas. Podemos agradecer a Freud e a Marx e a Nietzsche por terem desnudado a sua presença, por vezes, latente, na forma como as religiões tendem a proporcionar demasiada segurança, tornando-se assim "muletas" ou "ópio" - ou "empregos seguros".
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 55
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 55
sábado, 17 de dezembro de 2011
Haverá sentido do Divino nas outras religiões?
Equilibrando estas expressões mais pessoais e individuais de uma revelação geral, Wolfhart Pannenberg, um teólogo protestante contemporâneo, salienta os processos da história enquanto palco para Deus falar à humanidade. A voz de Deus torna-se audível, diz ele, através de uma interacção entre, por um lado a nossa necessidade inata de continuar a procurar e a colocar questões, e, por outro lado, os acontecimentos concretos da história. É como se a nossa procura embutida por um significado mais amplo fosse a antena, e os acontecimentos e pessoas que entram nas nossas vidas fossem as ondas sonoras com as quais Deus se dirige a nós. É um processo contínuo, sem fim, e dirigido ao futuro. E quando olhamos para trás nas nossas vidas podemos sentir, sugere Pannenberg, que existe uma direcção, um movimento orientado, no rumo da história da nossa vida; e, no entanto, o significado pleno de tudo isto está no futuro, no acto final da história. Nesta encenação, falar da presença Divina em toda a história pode ser visto, especialmente, nas religiões mundiais. Para Pannenberg, “a história das religiões é a história do aparecimento do Mistério Divino que é um pressuposto na estrutura da existência humana”[a]. Isto é muito diferente de Barth e dos Fundamentalistas que apenas ouvem um silêncio divino nas [outras] religiões.
Assim, nesta visão cristã das religiões, é certo que Deus fala aos outros crentes através das suas religiões. Quando consideramos o que Deus tem a dizer, este novo modelo torna-se ainda mais positivo. Para estes teólogos evangélicos, esta revelação geral pode tornar os crentes de outras religiões conscientes não só da existência do Divino, mas também de que este Divino é um “Tu” pessoal, amoroso, que nos chama. Além disso, a voz de Deus noutras tradições também lhes pode deixar claro a necessidade de redenção - isto é, que os seres humanos são apanhados pelo seu próprio egoísmo e que se pretendem libertar-se desta prisão, então Deus tem de aparecer. "A necessidade de redenção humana e mundial é um tema de todas as religiões"[b]. Assim, neste modelo evangélico as outras religiões não são apenas "construções humanas" como Barth defendia; em vez disso, são desejadas por Deus, são "representantes" de Deus, "ferramentas" de Deus com as quais Deus executa o plano divino.
[a] – Wolfhart Pannenberg, Revelation as History (1968), p. 3-21; 125-158. Basic Questions in Theology (1971), 2:112
[b] – Carl Heinz Ratschow, Die Religionen und das Christentum in Der chrittliche Glaube und die Religionen (1967), 118-120, 123-124
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Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 35
Assim, nesta visão cristã das religiões, é certo que Deus fala aos outros crentes através das suas religiões. Quando consideramos o que Deus tem a dizer, este novo modelo torna-se ainda mais positivo. Para estes teólogos evangélicos, esta revelação geral pode tornar os crentes de outras religiões conscientes não só da existência do Divino, mas também de que este Divino é um “Tu” pessoal, amoroso, que nos chama. Além disso, a voz de Deus noutras tradições também lhes pode deixar claro a necessidade de redenção - isto é, que os seres humanos são apanhados pelo seu próprio egoísmo e que se pretendem libertar-se desta prisão, então Deus tem de aparecer. "A necessidade de redenção humana e mundial é um tema de todas as religiões"[b]. Assim, neste modelo evangélico as outras religiões não são apenas "construções humanas" como Barth defendia; em vez disso, são desejadas por Deus, são "representantes" de Deus, "ferramentas" de Deus com as quais Deus executa o plano divino.
[a] – Wolfhart Pannenberg, Revelation as History (1968), p. 3-21; 125-158. Basic Questions in Theology (1971), 2:112
[b] – Carl Heinz Ratschow, Die Religionen und das Christentum in Der chrittliche Glaube und die Religionen (1967), 118-120, 123-124
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Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 35
sábado, 10 de dezembro de 2011
Deus só fala aos cristãos?
A imagem da Palavra de Deus que encontra voz antes e depois do Jesus histórico foi apresentada nos primeiros séculos da igreja pelos primeiros teólogos, chamados Pais da Igreja; reconheciam claramente que a capacidade e o desejo de Deus comunicar não pode estar limitada aos círculos cristãos. Além disso, João Calvino, um dos Reformadores originais, estava de acordo com Martinho Lutero, quando falou de um "sentido de Deus" instilado na natureza humana para que "o conhecimento de Deus e de si próprio esteja ligado por uma relação recíproca". Os adeptos do modelo de substituição [que defende que o Cristianismo surgiu para substituir as outras religiões] parecem esquecer ou negligenciar estas indicações da Bíblia e dos primeiros teólogos.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 34
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 34
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Como se explica a existência de outras religiões?
Como é que se explica teologicamente o facto da diversidade religiosa da humanidade? Este é realmente um assunto tão grande quanto a questão teológica do mal – mas os teólogos cristãos estão muito mais conscientes do facto do mal do que do pluralismo… Daqui para a frente, qualquer declaração intelectualmente séria sobre a fé Cristã deve incluir, se pretende atingir o seu objectivo... alguma espécie de doutrina sobre as outras religiões. Explicamos o facto da Via Láctea existir através da doutrina da criação, mas como explicamos a existência do Bhagavad Gita?
Wilfred Cantwell Smith, The Faith of Other Men, 1962, p. 132-133
Wilfred Cantwell Smith, The Faith of Other Men, 1962, p. 132-133
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Identidade local e cidadania global
Para conhecer a verdade devemos envolver-nos na prática da comunicação com outros; isso significa falar com, e ouvir, pessoas que são significativamente diferente de nós. Se falamos apenas connosco ou os que são semelhantes a nós, ou se existem pessoas que simplesmente excluímos dos nossos diálogos, ou com os quais não nos imaginamos a falar, então estamos a privar-nos de uma oportunidade para aprender alguma coisa que ainda não descobrimos.
Ter a nossa própria língua materna e, no entanto, ser capaz de compreender e conversar noutras línguas e culturas religiosas é sentir o fascínio e a necessidade de se tornar aquilo que podemos chamar “cidadãos do mundo”. A expressão pode ser mal-entendida ou mal utilizada – como se ser membro da aldeia global exigisse que abandonássemos completamente a nossa aldeia natal. As nossas raízes identitárias são sempre locais; e em grande medida assim continuam. O que estamos aqui a falar é da necessidade, e excitante oportunidade, para nos tornarmos cidadãos de outras aldeias. Levamos o que herdámos da nossa própria aldeia, e à luz daquilo que aprendemos enquanto visitamos outras aldeias, apreciamos tanto o valor como as limitações daquilo que a nossa própria aldeia nos deu. Neste sentido, todos nós somos hoje chamados a um certo grau de cidadania mundial. Duas das maiores ameaças que a comunidade das nações e culturas enfrenta hoje são o nacionalismo e fanatismo, que crescem entre aqueles que nunca abandonaram a sua aldeia e pensam que são superiores a todos os outros.
Este chamamento não é escutado por todas as pessoas e comunidades religiosas. É frequentemente entendido como uma ameaça por aquelas teologias que não a aprovam. Porque a face do estranho ainda é demasiado ameaçadora, muitas comunidades religiosas ainda respondem à nova situação mundial com uma espécie de isolacionismo cultural que desvia as tradições religiosas e as coloca ao serviço do nacionalismo etnocêntrico.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 12
Ter a nossa própria língua materna e, no entanto, ser capaz de compreender e conversar noutras línguas e culturas religiosas é sentir o fascínio e a necessidade de se tornar aquilo que podemos chamar “cidadãos do mundo”. A expressão pode ser mal-entendida ou mal utilizada – como se ser membro da aldeia global exigisse que abandonássemos completamente a nossa aldeia natal. As nossas raízes identitárias são sempre locais; e em grande medida assim continuam. O que estamos aqui a falar é da necessidade, e excitante oportunidade, para nos tornarmos cidadãos de outras aldeias. Levamos o que herdámos da nossa própria aldeia, e à luz daquilo que aprendemos enquanto visitamos outras aldeias, apreciamos tanto o valor como as limitações daquilo que a nossa própria aldeia nos deu. Neste sentido, todos nós somos hoje chamados a um certo grau de cidadania mundial. Duas das maiores ameaças que a comunidade das nações e culturas enfrenta hoje são o nacionalismo e fanatismo, que crescem entre aqueles que nunca abandonaram a sua aldeia e pensam que são superiores a todos os outros.
Este chamamento não é escutado por todas as pessoas e comunidades religiosas. É frequentemente entendido como uma ameaça por aquelas teologias que não a aprovam. Porque a face do estranho ainda é demasiado ameaçadora, muitas comunidades religiosas ainda respondem à nova situação mundial com uma espécie de isolacionismo cultural que desvia as tradições religiosas e as coloca ao serviço do nacionalismo etnocêntrico.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 12
sábado, 19 de novembro de 2011
Verdade ou Ideologia?
Exemplos de como a verdade se transforma perigosamente em ideologia estão espalhados na história de todas as religiões e culturas. Porque é que os pregadores Cristãos disseram aos pobres que a sua pobreza lhes faria ganhar um lugar mais elevado no céu? Era para os consolar os pobres ou para os impedir de se revoltarem contra os ricos proprietários que frequentemente contribuíam financeiramente para a igreja? Porque é que os Brahmins (autoridades religiosas no Hinduísmo) insistem que o sistema de castas é um requisito da lei sagrada e eterna do Darhma? Porque descobriram esta lei através de estudo e meditação ou porque o seu próprio prestígio e poder eram garantidos através do sistema de castas?
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 12
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 12
sábado, 12 de novembro de 2011
Em busca de uma identidade religiosa renovada
As religiões mundiais confrontam-se umas com as outras como nunca aconteceu anteriormente e estão a experimentar um novo sentido de identidade e propósito porque, tal como átomos, humanos e culturas, sentem as possibilidades de uma unidade mais ampla através de um melhor relacionamento entre si. Tal como a filosofia e a ciência apelam à cultura ocidental a partir de um entendimento estático e individualista da realidade, também muitas pessoas religiosas estão a despertar para uma forma mais dinâmica e dialogante de compreensão de si próprios. Os crentes nas várias religiões sentem cada vez mais intensamente o desafio de encontrar e desenvolver as suas identidades individuais numa comunidade mais ampla de outras religiões. Para ser Cristão ou Hindu, deve-se ser parte desta comunidade religiosa mais ampla. Hoje, assim parece, deve-se ser inter-religiosamente religioso.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 10
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 10
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
A multiplicidade de religiões é um bem ou um mal?
E, no entanto, a consciência do pluralismo não leva simplesmente a uma completa celebração da diversidade; nem está o pluralismo isento de problemas. Muito preocupam-se pela forma como a relatividade é facilmente equiparado com um relativismo que não deixa espaço para discussão de declarações de verdade ou graus de valor. Acredito que existe uma convicção crescente de que as religiões não podem viver lado a lado como corpos não-relacionados e soberanos. Não será, perguntam alguns, que as crises da nossa era constituem um chamamento às religiões para cooperarem nas suas soluções? Poderão as muitas religiões viver legitimamente na indolência, tolerância ou, pior ainda, num estado de guerra? Se o fizerem, poderão os problemas ambientais da humanidade e da terra ser resolvidos? Schillebeeckx mais uma vez ajuda-nos a identificar conclusões sobre o que isto significa para pessoas religiosas: "A multiplicidade de religiões não é um mal que seja necessário remover, mas uma riqueza que deve ser acolhida e apreciada por todos... Existe mais verdade religiosa em todas as religiões juntas do que numa religião em particular… Isto também se aplica ao Cristianismo"[1]
Parece que as religiões do mundo deveria reunir-se, não para formar uma religião nova e singular, mas, para formar uma comunidade dialogante de comunidades. A imagem mais apropriada para o futuro religioso da humanidade talvez se encontre, não nas imagens de igrejas, sinagogas templos e mesquitas prósperas, mas naquilo que o mundo testemunhou, e milhares experimentaram, no parlamento mundial das religiões, em Chicago, em 1993, e na Cidade do Cabo, em 1999. Aqui, representantes das principais comunidades religiosas do mundo reuniram-se para afirmar e praticar a necessidade de falar e ouvirem-se umas às outras. Eram uma comunidade dialogante à escala internacional, espelhando o que também pode ocorrer num cenário local.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 8
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[1] - Edward Schillebeeckx, The Church: The Human Story of God, 1990, p. 166-67
Parece que as religiões do mundo deveria reunir-se, não para formar uma religião nova e singular, mas, para formar uma comunidade dialogante de comunidades. A imagem mais apropriada para o futuro religioso da humanidade talvez se encontre, não nas imagens de igrejas, sinagogas templos e mesquitas prósperas, mas naquilo que o mundo testemunhou, e milhares experimentaram, no parlamento mundial das religiões, em Chicago, em 1993, e na Cidade do Cabo, em 1999. Aqui, representantes das principais comunidades religiosas do mundo reuniram-se para afirmar e praticar a necessidade de falar e ouvirem-se umas às outras. Eram uma comunidade dialogante à escala internacional, espelhando o que também pode ocorrer num cenário local.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 8
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[1] - Edward Schillebeeckx, The Church: The Human Story of God, 1990, p. 166-67
sábado, 29 de outubro de 2011
Um caminho ou vários caminhos?
"A inabalável certeza de que se continua a possuir a verdade enquanto os outros estão enganados já não é uma possibilidade", Edward Schillebeeckx[1]Para aqueles que concordem com Schillebeeckx, a pluralidade não é uma situação para ser tolerada até que os Cristãos consigam conceber um plano mestre que arrebanhe todas estas “outras” ovelhas num único curral. Para aqueles convencidos por estudos antropológicos, históricos e sociológicos que não existe um caminho único ou superior, a multiplicidade é a essência da realidade, a forma como as coisas são e funcionam. Será isto algo que os Cristãos podem ou devem aceitar? Ou será que leva à negação da verdade religiosa fundamental? Estas são as questões que estão por detrás das declarações dos teólogos e pastores das igrejas quando se debatem com estes assuntos.
E deve-se notar rapidamente que estas são as mesmas questões que Muçulmanos, Hindus, e outros se colocam. Na verdade, é a resistência ao chamado relativismo dos académicos ocidentais que inspira hoje muitos professores Muçulmanos. Não devemos iludir-nos pensando que as respostas as estas questões serão fáceis.
É claro que muitas pessoas com educação universitária no Ocidente e noutros lugares estão convencidas que as tradições religiosas não são formas fiáveis de afirmar a verdade sobre o universo. Na verdade, para muitas pessoas, é um axioma que a religião leve ao conflito, ao retrocesso, à superstição e ao ódio. Em que medida devem os Cristãos (ou Judeus, Muçulmanos ou Budistas para este assunto) concordar com esses pontos de vista? Se colocarmos uma destas críticas legítimas à religião na nossa tradição, poderá esse ponto de vista constituir um ácido que não só elimina abusos e formas de pensar ultrapassadas, mas também corrói as atitudes nucleares essenciais para entrar na religião enquanto mistério e espiritualidade? Estas são questões que, mesmo que não estejam no topo da discussão, deixam muitos teólogos e professores de religião pouco à vontade com a modernidade.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 7
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[1] - The Church: The Human Story of God, 1990, p. 50-51
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Conhecer outras religiões
Aquilo que, em tempos antigos, o Muçulmano poderia dizer ou pensar sobre o Cristão ou o Judeu já não se parece adequado. Aquilo que os Cristãos disseram anteriormente para repudiar sumariamente o Islão também necessita igualmente de ser reexaminado, sobretudo à luz da experiência que revela a graça e a verdade presente nos nossos vizinhos Muçulmanos. Esta mesma equação, acredito, aplica-se no caso daquilo que aprendemos quando estudamos tradições como o Judaísmo, o Budismo, o Hinduísmo, o Confucionismo, e os tradicionalismos Africano e Nativo Americano.
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 3
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 3
sábado, 15 de outubro de 2011
As questões do diálogo inter-religioso
Por vezes a nova abordagem torna-se dolorosa devido à quantidade de informação e qualidade da nossa consciência sobre as outras religiões colocam hoje uma barragem de questões que as pessoas religiosas do passado, seguras nos seus campos religiosos isolados, nunca tiveram de enfrentar com tamanha urgência:
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 1-2
- Porque é que existem tantas religiões diferentes?
- Se Deus é só um, não deveria existir apenas uma religião?
- Todas as religiões são válidas aos olhos de Deus? Todas colocam com igual eficácia as pessoas em contacto com o Divino?
- Serão as suas diferenças mais um assunto de cores variadas do que conteúdos contraditórios? Como devem as tradições religiosas relacionar-se entre si?
- Mais especificamente, como devem as religiões relacionar-se entre si?
- Poderei aprender algo mais delas do que aprendi da minha? Porque pertenço a uma religião e não a outra?
Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 1-2
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