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sábado, 14 de maio de 2016

Os Direitos Humanos não existem para os Bahá’ís do Irão

Por Elliott Abrams.
Artigo publicado no Washington Post, 12/Maio/2016

A esperança é eterna quando se trata de direitos humanos no Irão. A eleição em 2013 do presidente Hassan Rohani, que substituiu Mahmoud Ahmadinejad, era suposta trazer melhorias. Acreditava-se que a pretensa vitória dos moderados nas recentes eleições legislativas para a Assembleia de Peritos dos clérigos islâmicos seria um desenvolvimento positivo. O acordo nuclear com o Irão foi descrito como um revés para os conservadores de linha dura que podia levar a uma abertura ao mundo e um aliviar das condições no Irão.

Mas não houve qualquer melhoria nos direitos humanos, especialmente para os Bahá’ís - a quem o relator especial da ONU sobre a liberdade de religião ou crença, Heiner Bielefeldt, chamou "o grupo mais perseguido no Irão". Falando em Genebra, em Março, Bielefeldt afirmou: "Encontramos em todas as áreas da vida uma discriminação sistemática contra os Bahá’ís. Começa no jardim-de-infância. Os funcionários dos jardins-de-infância devem detectar quem são os Bahá’ís para que eles possam ficar sob vigilância especial". A perseguição continua no ensino básico e secundário, e acrescentou: "continuaria no ensino superior, mas Bahá’ís estão banidos das universidades, e os Bahá’ís que são descobertos são afastados."

Este sábado assinala o oitavo aniversário da detenção da liderança Bahá’í iraniana, os chamados “Yaran”. Eram sete homens e mulheres que cuidavam das necessidades espirituais e práticas da comunidade (além de secretário do grupo, que foi preso em 05 de Março de 2008) e por esse "crime" receberam penas de prisão de 20 anos. As acusações contra eles incluíram "espionagem para Israel", "insulto santidades religiosas", "propaganda contra o sistema" e "corrupção na Terra".

Os "Yaran", os sete dirigentes Bahá'ís que actualmente se encontram presos no Irão

Hoje, infelizmente, a situação dos cerca de 300.000 Bahá’ís do Irão não está melhor. Em Março, um relatório do relator especial da ONU para Direitos Humanos no Irão destacou não só o declínio geral do respeito pelos direitos humanos, mas também a hostilização continuada dos Bahá’ís. Vale a pena citar uma parte do relatório:

"O Relator Especial expressa a sua profunda preocupação com a contínua e sistemática discriminação, perseguição e hostilização que os aderentes da fé Bahá’í continuam a enfrentar no país.

"Em Janeiro de 2016, um tribunal revolucionário na província de Golestan terá supostamente condenado 24 Bahá'ís a um total de 193 anos de prisão devido ao exercício pacífico da sua fé... Pelo menos 80 Bahá'ís encontravam-se presos em 31 de Dezembro de 2015, devido ao exercício pacífico de sua fé...

"Além das detenções arbitrárias, prisões e condenações de Bahá'ís, o Relator Especial continua a receber relatórios preocupantes de que as autoridades iranianas continuam a desenvolver actividades que privam economicamente os Bahá'ís do seu direito ao trabalho... Essas políticas incluem restrições sobre os tipos de empresas e empregos que os cidadãos Bahá'ís podem ter, encerramento forçado de negócios pertencentes a Bahá'ís, pressões sobre os empresários para demitir funcionários Bahá'ís, e confiscação de empresas e propriedades... As acções para encerrar os negócios pertencentes a Bahá’ís parecem ter acontecido após o seu encerramento temporário e voluntário pelos proprietários no cumprimento dos seus feriados religiosos no dia anterior...

"A discriminação contra a comunidade Bahá’í no Irão está legalmente aprovada através da falta de reconhecimento constitucional da fé e da ausência de protecções legais para os seus adeptos. Esta situação é ainda perpetuada com ataques abertos à comunidade feitos agentes do Estado ou pessoas próximas do Estado".

A perseguição continuada, e muitas vezes agravada, deste grupo pequeno e sem poder - menos de metade de 1 por cento da população do Irão - é significativo não apenas como uma questão de direitos humanos. É também uma recordação forte sobre a natureza do regime iraniano. Há, naturalmente, muitas outras recordações: por exemplo, os dois homens que concorreram [às eleições] como reformadores em 2009, Mehdi Karroubi e Mir Hossein Mousavi, assinalaram no passado mês de Fevereiro o seu quinto ano sob prisão domiciliária. Em 2016, o Irão continua a ser uma teocracia repressiva, rápida a prender tanto os opositores políticos como os cidadãos cujas crenças religiosas os clérigos consideram censuráveis.

No outono passado, o filósofo iraniano Ramin Jahanbegloo - ele próprio um ex-preso político que agora vive no Canadá - falou por muitos optimistas no Irão, quando escreveu que o acordo nuclear iria "ajudar o país a tornar-se mais aberto, transparente e sensível à pressão internacional sobre questões como a pena de morte e a prisão de actores civis no Irão". Talvez os Bahá’ís do Irão partilhassem a sua esperança, mas se assim foi, têm ficado frustrados. Para os Yaran, atrás das grades há oito anos pelo crime de serem Bahá’ís, este é mais um triste aniversário.

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Texto original em inglês: Human rights remain nonexistent for Iran’s Bahai population

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Elliott Abrams é membro sénior de Estudos sobre o Oriente Médio no Conselho de Relações Exteriores, e foi vice-conselheiro de segurança nacional dos EUA para a estratégia democracia global entre 2005 e 2009.

sábado, 30 de maio de 2015

A religião à força: acredita ou morres!

Por David Langness.


O caminho para a orientação é o do amor e da compaixão, não da força e da coerção. (O Bab, Selections from the Writings of the Bab, p. 77)
Os actos de brutalidade para coagir pessoas a acreditar em coisas diferentes têm uma história longa e sinistra.

As conversões forçadas sob ameaça de morte aconteceram ao longo dos séculos e foram perpetradas por Hindus, Budistas, Judeus, Cristãos, Muçulmanos e até mesmo Ateus. Recentemente ouvimos falar disso quando militantes fundamentalistas obrigaram prisioneiros a converterem-se à sua ideologia - como aconteceu com o Boko Haram na Nigéria - mas a prática nefasta de conversão forçada existe há muito tempo.

Em 392, o imperador romano Teodósio I, por exemplo, decretou que todos os romanos se deviam converter ao Cristianismo:
É Nossa vontade que todos os povos que são governados pela administração da Nossa Clemência devem praticar a religião que o divino Apóstolo Pedro transmitiu aos romanos... Os restantes, a quem julgaremos dementes e loucos, serão sancionados com a infâmia de dogmas heréticos, os seus locais de reunião não receberão o nome de igrejas, e eles serão atingidos primeiro pela vingança divina, e depois, pela retaliação da Nossa própria iniciativa.
Em 1201 EC, o Papa permitiu formalmente a conversão forçada, através de tortura, intimidação e ameaça de morte, como uma prática católica completamente aceitável. Durante a Idade das Trevas, as inquisições em Espanha e em Goa torturaram e obrigaram à conversão de Hindus, Muçulmanos e Judeus ao Cristianismo. A história judaica tem muitos relatos de conversões forçadas, tal como as histórias Hindu e Budista, até mesmo nos tempos modernos. Vários governos e instituições religiosas usaram meios legais para converter à força populações inteiras, e simultaneamente, destruir os seus lugares de culto, livros sagrados e símbolos religiosos.

Um dos piores exemplos recentes de conversão forçada ocorreu na América do Norte durante os séculos 19 e 20, quando os governos dos EUA e do Canadá pagaram a organizações religiosas cristãs para raptarem crianças nativo-americanas que viviam nas reservas indígenas, arrancando-as à sua cultura e origens, e obrigando-as depois a rejeitar as suas crenças nativas e adoptar o Cristianismo como o seu sistema de crença. Esta política de genocídio cultural, realizada nos EUA pelo Gabinete de Assuntos Indígenas, também resultou na construção de centenas de colégios internos para isolar, assimilar e converter gerações inteiras de crianças indígenas.

Felizmente, em muitas partes do mundo as coisas têm evoluído desde então.

O artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma:
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
A Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas também proclamou oficialmente que a escolha pessoal de uma religião (ou a não escolha), é um direito humano protegido por lei:
... A liberdade de "ter ou adoptar" uma religião ou crença implica necessariamente a liberdade de escolher a religião ou crença, incluindo o direito de mudar a sua religião ou crença actual, ou a adoptar pontos de vista ateus... O artigo 18.2 impede a coerção que debilite o direito de ter ou adoptar uma religião ou crença, incluindo o uso de ameaça de força física ou sanções penais para obrigar crentes ou não-crentes a aderir às suas crenças e congregações religiosas, a negar a sua religião ou crença, ou converter-se.
Hoje vemos este direito humano fundamental - a liberdade de crença - ameaçado em muitos lugares por fanáticos religiosos, políticos e culturais. Os Baha'is acreditam que este fanatismo coercivo deve parar, a nível individual e social, em todas as culturas e todos os países:
Sejamos, pois, humildes, sem preconceitos, e preferindo o bem dos outros em vez do nosso! Que nunca digamos: "Eu sou um crente, mas ele é um infiel", "Eu estou perto de Deus, ao passo que ele é um proscrito." Nunca podemos saber qual será o juízo final! Portanto, vamos ajudar a todos os que necessitam de qualquer tipo de assistência.

Ensinemos o ignorante, e cuidemos da criança até que ela atinja a maturidade. Quando encontramos uma pessoa mergulhada nas profundezas da miséria ou do pecado, devemos ser bondosos com ela, levá-la pela mão, ajudá-la a recuperar o equilíbrio, a sua força; devemos guiá-la com amor e ternura, tratá-la como um amigo, e não como um inimigo. Não temos o direito de ver qualquer um dos nossos companheiros mortais como maligno. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p. 149)

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Texto original: Believe or I’ll Kill You—Religion by Force (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Imagens de prisoneiros Bahá'ís numa exposição de Ai Weiwei


Usando milhões de peças de Lego, o conhecido artista chinês Ai Weiwei criou imagens de 176 prisioneiros de consciência. Entre estes incluem-se Faran Hesami, Kamran Rahimian, Navid Khanjani e os Yaran. Estas imagens integram são uma homenagem aos prisioneiros e encontram-se numa exposição intitulada no Museu Alcatraz (S. Francisco, EUA).








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terça-feira, 7 de abril de 2015

Nasim Ashrafi



Nasim Ashrafi, uma ‪‎Bahai‬ de Teerão, que foi detida durante uma vaga de detenções de Baha’is em Teerão, Mashad e Shiraz no início de Julho de 2012, foi chamada para começar a cumprir pena de um ano de ‪‎prisão‬.

Inicialmente, em Junho de 2013, Nasim foi condenada a 3 anos de prisão, mas essa pena foi reduzida por um tribunal de recurso. Ela foi acusada de fazer propaganda contra o regime e de ser membro da Fé Bahá’í.

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FONTE: Prisoner of the Day: Nasim Ashrafi

domingo, 22 de março de 2015

O que significa uma verdadeira Liderança

Por Payam Akhavan.
A leitura da história nos leva à conclusão de que todos os homens verdadeiramente grandes, os benfeitores da humanidade, aqueles que conduziram os homens a amar o bem e a odiar o mal, e que causaram um verdadeiro progresso, todos eles foram inspirados pela força do Espírito Santo. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p. 165)
(Este artigo é uma adaptação do discurso do Prof. Payam Akhavan na Cerimónia de Abertura da McGill University Model United Nations em 22 de Janeiro de 2015, em Montreal, no Canadá.)

No mundo de hoje, o que significa ser líder?

De minha própria experiência de trabalho como um investigador de direitos humanos das Nações Unidas, percebi que liderança não tem a ver com estatuto VIP. Não se trata de políticos carismáticos e celebridades de Hollywood. Não se trata de aparecer na CNN. Não se trata de dominar ou controlar os outros. Não se trata de acumular riqueza obscena.

Liderança é acima de tudo empatia; é a coragem e a compaixão para sentir a dor dos outros; é o poder e o discernimento para substituir o egoísmo pelo altruísmo.

Se pensarmos nos líderes que verdadeiramente têm inspirado mudanças no mundo, aqueles que nos dão esperança num futuro melhor, percebemos que eles têm um aspecto comum. Vemos que, apesar deles terem vivido em diferentes períodos históricos e em culturas diferentes, e de terem enfrentado desafios diferentes, todos eles partilharam uma experiência comum: o sofrimento

Os Gandhis, os Luther Kings, os Mandelas deste mundo, todos eles sofreram. Todos eles pagaram um preço por aquilo em que acreditavam. Eles não confundiram palavras bonitas com boas acções. Eles não se deixaram escravizar pelos seus confortos e interesses egoístas. Eles estavam livres em espírito, dispostos a sentir dor no caminho da justiça, e a ser desinteressados na sua luta contra a injustiça.

Na verdade, eles tinham uma atitude completamente diferente em relação ao poder. Eles não desejavam o poder. Pelo contrário, o seu poder veio directamente de não desejarem o poder para seu próprio benefício. O seu poder veio de uma fonte superior.

Quantos líderes políticos nos dizem que apenas querem o poder para fazer o bem? E porque são tão poucos os que realmente acabam por fazer o bem, à medida que se deixam corromper e aceitam compromissos no caminho traiçoeiro que conduz ao poder? Este é o mundo cínico dos que são demasiado fracos para resistir às tentações egoístas, dos que tentam mascarar a sua indiferença com palavras ilusórias e vazias.

Temos que reconhecer que esta concepção de poder não tem qualquer significado. É apenas uma ilusão. A verdadeira liderança - a liderança moral - surge quando não se quer o poder pelo poder. A verdadeira liderança começa com uma conversa autêntica com o nosso próprio eu interior, com um sincero desejo de sentir a dor dos outros, de ajudar aqueles que sofrem, não por causa da recompensa ou do reconhecimento, mas por causa da dimensão da nossa própria consciência. Para alcançar a grandeza, devemos alcançar a humildade. Para ser mestre da humanidade, primeiro é preciso ser servo da humanidade.

Para refazer a imagem do mundo, também temos de refazer o conceito de poder e de responsabilidade pessoal, de liderança nas bases, e muitas vezes contra tudo e contra todos.

Mães da Plaza de Mayo, Argentina
Consideremos a coragem heróica das Mães da Plaza de Mayo que confrontaram a ditadura militar na Argentina. Elas desafiaram os poderosos generais e protestaram frente ao palácio presidencial, exigindo saber o destino dos seus filhos que tinham desaparecido durante a chamada "Guerra Suja" da década de 1970. Consideremos as Mães de Srebrenica que durante tantos anos exigiram justiça para genocídio bósnio de 1995 que custou a vida aos seus filhos e maridos. Ou no meu país de origem, o Irão, de onde tenho estado exilado durante tantos anos por ser Bahá'í, consideremos as extraordinárias Mães de Khavaran, o nome do bairro onde os seus filhos foram lançados numa vala comum após a execução em massa de presos políticos em 1988.

Estas corajosas mães enfrentaram espancamentos e prisões apenas por chorar os seus entes queridos. Mas elas nunca pararam de falar, de chorar e exigiram justiça. Consideremos o poder de uma mãe que perdeu o seu filho. Que força pode atravessar-se no seu caminho, enquanto ela chora pela redenção da sua perda irreparável? E a sua coragem contrasta com a cobardia daqueles oportunistas e bandidos que matam os inocentes, e têm tanto medo da verdade que nem sequer deixar uma mãe chorar no túmulo do seu filho. A violência destes homens emana da sua fraqueza, surge da sua necessidade desesperada de poder, da sua incapacidade até para reconhecer a sua própria humanidade.

Ao longo da minha carreira, conheci muitos líderes famosos. Mas aqueles homens e mulheres que mais me inspiraram, aqueles que me têm mostrado o poder e a resistência do espírito humano, aqueles que me enchem de esperança em relação ao futuro da humanidade, são aqueles que você provavelmente nunca ouviu falar. Eles são os heróis anónimos deste mundo, aqueles que trabalham em silêncio e com amor, que querem ajudar os outros, não por fama ou riqueza, mas devido à sua própria inquietação e compaixão por outros seres humanos.

Dag Hammarskjöld
Todos nós temos um papel a desempenhar. Todos nós temos que assumir a nossa parte do fardo, na luta por um mundo melhor. A questão que devemos colocar a nós próprios é: em que é que eu acredito, e qual o preço que estou disposto a pagar para ser fiel aos meus princípios, para ser fiel ao mim próprio?

Considero-me culpado pelo falhanço da liderança quando ouço duras críticas aos que detêm poder neste mundo. Assim como pequena redenção, vou concluir com as palavras de um líder mundial que ousou ser diferente; que não permitiu que o seu estatuto eminente obscurecesse as suas mais profundas crenças e princípios morais. Falo do diplomata sueco Dag Hammarskjöld, o Secretário-Geral das Nações Unidas desde 1953 até à sua morte prematura em 1961, num estranho acidente de avião no Congo.

Hammarskjöld tinha de se mover no mundo cínico da política da Guerra Fria na ONU. Teve de lutar para manter a sua independência e integridade, para não se tornar um instrumento de interesses específicos de algumas nações. Diz-se que após a sua morte, os amigos descobriram um poema profético escrito na sua Bíblia. O poema descreve de forma belíssima o que muitos sentiram com a terrível perda deste líder visionário e corajoso. Deixo-vos com as mesmas palavras para reflectirem na vossa busca por um significado e um propósito:
No dia que nasceste todos estavam felizes - tu choraste sozinho. Segue tua vida de tal maneira, que, na tua derradeira hora todos chorem e tu sejas o único sem uma lágrima para derramar!

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Texto Original: On the Meaning of True Leadership (bahaiteachings.org)

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Payam Akhavan é professor de Direito na Universidade Internacional McGill, em Montreal (Canadá) e professor convidado na Universidade de Oxford (Reino Unido). Já trabalhou como procurador da ONU em Haia, e também trabalhou com as Nações Unidas sobre os direitos humanos na Bósnia, Cambodja, Guatemala, Ruanda e Timor Leste.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Sobre o Falhanço da Liderança

Por Payam Akhavan.


O bem-estar da humanidade, a sua paz e segurança, são inatingíveis, a não ser que, primeiro, se estabeleça firmemente sua unidade. (Bahá'u'lláh, SEB, sec. CXXXI)

Bahá'u'lláh ensinou que um padrão comum de direitos humanos deve ser reconhecido e adotado. Na perspectiva de Deus todos os homens são iguais; não há distinção ou preferência por qualquer alma no domínio da Sua justiça e equidade. ('Abdu'l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, p. 181)

(Este artigo é uma adaptação do discurso do Prof. Payam Akhavan na Cerimónia de Abertura da McGill University Model United Nations em 22 de Janeiro de 2015, em Montreal, no Canadá.)

Muita coisa mudou no mundo durante a última década, mas o que permanece igual é a importância vital das Nações Unidas, assim como a necessidade imperativa de um fórum global onde os líderes mundiais possam reflectir, fazer diplomacia e encontrar soluções para os graves desafios enfrentados pela humanidade.

Winston Churchill proferiu a famosa frase de que "a diplomacia é a arte de dizer às pessoas para irem para o inferno, de tal maneira que elas nos perguntem qual é o caminho." O actor e comediante americano, Will Rogers, formulou outra definição em 1930: "Diplomacia é a arte de dizer «Cãozinho bonito!» até se encontrar uma pedra"

Qualquer que seja a definição de diplomacia, todos podemos concordar que o debate e o diálogo são preferíveis à guerra e à violência.

Hoje, o mundo que testemunhamos reflecte a sua liderança, ou melhor, o falhanço da sua liderança. O ódio, a guerra, o terrorismo, o genocídio, a ganância, a pobreza, a doença, a fome, o envenenamento do nosso planeta, todas estas aflições, todas estas fontes de sofrimento humano, são apenas um espelho que reflecte as escolhas feitas por aqueles que estão no poder.

Comecei a minha carreira nas Nações Unidas, com pouco mais de vinte anos. Sair da universidade para uma zona de guerra foi um despertar violento. Uma coisa é para falar sobre os ideais numa sala de aula, e outra é ver a realidade do sofrimento humano. Eu tinha-me formado na Harvard Law School e estava confiante que tinha todas as respostas. Acreditava na missão da ONU. Acreditava nos direitos humanos. Sabia tudo o que havia para saber sobre direito internacional.

Capacetes Azuis na antiga Jugoslávia
Quando rebentou a guerra na Jugoslávia em 1991, eu estava entre os primeiros no terreno. Era investigador idealista dos direitos humanos, pronto a testemunhar os horrores da "limpeza étnica" e do genocídio. Lembro-me da emoção ao colocar o meu capacete azul das Nações Unidas pela primeira vez, de voar nos helicópteros brancos e nos aviões de carga da ONU para Vukovar e Sarajevo, de fugir às bombas e aos tiros e de viver no limite. Mas nenhuma das minhas qualificações académicas, nenhuma quantidade de auto-confiança profissional, me tinha preparado para as cenas horríveis que iria testemunhar nos anos que se seguiram.

Vi belas cidades reduzidas a escombros, famílias sem tecto deambulando no frio do inverno à procura de comida e abrigo, a dor indescritível dos sobreviventes de violação e tortura nos campos de concentração, e, claro, as imagens inesquecíveis de mães chorando e olhando para os seus filhos em valas comuns. Foi uma experiência profundamente mortificante, sair da aprendizagem teórica e da ambição profissional, para sentir a realidade íntima das pessoas que deviam ser protegidas pela ONU. E depois, ir das aldeias da Bósnia onde vi famílias que tinham sido queimadas vivas, para as reuniões do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, onde o eufemismo diplomático e as resoluções cuidadosamente formuladas limpavam realidades desagradáveis e criavam a ilusão de progresso.

O pior foi em 1994 quando, apesar de repetidas avisos de que um genocídio estava prestes a acontecer, o mundo abandonou o povo do Ruanda. Em vez de protegerem civis, a ONU retirou as suas forças de paz, sabendo o terrível destino que aguardava aqueles que tinham sido abandonados. Enquanto diplomatas justificavam as suas políticas cínicas com terminologia sofisticada, quase um milhão de civis eram exterminados.

A minha querida amiga Esther Mujawayo entrou em pânico quando recebeu as notícias de que muitos dos seus entes queridos tinham sido assassinados. Sem ninguém para ajudá-la, desatou a correr freneticamente por Kigali, para tentar salvar as vidas das suas três meninas. Encontrou soldados europeus que tinham sido enviados para evacuar os estrangeiros e os seus animais de estimação. Viu-os a apanhar cães e gatos e a colocá-los nos camiões militares que levariam diplomatas e trabalhadores humanitários para o aeroporto de onde seriam evacuados para a Europa.

Num momento de desespero total, ela deu a sua filha recém-nascida a um dos soldados. Pediu-lhe para levar a menina para a Europa e dá-la para adopção a uma boa família. Foi o acto de uma mãe desesperada, tentando salvar, pelo menos, uma das suas filhas da perspectiva da morte iminente.

O soldado recusou levar a menina. Explicou que tinha ordens para evacuar apenas os estrangeiros. Quando contou esta história Esther tinha os olhos cheios de lágrimas, e disse: "A vida de um cão europeu era mais importante do que a vida da minha filha."

Há algo tão intenso, tão gritante, no contraste entre a história de Esther e as resoluções e deliberações vazias que a ONU estava adoptar nesse mesmo momento. É uma espécie de caricatura daqueles líderes presunçosos que recordam o Holocausto dizendo "nunca mais" e simultaneamente permitem que esse mal extremo se manifeste diante dos nossos olhos. Somente quando temos esta visão íntima do sofrimento podemos começar a apreciar o significado da verdadeira liderança. Só depois de perceber o contraste entre as declarações de princípios nobres entre os poderosos e a dura realidade dos oprimidos, podemos começar a ter uma conversa honesta sobre o futuro da ONU e a perspectiva de um sistema de governo mundial.

Não podemos reduzir o sofrimento humano a estatísticas, a declarações solenes e a sentimentalismos superficiais. As vítimas não são estatísticas. Atrás de cada vítima, há um nome. Atrás de cada vítima, há uma história. Há uma mãe e um pai, um irmão e uma irmã, um melhor amigo e um colega de trabalho. Atrás de cada vítima há um universo de emoções e relações, dilacerado pela violência, destruído para sempre.

Quando nos sentamos e deliberamos sobre os problemas mundiais nos corredores do poder, e falamos sobre esses problemas numa linguagem anti-séptica e politicamente correta, numa terminologia jurídica, e com os procedimentos burocráticos, criamos um universo auto-suficiente. Ficamos cegos para a contradição entre a nossa auto-imagem virtuosa, e nossa falta de compromisso; a contradição entre a nossa vontade de fazer um discurso sobre a moralidade, e nossa falta de vontade de pagar um preço por isso.

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Texto Original: On the Failure of Leadership (bahaiteachings.org)

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Payam Akhavan é professor de Direito na Universidade Internacional McGill, em Montreal (Canadá) e professor convidado na Universidade de Oxford (Reino Unido). Já trabalhou como procurador da ONU em Haia, e também trabalhou com as Nações Unidas sobre os direitos humanos na Bósnia, Camboja, Guatemala, Ruanda e Timor Leste.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A tirania vem dos Governos ou das Religiões?

Por David Langness.


Em verdade, Deus ordenou a realização da justiça e do bem... e Ele proíbe a maldade e opressão. Ele adverte-vos para que sejais cuidadosos. (Alcorão, 16:92)

Sê como uma lâmpada para os que andam nas trevas, uma alegria para os infelizes, um mar para os sedentos, um refúgio para os aflitos, um apoiante e defensor da vítima da opressão. (Bahá'u'lláh, Epistle to the Son of the Wolf, p. 93)
Recentemente, o Ayatollah Ali Khamenei do Irão enviou uma carta aberta aos jovens do Ocidente, expressando uma profunda preocupação com "a imagem que é lhes é apresentada como sendo o Islão."

O líder iraniano dirigiu-se aos jovens do Ocidente, e não aos "políticos e estadistas" da Europa e América do Norte, porque, tal como ele próprio disse, "acredito que eles (políticos e estadistas) afastaram conscientemente o rumo da política do caminho da justiça e verdade."

Khamenei escreveu que as nações ocidentais têm várias "fobias" em relação ao Islão, e que eles têm sido "fingidos e hipócritas" no seu relacionamento com outras nações e culturas. Vamos examinar estas afirmações de forma desapaixonada e objetiva.

O Ayatollah começa por lamentar que o Ocidente tenha provocado durante muito tempo “um sentimento de horror e ódio em relação ao Islão” e colocado “esta grande religião no lugar de um inimigo horrível”. Ele escreve:
Muitas tentativas foram feitas ao longo das últimas duas décadas, desde a desintegração da União Soviética, para colocar esta grande religião no lugar de um inimigo horrível. A instigação de um sentimento de horror e ódio e a sua utilização tem, infelizmente, um longo registo na história política do Ocidente.
Não há dúvida sobre isso. O "longo registo" de animosidade e divisão entre as nações islâmicas do Oriente e as nações da Europa e América do Norte datam de há muito tempo, muito antes da desintegração da União Soviética.

A carta do Ayatollah refere as últimas duas décadas, mas a fractura entre Oriente e Ocidente vem de um passado muito distante, desde a Idade Média. A invasão muçulmana da Península Ibérica no ano 711 EC, marcou, sem dúvida, o início de um conflito cultural épico entre o Islão e o Cristianismo, que continua a repercutir-se no mundo de hoje. O domínio implacável da aristocracia Omíada árabe sobre toda a Hispânia, as carnificinas sangrentas que se seguiram durante as terríveis guerras das Cruzadas e as horríveis torturas da Inquisição, tudo isso tem ecoado ao longo da história de ambas as grandes religiões. Ódios, chacinas e genocídios - de ambos os lados - caracterizaram o comportamento das pessoas comuns e das autoridades religiosas durante esse período negro.

No entanto, se o Ayatollah visitasse o Ocidente moderno de hoje, ficaria provavelmente feliz por saber que a maioria do público esclarecido não responsabiliza o próprio Islão por essas atrocidades históricas.

Em vez disso, as pessoas ocidentais educadas entendem que os indivíduos e os líderes dos próprios governos devem ser responsabilizados pelas suas acções - em vez de culpar as religiões que eles dizem seguir. Por exemplo, quando os líderes ocidentais declararam guerra a países islâmicos como o Iraque (em 2003), uma grande número de ocidentais levantou-se contra essa guerra, incluindo uma maioria de jovens na América do Norte e Europa. Eles não culparam o cristianismo ou o judaísmo por se travar uma guerra injusta e desnecessária; eles culparam os seus governos.

No Ocidente moderno, a maioria das pessoas tenta separar governo e religião, por essa mesma razão. Nós aprendemos que não podemos confiar governos que afirmam ter abraçado uma qualquer filiação religiosa especial, porque muitas vezes eles tomam decisões que violam os princípios espirituais dessa mesma Fé; usam a religião como um meio para controlar e dominar os outros; e para oprimir e marginalizar aqueles que não acreditam no mesmo que eles.

Tanto o Renascimento como o Iluminismo - para os quais os progressos do Islão contribuíram significativamente - procuraram libertar o Ocidente da tirania religiosa,  separar a Igreja do Estado, e conceder a cada homem, mulher e criança o direito humano fundamental e liberdade do culto que consideram adequado.

É claro que essa forma de governo também não mostrou ser perfeito. A carta aberta do Ayatollah dedica vários parágrafos a acusar as nações ocidentais, e a própria civilização ocidental, pelas suas muitas falhas:
As histórias dos Estados Unidos e da Europa envergonha-se com a escravidão, embaraçam-se com o período colonial e mortificam-se com a opressão das pessoas de cor e não-cristãos. Os seus investigadores e historiadores envergonham-se profundamente com o derramamento de sangue realizado em nome da religião entre Católicos e Protestantes, ou em nome de nacionalidade e etnia durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais.
É certo que a escravidão, o colonialismo e a opressão são hoje vistos como vergonhosas no Ocidente, tal como devem ser no Oriente, que também tem uma longa e negra história com comportamentos semelhantes. Nenhum governo humano é perfeito, e os governos só começam a aproximar-se da perfeição quando admitem os seus erros e tentam corrigi-los.

Hoje, por exemplo, o governo do Irão reprime brutalmente a sua maior minoria religiosa, os Bahá’ís, negando-lhes o direito à educação e ao emprego; aprisionando-os com base em acusações falsas; torturando e executando-os quando o seu único crime é acreditar numa religião diferente. Todas as organizações internacionais de direitos humanos, incluindo as Nações Unidas, concordam que o governo iraniano actualmente oprime os Bahá'ís.

Mas, apesar de Muhammad ter proibido a opressão no Alcorão, a liderança iraniana não parece desgostosa com essa opressão, por alguma estranha razão. Se o Islão proíbe a opressão, não deveria ela cessar? E não ficaria a juventude do Ocidente - com o seu profundo compromisso com a verdade, a justiça e a liberdade de pensamento - mais impressionada se o Irão terminasse essa a opressão do que com uma carta aberta?

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Texto original: Does Tyranny Come from Governments or Religions? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Iémen acusa Bahá’í de tentar converter Muçulmanos

Segundo a agência Reuters (que cita a agência de noticias iemenita Saba) as autoridades iemenitas detiveram e interrogaram um membro da Comunidade Bahá’í, acusando-o de ter contactos com Israel e de tentar estabelecer uma base para uma comunidade Bahá’í naquele país predominantemente muçulmano.

Mas a esposa do acusado e activistas locais de direitos humanos dizem que as acusações contra Hamed Merza Kamali Serostani fazem parte de uma campanha de persecutória mais ampla contra a comunidade Baha'i do Iémen e visa distrair as acusações de que o detido foi abusado pelos interrogadores durante o tempo em que esteve detido, em Dezembro de 2013.

Na segunda-feira (12-Janeiro), a agência Saba citou uma fonte judicial do gabinete do procurador, dizendo que o sr. Serostani, de 51 anos de idade, e cuja família é originária do Irão, foi preso no ano passado em al-Mukalla, capital da província de Hadramout no leste do Iémen. A acusação afirma Serostani entrou no Iémen em 1991, para tentar subornar os iemenitas a abandonar o Islão e a aderir à sua religião, que é liderada pela "Casa Universal de Justiça", sediada em Israel.

A acusação acrescenta ainda que o Sr. Serostani tentou criar uma "pátria para os seguidores da fé Baha'i" no Iémen, desenvolvendo negócios e construindo habitações para os seus seguidores árabes e asiáticos. O Sr. Serostani também foi acusado de usar um nome falso e de falsificar documentos para ficar no país e promover a sua religião através de trabalhos de caridade, incluindo aulas de alfabetização.

A sua esposa negou as acusações e afirmou que a família vivia em Socotra desde 1945, quando o pai de Serostani chegou à ilha iemenita proveniente do Irão. Trabalhou como médico ainda no período colonial britânico e mais tarde foi-lhe concedida nacionalidade iemenita.

Acrescentou que ele foi preso em 2013 e esteve detido durante nove meses pelas forças de segurança do Estado. "O meu marido foi torturado para obter confissões falsas. Pediram-lhe que trabalhasse para os serviços de informação e ameaçaram acusá-lo de contactos com Israel se ele se recusasse", disse à Reuters, acrescentando que estava preocupada com a sua família após as acusações de tentar converter muçulmanos iemenitas.

O activista dos direitos humanos iemenita Samia al-Aghbari declarou que as acusações contra Serostani faziam parte de uma política de perseguição contra os Baha'is iemenitas, que se estima serem algumas dezenas.

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FONTE: Yemen accuses Baha'i of converting Muslims and ties to Israel (Reuters)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mais uma vez, o Irão não cumpriu as suas promessas


Todos os anos, nas sessões do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Irão recebe apelos a favor de maior liberdade religiosa e advertências para pôr fim à discriminação religiosa. E todos os anos o Irão nega a realidade, recusa as evidências que são apresentadas, apresenta justificações disparatadas, e até faz algumas promessas.

Este ano não foi diferente.

O Irão continuou a ignorar os apelos que foram feitos em sessões anteriores considerando o interesse pelo fim da discriminação religiosa como “uma preocupação de outros governos”; o representante iraniano considerou que as críticas de que o Irão é alvo são uma tentativa de impor um determinado “estilo de vida sob a capa de direitos humanos”. E quando outros governos questionaram directamente sobre a situação dos Bahá’ís no país, o representante do governo iraniano voltou a distorcer os factos e a garantir que os Bahá’ís gozam de todos os direitos de cidadania.

Se isso fosse verdade, então como se justifica que recentemente tenham sido encerrados 79 estabelecimentos comerciais propriedades de Bahá’ís que fecharam as portas das suas lojas nos dias feriados Bahá’ís? Será que isso é a liberdade de culto para os cidadãos iranianos?

Alem disso, quantos jovens Bahá’ís conseguiram entrar nas universidades iranianas nos últimos 30 anos? Essa negação de acesso ao ensino superior também é uma característica da liberdade de culto no irão?

O representante iraniano queixou-se da “propaganda” e do “ataque mediático” em torno da execução da Sra. Reyhaneh Jabbari (que matara um homem que a tentou violar), ocorrida na semana anterior. Mas diversos grupos de Direitos Humanos acusaram o responsável pelos direitos humanos no Irão, Mohammad Javad Larijani, de distorcer gravemente a verdade sobre este caso.

Num evento paralelo organizado pela UN Watch, Marina Nermat, que agora vive no Canadá afirmou: “Torturaram e violaram-me quando eu tinha 16 anos. Sou cristã. Venho de uma família cristã e cresci no Irão. Forçaram-me a converter-me ao Islão na prisão. Isso é respeito pela liberdade religiosa?” Nemat acrescentou que o Irão mente quando nega que exista tortura nas prisões e que o relatório iraniano de direitos humanos é uma “obra de ficção”. “Só espero que haja alguém nas Nações Unidas que os responsabilize. Se assim não for, então eles podem fazer o que quiserem”

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Sobre este assunto:
- Iran lies about religious freedom, Christian, Baha'i believers say at UN (ecunews.com)
- Iran report on human rights is inaccurate, say rights groups (BIC)
- Iran fails to address calls for greater religious freedom (BWNS)
- Iran hits back after West condemns its human rights record (Reuters)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Acabar com a Pobreza

Sempre que homens e mulheres são condenados a viver na pobreza, os direitos humanos são violados.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Bring Back Our Girls

Foi exactamente há 6 meses que 230 meninas foram raptadas de uma escola no estado de Borno, na Nigéria.


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A lição d’Os Miseráveis: toda a verdade é relativa.

Por David Langness.


A maioria das pessoas concorda que roubar é errado. Mas quantos de nós roubariam um pedaço de pão para alimentar uma família com fome?

Essa é a questão ética e filosófica do conhecido escritor francês Victor Hugo coloca apresenta no seu magnífico monumental Os Miseráveis. Provavelmente os leitores já viram a peça ou alguma versão no cinema; ou talvez tenham lido as 1400 páginas do livro. Literalmente, milhões de pessoas em todo o mundo têm sido profundamente influenciadas por esta grandiosa obra de arte. Se não a conhecem , então aqui fica um breve resumo: Jean Valjean, um ex-presidiário, libertado após cumprir uma pena de prisão de 19 anos por roubar um pedaço de pão para alimentar os filhos da sua irmã, tenta mudar de vida e fazer o bem aos outros, enquanto foge à perseguição do implacável do polícia Javert, um homem cego pela lei.

Victor Hugo
O romance de Hugo causou uma grande polémica quando surgiu pela primeira vez na década de 1860; nesse mesmo período surgiu a Fé Bahá'í. Os Miseráveis desafiou o pensamento convencional, ao questionar a crueldade do primado absoluto da lei, praticado pela aristocracia europeia e autoridades religiosas. Jean Valjean defendida a democracia, o humanismo, a justiça misericordiosa e o homem comum, e elevou esses valores acima abordagem rigorosa e absolutista de Javert, que exemplificava os princípios legais e religiosos praticados nessa época pela maioria dos governos despóticos do mundo. Os Miseráveis ficou famoso pela forma como apresentou a terrível situação das classes desfavorecidas parisienses, defendendo uma abordagem humana e inteligente para resolver problemas sociais.

A história d’Os Miseráveis tem um enorme eco nos ensinamentos Bahá’ís. Não só aborda princípios semelhantes aos Bahá’ís - amar a todos, a unidade da humanidade, a futilidade da guerra, a eliminação dos extremos de pobreza e riqueza - mas também abrange um tema central enfatizado pelos ensinamentos Bahá’ís: a relatividade.

Não… não se trata da teoria da relatividade de Einstein. Os Miseráveis torna-se famoso ao colocar-nos uma grande questão: A verdade é absoluta ou relativa?

Até meados do século XIX, a maioria das pessoas teria, provavelmente, escolhido a primeira resposta. Até essa época, as autoridades governamentais e religiosas exerciam o poder com punhos de ferro e detinham autoridade absoluta sobre os seus súbditos. Proliferavam as mais inflexíveis leis e regras de conduta. Tipicamente, a dissidência, ou a discordância, recebiam uma resposta dura e até mesmo fatal. As pessoas acreditavam, em grande parte, que a inflexibilidade da verdade absoluta tornava necessário um regime autoritário.

Então, subitamente, deu-se uma mudança gigantesca. Surgiu a revelação Bahá'í, trazendo consigo um novo conjunto de pressupostos sobre a natureza da verdade. Apareceu uma nova visão da ciência, gerada pelos avanços do Iluminismo e pensadores como Darwin. A era da modernidade, com toda a sua glória perturbadora, começou a florescer. E no meio de todas essas mudanças, em vez de adoptar a abordagem absolutista da época, Bahá'u'lláh afirmou que a própria verdade não é absoluta, mas relativa:
O princípio fundamental enunciado por Bahá'u'lláh... é que a verdade religiosa não é absoluta, mas relativa, que a Revelação Divina é um processo contínuo e progressivo, que todas as grandes religiões do mundo têm origem divina, que os seus princípios básicos estão em completa harmonia, que os seus objectivos e propósitos são uma e a mesma coisa, que os seus ensinamentos são apenas facetas de uma verdade, que as suas funções são complementares, que diferem apenas nos aspectos não-essenciais das suas doutrinas, e que as suas missões representam etapas sucessivas na evolução espiritual da sociedade humana .... (Shoghi Effendi, The Promised Day is Come, pag. v.)
Bahá'u'lláh não nos deu apenas uma nova forma de olhar para a evolução da própria verdade; os Seus ensinamentos apresentam uma maneira completamente revolucionária para ver a evolução da humanidade:
... A Sua missão é proclamar que as idades da infância e da meninice da raça humana já passaram, que as convulsões associadas à actual fase da sua adolescência estão lenta e dolorosamente a prepará-la para atingir o fase da maturidade, e que anunciam o Tempo dos Tempos, em que as espadas serão transformadas em arados, em que o Reino prometido por Jesus Cristo será estabelecido e a paz do planeta será assegurada de forma definitiva e permanente. Bahá'u'lláh não proclama que a Sua própria Revelação tenha um carácter final, mas declara que uma medida mais completa da verdade Lhe foi delegada pelo Todo-Poderoso para ser concedida à humanidade, num momento tão crítico do seu destino, devendo necessariamente ser revelada em futuras etapas da evolução constante e ilimitada da humanidade. (Idem)
Da mesma forma, os ensinamentos Bahá’ís apresentam uma visão de uma nova sociedade global concebida para banir o absolutismo e o despotismo da face da Terra:
A Fé Bahá'í sustenta a unidade de Deus, reconhece a unidade dos Seus Profetas e inculca o princípio da unidade e integridade de toda a raça humana. Ela proclama a necessidade e a inevitabilidade da unificação da humanidade, declara que esta se está gradualmente aproximando, e afirma que apenas o espírito transformador de Deus, operando através do Seu Porta-Voz eleito neste dia, poderá consegui-lo. Além disso, impõe aos seguidores o dever primordial de procurar irrestritamente a verdade, condena todas as formas de preconceito e superstição, declara que o propósito da religião é a promoção da amizade e concórdia, proclama que esta deve estar em harmonia com a ciência, e reconhece-a como o agente principal para a pacificação e o progresso tranquilo da sociedade humana... (Idem, pags. v-vi)
Gostava que Victor Hugo e os seus Miseráveis tivessem vivido para ver isto.

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Texto original: The Lesson of Les Miserables: All Truth is Relative (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 19 de abril de 2014

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Os Bahá’ís e os Nazis

Por David Langness


Há alguns anos atrás, quando terminei uma palestra alguém me perguntou: "Qual é a anti-Fé Bahá'í? Por outras palavras, há um grupo no mundo, que representa o ponto de vista diametralmente oposto dos ensinamentos Bahá'ís?"

Tive de pensar na questão durante um minuto. Essa pergunta nunca me tinha passado pela cabeça. Pela minha experiência, os Bahá’ís são tipicamente pessoas afectuosas, bondosas, gentis e acolhedoras; assim, tentei imaginar o que podia parecer o oposto.

Foi então que me lembrei que Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha nazi, em 1937; e percebi que o partido nazi e as suas acções, provavelmente, estão muito próximo daquilo que pode representar o completo oposto da Fé Bahá'í.

Os nazis acreditavam numa raça superior, na superioridade eugénica e na supremacia dos arianos sobre qualquer outro ser humano. Os Bahá’ís acreditam na unicidade da raça humana, na eliminação de todos os preconceitos e na unidade da humanidade. Os nazis acreditavam no domínio militar de um país sobre todas as nações. Os Bahá'ís acreditam na terra como um só país. Os nazis acreditavam na violência e guerra. Os Bahá’ís acreditam na paz mundial. Os nazis acreditavam em exterminar os seus inimigos. Os Bahá'ís acreditam que devemos amar os nossos inimigos. Os nazis acreditavam no ódio. Os Bahá'ís acreditam no amor.

Heinrich Himmler
Adolfo Hitler tornou-se o símbolo de todas as coisas más no mundo; mas Himmler, que eu nomearia como um concorrente a esse título, juntamente com Estaline e Mao, foi o principal responsável pelos campos da morte. Nesses campos de concentração - que ele montou, e controlou - supervisionou pessoalmente o extermínio de seis milhões de judeus, cerca de meio milhão de ciganos, provavelmente cinco milhões de polacos e russos, e os números incontáveis de gays e Bahá’ís.

A maioria de nós pensa nos campos de concentração nazis como um dos pontos mais baixos da história humana. Mas a maioria não sabe que os campos nazis não foram os primeiros.

Na verdade, o termo campo de concentração nem sequer é alemão; surgiu originalmente - acreditem ou não – com os britânicos, que o criaram durante a Segunda Guerra dos Bóeres (1899-1902) na África do Sul. Inicialmente criados como "campos de refugiados" para os civis forçados a sair das suas casas por causa da guerra, o exército britânico expandiu as suas implacáveis cidades-tenda em 1900 para "concentrar" todos os apoiantes e simpatizantes da guerrilha, incluindo mulheres e crianças - e impedir os Bóeres, os colonos brancos de língua africânder da África do Sul, de conseguir apoio ou vantagens entre a população.

Juntamente com os seus campos de concentração o exército britânico lançou-se em acções de "terra queimada" para destruir todas as plantações, gado, casas e quintas. Salgaram campos agrícolas e envenenaram poços. Porquê? A maioria concorda que a guerra foi travada, como tantas outras, por causa do ouro. Os britânicos e os bóeres queriam ambos controlar as vastas minas de ouro de Witwatersrand, que na época produziam uma parcela significativa da riqueza mineral do mundo - e ambos pensaram que poderiam roubar o ouro aos africanos .

Foram os britânicos os primeiros a transformar os centros de internamento em tempo de guerra em campos de concentração? Não. Os Estados Unidos foram os primeiros a fazê-lo; foi contra os nativos americanos, como os Navajos, no século XIX. Tenho um amigo próximo, uma artista Navajo, cuja bisavó foi internada em Fort Sumner por Kit Carson, o oficial genocida da cavalaria americana. Toda a sua família morreu, juntamente com milhares de pessoas. Mais ou menos ao mesmo tempo, os espanhóis criaram terríveis campos de internamento em Cuba, durante a Guerra dos Dez Anos (1868-1878). Os britânicos expandiram o conceito, e atingiram toda a África do Sul, limpando e despovoando vastas regiões do país. Enviaram a maioria dos combatentes Bóeres para prisões no estrangeiro, mas cerca de 28.000 mulheres e crianças Bóeres sofreram mortes terríveis, a maioria de doença e fome, nos brutais campos de concentração britânicos. Também se estima que mais de 14.000 africanos negros morreram nos seus próprios campos segregados.

Os alemães, que colonizaram o vizinho Sudoeste Africano (actual Namíbia), aprenderam rapidamente a táctica. Em 1904, o Exército Imperial Alemão criou vários campos de concentração e o Campo de Extermínio da Ilha de Shark teve um papel horrível no genocídio das tribos Herero e Namaqua.

Tudo junto, campos de concentração como os gulags soviéticos, as prisões de trabalho e “re-educação” dos chineses e os campos de trabalho forçado dos nazis assumem uma enorme e horrível dimensão durante o último século. Ninguém sabe quantas pessoas morreram em todos esses campos e, mas os historiadores estimam que entre 1 a 10 milhões morreram nos gulags, entre 15 a 27 milhões morreram nos campos de trabalho chineses. A maioria dos historiadores concorda que os campos nazis mataram pelo menos 10 a 11 milhões de civis e prisioneiros de guerra, entre 1933 e 1945.

Embora dos Bahá'ís europeus fossem em número reduzido em 1930, os ensinamentos Bahá'ís tinham atraído um grupo significativo de intelectuais, escritores e artistas de alto perfil (muitos de origem judaica) na Alemanha, assim como nos países do Leste Europeu (a comunidade Bahá’í alemã foi fundada em 1905). Como resultado desse crescimento Himmler, em nome do governo alemão, proibiu a Fé Bahá'í em 1937. Consequentemente, muitos Bahá’ís morreram.

Como podem os seres humanos mostrar tanta crueldade? Esta série de artigos vai explorar esse período da história, analisará a pouco conhecida Bahá’í durante o regime nazi, e tentará responder a questões importantes descritas no parágrafo seguinte (retirado de uma declaração da Casa Universal de Justiça, o órgão dirigente internacional da Comunidade Bahá’í):
De um ponto de vista Bahá’í, o facto da humanidade adorar a ídolos inventados por si própria tem importância não por causa dos acontecimentos históricos associados a essas forças, por muito horríveis que sejam, mas pelas lições que nos ensinam. Olhando para o mundo crepuscular em que essas forças diabólicas pairavam sobre o futuro da humanidade, devemos questionar qual a fraqueza da natureza humana que a tornou vulnerável a essas influências. Ver em alguém como Benito Mussolini a figura do "homem do destino", sentir a obrigação de compreender as teorias raciais de Adolfo Hitler como algo diferente de resultados auto-evidentes de uma mente doente, acolher seriamente a reinterpretação da experiência humana através de dogmas que deram à luz a União Soviética de José Estaline – um propositado abandono da racionalidade por parte de um segmento considerável da liderança intelectual da sociedade exige uma explicação para posteridade. (Century of Light, p. 62)
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Texto Original: The Baha’is and the Nazis (bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Parlamento Europeu irrita dirigentes iranianos

Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução em que condena "a contínua e sistemática violação dos direitos fundamentais" no Irão e pediu que diplomatas que focassem as suas atenções nos direitos humanos durante as suas negociações com a República Islâmica. A resolução do Parlamento Europeu destaca as restrições à liberdade de expressão no Irão, incluindo o continuado encerramento da associação de jornalistas iranianos, e condena a "persistente repressão e discriminação com base na religião, crença, etnia, género e orientação sexual".

Também recentemente o secretário-geral das Nações Unidas, tinha feito acusações semelhantes, afirmando que o Sr. Rouhani pouco tinha feito para melhorar a situação dos direitos humanos desde que tinha assumido o cargo de presidente.

Parlamento Europeu
O Irão reagiu com irritação a estas declarações, com o seu Ministério das Relações Exteriores descrevendo-as como "infundadas e inaceitáveis". O ayatollah Sadeq Larijani, chefe do sistema judicial iraniano, disse que a resolução era unilateral, interferia nos assuntos internos do Irão e revelava a arrogância dos europeus para com o seu país. "A resolução não tem valor e não merece atenção; mas mostra a natureza arrogante dos ocidentais", disse o ayatollah Larijani num encontro com juízes e altos funcionários judiciais, de acordo com a agência Fars.

"Infelizmente, os Europeus ainda repetem os seus comentários mesquinhos contra o povo e o governo iraniano e não prestam atenção às respostas documentadas que lhes são dadas; eles fazem declarações unilaterais sem prestar atenção às respostas repetidamente dadas pelas autoridades da República Islâmica", afirmou o ayatollah.

Também o Sr. Mohammad Javad Larijani, chefe do Conselho de Direitos Humanos no Poder Judiciário iraniano (e familiar do ayatollah Sadeq Larijani), rejeitou que no Irão seja feita "qualquer forma de discriminação e violação de direitos, devido a [uma pessoa] ser Bahá’í", e acrescentou que ninguém fica privado de educação ou é levado a tribunal só por ser Bahá’í.

Segundo a Iranian Labor News Agency (ILNA), no passado domingo (06 de Abril), o Sr. Larijani, referiu-se às denúncias de violações dos direitos das minorias no Irão, declarando que "os relatórios sobre direitos humanos iranianos que afirmam que os direitos das minorias são violados são mentiras grosseiras, são racistas e sectários, e são contrários a padrões de direitos humanos".

O mesmo dirigente enfatizou que a Fé Bahá'í não é uma religião reconhecida no Irão e disse: "Os funcionários governamentais nunca oprimiram ninguém por ser Bahá'í, pois eles acreditam que, segundo a Constituição todos os cidadãos iranianos tem alguns direitos, e não podem ser privados dos seus direitos, como é declarado na Constituição."

Esta afirmação surge em resposta às repetidas denúncias da Comunidade Internacional Bahá’í e de defensores de direitos das minorias no Irão de que após a revolução, os Bahá’ís foram impedidos de frequentar as universidades e de exercer funções na administração pública.

Padideh Sabeti, porta-voz da comunidade Bahá'í, rejeitou a declaração de Larijani, e declarou à BBC Persa: "Todos os que estão na prisão e são Baha'is estão presos por causa da sua religião. A Comunidade Bahá’í não é a única que diz isso - os advogados que os defendem também dizem que não há o menor vestígio de evidência que sustente a detenção e prisão dessas pessoas; tudo isto se baseia apenas no fanatismo religioso. O Sr. Larijani devia estudar o assunto para perceber qual é o problema."

Segundo a Comunidade Internacional Bahá'í actualmente estão detidos "dezenas de Bahá’ís" devido às suas crenças. As autoridades iranianas, por seu lado, acusam infundadamente estas pessoas de ter relacionamentos com Israel.

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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Chief judge condemns EU 'interference' in human rights as arrogance (The Guardian)
Javad Larijani: People are not deprived of education or put on trial solely because of being Baha’is (IPW)
Sadeq Larijani, Head of the Judicial System of Iran: We don’t have conflicts with Baha’is merely because someone is a Baha’i (IPW)
European parliament angers Iran with human rights resolution (The Guardian)
Judiciary Chief: EP Resolution against Iran Worthless (FARS)
Official Makes Rare Admission of Baha’is’ Equal Rights in Domestic Media (ICHRI)

segunda-feira, 24 de março de 2014

Há 136 Bahá’ís presos no Irão...

...mas o Sr. Larijani acha que não!

Diane Alai, a representante da comunidade Bahá’í, reagiu às declarações feitas por Mohammad Javad Larijani, chefe do Conselho de Direitos Humanos no Poder Judiciário iraniano, no passado dia 17 Março, que afirmou que no Irão não existem Bahá'ís que estejam presos devido à sua religião.

O Sr. Larijani
"Actualmente há 136 Bahá’ís nas prisões da República Islâmica que foram presos apenas porque são Bahá’ís. Eles não cometeram nenhum outro crime", afirmou a srª Alai à organização International Campaign for Human Rights in Iran. Acrescentou que alguns Bahá’ís presos foram acusados de participar em "organizações ilegais" ou "espionagem para países estrangeiros", mas não foi apresentada qualquer evidência que provasse tais acusações.

"O sr. Larijani deve estar mal informado sobre a actual situação da comunidade Bahá’í no Irão", declarou a Srª Alai, "Caso contrário saberia que os jovens Bahá’ís não podem frequentar a universidade, que os cemitérios Bahá’ís são demolidos por tractores e que as lojas pertencentes a Bahá’ís são encerradas estão quando seus donos fecham os estabelecimentos durante os feriados Bahá’ís."

A srª Alai acrescentou que representantes de dezenas de países se reuniram com relator especial da ONU, Ahmed Shaheed para expressar as suas preocupações sobre violações de direitos humanos contra os Bahá’ís no Irão.

A representante da Comunidade Bahá'í, que apresentou um relatório à 25 ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, neste mês, afirmou que o governo iraniano não está preparado para assumir as suas responsabilidades em questões de direitos humanos e, portanto, é incapaz de cooperar para resolvê-los.

A srª Alai elogiou um grupo de activistas civis no Irão, que escreveu recentemente uma carta aberta ao presidente Rouhani pedindo direitos Bahá’ís que devem ser respeitados. "Este foi um passo muito positivo e importante", afirmou. "Todos os dias vemos mais iranianos comuns que defendem os Bahá'ís."

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FONTE: Despite Officials’ Claims, 136 Baha’is Held in Prison, Says Representative

terça-feira, 4 de março de 2014

Ayatollah Mesbah Yazdi: "Direitos iguais para Bahá’ís e Judeus é contra o Islão"

Ayatollah Mesbah Yazdi
Num discurso para professores e seminaristas, o Ayatollah Mesbah Yazdi, um influente clérigo de linha-dura do regime iraniano, afirmou: "Houve quem avançasse com um plano para os direitos de cidadania e queira dar direitos iguais aos Bahá’ís, aos judeus e aos muçulmanos e ... Nós nunca poderemos aceitar isso." Esta foi uma referência inequívoca ao projecto de Carta dos Direitos de Cidadania apresentado pelo governo de Rouhani, em Novembro passado.

A raiva do sr. Yazdi incidia no princípio de que todos os cidadãos são iguais perante a lei. "Todos os cidadãos iranianos, independentemente do seu sexo, etnia, riqueza, classe social, raça, etc., desfrutam de direitos de cidadania e as garantias previstas em normas e regulamentos", declara primeiro artigo do projecto da Carta. A frase não inclui o termo "religião", provavelmente de forma intencional, mas o "etc." deixa muito espaço para especulação. Alguns radicais têm sido rápidos a especular que isto poderá abrir espaço para a Comunidade Bahá’í, que tem sido incansavelmente hostilizada desde o início da Revolução Islâmica.

"O padrão é sempre o Islão", disse Yazdi aos alunos da escola teológica. "Direitos humanos ocidentais e direitos de cidadania, significando igualdade entre os Muçulmanos e os Bahá’ís, não tem relação com o Islão. Estes direitos, conforme descritos pelo Ocidente, vão totalmente contra o Islão, a constituição e o caminho do Imam [Ayatollah Khomeini]. O povo deste país, que sofreu agruras e deu tantos mártires, não aceitaria nada que vá contra o Islão. Claro que, mesmo aqueles que não são muçulmanos devem ser respeitados. Eles têm direitos, que o Islão reconhece."

Cidadãos de segunda-classe

O Ayatollah Yazdi defendeu que a desigualdade religiosa é aceitável. "O Islão nunca considera um judeu e um muçulmano como iguais", declarou. "Apesar do Islão ter conferido alguns direitos aos judeus, isso não significa que eles sejam iguais em todos os direitos. Por vezes isso é designado «cidadania de segunda classe». Podem chamar-lhe o que quiserem, mas isso não muda a realidade."


Activistas de direitos humanos e comentadores liberais têm feito várias críticas à Carta dos Direitos, classificando-a como "elegante, mas inútil" e uma "miscelânea de coisas"; mas o sr. Yazdi vê a carta como um texto anti-Islâmico, tanto na letra, como no espírito.

Uma fantasia marginal

O espírito, é claro, vem das pessoas que redigiram o projecto sob as ordens de Rouhani. Dirigindo-se aos estudantes, o sr. Yazdi afirmou que aqueles que promovem os direitos de cidadania estão errados sobre o Islão e errados sobre a história da República Islâmica. E acrescentou que quando os defensores dos direitos de cidadania citam o respeito do Ayatollah Khomeini pelas práticas democráticas, como o direito a votar, eles estão a distorcer as suas palavras. Eles acreditam que Khomeini "foi uma figura política e um herói nacional que se opôs ao antigo regime - que prejudicava o país - e queria estabelecer um sistema que seria mais vantajoso para o povo." Mas, segundo o sr. Yazdi, isso é simplesmente falso. "As pessoas que pensam assim são seculares e, na sua opinião, o bem e o mal consistem em coisas materiais", declarou, acrescentando que, para essas pessoas "o mal é o atraso material e a ausência de bem-estar; simultaneamente, o bem está na utilização de tecnologia e em proporcionar uma vida boa para todos. Eles acreditam que a religião é algo marginal, uma fantasia."

O Islão era absolutamente central no pensamento de Khomeini, afirmou o sr. Yazdi. "Quando ele disse que a sociedade enfrentava um grande perigo, ele queria dizer um grande perigo para o Islão. Isso era algo que não era importante para muitos políticos."

Um estudante perguntou: "As pessoas que querem igualdade de direitos para todos os cidadãos são inimigas do Islão? ". "Eles não são realmente inimigos do Islão", foi a resposta, "mas esta é a forma como eles veem o mundo, especialmente se a pessoa foi educada em Inglaterra ou noutro lugar assim, porque nesses lugares eles falam dos direitos humanos, dos direitos de cidadania e outros direitos com tal reverência que, gradualmente, o aluno chega a considerá-los como a questão mais importante." O sr. Yazdi acrescentou que, apesar de ter 80 anos, ainda poderia cair sob a influência da retórica ocidental, se viajasse para um desses países. Então seria lógico supor que um "jovem que não tenha compreensão profunda dos princípios islâmicos" possa ser particularmente vulnerável à influência.

Este não é o primeiro ataque à proposta de Carta de Direitos Humanos do presidente Rouhani. Mas é o ataque mais significativo. E é de esperar que surjam mais ataques.

Para concluir, convém lembrar que entre o clero iraniano há quem tenha opiniões totalmente diferentes do sr. Yazdi

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Traduzido e adaptado de: Ayatollah Mesbah Yazdi: "Equal Rights for the Baha'is and the Jews are Against Islam" (IranWire)