Mostrar mensagens com a etiqueta Direitos Humanos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Direitos Humanos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de janeiro de 2014

A Sobrevivência da Consciência

Por Teresa Langness

Lembro-me de, numa noite de neve em Cabul, à luz de uma lanterna, falar com um casal de olhos claros que tinha finalmente conseguido a sua liberdade depois de ter estado preso durante anos como prisioneiros de consciência. O cabelo ruivo dela ondulava sobre os ombros. O aspecto magro dele tinha-se agravado devido à má alimentação, mas ele apontou orgulhosamente para os volumes que tinha coleccionado durante o encarceramento, cuidadosamente alinhados no parapeito da janela.

Na prisão, os seus espíritos e intenções para melhorar a sociedade elevaram-se, encorajados por parceiros em celas frias e húmidas onde todos aguardavam livros e pão e orações das famílias de quem dependiam para sobreviver. Eles viviam num país onde as convicções tinham um preço; por isso tinham ganho determinação com as suas provações, e receberam inspiração de prisioneiros de consciência com opiniões similares.

Da mesma forma, a bem documentada vida de Nelson Mandela mostra como a camaradagem fortaleceu o seu carácter à medida que ele desistiu dos confortos da vida - família, saúde, nutrição, segurança, e até a reputação - como um prisioneiro de consciência. Escrevendo sobre a sua prisão no seu livro Um Longo Caminho para a Liberdade, Mandela recordou-nos: "Convicções fortes são o segredo para sobreviver à privação; o espírito pode estar cheio, mesmo quando o estômago está vazio."

Os Bahá’ís na África do Sul comemoraram as suas qualidades, assim como toda a gente, quando "Madiba" faleceu aos 95 anos, em Dezembro. A celebração dos seus ideais teve um eco especial porque os Bahá’ís tinham levantado o apelo à unidade cerca de quarenta anos antes do nascimento de Mandela, quando o fundador da sua Fé se tornou um prisioneiro de consciência pela sua própria crença em ideais semelhantes - unidade da humanidade e da erradicação do poder como ferramenta de opressão. Bahá'u'lláh foi primeiramente punido pelas suas convicções no Fosso Negro, em Teerão, em 1852, com um pesado jugo sobre os ombros, e com as mãos e os pés atados. De facto, ele passou a maior parte da sua vida na prisão, exilado ou sob prisão domiciliar, até ao seu falecimento em 1892.

Neste século, Mandela deu aos prisioneiros de consciência uma imagem elevada quando surgiu como um estadista consagrado do seu tempo e, em 1994, se tornou o primeiro presidente negro do seu país. Ainda assim, olhando para um ensaio fotográfico do final do ano de 2013 publicado no New York Times lembramo-nos que o trabalho da humanidade continua por fazer. Em todos os continentes, vemos conflitos étnicos, respostas violentas aos apelos à liberdade, a preponderância dos interesses económicos sobre o bem comum, a turbulência baseada em ódio... todo tipo de dramas humanos continuaram a desenrolar-se ao longo do ano de 2013, juntamente com actos de generosidade, de sacrifício e da bondade humana. Enquanto a luta para estabelecer a unidade tem avanços e recuos, expandindo-se grandemente, os heróicos prisioneiros de consciência viram algumas vitórias. (Aqui defino herói como alguém que fala não apenas em seu próprio nome, mas em nome de terceiros.)

A conhecida advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh, por exemplo, encontrava-se entre os 11 iranianos libertados quando Hassan Rouhani assumiu a presidência no Irão. Ela tinha representado activistas iranianos presos, bem como prisioneiros condenados à morte por crimes cometidos quando eram menores. Entre os seus clientes incluíam-se a jornalista Isa Saharkhiz e a vencedora do Prémio Nobel da Paz, Shirin Ebadi.

Apesar de Nasrin Sotoudeh ter saído da detenção solitária na prisão de Evin para se juntar à sua família, muitos inocentes não o puderam fazer. Permanecem detidos como heroicos prisioneiros de consciência. Muitos desses adultos e jovens nunca fizeram ouvir as suas vozes nas ondas da rádio, participaram em manifestações política da oposição ou expressaram publicamente as suas opiniões. Entre eles estão mais de 100 Bahá’ís iranianos que foram subitamente levados dos seus locais de trabalho e residências devido ao simples delito de ensinar de cursos universitários ou aulas para crianças - presos por agir segundo convicções que os levam a valorizar a educação, o amor e o serviço à humanidade e o exercício da igualdade. Os Yaran, os sete dirigentes da Fé Bahá’í no Irão - todas as mães e pais - que, tranquilamente respondiam às necessidades da sua comunidade, sem violar a lei, já cumpriram cinco anos de penas de prisão, sem fim à vista.

Enquanto a anterior geração de prisioneiros Bahá’ís iranianos sofreu, por vezes, execuções aleatórias na prisão, hoje o mundo aguarda com esperança renovada para uma era mais progressista. Talvez tenha chegado. Recentemente a resolução 75 do Senado dos EUA obteve apoio bipartidário e aprovação unânime na condenação de perseguição oficial do Irão contra a sua minoria Bahá’í. Esta foi uma pequena vitória para o público em geral, tal como a desintegração do apartheid foi uma vitória para toda a humanidade.

Quem são os heróis? Onde quer que cada um de nós aja segundo as suas convicções, sempre que cada um de nós luta por um maior nível de equidade, perdão, humildade e serviço à humanidade, damos um passo para libertar uma geração da sua prisão de sofrimento. Em lugares desconhecidos alcançamos as nuvens e tornamo-nos um pouco mais heroicos.

Quando nós, enquanto sociedade, percebemos que é difícil superamo-nos, podemos questionar-nos: O que faria um herói de consciência? Estará cada um de nós disposto a sofrer pelas suas crenças e convicções, de uma forma que aperfeiçoe mais a alma do que o corpo? Se assim for, então esta alimentação diária da consciência pode revelar ser o segredo da nossa sobrevivência.

--------------------------
Texto Original em Inglês: The Survival of Conscience (bahaiteachings.org)
Ler também: Prisoners of Conscience: Mandela as a Role Model

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Teresa Henkle Langness é professora e presidente fundadora da Full Circle Learning, uma organização global sem fins lucrativos baseada no modelo educacional do mesmo nome. É autora de 36 livros e CDs de música. As sua obras de ficção, não-ficção e poesia abordam uma diversidade de temas nomeadamente incluindo o meio ambiente, literatura, história e direitos civis e educação. Para mais informações ver fullcirclelearning.org

sábado, 26 de outubro de 2013

Relatório da ONU: Apesar das promessas, o Irão continua a violar os direitos humanos

Dr. Ahmed Shaheed
Apesar dos sinais recentes de que o Irão pretende melhorar a situação dos direitos humanos, tem surgido poucas evidências de mudanças, afirma um relatório divulgado ontem pelo especialista da ONU para os direitos humanos naquele país.

"A situação dos direitos humanos na República Islâmica do Irão continua a justificar forte preocupação, sem nenhum sinal de melhora", disse Ahmed Shaheed, relator especial da ONU sobre direitos humanos no Irão.

Entre os problemas apontados, o Dr. Shaheed salientou a elevada quantidade de execuções do Irão, a constante discriminação contra mulheres e minorias étnicas, as más condições nas prisões e os limites à liberdade de expressão e de associação. Também acrescentou que as minorias religiosas no Irão, incluindo os bahá'ís, cristãos, muçulmanos sunitas, e outros, "estão cada vez mais sujeitos a várias formas de discriminação legal, incluindo nas áreas do emprego e educação, e muitas vezes enfrentam detenção arbitrária, tortura e maus-tratos".

O seu relatório, que será formalmente apresentado à Assembleia Geral da ONU, dedicou vários parágrafos para a perseguição enfrentada por Comunidade Bahá’í iraniana.

"O Relator Especial continua a observar o que parece ser um padrão de crescentes de violações sistemáticas dos direitos humanos que visam membros da comunidade Bahá’í; estes enfrentam detenção arbitrária, tortura e maus-tratos, acusações de envolvimento em actividades religiosas contra a segurança nacional, restrições na prática religiosa, negação do ensino superior, obstáculos no acesso a emprego na função pública e os abusos dentro das escolas", escreveu.

Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, saudou o relatório, dizendo que forneceu uma imagem clara do que está a acontecer no Irão, e continua a acontecer mesmo desde a eleição do presidente Hassan Rouhani, que fez promessas públicas de melhoria.

"As informações recentes sobre o Irão apresentam detalhes perturbadores indicando que não houve qualquer melhoria", afirmou Dugal . "Na verdade, os relatórios recebidos no nosso escritório, indicam um agravamento da situação dos Bahá'ís no Irão. E notamos que, embora muito tenha sido feito na comunicação social sobre libertações recentes de alguns prisioneiros de consciência, nenhum Bahá’í foi incluído entre eles."

Dugal afirmou: "O que vemos é a continuação das tácticas habituais, tentando iludir a comunidade internacional e para apaziguar a família das nações, enquanto a repressão continua no país com toda a força. A Comunidade Bahá’í no Irão, como muitas outras minorias no país, continua a ser privada dos seus direitos mais básicos, incluindo, o direito de existir como uma comunidade viável. O governo iraniano deve ser responsabilizado por esta hipocrisia e duplicidade".

E prosseguiu: "Na resposta oficial do Irão ao relatório do Dr. Shaheed, o governo afirma que os direitos de cidadania dos seguidores de outras religiões, incluindo os Bahá’ís são totalmente observados".

• Se isto é assim, como é que a onda de discursos de ódio contra os Bahá’ís continua imparável nos meios de comunicação controlados pelo Estado e, na verdade, até se intensificou nas últimas semanas?

• Se isto é assim, porque é que os Bahá’ís comuns enfrentam constante hostilidade cruel para conseguir meios de subsistência elementares e documentos oficiais do governo proíbem explicitamente os Bahá’ís de exercer em dezenas de profissões, apesar de, na prática, eles serem impedidos de muitas mais?

• Se isto é assim, porque é que todas as propriedades da comunidade Bahá’í continuam confiscados e até mesmo cemitérios Bahá’ís não estão imunes à destruição?

• Se é assim, qual é a explicação para o decreto oficial 81 que obriga as universidades a não aceitar estudantes Bahá’ís e porque é que o decreto do governo que expulsa qualquer aluno que se descubra ser Bahá’í ainda em vigor?

• Se isto é assim, porque é que os advogados corajosos que defenderam os Bahá’ís contra a injustiça foram eles próprios lançados na prisão?

• E se isto é assim, porque é o Líder Supremo do país publicou uma fatwa declarando Bahá’ís como " impuros" e pediu que eles sejam sistematicamente identificados e socialmente marginalizados?

Dugal concluiu: "Durante quanto tempo persistirá o governo iraniano na sua duplicidade?"

--------------------------------------------
FONTE Despite promises, Iran continues to violate human rights, says UN report (BWNS)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Seis questões para o Presidente Rouhani

Tradução de um artigo de Irwin Cotler, Membro do Parlamento do Canadá e ex-Ministro da Justiça e Procurador-Geral do Canadá.
-----------------------

Nas suas promessas pré e pós-eleitorais, o presidente iraniano, Hassan Rouhani,falou de forma encorajadora sobre "moderação", "reforma" e defesa dos "direitos das pessoas… num Irão livre". Na verdade, nas vésperas do seu discurso na Assembleia Gera da ONU na terça-feira (24-Setembro), Rouhani desencadeou aquilo que o Economist designou como uma ofensiva de charme "notável" e "sem precedentes", que incluiu a libertação de presos políticos.

No entanto, esta ofensiva de charme é desmentida pelas contínuas violações de direitos humanos, conforme documentadas pelo Dr. Ahmed Shaheed, relator especial da ONU sobre os Direitos Humanos no Irão. O seu relatório descreve estas violações como “generalizadas, sistémicas, e sistemáticas”, caracterização que ele reafirmou numa conversa comigo.

O que se segue é um índex de direitos humanos - um inventário de violações graves dos direitos humanos e as correspondentes acções necessárias – para que o Irão que é uma república de medo se transforme num Irão livre, tal como Rouhani afirmou. De facto, os itens abaixo indicados servem como um teste à autenticidade do compromisso de Rouhani com a justiça e os direitos humanos.

1. Execuções
Antes da eleição de Rouhani, o Irão tinha a maior taxa de execução per-capita no mundo, com o Dr. Shaheed a afirmar o seu alarme com "a taxa de execuções no país."

No entanto, as execuções não diminuíram desde a eleição de Rouhani; na realidade aumentaram, com cerca de 100 iranianos executados no primeiro mês após a sua eleição. Além disso, muitos prisioneiros são mortos em segredo pelo regime, de modo que o número de execuções é, certamente, maior.

Pergunta: Será que o presidente Rouhani vai declarar uma moratória sobre as execuções?

2. Tortura e outras formas de tratamento cruel, desumano e humilhante
O relatório do Dr. Shaheed descreve a horrível realidade da tortura usada com o objectivo de obter confissões - que são depois usadas para justificar acusações forjadas - enquanto vai prevalecendo uma cultura de impunidade.

O relatório, baseado em depoimentos de testemunhas, documenta os métodos de tortura física, que incluem espancamento, chicotadas e agressões em 100 por cento dos casos; a tortura sexual, incluindo violação, abusos sexuais e violência sobre os órgãos genitais em 60 por cento dos casos; e torturas psicológicas e ambientais, como detenção solitário foram descritas como sendo "altamente prevalecente".

Pergunta: Será que o presidente Rouhani se compromete a investigar e colocar um fim a este uso generalizado da tortura e a impunidade associada?

3. A repressão e perseguição de minorias religiosas e étnicas
A situação dos Bahá’ís - a maior minoria religiosa no Irão - é um espelho para a situação das minorias étnicas e religiosas em geral e a criminalização dos inocentes em particular.

Simplificando, a perseguição e repressão dos Bahá’ís é um caso de estudo sobre o carácter sistemático - se não sistémica - da injustiça iraniana, incluindo: prisão arbitrária; detenção e isolamento; acusações falsas, como "espalhar a corrupção na Terra" e "espionagem para agentes estrangeiros "; tortura na prisão; e julgamentos encenados desprovidos de quaisquer procedimentos legais. Mais de 200 Bahá’ís foram executados - todos os dirigentes Bahá’ís estão presos - e o governo iraniano tem tentado privar os Bahá’ís de participação em todos os aspectos da vida iraniana.

Em contraste com declarações do presidente Rouhani por maior tolerância para com as minorias religiosas, a fatwa do Líder Supremo Khamenei emitida no mês passado apela aos iranianos para evitar qualquer interacção com os membros da Fé Bahá’í, que ele descreveu como " depravada e enganadora."

Pergunta: Será que o presidente Rouhani irá acabar com a exclusão social, cultural e político dos Baha'is e outras minorias religiosas perseguidas e reprimidas?

4. Presos Políticos e o ataque à Sociedade Civil
Apesar da liberação de onze presos políticos na semana passada - incluindo a célebre advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh - e as informações de hoje que o Irão libertou outros 80 presos políticos, ainda existem cerca de 2000 prisioneiros políticos no Irão. Entre eles estão dirigentes das minorias étnicas e religiosas, defensores dos direitos humanos, estudantes, jornalistas, bloggers, artistas, sindicalistas, membros da oposição política e líderes da sociedade civil de um modo geral.

Pergunta: Irá o Presidente Rouhani cumprir a sua promessa de libertar os presos políticos iranianos? Será que ele vai conceder-lhes - incluindo a Nasrin Sotoudeh - a liberdade para defender os casos e as causas desses presos?

5. O ataque persistente e constante contra as Mulheres
Apesar de Rouhani ter falado eloquentemente sobre a igualdade de género - e do artigo 20º da Constituição iraniana pretende protegê-la - as mulheres enfrentam discriminação generalizada e sistemática na educação, emprego, apoios estatais, nas relações familiares, e no acesso à justiça. Como o Dr. Shaheed lembrou, existe uma carência de representação feminina nos cargos de tomada de decisão.

Pergunta: Será que o presidente Rouhani vai implementar a sua promessa de melhorar os direitos das mulheres, garantindo a igualdade de género e criando o primeiro Ministério da Mulher do país?

6. O 25 º aniversário do Massacre de 1988 e a Cultura de Impunidade
No momento em que assinalamos o 25 º aniversário do massacre de 1988 massacre de cerca de 5000 presos políticos, cometido pelo regime iraniano, a nomeação pelo presidente Rouhani de Mostafa Pour-Mohammadi como novo Ministro da Justiça do Irão é um exemplo dramático - de facto, escandaloso - da cultura de impunidade segundo o próprio Rouhani. De fato, tal como informou o Iran Human Rights Documentation Center, o Sr. Pour-Mohammadi - o ministro-adjunto de informação entre 1987 e 1999 - esteve directamente envolvido no massacre das prisões em 1988 - que uma resolução parlamentar canadiana classificou recentemente, por unanimidade, como crimes contra a humanidade - este envolvido no assassinato extrajudicial de opositores políticos, e foi responsável por assassinatos de dissidentes no Irão.

Pergunta: Será que Rouhani vai pôr fim à cultura de impunidade no Irão, afastando Pour-Mohammadi do cargo, e assegurando uma indemnização adequada às suas vítimas – tudo na busca da verdade, da justiça e da responsabilidade?

Com Rouhani a discursar na Assembleia Geral e a reunir-se com líderes mundiais durante esta semana, a ausência de uma retórica incendiária tipo-Ahmadinejad - embora bem-vinda - não deve ser motivo, só por si, de celebração. Serão as acções de Rouhani - e não apenas as suas palavras - que serão a prova do seu compromisso com um Irão livre.

----------------
FONTE: Six Questions About Iranian President Hassan Rouhani (Huffington Post)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Prisioneiros iranianos exigem justiça para Bahá’í assassinado

Prisão Raja'i Shahr
Na prisão Raja'i Shahr, um grupo de 48 prisioneiros políticos e prisioneiros de consciência divulgou uma carta, exigindo uma investigação sobre a morte do Sr. Atta'u'llah Rezvani e o julgamento dos seus assassinos. O Sr. Rezvani tinha 52 anos; era Bahá'í e um conhecido activista social, de 52 anos de idade. Foi sequestrado e posteriormente assassinado na cidade portuária de Bandar Abbas, no mês passado. O crime seguiu-se a um discurso de ódio contra os Bahá’ís feito por um imam local. Há motivos para acreditar que o seu assassinato teve motivações religiosas. A sua morte provocou a indignação dos Bahá’ís em todo o mundo.

O conteúdo da carta assim como o nome dos signatários foi publicado pelo site Rahesabz. Aqui fica a tradução, feita a partir de uma tradução inglesa publicada aqui.

Em nome d'Aquele que é a Fonte de esperança e medo

Fomos informados que o Sr. Atta'u'llah Rezvani, um companheiro Bahá’í, casado e pai de dois filhos, foi sequestrado e depois morto com um tiro na cabeça em Bandar Abbas. Este acto desprezível enche todo o coração humano com dor e tristeza.

Considerando o historial de repetidas ameaças de morte contra o falecido, bem como a frequência e âmbito das detenções e intimações contra os membros da comunidade Bahá’í, e a semelhança e recorrência dessas tais atrocidades, que muitas vezes levaram à perda da vida ou a graves incapacidades físicas, nos últimos anos, nós, prisioneiros de consciência na prisão de Rajai Shahr, condenamos este acto cruel e exigimos uma investigação imediata e julgamento dos responsáveis por este incidente e que aqueles que o ordenaram sejam levados perante um tribunal justo.

Este acontecimento horrível cria um clima de insegurança entre os companheiros da comunidade Bahá'í do Irão, bem como outros grupos minoritários. Deve ser assegurada uma investigação imediata e imparcial sobre este assunto de forma a garantir a segurança e o bem-estar do povo iraniano.

Com base na Declaração Universal dos Direitos Humanos (da qual o Irão é signatário) e, tal como estipulado na Constituição Iraniana, todos os cidadãos têm direitos iguais, e o governo é responsável por proteger a sua segurança pessoal, financeira e social.

De acordo com os artigos 19º e 20º da nossa Constituição, os povos do Irão, independentemente da sua etnia e nacionalidade, são iguais; a cor, a raça, a língua, e outras características não podem conceder nenhum privilégio, e todos os cidadãos, homens e mulheres, estão sujeitos ao primado da lei ...

De acordo com as normas acima referidas, nós, abaixo assinado, exigimos que os direitos de todos os cidadãos, independentemente de crenças diferentes, sejam preservados, e que todos os cidadãos sejam tratados igualmente e sem discriminação.

Prisão de Raja'i Shahr , Sexta-feira, 8 Shahrivar, 1392 (30 Agosto de 2013)
Siyyid Muhammad Seif Zadeh
Kaivon Samimi
Mahdi Mahmudian
Jamll’u-Ddin Khanjani
Behruz Azizi Tavakolli
Mahdi Mu`tamedi Mehr
Saeed Rizai Tarangi
Anif Naimi
Vahid Tizfahm
Ja`far Iqdami
Rasul Bedaqi
Farhad Sedqi
Kamran Mortezai
Mahmud Badavam
Ramin Ziba`i
Mustafa Neili
Shahrokh Zamani
Kamran Rahimian
Kaivon Rahimian
Saeed Masuri
Muhammad-Ali Mansuri
Shahin Negari
ShahrokhTaeef
Riaz’u'llah Sobhani
Aziz’u'llah Samandari
Navid Khanjani
Aman’u'llah Mostaqim
Ayat Mehr-Ali Beigo
Mahmud Fazli
Shahram Radmehr
Latif Husna
Behbod Qoli-Zadeh
Payam Markazi
Farhad Fahandezh
Hurosh Zabari
Luqman Moradi
Zaniar Moradi
Didar Ra`ufi
Farhomand Sanai
Peyman Kashfi
Kamal Kashani
Foad Fahandezh
Siamak Sadri
Foad Khanjani
Afshin Heyratian
Shahram Chinian
Ifan Shahidi
Ali-Reza Farahani
-------------------------
Sobre este assunto:
Political Prisoners Pen Letter Demanding Justice forAtaollah Rezvani (MNBR)
Letter from Reja’i Shahr political prisoners demandingarrest and punishment of perpetrators who killed Mr. Rizvani (IranPressWatch)

sábado, 24 de agosto de 2013

Uma oportunidade de mudança no Irão

Por Winston Nagan, publicado no blog On Faith do Washington Post, em 21 de Agosto (os sombreados são da minha responsabilidade).
------------------------------------------------------------------

Winston Nagan é um professor de direito e diretor-fundador do Instituto de Direitos Humanos e Desenvolvimento da Paz da Faculdade de Direito na Universidade da Florida e ex-presidente do conselho de administração da Amnistia Internacional, EUA (1989-1991).

Evitar qualquer tipo de convívio com a “seita depravada e enganadora". Estas são as palavras da fatwa de 28 de Julho de 2013, publicada pelo líder supremo do Irão, Ali Khamenei, contra a Fé Bahá'í. A sua publicação tão próxima do dia 04 de Agosto - data da tomada de posse do novo presidente iraniano, Hassan Rouhani - poderia naturalmente ser considerada como um acto preventivo para bloquear quaisquer planos do novo presidente para atenuar a perseguição contra as minorias religiosas no Irão, em especial os Bahá'ís.

O presidente iraniano Hasan Rouhani numa conferência de imprensa 17 de Junho, em Teerão.
(Ebrahim Noroozi / AP)

Rouhani desencadeou especulações significativas sobre o futuro do Irão. Quem é ele? O que vai ele fazer? É um verdadeiro "moderado" ou "conservador"? Será que ele vai alinhar-se com o ataque mais recente de Khamenei contra os Bahá'ís? Ou vai ser a aquela mesma voz de esperança para as minorias iranianas oprimidas quando, ao fazer campanha eleitoral, afirmou que as minorias religiosas devem ter igualdade de direitos de cidadania? Uma coisa é clara: a sua tomada de posse apresenta uma oportunidade para uma mudança significativa no tom, e talvez na política. Embora as aspirações nucleares do Irão preencham os títulos dos jornais, as práticas de direitos humanos do Irão são uma grande preocupação, especialmente no que toca à liberdade religiosa e aos que defendem esse direito.

No Irão, hoje, existem centenas de prisioneiros de consciência. Entre os mais notáveis encontram-se três advogados de direitos humanos: o Sr. Abdolfattah Soltani, a Sra. Nasrin Sotoudeh, e o Sr. Mohammad Ali Dadkhah. O seu crime: defender prisioneiros de consciência.

Soltani fundou, juntamente com Dadkhah e Sra. Shirin Ebadi, o Centro de Defesa de Direitos Humanos em Teerão. Foi detido em 2011, defendendo os sete dirigentes da comunidade Bahá'í do Irão, que foram presos devido à sua fé. Soltani foi condenado a 13 anos de prisão e proibido de praticar a advocacia durante 20 anos. Enquanto estava na prisão em 2012, ele foi agraciado com o Prémio do Bar da Associação Internacional dos Direitos Humanos.

Da mesma forma, Dadkhah defendeu o pastor Youcef Nadarkhani, que foi, a certa altura, condenado à morte devido à sua fé cristã, mas acabou por ser libertado. Dadkhah, foi detido em 2011, condenado a nove anos de prisão e proibido de praticar a advocacia durante 10 anos.

Sotoudeh, conhecido pela sua defesa das minorias religiosas, foi condenado em 2011 a 11 anos de prisão e proibido de praticar a advocacia durante 20 anos. Em 2012, enquanto estava na prisão, foi-lhe atribuído o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento do Parlamento Europeu. Além desses corajosos prisioneiros, outros advogados, como a Sra. Ebadi e Mahnaz Parakand, estão actualmente exilados por defender os direitos dos cidadãos iranianos.

A liberdade religiosa pode ser a frente mais importante na luta pelos direitos humanos no Irão, pois é a liberdade que mais profundamente desafia a visão do regime de uma teocracia ideologicamente homogénea. Cada um destes advogados defendeu as minorias religiosas, e Ebadi, Soltani, Sotoudeh e Parakand defenderam membros da Fé Bahá'í, a maior minoria religiosa não-muçulmana do Irão. Os Bahá’ís têm sido o alvo favorito do regime e são regularmente detidos e presos. Desde Janeiro de 2011, o número de Bahá'ís na prisão duplicou (de 56 para 112); e o número dos que aguardam julgamento, recurso, leitura de sentença, ou o início das suas sentenças aumentou de cerca de 230 para 435.

Entre os Bahá'ís actualmente presos encontram-se os sete membros de um antigo grupo ad-hoc de direcção nacional. Eram responsáveis por tratar das necessidades básicas da comunidade Bahá’í, como tratar de casamentos, divórcios e funerais. Foram presos com base em acusações infundadas, incluindo espionagem e espalhar corrupção na terra, e foram defendidos por Ebadi e Parakand antes desses advogados terem sido obrigados a deixar o país. Em Maio deste ano, completaram-se cinco anos da sua pena de 20 anos, as penas mais longas dadas a quaisquer prisioneiros de consciência no Irão até ao momento.

Com duras penas contra Bahá'ís, Cristãos, e advogados que se atreveram a defendê-los, o Irão enviou uma mensagem clara sobre as suas restrições à liberdade religiosa. Agora é a oportunidade de Rouhani para cumprir a sua promessa de campanha de acabar com esse abuso. A fatwa de Khamenei vai tornar mais difícil a tarefa do novo presidente. De facto, a fatwa pode até ser um sinal de que virão coisas piores.

Aceitar o pluralismo religioso - a implicação óbvia da promessa de campanha de Rouhani - permitirá fortalecer significativamente a sociedade iraniana. Nos últimos anos foram recolhidas evidências consideráveis, principalmente nos estudos rigorosos do Fórum Pew sobre Religião e Vida Pública, mostrando uma forte correlação em todo o mundo entre a liberdade religiosa e a estabilidade social. Se Rouhani e a elite clerical que lidera o governo do Irão estiverem verdadeiramente preocupados com o bem-estar do país, fariam bem em começar por conceder mais liberdade, inclusive de religião.

-------------------------------------
FONTE: A chance for change in Iran (On Faith, WP)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Dia de Malala nas Nações Unidas



“As canetas e os livros são as armas mais poderosas que existem”. Foi assim que Malala Yousufzai prosseguiu, hoje, na Assembleia Geral da ONU o combate que quase lhe custou a vida, há nove meses, no Paquistão. A jovem, que sobreviveu a um atentado Talibã quando se dirigia para a escola, defendeu o direito à educação universal num discurso que coincide com o seu 16o aniversário.

Frente à família, a vários responsáveis da ONU e a mais e 500 crianças de todo o mundo, a jovem paquistanesa atacou-se igualmente ao terrorismo e ao fundamentalismo religioso que impede milhões de raparigas de acederem à educação básica.

“No dia 9 de outubro de 2012, os Talibã alvejaram-me no lado esquerdo da testa. Também dispararam sobre os meus amigos. Pensavam que aquela bala nos iria silenciar. Mas desse silêncio sairam milhares de vozes. Os terroristas pensaram que podiam mudar os meus objetivos e ambições. Mas nada mudou na minha vida, à exceção disto. A fragilidade, o medo e o desespero morreram. A força, o poder e a coragem renasceram”.

“Eu não sou contra ninguém, nem estou aqui para vingar-me dos Talibã ou de qualquer outro grupo terrorista. Estou aqui para defender o direito à educação para cada criança”.

A jovem paquistanesa entregou igualmente uma petição com 4 milhões de assinaturas que apela à ONU para que concretize o objetivo de uma educação gratuita e universal para todas as crianças até 2015, num momento em que cerca de 57 milhões de menores em todo o mundo permanecem sem acesso a uma educação básica.

-------------------------------------------
FONTE: Malala Yousufzai “contra-ataca” Talibã na ONU com “canetas e livros” (Euronews)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O que significa a eleição de Hassan Rouhani

No passado sábado, depois dos iranianos terem comparecido em massa para votar nas eleições presidenciais, a contagem dos votos deu a vitória a Hassan Rouhani, um político com longo curriculum, advogado e clérigo. Os media internacionais têm descrito Rouhani como "reformista" e as suas políticas como alternativas como "moderadas" em relação às políticas de linha dura de Ahmadinajed. Os festejos de apoio ao presidente eleito inundaram Teerão, de acordo com relatos dos media, e os eleitores liberais do Irão consideram Rouhani como um novo ciclo da política iraniana.

Vai ser difícil para o presidente eleito instituir uma verdadeira mudança sob o olhar do Líder Supremo Ali Khamenei, que comanda a sua própria unidade da Guarda Revolucionária e tem poder para anular os decretos presidenciais. Os problemas que perpetuam a discriminação e perseguição contra as minorias étnicas e religiosas no Irão estão enraizados e será difícil para Rouhani ultrapassá-los, especialmente porque os conservadores e a linha-dura controlam todos os sectores religiosos, parlamentares e governamentais. Rouhani vai ter muita dificuldade para impor a sua agenda "moderada".

Recordemos que foi sob a liderança de Ahmadinejed que o Irão testemunhou um aumento da repressão contra grupos minoritários e ataques contra activistas, jornalistas e académicos, em particular os Bahá’ís. Os próximos anos de Rouhani serão interessantes, mesmo que sejam ineficazes, e vale a pena estudar a sua postura para com as minorias étnicas e religiosas. O problema, porém, é que Rouhani não disse muito sobre o tema, com excepção do seguinte:
"Eu não estabeleço diferenças entre os artigos 3,15, 19 e 22 da Constituição Iraniana. A nação iraniana é um povo e quem estabelece diferenças entre curdos, turcos, baluchis, turcomanos, árabes e persas não é um iraniano "
É uma observação vaga, uma tímida afirmação diplomática. É provável que os Bahá'ís do Irão - ou qualquer das minorias iranianas - não vejam qualquer acção forte de Rouhani em sua defesa; mas talvez possam ver uma redução da perseguição contra as suas comunidades. O Irão pode ter eleições, mas isso não significa que seja democrático - o teste decisivo para a democracia é a igualdade de direitos de todos os cidadãos, incluindo as minorias.

---------------------------------
FONTE: What Does Hassan Rouhani, Iran’s New Reformist Leader, Mean For Baha’is in Iran? (MNBR) 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cinco Anos de Injustiça

A Situação Penosa dos Bahá'ís no Irão

O texto que se segue é de autoria do Dr. Firuz Kazemzadeh, professor emérito de história na Universidade de Yale e ex-comissário na Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional. Foi publicado ontem na secção On Faith do Washington Post.
--------------------------------------------------------------------------------

"Eu nunca vi minha mãe tão arrasada como quando ela voltou de uma visita à prisão de Evin para ver a minha irmã, Fariba", recorda Iraj Kamalabadi ao descrever a visita da sua mãe à sua irmã, Fariba Kamalabadi, no Irão. Tinham passado quatro anos desde que a mãe e a irmã se tinham visto uma à outra. Kamalabadi explicou que durante a visita da sua mãe, cada minuto de espera parecia um ano. Finalmente, uma voz áspera chamou, "Visitantes de Fariba Kamalabadi, cheguem à frente."

Como a mãe de Kamalabadi avançou ansiosa e não viu sua filha, começou a entrar em pânico; imediatamente a sua neta chamou-a para uma janela onde estava um rosto desconhecido, mas sorridente. Atrás do vidro estava sentada uma senhora de idade, com cabelos brancos, as maçãs do rosto pronunciadas, e um rosto cheio de manchas escuras.

Era sua filha. Incrédula e em choque, não conseguiu controlar lágrimas.

No passado dia 14 de Maio de 2013 assinalaram-se cinco anos desde que os sete Bahá’ís do Irão, incluindo Fariba Kamalabadi, foram presos, julgados à porta fechada, e condenado a 20 anos de prisão. O seu crime: liderança informal de uma comunidade, a maior minoria religiosa não-muçulmana do país, proibida pelo governo da República Islâmica como seita subversiva e "perversa".

Relatos na comunicação social controlada pelo governo iraniano afirmam que os sete membros dos Yaran-i-Iran ("amigos do Irão"), como o grupo era conhecido - Sra. Fariba Kamalabadi, Sr. Jamaloddin Khanjani, Sr. Afif Naeimi, o Sr. Saeid Rezaie, Sra. Mahvash Sabet, Sr. Behrouz Tavakkoli, e o Sr. Vahid Tizfahm - foram acusados formalmente de espionagem, actividades de propaganda contra a ordem islâmica, estabelecimento de uma administração ilegal, cooperação com Israel, envio de documentos secretos para fora do país, actos contra a segurança do país, e corrupção na terra. Os sete negaram categoricamente todas as acusações.

À medida que o processo legal avançava, aos sete Yaran foi negado o acesso a advogados por mais de um ano e só lhes foi permitida uma hora de consulta antes do início do julgamento. Foram condenados sem que o governo apresentasse qualquer evidência da sua suposta culpa.

O destino dos cinco homens e duas mulheres foi partilhado ao longo dos últimos 34 anos por centenas de outros Bahá’ís - médicos, advogados, funcionários públicos, empresários e agricultores - acusados e condenados por actividades anti-islâmica, espionagem, e "corrupção na terra". Em muitos casos, foram simplesmente condenados por serem Bahá’ís.

Em anos recentes, a pressão sobre a comunidade Bahá’í iraniana tem vindo a aumentar. O número de Bahá’ís na prisão duplicou nos últimos dois anos para mais de 110 e houve um aumento significativo de casos de ameaças, prisões, espancamentos, intimidação e destruição de propriedades.

Nos últimos anos, em Semnan, uma cidade situada a nordeste de Teerão, os mullahs pregaram nas mesquitas e em seminários especiais sobre a necessidade de combater os infiéis Bahá’ís. Estes sermões provocaram ataques contra indivíduos Bahá’ís e seus negócios. Quando foram incendiadas casas, a polícia não fez qualquer tentativa para capturar os incendiários. Na verdade, as autoridades governamentais foram coniventes com os mullahs e juntaram-se ao ataque. Licenças comerciais foram revogadas às empresas dos Bahá'ís, privando os seus funcionários (tanto Bahá’ís como Muçulmanos) da sua subsistência. Nem mesmo as crianças não foram poupadas.

Em 2012, pelo menos duas mulheres foram, e continuam, detidas juntamente com os seus filhos. Não houve recurso pois as autoridades cooperam com as instituições clericais. Actos similares foram perpetrados contra Bahá’ís de Yazd, Shiraz, Isfahan, Gorgan, e outras cidades e aldeias, grandes e pequenas.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU chamou repetidamente a atenção para as violações dos direitos humanos por parte do governo do Irão e a Assembleia Geral da ONU condenou os actos de violência e privação de direitos humanos contra os Bahá’ís e outras minorias religiosas. Os parlamentos de vários países aprovaram resoluções exigindo que os direitos humanos de todas as minorias sejam respeitados. O Congresso dos EUA aprovou 12 resoluções (apoiadas pelos dois partidos) condenando especificamente o tratamento dos Bahá’ís iranianos, tendo o mais recente ocorrido em 1 de Janeiro deste ano. Tais protestos têm tido um efeito inibidor sobre as autoridades iranianas, que prestam pelo menos um pouco de atenção às opiniões da comunidade internacional.

É importante manter o holofote da verdade sobre o Irão e, enquanto se presta atenção a questões nucleares e outras, não podemos fechar os olhos às políticas repressivas e acções do governo iraniano contra seu próprio povo.

Enquanto não soubermos quantas mais vezes a mãe de Kamalabadi poderá visitá-la, é claro que essa injustiça não pode continuar. Cinco anos é algo inaceitável.

----------------------------------------- 
FONTE: Five years of injustice: The plight of seven Baha’i leaders in Iran (Washington Post) 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Procurador impede saídas temporárias de prisioneiros Bahá’ís.

O blog 100 letters for freedom publicou recentemente um texto em defesa dos Bahá’ís detidos na prisão de Semnan, no Irão. Esse texto foi traduzido para inglês e publicado por Sen McGlin. Aqui fica a tradução para Português.
-----------------------------------------------

Existem numerosos Bahá’ís na prisão em Semnan, incluindo mulheres com pequenos bebés; na ala dos homens, alguns Bahá’ís que têm doenças graves. Apesar da ajuda prestada pelo director-geral das prisões na província de Semnan, Sr. Arab, e a promessa de que seria concedidas autorizações de saída temporária aos prisioneiros, independentemente das suas crenças pessoais, e apesar da cooperação do chefe da prisão central de Semnan e de outras autoridades prisionais locais, para permitir saídas temporárias aos prisioneiros Bahá’ís, o Procurador Provincial, o Sr. Haydar Asyabi recusou-se autorizá-las. Aos Bahá’ís ele até recusou libertação antecipada no final das suas penas de prisão. Nos feriados do Naw-Ruz, até aos prisioneiros Bahá’ís que apresentaram registos médicos e com recomendações de licença terapêutica, foi negada qualquer saída.

Em cada caso, é feita referência ao Médico Oficial da prisão, Sr. Shateri que conscientemente contribuiu para a opressão da comunidade Bahá’í em Semnan. Ele é responsável pelo tratamento de todas as doenças na prisão, e o procurador baseou-se no seu parecer para recusar a saída temporária aos prisioneiros.

No entanto, os regulamentos da prisão especificam que a Procuradoria Provincial detém a responsabilidade [nestas situações]. Em alguns casos, as condições médicas dos prisioneiros Bahá’ís têm-se agravado devido à falta de tratamento atempado. O Procurador Provincial tem deveres e liberdades muito amplas para actuar, e tanto os regulamentos da prisão como os procedimentos criminais salientam a importância da saúde física e mental dos prisioneiros; isto levanta a questão de porque é que o Sr. Asyabi não usou esse poder para conceder saídas temporárias aos prisioneiros Bahá’ís? Porque é que ele participou da opressão dos Bahá’ís, sem levar em conta as regras e os princípios dos direitos humanos?

sexta-feira, 1 de março de 2013

A liberdade que definha para os Bahá'ís no Irão

Por Winston Nagan, professor de Direito e Director-Fundador do Instituto de Direitos Humanos e Desenvolvimento para a Paz na Universidade da Flórida, e ex-presidente do conselho de administração da Amnistia Internacional dos EUA (1989-91).

* * * * * * * * *

Imagine viver em Semnan, no Irão, uma cidade a cerca de 120 quilómetros a leste de Teerão, onde as minorias religiosas têm sido particularmente perseguidas pelo governo. Aí, mais de uma dúzia de empresas pertencentes aos membros da sua comunidade de fé foram encerradas nos últimos três anos. Prisões, convocações para interrogatórios e detenções curtas e prolongadas são a norma. Como membro da Fé Bahá’í, a maior minoria religiosa não-muçulmana no Irão, você está acostumado à insegurança. No entanto, agora você é uma mãe com um bebé em casa e a preocupação torna-se ainda maior porque o seu pior pesadelo tornou-se realidade.

Mas isto não é a sua imaginação. Esta é a realidade para os Bahá’ís no Irão. A Freedom House, uma organização de monitorização da liberdade religiosa, reportou que três mães pela primeira vez - a Sra. Zohreh Nikayin, a Sra. Taraneh Torabi, e a Sra. Neda Majidi - foram presas no país por serem Bahá’ís. Cada uma está na prisão juntamente com o seu bebé de menos de um ano. Também vi relatórios que indicam que, desde Setembro de 2012, ao filho da Sra. Nikayin, Resam, contraiu uma infecção intestinal e desenvolveu um problema no ouvido, foi receitado um medicamento e ordenado o regresso à prisão; o filho da Sra. Torabi, Barman, contraiu uma doença pulmonar e foi hospitalizado. A Sra. Majidi tem estado na prisão com seu bebé desde Dezembro de 2012. Nos últimos meses, tivemos conhecimento de vagas de prisões de Bahá'ís e encerramentos de estabelecimentos comerciais em diversas cidades do Irão, e mais recentemente, em Gorgan e Hamadan.

O que poderia motivar o Estado a cometer tão flagrantes violações das normas internacionais ao decretar a prisão de crianças? Terá preconceito religioso ido tão longe ao ponto de eliminar qualquer sentimento de empatia, ou, neste caso, vergonha?

Historicamente, os abusos de direitos humanos no Irão têm sido acompanhados de perto pelo governo dos EUA e pela comunidade internacional, e este ano não é diferente. A sessão extraordinária do Congresso no dia de Ano Novo trouxe algum alívio emocional para as famílias americanas com familiares no Irão e outros que se preocupam com as perseguições religiosas naquele país, quando a Câmara dos Representantes aprovou a Resolução 134. Esta destaca e condena os abusos contra os direitos humanos cometidos pelo governo do Irão, em particular contra a comunidade Bahá’í.

Mulheres na Prisão de Evin
Na sua declaração de apoio na véspera de Ano Novo no plenário da Câmara, a presidente cessante da Comissão de Assuntos Estrangeiros, Ileana Ros-Lehtinen, acrescentou que a resolução "insta o Presidente e o Secretário de Estado a usar as medidas já promulgadas na lei da Comprehensive Iran Sanctions, Accountability, and Divestment Act of 2010 para sancionar funcionários iranianos responsáveis por violações dos direitos humanos contra os Bahá'ís e outros". E acrescentou: "Eu sou uma co-autora dessa legislação, e essas medidas não estão lá para simples exibição. Elas estão lá para punir os responsáveis por esses crimes, e impedir futuras violações dos direitos humanos. "Numa altura em que profundas tensões partidárias têm sido a norma na Câmara, foi notável o facto desta resolução, apresentado pelo deputado Robert Dold (R-Ill.), ter recebido 78 republicanos e 68 democratas como co-patrocinadores antes de ser posta à votação.

Apenas 12 dias antes da aprovação da Resolução 134, em 20 de Dezembro de 2012, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução onde levanta uma série de preocupações sobre direitos humanos no Irão, incluindo, entre outras, a "crescente perseguição e violações dos direitos humanos contra pessoas pertencentes a minorias religiosas não reconhecidas, especialmente membros da Fé Bahá’í e seus defensores, incluindo ataques crescentes, um aumento no número de prisões e detenções, e a restrição de acesso ao ensino superior por motivos religiosos."

Esta resolução acrescenta a necessidade de "eliminar a criminalização dos esforços para proporcionar educação superior aos jovens Bahá’ís a quem é negado o acesso às universidades iranianas" e "para libertar os sete dirigentes Bahá'ís detidos desde 2008, e para conceder todos os Bahá'ís, incluindo aqueles que estão presos devido às suas crenças, a plena aplicação da lei e os direitos que estão garantidos constitucionalmente."

Identificar, envergonhar e sancionar os autores individuais de flagrantes violações dos direitos humanos tornou-se, nos últimos anos, uma forma popular de por fim à impunidade. Se este ano revelará maior uso deste meio para mitigar o sofrimento dos Bahá’ís, Cristãos, Sufis e Sunitas do Irão, e tantos outros que sofrem o abuso é uma questão que o governo dos EUA e a comunidade internacional terão de considerar. Enquanto isso, a resolução 134 e a resolução recente da ONU lançam uma luz brilhante sobre as violações dos direitos humanos pelo governo iraniano de direitos e levam esperança para as Sras. Nikayin, Torabi e Majidi, e para seus filhos.

---------------------------------------
Texto original em inglês: Freedom languishes for Baha’is in Iran 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Conheça um idoso ameaçador para a segurança do regime iraniano

Um bahá’í com 80 anos na prisão 

Qual a definição de criminoso? A um nível mais elementar, diríamos que é alguém que quebra deliberadamente uma lei. Agora imagine que se trata de um homem que é um pai e avô amoroso, um marido dedicado e um homem de negócios de mente aberta, caloroso e que dedica parte do seu tempo ao serviço à sua comunidade. Parece criminoso, certo?

O Sr. Khanjani e a esposa
Conheça o Sr. Jamaloddin Khanjani, um iraniano de 80 anos que foi preso pelo menos três vezes nas últimas décadas, que mais recentemente - em 2008 - foi preso e condenado a 20 anos de prisão. Entre as acusações estava esta: “ameaçar a segurança nacional iraniana por ser membro da Fé Bahá’í”.

Segundo o irmão do Sr. Khanjani, Kamal, que agora vive nos Estados Unidos, a bondade Khanjani, o sentido de humor, e desejo de ajudar os outros é incomparável. Kamal recordou uma história em que o seu irmão levou 40 crianças de uma aldeia rural para a cidade de Isfahan, onde vivia, para poderem ir à escola. Também destacou diversas formas como o seu irmão esteve continuamente ao serviço da Comunidade Bahá’í Iraniana, que motivou se tornou motivo das suas múltiplas detenções.

Em 1984, Khanjani serviu no conselho administrativo eleito dos Bahá'ís do Irão, que, tragicamente, viu sete dos seus nove membros serem executados pelo governo iraniano. A detenção mais recente de Khanjani resulta da sua participação num grupo de sete dirigentes ad-hoc dos Bahá'ís do Irão.

Considerando a idade de Khanjani, esta sentença de 20 anos é para uma pena de prisão pertétua: uma injustiça tremendamente cruel. No entanto, a duração da sua pena não é a única crueldade que Khanjani experimentou.

Em 2011, três anos depois da sua detenção mais recente, a sua esposa, Ashraf Khanjani, faleceu. Para piorar a situação, Khanjani não teve permissão para visitá-la durante os seus últimos dias, nem foi autorizado comparecer no seu funeral. Quando ocorre uma injustiça dessa magnitude, é imperativo que se tomem medidas.

O Governo dos EUA intensificou a pressão com a aprovação no dia 1 de Janeiro de Câmara dos Representantes da Resolução nº 134, "condenando o Governo do Irã por sua perseguição apoiada patrocinada pelo Estado contra a sua minoria Bahá'í e a sua contínua violação dos Pactos Internacionais sobre Direitos Humanos." Esta resolução teve um total de 146 subscritores, 78 republicanos e 68 democratas.

Este esforço bipartidário apela ao Presidente americano e ao Secretário de Estado para condenar o Irão pelas suas contínuas violações dos direitos humanos e para exigir a libertação imediata de todos os prisioneiros detidos devido às suas crenças religiosas (incluindo Khanjani e os outros seis dirigentes Bahá'ís), assim como para impor sanções contra as autoridades e indivíduos responsáveis por essas violações.

(...)

---------------------------
Continuar a ler o artigo em inglês: Meet Iran’s Oldest Security Threat - 80 Year Old Baha’i Leader Behind Bars (Iranian.com)


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Se eu fosse Bahá'í, por Tarek Heggy

O texto seguinte é de autoria de Tarek Heggy, um autor Egípcio liberal, e analista político. O Dr. Heggy é um dos mais proeminentes defensores das reformas políticas no Egipto. Nos seus muitos artigos tem defendido os valores da modernidade, democracia, tolerância e direitos das mulheres no Médio Oriente, valores que considera universais e essenciais para o progresso da região. É professor convidado em diversas Universidades e tem realizado palestras e conferências um pouco por todo o mundo. É também co-fundador da Cadeira de Estudos Coptas na Universidade Americana no Cairo. O texto original em inglês encontra-se aqui.

- - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Se eu fosse Bahá'í: informaria o mundo sobre o plano sistemático para eliminar todos os vestígios da Fé Bahá'í e dos Bahá’ís no Egipto.

Se eu fosse Bahá'í: chamaria a atenção de todas as grandes personalidades e intelectuais do mundo para o respeito e consideração com que os seus pares no Egipto receberam 'Abdu'l-Bahá (filho de Bahá'u'lláh) durante a sua visita a este país no início do século XX, e para as obscenidades e desconsiderações com que as pretensiosas personalidades e falsos intelectuais do Egipto de hoje mancham o bom nome da Fé Bahá’í e dos Bahá’ís.

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha a assembleia da Justiça no mundo sobre o tema da Instituição Al Azhar e diria ao honorável Ulamá: como pode decidir hoje que os Bahá’ís não são uma religião quando o Tribunal Superior da Sharia de Beba/Souhag decretou em 1925 que a Fé “Bahá’í é uma religião independente”?

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha a assembleia da Justiça no mundo sobre o tema da Instituição Al Azhar, que, com todas as mesquitas, mesdjids e escolas kettab à sua disposição no Egipto, descobriu que é necessário privar a Comunidade Bahá'í do seu principal edifício sede e usá-lo como escola corânica.

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha a assembleia da Justiça no mundo sobre o tema da prisão de 92 Bahá'ís - homens e mulheres - com idades entre os 2 e 80 anos. Foram presos entre a meia-noite e madrugada em todo o Egipto e transferidos para a cadeia de Tanta, e seguidamente, falsamente acusados de traição, conduta imprópria e espionagem, com grande exposição na comunicação social, sem nenhum outro motivo a não ser por serem Bahá'ís.

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha a assembleia da Justiça no mundo sobre o tema da detenção frequente de Bahá’ís, homens e mulheres, durante dias, semanas ou meses para interrogatório. Os tribunais nunca os consideram culpados de qualquer crime ou falta, mas eles eram Bahá'ís.

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha a assembleia da Arte no Ocidente e no Oriente, para o caso de um dos maiores e mais admirados artistas do Egipto, Hussein Bikar, que foi detido em sua casa e levado para a cadeia com outros Bahá'ís conhecidos para dias de interrogatórios a respeito da sua Fé Bahá'í.

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha a assembleia da Arte no Ocidente e no Oriente, e dizia-lhes: Hussein Bikar, um dos maiores e mais admirados artistas no Egipto não tinha qualquer bilhete de identidade quando morreu com quase 90 anos de idade. As autoridades egípcias recusaram-se a emitir um documento de identidade com a palavra "Bahá'í" no espaço para a religião.

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha as Organizações Mundiais de Direito, Justiça e Direitos Humanos, governamentais e não-governamentais, e dizia-lhes: imaginem que no Egipto do século XX, os documentos de identidade individual devem incluir a indicação de filiação religiosa do indivíduo…

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha as Organizações Mundiais de Direito, Justiça e Direitos Humanos, governamentais e não-governamentais, e dizia-lhes: imaginem que no Egipto do século XX, os documentos de identidade individual devem incluir a indicação de filiação numa de apenas três religiões, não obstante o desejo ou a fé do indivíduo?

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha as Organizações Mundiais de Direito, Justiça e Direitos Humanos, governamentais e não-governamentais, e dizia-lhes: no Egipto do século XX, os filhos e filhas dos Bahá'ís recebem documentos de identidade individuais com um traço (-) na religião, enquanto aos seus pais são recusados os mesmos documentos de identidade: PORQUÊ? Porque o Estado Egípcio não reconhece o casamento Bahá'í!

Ó povoS do mundo: venham e façam um balanço desta excelência administrativa!

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha todos os Ministros da Educação do Mundo e informá-los-ia que: o Ministro da Educação do Egipto declarou que vai recusar a admissão de crianças (sim, crianças!) dos Bahá’ís nas escolas públicas, porque as crianças são Bahá'ís!

Se eu fosse Bahá'í: informaria o mundo que a nova Constituição Egípcia contém os elementos necessários para a eliminação da minoria Bahá’í no Egipto.

Se eu fosse Bahá'í: informaria o mundo que incendiar as casas dos Bahá’ís ocorre com a impunidade no Egipto.

Se eu fosse Bahá'í: chamaria para testemunha todas Organizações Mundiais de Comunicação Social, da Lei e da Justiça e dos Direitos Humanos, governamentais e não-governamentais, e informá-los-ia que no Egipto, incitar à morte dos Bahá'ís, em discursos e na TV é normal e é feito com a impunidade!

E apesar de tudo isso:

Se eu fosse Bahá'í: diria para aqueles detêm a autoridade no Egipto: eu sou leal ao meu país, eu amo o meu país, eu esforço-me pelo sucesso e progresso do meu país e eu considero os filhos dos meus vizinhos como meus filhos, sem considerar a religião ou o credo. Que maravilhoso seria o Egipto se vocês, que estão no poder, seguissem este mesmo caminho. 

------------------------------------------------------
FONTE: If I were Bahá’í


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Primavera Árabe: Ministro Egípcio insiste na discriminação dos Bahá’ís

O Sr. Ghoneim, Ministro Egípcio da Educação
O Ministro Egípcio da Educação voltou a afirmar que as crianças de famílias Bahá’ís não se poderão inscrever em escolas públicas, pois isso viola a Constituição do Egipto.

"A Constituição só reconhece as três religiões abraâmicas", afirmou o Sr. Ibrahim Ghoneim Akbar Al-Youm. "E como a religião é um assunto ensinado nas escolas, essas crianças não cumprem os requisitos para a inscrição."

Em Novembro do ano passado, o Sr. Ghoneim tinha feito declarações semelhantes ao jornal Al-Sabah. Quando lhe perguntaram: "Qual é a posição do Ministério da Educação sobre os filhos dos Bahá’ís? Será que eles têm o direito de se matricular em escolas públicas?", o ministro respondeu: "O Estado só reconhece três religiões e a fé Bahá’í não está entre elas. Assim, os seus filhos não têm o direito de inscrever em escolas públicas. "

Nos últimos anos, os Bahá’ís travaram uma batalha judicial com o Governo Egípcio quando este se recusou a emitir-lhes bilhetes de identidade ou certidões de nascimento.

Recorde-se que todos os egípcios devem possuir bilhetes de identidade a partir de 16 anos de idade. Estes cartões de identificação indicam religião, e são de apresentação obrigatória em qualquer outra acto formal, como o pedido de carta de condução, certidão de óbito, ou a abertura de uma conta bancária. Em 2008, um tribunal egípcio concedeu aos Bahá’ís o direito a obter cartões de identificação sem mencionar a sua religião, acabando assim com quatro anos de debate sobre essa questão.

No Egipto, as tensões entre Bahá’ís e do Estado já duram há várias décadas. Em 1960, o Governo confiscou os seus bens, incluindo um terreno nas margens do Nilo destinado à construção de uma casa de culto, e vendeu em hasta pública. Naquela época, o Governo acusou os Bahá’ís de serem leais a Israel. Vários Bahá’ís estiveram detidos durante vários meses após o fim da Guerra dos Seis Dias (1967)

----------------------------
FONTE: Bahais cannot enroll in public schools, education minister says (Egypt Independent)

sábado, 1 de dezembro de 2012

ONU aprova resolução sobre Direitos Humanos no Irão

Edifício Sede da ONU
Citando uma longa lista de abusos, uma comissão da ONU expressou a sua "profunda preocupação" com "as contínuas e recorrentes” violações dos direitos humanos no Irão. Por uma votação de 83 contra 31 (e 68 abstenções), a Terceira Comissão da Assembleia Geral apelou ao Irão para parar com essas violações, para libertar os prisioneiros de consciência, e abrir as suas portas aos monitores internacionais dos direitos humanos.

Entre outras coisas, a resolução destaca o uso alarmante da pena de morte no Irão, a perseguição sistemática contra defensores dos direitos humanos, jornalistas e bloggers, e da "profunda desigualdade de género e violência contra as mulheres”. Também foi expressa a preocupação com a discriminação contínua contra as minorias, incluindo a perseguição aos Bahá’ís iranianos.

Esta foi a 25ª Resolução sobre as violações dos direitos humanos no Irão, pela Terceira Comissão, desde 1985 - e sua extensão e especificidade reflete o alarme contínuo da comunidade internacional relativamente ao aumento da violência do Governo contra os cidadãos iranianos, disse Bani Dugal, a principal representante da "Comunidade Bahá’í Internacional junto das Nações Unidas.

A Srª Dugal acrescentou: "A atmosfera no Irão continua a piorar para todos os cidadãos iranianos. Se o seu ponto de vista for diferente do regime autoritário do Irão, ficam imediatamente em sério perigo."

"Para os Bahá'ís - que são a maior minoria religiosa não muçulmana do Irão – continua a haver uma perseguição persistente, cada vez pior, às mãos do Governo e seus agentes, a qual tem sido acompanhada por um aumento de violência e uma intensificação deliberada de pressão, que visam despedaçar a vida da Comunidade Bahá’í como um todo, com o objectivo de destruir a sua viabilidade", declarou.

Referiu ainda que mais de 115 bahá'ís estão atrás das grades devido às suas convicções religiosas, e que mais algumas centenas estão a ser julgados em tribunal, à espera de saber qual será o seu destino.

O texto da resolução - que foi apresentada pelo Canadá e co-patrocinada por 43 outros países - também apela ao Irão para cooperar mais com os monitores dos direitos humanos da ONU, nomeadamente permitindo-lhes que visitem o Irão, e pede ao secretário-geral da ONU para informar, no próximo ano, sobre o progresso do Irão no cumprimento das suas obrigações no que respeita aos direitos humanos.

Tradução: Ivone Correia
----------------------------
FONTE: UN vote registers "deep concern" over Iran's human rights violations (BWNS)

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sara Mahboubi, prisioneira de consciência

Sara- Mahboubi
Sara Mahboubi, uma estudante de Bahá’í, que foi proibida de frequentar a universidade, apresentou-se no passado dia 18 de Julho, para começar a cumprir sua pena de 10 meses de detenção na prisão de Sari (Mazindaran, Irão).

As forças de segurança prenderam Sara Mahboubi pela primeira vez em 24 de Junho de 2010, depois de ela ter sido convocada a comparecer no Gabinete dos Serviços de Segurança de Sari, levando-a para uma cela solitária no Centro de Detenção de Sari. Foi libertada sob fiança 24 dias depois. As forças de segurança prenderam-na novamente em 09 de Abril de 2011, quando revistaram sua casa e confiscaram os livros, notas pessoais, CD’s e um disco rígido de computador.

O Tribunal Revolucionário de Sari condenou Sara em 7 de abril de 2011 a uma pena de 10 meses de prisão sob as acusações de "participação no site anti-revolucionário do Facebook," e "propaganda contra o regime", por seguir a Fé Bahá’í e pelas suas actividades e participação no Conselho do Direito à Educação.

O irmão de Sara Mahboubi, Vesal, também foi detido no dia 25 de abril de 2011 e libertado sob fiança de 10 dias mais tarde.

--------------------
FONTE: Sara Mahboubi: Prisoner of the day (www.iranian.com)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Faran Khan Yaghma, prisioneiro de consciência

Faran Khan Yaghma

Faran Khan Yaghma é um estudante Bahá’í que entrou Universidade de Babolsar em 2006 para estudar matemática. Depois de seis semestres, Faran foi expulso da Universidade por professar a Fé Bahá’í.

No passado dia 9 de Junho, cinco agentes do Departamento de Segurança de Sari invadiram a casa de Faran e prenderam-no. Os cinco homens anunciaram inicialmente ser funcionários do Município de Sari, não apresentaram qualquer mandato de detenção, e invadiram a residência.

Os cinco agentes revistaram a residência e insultaram vários residentes, tendo confiscado livros religiosos, objectos de arte, computadores pessoais e discos externos. Durante a rusga o pai de Faran (de 60 anos) foi agredido e trancado na cozinha.

Os cinco agentes levaram Faran para um local desconhecido.

Em 20 de Junho, a ordem de detenção de Faran foi prorrogada por mais uma semana. Nas acusações que lhe são feitas, encontram-se coisas como "propaganda contra o regime", "divulgação de falsidades", e "criar a ansiedade pública." A família de Faran não foi autorizada a visitá-lo desde a sua detenção.

-------------------------------
FONTE: Faran Khan Yaghma: Prisoner of the day (www.iranian.com)