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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A resolução do Parlamento Europeu...



A resolução que hoje foi aprovada pelo Parlamento Europeu sobre a situação dos Direitos Humanos no Egipto – e que já provocou reacções bem azedas por parte das autoridades egípcias - menciona a situação dos bahá'ís naquele país.

O texto da resolução pode ser lido aqui.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Cinco Milhões sem Identificação

Na sua edição de 12 de Janeiro, o jornal Al-Ahram – uma espécie de órgão semi-oficial do Governo Egípcio – publicou uma entrevista com o Dr. Boutros Boutros-Ghali onde se abordam diversas questões relacionadas com as suas actuais funções de presidente do Conselho Nacional Egípcio para os Direitos Humanos.

O ex-Secretário Geral das Nações Unidas, voltou a reafirmar que não concorda que os documentos de identificação egípcios incluam a filiação religiosa do cidadão, e expressou uma preocupação particular pela situação dos bahá'ís do Egipto. Sobre outras tensões que vive a sociedade egípcia, Boutros-Ghali salientou a necessidade de diálogo inter-religioso, de tolerância e compreensão mútua.

Entretanto, e apesar do prazo de utilização dos novos bilhetes de identidade ter terminado no passado dia 31 de Dezembro, mesmo jornal deu a conhecer que existem mais de 5 milhões de pessoas que ainda não conseguiram obter os novos documentos. Estes tratam-se, essencialmente, de pessoas que residem em zonas rurais e áreas remotas do Egipto.

MAIS INFORMAÇÕES: Current Status of ID Cards in Egypt: Five Million Pending!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

De Herodes para Pilatos

Noticias recebidas ontem do Cairo, referem que o Tribunal Administrativo do Cairo adiou pela 5ª vez o veredicto sobre os dois casos de Bahá'ís que estão impossibilitados de obter cartões de identidade devido à sua identificação religiosa. O Tribunal marcou a data de 22 de Janeiro para anúncio da sua decisão final.

Os processos arrastam-se desde 2004, e os juízes vêm argumentando a necessidade de mais estudos e análises dos casos. Lembro que os documentos de identificação no Egipto indicam a filiação religiosa de cada cidadão, mas esta identificação apenas permite o registo de três religiões (Islão, Cristianismo e Judaísmo); os Bahá'ís apenas pretendem escrever o nome da sua religião, ou não preencher este campo.

Como se costuma dizer em português, estes processos “andam de Herodes para Pilatos”. Com a informatização do sistema de cartões de identidade no Egipto, criou-se uma situação que discrimina algumas minorias religiosas. E para reverter a situação, alguma instituição do Estado tem ter a coragem de assumir publicamente que a situação actual é injusta e prejudica as minorias religiosas, nomeadamente os Bahá'ís.

Claro que numa sociedade islâmica, defender publicamente os direitos cívicos dos Baha'is é algo que exige coragem. E enquanto o Presidente, o Parlamento, o Governo, e os Tribunais parecem não ter essa coragem, os Baha’is do Egipto permanecem com um estatuto de não-cidadãos, uma forma de apartheid religioso comum as sistemas ditatoriais e aos tempos medievais na Europa.

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Sobre este assunto:
Bahai trial postponed for fifth time (Daily News Egypt)
Egypt religious freedom cases continued to 22 January (BWNS)

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Quem diria? Mais um adiamento!

Um dia depois dos media internacionais terem dedicado significativa atenção à situação dos bahá'ís no Egipto, o Tribunal de Justiça Administrativa do Cairo dedicou ontem parte da sua atenção a dois processos iniciados por bahá'ís egípcios que tentam desesperadamente obter os seus direitos civis.

Aqui fica o relato de uma pessoa presente na sala de audiências:

"Hoje fora reapreciados novamente os casos do Dr. Raouf Hindy e Hosni Hussein. O Dr. Raouf foi o primeiro; o juiz perguntou-lhe se tinha alguma coisa a acrescentar ao caso. O Dr. Raouf repetiu o apelo para que seja permitido «dizer a verdade e não seja necessário negar a nossa fé». A resposta do juiz foi uma surpresa para todos os presentes; afirmou que é bem sabido que os Bahá'ís tem Muçulmanos e cristãos entre eles, que existem muçulmanos bahá'ís e cristãos bahá'ís; cada um deve declarar a sua religião original. O Dr. Raouf afirmou «não ser Muçulmano nem Cristão» declarando que isto é uma forma de forçar os Bahá'ís a converterem-se a outra religião. A isto o juiz replicou que «o Ministério do Interior não está a forçá-lo a mudar a sua crença... forçar significava pedir que deixasse de ser Bahá'í e acreditasse em qualquer outra coisa. O Ministério apenas permite que três religiões sejam registadas em documentos oficiais, mas uma pessoa é livre de acreditar no que quiser».

Seguidamente o juiz preferiu interromper a discussão e perguntou se existiam novos documentos ou memos que alguma das partes desejasse adicionar ao processo; obteve respostas negativas. Disse então que a sua decisão seria anunciada no final da sessão.

Chamou o Sr. Hussein, pai de Hosni, e disse num tom jocoso: «Claro que você está a gostar do que o Dr. Raoul está a dizer... o seu caso é o mesmo... no final da sessão terão a vossa resposta».

A atitude do juiz foi uma desilusão e era claro qual seria o seu veredicto. No entanto, no final da sessão – os baha’is aguardaram no tribunal até às 17H00 - o juiz anunciou que o veredicto final será anunciado no dia 25 de Dezembro.”

Esta descrição podia levar-me a discorrer sobre este tipo de juízes que negam a identidade religiosa dos cidadãos (os bahá'ís não são muçulmanos, nem cristãos) e que brincam com a situação de pessoas a quem são negados os mais elementares direitos.

Mas penso que há um enquadramento geral desta situação que poucas vezes é referido que merece atenção. A situação social e política que hoje se vive no Egipto é bastante complexa; entre as muitas tensões e crises em que o país vive, destaca-se os graves atritos entre os poderes judicial e executivo no Egipto. Tem havido manifestações e protestos de juizes contra o governo.

Pergunto-me, até que ponto estes sucessivos adiamentos dos processo que envolvem baha'is, não são uma mera jogada dos juízes egípcios nas suas fricções com o governo? Não estarão eles a querer passar para o governo a responsabilidade de uma decisão "sensível"? Não será então chegado o momento do governo egípcio mostrar coragem e alterar de forma adequada as leis e procedimentos que impedem os baha'is de obter bilhetes de identidade?

A ler: "Egypt: the Judge Mocks the Baha’is then Delays his Verdict"

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Egipto: as minorias condenadas à não-existência

É amanhã - terça-feira - que o Tribunal de Justiça Administrativa do Cairo deve apresentar o seu veredicto sobre dois processos relativos ao direito de Bahá’ís Egípcios a possuírem documentos de identidade. Se não houver mais adiamentos, é claro...

Entretanto, algumas organizações de direitos humanos têm feito ouvir a sua voz nos media internacionais. Relatam o que todos estamos cansados de saber: o apartheid religioso no Egipto e a forma como baha’is e ex-muçulmanos são impedidos de obter documento de identificação, a atitude dos funcionários do Ministério do Interior em todos estes processos (ameaças e sugestões de suborno).



Um artigo publicado no International Heral Tribune (IHT) destaca as implicações pessoais da discriminação religiosa no Egipto. O jornalista falou com Wafaa Hindy - baha’i e gestora de um hotel – que lhe afirmou que ela e o marido não possuem bilhetes de identidade, e temem que o seu filho possa ser expulso da universidade por também não possuir esse documento. “Não preciso que o governo concorde com o facto de eu ser baha’i... mas preciso que o governo me dê um bilhete de identidade porque sou egípcia. Isto é totalmente diferente da minha religião”, afirmou Hindy

Segundo o IHT, no próximo mês, o Supremo Tribunal Administrativo do Egipto deve apresentar uma decisão final sobre sete pessoas que se converteram do Cristianismo par ao Islão e pretendem voltara ser considerados cristãos. E em Janeiro, aguarda-se uma decisão sobre o reconhecimento oficial da minoria baha’i naquele país.

Também a Human Rights Watch (HRW), publicou um relatório com o titulo Prohibited Identities: State Interference with Religious Freedom, e divulgou um press release. A HRW salienta que a atitude das autoridades egípcias não está de acordo com a lei egípcia, mas que se baseia apenas em interpretações da sharia (lei islâmica). Um dos testemunhos citados no relatório da HRW é de Nayer Nabil, um baha’i egípcio:

"Tentei pedir um bilhete de identidade. No formulário, escrevi que a minha religião era Baha'i. O funcionário recusou-se a aceitar o formulário e pediu-me que lhe mostrasse a minha certidão de nascimento. Mostrei-a. Indicava que eu era baha’i e que os meus pais também. Mesmo assim ele recusou-se a aceitar o formulário e disse que eu devia fazer o pedido no Cairo. Quando fui ao Cairo, encontrei-me com um funcionário chamado Wa'il. Ele abriu uma gaveta na sua mesa, tirou uma enorme pilha de papeis e disse-me «Está a ver… tudo isto são pedidos de Baha’is que querem Bilhetes de Identidade. Nunca os irão receber»"

Outra situação registada pela HRW é o Salwa Iskandar Hanna, uma baha’i que faleceu em Outubro de 2005. A sua família pôde realizar o funeral, mas até hoje ainda não recebeu a certidão de óbito, pois o Estado Egípcio exige que ela se converta postumamente a uma das três religiões reconhecidas oficialmente.

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A LER:



Egypt forcing converts from Islam, members of Bahai faith to conceal their religion, watchdogs say (IHT) [link alternativo]
Egypt: Allow Citizens to List Actual Religion on ID Cards (HRW)

Egypt 'denies minority beliefs' (BBC) [link alternativo]
Egypt ID cards sentence minorities to non-life: report (AFP) [link alternativo]
Egypt recognizes only three religions (UPI) [link alternativo]
Egypt denies ID papers to Baha'is, converts (Reuters) [link alternativo]
Egypt authorities forces converts from Islam and members of Bahai to conceal their religion (AP, Pravda) [link alternativo]
Human Rights Report Says Egypt Violating Religious Freedoms (VOA)
HRW denuncia que Egito viola direito à liberdade religiosa de minorias (Ultimo Segundo - Brazil)
Egypte: la mention de la religion sur la carte d'identité discriminatoire (La Croix, France)

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Não era inesperado, mas...

Não era de todo inesperado e acabou mesmo por acontecer. O Tribunal de Justiça Administrativa do Cairo adiou para 13 de Novembro a decisão sobre o processo dos baha’is que não conseguem obter documentos de identificação. Num único dia, vinte e quatro processos foram adiados! Motivo: as rotações e promoções de juízes (que ocorrem anualmente no Egipto no dia 1 de Outubro) provocam inevitavelmente adiamentos nas leituras de sentenças.


Na sala de audiências, a frustração era visível entre as dezenas de pessoas que aguardavam decisões sobre casos que as afectavam directamente. Entre o público presente na sala, encontravam-se bahá’ís egípcios, activistas dos direitos humanos e vários bloggers. Da diversidade de casos em litígio, ficava-se com a sensação que quase todos os ministérios e organismos públicos estavam a ser processados por algum grupo de cidadãos.

Claro que podemos questionar porque é que as leituras de sentenças são marcadas para esta época do ano se frequentemente se torna impossível produzir deliberações. Não será isto uma perda de tempo? Não se estará a denegrir a imagem da justiça?

Enfim. Aguardamos até ao dia 13 de Novembro.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Uma semana decisiva

Esta será uma semana particularmente importante para a situação de vários bahá'ís no Egipto. Na quarta-feira, o Tribunal de Justiça Administrativa do Cairo apresentará o seu veredicto sobre dois processos relativos ao direito de Bahá’ís Egípcios a possuírem documentos de identidade.

O primeiro processo (no. 18354/58) refere-se ao caso de dois irmãos gémeos de 14 anos - Imad e Nancy Rauf Hindi - que não conseguem obter certidões de nascimento (através do novo sistema informático) a menos que se convertam ao Islão ou ao Cristianismo. O pai destes dois jovens conseguiu obter as certidões de nascimento em 1993, onde se reconhecia a Fé Bahá’í como sendo a sua filiação religiosa; mas a lei actual exige que sejam emitidos novas certidões de nascimento (onde apenas se pode indicar o Judaísmo, o Cristianismo e o Islão como filiação religiosa) e sem este documento os jovens não se podem inscrever numa escola ou receber cuidados básicos de saúde.

O segundo processo (no. 12780/61) foi iniciado pela Egyptian Initiative for Personal Rights, em nome de Hussein Hosni Abdel-Massih, nascido em 1989, um ex-aluno do Instituto de Serviço Social da Universidade do Canal do Suez, expulso devido à sua incapacidade para obter documentos de identificação. Recorde-se que os estudantes baha'is do ensino superior e secundário no Egipto são regularmente confrontados com a possibilidade de expulsão, por não possuírem documentos de identificação, ou documentos que comprovem o pedido de adiamento de serviço militar.

O Governo Egípcio tem a obrigação legal de proteger os seus cidadãos contra a discriminação e coerção religiosa; a Constituição e as várias convenções internacionais de que o Egipto é signatário assim o estipulam. De igual modo, segundo a Carta Africana sobre Direitos Humanos, a Convenção Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais e a Convenção sobre Direitos das Crianças, o Governo Egípcio também tem a obrigação de garantir o direito à educação, sem fazer qualquer tipo discriminação, incluindo religiosa.

Estamos assim, numa semana decisiva para os bahá'ís do Egipto, mas também para a própria imagem do Egipto perante a Comunidade Internacional. Há algumas semanas o Presidente Mubarak apelava a "uma renovação do discurso religioso, à disseminação dos valores islâmicos da moderação e da tolerância, e à eliminação do extremismo". Nesta semana saberemos se o sistema judicial egípcio foi sensível aos apelos do Presidente ou se preferiu preservar um sistema de apartheid religioso.

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ACTUALIZAÇÃO
Um jornalista Egípcio critica a falta de tolerância no mundo árabe: "Em todos os Estado Árabes falhámos no teste da Liberdade Religiosa"

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Egipto: Um Sistema de Castas Religiosas

Bilo, autor do blog Baha'i Faith in Egypt, conta que o mais importante jornal egípcio, Al-Ahram, publicou um artigo no passado dia 8 de Agosto, em que descrevia os planos do governo para a implementação geral do novo sistema de documentos de identidade – o tal em que os cidadãos são obrigados a registar a sua filiação religiosa e apenas dispõe de três escolhas – e o abandono do antigo sistema de documentos de identidade.



O Primeiro-Ministro, Dr. Ahmed Nazeef, exigiu que fosse estabelecido um prazo para o fim da utilização dos antigos bilhetes de identidade. A data exacta será anunciada pelo Ministro do Interior, prevendo-se que isso aconteça em breve, quando 90% da população já tiver recebido o novo documento.

Entretanto alguns Ministérios e organismos públicos já exigem a apresentação do novo documento para a prestação de qualquer serviço. Os efeitos destas medidas já se fazem sentir sobre os bahá’ís e outras minorias religiosas. É impossível conseguir acesso aos cuidados de saúde e as crianças não podem ser vacinadas em hospitais e centros de saúde; também há relatos de alunos bahá’ís que foram expulsos da universidade por não conseguirem fazer prova do adiamento do serviço militar (para o qual é exigido o novo bilhete de identidade).

É um sistema de castas religiosas que se instala do outro lado do Mediterrâneo. Foi para isto que o Egipto foi eleito membro do Conselho dos Direitos Humanos da ONU? E a União Europeia cala-se?

terça-feira, 24 de julho de 2007

Boutros-Ghali preocupado com a imagem do Egipto

Boutros Boutros-Ghali, antigo Secretário-Geral das Nações Unidas, foi recentemente entrevistado pela revista Al-Mussawar - uma publicação propriedade do Governo Egípcio - tendo revelado a sua profunda preocupação pela situação dos Bahá’ís no Egipto.

Nessa entrevista, Ghali recordou que o Governo reconhece apenas três religiões: o Islão, o Cristianismo e o Judaísmo; e no entanto 51% da população mundial não pertence a nenhuma destas três religiões. Isto cria um enorme problema para o Egipto quando é confrontado com assuntos relacionados com alguns dos cidadãos Egípcios, nomeadamente os Bahá’ís; mas a situação também tem gerado problemas com residentes chineses e até com turistas japoneses.

Boutros-Ghali também indicou que os Bahá’ís enfrentam tremendos desafios, devido à impossibilidade de obterem cartões de identidade, e acrescentou que tem estado em contacto com em contacto com três advogados da Califórnia que têm trabalhado consigo para resolver o problema Bahá’í. Têm decorrido negociações com o Ministro Egípcio do Interior, Habib El-Adly; uma solução que tem sido negociada é a eliminação da classificação religiosa nos documentos de identidade.

Segundo Ghali, a imagem do Egipto no mundo tem sido prejudicada pelo tratamento dado aos Bahá’ís, cujo "largo número de crentes nos EUA não pode ser ignorado". Aparentemente a revista citou-o incorrectamente, afirmando existirem "cerca de 6 milhões de Bahá’ís em Chicago".

O Conselho Nacional Egípcio para os Direitos Humanos - de que Boutros-Ghali é presidente - é um órgão consultivo do Governo Egípcio. Tem por missão aconselhar o Governo e o Presidente em assuntos relacionados com Direitos Humanos. Se pensarmos no prestígio internacional de Boutros-Ghali, e o facto desta entrevista ter sido publicado numa revista oficial, é de admitir que isto se pode ser um sinal de que algo vai mudar no Egipto. Esperamos para ver.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Quando os Estudantes se apoiam mutuamente

No passado mês de Maio a Assembleia dos Licenciados da Universidade da California Berkeley, aprovou uma resolução onde se expressa profunda preocupação sobre a negação de direitos humanos básicos às minorias religiosas no Egipto. Segue-se a transcrição da carta dirigida ao Embaixador do Egipto nas Nações Unidas, o presidente da Assembleia, Joshua R. Daniels.
Estimado Senhor Embaixador,

Escrevo-lhe para o informar que a Assembleia de Licenciados da Universidade da California Berkeley aprovou recentemente uma resolução expressando a sua profunda preocupação relativamente à situação que enfrentam as minorias religiosas no Egipto.

Chegou ao nosso conhecimento que as minorias religiosas no Egipto, devido à sua dificuldade para obter documentos oficiais de identificação, vêem-lhes ser negado direitos de cidadania básicos, incluindo o direito à educação. Uma vez que o Egipto exige que todos os cidadãos indiquem a sua filiação religiosa em documentos oficiais de identificação e apenas oferece como opção três religiões oficialmente reconhecidas – o Islão, o Cristianismo e o Judaísmo – os membros das minorias religiosas, incluindo os membros da comunidade Bahá’í, são – na prática – impedidos de possuir documentos de identificação. Os documentos de identificação são a chave de acesso a maioria dos direitos cívicos, como a educação.

A Assembleia de Licenciados, apoiando todos os estudantes no Egipto, manifesta a sua esperança que o Governo do Egipto, um signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, atribua a todos os seus cidadãos os direitos civis básicos que todos as pessoas merecem, incluindo o direito à educação, independentemente da religião.

Cumprimentos,

Joshua R. Daniels,
Presidente da Assembleia de Licenciados
Esta carta é mais uma manifestação da sociedade civil face à situação dos Bahá’ís no Egipto. Seria interessante ver este fenómeno repetir-se em várias universidades em todo o mundo. Será que os estudantes bahá’ís em Portugal conseguem encorajar uma iniciativa semelhante?

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Fonte: UC Berkeley Graduate Assembly Passes Resolution About Human Rights in Egypt

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O Atoleiro Bahá'í no Egipto

Um cineasta independente egípcio, chamado Ahmed Ezzat, acaba de publicar um documentário sobre a situação dos Bahá’is no Egipto. O filme – já proibido pelas autoridades egípcias – intitula-se "Crise de Identidade (a minha religião ou a minha pátria): O Atoleiro Baha’i no Egipto"

O video que se segue é um excerto promocional deste documentário. O homem que fala no início é um dos advogados islâmicos hostis que estiveram presentes na sessão do Supremo Tribunal Administrativo (em 16 de Dezembro de 2006) que tomou uma decisão contra os Bahá’ís. Além deste, aparecem vários, bahá'ís, activistas dos direitos humanos e bloggers que simpatizam com bahá'ís, e outro muçulmano que apela à morte dos bahá'ís.

domingo, 3 de junho de 2007

Um video sobre Direitos Humanos no Egípto

A conhecida blogger e activista egípcia Nora Younis acabou de publicar um vídeo sobre a violação dos direitos humanos no Egipto. Nele aborda a detenção e tortura de bloggers e a violação da liberdade religiosa dos Bahá’ís no Egipto, referindo que os bahá’ís pagam impostos mas estão privados de direitos. O video está publicado no seu site e fica também aqui disponível.

sábado, 19 de maio de 2007

As raposas a guardar o galinheiro!

Egipto, Angola e Qatar eleitos para o Conselho de Direitos Humanos da ONU

Quando no ano passado as Nações Unidas criaram o Conselho dos Direitos Humanos para substituir a desacreditada Comissão dos Direitos Humanos, muitos governos, organizações humanitárias e analistas consideraram que se tratava apenas de uma operação de cosmética. As limitações e vícios do organismo extinto, afirmavam, tinham passado para o actual. E a prová-lo apontava-se o facto de países como o Azerbaijão, a China, Cuba e a Arábia Saudita serem membros deste organismo.

A recente eleição de novos membros para este organismo veio ressuscitar o coro de protestos e indignação relativamente à composição deste organismo internacional.

É verdade que merecem um aplauso os países europeus cujas pressões impediram que a Bielorússia fosse eleita; este país vive sob regime ditatorial e possui um triste registo de abusos sobre os direitos humanos. Mas infelizmente, os países africanos foram incapazes de impedir a eleição de países como o Egipto e Angola; de igual modo, os países asiáticos também não se opuseram à eleição do Qatar.

Vários grupos de defensores dos Direitos Humanos já elogiaram a atitude dos governos Europeus e lamentaram a eleição destes três países, considerando que estes se juntam à lista de paises

Fará sentido que um país como o Egipto - onde se verificam discriminações perseguições religiosas (não só contra bahá’ís mas também contra cristãos) e políticas - seja membro de um organismo internacional que é suposto velar pelos Direitos Humanos em todo o mundo? O que pode ensinar ao mundo um Estado cujas forças policiais torturam e abusam - física e psicologicamente - de prisioneiros de forma continuada e com total impunidade?

E que dizer de Angola, onde notícias recentes davam conta da destruição de 3000 casas e do despejo 20 mil pessoas de baixos rendimentos, de forma «compulsiva», «com violência» e «sem justificação» desde o final da guerra civil? É certo que o relatório recente do Departamento de Estado Norte-Americano reconhece que houve algum progresso neste país; mas há problemas gravíssimos que subsistem: mortes injustificadas por parte de polícias, forças militares e forças de segurança privadas, corrupção e impunidade das forças de segurança e entidades governamentais, detenções arbitrárias, um sistema judicial ineficiente... Não há em África outros países que tratem melhor os seus cidadãos?

E depois o Qatar, um pequeno país do Golfo Pérsico onde a situação dos direitos humanos também registou pequenos progressos, mas ainda assim a liberdade de expressão e de associação sofrem restrições, e a liberdade religiosa encontra algumas dificuldades. Que moralidade tem um Estado destes para ser membro de um Organismo Internacional como o Conselho dos Direitos Humanos?

Depois da eleição do Zimbabwe para a Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU, esta eleição destes três países para o Conselho de Direitos Humanos mostra o quão urgente se torna uma reforma profunda da ONU.

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A ler:
ONU: Angola, Eslovénia e Bósnia no Conselho Direitos Humanos (DD)
Angola: governo acusado de «violência» (PD)
Belarus loses UN human rights bid (BBC)
Angola: Thousands Forcibly Evicted in Postwar Boom (HRW)
Despite abuse, Egypt joins rights council (Toronto Star)
Non-Democratic Nations Elected onto UN Rights Watchdog (CNSNEWS.COM)
The Oppressors' Club (NRO)
Egypt & Human Rights: Is the Fox Guarding the Henhouse? (Baha'i Faith in Egypt)

Relatório sobre Direitos Humanos 2006 (Departamento de Estado Norte-Americano)
- Angola
- Egipto
- Qatar

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Ich bin ein Berliner

Aqui fica a tradução do texto da interpelação feita por deputados alemães ao Governo Federal Alemão sobre a situação dos Direitos Humanos dos Baha’is no Egipto. A tradução deste texto foi feita a partir de uma tradução para inglês feita por Emanuel Vahid Towfigh (do blog Einblicke). O texto original (em alemão) da interpelação encontra-se aqui.
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Parlamento Federal Alemão (Deutscher Bundestag) -- Documento 16/4815
16º Período Legislativo, 22 Março, 2007

Interpelação feita pelos deputados Volker Beck (Köln), Marieluise Beck (Bremen), Alexander Bonde,Dr. Uschi Eid, Thilo Hoppe, Ute Koczy, Kerstin Müller (Köln), Winfried Nachtwei, Omid Nouripour, Claudia Roth (Augsburg), Rainder Steenblock, Jürgen Trittin e do grupo parlamentar Aliança 90/Os Verdes.


Situação dos Direitos Humanos dos Bahá’ís no Egipto


Em 1960, a Comunidade Bahá'í organizada foi proibida pelo Presidente Nasser e os seus bens foram confiscados. Este decreto ainda hoje se encontra em vigor. Como resultado, recorrentemente ocorrem ataques, detenções e campanhas nos media contra os bahá'ís. Um problema muito sério é a recusa das autoridades egípcias em emitir documentos de identificação para os Bahá'ís, pois a sua filiação religiosa não pode ser correctamente identificada. Isto deve-se aos esforços do Governo Egípcio para digitalizar o processo de registo e identificação com software que apenas aceita as religiões reconhecidas oficialmente, nomeadamente, Islão, Cristianismo e Judaísmo. Numa decisão do Supremo Tribunal Administrativo em 16 de Dezembro de 2006 este procedimento, que levou os Bahá'í a não ter o direito de ser correctamente identificados nos seus documentos, foi considerado legal. Um casal Bahá'í contestou com sucesso este procedimento num tribunal de primeira instância em Abril de 2006; mas essa decisão foi revogada. Assim, os documentos de identificação não podem ser emitidos para os Baha’is. Sem esses documentos, um cidadão Egípcio pode ser detido em qualquer momento, devido à situação de emergência que ainda continua em vigor. Não podem inscrever os filhos nas escolas, não têm acesso a assistência médica, nem podem abrir uma conta bancária, receber um salário ou uma pensão, não podem casar ou obter certidões de nascimento ou de óbito. Num caso recente, o jovem médico Egípcio, Bassem W. foi afastado da Universidade Alemã depois de não ter conseguido apresentar um documento de identificação, e consequentemente não poder abrir uma conta bancária para o seu salário.

Perguntamos ao Governo Federal:

1. Que conhecimento tem o Governo Federal sobre a sistemática discriminação e perseguição dos Bahá'ís no Egipto? Que papel têm desempenhado os media?

2. Como é que o Governo Federal avalia o acto da universidade Alemã no caso de Bassem W.? Qual a relação da Universidade Alemã com a Alemanha e de que forma o trabalho desta Universidade é promovido por organizações ou instituições alemãs? Que consequências vê o Governo Federal na credibilidade da Alemanha em questões de Direitos Humanos, em função do acto da Universidade Alemã?

3. Que papel desempenham as forças fundamentalistas islâmicas no que respeita ao tratamento dos bahá'ís pelo Governo Egípcio? Que pessoas, ou instituições, na liderança egípcia são responsáveis pelas perseguições às minorias religiosas?

4. Como é que o Governo Federal avalia a decisão do Supremo Tribunal Administrativo do Egipto, datada de 16 de Dezembro de 2006? O Governo Federal concorda com os grupos de Direitos Humanos que a consideram um precedente para maiores restrições aos direitos civis no Egipto?

5. Como é que o Governo Federal avalia a decisão contra o blogger Kareem A. à luz da liberdade de imprensa e liberdade de opinião no Egipto?

6. Como é que o Governo Federal analisa a complexa situação da liberdade religiosa no Egipto? Vê alguma relação concreta com a situação dos Bahá'ís?

7. Que implicações tem a situação dos Bahá'ís sobre as práticas do código de deportação do Governo Federal?

Berlim, 22 de Março de 2007
Renate Künast, Fritz Kuhn e Grupo Parlamentar

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COMENTÁRIO: Será isto uma interferência do Parlamento Alemão em assuntos internos Egípcios? Ou será que hoje em dia nenhum governo do mundo pode discriminar ou perseguir um grupo social, esperando não ser questionado por qualquer outro governo ou instituição internacional? O Egipto não vive isolado do resto do mundo. Uma violação de direitos humanos não pode ser um assunto interno de um país; é um assunto de toda a humanidade. Como baha’i e como europeu tenho orgulho na iniciativa destes deputados alemães; é caso para citar JFK: "Ich bin ein Berliner!" Será que alguma vez veremos deputados portugueses a tomar iniciativas semelhantes?

No Bundestag...



A situação dos Bahá'ís no Egipto foi ontem tema de debate no parlamento alemão, segundo afirma o site oficial do Bundestag. Deputados da Aliança 90/Verdes e questionaram o Governo Federal sobre a discriminação desta comunidade religiosa que não é reconhecida no Egipto, e consequentemente os seus membros não podem receber documento de identificação civil. O grupo parlamentar Aliança 90/Verdes perguntou ao Governo Federal de que forma este tema da fé, da liberdade religiosa e da situação dos bahá’ís, tem sido abordado junto das autoridade Egípcias e que consequências tem tido as pressões do Governo Federal.

O site oficial não esclarece, porém, qual foi a resposta do Governo Federal.

Recorde-se que a Universidade Alemã do Cairo foi alvo de polémica ao despedir um professor bahá'í por este não possuir documetnos de identidade válidos. Sobre este assunto, ler:
* Egypt: No ID Card = You Are Fired!
* No ID = You Are Fired! Revisited
* Update on the German University Case

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Washington Post: Bahá’ís do Egipto lutam pelo reconhecimento

Aqui fica a tradução(um pouco apressada) do artigo ontem publicado no Washington Post (Baha'is in Egypt fight for recognition as people; também aqui). O texto é de autoria de Cynthia Johnston, da agência Reuters. Os sombreados a amarelo são da minha responsabilidade.
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Se o dentista egípcio Raouf Hindy negasse a sua fé Bahá'í, poderia obter documentos de identificação para os seus filhos necessários para a matricula nas escolas egípcias, poderia conduzir um carro ou abrir uma conta bancária.

Mas Hindy insistiu em dizer a verdade.

A sua decisão levou-o à linha da frente de uma batalha legal sobre as políticas de identificação do Egipto para os bahá’ís, que são vistos como heréticos por muitos muçulmanos, e cuja fé não é reconhecida pelo Estado.

Hindy está a processar o Governo pelo direito de omitir a religião das suas crianças em documentos de identificação oficiais - um acto corajoso neste país profundamente religioso e de maioria muçulmana onde a pequena comunidade Bahá’í deve ter entre 500 e 2000 membros.

Se ele ganhar, os advogados afirma que o caso criará um precedente que ajudará outros bahá’ís a obter documentos de identificação, largamente negados desde 2004. A discriminação contra os Bahá’ís está entrincheirada na burocracia, afirmam.

"Não gosto que uma pessoa qualquer me obrigue a escrever uma religião em que eu não acredito. Sabem porquê? A religião está entre o coração e Deus", afirmou Hindy à Reuters.

A Constituição egípcia garante liberdade religiosa, mas na prática os funcionários estão relutantes em reconhecer outras religiões para além do Islão, Cristianismo e Judaísmo.

Activistas dos direitos [civis] afirmam que os Bahá’ís enfrentam perseguições sistemáticas no Egipto. As regras aplicadas rigidamente desde que o Egipto informatizou o sistema de identificação exigem que os documentos oficiais das pessoas contenham a filiação religiosa, e que esta seja escolhida de entre as três fés reconhecidas.

Assim, Emad e Nancy, os filhos gémeos de Hindy, sem documentos apropriados têm caído numa subclasse de pessoas não reconhecidas, cuja identidade o Egipto considera perturbadora.

"Se esta política continuar, os Bahá’ís serão cidadãos de quinta-categoria, ou até não-cidadãos, no seu próprio país", afirmou Diane Ali, a Representante Bahá'í junto das Nações Unidas.

Hindy delapidou as suas poupanças para que os seus filhos, que são cidadãos Egípcios nascido em Oman quando ele trabalhava no Golfo, pudessem estudar no estrangeiro. As escolas egípcias, incluindo as privadas, recusam-se a admiti-los. O Egipto recusa-se a reconhecer as suas certidões de nascimento porque estas identificam os gémeos como bahá’ís.

A SUBCLASSE BAHÁ’Í

Como resultado das novas regras, nos anos recentes a vida tem ficado cada vez mais difícil para os Bahá’ís.

A fé Bahá’í, que teve origem no Irão, chegou ao Egipto em 1860, quando comerciantes bahá’ís se estabeleceram em Alexandria e no Cairo, de acordo com o site oficial bahá’í, http://www.bahai.org.

Um século mais tarde a comunidade abarcava 5000 pessoas, a maior no mundo árabe. Os bahá’ís egípcios tinham as suas próprias bibliotecas e cemitérios. Segundo a comunidade, as assembleias bahá’ís governantes funcionavam em sete cidades.

Em 1960, o Egipto dissolveu as instituições Bahá’ís e confiscou os bens da comunidade. Um terreno nas margens do Nilo comprado para construir uma casa de adoração foi vendido em hasta pública.

Os bahá'ís são por vezes vistos no mundo árabe como cidadãos desleais porque a fé tem o seu centro mundial naquilo que é hoje Israel. Após a guerra de 1967 no Médio Oriente, afirma a comunidade, alguns bahá’ís egípcios foram presos em campos de detenção durante seis meses. Seguiram-se algumas detenções esporádicas.

Muitos analistas afirmam que uma razão mais provável do sentimento anti-bahá’í no Egipto está nas diferenças teológicas com o Islão. Os bahá’ís consideram o fundador da fé, Bahá'u'lláh, como o mais recente de uma linha de profetas que inclui Abraão, Moisés, Buda, Jesus e Maomé.

Hala Mustafa, editor da revista al-Ahram Quarterly Democracy, afirmou que as novas restrições foram impostas pois o Egipto está a tornar-se conservador no aspecto religioso, e acrescentou que não há indícios de que o Governo venha a alterar em breve a sua visão sobre os Bahá’ís.

O porta-voz do Ministério do Interior afirmou: "As regras que foram publicadas sobre este assunto dizem que não devem ser emitidos documentos de identidade para esta religião bahá'í. Isto significa que é proibido. É uma decisão do tribunal; não é nossa. Nós apenas estamos a implementá-la."

Os muçulmanos ortodoxos consideram os bahá’ís como heréticos, pois eles chamam profeta ao fundador da sua religião – um anátema para muçulmanos que acreditam que Maomé foi o Mensageiro final de Deus.

SEM IDENTIDADE

Os bahá’ís dizem que muitos deles evitam sair à noite ou ir a locais onde a polícia possa esteja a fazer identificações, por medo de lhes ser pedido documentos de identidade que eles cada vez menos podem apresentar.

Os egípcios com 16 anos ou mais devem ter sempre consigo o cartão de identidade. Alguns bahá’ís trazem consigo os agora cartões inválidos emitidos antes de 2004. Outros têm passaportes ou outros documentos que ainda não expiraram e usam-nos.

"Nem sequer tentei obter um [cartão de identidade] porque sabia que não conseguiria... Para quê ir meter-me nesta confusão?" disse Basem Wagdy, um bahá’í do Cairo. "Trago comigo a minha carta de condução. Mesmo antes disto penso que se me mandarem parar apresento-lhe o meu cartão de estudante."

Wagdy, um professor de ciências e matemática, afirma ter sido despedido da Universidade Alemã do Cairo depois de não ter sido capaz de apresentar dados sobre a sua conta bancária - levando a escola a descobrir que ele não tinha cartão de identidade e a rescindir o contrato. Depois disso, conseguiu emprego num liceu americano.

Um funcionário da Universidade Alemã recusou fazer comentários.

Durante alguns meses no ano passado, os bahá’ís tiveram esperanças: após uma luta de dois anos, um tribunal decidiu em Abril que os membros de uma família bahá’í cujos documentos tinham sido confiscados pelo Estado podiam identificar-se como Bahá’ís nos documentos oficiais.

Mas um tribunal superior alterou a decisão em Dezembro numa decisão sobre a qual não pode haver recurso.

Como resultado os bahá’ís mudaram de táctica. Agora já não procuram ser identificados como bahá’ís nos documentos; apenas querem documentos de identidade sem qualquer menção da sua religião.

"É um passo atrás para a comunidade Bahá’í", afirmou Hossam Bahgat, um advogado dos bahá’ís que tem esperanças no caso de Hindy. "Mas será uma solução que permitirá aos bahá’ís realizar as funções básicas do dia a dia".

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Até as crianças!

A luta pelos direito cívicos da população negra dos Estado Unidos é hoje tema análises políticas e sociais, romances, filmes e séries de televisão. Aos olhos de um europeu no início do século XXI, parece inacreditável que há algumas décadas atrás, na América, a discriminação da população afro-americana fosse social e legalmente aceite em vários Estados Americanos. No auge dessa luta, Martin Luther King tornou-se figura lendária na luta pela igualdade de direitos cívicos para todos os americanos, independentemente das suas origens étnicas.

Esta luta pelos direitos cívicos nos Estados Unidos parece hoje um pesadelo do passado. Mas noutras partes do globo subsistem situações muito semelhantes. Uma dessas situações que tenho referido regularmente neste blog é a situação dos bahá’ís no Egipto, que se encontram numa situação semelhante à da população negra dos Estados Unidos há algumas décadas atrás. Impedidos de obter documentos de identificação devido a uma lei que os obriga a identificarem-se como muçulmanos, cristãos ou judeus, (o que equivale a obrigar um bahá’í a negar a sua religião!) encontram-se privados dos mais elementares direitos cívicos naquele país.

Crianças de famílias bahá'ís no Egipto.
Nem elas escapam à politica discriminatória do Governo Egípcio.

Um caso particularmente chocante foi recentemente exposto por Bilo, autor do blog Baha’i Faith in Egypt: na cidade de Ismailia (região do canal do Suez) três crianças egípcias encontram-se privadas dos seus direitos mais básicos apenas porque são filhas de pais baha'is. A crianças são Asser (de 5 anos), Sandrella Hany Ahmed Mousa (de 4 anos), e o sua prima Mona Dia el-Deen Ahmed Mousa (de 1 ano).

Os repetidos pedidos para obtenção de certidões de nascimento apenas têm recebido como resposta recusas e humilhações. O Director da Autoridade de Saúde Publica em Ismailia afirmou a um dos progenitores que “teria muito gosto em passar uma certidão de óbito para as crianças, mas nunca passaria uma certidão de nascimento”.

Estas atitudes foram motivo de um protesto junto do Conselho Nacional Egípcio para a Infância e Maternidade, onde se descrevia que esta situação tem impedido as crianças de se inscreverem na escola ou até mesmo de serem vacinadas (e no Egipto os programas de vacinação são controlados pelo Governo). Os motivos apresentados para as sucessivas recusas na obtenção de certidões de nascimento têm sido:
  1. os pais não possuem documento de identidade;
  2. o seu certificado de casamento bahá'í não é reconhecido como válido no Egipto.
Consequentemente, à luz da lei egípcia é como se não existissem.

Para lá do Egipto da "democracia musculada", do Egipto onde germina a “irmandade Muçulmana, do Egipto turístico, este é o Egipto profundo.

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A ler: Three Children: No Birth Certificates -- No Rights

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

La comunidad baha'i denuncia que el Supremo egipcio ha negado el DNI a dos de sus adeptos

MADRID, 13 (EUROPA PRESS) La comunidad baha'i en España denunció hoy que el Tribunal Supremo de El Cairo ha negado a dos cuidadanos egipcios la obtención de sus documentos de identidad a causa de sus creencia religiosas. La religión baha'i no está reconocida en Egipto, un país en el que es obligatorio hacer constar la creencias de cada persona en el carné de identidad.

Según la comunidad, en abril de 2006 una de las oficinas de la administración pública retuvo los pasaportes del matrimonio Rania Enayat Roshdy y Hussam Ezzat Musá, por el hecho de que en él constaban como baha'is.

Ambos denunciaron este hecho ante un juzgado de la ciudad y el juicio resultó favorable a la pareja, ya que los jueces dictaminaron que aunque el Gobierno no reconoce a la religión baha'i --por no ser una de las tres religiones aceptadas por la Constitución, el Islam, el cristianismo y el judaísmo-- no puede negar el derecho a los seguidores de esta religión a obtener sus cédulas de identidad, ni a hacer constar sus creencias en estos documentos.

No obstante, la reacción de los fundamentalistas, especialmente los representantes de los Hermanos Musulmanes en el Parlamento del país, obligó al Gobierno a presentar una apelación ante el Tribunal Administrativo Supremo para reconsiderar la decisión del tribunal de Alejandría.

Tras meses de espera, finalmente el Tribunal Administrativo Supremo dictó que los baha'i pueden obtener sus documentos de identidad si declaran en sus solicitudes unas de las tres religiones reconocidas por el país.

"Al obligar a los baha'is a elegir entre mentir o no tener carné de identidad se está violando los derechos básicos de estas personas, y se atenta contra los principios de la Constitución de Egipto que, aunque sólo reconoce tres religiones (musulmana, judía y cristina), defiende y establece la libertad religiosa", aseguró la comunidad.

Con este fallo, el tribunal declara inválidos todos los carnés de identidad en los que aparezca la palabra "baha'i" en el apartado de religión. De este modo, los 2.000 baha'is que residen en Egipto "se convierten en indocumentados", según la comunidad.

No disponer del documento de identidad en Egipto está considerado un delito, que está castigado con penas de hasta cinco años de prisión. Sin la posesión de ese carné no se puede tener cuenta bancaria, comprar y vender propiedades, beneficiarse de los servicios sanitarios, acceder a un puesto de funcionario ni al sistema educativo, por poner algunos ejemplos.

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Noticia original aqui.