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sexta-feira, 17 de março de 2017

Deputados Europeus apelam ao fim do "apartheid económico" contra os Bahá’ís no Irão

Treze Deputados do Parlamento Europeu (incluindo a portuguesa Ana Gomes) e dezanove deputados de parlamentos de nações europeias assinaram uma declaração que exige às autoridades iranianas que ponham um fim imediato a todas as actividades repressivas sobre as pequenas empresas pertencentes a Bahá’ís naquele país. A expressão “apartheid económico” foi usada para descrever a actual situação de descriminação e hostilização dos Bahá’ís no Irão.

Federica Mogherini
A declaração, que foi enviada no passado dia 14 de Março ontem para Federica Mogherini a a Alta Representante da UE para Política Externa e Segurança - começa por destacar que as autoridades iranianas encerraram 132 empresas pertencentes a Bahá'ís durante o ano passado. Esses encerramentos são uma das "muitas tácticas" que visam minar a comunidade bahá'í como uma "entidade viável", afirma a declaração.

"Outras medidas de apartheid económico deliberado e conduzido pelo governo contra os Bahá'ís incluem a exclusão absoluta do acesso de Bahá’ís a empregos na administração pública, o atrasar ou negar a emissão de licenças profissionais privadas, pressionar as empresas para despedir empregados Bahá’ís, forçar os bancos a bloquear as contas de clientes Bahá’ís e privar os Bahá’ís de acesso à educação universitária formal", diz a declaração.

Na carta de apresentação desta declaração, Rachel Bayani, a Representante da Comunidade Internacional Bahá’í em Bruxelas, escreveu:

"Confiamos que a União Europeia, ao envolver-se com o Irão numa conversa substancial sobre os direitos humanos, dará a devida atenção à opressão sistemática da comunidade Bahá’í nesse país (que dura há quase quatro décadas) e incluirá, no seu diálogo com o Irão, um plano de medidas concretas para eliminar gradualmente os obstáculos, para que a comunidade Bahá’í iraniana possa contribuir, em pé de igualdade com os seus concidadãos, para o progresso do seu país".

Além dos 13 deputados do Parlamento Europeu, há deputados nacionais da Áustria, de França, da Alemanha, do Luxemburgo, da Suécia, dos Países Baixos e do Reino Unido entre os signatários da declaração. A declaração completa e a lista de signatários podem ser lidas aqui.

A carta de apresentação da Sra. Bayani à Sra. Mogherini pode ser lida aqui.

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FONTE: Thirty-two European parliamentarians call for an end to “economic apartheid” against Baha’is in Iran (BIC)

terça-feira, 28 de junho de 2016

O Brexit, a União Europeia, a Imigração e a Xenofobia

Por David Langness.


xenofobia: [De xeno + fobia] antipatia ou aversão pelas pessoas ou coisas estrangeiras; preconceito ou atitude hostil contra o que é de outro país
A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia gerou um enorme fluxo de opiniões e protestos. Nesta série de artigos, vamos afastar-nos das consequências políticas e económicas e olhar de forma mais ampla para os conceitos que estão por detrás da União; examinaremos as causas subjacentes a esta cisão internacional tão mediáticas e procuraremos as suas consequências globais a longo prazo.

Para quem não acompanhou o desenvolvimento da União Europeia (UE) - aquilo a que Winston Churchil chamou “os Estados Unidos da Europa” - aqui fica um breve resumo de factos históricos. O nacionalismo maligno, a xenofobia extremista e o genocídio catastrófico da 2ª Guerra Mundial convenceram muitos líderes europeus do pós-guerra que uma confederação de nações europeias poderia ajudar a impedir uma futura devastação se ocorresse outra guerra na Europa. França e Alemanha, inimigas de longa data, lideraram o processo. Com esse objectivo, em 1948, o Congresso de Haia formou o Movimento Internacional Europeu - o primeiro antecessor da UE. Depois de assinarem uma série de acordos intermédios sobre comércio e trabalho, seis países – Bélgica, França, Itália, Países Baixos, Luxemburgo e Alemanha Ocidental – assinaram o Tratado de Roma em 1957, que criou a Comunidade Económica Europeia (CEE). Dezasseis anos mais tarde, aos seis fundadores originais juntaram-se a Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido. Quando a própria União Europeia foi criada formalmente, em 1993 pelo Tratado de Maastricht, já incluía quinze países como membros oficiais. A sua visão era: uma federação europeia unida, sem as velhas fronteiras e os velhos ódios, e concebida, segundo as palavras de um membro fundador, para “para tornar a guerra impensável e materialmente impossível”.

Agora, e apesar disso, o Reino Unido decidiu sair da União Europeia.

Muitos factores – económicos, políticos e sociais - convergiram para tornar possível o voto no chamado “Brexit”, no Reino Unido. Analistas, especialistas de sondagens e académicos de diferentes partes do espectro político, identificaram o principal factor determinante na vitória da campanha do “Leave” (Sair): a imigração.

Para perceber como a política de imigração conseguiu ter um impacto tão grande nos eleitores do Reino Unido, temos que recordar o que aconteceu. Antes da criação da UE em 1993, a imigração para o Reino Unido estava num nível mínimo histórico, com menos de 100.000 pessoas a entrar anualmente no país que tinha mais de mais de 50 milhões de habitantes. Políticas fortemente restritivas de imigração mantinham esse número muito baixo.

Mas a União Europeia mudou as coisas. A partir de 1993, quando as regras da UE entraram em vigor, ser membro da União Europeia significava que os Estados membros não podiam impedir a imigração de outros Estados membros, como eles faziam no passado. Em vez de um conjunto de países totalmente soberanos com as suas próprias fronteiras e diferentes políticas de imigração, a UE seguiu o conselho de Churchill e tornou os países europeus mais semelhantes aos estados federados nos Estados Unidos - pelo menos no que respeita ao comércio, à economia e à migração. Com um passaporte da UE e sem grandes restrições nas fronteiras, os cidadãos da UE podiam viajar e viver nas nações, tão facilmente quanto os americanos podem mudar-se do Alabama para a Califórnia.

Como resultado, os investigadores da Universidade de Oxford descobriram, a população estrangeira do Reino Unido expandiu-se rapidamente, passando de 3,8 milhões em 1993 para 8,3 milhões em 2014. Nem toda a imigração vinha de outras nações da União Europeia - na verdade, a maioria vinha da Índia e do Paquistão, tradicionalmente o maior grupo de cidadãos nascidos fora do Reino Unido. Além disso, a expansão pós-comunista da UE ao incluir antigas nações do Bloco de Leste fez com que muitos imigrantes pobres chegassem em Inglaterra, Irlanda do Norte e Escócia. A Polónia, por exemplo, tornou-se rapidamente a segunda maior fonte imigrantes do Reino Unido.

Como resultado, a sociedade britânica começou a ser muito mais diversificada, e os sentimentos em alguns sectores do público começou a mudar. Estes factores e a recessão global de 2008 logo criaram no Reino Unido um estado de espírito provinciano, anti-imigrante, que, em seguida, se tornou cada vez mais xenófobo. Nas últimas duas décadas, as sondagens mostraram que os níveis de preocupação britânica com "imigração e relações raciais" passaram irrelevantes para cerca de 45 por cento. Grandes e crescentes populações eleitores no Reino Unido, e noutros países da UE, como a França e a Alemanha começaram a exigir níveis de imigração mais baixos, juntamente com menos "controle" do governo da União Europeia, em Bruxelas. Políticos demagogos anti-imigração, em nações ocidentais, incluindo fora da UE, têm conseguido um número crescente de votos com a promessa de impedir a imigração. Como a imigração cresce, o mesmo acontece com a reacção.

Este tipo de xenofobia e preconceito anti-imigrante, especialmente quando explorados por políticos ambiciosos e sem escrúpulos, podem ter resultados em referendos nacionais como o voto “Brexit”. Pense nisso: a maioria dos cidadãos do Reino Unido, na verdade, votou a favor da insegurança económica e do risco de recessão para acabar com a imigração.

Os Bahá’ís acreditam que este tipo de preconceito e medo irracional - a própria definição de xenofobia - não tem lugar no mundo moderno. Os ensinamentos Bahá’ís exigem o fim de toda a xenofobia, hostilidade a imigrantes, e medo:
Ó povos do mundo! O Sol da Verdade levantou-se para iluminar toda a terra, e espiritualizar a comunidade do homem. Louváveis são os seus resultados e os seus frutos, abundantes são as santas evidências que resultam desta graça. Isto é pura misericórdia e a mais pura generosidade; é luz para o mundo e todos os seus povos; é harmonia e camaradagem, amor e solidariedade; na verdade, é compaixão e unidade, e deixarmos de nos vermos como estranhos; é ser uno, em dignidade e liberdade completas, com todos na terra. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 1)
À luz deste princípio Bahá’í fundamental, vamos apresentar alguns artigos para explorar o que é necessário fazer, numa sociedade tão afectada pela xenofobia e pelo preconceito e conseguir verdadeiramente “espiritualizar a comunidade do homem.”

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Texto original: Brexit, the EU, Immigration and Xenophobia (www.bahaiteachings.org)

Artigo Seguinte: Globalização e Nova Ordem Mundial

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

domingo, 17 de maio de 2015

Ana Gomes e os Bahá'ís no Irão

Declaração da Eurodeputada portuguesa Ana Gomes sobre os 7 dirigentes Bahá'ís detidos no Irão.
Legendado em Português (prima o ícone Subtitles/Legendas na barra inferior)

#7Bahais7years

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A tirania vem dos Governos ou das Religiões?

Por David Langness.


Em verdade, Deus ordenou a realização da justiça e do bem... e Ele proíbe a maldade e opressão. Ele adverte-vos para que sejais cuidadosos. (Alcorão, 16:92)

Sê como uma lâmpada para os que andam nas trevas, uma alegria para os infelizes, um mar para os sedentos, um refúgio para os aflitos, um apoiante e defensor da vítima da opressão. (Bahá'u'lláh, Epistle to the Son of the Wolf, p. 93)
Recentemente, o Ayatollah Ali Khamenei do Irão enviou uma carta aberta aos jovens do Ocidente, expressando uma profunda preocupação com "a imagem que é lhes é apresentada como sendo o Islão."

O líder iraniano dirigiu-se aos jovens do Ocidente, e não aos "políticos e estadistas" da Europa e América do Norte, porque, tal como ele próprio disse, "acredito que eles (políticos e estadistas) afastaram conscientemente o rumo da política do caminho da justiça e verdade."

Khamenei escreveu que as nações ocidentais têm várias "fobias" em relação ao Islão, e que eles têm sido "fingidos e hipócritas" no seu relacionamento com outras nações e culturas. Vamos examinar estas afirmações de forma desapaixonada e objetiva.

O Ayatollah começa por lamentar que o Ocidente tenha provocado durante muito tempo “um sentimento de horror e ódio em relação ao Islão” e colocado “esta grande religião no lugar de um inimigo horrível”. Ele escreve:
Muitas tentativas foram feitas ao longo das últimas duas décadas, desde a desintegração da União Soviética, para colocar esta grande religião no lugar de um inimigo horrível. A instigação de um sentimento de horror e ódio e a sua utilização tem, infelizmente, um longo registo na história política do Ocidente.
Não há dúvida sobre isso. O "longo registo" de animosidade e divisão entre as nações islâmicas do Oriente e as nações da Europa e América do Norte datam de há muito tempo, muito antes da desintegração da União Soviética.

A carta do Ayatollah refere as últimas duas décadas, mas a fractura entre Oriente e Ocidente vem de um passado muito distante, desde a Idade Média. A invasão muçulmana da Península Ibérica no ano 711 EC, marcou, sem dúvida, o início de um conflito cultural épico entre o Islão e o Cristianismo, que continua a repercutir-se no mundo de hoje. O domínio implacável da aristocracia Omíada árabe sobre toda a Hispânia, as carnificinas sangrentas que se seguiram durante as terríveis guerras das Cruzadas e as horríveis torturas da Inquisição, tudo isso tem ecoado ao longo da história de ambas as grandes religiões. Ódios, chacinas e genocídios - de ambos os lados - caracterizaram o comportamento das pessoas comuns e das autoridades religiosas durante esse período negro.

No entanto, se o Ayatollah visitasse o Ocidente moderno de hoje, ficaria provavelmente feliz por saber que a maioria do público esclarecido não responsabiliza o próprio Islão por essas atrocidades históricas.

Em vez disso, as pessoas ocidentais educadas entendem que os indivíduos e os líderes dos próprios governos devem ser responsabilizados pelas suas acções - em vez de culpar as religiões que eles dizem seguir. Por exemplo, quando os líderes ocidentais declararam guerra a países islâmicos como o Iraque (em 2003), uma grande número de ocidentais levantou-se contra essa guerra, incluindo uma maioria de jovens na América do Norte e Europa. Eles não culparam o cristianismo ou o judaísmo por se travar uma guerra injusta e desnecessária; eles culparam os seus governos.

No Ocidente moderno, a maioria das pessoas tenta separar governo e religião, por essa mesma razão. Nós aprendemos que não podemos confiar governos que afirmam ter abraçado uma qualquer filiação religiosa especial, porque muitas vezes eles tomam decisões que violam os princípios espirituais dessa mesma Fé; usam a religião como um meio para controlar e dominar os outros; e para oprimir e marginalizar aqueles que não acreditam no mesmo que eles.

Tanto o Renascimento como o Iluminismo - para os quais os progressos do Islão contribuíram significativamente - procuraram libertar o Ocidente da tirania religiosa,  separar a Igreja do Estado, e conceder a cada homem, mulher e criança o direito humano fundamental e liberdade do culto que consideram adequado.

É claro que essa forma de governo também não mostrou ser perfeito. A carta aberta do Ayatollah dedica vários parágrafos a acusar as nações ocidentais, e a própria civilização ocidental, pelas suas muitas falhas:
As histórias dos Estados Unidos e da Europa envergonha-se com a escravidão, embaraçam-se com o período colonial e mortificam-se com a opressão das pessoas de cor e não-cristãos. Os seus investigadores e historiadores envergonham-se profundamente com o derramamento de sangue realizado em nome da religião entre Católicos e Protestantes, ou em nome de nacionalidade e etnia durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais.
É certo que a escravidão, o colonialismo e a opressão são hoje vistos como vergonhosas no Ocidente, tal como devem ser no Oriente, que também tem uma longa e negra história com comportamentos semelhantes. Nenhum governo humano é perfeito, e os governos só começam a aproximar-se da perfeição quando admitem os seus erros e tentam corrigi-los.

Hoje, por exemplo, o governo do Irão reprime brutalmente a sua maior minoria religiosa, os Bahá’ís, negando-lhes o direito à educação e ao emprego; aprisionando-os com base em acusações falsas; torturando e executando-os quando o seu único crime é acreditar numa religião diferente. Todas as organizações internacionais de direitos humanos, incluindo as Nações Unidas, concordam que o governo iraniano actualmente oprime os Bahá'ís.

Mas, apesar de Muhammad ter proibido a opressão no Alcorão, a liderança iraniana não parece desgostosa com essa opressão, por alguma estranha razão. Se o Islão proíbe a opressão, não deveria ela cessar? E não ficaria a juventude do Ocidente - com o seu profundo compromisso com a verdade, a justiça e a liberdade de pensamento - mais impressionada se o Irão terminasse essa a opressão do que com uma carta aberta?

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Texto original: Does Tyranny Come from Governments or Religions? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

domingo, 20 de abril de 2014

sábado, 19 de abril de 2014

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Liberdade e Reciprocidade

Frei Bento Domingues, hoje no Público:
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Na polémica com os liberais, o católico ultramontano, Louis Veuillot (1813–1883), assumiu uma posição que ficou célebre: “quando estou em situação desfavorável, em nome dos vossos princípios, exijo a liberdade; quando estou em posição forte, em nome do meu anti-liberalismo, nego-vos a liberdade”.

Lembrei-me desta estranha ética, a propósito do modo como os cristãos são maltratados em muitos países muçulmanos - na China é pior - e das exigências dos seus imigrantes, nomeadamente na Europa, em nome da liberdade religiosa e da afirmação da sua identidade cultural, no espaço público.

A grande imigração islâmica, quando é acompanhada ou infiltrada por líderes fundamentalistas, não se contenta com a liberdade reconhecida a todas as religiões. Ameaça todos aqueles que, usando a liberdade de expressão nos países democráticos, se atrevem a questionar o Corão, os símbolos e as personagens do Islão.

A Noruega não parece disposta a aceitar a chantagem terrorista. O governo norueguês aceita a construção de mesquitas no seu território. Não admite, porém, que a Arábia Saudita e os seus homens de negócios entrem com milhares de milhões para financiar esplendorosas mesquitas e continuem a impedir a construção de igrejas cristãs, no seu país. Exige reciprocidade.

O ministro dos negócios estrangeiros da Noruega, Jonas Gahr Stor, levará esta exigência ao Conselho da Europa.

Dir-se-á que esta posição ainda não saiu do Antigo Testamento, “olho por olho, dente por dente”, mas o ministro Stor não joga no campo religioso. A sua intervenção situa-se no plano político, com meios políticos, a favor de um mínimo de justiça.

Confundir, porém, as correntes fundamentalistas com a totalidade das práticas islâmicas, é um erro com consequências graves para a paz mundial e não ajuda a encontrar o caminho para a defesa da liberdade religiosa, em todos os países e no comportamento interno de todas as religiões. (...)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Comunidades Bahá'ís na Europa comemoram 50 anos

OSLO, Noruega - Num encontro comemorativo em Oslo, cerca de 100 convidados especiais, foi prestada homenagem à Assembleia Espiritual Nacional da Noruega, pelo 50º aniversário da sua criação.

Entre eles, Shazia Mushtaq - uma representante do Conselho Islâmico da Noruega – elogiou os “maravilhosos elementos” do evento comemorativo, que incluiu discursos de homenagem e apresentações musicais.

Ivar Flaten, um padre da Igreja da Noruega, afirmou que encontrou nos Ensinamentos Bahá'ís, “uma ênfase especial, não só de tolerância, mas também de reconhecimento do outro”. Os seus comentários foram secundados por Lise Were, chefe executiva do Conselho das Comunidades para uma Atitude Religiosa na Vida, da Noruega, que disse que uma coisa que caracteriza os Bahá'ís é o seu “desejo de diálogo”. Na sua intervenção, Thor Henning Lerstad - um jornalista Bahá'í - descreveu o apelo a todos os seres humanos para reconhecerem a unidade da religião como “talvez o desafio mais notável da Fé Bahá'í, numa perspectiva nórdica... “

“A tolerância não é suficiente, é necessário reconhecer também as crenças dos outros povos,” acrescentou.

Hoje, as actividades Bahá'ís na Noruega incluem reuniões devocionais, aulas para crianças, grupos de jovens e círculos de estudo, em que os participantes exploram a aplicação do espiritual nas suas vidas e ensinamentos que desenvolvem capacidades para servirem a comunidade.

“Vivemos num tempo em que é dada pouca atenção ao fortalecimento da natureza espiritual dos seres humanos”, observou Shahla Bahrami, outra Bahá'í norueguesa. As actividades oferecidas pela comunidade Bahá'í ajudam a aperfeiçoar essa natureza, declarou no encontro ocorrido na sexta-feira, 27 de Abril.

Este ano comemoram-se também os 50ºs aniversários da formação de Assembleias Espirituais Nacionais: da Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia e Suíça. Algumas delas, fizeram as comemorações durante as suas Convenções Nacionais Bahá'ís, que acontecem todos os anos durante o período do Festival de Ridván, entre 21 de abril e 2 de maio.

Para os Bahá'ís da Suíça, o regente de Liechtenstein - Sua Alteza o Príncipe Herdeiro Alois - escreveu: “Ao saber que a Assembleia Espiritual Nacional da Suíça que, atualmente, é responsável pela comunidade Bahá'í do Liechtenstein, vai comemorar 50 anos de existência, gostaria de aproveitar esta oportunidade para felicitar a comunidade neste aniversário e expressar os meus melhores votos e bênçãos de Deus para o futuro”.

Por sua vez, a Assembleia Nacional da Suíça, enviou saudações para a comunidade Bahá'í da vizinha Itália. A Convenção Nacional italiana, ouviu Mario Piarulli, um membro sobrevivente da primeira Assembleia Espiritual Nacional, falar das memórias que contam a história do início da comunidade.

O Sr. Piarulli expressou o seu sincero desejo de que “os jovens hoje aqui presentes possam - daqui a 50 anos, por ocasião da comemoração do centenário - olhar para estes nossos anos, como cruciais na aceleração do crescimento de uma civilização espiritual no mundo...”

Na Holanda, antigos e actuais membros da Assembleia Nacional Espiritual, marcaram o seu 50 º aniversário lendo os nomes de cada um dos 51 bahá'ís que serviram na instituição durante estes anos.

A nova AEN dos Bahá'ís de Portugal

O aniversário da Assembleia Espiritual Nacional de Portugal foi comemorado na convenção nacional, realizada pela primeira vez no novo centro nacional Bahá’í. “O espaço físico que sediou a Convenção foi, assim, um símbolo material do crescimento e do progresso da Fé no meio século anterior”, disse a Assembleia Espiritual Nacional de Portugal.

Os Baha'is do Luxemburgo comemoraram o jubileu de ouro da sua Assembleia Espiritual Nacional, com uma homenagem à primeira Bahá'í, que se estabeleceu no país, Honor Kempton, de origem britânica. “A Convenção foi fortalecida pelos sacrifícios dos Bahá'ís durante as décadas anteriores”, disse o membro da Assembleia, Amir Saberin, e focou em como a instituição construída no último meio século se pode tornar a maior plataforma de realizações, ainda maiores, no próximo”.


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FONTE: Fifty years on, European Baha'i communities recall landmark elections (BWNS)

domingo, 27 de novembro de 2011

Ana Gomes: Violação de Direitos Humanos no Irão

Intervenção da Eurodeputada Ana Gomes, a propósito de uma moção sobre violação dos Direitos Humanos no Irão.

Rui Tavares: violação de Direitos Humanos no Irão

Rui Tavares, no Parlamento Europeu, a propósito de uma moção sobre Direitos Humanos no Irão.



O assassinato de Abdolreza Soudbakhsh, médico e professor na Universidade de Teerão, que examinou as vítimas de Kahrizak, uma prisão macabra usada pelas autoridades iranianas usaram para deter a grande maioria dos militantes da oposição. E mais: o caso das empresas europeias que colaboram com o regime no Irão com tecnologia para censurar comunicações dos opositores.

sábado, 26 de novembro de 2011

Direitos Humanos: ONU e União Europeia Condenam Irão

A Assembleia Geral da ONU, usando a linguagem mais dura até à data, condenou firmemente o Irão pelas suas "violações contínuas e recorrentes dos direitos humanos." Com uma votação de 86 a favor, 32 contra e 59 abstenções, a Terceira Comissão da Assembleia aprovou uma resolução de seis páginas em que classifica uma vasta gama de abusos no Irão, incluindo um "aumento dramático" das execuções, do uso de tortura, dos ataques sistemáticos contra defensores dos direitos humanos, violência generalizada contra as mulheres e discriminação continuada contra as minorias, incluindo os membros da Fé Bahá'í.

Leia a resolução completa aqui

"Com uma longa e detalhada lista de crimes contra os cidadãos comuns, a Resolução deste ano, condena o comportamento das autoridades iranianas nos termos mais duros a que já assistimos", disse Bani Dugal, representante principal da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas. "O resultado não pode deixar dúvidas sobre o que a comunidade mundial pensa dos incansáveis esforços do Irão para violar praticamente todos os direitos humanos", acrescentou.

A resolução vem no seguimento dos recentes relatórios do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do novo Relator Especial para os direitos humanos no Irão, que foram também fortemente críticos em relação aos abusos dos direitos humanos na República Islâmica.

ÁREAS DE PREOCUPAÇÃO

Patrocinada por 42 países, a resolução enumera cerca de 16 áreas de interesse, que vão desde a tortura e um aumento das penas de morte, até às "restrições graves e sistemáticas da liberdade de reunião pacífica" e "severas limitações e restrições ao direito de liberdade de pensamento, consciência, religião ou crença". Também estão mencionadas, pela primeira vez, as preocupações com a "interferência ilícita" na privacidade individual, citando a violação de correspondência, e-mails e correio de voz, por parte do governo.

Está também em destaque a persistente incapacidade do Irão em seguir os procedimentos legais necessários, incluindo "o uso sistemático e arbitrário de prisão solitária prolongada, a falta de acesso dos prisioneiros aos representantes legais da sua escolha, a recusa em considerar a concessão de fiança aos detidos e as más condições das prisões, incluindo o alto nível de superlotação e más condições de saneamento, bem como relatos persistentes de prisioneiros que são sujeitos a tortura e estupro e outras formas de violência sexual."

"ESCALADA DE ATAQUES CONTRA OS BAHÁ'ÍS"

As violações contínuas e a discriminação contra as minorias étnicas e religiosas são outra causa de preocupação, em particular os problemas enfrentados pelos árabes, os azeris, baluchis e curdos, bem como a discriminação contra os cristãos, judeus, sufis, muçulmanos sunitas e zoroastrianos.

Destaca-se ainda, "O aumento dos ataques contra os Bahá’ís e seus defensores, inclusive nos média patrocinados pelo Estado; um aumento significativo no número de Bahá’ís presos e detidos, incluindo o ataque direcionado ao BIHE (Bahá’í Institute for Higer Education), o restabelecimento dos vinte anos de prisão contra os sete dirigentes Bahá'ís, seguindo procedimentos legais profundamente falsos e novas medidas para negar o emprego aos Bahá'ís nos setores público e privado".

A resolução apela ao Irão para "eliminar a discriminação e a exclusão das mulheres e membros de certos grupos, incluindo membros da Fé Bahá'í, no que respeita ao acesso ao ensino superior, e para acabar com a criminalização do esforço para proporcionar ensino superior à juventude Bahá’í aquém foi negado o acesso às universidades iranianas".

O país também deve cooperar com a ONU e os seus funcionários nos esforços para monitorizar o cumprimento dos direitos humanos.

"Esta resolução é um testemunho poderoso da situação de como todos os iranianos - e não apenas algumas minorias dissidentes – vivem em permanente estado de sítio, onde hostilização, prisões arbitrárias, tortura e ameaças de morte, se tornaram preocupações diárias", afirmou a Sra. Dugal.

A Resolução - que deverá ser confirmada pela totalidade da Assembleia, em Dezembro - solicita ao Secretário-Geral das Nações Unidas um novo relatório, sobre os direitos humanos no Irão, para o próximo ano.


RESOLUÇÃO EUROPEIA

No passado dia 17 de Novembro, o Parlamento Europeu também aprovou uma resolução, igualmente dura, condenando o Irão pelas suas violações de direitos humanos.

Leia a resolução aqui.

A resolução citou várias preocupações, que vão desde o aumento das execuções e o uso generalizado da tortura até à opressão sistemática dos defensores dos direitos humanos, jornalistas, mulheres e minorias.

O Parlamento Europeu observou igualmente o aumento da perseguição aos Bahá’ís no Irão, notando que "sofrem discriminação pesada, incluindo a negação do acesso à educação" e que os sete dirigentes Bahá’ís permanecem presos e "mais de 100 membros da comunidade continuam sob detenção."

"Congratulamo-nos com estas resoluções e esperamos que o governo iraniano ouça finalmente os apelos da comunidade internacional para o fim destas práticas e um regresso ao Estado de Direito", declarou Bani Dugal.

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FONTE: UN strongly condemns Iran's human rights violations; European Parliament joins global outcry (BWNS)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Baha’is Europeus assinalam Centenário das viagens de 'Abdu'l-Bahá

Os Bahá'ís da Europa têm vindo a comemorar o 100º aniversário das históricas viagens de 'Abdu'l-Bahá ao Ocidente, reflectindo sobre as qualidades do seu carácter único. Em França, Suíça e Reino Unido, grupos de crentes têm estudado a vida de 'Abdu'l-Bahá e debatido como se podem hoje inspirar nos Seus serviços à comunidade que os rodeia.

'Abdu'l-Bahá (1844-1921) foi o filho mais velho de Bahá'u'lláh e Seu sucessor nomeado como o chefe da Fé Bahá'í. Após a Revolução dos Jovens Turcos de 1908, quando todos os presos políticos e religiosos do Império Otomano - incluindo 'Abdu'l-Bahá e Sua família - foram libertados, Ele começou a planear a apresentação, em pessoa, dos ensinamentos Bahá’ís ao mundo, para além Médio-Oriente. Em Agosto de 1911, partiu do Egipto para França, permanecendo primeiro alguns dias em Marselha, antes de ir para Thonon-les-Bains e, depois, para Genebra, na Suíça, durante quatro dias.

Bahá'ís de Bristol reunidos frente à residência ocupada por 'Abdu'l-Bahá quando esteve naquela cidade

ESFORÇOS INCANSÁVEIS

Nos dias 27-28 de Agosto, realizou-se um encontro na Universidade de Genebra para reflectir sobre o significado da permanência de 'Abdu'l-Bahá na Suíça e a sua relevância para o trabalho da comunidade Bahá'í de hoje. "A noção de serviço esteve sempre presente durante todo o fim-de-semana. Nós vimos como o exemplo de Abdu'l-Bahá nos inspira a servir: como Ele estimulou a criação de comunidades, como Ele serviu a humanidade, e influenciou o pensamento público. Estas são as mesmas coisas em que os Bahá’ís estão a trabalhar agora", observou John Paul Vader, membro da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Suíça.

"O que realmente impressionou a todos foi o facto de 'Abdu'l-Bahá ter sido capaz de empreender uma viagem tão extenuante, numa idade tão avançada", acrescentou o Dr. Vader. "Nós, mesmo em condições muito confortáveis muitas vezes consideramos que viajar, mesmo durante uma hora, é um pouco cansativo - mas vimos como Ele foi incansável nos Seus esforços."

Numa mensagem enviada em Abril deste ano, a Casa Universal de Justiça sublinhava como 'Abdu'l-Bahá, durante as Suas viagens, expôs os ensinamentos Bahá’ís em "casas e salões, igrejas e sinagogas, parques e praças públicas, carruagens de comboio e transatlânticos, clubes e sociedades, escolas e universidades. "

"Para todos, sem distinção - funcionários, cientistas, trabalhadores, crianças, pais, exilados, activistas, religiosos, cépticos - Ele transmitiu o amor, a sabedoria e o conforto, quaisquer que fossem as necessidade de cada um", escreveu a Casa Universal de Justiça.

Na escola Bahá'í anual, realizada em Evian, França, de 27 Agosto a 3 Setembro, os participantes exploraram o significado do que é "seguir o caminho de 'Abdu'l-Bahá", quando falaram sobre as actividades atuais das suas comunidades

"Pensamentos de 'Abdu'l-Bahá estiveram sempre presentes, nas principais palestras e em cada momento artístico", disse Laurence Dia, um dos organizadores da escola. "Percebemos que, seguindo os Seus passos, encontraríamos as forças de que necessitamos, para irmos em frente com os nossos esforços - e ir mais longe"

GLORIOSA MENSAGEM DE UNIDADE

'Abdu'l-Bahá chegou a Londres para uma estadia de quatro semanas, no dia 4 de Setembro de 1911. No Seu primeiro discurso público - dado na igreja City Temple, seis dias após a Sua chegada à cidade - Ele disse à congregação: "A dádiva de Deus para esta época luminosa é o conhecimento da unidade da humanidade e da unidade fundamental de religião ".

Em todo o Reino Unido, grupos de amigos têm vindo a utilizar o centenário como uma oportunidade para estudar a forma de aplicar as lições de 'Abdu'l-Bahá nas suas próprias vidas.

Em 10 de Setembro, na cidade de Reading - por exemplo – os Bahá'ís reuniram-se com os seus vizinhos para estudar as palavras que Ele tinha proferido no City Temple, exactamente 100 anos antes. Um participante, motorista de táxi de Gana, comentou sobre como o amor e a unidade mencionada no "discurso de Abdu'l-Bahá estava presente no espírito deste encontro". Outro vizinho, de origem nepalesa, mencionou a "gloriosa mensagem de unidade" de 'Abdu'l-Bahá.

Num encontro em Epsom, realizada no mesmo dia, a Presidente do Município - Conselheira Sheila Carlson - disse que achava que as crianças em idade escolar deveriam aprender sobre 'Abdu'l-Bahá, juntamente com Martin Luther King e Madre Teresa.

No aniversário da viagem de 'Abdu'l-Bahá para Bristol, 23-25 de Setembro, actores, contadores de histórias e músicos mostraram factos ocorridos no fim-de-semana que Ele passou na cidade e da profunda impressão que causou nas pessoas que encontrou.

A RESPOSTA DE AMOR

Em Londres, uma peça especialmente encomendada, representando a visita de 'Abdu'l-Bahá, vista através dos olhos da sua anfitriã, Lady Blomfield, foi estreada em 15 de Setembro no cenário histórico do Leighton House Museum.

Na audiência estavam pessoas que hoje vivem em Cadogan Gardens 97, o bloco de apartamentos onde 'Abdu'l-Bahá permaneceu durante a Sua visita. Um comentou que foi "maravilhoso aprender um pouco mais da história fascinante da minha casa."

"Foi tão extraordinário encontrar a filha de uma mulher que lá mora e testemunhar o seu espanto com a história espiritual do edifício", disse Sarah Perceval, que escreveu o roteiro e interpretou o papel de Lady Blomfield.

"Toda a gente teve uma resposta tão sincera, esta noite ... Realmente uma resposta de amor", disse ela.

MENSAGEM REAL

Dois dias depois, foram representados extractos da peça, na igreja de St. John, Smith Square, onde a Comunidade Bahá’í deWestminster, se reuniu com os seus amigos, 100 anos depois de 'Abdu'l-Bahá Se ter dirigido a esta congregação, a convite do então Arquidiácono de Westminster, Basil Wilberforce.

Um dos destaques do encontro foi uma mensagem especial enviada pela princesa Helena, bisneta da rainha Maria da Roménia (1875-1938), que foi a primeira personalidade real a abraçar os ensinamentos Bahá’ís.

"Para mim, a mensagem desta grande fé é tão importante hoje como sempre foi", escreveu a princesa Helena. "Numa sociedade cada vez mais secular, onde as forças do mercado, o consumismo desenfreado e o egoísmo são considerados virtudes, a Fé Bahá'í oferece uma forma alternativa de vida, enraizada na propagação da justiça, da unidade e do estabelecimento da paz para trazer prosperidade e bem-estar colectivos

“Historicamente... os mensageiros de semelhante radicalismo, foram considerados subversivos. Isto parece ter sido verdade para 'Abdu'l-Bahá que, por causa da Sua profunda fé na bondade de Deus e na Sua orientação, passou a maior parte da sua vida no exílio.

"Homens inferiores ter-se-iam tornado amargos por estarem separados da sua terra natal, mas isso não aconteceu com Abdu'l-Bahá. Ele escolheu um caminho diferente e tornou-Se um grande embaixador da paz e da justiça, e um hóspede bem-vindo entre todos os povos de boa vontade e fé. Essas pessoas são únicas, inspiradoras e desafiadoras, e nós precisamos de ouvir as suas mensagens de esperança", escreveu a princesa Helena.

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FONTE: European Baha'is mark centenary of 'Abdu'l-Baha's journeys (BWNS)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

União Europeia condena perseguições aos Bahá’ís do Irão

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton voltou a condenar a perseguição à comunidade Bahá’í no Irão. Numa declaração publicada ontem a Sra Asthon expressou “profundas preocupações sobre a recente vaga de detenções de cidadãos Baha’is e o encerramento de um centro educativo da Comunidade Bahá’í no Irão. A declaração também insta o Irão a abster-se de todas formas de discriminação contra as minorias religiosas.

Recentemente o Irão declarou ilegal o BIHE (Bahá’í Institute for Higher Education) que recorria ao serviço voluntário de professores despedidos para ensinar os jovens Baha’is. No passado mês de Maio, cerca de 14 Baha’is que trabalhavam para o BIHE foram levados para priões em Teerão, Jaraj, Shiraz e Isfahan.

O BIHE foi criado em 1987 com o objectivo de proporcionar ensino superior aos jovens Bahá’ís impedidos de entrar nas Universidades devido às suas convicções religiosas. O governo iraniano afirma que a Fé Bahá’í é uma organização política e recusa-se a reconhecê-la como religião.

Clique aqui para ler a declaração da Sra Ashton.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A "Questão Bahá'í" citada no Parlamento Europeu

“As vítimas de intolerância religiosa não são apenas as pessoas privadas do direito de praticar a sua fé; elas sofrem abusos em todos os aspectos das suas vidas diárias.” Este comentário feito durante uma audiência na subcomissão do Parlamento Europeu para os Direitos Humanos.

Penelope Faulkner - membro da Plataforma Europeia de Discriminação e Intolerância Religiosa (EPRID) - destacou o grau em que a liberdade de religião ou crença está ameaçada em todo o mundo. É um "problema enorme", disse Faulkner. "Especialmente em países onde o Estado ... incita ao ódio, as minorias religiosas são indefesos. "Eles perdem os seus direitos, os seus meios de subsistência e, em muitos casos, as suas vidas."

"Este é o caso dos Baha'is no Irão, onde as autoridades aplicam um plano sistemático para lidar com o que chamam «A Questão Bahá’í»- com directivas específicas para bloquear o acesso à educação, confiscar de bens, recusar empregos e negar direitos de cidadania direitos a qualquer pessoa que se saiba ser Bahá’í ", disse Faulkner.

Os seus comentários foram feitos poucos dias depois de 16 pessoas terem sido detidas no Irão por trabalharem para uma universidade informal que oferece cursos aos jovens Baha'is que foram impedidos pelo Governo de frequentar o ensino superior. Veja notícia aqui.

A Sra. Faulkner lembrou ainda uma pesquisa recente que indicava que 70% da população mundial vive em locais onde a liberdade religiosa é limitada ou violada. "Acontece em todos os continentes, em todas as comunidades, incluindo na Europa. O efeito devastador do sofrimento humano nos últimos meses mostra que as políticas da UE nesta área não são apenas necessárias, mas também estão muito atrasadas", afirmou.

"Os seres humanos são responsáveis"

O Relator Especial das Nações Unidas sobre a liberdade de religião ou crença, Heiner Bielefeldt, declarou na audiência que assiste a essas violações numa base diária.

"E o que me choca mais é o grau de ódio contra as minorias religiosas entre as comunidades - muitas vezes o ódio nutrido por uma combinação paradoxal de medo (que por vezes atinge a paranóia) e desprezo", disse o professor Bielefeldt. Mas esses ódios podem ser superados, afirmou.

"Afinal de contas, são seres humanos que são responsáveis, são os seres humanos que também podem mudar, os grupos de seres humanos que também podem evoluir nas suas convicções. Isso é algo que devemos sempre ter em conta."

O Professor Bielefeldt disse na audiência - realizada em 26 de Maio - que a liberdade de religião ou crença é um direito humano universal, que deve também ser interpretado para englobar interpretação mais ampla de religião.

"Você vê muitos países em várias regiões do mundo que garantem a liberdade de religião ou crença na sua constituição, em depois dizem: 'OK, há três opções: você pode ser judeu, cristão ou muçulmano. Ponto Final!"

"Por vezes, são cinco opções; por vezes, são seis opções. Por vezes não são religiões, mas o ponto de partida - se pretendemos fixar-nos na natureza universalista dos direitos humanos - deve ser a dignidade da pessoa humana e seu auto-entendimento. Se você conhece os seres humanos, então sabe que o seu auto-entendimento é muito, muito, muito diversificado", acrescentou.

O professor Bielefeldt salientou ainda que os tratados das Nações Unidas sobre o assunto afirmam claramente que a liberdade de religião ou crença "protege teístas, não-teístas, crenças ateístas, assim como o direito de não professar qualquer religião ou crença... Este é o espírito universalista, e não só o espírito, mas também a carta dos direitos humanos e liberdade de religião. E isto está realmente ameaçado."


Um contexto mais amplo

Neste painel também esteve Sarah Vader, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í junto da União Europeia. A Sra Vader sugeriu que a liberdade de religião ou crença deve ser considerada num "contexto mais amplo da democracia e da protecção dos direitos humanos".

"A UE deve ter um cuidado especial para ser inclusiva e justa, permitindo a participação de todos - incluindo os grupos mais vulneráveis, como mulheres, jovens, minorias étnicas e religiosas", disse a Sra. Vader, que também falava em nome do EPRID, uma coligação de organizações não-governamentais de apoio à liberdade de religião ou crença de que a Comunidade Internacional Bahá'í é um membro.

"Em relação à futura política da UE em matéria de liberdade de religião ou crença, é necessário que o processo seja aberto, transparente e inclusivo, e encontre uma forma de envolver a sociedade civil em diferentes níveis, seja aqui em Bruxelas ou ao nível das capitais e das delegações junto da UE ", declarou.

A Sra. Vader apresentou uma série de recomendações com as quais a UE poderia melhorar o acompanhamento geral e abordagem à liberdade de religião ou crença, seja através da criação de um enviado especial para a liberdade religiosa e elaboração um relatório anual sobre os progressos a nível mundial sobre liberdade de religião ou crença.

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FONTE: "Baha'i Question" cited at European Parliament human rights hearing (BWNS)

sábado, 2 de abril de 2011

Catherine Ashton exige liberdade para prisioneiros Bahá'ís no Irão

A Chefe da Diplomacia Europeia, Catherine Ashton, afirmou ontem (01-Abril) que estava "perturbada" pelo facto do Irão ter duplicado a pena de prisão aos sete dirigentes da comunidade Bahá'í, e exigiu a sua libertação.

"Estou perturbada com as recentes informações segundo as quais as penas iniciais de 20 anos de prisão contra os sete ex-dirigentes Bahá'ís podem ter sido re-estabelecidas", lê-se num comunicado da Comissária Europeia.

"Por esse motivo, peço às autoridades iranianas que libertem imediatamente os sete dirigentes Bahá'ís, cuja sentença parece ser motivada apenas por pertencerem a uma fé minoritária, e a pôr fim à perseguição de minorias religiosas no Irão".

Os sete, que foram condenados em Agosto do ano passado a 20 anos de prisão, viram a sua pena reduzida para metade pelos juízes de recurso, em Setembro.

"Peço às autoridades iranianas que esclareçam a situação jurídica dos sete indivíduos em causa", disse Ashton. "Eles e os seus advogados devem ter o direito de acesso a toda a documentação pertinente sobre os seus casos."

Os Bahá'ís têm sido impedidos aceder ao ensino superior e cargos na administração pública e são considerados infiéis no Irão xiita; têm sido perseguidos, tanto antes como depois da revolução islâmica de 1979.

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Ler comunicado (em inglês):
Statement by High Representative Catherine Ashton on the sentences of seven former Bahá’í leaders in Iran

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ainda a Modernidade

No livro Cristo Filósofo, Frederic Lenoir escreve:
O grande paradoxo, a ironia suprema da história, é que o advento moderno da laicidade, dos direitos do homem, da liberdade de consciência, enfim, de tudo aquilo que se fez nos séculos XVI, XVII e XVIII contra a vontade dos eclesiásticos, se produziu por meio de um recurso implícito ou explícito à mensagem original dos Evangelhos. Dito por outras palavras, aquilo a que chamo aqui «a filosofia de Cristo», os seus ensinamentos éticos mais fundamentais, deixou de chegar aos homens através da porta da Igreja... para passar a usar a janela do Humanismo do Renascimento e das Luzes! Durante esses três séculos, ao mesmo tempo que a instituição eclesiástica crucificava o ensinamento de Cristo acerca da dignidade humana e da liberdade de consciência por meio de prática inquisitorial, este último ressuscita graças aos humanistas. (p.17)

COMENTÁRIO:

Como referi anteriormente, os valores da modernidade referidos por Frederic Lenoir, são também assumidos pela Fé Bahá’í. Não são o resultado de uma reflexão teológica-filosófica; não resultam de uma evolução histórica, ou de um conjunto de circunstâncias específicas que permitiram o seu surgimento. São valores que se encontram nas próprias Escrituras. Desta forma tornam-se um ponto de partida para uma nova etapa da nossa evolução colectiva. São, certamente valores que fazem parte da prometida civilização em constante progresso que a família humana se deve empenhar em construir.

Por este motivo, os valores da modernidade devem ser uma das bases do diálogo entre Bahá’ís e Cristãos.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Porque é que a Modernidade surgiu no Ocidente?

No livro Cristo Filósofo, Frederic Lenoir escreve:
Porque será que aquilo a que chamamos «modernidade» não teve lugar em outro lugar - na China, na Índia ou no Império Otomano, por exemplo - e num outro período da História? A questão é crucial. A modernidade ocidental e os seus principais componentes - razão crítica, autonomia do sujeito, universalidade, laicidade - apenas puderam desenvolver-se no seio de um mundo específico que reunia todos os factores passíveis de propiciar que tais componentes eclodissem e se ligassem entre si. Ora, historicamente, este mundo específico foi o mundo cristão. E por mais paradoxal que isso possa parecer à primeira vista, de tal forma o espírito moderno e as instituições religiosas se opuseram que a Modernidade só pôde desenvolver-se ao termo de um longo processo de amadurecimento no seio da sua própria matriz religiosa - o Cristianismo - e, depois, de emancipação e viragem contra ela. O essencial da história do Ocidente resume-se a este espantoso encadeamento de factos.(p. 163)
COMENTÁRIO:
O título deste post é um tema de reflexão demorada de Frederic Lenoir. E penso que é um tema merecedor de reflexão por parte de todas as pessoas que estudam o fenómeno religioso. Aqui ficam algumas considerações:

1 - O facto dos valores da modernidade terem surgido no Ocidente, como herança ou fruto do Cristianismo, isso não significa que não pudessem ter aparecido noutro lugar. Parece-me mais correcto dizer que noutros tempos e noutros lugares não se proporcionaram as condições para que isso acontecesse.

2 - Noto que Frederic Lenoir tem o cuidado de nunca considerar que as religiões não-cristãs foram obstáculos ao surgimento da modernidade; o importante é o conjunto de circunstâncias históricas e a sucessão de acontecimentos. Nas Escrituras Baha’is refere-se que todas as religiões surgiram com potencial para transformar a humanidade. Mas esse potencial acabou por não se revelar, devido à distorção dos ensinamentos originais dessas religiões.

3 - O facto dos valores da modernidade terem raízes no mundo Ocidental, marcado pela cultura cristã, isso não nos pode levar a deduzir que o Cristianismo seja superior às outras religiões. Se alguém for tentado por esse raciocínio, lembro que estes valores da modernidade surgem como resultado de um “longo processo de amadurecimento”. Na Fé Bahá'í, esses valores são um ponto de partida, na medida em que se encontram entre os ensinamentos de Bahá'u'lláh. E isso não acontece porque a Fé Bahá'í seja superior a outras religiões, mas antes, porque os seus ensinamentos são adequados à nossa maturidade e necessidades dos tempos actuais.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A União Europeia toma posição



Declaração da Presidência em nome da União Europeia
sobre o julgamento dos sete dirigentes Baha’is no Irão


A UE expressa a sua profunda preocupação pelas graves acusações levantadas contra os sete dirigentes Bahá'ís no Irão. Foram detidos pelas autoridades iranianas durante oito meses sem acusação e durante esse tempo não tiveram acesso a representação legal.

A UE receia que, após terem estado detidos durante tanto tempo sem o devido processo, os dirigentes Baha'is não tenham um julgamento justo. Assim, a UE solicita à República Islâmica do Irão que permita a observação independentes dos procedimentos judiciais e que reconsidere as acusações feitas contra estes indivíduos.

A UE deseja expressar a sua oposição a todas as formas de discriminação e opressão, em particular a que tem por base a prática religiosa. Neste contexto, a UE insta a República Islâmica do Irão a respeitar e proteger as minorias religiosas do Irão e libertar todos os prisioneiros detidos devido à sua fé ou prática religiosa.

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Original em inglês
aqui.

sábado, 27 de setembro de 2008

Mais uma declaração da UE...

Declaração da Presidência em nome da União Europeia sobre situação das pessoas que pertencem às minorias religiosas no Irão.

A União Europeia está muito preocupada com a deterioração do exercício da liberdade religiosa ou de crença, e em especial a liberdade de adoração, no Irão, onde a pressão sobre as pessoas que pertencem às minorias religiosas se tem agravado nos últimos meses.

A União Europeia está profundamente perturbada pelas detenções efectuaas desde o mês de Abril, de convertidos iranianos ao Cristianismo e aos membros da comunidade de Baha'i. Apela à sua libertação imediata e incondicional e à cessação de todas as formas da violência e da discriminação contra elas.

Têm surgido muitos relatórios sobre pessoas pertencentes às minorias Cristã, Baha'i, do Sufi e Sunita do Irão sofrem regularmente formas de perseguição como confiscação de propriedades, profanação dos seus lugares de culto, encarceramento e numerosos actos de violência numerosos, incluindo algumas ameaças de morte..

A União Europeia está preocupada com a decisão do Parlamento Iraniano em debater um projecto-lei que faz da apostasia um dos crimes punível com a morte. Se for adoptada, essa lei seria uma séria infracção da liberdade religiosa ou de crença, que inclui o direito a mudar a religião e o direito não ter religião. Violaria o artigo 18º do Acordo Internacional sobre direitos Políticos e Civis, que foi livremente ratificado pelo Irão, e ameaçaria as vidas de vários iranianos que foram detidos e presos sem julgamento durante meses por meses devido às suas convicções religiosas.

A União Europeia insta a República Islâmica do Irão reconsiderar a sua decisão e a examinar a lei em questão, a libertar todos o aqueles que foram detidos devido à sua filiação religiosa e a permitir que todos os seus cidadãos exerçam planamente a sua liberdade religiosa ou de crença.

Os países candidatos Turquia, Croácia* e a antiga Republica Jugoslava da Macedónia *, os países do Processo de Estabilização e Associação, os potenciais candidatos Albânia e Montenegro, os países de EFTA Islândia, Liechtenstein e Noruega, os membros da Área Económica Europeia, assim como a Ucrânia e a República da Moldova estão alinhadas com esta declaração.

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Sobre este assunto:
Declaration by the Presidency on behalf of the European Union on the situation of people belonging to religious minorities in Iran (UE)
EU worried about freedom of religion in Iran (AP)
EU worry over Iran’s lack of religious freedom (Religious Intelligence)
Iran Parliament Requires Death for 'Apostates' As Crackdown Continues (Christianity Today)
EU Lauded for Pressing Iran to Drop Apostasy Bill (The Christian Post)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A Europa reage às detenções no Irão

Os media internacionais continuam hoje a fazer eco da situação dos sete Bahá’ís detidos no Irão. O principal destaque vai para a Presidência da União Europeia (UE) que condenou a atitude do regime iraniano, expressando publicamente a sua preocupação pela "sistemática discriminação e hostilização dos Bahá’ís iranianos por motivos religiosos". Num comunicado divulgado hoje em Liubliana, a UE manifestou a sua profunda preocupação pelas informações que davam conta da detenção de sete “líderes” baha’is detidos no passado dia 14 de Maio.

O mesmo comunicado apelava ainda à República Islâmica do Irão a permitir o direito escolha e prática de uma religião, a terminar a perseguição à comunidade Baha’i, e a libertar os detidos. Entretanto, as autoridade iranianas já confirmaram a detenção dos seis Bahá’ís, acusando-os de agir contra a segurança nacional do Irão e de ter ligações com estrangeiros.

As imagens que se seguem mostram um pouco do que tem sido a atenção dos media mundiais sobre este assunto. (clique na imagem para aceder à notícia)