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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Amanhã de manhã vais ser fuzilada

Mulheres Judias detidas em Budapeste, 1944

A Fé Bahá'í surgiu em meados do séc. XIX, e espalhou-se rapidamente por todo o mundo durante os seguintes 100 anos. Em pouco mais de um século, tornou-se a segunda fé mais dispersa no mundo.
A Fé Bahá'í é a única religião que cresceu mais rapidamente em todas as regiões das Nações Unidas nos últimos 100 anos do que a população em geral; [a Fé] Bahá’í foi, assim, a religião que mais cresceu entre 1910 e 2010, crescendo pelo menos duas vezes mais rápido que a população de praticamente todas as regiões da ONU (The World’s Religions in Figures: An Introduction to International Religious Demography, p. 59.)
As primeiras comunidades Bahá'ís fora do Médio Oriente - Estados Unidos, Grã-Bretanha, Índia e Alemanha – surgiram nas décadas 1890 e 1900. Os primeiros Bahá'ís alemães - Alma Knobloch e o Dr. Edwin Fischer, um dentista – conheceram a Fé quando eram imigrantes em Nova Iorque, e regressaram a Estugarda no início do século XX. Começando com essas duas pessoas, a comunidade Bahá’í alemã cresceu rapidamente.

Antigo e Novo Memorial de 'Abdu'l-Bahá em Bad Mergentheim
Em 1913, 'Abdu'l-Bahá, o dirigente da Fé após o falecimento do Seu pai, Bahá'u'lláh, esteve oito dias na Alemanha visitando Esslingen, Estugarda e Bad Mergntheim, falando para grandes audiências e recebendo os Bahá'ís. Em 1916, os Bahá’ís alemães construíram um memorial público para celebrar a histórica visita de 'Abdu'l-Bahá a Bad Mergntheim.

Apesar das angústias e tribulações da Primeira Guerra Mundial e da inflação galopante durante a República de Weimar, a comunidade Bahá’í floresceu durante a década de 1920. Em 1923 a comunidade Bahá’í alemã estava suficientemente bem estabelecida e formou uma das primeiras Assembleias Espirituais Nacionais Bahá'ís do mundo, o órgão dirigente democraticamente eleito pelos Bahá'ís do país.

E depois os nazis tomaram o poder.

Quando Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha, em 1937, ele acusou a religião de "tendências internacionais e pacifistas." Após decreto de Himmler, o governo nazi começou a atacar os Bahá’ís, primeiro destruindo o memorial público a 'Abdu'l-Bahá em Bad Mergntheim, e depois, em 1939, lançando na prisão os antigos membros da Assembleia Espiritual Nacional Bahá’í da Alemanha. Os Bahá’ís estiveram na cadeia, alguns durante longos períodos de tempo, sem acusações. Em 1942, ocorreram mais prisões. Muitos dos Bahá'ís da Alemanha e dos países vizinhos desapareceram nos campos de concentração nazis, e os pormenores sobre os seus destinos, como milhões de outros, provavelmente nunca será conhecido.

Ironicamente, em Maio de 1944 - exactamente cem anos após o surgimento da Fé Bahá'í - o governo alemão realizou um julgamento público de alguns dirigentes Bahá'ís presos em Darmstadt. Um conhecido Bahá’í alemão, Dr. Hermann Grossmann, pode aparecer e falar em defesa da Fé no julgamento, mas todos sabiam que o veredicto estava foi pré-definido. O governo considerou os Bahá’ís culpados, aplicou multas elevadas e proibiu todas as instituições Bahá’ís, ordenando que fossem imediatamente dissolvidas.

Renee Szanto-Felbermann
Um dos livros mais profundos e comoventes sobre as perseguições nazis - Rebirth: The Memoirs of Renee Szanto-Felbermann, (publicado pela editora britânica Bahá'í Publishing Trust em 1980, e agora, infelizmente, esgotado) - contém um relato angustiante sobre aqueles anos.

Szanto-Felbermann, uma jornalista húngara criado na Alemanha e na Suíça na fé judaica, tornou-se a primeira Bahá’í húngara em 1937. Ela e toda a sua família foram apanhadas nas perseguições nazis contra Judeus e Bahá’ís em Budapeste durante a guerra; Szanto-Felbermann em várias ocasiões escapou por pouco às deportações e às marchas para os campos da morte. Apesar de várias prisões e situações limite, a sua inteligência e coragem mantiveram-na longe dos campos; mas muitos dos seus parentes e amigos mais próximos, tanto Judeus como Bahá'ís, não tiveram tanta sorte. Szanto-Felbermann começa a contar a sua história desta maneira:
Os dois oficiais alemães das SS olharam-me com as suas pistolas apontadas à minha cabeça. "O que está nesta caixa?", gritaram os alemães. "Abra-a."

"Isto são livros e manuscritos sobre a minha religião, a religião Bahá’í". O oficial ajoelhou-se em frente da caixa, pegou numa folha de papel e começou a ler. Os seus olhos encontraram o seguinte texto [de Bahá'u'lláh] traduzido para alemão:

"Aqueles que estão intoxicados pela arrogância interpuseram-se entre ela e o infalível Medico Divino. Vede como eles enredaram todos os homens, inclusive a si próprios, na rede dos seus estratagemas", leu em voz alta.

"Isto parece muito suspeito", gritou, "amanhã de manhã vais ser fuzilada e atirada ao Danúbio, mas primeiro a Gestapo virá investigar." E apontando para minha mãe, gritou: "Ela também será fuzilada e lançada no Danúbio! E a criança também" (Rebirth, pags. 124-125)
Através de uma combinação de pura sorte, coragem e oração, Renée, juntamente com a mãe e a filha, escaparam com vida. Também o marido, que trabalhava na resistência húngara contra os nazis, e corria grandes perigos ao tentar salvar outros, acabou por conseguir evitar o terrível destino de muitos dos seus compatriotas. A emocionante caminhada de Renée Szanto-Felbermann, como pesquisadora espiritual, escritora, Bahá’í e alvo de perseguição nazi, levam cada leitor a perceber como a gentileza e a graça podem por vezes superar um grande mal.

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Texto original em inglês: In the Morning You Will Be Shot (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Hungria: Personalidades em defesa dos Direitos Humanos no Irão

Na Hungria, um grupo de conhecidas personalidades, juntaram-se numa campanha para mostrar o seu apoio às vítimas de abusos dos direitos humanos no Irão. Com o título "Húngaros proeminentes pelos Direitos Humanos no Irão", declaram que querem estimular uma atenção internacional sustentada sobre esta questão, que inclui as contínuas violações enfrentadas pela comunidade Bahá'í iraniana do Irão.



"Espero sinceramente que a situação no Irão vá melhorar num futuro próximo, em direcção à democracia, ao reconhecimento dos direitos humanos fundamentais e à liberdade", disse a activista Kinga Göncz, membro do Parlamento Europeu e ex-ministra húngara dos Negócios Estrangeiros.

E acrescentou: "Todos sabemos - e eu acredito profundamente - que a cultura de um país fica muito enriquecida por qualquer tipo de diversidade, incluindo a diversidade religiosa. Se o Irão apoiasse as suas minorias religiosas, como a comunidade Bahá'í, isso só poderia engrandecer o país".

A cantora folk, conhecida internacionalmente, Márta Sebestyén - que é uma Artista da UNESCO para a Paz - disse que também ela estava triste com a situação no Irão, e acrescentou: "Os estudantes bahá'ís estão proibidos de frequentar a universidade e alguns jornalistas estão presos. Isto é muito doloroso. É o mesmo que cortar as asas a um pássaro ou dizer a alguém como eu, que não é livre para cantar."

Outras personalidades, que aderiram a campanha, incluem: a deputada Ágnes Osztolykán; as jornalistas Ilona Bayer, Soma Mamagésa e Kata Jaksity; os actores Sándor Csányi e Károly Gesztesi; o campeão internacional de esgrima, Ivan Kovács, e músicos, como Orsi Kozma e LL rapper Junior.

Outros destacados húngaros estão a unir-se para colocar mensagens de vídeo, de apoio à campanha, nos próximos meses, que podem ser vistas on-line neste link.

Tradução: Ivone Correia
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FONTE: Hungarian personalities speak out for human rights in Iran (BWNS)