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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Curdistão Iraquiano reconhece Bahá’ís como minoria religiosa

Mapa do Curdistão Iraquiano
O Ministério dos Assuntos Religiosos da Região do Curdistão anunciou que Judeus, Zorastrianos, Kakai e Bahá'ís terão representantes no nesse Ministério. O Governo Regional do Curdistão aprovou esta decisão e o representante Judaico já iniciou as suas funções. Não há indicação sobre a nomeação do representante Bahá’í, mas sabe-se que o Cônsul Iraniano visitou o Ministério dos Assuntos Religiosos para protestar sobre a existência de representantes Judeus e Bahá’ís.

O porta-voz do Ministério dos Assuntos Religiosos, sr. Mariwan Naqshbandi, declarou em Agosto que de acordo com a Constituição, as pessoas têm o direito a escolher e praticar livremente a sua religião, e podem ter representantes no Ministério. “Várias minorias religiosas da região do Curdistão, incluindo Judeus, Kakai e Bahá'ís terão representantes no Ministério para tratar das suas actividades religiosas no futuro”.

Não existem estatísticas sobre os Bahá’ís no Iraque. No entanto, sabe-se que existem comunidades em Bagdade e também em Sulaimaniyah (na região Curda) onde vivem com alguma segurança.

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FONTE:
- Kurdistan Region of Iraq recognizes Bahais as religious minority (Sen’s Daily) 
- Kurdish Religious Minorities to have Representative in KRG (BasNews)

sábado, 3 de agosto de 2013

Bahá’ís no Iraque: uma minoria não reconhecida

O texto que se segue é de autoria de Ali Mamouri e foi publicado no site Al-Monitor. A tradução para português foi feita a partir de uma tradução inglesa (de Sami-Joe Abboud).
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Rio Tigre, Bagdade (1918)
O Iraque é um dos principais pontos de partida da religião Bahá’í. Bahá’u’lláh, o fundador da religião, passou 10 anos no Iraque, onde fez o seu apelo religioso. Isso ocorreu no jardim Radwan [Ridvan], em Bagdade, situado nas margens do rio Tigre, naquilo que é actualmente a Cidade Médica de Bagdade. A religião Bahá’í foi precedida por uma forte presença dos seguidores do Báb (outra figura central para a religião Bahá’í) no Iraque, principalmente Tahirih Qurratu l-‘Ayn, a figura feminina mais proeminente entre eles.

Desde a sua criação, a religião Bahá’í tem enfrentado pressão e perseguição no Médio Oriente em geral, e no Iraque, em particular. Muitos dos seus seguidores foram mortos e os seus locais sagrados destruídos. Os Bahá’ís foram submetidos a investigações e perseguições durante diferentes períodos. Uma série de textos provocatórios foram produzidos contra os Bahá'ís, instigando à violência contra eles. Eles foram acusados de uma série de delitos, como a debilitação da religião para pregar o ateísmo, pornografia, descritos como fruto do colonialismo e do sionismo, e a lista continua.

Não há estatísticas oficiais sobre os Bahá’ís no Iraque, e seu número exacto ainda é desconhecido, devido ao medo dos aderentes em revelar as suas identidades. O correspondente do Al-Monitor reuniu-se com vários Bahá'ís em Bagdade e Sulaimaniyah na região do Curdistão iraquiano. No entanto, nenhum dos entrevistados apresentou estatísticas sobre os seus números, devido à sua dispersão, como resultado do medo profundo de ser hostilizado por autoridades e cidadãos comuns. Apesar disso, os Bahá’ís em Sulaimaniyah sentem-se mais seguros e têm mais estabilidade do que os seus irmãos em Bagdade, ainda que se coíbam de praticar abertamente a sua fé pelas razões acima mencionadas.

Durante a monarquia, os Bahá’ís podiam declarar oficialmente a sua identidade. A comunidade Bahá’í iraquiana foi fundada em 1931; o primeiro fórum central Bahá’í foi fundado em 1936 na região de al-Sa'doun; e possuíam um cemitério no distrito de Nova Bagdade, desde 1952, conhecido como o "jardim eterno". O governo iraquiano registou a religião Bahá’í no censo de 1957.

As restrições aos Bahá’ís começaram a crescer gradualmente após a queda da monarquia, até que a repressão atingiu o seu auge durante o regime Baath. Nessa altura, o governo publicou um conjunto de decretos contra os Bahá’ís em 1970 no Diário Oficial do Iraque. Nestes decretos, a religião Bahá’í foi oficialmente proibida, os Bahá’ís foram privados de todos os seus bens e proibidos de registar a sua religião nos registos civis. Além disso, foram obrigados a apagar as referências à Fé Bahá’í nos registos existentes e a substituí-los por uma das três religiões abraâmicas oficialmente reconhecidas. Posteriormente, um grande número de seguidores foi preso e muitos seguidores religiosos Bahá’ís foram condenados à morte no final de 1970.

Estes riscos levaram os Bahá’ís a querer fechar-se completamente ou a deixar o Iraque. Apesar da abertura que se seguiu à queda do regime do deposto presidente Saddam Hussein, em 2003, os Bahá’ís no Iraque ainda permanecem na penumbra, vivendo com medo de declarar a sua identidade social e preferindo não praticar a sua religião em público.

Uma mulher Bahá’í disse ao Al-Monitor, que depois de ser libertada da "prisão" do regime de Saddam Hussein, sentiu que se tinha mudado de uma pequena prisão para uma sociedade, mais dura e mais violenta do que a anterior. A vida na "prisão", afirmou, costumava protegê-la da cultura de exclusão para com os Bahá’ís que prevalece na sociedade iraquiana.

Saad Salloum, um especialista em minorias iraquianas, disse ao Al-Monitor que a mudança de regime em 2003, em nada alterou a situação dos Bahá’ís. A religião Bahá’í ainda é oficialmente proibida e os Bahá’ís continuam sem permissão para indicar a sua religião nos registos civis. Ainda não recuperaram os seus bens confiscados e os decretos publicados contra eles não foram abolidos.

Casa de Bahá'u'lláh em Bagdade

Apesar de toda a violência e exclusão praticada contra os Bahá’ís, tem havido um conjunto recente de evolução jurídica e religiosa que servem os interesses dos Bahá’ís e melhoram a sua condição social, apesar de se tratar de um progresso legal lento. De acordo com a Declaração n º 42, publicada na edição 4224 da Iraqi Facts em 26 de Dezembro de 2011, o Ministro da Cultura iraquiano Saadoun al-Dulaimi emitiu um decreto segundo o qual a casa que foi habitada por Bahá'u'lláh, quando ele esteve em Bagdade passou a ser considerado património cultural. É interessante notar que o local se transformou num espaço cerimonial xiita conhecido como "Sheikh Bashar", actualmente localizado no bairro de Al-Tala'eh de Bagdade.

No entanto, Salloum declarou que o lugar tinha sido demolido numa tentativa de desencorajar os Bahá’ís, que não foram dissuadidos e mostrou disponibilidade para o reconstruir, se tivesse oportunidade.

No plano religioso, várias fatwas foram publicadas por estudiosos xiitas em Najaf e Qom apresentam uma perspectiva diferente sobre a religião Bahá’í, incluindo um nível de tolerância para com esta. A principal destas fatwas relacionadas com Bahá’ís foi publicada Ayatollah Hossein Ali Montazeri em 2009. Nesta pede-se respeito pelos seus direitos como cidadãos, apesar das diferenças religiosas entre eles e os muçulmanos.

Um estudo intitulado "Um Olhar Histórico sobre as Minorias Religiosas do Iraque: História e Crenças", foi publicado por Jawad al-Khoei, professor do seminário xiita de Najaf. Este estudo inclui uma visão científica e neutra em relação a todas as religiões do Iraque - incluindo os Bahá’ís - reflectindo uma maior abertura ao nível das elites religiosas. Além disso, o jornalista iraniano Mohammad Nourizad, que se opõe à autoridade absoluta de Velayat-e faqih (regime de juristas islâmicos), visitou a casa de uma família Bahá’í para lhes apresentar um pedido de desculpas oficial pela perseguição política e social e violência que sofreram ao longo dos anos nas mãos da maioria muçulmana. Este gesto foi recebido de forma positiva, e algumas páginas de iraquianos no Facebook apelaram a que um acto semelhante se realizasse pelo lado iraquiano.

Os Bahá’ís do Iraque esperam ser reconhecidos oficialmente, ter segurança e protecção judicial, permissão para afirmar a sua identidade, praticar os seus rituais religiosos e recuperar as suas propriedades, especialmente as de valor simbólico e religioso.

Ali Mamouri é um investigador e escritor, especializado em religião. Foi professor em universidades iranianas e seminários no Irão e no Iraque. Publicou vários artigos relacionados com assuntos religiosos nos dois países e as transformações sociais e sectarismo no Médio Oriente. 

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FONTE: Iraq's Baha'is Continue to Face Persecution, Social Exclusion (Al-Monitor)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Destruição da Casa de Bahá'u'lláh, em Bagdade

Aspecto da Casa de Bahá'u'lláh, em Bagdade
Hoje a Comunidade Bahá’í ficou chocada ao ter conhecimento da destruição da Casa de Bahá'u'lláh, em Bagdade. A notícia foi divulgada pela Casa Universal de Justiça numa mensagem em que não adiantou pormenores sobre o acontecimento, mas referiu o estado de espírito da maioria dos Bahá’ís: Aos povos do mundo foi roubado um santuário de incalculável santidade.

O edifício em causa (cuja foto publiquei recentemente neste blog) era conhecido como “A Mais Grandiosa Casa” (Bayt-i-A'zam) e “A Casa de Deus”. Foi residência de Bahá'u'lláh entre 1853 e 1863 (com excepção de dois anos em que Ele esteve retirado perto da cidade de Sulaymaniyah). A Casa situava-se no distrito Kadhimiya, na margem ocidental do rio Tigre.

No Kitab-i-Aqdas, Bahá'u'lláh designara esta Casa em Bagdade e a Casa do Báb, em Shiraz (Irão), como locais de peregrinação. Durante o exílio em Edirne, Bahá'u'lláh revelou duas epístolas (Suriy-i-Hajj) onde descreve os rituais a seguir em cada uma destas peregrinações. Décadas mais tarde, 'Abdu'l-Bahá também designaria o Santuário de Bahá'u'lláh, na Terra Santa, como local de peregrinação.

Em 1922, a Casa de Bagdade foi confiscada por autoridades xiitas, hostis à Fé Bahá’í. A Liga das Nações apoiou uma reclamação apresentada pela Comunidade Bahá’í, mas o edifício nunca mais foi devolvido. Há alguns anos atrás, ficámos a saber que o edifício se encontrava em boas condições (tinha sofrido diversas obras de restauro) e era usada como hospedaria para peregrinos xiitas.

A destruição da Mais Grandiosa Casa recorda-me umas palavras de Bahá'u'lláh:
"Não lamentes, ó Casa de Deus, se o véu da tua santidade for rasgado pelos infiéis. Deus adornou-te no mundo da criação, com a jóia da Sua lembrança. Esse ornamento jamais poder ser profanado por homem algum. Para ti dirigem-se, sob todas as condições, os olhos do teu Senhor. Ele, em verdade, dará ouvidos à oração de todo aquele que te visitar, que circular ao teu redor e O invocar em teu nome. Ele verdadeiramente, é o Perdoador, o Todo Misericordioso” (Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh - LVII)
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Sobre este assunto:
The House of Bahá’u’lláh, Baghdád ‘Iráq
Bahá'í pilgrimage


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Louis Sako

Excerto de uma entrevista de Louis Sako - arcebispo cristão caldeu de Kirkuk - ao jornal Público.

(...)

O Iraque é identificado com o Paraíso da Bíblia. Hoje, tornou-se o inferno para os cristãos...

Sim. Desde 2003 até agora, 905 cristãos foram mortos e 54 igrejas foram atacadas. Não é só pelos cristãos, porque se falamos de quase mil cristãos mortos, há talvez 200 mil muçulmanos que foram mortos. E se metade dos cristãos deixaram o país, há também milhões de muçulmanos que saíram.

Foi todo o país que foi destruído. Só agora o Governo começou a formar a polícia, o exército, mas é muito frágil.

Vemos esses episódios de violência, perseguição, fuga, êxodo por todo o Médio Oriente, e também no Paquistão e na Índia... Onde está o problema?

É a religião, o facto de se fazer uma leitura muito estreita, muito literal da religião. Infelizmente não há exegése no islão: toma-se o Corão à letra. Os fundamentalistas são incapazes de se integrar na sociedde contemporânea, encontram justificações no Corão para atacar os outos porque têm a nostalgia do califado e do império muçulmano. Todos os que não estão com eles, sejam de outras religiões, sejam muçulmanos moderados e liberais, são atacados. Mas tudo parte de uma leitura fechada do Corão.

Qual é a solução?

É a separação da religião e do Estado, da política. São duas coisas separadas. Se no tempo de Maomé se aceitava uma nação liderada pelo profeta, que era também chefe de Estado, hoje isso é impossível.

É um pecado que a Igreja já pôs de lado?

Sim, os cristãos também fizeram disparates, também fizeram horrores ao longo da história. Mas isso é história. Hoje fizemos reformas, fizemos novas leituras do cristianismo, que não é política. A religião é qualquer coisa de pessoal. Os muçulmanos devem aprender dos cristãos como viver a religião, e separar o profano do sagrado, o religioso da política. A religião, em princípio, baseia-se na verdade e a política é diplomacia, os interesses, por vezes a mentira...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Herança e Reconhecimento

Um testemunho de um descendente de Bahá'ís iraquianos

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O texto que se segue é uma tradução do artigo publicado no Washington Post/Newsweek, intitulado Faith as heritage, faith as recognition e de autoria de Remz Pokorny. O auror é um académico da Brandeis University que se dedica à área da Ciência Política e Estudos do Médio Oriente. O texto foi descoberto via Muslim Network for Baha’i Rights.
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Vamos começar pelo início: a minha mãe é uma refugiada iraquiana, em fuga do país onde nasceu devido a perseguição religiosa. O meu pai vem de uma família de classe média alta no Kansas, e quando criança foi viver para o estado de Washington.

Os meus pais conheceram-se num fireside - uma reunião informal onde um assunto espiritual é apresentado e debatido - em Concord, New Hampshire; o meu pai trabalhava na redacção do Bonton Globe e a minha mãe tinha acabado de chegar ao país. Se não se tivessem envolvido na Comunidade Bahá’í, não teriam namorado ou decidido casar-se, trazendo-me a mim e ao meu irmão ao mundo.

No início que a minha identidade era ambígua, quase indefinível. Mas desde o berço que a minha mãe me familiarizou com a sua língua, o árabe. Contou-me a história da sua perseguição como Baha’i no Iraque, que é uma narrativa infeliz de muitos baha’is no mundo islâmico. O pai e a mãe dela estiveram presos durante seis anos na década de 1970.

"Ahli chanow bel sijin min ani chinit jahala," recordava-me sempre a minha mãe. "Os meus pais estiveram presos quando eu era criança".

Quando as pessoas ouviam a minha mãe dizer que os seus pais estiveram na prisão, a questão era sempre a mesma: "Meu Deus, porquê?"

Imagino que o seu primeiro pensamento podia ser que os meus avós eram marginais ou criminosos. Mas a resposta da minha mãe chocava-os.

"Estiveram presos porque eram Baha’is", dizia. "Porque eram Baha’is".

Desde muito cedo que a minha mãe me transmitiu um sentido de orgulho Bahá'í. Ela adorava falar sobre a sua família e a sua contribuição para a narrativa Bahá'í. Uma das suas tias recebeu o título de "Cavaleiro de Bahá'u'lláh" pelo seu papel na fundação da Comunidade Baha’i de Chipre. Falava dos anos 1960 como um tempo heróico para os Bahá'ís do Iraque. O seu pai, apesar de estar a ficar cego, defendia destemidamente a Fé contra os agentes do governo iraquiano que tinham por hábito aparecer no Centro Nacional Baha’i em Bagdade e maltratar quem quer que encontrassem.

O meu avô era membro do conselho nacional dos Baha’is do Iraque, e por isso era uma das primeiras pessoas com quem eles queriam falar. Eles apontavam para as pilhas de escrituras baha’is nos arquivos nacionais e diziam: "Vamos levar estes livros".

A resposta do meu avô era: "Espere só um minuto e leia-os primeiro; depois diga-me se há algum mal em ter estes livros".

Os agentes acabaram por confiscar toda a biblioteca de livros baha’is, mas mesmo assim ficaram impressionados com a audácia do meu avô em defender a sua fé.

A abordagem da minha mãe ao educar-me como Baha’i era essencialmente emocional. As histórias que me contava e as orações que me ensinava foram uma parte importante do meu crescimento, desenvolvendo a emoção e uma profunda ligação com a narrativa da minha fé, que ainda é perseguida no Irão, a terra onde surgiu.

A abordagem do meu pai era diferente. A sua relação comigo sempre foi carinhosa, mas muito diferente da minha mãe. Ao contrário dela, ele não tinha sido educado como Baha’i. Apenas se tornou Bahá'í após anos de pesquisa espiritual durante a sua juventude. Encontrou a Fé no início da escola secundária, mas tinha dúvidas e questões que o fizeram ignorar a religião durante algum tempo.

Após anos de trabalho jornalístico a cobrir eventos políticos teve uma daquele momentos “Aha!” em que compreendeu que lhe tinha escapado algo importante na vida.

"Porque é que te tornaste Baha’i?" perguntava-lhe.

A sua resposta geralmente era algo do género: "Era a única coisa que fazia sentido para mim".

Sentido. Sempre pensei que isso era uma forma interessante de olhar a religião.

O meu pai deu uma nova luz ao significado de «pesquisar a verdade» ou «seguir um caminho espiritual em busca da paz». Ensinou-me a nunca tomar as coisas como garantidas ou a ficar demasiado confortável com a minha identidade Bahá'í herdada.

Na verdade, ele salientava e a minha mãe confirmava, que as crianças Bahá'ís são encorajadas nas nossas sagradas escrituras a "investigar a verdade de forma independente", e não apenas a declararem-se baha’is por tradição da história familiar. Por fim, acabei por aceitar a minha identidade religiosa devido aos meus esforços para explorar as suas verdades e à relevância para as minhas necessidades pessoais e necessidades do nosso tempo. Não foi apenas porque aquela era a forma com que eu tinha sido educado.

Não obstante, estas duas visões únicas, mas não mutuamente exclusivas sobre a fé - emocional e racional - moldaram-me enquanto jovem crente. Tenho as minhas raízes, mas questiono-me. Sou desprendido, mas sou determinado. Não considero as duas perspectivas como opostas, mas como complementares. O mesmo se passa com a minha exposição às culturas Oriental e Ocidental.

Tal como o casamento dos meus pais, sinto que estou a contribuir para a constante evolução da narrativa da Fé Bahá'í, que tem visto milhões de pessoas de origens tão diversificadas, e por vezes, irreconciliáveis, unirem-se para trabalhar pela unidade da humanidade.

"Tão poderosa é a luz da unidade", escreve Bahá'u'lláh "que pode iluminar a terra inteira".

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

E agora, a humilhação!

O sofrimento do cidadão comum iraquiano é algo que me deixa profundamente incomodado. Após anos de opressão sob uma ditadura cruel, sofrem agora as consequências de uma invasão e várias guerras civis. As estatísticas sobre a violência, os mortos, os feridos, os refugiados surgem regularmente; são números. Mas quando os números são pessoas, e os relatos são dados em primeira-mão, percebemos a dimensão da tragédia.



Recentemente, (via Esra'a, do Mideastyouth) encontrei este post (The Jail) no blog The Last of Iraqis. Descreve a forma desumana e cruel como muitos iraquianos são tratados no aeroporto de Aman, na Jordânia. Naquele país vizinho do Iraque, o último obstáculo que os iraquianos que tentam fugir ao caos têm de enfrentar é a humilhação.

Não há um Aristides Sousa Mendes que ajude os iraquianos?

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Um imenso sofrimento

"Uma vez fui chamado ao local de uma explosão. Ali vi um rapaz de quatro anos sentado ao lado do corpo da sua mãe, que tinha sido decapitada pela explosão. Ele estava a falar para ela, e perguntava-lhe o que tinha acontecido."
Estas palavras são das mais brutais e chocantes descrições do que se vive hoje no Iraque. Trata-se de um relato de um funcionário de uma organização humanitária que trabalha no Iraque, e foi publicado num relatório do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Mantendo-se fiel à sua neutralidade em situações de conflito, o documento do CICV não aponta culpados pelo caos iraquiano. Mas simultaneamente, declara que ninguém, - incluindo o Governo Iraquiano e as forças da coligação - tem feito o suficiente para resolver a situação.

O relatório em questão reafirma que os civis iraquianos vivem um imenso sofrimento e a sua situação se agrava de dia para dia. E os problemas mais graves são enfatizados: o sistema de saúde enfrentam tremendas faltas de pessoal e equipamentos; os sistemas de distribuição de água, esgotos electricidade encontram-se num estado crítico; a falta de alimentos e casos de subnutrição tem vindo a aumentar em várias regiões.

Os bahá’ís no Irão e no Egipto, enfrentam a discriminação; e as crianças bahá’ís no Irão até suportam humilhações nas escolas. Mas os homens, mulheres e crianças do Iraque suportam o inaceitável e o insuportável.

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A ler sobre este assunto:
Civilians without protection: The ever-worsening humanitarian crisis in Iraq (relatório do CICV)
Life in Iraq (BBC)
Red Cross: Iraq situation 'ever-worsening' (CNN)
Iraqis face 'immense' suffering (BBC)