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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Confissões Religiosas radicadas já podem celebrar casamentos com efeitos civis

(Notícia divulgada pela agência Lusa ao início da tarde de hoje)

O Governo aprovou hoje a abertura da celebração de casamentos religiosos, com efeitos civis, a comunidades religiosas radicadas em Portugal há mais de 30 anos, terminando assim com o regime de exclusividade da Igreja Católica.

A medida faz parte do decreto aprovado em Conselho de Ministros que revê o Código do Registo Civil, os códigos Civil e do Notariado e o Regulamento Emolumentar dos Registos e do Notariado.

«A partir de agora, o casamento celebrado sob forma religiosa perante o ministro do culto de uma igreja ou comunidade religiosa radicada no país passa a produzir efeitos civis à semelhança do regime de casamento católico, sem prejuízo das especificidades resultantes da Concordata celebrada entre o Estado Português e a Santa Sé», declarou o ministro da Justiça, Alberto Costa.

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COMENTÁRIO: Esta medida já tinha sido anunciada em Março, no encerramento do colóquio "A Religião fora dos Templos", organizada pela Comissão da Liberdade Religiosa. É uma medida necessária num Estado laico, e apenas peca por ser tardia. Parabéns ao Ministro que teve coragem de a publicar.

Mário Soares vai presidir à Comissão de Liberdade Religiosa



(Notícia divulgada ao início da tarde de hoje, pela agência Lusa)

O Conselho de Ministros designou hoje o ex-Presidente da República Mário Soares para presidir à Comissão de Liberdade Religiosa, em substituição do social-democrata Meneres Pimentel.

O ministro da Justiça, Alberto Costa, saudou o trabalho desempenhado pelo presidente cessante, Meneres Pimentel, que esteve como presidente da Comissão de Liberdade Religiosa desde 2004.

"Mário Soares trata-se de uma personalidade cujo contributo para a democracia e para a liberdade religiosa, assim como para o diálogo inter-religioso, é conhecida de todos os portugueses", declarou o ministro da Justiça, em conferência de imprensa.

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COMENTÁRIO: Na minha opinião é uma boa escolha. O perfil assumido de “Republicano, Laico e Socialista” de Mário Soares é uma garantia de equidade e imparcialidade em questões religiosas. O respeito que tem manifestado pelas confissões religiosas no nosso país reforçam essa garantia.

Se o nomeado para este cargo fosse membro de uma qualquer confissão religiosa (ou apenas crente em Deus), imediatamente haveria dúvidas sobre a sua imparcialidade em matéria de religião.

Mas a Comissão não é apenas o Presidente. Quem são os restantes membros?

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Propaganda anti-Bahá'í, no Irão



Esta é uma foto é reveladora da natureza do regime iraniano e do tipo de coisas que os baha’is do Irão têm de enfrentar constantemente: uma máquina de propaganda em grande escala, bem financiada e organizada, cujo objectivo é distorcer os ensinamentos da religião baha’i e envenenar as mentes da população contra esta minoria religiosa.

À porta de uma Mesquita, num stand de livros, uma faixa verde coom palavras em persa proclama: "Que a paz esteja sobre o Mahdi, aquele que rejuvenesceu o Islão puro". E anuncia-se a oferta de livros para reconhecer a "Maldosa Seita Baha’i". É um exemplo da campanha anti-baha’i que grassa pelo Irão.

Hoje é significativo o número de iranianos que percebem que isto é uma campanha sem qualquer fundamento; muitos têm amigos ou familiares que são bahá'ís e percebem que esta é apenas uma campanha de desinformação destinada a desviar a atenção da população dos graves problemas económicos e sociais com que o Irão se depara. Entretanto, as minorias religiosas do Irão - e em especial os Bahá'ís - continuam indefesos perante as discriminações e perseguições.

Fonte: Iranian.com

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Roménia - Polémica sobre a nova Lei da Religião

O presidente romeno Traian Basescu aprovou recentemente a nova e controversa Lei da Religião, não obstante os apelos de activistas de direitos humanos e de comunidades religiosas para que esta fosse revista. Segundo o Forum 18 estão a ser preparados apelos para o Tribunal Constitucional e para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Segundo o pastor adventista Adrian Bocaneanu há grande preocupação relativamente a conceitos como a proibição de "difamação religiosa" e "ofensa pública de símbolos religiosos". Para ele, a forma como a lei vier a ser implementada será crucial para a situação da liberdade religiosa na Roménia: "Se a lei for interpretada como um instrumento para silenciar outras religiões e isto se tornar um padrão, então isso será perigoso".

Wargha Enayati, membro da Comunidade Baha’i da Roménia também foi muito crítico sobre a nova lei: "A lei é totalmente injusta. Esperávamos que os nossos problemas – como a ausência de reconhecimento oficial enquanto religião – se resolvesse, mas infelizmente este não é o caso". Os Baha’is acreditam que a nova lei foi profundamente influenciada pela Igreja Ortodoxa, dominante naquele país.

Sede do Parlamento Romeno

Uma das cláusulas da nova lei exige que uma comunidade religiosa para ser oficialmente reconhecida deve aguardar doze anos e ter 0,1% de aderentes entre a população romena (o que significa mais de 22.000 a nível nacional). Enayati da Comunidade Baha'i afirmou que este requisito não foi exigido às religiões já reconhecidas oficialmente, apesar de algumas delas não cumprirem esse requisito. "Temos mais de 7000 aderentes e uma história de mais de 80 anos na Roménia; de facto, em 1926 a Rainha Maria tornou-se baha'i. Somos uma religião independente com os nossos próprios livros sagrados; somos a religião mais espalhada no mundo logo a seguir aos Cristianismo. Não somos uma corrente dentro de outra fé; isto deve ser realçado."

Os baha'is queixam-se de já ser impossível responder a convites de professores para falar sobre a sua religião nas escolas. "Todos os anos, os professores pedem várias vezes para irmos às escolas, mas os directores das escolas bloqueiam sempre esses convites, até mesmo para uma conversa informal de meia hora sobre a nossa fé". Segundo Enayati, as minorias religiosas também têm problemas quando procuram um local para sepultar os seus mortos, de acordo com as suas tradições, pois a maioria dos cemitérios na Roménia é controlada pela Igreja Ortodoxa, que frequentemente recusa a realização de funerais de pessoas de outras religiões e insiste que esses funerais devem ser realizados pela Igreja Ortodoxa e de acordo com o rito ortodoxo.

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Notícia original: ROMANIA: Controversial Law promulgated; legal challenges planned

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Um teste à Liberdade Religiosa no Egipto

Aqui fica a tradução de um artigo divulgado hoje pela agência AFP e assinado por Jailan Zayan.

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Ragi Labib, um jovem licenciado egípcio, não consegue arranjar um emprego, comprar um carro ou abrir uma conta bancária. No próximo ano nem sequer conseguirá provar a sua identidade. Porquê? Porque é baha'i.

Quando o governo anunciou há quatro anos que apenas o Islão, o Cristianismo e o Judaísmo seriam reconhecidos como religiões em documentos oficiais, o documento de identificação onde ele escrevera o nome da sua fé tornou-se inválido.

"Não me importo que omitam o nome da minha religião nos bilhetes de identidade, ou que me permitam escrever a palavra «outra» no campo da religião. Mas não quero mentir sobre a minha religião em documentos oficiais", afirmou o jovem de 25 anos.

Agora ele teme que, apesar de ter nascido no Egipto e ser filho de pais egípcios, os seus próprios filhos não sejam reconhecidos como cidadãos egípcios.

A pequena comunidade baha'i do Egipto – menos de 2000 pessoas, segundo fontes oficiais – aguarda ansiosamente o veredicto do tribunal, no próximo dia 16 de Dezembro, sobre o direito dos baha’is em obterem documentos oficiais onde se enuncie a sua religião.

No Egipto, os cidadãos devem trazer sempre consigo os documentos de identidade; estes são essenciais para acesso a emprego, educação, serviços médicos e financeiros.

O caso dos baha'is obteve a atenção local e deu origem a mais de 400 artigos na imprensa, após uma decisão judicial em Abril que permitia aos baha’is declararem a sua religião em documentos oficiais. Após essa decisão houve um recurso do Ministério do Interior.

Antes de Abril, a maioria dos Egípcios nunca tinha ouvido falar dos Baha'is, que frequentemente eram registados pelos funcionários administrativos como muçulmanos ou cristãos.

"Tive que estudar numa escola cristã, porque Labib é um apelido tradicionalmente cristão no Egipto", disse Ragi.

O caso expôs o paradoxo da Constituição Egípcia que garante que todos os cidadãos são iguais perante a lei, mas que também afirma que as leis são derivadas da Sharia – a lei islâmica – que apenas reconhece três religiões.

Hossam Bahgat, o director do Egyptian Initiative for Personal Rights, afirma que o caso transcende a pequena comunidade Baha'i no Egipto, e acrescenta que terá um impacto maior na liberdade religiosa. "Este caso definirá os limites do envolvimento do Estado nos assuntos pessoais", afirmou.

"Não temos a certeza do que nos acontecerá se o tribunal tomar uma decisão contra nós", afirmou Anwar Shawki, de 29 anos, que tal como Ragi pertence à quinta geração de Baha’is. "Mas não vamos deixar o Egipto; é o nosso país", disse o empresário que há três que não consegue criar uma empresa de mobiliário devido à falta de documentos bilhete de identidade válido. Teve de registar a empresa em nome de um amigo.

"Até tive que comprar o telemóvel dele, porque ele não tinha os documentos necessários", disse Alaa Al Battah, de 33 anos, que está registado como muçulmano.

Os Baha'is estão no Egipto desde que a sua religião existe – 163 anos.

A fé, que foi fundada no século XIX na Pérsia, promove a ideia de revelação religiosa progressiva, resultando na aceitação da maioria das religiões mundiais.

O Sheikh Ali Gomaa, o grande Mufti do Egipto, nomeado pelo Governo como intérprete da lei islâmica, recusou reconhecer a fé, e disse que todos os baha’is deviam ser registados como muçulmanos nos próximos bilhetes de identidade que substituirão os antigos no próximo ano.

"Apenas existem três religiões no Egipto, e não há espaço para mais ninguém. Os Baha’is, tal como os Muçulmanos, acreditam em todas as três religiões e por isso devem ser registados como Muçulmanos e não como Baha’is". Afirmou a um canal de televisão por satélite.

No tempo do falecido presidente Gamal Abdel Nasser, os Baha’is eram suspeitos de colaborar com Israel, porque a sua mais alta instituição governativa está sediada em Haifa. Em 1960, as assembleias e instituições Baha’is foram dissolvidas.

"Israel foi criado em 1948, e a nossa fé já cá está há muito mais tempo", disse o pai de Ragi, Labib Hanna, professor de engenharia na Universidade do Cairo.

O antigo grande Imam de Al Azhar, a principal instituição de conhecimento do Islão sunita descreveu a fé Baha’i como "uma praga intelectual" que trabalha "em benefício do Sionismo".

Entre 1910 e 2005, foram publicadas cinco fatwas (éditos religiosos – declarando os Baha'is como apóstatas. Em 1946, um mulher foi obrigada a divorciar-se do marido por que ele se tinha convertido à fé Baha’i.

Entre os 12 princípios da fé, onde se incluem a unidade da humanidade, a eliminação de todas as forma de preconceito, a igualdade de géneros e a independente investigação da verdade, está a obediência ao governo que é muito enfatizada no Egipto.

Os Baha’is egípcios não se filiam em partidos políticos, não participam em manifestações, nem realizam eleições para as suas Assembleias Espirituais.

"Não queremos causar problemas; apenas queremos exercer os nossos direitos enquanto cidadãos egípcios", afirmou Hanna.

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Texto original: Test for Egypt religious freedom in Bahai verdict

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Asma Jahangir

Excerto de uma entrevista de Asma Jahangir (a relatora da ONU para a Liberdade Religiosa) à Radio Free Europe.

(...)

RFE/RL: Em Março você expressou preocupação sobre relatórios que diziam que o governo iraniano havia tomado medidas para identificar membros da comunidade Baha’i e vigiar as suas actividades. Tem alguma informação nova sobre a situação?

Jahangir: A situação é grave e estou extremamente preocupada pois recebemos alegações de que existia uma carta e uma cópia de uma carta onde era solicitado que os membros da comunidade Baha'i fossem identificados pela mais alta autoridade no país. Tenho acompanhado a situação e acredito que não houve nenhum recuo neste aspecto; ainda persiste e naturalmente existe medo entre a comunidade porque tem de haver uma razão para os identificarem. Tem havido uma campanha de difamação contra eles nos media e jornais fortemente controlados pelo governo e por esse motivo parece que estão a preparar algum tipo de acção contra eles

(...)

Entrevista completa aqui: UN: Rapporteur For Religious Freedom Sees Slow Progress

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Uma resolução a votar pela Assembleia Geral da ONU



A Assembleia Geral da ONU irá votar em Dezembro uma resolução aprovada ontem pelo Terceiro Comité, onde se expressa profunda preocupação pela situação dos direitos humanos no Irão, incluindo a escalada de perseguições contra os Bahá’ís. A resolução do Terceiro Comité - responsável por questões de direitos humanos - foi aprovada no dia 21 de Novembro, por 70 votos contra 48.

Apresentada pelo Canadá e patrocinada por 43 países, a resolução apela ao Irão para “eliminar na lei e na prática, todas as formas de discriminação baseadas na religião, etnia ou língua, e outras violações de direitos humanos contra pessoas pertencentes a minorias, incluindo Árabes, Bahá’ís, Baluchis, Curdos, Cristãos, Judeus, Sufis e Muçulmanos Sunitas.

A resolução refere o agravamento da situação da comunidade Baha’i do Irão, notando a existência de “relatórios de planos do Estado para identificar e monitorizar os Baha’is”, “um aumento dos casos de detenções arbitrárias” e “a negação de liberdade de religião ou de realização de actividades comunitárias”.

A resolução também expressa preocupação pela “destruição de lugares de importância religiosa” para os Baha’is e “a suspensão de actividades comunitárias, sociais e educativas, a negação de acesso ao ensino superior, emprego, pensões, alojamento condigno e outros benefícios" aos Bahá’ís.

Notícia completa: UN expresses "serious concern" over human rights in Iran, including the situation of Baha'is (BWNS)

sábado, 18 de novembro de 2006

Uma resolução do Parlamento Europeu



Na passada quinta feira, o Parlamento Europeu adoptou um resolução em que apela "às autoridades iranianas que eliminem todas as formas de discriminação baseadas em fundamentos religiosos" e exige o levantamento da proibição de facto da Fé Bahá’í.

A declaração afirma que o exercício de direitos civis e liberdades políticas se deteriorou consideravelmente desde as eleições presidenciais de Junho de 2005, apesar de vários compromissos das autoridades iranianas no sentido de promover valores universais. Este documento refere ainda que apesar dos direitos das minorias estarem protegidos pela Constituição, na prática isso não acontece. É mencionada explicitamente a situação de minorias étnicas como os Azeris, Curdos árabes e Baluchis, e minorias religiosas como os Bahá’ís e os Sufis.

Outros parágrafos do documento referem também:
  • Preocupação pela aplicação da pena de morte e execuções por apedrejamento de jovens;
  • O facto das mulheres iranianas continuarem privadas de direitos elementares;
  • As purgas realizadas nas universidades contra professores e alunos liberais e seculares;
  • As prisões arbitrárias de jornalistas e bloggers;
  • A existência de bloqueios e filtros de sites na internet contendo publicações de caracter político, social e cultural;
  • A necessidade de acelerar a investigação das mortes suspeitas de intelectuais e activistas políticos.
A declaração na íntegra pode ser lida aqui: European Parliament resolution on Iran

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

A caminho das novas Leis de Nuremberga

Foi hoje divulgado mais um documento oficial do Governo Iraniano onde se pede a vários agentes governamentais que supervisionem e acompanhem cuidadosamente todas as actividades sociais dos Bahá’ís. Este documento - uma carta data de 19 de Agosto - é o mais recente de uma série de documentos oficiais onde se pode perceber um esforço a nível nacional para identificar e monitorizar os Bahá'ís do Irão.

Nessa carta [ver tradução em baixo], o Ministério do Interior ordena aos seus agentes que iniciassem actividades de vigilância dos Bahá’ís, em particular das actividades comunitárias. Nesse sentido, o Ministério solicitou às suas delegações provinciais que preenchessem um questionário detalhado sobre as características e actividades dos Bahá'ís locais, incluindo a sua "situação financeira", "interacções sociais" e "relações com assembleias estrangeiras".

"O aparecimento desta nova carta enfatiza a gravidade da situação que os Bahá’ís do Irão enfrentam", afirmou Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas. "Esta carta confirma que o Governo Iraniano tomou os Bahá'ís como alvo de vigilância. Também revela pela primeira vez o tipo de informação que o Governo tenta recolher, quer sobre indivíduos, quer sobre a Comunidade Bahá'í como um todo; esta informação na maioria das sociedades seria considerada privada e altamente sensível".

"Esta carta também contém elementos de desinformação. Por exemplo, a carta pede informações sobre as «actividades socio-políticas» dos Bahá’ís, apesar de ser bem conhecido das autoridades que as actividades Bahá'ís são inteiramente não-políticas, pois as Escrituras Sagradas Bahá’ís salientam a importância do não envolvimento em política assim como a não violência".

Alguns observadores compararam o esforço do governo em identificar e monitorizar os Bahá’ís com a situação dos Judeus no início da era Nazi. Em Abril, a Liga Anti-Difamação afirmou que as ordens transmitidas numa outra carta datada de 29 de Outubro do ano passado eram "uma reminiscência das acções tomadas contra os judeus na Europa e um passo perigoso em direcção ao estabelecimento de «leis tipo Nuremberga»".

Nos últimos dois anos 129 Bahá’ís foram detidos, libertados a troco de elevadíssimas cauções, e aguardam agora julgamento.

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Tradução da carta do Ministério do Interior Iraniano


28 Murdad 1385 [19 Agosto 2006]
República islâmica do Irão
Numero: 70878/43
Ministério do Interior

Em nome de Deus

Aos honrosos delegados dos gabinetes de segurança política dos Governadores Gerais do país

Saudações,

Respeitosamente, recebemos relatórios de que alguns elementos da perversa seita do Bahaismo estão a tentar ensinar e espalhar a ideologia do Bahaismo a coberto de actividades sociais e económicas. Tendo em conta que esta seita é ilegal e que é explorada por organizações internacionais e sionistas contra o governo da Repúblicas islâmica do Irão, solicitamo-vos que dêem ordens aos serviços relevantes no sentido de monitorizar cautelosa e cuidadosamente as suas actividades sociais. Além disso devem preencher o formulário em anexo e enviá-lo para este gabinete até 15 Shahrivar [6 de Setembro de 2006].

Siyyid Muḥammad-Riḍa Mavválízádih
Director do Gabinete Político
(assinatura)

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Notícia Original: Iran steps up secret monitoring of Bahá’ís (BWNS)
Versão Original completa da carta do Ministério do Interior do Irão

domingo, 1 de outubro de 2006

International Religious Freedom Report 2006

O Departamento de Estado Norte-Americano publicou há algumas semanas atrás o Relatório Anual sobre Liberdade Religiosa (International Religious Freedom Report 2006). Este documento é muitas vezes visto como uma espécie de anexo ao relatório sobre Direitos Humanos, e apresenta informação detalhada relativa à liberdade religiosa em todos os países do mundo. Como muitas outras comunidades religiosas, os baha’is também aguardam sempre com alguma expectativa a publicação deste relatório. Na edição deste ano, existem muitas referências aos baha’is; na maioria dos casos menciona-se apenas que são uma das minorias religiosas; noutros casos, referem-se algumas das suas actividades; em alguns casos referem-se problemas, atropelos ou perseguições.


Os excertos que se seguem são apenas alguns dos que contêm referências significativas à Comunidade Baha'i. Não são, obviamente o essencial, ou a parte mais importante do relatório. Muito do que é dito nestes Relatório sobre a situação dos Baha'is no Irão e no Egipto tem sido referida neste blog. A tradução destes excertos não foi revista.

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BOTSWANA
(...) O relacionamento geralmente amigável entre os grupos religiosos na sociedade tem contribuído para a liberdade religiosa. Existe um conselho inter-religioso que inclui representantes de organizações Cristãs, Muçulmanas, Hindus e Baha’is. (...)

DJIBUTI
(...) Ao contrário de anos anteriores, os Baha’is não reportaram qualquer incidente de discriminação, mas não confirmaram se a organização tenha entregue algum pedido de reconhecimento oficial durante o período coberto por este relatório. Em anos anteriores, esses pedidos foram recusados. (...)

ERITREIA
Demografia religiosa: (…) Também presentes em pequenos números estavam praticantes Budistas, Hindus e Baha’is (menos de 1%). A população das terras baixas ocidentais e orientais era predominantemente muçulmana e nas terras altas era cristã. Existiam poucos ateus. A participação religiosa era elevada em todos os grupos étnicos. (...)

Situação da Liberdade Religiosa: (…) O Governo delineou e aprovou uma Constituição em 1997 que garante a liberdade de prática de qualquer religião; no entanto, o Governo não implementou as suas medidas no final do período a que se refere este relatório. O Governo restringiu este direito no caso de numerosas pequenas igrejas protestantes, Baha’is e Testemunhas de Jeová. (...)
Restrições à Liberdade Religiosa: (...) As autoridade em geral não colocaram obstáculos aos quatros grupos que apresentaram pedidos de reconhecimento oficial em 2002 – a Igreja Presbiteriana Ortodoxa, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Fé e Missão e a Fé Baha’i – para realizarem reuniões de orações ou estudo em casa particulares, apesar de, à semelhança de outros grupos não reconhecidos, as suas casa de adoração permanecerem fechadas e não lhe ser permitido realizar reuniões em locais públicos.

GÂMBIA
(...) O Grupo Inter-Religioso para o Diálogo e para a Paz, que inclui representantes das comunidades Cristã, Muçulmana e Baha’i, reúne-se regularmente para discutir assuntos de interesse mútuo. (...)

GUINÉ-CONAKRI
(...) A pequena comunidade Baha’i pratica a sua é aberta e livremente, apesar de não ser oficialmente reconhecida. Não se sabe se a comunidade solicitou o reconhecimento oficial. (...)

MALAWI
…muitas escolas públicas oferecem um curso intitulado «Conhecer a Bíblia», que tem orientação Cristã, e outros intitulado «Educação Moral e Religiosa», que inclui material Muçulmano, Hindu, Baha’i e Cristão. Ambos os cursos são voluntários. (...)

BRUNEI
(...) O governo apenas permite a prática da escola oficial Shafeite do Islão. Baniu outros grupos religiosos que considera perversos, incluindo movimento radical islâmico Al-Arqam e a Fé Baha’i. (...)

INDONÉSIA
(...) O sistema de registo civil continua a discriminar pessoas que não pertencem às seis religiões reconhecidas; animistas, Baha’is e pessoas que pertencem a outras pequenas minorias religiosas estão impossibilitados de registar casamentos e nascimentos. (...)

ILHAS SALOMÃO
(...) No entanto, os administradores oficiais das escolas primaria e secundária em Auki, a capital provincial de Malaita, solicitaram recentemente formação multi-religiosa à comunidade Baha’i. (...)

PAQUISTÃO
(...) O Governo, impede, de facto, que os Baha’is viagem ao seu centro espiritual em Israel devido ao não reconhecimento desse país (...)

SEYCHELLES
Situação da Liberdade Religiosa: (...) As igrejas Católica Romana, Anglicana, Adventista do Sétimo Dia, mesquitas islâmicas e assembleia espiritual local Baha’i receberam o seu reconhecimento legal. (...)

O Governo tende a não se envolver em assuntos religiosos, mas proporciona tempo de emissão a diferentes organizações religiosas na emissora pública de rádio. Alternadamente, nas manhãs de domingo, a radio nacional emite a missa católica e o serviço anglicano, que duram entre 1 hora e 15 minutos e 1 hora e 30 minutos. O Islão e a fé Hindu têm direito a 15 minutos de emissão nas tarde de sexta-feira; a fé Baha’i e os Adventistas de Sétimo Dia têm direito a quinze minutos de emissão nas tardes de sábado. (...)

TURQUEMENISTÃO
…no início do século XX, Asqabad era um refúgio para os Baha’is que fugiam às perseguições religiosas no Irão, e um templo Baha’i foi construído na cidade nessa altura. (...)

LAOS
Demografia religiosa: (...) A fé Baha'i tem mais de 1200 aderentes e 4 centros: 2 no município de Vientiane, 1 na província de Vientiane e 1 em Savannakhet. Um pequeno número de baha’is também vive na província de Khammouane e na vila de Pakse. O terreno em que os quatro centros baha’is estão localizados foi aprovada pelo governo laociano neste ano para uso pelos baha’is. Adicionalmente, o Governo deu aprovação oficial para que os baha’is usassem um terreno onde já tinham construído um cemitério. Os baha’is planeiam construir novos centros nas vilas de Savannkhet's Dong Bang Village e Lat Khouay no município de Vientiane. Receberam a aprovação local e distrital para uso do terreno mas aguardam a resposta do Gabinete de Terrenos Distritais. (...)

Enquadramento Legal: (...) As assembleias espirituais baha’is nas cidades de Vientiane e Savannakhet praticam livremente, mas as pequenas comunidades nas províncias de Khammouane e Savannakhet enfrentam periodicamente dificuldades das autoridades locais. A assembleia baha’i de Vientiane também teve dificuldades em registar a propriedade do centro baha’i dessa localidade; no entanto, em 2005, as autoridades concederam a aprovação para uso da propriedade pelo baha’is. As assembleias baha’is locais e nacional, realizam regularmente as festas de 19 dias e celebram os dias sagrados. A Assembleia Espiritual Nacional reúne-se regularmente e é livre de enviar uma delegação à Casa Universal de Justiça, no Monte Carmelo, Haifa, Israel. (...)

As Assembleias Espirituais Baha’is realizam aulas para crianças assim como para adultos. (...)

Restrições à Liberdade Religiosa: (...) Apesar do decreto 92 autorizar a impressão de textos religiosos não budistas e permitir que o material religioso seja importado do exterior, também exige que essas actividades recebam a autorização do LFNC (Lao Front for National Construction). O LFNC não autorizou que as denominações cristã e baha’i imprimissem os seus materiais religiosos, apesar destes grupos terem estado a tentar obter essa permissão há vários anos. Alguns crentes trazem material religioso para o país; no entanto, essas pessoas enfrentam eventual detenção. (...)

MALÁSIA
Restrições à Liberdade Religiosa: (...) O governo opõe-se ao que considera interpretações "irregulares" do Islão, afirmando que as perspectivas extremistas dos grupos "irregulares" colocam em perigo a segurança nacional. Segundo o site do Departamento de Desenvolvimento Islâmico, foram identificados 56 ensinamentos "irregulares" e proibidos aos muçulmanos a partir de Junho de 2006. Estes incluem ensinamentos xiitas, meditação transcendental e baha’is, entre outros. O Governo declarou que os ensinamentos “irregulares” podem causar divisões entre os muçulmanos (...) Os membros dos grupos considerados “irregulares” podem ser detidos e presos, de acordo com tribunal da Shari’a, com vista a serem reabilitados e devolvidos ao “verdadeiro caminho do Islão.” (...)

VIETNAME
(...) Existem cerca de 6000 membros da Fé Baha’i, maioritariamente concentrados no sul. Antes de 1975, o seu número estimava-se em 200.000, segundo fontes oficiais baha’is. A prática baha’i foi banida entre 1975 e 1992, e o número de crentes caiu diminuiu drasticamente durante este período. Desde 1992, os baha'is têm-se reunido em encontros não oficiais. Os lideres comunitários afirmam ter boas relações com as autoridades, e parecem poder praticar a sua fé sem hostilização significativa. No final do período a que respeita este relatório, os baha’is preparavam-se para pedir o registo e reconhecimento oficial de acordo com o novo enquadramento legal. (...)

AZERBEIJÃO
(…) Também existem pequenas congregações de Luteranos Evangélicos, Católicos Romanos, Baptistas, Molokans (antigos crente russos ortodoxos), Adventistas do Sétimo Dia e Bahá’ís há mais de cem anos no país.

Restrições à Liberdade Religiosa: (…) A comunidade Baptista reportou que as autoridades não devolveram um edifício com significado histórico confiscado previamente sob o regime soviético e que é usado como cinema central em Baku. A comunidade Baha’i reportou que o Governo não respondeu aos seu pedido de Agosto de 2005 para que as autoridades devolvessem uma casa de Baku com valor histórico para a comunidade. O Governo afirma que não existe uma lei sobre restituição de propriedades confiscadas, tornando impossível a devolução dos edifícios (...)

Abusos de Liberdade Religiosa: (...) Grupos religiosos não tradicionais enfrentam problemas particularmente graves quando operam em regiões remotas do país, incluindo o enclave de Nakhchivan. Por exemplo, em Dezembro de 2004, o líder da pequena comunidade Baha’i em Nakhchivan foi detido brevemente e posteriormente libertado, devido à sua actividade e ensinamentos religiosos. (...)

ESPANHA
(...) Algumas religiões autónomas assinaram acordos com grupos religiosos com vista a encorajar a integração social. Por exemplo, o Governo da Catalunha assinou acordos com o conselho islâmico da Catalunha, e as comunidades religiosas Protestante, Judaica e Baha’i. (...)

GRÉCIA
(...) A fé Baha’i e outras expressaram o seu desejo de funcionarem segundo o contexto de um enquadramento legal, como religiões oficialmente reconhecidas, em vez de “associações” (...) A Igreja Ortodoxa mantém uma lista de práticas e grupos religiosos, incluindo Testemunhas de Jeová, Protestantes Evangélicos, Cientologistas, Mormons, Baha’is e outros, que acredita serem sacrilégios. (...)

ROMÉNIA
(...) A Organização dos Crentes Ortodoxos do Antigo Rito, o Movimento Adventista para a Reforma, a Fé Baha’i e os Mormons estavam entre os grupos religiosos que tentaram sem sucesso o reconhecimento oficial como religiões, após 1990. Os lideres locais da Fé Baha’i afirmaram mais uma vez que, durante o período coberto por este relatório, não tentaram obter o reconhecimento oficial porque fontes governamentais lhes afirmaram que a condição do grupo não pode ser alterada sob a actual legislação. (...) A Fé Baha’i queixou-se que empresas editoras de jornais rejeitaram repetidamente o seu pedido de publicação de artigos pagos, após o contrato ter sido assinado e a Fé Baha’i ter pago os encargos. (...)

TURQUIA
(...) Alguns muçulmanos, cristãos e baha'is enfrentam algumas restrições e hostilidade ocasional por alegado proselitismo e reuniões não autorizadas. (...)

Demografia Religiosa: (…) Existem aproximadamente 10.000 Baha’is; (...)

Restrições à Liberdade Religiosa: (...) A filiação religiosa está registada nos cartões nacionais de identidade. Alguns grupos religiosos, como os baha’is, não podem declarar a sua religião nos cartões porque a sua religião não se encontra entre as opções; fizeram chegar as suas preocupações ao governo. Em Abril de 2006, o Parlamento adoptou uma legislação que permite que as pessoas deixem em branco a identificação religiosa ou escrevam a sua religião. No entanto, parece que o Governo restringiu a “escolha de religião”; membros da comunidade Baha’i afirmaram que fontes governamentais lhes disseram que, apesar da nova lei, eles não poderiam indicar a sua religião nos cartões. (...)

Abusos e Discriminação Social: (...)O relacionamento geralmente tolerante entre as religiões na sociedade contribuiu para a liberdade religiosa; no entanto, alguns muçulmanos, cristão e baha’is enfrentam a suspeita e a desconfiança da sociedade. Judeus e cristãos da maioria das denominação praticam livremente a sua religião e reportaram pouca discriminação na sua vida diária. No entanto, cidadãos que se converteram do Islão para outra religião enfrentam por vezes hostilidade e pressão social por parte de parentes e vizinhos. Proselitismo em nome de uma religião não-muçulmana é socialmente inaceitável e por vezes perigoso. (...)

EGIPTO
A Constituição garante a liberdade de crença e de prática de ritos religiosos, apesar de, na prática, o Governo colocar restrições a estes direitos. O Islão é a religião oficial de Estado e a Shari’a (lei islâmica) é a principal fonte de legislação; as práticas religiosas que contrariam a interpretação governamental da Shari’a estão proibidas. Membros de grupos religiosos não-muçulmanos reconhecidos oficialmente pelo Governo realizam cultos sem hostilização e mantêm ligações com correligionários noutros países; no entanto, membros de grupos religiosos não reconhecidos pelo Governo, particularmente a Fé Baha’i, sentem dificuldades individuais e colectivas

Não houve mudança significativa na situação do respeito pela liberdade religiosa durante o período coberto por este relatório. O Governo opôs-se a avanços no respeito pela liberdade religiosa que afecta os Baha’is; continuam a existir abusos, numerosas restrições e algumas melhorias. Apelou de uma decisão de 4 de Abril de um Tribunal Administrativo que apoiou o direito dos Baha’is receberem documentos de identidade e certidões de nascimento com a religião assinalada nos documentos. (...)

(...) A tradição e alguns aspectos da lei discriminam as minorias religiosas, incluindo Cristãos e particularmente Baha’is. O Governo continuou a negar documentos civis, incluindo cartões de identidade, certidões de nascimento e licenças de casamento, a membros da comunidade Baha’i, que conta entre 500 a 2000 membros. (...)

Restrições à Liberdade Religiosa: A lei 263 de 1960, ainda em vigor, proíbe as instituições e actividades comunitárias baha’is, e um decreto presidencial de1961 retirou o reconhecimento legal aos baha’is. Durante a era Nasser, o governo confiscou propriedades da comunidade baha’i, incluindo centros baha’is, bibliotecas e cemitérios. O Governo declarou que os cartões de identificação nacionais exigiam que todos os cidadãos fossem classificados como muçulmanos, cristãos ou judeus. O Ministério do Interior, em raras ocasiões, emitiu documentos em que a religião do cidadão indicava “outra” ou simplesmente não incluíam menção da religião. Mas não é claro quando é que estas condições se aplicam. Baha’is e outros grupos religiosos que não estão associados com qualquer destas três “religiões celestiais” são obrigados a disfarçar a sua religião ou a ficar sem documentos oficiais.

Quem não tem documentos de identificação válidos tem dificuldades em inscrever os seus filhos na escola, abrir contas bancárias, ou criar empresas. Aos 16 anos de idade, os baha’is enfrentam problemas adicionais segundo a lei 143/1994, que torna obrigatório a todos os cidadãos obter um cartão de identificação nacional com um novo numero nacional de identificação. A polícia, geralmente em autocarros públicos, efectua inspecções aleatórias aos documentos de identificação, e quem é apanhado sem o seu documento de identidade é detido até que o documento seja apresentado à polícia. Alguns baha’is, a quem não é possível obter documentos de identidade, preferem ficar em casa para evitar a polícia e possíveis detenções.

Em Maio de 2004, o governo confiscou os documentos de identidade de dois baha’is que tinham pedido passaportes. Os funcionários afirmaram que agiam segundo instruções do Ministério do Interior para confiscar os documentos de identidade que pertencessem a baha’is. (...)

Abusos de Liberdade Religiosa: (...)O centro de pesquisa islâmica (CPI) de Al-Azhar emitiu uma opinião legar em Dezembro de 2003, condenando os Baha’is como apóstatas. Em Maio de 2006, o Ministro da Justiça pediu orientação ao CPI para preparação do apelo do Governo contra a decisão de 4 de Abril que apoiava os direitos dos Baha’is. O CPI emitiu uma interpretação islâmica legal afirmando que a Fé Baha’i era uma “heresia”. A interpretação de 2006 referia uma opinião de 1985 que acusava os Baha’is de trabalhar em apoio do sionismo e imperialismo e rotulava-os de “apóstatas”. (...)

Melhoramentos e Desenvolvimentos Positivos no Respeito pela Liberdade Religiosa: Em Março de 2006 o NCHR [National Council for Human Rights] publicou o seu segundo relatório, em que recomendava uma solução para o reconhecimento oficial dos baha’is, referia o problema das Testemunhas de Jeová no país, e criticava os textos religiosos das escolas por não abordarem tópicos dos direitos humanos. O relatório também encorajava o Governo a publicar uma nova lei para todos os grupos religiosos sobre a construção de novos locais de adoração. (...)

IRÃO
A Constituição declara que a “religião oficial do Irão é o Islão e que a doutrina seguida é a do Xiismo Ja’fari (Duodécimo). O Governo restringe a liberdade religiosa.

Houve uma maior deterioração no já muito pobre respeito pela liberdade religiosa durante o período a que respeita este relatório, mais particularmente para Baha’is e Muçulmanos Sufis. As minorias religiosas do país incluem muçulmanos sunitas e sufis, baha’is, zoroastrianos, judeus e cristãos. Houve relatos de prisões, hostilização e discriminação baseada nas crenças religiosas.

As acções e a retórica do governo continuaram a criar uma atmosfera ameaçadora para praticamente todas as minorias religiosas, especialmente baha’is e muçulmanos sufis. A uma menos escala, zoroastrianos, cristãos evangélicos e a pequena comunidade judaica também foram alvos da hostilidade do Governo. Os media controlados pelo Governo – emissoras e imprensa – intensificaram campanhas negativas contra as minorias religiosas – em particular os Baha’is – após a eleição de do Presidente Mahmoud Ahmadinejad, em Junho de 2005

(...) Também em Março de 2006, a Relatora Especial das Nações Unidas emitiu uma declaração onde expressava a sua preocupação sobre o tratamento da comunidade Baha’i no país. A Relatora Especial afirmou que o Líder Supremo Khamenei deu instruções às forças de Segurança para identificar e compilar informação sobre os Baha’is.

Enquadramento Legal: (...) Aderentes de grupos religiosos não reconhecidos pela Constituição não usufruem de liberdade de prática das suas crenças. Esta restrição afecta seriamente os aderentes da fé Baha’i, que o governo consideram um grupo islâmico herético com uma orientação política contrária revolução islâmica do país. No entanto, os Baha’is não se consideram muçulmanos, mas antes como uma religião independente com origens na tradição islâmica xiita. Fontes governamentais afirmaram que, enquanto indivíduos, os baha’is têm direito às suas crenças e estão protegidos pelos artigos da constituição enquanto cidadãos; no entanto o Governo continuou a proibir os Baha’is de ensinar e praticar a sua fé. Os Baha’is também enfrentam discriminação nos locais de trabalho e estão impedidos de aceder a empregos na função pública. (...)

Restrições à Liberdade Religiosa: (...) Segundo a lei, o sangue baha’i é considerado "Mobah", significando isto que pode ser derramado impunemente. (...)

A Fé Baha’i teve origem no país durante a década de 1840 como um movimento reformista dentro do Islão xiita. O governo considera os baha’is apóstatas devido à sua pretensão de ter uma revelação religiosa subsequente à do Profeta Maomé, mas os Baha’is não se consideram Muçulmanos. Em vez disso, o Governo considera os Baha’is como uma “seita” política, ligada ao regime de Palhevi, mas os Baha’is enfrentavam discriminação antes da revolução. Um relatório do Ministério da Justiça de 2001 afirmava que aos baha’is devia ser permitido o ingresso nas escolas desde que não se identificassem como baha’is e que preferencialmente os baha’is deviam ser admitidos em escolas com forte ideologia religiosa. Existem alegações que as crianças baha’is em escolas publicas foram sujeitas a tentativas de conversão ao Islão. O relatório do Ministério da Justiça também declarava que os Baha’is deviam ser impedidos de ingressar nas universidades que durante o processo admissão ou ser expulsos destas no decorrer dos seus estudos assim que a sua filiação religiosa se tornasse conhecida.

Os Baha’is não ensinam nem praticam a sua fé; também não mantêm ligações com os seus correligionários no estrangeiro. O facto do Centro Mundial Baha'i (estabelecido pelo fundador da Fé Baha’i durante o Século XIX no que era então a Palestina Otomana) estar situado naquilo que é hoje o Estado de Israel expõe os Baha’is a acusações oficiais de “espionagem a favor do Sionismo”. Estas acusações tornaram-se mais intensas quando os Baha'is foram apanhados a comunicar ou a enviar contribuições financeiras para o Centro Mundial Baha'i.

Os Baha'is estão impedidos de aceder a empregos públicos ou de receber pensões do governo. Além disso, aos baha’is é frequentemente negado o direito de receber indemnizações por actos injuriosos ou criminosos; também foi negado o direito de receber heranças. Os casamentos e os divórcios baha’is não são oficialmente reconhecidos, apesar do governo permitir que um certificado de casamento civil seja usado como documento oficial.

O Governo permite que as minorias religiosas reconhecidas estabeleçam centros comunitários assim como algumas associações culturais, sociais e desportivas auto-financiadas. No entanto, o Governo proíbe que a comunidade Baha'i crie assembleias oficiais e mantenha instituições administrativas, actuando firmemente no encerramento dessas instituições. Uma vez que a fé Baha’i não em clero, a negação do direito a formar essas instituições e cargos eleitos ameaça a sua própria existência.

Amplas restrições sobre os Baha’is tem minado a sua capacidade para funcionar como comunidade. Aos baha’is tem sido repetidamente oferecido o fim dos seus problemas se negarem a sua fé. (...)

(NOTA: O capítulo referente ao Irão menciona ainda vários casos de perseguições aos Baha’is já referidas neste blog: A confiscação e destruição de cemitérios Baha’is, lugares sagrados, locais históricos, centros administrativos e outros bens; também as diferentes estratégias para impedir o acesso de estudantes Baha’is ao ensino superior são mencionadas. Além disso a recente directiva do líder supremo Ayatollah Ali Khamenei ao Ministério da Informação, à Guarda Revolucionária e às forças policiais no sentido de identificar os Baha’is e monitorizar as suas actividades não escapou aos autores deste relatório)

BAHRAIN
Enquadramento Legal: (...) No passado, o Ministério dos Assuntos Islâmicos negou repetidamente à comunidade Baha’i um pedido de legalização. O Ministério dos Assuntos Islâmicos declarou que a fé Baha’i é um ramo do Islão. De acordo com a interpretação oficial do Islão, o Governo considera os ensinamentos Baha’is como blasfemos e consequentemente ilegais; por esse motivo o Ministério recusa-se a reconhecer a religião, mas permite que a comunidade se reuna e pratique actos de culto. Há muitos anos que a comunidade Baha’i deixou de solicitar o reconhecimento oficial. (...)

IRAQUE
(...) Não houve mudança na situação do respeito pela liberdade religiosa durante o período coberto por este relatório. Desde 2003, o Governo não se tem envolvido em perseguições qualquer grupo religioso, apelando, pelo contrário à tolerância e aceitação de todas as minorias religiosas. No entanto, as antigas práticas discriminatórias contra Baha’is e Muçulmanos Sunitas Wahabitas prosseguem em algumas instituições governamentais. (...)

Enquadramento Legal: (...) A resolução nº 201 de 2001 do Conselho do Comando Revolucionário proíbe o ramo Wahabita do Islão e decreta a pena de morte para os seus aderentes se a acusação for provada. A lei nº 105 de 1970 proíbe a fé Baha’i. Ambas ainda estão em vigor. (...)

A lei provisória e a Constituição garantem liberdade religiosa. No entanto, no final do período referente a este relatório, a Secção de Nacionalidade e Passaportes do Ministério do Interior continuavam a seguir o regulamento 358 de 1975 que proíbe a emissão de documentos de identificação a quem afirmar ser Baha’i. Sem documentos oficiais de cidadania, os Baha’is sentem dificuldades em inscrever crianças nas escolas e a solicitar passaportes. (...)

JORDÂNIA
(...) Nas escolas públicas a educação religiosa é obrigatória para todos os estudantes muçulmanos. Estudantes cristãos e baha’is não são obrigados a frequentar os cursos sobre o islão.

(...) O governo não reconhece as fés drusa ou baha’i como religiões, mas não proíbe a sua prática. Os drusos enfrentam discriminação oficial, mas não se queixam de discriminação social. Os baha’is enfrentam discriminação governamental e social. Nos documentos de identificação nacional onde normalmente se identifica a religião do portador, o Governo regista os Druzos como Muçulmanos e não indica religião para os Baha’is. A comunidade Baha’i não tem os seus próprios tribunais que se encarreguem de casos pessoais e familiares; esses assuntos são entregues a tribunais Shari’a. (...) O governo não permite que os baha’is registem escolas ou locais de adoração. As candidaturas de emprego à administração pública contêm, por vezes, questões sobre a religião do candidato. (…)

LÍBANO
(...) Aos cidadãos que pertençam a uma fé reconhecida pelo governo, é-lhes permitido realizar os seus rituais religiosos livremente; no entanto, alguns direitos poderão não estar garantidos se estiverem fora do sistema “confessional” de atribuição de poder político. Por exemplo, um baha'i não pode candidatar-se ao Parlamento, porque não existe um lugar reservado para a sua confissão, nem pode obter um cargo no governo pois estes são atribuídos segundo uma base confessional. No entanto, alguns grupos religiosos não reconhecidos estão registadas sob outras religiões reconhecidas oficialmente. Por exemplo, a maioria dos baha’is estão registados sob a seita xiita, e assim os baha’is podem candidatar-se aos lugares atribuídos à seita xiita. (...)

Restrições à Liberdade Religiosa: (...) Grupos não reconhecidos oficialmente como os baha’is, budistas, hindus e algumas denominações evangélicas podem possuir propriedades e reunir-se para os cultos sem interferências governamentais; no entanto, estão em desvantagem sob a lei, porque legalmente não podem casar, divorciar ou receber heranças. (...)

MARROCOS
(...) Porque muitos Muçulmanos vêem a Fé Baha’i como um ramo herético do Islão e consequentemente os Baha’is como apóstatas, a maioria dos membros da comunidade Baha’i evita mostrar a sua filiação religiosa; as preocupações dos baha’is pela sua segurança e propriedades pessoais não os impede de funcionarem na sociedade, e alguns têm empregos na Administração Pública. (...)

TUNÍSIA
(...) O Governo considera a Fé Baha’i como uma seita herética do Islão e apenas permite que os seus aderentes praticam a sua fé em privado. O Governo permite que os Baha’is realizem reuniões do seu conselho nacional em casas privadas, e três Assembleias Espirituais Locais, corpos de administração local, foram eleitos desde 2004. A presença dos Baha’is no país data desde há mais de um século e seu número estima-se em 200.

* * * * * * * * *

Este relatório refere ainda a presença dos Baha’is no seguintes países:

ÁFRICA

Benin
Camarões
Cabo Verde
Chade
Costa do Marfim
Guiné Equatorial
Ghana
Libéria
Moçambique
Namíbia
Niger
Ruanda
Serra Leoa
Swazilândia ["A Fé Baha'i é um dos grupos não-cristãos mais activos no país"]
Tanzânia
Uganda
Zimbabwe

EXTREMO ORIENTE E PACÍFICO

Camboja
Taiwan
Kiribati
Ilhas Marshal
Micronesia
Mongólia
Palau
Papua Nova Guiné
Samoa
Tonga [quase 5% da população]
Tuvalu [3% da população]
Vanuatu

EUROPA E EURASIA

Albânia
Arménia
Áustria
Bielorrússia
Chipre
Dinamarca
Georgia
Itália
Liechtenstein
Luxemburgo
Malta
Moldávia
Rússia
San Marino
República Eslovaca
Reino Unido

MÉDIO ORIENTE E NORTE DE ÁFRICA

Israel
Koweit
Líbia
Qatar
Emirados Árabes Unidos

ÁSIA CENTRAL

Bangladesh
Índia
Kazaquistão
Kirguizizstão
Nepal
Tadjiquistão
Uzebequistão

HEMISFÉRIO OCIDENTAL

Antigua e Barbuda
Bahamas
Barbados
Belize
Bolívia
Canadá
Chile
Costa Rica
Cuba
Dominica
Equador
Granada
Guiana
Jamaica
Nicarágua
Panamá
Paraguai
Peru
St. Kitts e Nevis
St. Lucia
S. Vicente e Granadinas
Suriname
Uruguai

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Ainda o artigo no Expresso

Há alguns dias atrás publiquei aqui um post a propósito de um artigo publicado no jornal Expresso. O artigo tinha por título Inconformados com a Revolução e a autora, Margarida Mota, apresentava um retrato social do Irão actual. O post que aqui publiquei foi parte de uma carta que então dirigi ao Expresso.

Hoje, a Dina chamou-me a atenção para o facto da carta ter sido publicada. Além da carta, foi publicada também a seguinte nota da jornalista Margarida Mota:
Durante a estadia no Irão, o Expresso pode, em boa verdade, constatar a discriminação a que são sujeitos os crentes Bahá’í. Curiosamente, através de uma família com nacionalidade portuguesa, por força do casamento de uma iraniana Bahá’í com um cidadão português. Apesar de não falar uma palavra de português, a filha mais velha encarava a possibilidade de vir estudar para Portugal, por lhe ser vedado o acesso às universidades iranianas.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Ahmadinejad e a justiça

O que se segue é um pequeno excerto de uma conferência de imprensa com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que teve lugar hoje (21 de Setembro) nos Estados Unidos e foi transcrita na totalidade no Washington Post. Tanto a pergunta como a resposta foram feitas através de um tradutor.

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(...)

PERGUNTA: Nas suas intervenções mencionou que os lideres e presidentes do mundo se devem voltar para a justiça e aplicá-la

Você é presidente do Irão e tem a oportunidade de aplicar a justiça. Os relatórios vindos do Irão parecem indicar que os movimentos estudantis estão a ser reprimidos, que a justiça não está a ser aplicada, no que toca aos seguidores da fé Bahá’í e também às mulheres, que se opõem à lei islâmica que os discrimina.

Assim essa justiça que você fala no campo da política não existe. Porque é que você é contra a justiça?

AHMADINEJAD: Na reunião que tivemos com a Associação da Imprensa Estrangeira na noite passada, pareceu-me que esta era a principal questão na mente de muitas pessoas.

Quero dar-vos alguns números.

Existem cerca de 219 milhões de pessoas nos Estados Unidos e no Irão vivem cerca de 68 milhões de pessoas.

Mas existem 3 milhões de presos nos EUA. Existem cerca de 130.000 – existem exactamente 130.000 mil de presos no Irão, 90% dos quais são traficantes de drogas ilícitas que foram presos após conflito armado directo com as nossas forças de segurança, que estavam a tentar impedir o tráfico de drogas do Irão para a Europa e Estados Unidos

Agora devemos tentar saber - penso que vocês o devem fazer – quais as origens dos presos nos Estados Unidos.

Ontem coloquei esta questão e ninguém me soube responder

Vejamos: uma elevada percentagem do povo americano está na prisão, enquanto que apenas 0,2% da população iraniana está na prisão. Coloquemos então estes números em proporção.

(...)

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COMENTÁRIO:
Com a habilidade tradicional de um político, o presidente iraniano fugiu à pergunta e falou do que lhe convinha. A verdade é que a comparação da dimensão população prisional entre os EUA e o Irão não é algo comparável – ou relacionável – com a falta de direitos cívicos de alguns sectores da população destes dois países.

Por ventura as mulheres iranianas usufruem dos mesmos direitos e liberdades que as mulheres americanas? Os movimentos estudantis americanos usufruem das mesmas liberdades e direitos que os seus congéneres iranianos? E os bahá’ís? Quantos foram presos arbitrariamente nos últimos anos nos Estados Unidos por motivos religiosos? Quantos jovens bahá’ís americanos foram impedidos de entrar nas universidades americanas por motivos religiosos?

É este o tipo de comparações que deve ser feito. Para estas perguntas o presidente iraniano dificilmente terá uma resposta, pois a falta de direitos cívicos de uma qualquer segmento da população é sempre injustificável.

Ainda sobre a situação das mulheres no Irão recomendo este artigo da BBC: Women graduates challenge Iran

segunda-feira, 3 de julho de 2006

A Acusação da ONU:

Bahá'ís iranianos vítimas de expropriações

Um relatório das Nações Unidas divulgado na semana passada durante uma conferência de imprensa afirma que os bahá'ís do Irão são vitimas de "uso abusivo de expropriação de propriedades". Segundo Miloon Kothari, o Relator Especial das Nações Unidas para a Habitação, "as propriedades identificadas incluem residências e terrenos agrícolas, mas também lugares sagrados, nomeadamente santuários e cemitérios".

Miloon KothariO Sr. Kothari afirmou que estava "preocupado com as evidências claras de conduta discriminatória em relação às propriedades bahá'ís, incluindo residências". "Os proprietários lesados alegadamente não receberam, ou não tiveram a oportunidade de receber, informação antecipada sobre os processos de expropriação".

Muitas das expropriações foram feitas por Tribunais Revolucionários Islâmicos; alguns dos veredictos examinados pelo relator da ONU continham justificações do tipo "a expropriação de propriedade da «seita maligna dos baha'is» foi legalmente e religiosamente justificavel". Nas áreas rurais as expropriações foram acompanhadas por ameaças e violência física antes e durante as expulsões forçadas.

Na conferência de imprensa, o Sr. Kothari afirmou que continuava a receber relatórios sobre baha'is cujas terras tinham sido confiscadas. E acrescentou: "Nos últimos dois anos, tem havido um aumento no número de bahá'ís proeminentes que foram detidos sem qualquer acusação e foram libertados apenas após o pagamento de uma caução muito elevada. E a única forma que têm para pagar a caução é dar as suas propriedades como garantia. Isto parece outro método de expropriação."

Este relatório anual, que foi escrito no âmbito de um mandato de seis anos para análise das políticas de habitação em todo o mundo, centra-se este ano nas discriminações de habitação, e aborda extensivamente as visitas do Sr. Kothari ao Irão e ao Cambodja.

Este relatório esteve para ser publicado em Março, durante a sessão da Comissão dos Direitos Humanos, mas com as alterações neste organismo, a divulgação do relatório acabou por ser divulgado apenas na semana passada.

Na opinião de Diane Alai, representante da Comunidade Internacional Baha'i junto das Nações Unidas, "o que o Sr. Kothari conseguiu documentar foi o actual problema dos baha'is iranianos. Confiscação de propriedades, juntamente com o impedimento de acesso ao ensino superior, discriminação no local de trabalho, e a proibição de actividades religiosas por parte de baha'is, reflecte todo a campanha do governo iraniano para estrangular lentamente a Comunidade Bahá'í no Irão, enquanto tenta evitar a condenação internacional"

Notícia Original(BWNS): Iran confiscates Baha'is' properties, says UN
Notícia na Voice of America:
UN Investigator Calls for Halt to Forcible Evictions in Cambodia, Iran
Relatório da ONU
aqui.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Continua a intimidação

No Irão prossegue a estratégia de intimidação contra baha'is: prendem durante alguns dias, não formulam acusação, exigem uma caução e não marcam o julgamento. Intimidação e o saque, promovidos pelas autoridades.

Segundo notícias recentemente divulgadas pela Comunidade Internacional Baha'i, nas últimas semanas têm ocorrido várias detenções de bahá'ís no Irão. Os factos ocorreram quase em simultâneo nas cidades de Shiraz e Hamadan; não foi formulada qualquer acusação e os baha’is foram libertados alguns dias depois.

Em Hamadan foram detidos três baha’is no passado dia 18 de Junho. Após três dias de detenção, foram libertados. Estas detenções deram-se após funcionários governamentais terem procedido a rusgas em suas casas, em que foram confiscados computadores, livros e documentos baha’is.

Também recentemente foram libertados os últimos de três baha’is (de um grupo de 54 jovens) detidos em 18 de Maio, em Shiraz. Apesar de inicialmente o juiz ter exigido o pagamento de uma caução no valor de 43.000 €, os três acabaram por ser libertados sem ter de pagar qualquer caução, mas com o compromisso de comparecerem no tribunal para o julgamento. No entanto, na maioria dos casos foi exigido alguma forma de caução – hipoteca de propriedades ou depósito de valores – antes da libertação.

Actualmente, dois baha'is detidos em Teerão e Sanandaj, ainda permanecem presos.

Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional Baha'i junto das Nações Unidas comentou esta situação: "Estamos preocupados pelo facto deste modelo de detenção e libertação estar a ser cada vez mais usual como outra forma de hostilização dos Bahaiis. Apoderar-se dos bens de pessoas que não foram acusadas que qualquer crime e cuja data de julgamento é desconhecida faz parte de uma estratégia mais vasta de intimidação para negar direitos e oportunidades à Comunidade Bahá'í."

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Los diputados españoles condenan la persecución de la comunidad religiosa baha'í en Irán

MADRID, 21 (EUROPA PRESS) - Todos los grupos parlamentarios de la Comisión de Asuntos Exteriores del Congreso de los Diputados aprobaron hoy por unanimidad una proposición no de ley en la que condenan la persecución de la comunidad baha'í en Irán y solicitan al Gobierno socialista que exprese al régimen de los ayatolás su preocupación por este hecho.

En el texto consensuado esta mañana por los grupos de la Cámara Baja se insta al Ejecutivo de José Luis Rodríguez Zapatero a manifestar el derecho a la libertad religiosa de los baha'ís de Irán y a expresar su preocupación por las detenciones y arrestos arbitrarios sufridos por los miembros de esta comunidad en territorio iraní.

El portavoz de IU-ICV, Gaspar Llamazares indicó que su formación había firmado esta iniciativa "oportuna" en defensa de la libertad religiosa y de la comunidad baha'í en Irán. "Es oportuna por la vocación de que se defiendan los Derechos Fundamentales", señaló al respecto.

Mientras, Josu Erkoreka (PNV) recordó que los baha'ís forman una comunidad de fe con "amplia implantación" en 235 países que cuenta por cinco millones de fieles "de características heterogéneas".

Pese a nacer en Irán, esta comunidad sufre una persecución "encarnizada y sistemática orientada a su desaparición", opinó el diputado peneuvista, quien advirtió de que sin libertad ideológica y de conciencia es "inconcebible" el pluralismo.

"Las resoluciones de las Naciones Unidas, en algunas ocasiones, han logrado aminorar esta persecución y el sistemático atropello de los derechos de los baha'ís a través de los más encarnizados procedimientos, por el sólo hecho de tener estas creencias que no llevan a defender postulados violentos, ni contra el sistema establecido, al contrario, son postulados que defienden la paz", dejó claro.

Por su parte, Jordi Xuclá (CiU) hizo hincapié en la importancia de que el Congreso de los Diputados exprese el respeto a la libertad religiosa al ser un derecho fundamental universal. "Hay una persecución muy importante en Irán hacia esta minoría religiosa, de 350.000 baha'ís, que son perseguidos y que no pueden recibir una educación religiosa de acuerdo a sus creencias. La comunidad internacional y diversas organizaciones no gubernamentales alertan de que hay un repunte de esta persecución", manifestó.

(...)

Noticia completa (Yahoo - España)

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O MEU COMENTÁRIO: será que alguma vez veremos este tema ser abordado por deputadoS portugueses?

quinta-feira, 25 de maio de 2006

54 Bahá'ís presos no Irão

Confirmando rumores que circularam nos últimos dias, a Comunidade Internacional Baha'i confirmou hoje a detenção de 54 jovens bahá'ís na cidade iraniana de Shiraz. Trata-se de uma das maiores detenções colectivas desde os anos 1980. As detenções coincidem com rusgas em seis residências de famílias bahá'ís, durante as quais foram confiscados computadores, vários livros e diversos documentos.

As detenções ocorreram na passada sexta-feira (19 de Maio) quando os Bahá'ís, juntamente com outros voluntários que não eram Bahá'ís, trabalhando ao abrigo de um programa da UNICEF leccionavam aulas a crianças desfavorecidas numa escola. No momento da detenção os jovens tinham consigo as autorizações necessárias para a sua actividade emitidas pelo Conselho Islâmico de Shiraz.


Três das jovens bahá'ís detidas na passada sexta-feira


A natureza das acusações contra os Bahá'ís ainda é desconhecida. No dia seguinte às detenções, um juiz disse aos familiares que todos os detidos seriam libertados em breve. À data de hoje, aparentemente, todos os jovens não-baha’ís e apenas um jovem bahá’í foram libertados sem pagamento de qualquer fiança.

"Estas novas detenções em Shiraz, surgem após um ano de detenções aleatórias, elevando o número total de Bahá'ís detidos sem acusação para mais de 125, desde o início de 2005" afirmou Bani Dugal, representante da comunidade Internacional Bahá’í nas Nações Unidas. E acrescentou: "No seu todo, este padrão de detenções e prisões arbitrárias resume-se à mais pura forma de perseguição religiosa e reflecte um esforço calculado do governo iraniano em manter a Comunidade Bahá’í num estado de medo e terror".

As detenções surgem num momento em que aumentam as preocupações de observadores internacionais de direitos humanos, relativamente à campanha que o governo iraniano tem mantido nos últimos 25 anos contra a Comunidade Bahá'í daquele país (300.000 pessoas), a maior minoria religiosa do Irão.

Em Março, a Relatora Especial da Comissão de Direitos Humanos das ONU, revelou a existência de uma carta secreta do alto comando militar iraniano, ordenando à Polícia e às unidades da Guarda Revolucionária que "identificassem" e "seguissem" os membros da Comunidade Bahá'í, afirmando que a existência dessa carta a deixara "profundamente preocupada".

Além disso desde o final de 2005, mas de 30 artigo depreciativos e difamatórios sobre os bahá'ís e a sua religião foram publicados no "Kayhan", o jornal diário oficial de Teerão. Também vários programas de Rádio e Televisão têm vindo a condenar os bahá’ís e as suas crenças.

Desde o início do ano, outros sete baha’is foram presos e detidos durante um mês em Kermanshah, Isfahan e Teerão. Entre os detidos em Janeiro estava a Sra. Roya Habibi de Kermanshah que alegadamente foi interrogada durante mais de oito horas seguidas sobre as suas actividades como coordenadora de um programa de instrução da Fé Baha'i. No tribunal, os documentos que descreviam a acusação referiam que ela "é acusada de ensinar a seita do Bahaismo e agir de forma insultuosa contra o Islão".

"Apesar de frequentemente ser difícil obter detalhes das acusações contra os Bahá'ís, não há dúvida que a maioria deles – tal como o da Sra Habibi – são motivados apenas por preconceito e intolerância religiosa", afirmou a Sra. Dugal.

Nos últimos 14 meses, 72 Bahá'ís foram presos no Irão; o período de detenção variou entre vários dias e alguns meses. Alguns desses detidos estiveram incomunicáveis e em locais desconhecidos, enquanto os seus familiares os procuraram desesperadamente.

Nos anos 1980, mais de 200 Bahá'ís foram mortos ou executados. Milhares foram presos e centenas estiveram detidos durante longos períodos de tempo. Nos anos mais recentes, em reacção às pressões internacionais, as execuções e as detenções prolongadas cessaram.

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LINKS:
54 Baha'is arrested in Iran (notícia original no BWNS)
Bahá'ís do Irão: o pior está para vir?
The Growing Threat to Iran's Bahá'ís (site oficial Bahá'í)

Iran: Revived Persecution of Baha'is 54 Arrested in Shiraz (Juan Cole)



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ACTUALIZAÇÃO:

Ao contrário do que escrevi aqui, fiquei hoje (31-Maio-2006) a saber que este grupo de jovens não trabalhava para um projecto directamente associado à UNICEF, mas sim num projecto elaborado à semelhança de outros projectos da UNICEF. Pelo lapso, aqui ficam as minhas desculpas.

domingo, 21 de maio de 2006

Dualidade de Critérios?

A simples ideia de ver um Estado a obrigar alguns dos seus cidadãos a usar em público distintivos que os identificam como membros de uma minoria religiosas causa horror e repulsa. As memórias do Holocausto sugerem imediatamente que se trata de um primeiro passo para um perseguição generalizada e sistematizada.

Recentemente, a revolta e a indignação surgiu em vários media canadianos e americanos (e blogs portugueses!) quando se soube que cristãos, judeus e zoroastrianos do Irão teriam de usar um qualquer distintivo colorido nas suas roupas que os identificava como membros de uma minoria religiosa. (mesmo quando a notícia já tinha sido desmentida!)

Estranhamente, apenas se viu silêncio e a indiferença quando as Nações Unidas revelaram a ordem do Ayatollah Khamenei para o Ministro da Informação, para a Guarda Revolucionária e para a Polícia identificarem todos os membros da comunidade baha'i iraniana. Também referi o assunto aqui.

quinta-feira, 30 de março de 2006

Casa Branca

Pode parecer estranho (ou mesmo maçador) a alguns leitores que nos últimos tempos tenha referido tantas vezes a situação dos bahá’ís no Irão. Sei que corro o risco de passar a imagem que este blog é uma espécie de debate Baha'is-Irão. Claro que eu preferia não ter de abordar estes assuntos; mas não consigo ficar calado. E é sobre este assunto que houve mais um pequeno desenvolvimento. Na passada terça-feira, 28 de Março, o agravamento da situação dos bahá'ís no Irão foi referido pelo secretário de imprensa da Casa Branca, Scott McClellan. Aqui fica a tradução do excerto dessa conferência de imprensa.
(...)
PERGUNTA: Scott, a Relatora Especial das Nações Unidas para a Liberdade de Religião e Crença afirmou que estava altamente preocupada com o facto do governo do Irão estar a aumentar as suas perseguições aos 300.000 membros da fé Bahá’í naquele país. Qual é a mensagem do Presidente ao governo do Irão sobre este assunto?

SR. McCLELLAN: Bem, tal como você disse, ela expressou a sua preocupação pela situação relativa a minorias religiosas no Irão – os Baha’i – que está, de facto a agravar-se. Partilhamos estas preocupações. Apelamos ao regime iraniano para respeitar a liberdade religiosa de todas as suas minorias, e a garantir que essas minorias religiosas são livres de praticar a sua crença religiosa sem discriminações ou medo. E continuaremos a acompanhar de muito perto a situação do Bahá'ís, e a falar sempre que os seus direitos sejam negados.

PERGUNTA: Que pressões instaria, por exemplo, outros países a colocar sobre o Irão?

SR. McCLELLAN: Bem, penso que falaremos com embaixadores de outros países na região e vamos levantar o assunto com eles e com os seus governos. Continuaremos a falar e a levantar o assunto do tratamento dos Baha’is nas Nações Unidas e noutros organismos, e pediremos a todos os que têm algum tipo de influência em Teerão que continuem a defender os direitos dos Bahá’í e de outras minorias religiosas.
(...)
A segunda pergunta também me leva a questionar o que é que o governo português tem feito sobre este assunto. Haverá uma tomada de posição pública? Ou ficará tudo no segredo dos corredores do Palácio das Necessidades?

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LINKS:
Texto completo Conferência Imprensa na Casa Branca (em inglês)
Bahá'ís face yet more persecution in Iran (Ruth Gledhill)
Bahá'ís do Irão: o pior está para vir?

terça-feira, 21 de março de 2006

Bahá'ís do Irão: o pior está para vir?

É triste publicar um post destes num dia festivo, mas tem mesmo de ser.

Ontem, um documento apresentado pela Relatora Especial das Nações Unidas para a Liberdade Religiosa, Asma Jahangir, fez soar o alarme entre os representantes da Comunidade Internacional Baha'i junto da ONU. Ao descrever as acções do governo iraniano contra os Baha'is daquele país, a Relatora afirmou estar profundamente preocupada e expressou a sua preocupação num comunicado à imprensa relativo a "uma carta confidencial enviada em 29 de Outubro de 2005 pelo presidente do Quartel-General das Forças Armadas Iranianas a várias organismos governamentais".

"A carta", declarou a Sra Jahangir, "que é dirigida ao Ministério da Informação, aos Guardas da Revolução e às forças policiais, afirma que o Líder supremo, o Ayatollah Khamenei, deu instruções ao Quartel-General para identificar as pessoas que aderem à Fé Bahá’í e monitorizar as suas actividades. A carta prossegue solicitando aos destinatários para que recolham toda e qualquer informação sobre membros da Fé Bahá’i." A Sra. Jahangir também afirmou que "considera que uma tal monitorização constitui uma intolerável e inaceitável interferência com os direitos dos membros das minorias religiosas."

Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional Baha’i junto da ONU, reagiu: "Estamos gratos à Sra. Jahangir por ter dado a conhecer esta actividade. Partilhamos a sua preocupação pelo bem-estar dos baha’is e receamos pensar no que isto pode significar. Tratando-se de uma acção governamental sem precedentes, dirigimos ao Embaixador Iraniano um pedido de explicações." E acrescentou: "A preocupação da Relatora Especial no sentido de que essa informação possa ser «usada como base para um aumento das perseguições e discriminações contra membros da Fé Bahá'í» está claramente bem fundamentada".

"Sabemos bem a que é que a propaganda de ódio pode levar; a história recente apresenta muitos exemplos dessas horríveis consequências. E em nome dos baha’is iranianos, apelamos a todas as nações e povos para que não permitam que esta comunidade pacífica enfrente as consequências de um ódio cego", disse a Sra Dugal. "Não devemos permitir que os actos horríveis que surgiram de circunstâncias similares no passado, se repitam novamente. Nunca mais".

ATAQUES NOS MEDIA IRANIANOS

Nos últimos meses, vários jornais e programas de rádio têm prosseguido uma intensa campanha anti-Baha'i. Entre Setembro e Novembro de 2005, o influente jornal governamental Kayhan publicou mais de trinta artigos difamando a Fé Bahá'í com a clara intenção de suscitar entre os leitores o preconceito, a suspeita e o ódio contra comunidade baha’i do Irão. Esses artigos fazem uma deliberada distorção histórica, apresentam documentos históricos forjados, e descrevem os baha’is como tendo princípios morais ofensivos para os muçulmanos.

Em 1955 e 1979, o governo iraniano organizou violentos ataques contra os Bahá’ís daquele país. Estes ataques sempre foram precedidos de campanhas nos jornais e na rádio que fizeram crescer a animosidade e preconceito, aparentemente com o objectivo de preparar o público com o que estava para vir.

A SOCIEDADE HOJJATIEH

A crescente influência nos meios governamentais da Hojjatieh (link Wikipedia) - uma organização assumidamente empenhada na destruição da Fé Bahá'í -, apenas aumenta os receios sobre o futuro dos baha’is. Esta organização, fundada em 1953, por um clérigo muçulmano xiita, desempenhou durante a revolução iraniana de 1979, um importante papel ao acicatar a animosidade contra os baha’is. No entanto, devido a algumas diferenças teológicas - entre outras coisas, a Hojjatieh acredita que um estado verdadeiramente islâmico não pode ser estabelecido antes do regresso do 12º Imam - a Sociedade caiu em desgraça e foi proibida pelo regime em 1984.

Alguns observadores externos têm associado o ressurgimento da Sociedade com o regresso dos extremistas aos meios governamentais, incluindo o Presidente que afirmou frequentemente que esperava para breve o regresso do 12º Imam.

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LINKS:

UN Religious Freedom Official expresses fears for Baha'is in Iran (notícia original no BWNS)
UN warns against moves to monitor Iran Bahais (IranMania.com)
Summary and Analysis of Recent Media Attack against Baha'is in Iran (bahai.org)
The press in Iran (BBC)