Excerto de um artigo de Margarida Santos Lopes, publicado hoje no jornal Público (caderno P2), intitulado "Rafsanjani: Este ayatollah é o cérebro da "revolução verde"
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O exemplo do vizir
Qom e Khomeini permaneceram influências determinantes na vida de Rafsanjani - mas não as únicas. Em 1967, ainda na prisão, publicou uma biografia de Amir Kabir (1807-1852), o grande vizir reformista do século XIX, que ele admira por ter usado o Ocidente para modernizar a Pérsia. Estranha escolha, para um mullah.
Representante nas negociações para pôr fim a 100 anos de guerra entre os persas e o Império Otomano, Amir Kabir ajudou o Xá Nasrudin (da dinastia Qajar) a subir ao trono e este, agradecido, ofereceu-lhe uma irmã em casamento e o cargo de primeiro-ministro. Nestas funções, reduziu a influência estrangeira nos assuntos iranianos, criou um sofisticado serviço de espionagem, fundou a Darolfonoon, a primeira universidade de estilo europeu, em 1848, apoiou a criação do primeiro jornal persa, Vaghaye al Etefaghiyeh, e tentou abrir no Irão todas as indústrias que então existiam pelo mundo. Por exemplo, fábricas de aço, de armas, de açúcar, de vidro, de chá, de cerâmica, além de estaleiros navais.
Era também o vizir quem definia o salário do Xá. No entanto, quando ousou cortar nas finanças da família imperial, para reduzir as despesas públicas e no âmbito de uma campanha contra a corrupção, Amir Kabir enfrentou a fúria de toda a nobreza. Demitido e forçado a um exílio interno, em Kashan, foi executado por uma ordem que Nasrudin não se lembra de ter assinado porque estava embriagado.
Este foi o destino que teve Siyyid 'Alí-Muhammad ou Bab, o fundador da religião Babí (actual Baha'i), que Amir Kabir mandou matar em 1850. Mas este não é certamente o destino que Rafsanjani quer para si, por muito que admire o vizir reformista.
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NOTA: Neste post, fiz referência a Amir Kabir. Apesar de ser descrito por muitos autores Baha'is como um terrível inimigo, 'Abdu'l-Bahá elogiou o seu empenho no desenvolvimento do Irão.
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domingo, 28 de junho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
NYTimes: Para os Bahá'ís, a repressão é uma notícia antiga
Aqui fica a tradução de parte de um artigo publicado no New York Times. O texto é de autoria de Samuel G. Freedman e foi publicado no passado dia 26 de Junho. Os sublinhados amarelos são da minha responsabilidade.
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Por vezes, durante as últimas duas semanas, enquanto estava de serviço no hospital, a Dra. Saughar Samali foi apanhando excertos dos telejornais no quarto de um paciente ou ouvia um boletim noticioso na rádio do gabinete. Contra a sua vontade, contra as suas perspectivas, foi arrastada de novo pelo turbilhão iraniano.
Quando está de serviço, a Dra Samali pode suprimir o que vê e ouve dos manifestantes, das prisões, dos espancamentos. Mas quando sai do St. Joseph's Hospital em Paterson e regressa a Clifton, o presente evoca um passado terrível.
Lembra-se da fábrica do seu pai em Teerão ter sido incendiada deixando-o severamente marcado e cego de um olho. Lembra-se da sua família ter tentado fugir para o Paquistão, viajando num jipe de um contrabandista, com os faróis apagados, durante a noite, pelo deserto. Lembra-se das balas furarem o pára-brisas e os pneus, e lembra-se dos meses que se seguiram na prisão.
Em 1985, ela tinha 5 anos. E nos anos seguintes, mesmo após uma posterior fuga bem sucedida para os Estados Unidos, a Dra. Samali não se esqueceu do que significa ser Baha’i na República islâmica do Irão.
"Tento desligar as minhas emoções", diz a Dra. Samali, de 28 anos, a propósito da actual turbulência no Irão. "Os Baha’is do Irão passam por isto todos os dias. É triste ver isto, mas pode ser uma forma da verdade vir ao de cima".
Os Baha'is há muito que funcionam com canários providenciais na mina de carvão que é a teocracia do Irão. A sua perseguição, documentada durante 30 anos por numerosos relatórios de direitos humanos, contradiz todas as previsões ingénuas de que a linha-dura na superfície do Irão oculta uma profunda nascente de moderação e tolerância.
(...)
Durante a recente turbulência, que é essencialmente uma luta entre xiitas sobre a duvidosa reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, os Baha'is serviram mais uma vez como bodes expiatórios. Os apoiantes do presidente Ahmadinejad recuperaram os clichés dos Baha’is serem espiões americanos e sionistas secretos, e acrescentaram um novo, afirmando que BBC (British Broadcasting Corporation) significa "Baha’i Broadcasting Corporation".
Os ataque retóricos coincidiram com a decisão do governo de levar a julgamento, no dia 11 de Julho, os sete dirigentes baha’is perante um intitulado Tribunal Revolucionário. Os dirigentes, detidos no início de 2008, enfrentam acusações de "espionagem para Israel, insulto a santidades religiosas, e propaganda contra a República Islâmica", segundo relata a imprensa oficial iraniana. A espionagem é punível com a pena de morte.
Assim, para os 165.000 Baha’is dos Estados Unidos - pelo menos 10.000 são refugiados provenientes do Irão – a questionável eleição e a repressão dos manifestantes surgem como uma confirmação sinistra do carácter do governo.
"Tenho uma sensação de turbilhão no meu coração", afirmou disse Farhad Sabetan, um porta-vos da Comunidade Internacional Bahá’í, a organização que representa os interesses Baha’is nas Nações Unidas. "Os Baha’is passaram por este tipo de repressão ao longo dos últimos 30 anos, e a forma como foram tratados é agora a forma como o povo iraniano está a ser tratado".
(...)
Mesmo após 30 anos de repressão oficial dos Baha’is, o Sr. Hossein um mantra que os mullahs não ouvem: que o Bahaismo é uma religião de paz, que os Baha’is não são políticos, que os baha'is apoiam o governo onde quer que vivam. Tudo o que os Baha’is no Irão querem, afirma, são os mesmos direitos humanos que outros cidadãos.
Enquanto vê as notícias, enquanto tenta telefonar ao familiares no Irão, enquanto tenta acompanhar os acontecimentos de forma tão obsessiva, quanto a Dra Samali tenta afastar-se deles, o Sr. Hossein chegou à mesma conclusão que ela: talvez os baha’is tenham finalmente alcançado uma espécie de igualdade.
Atacados pela milícia Basij e pela Guarda Revolucionária, atingidos por canhões de água e armas, os muçulmanos iranianos, pelo menos os que apelam publicamente para eleições justas e direitos humanos, estão a ser tratados como Baha’is.
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Artigo completo (em inglês): For Bahais, a Crackdown Is Old News
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Por vezes, durante as últimas duas semanas, enquanto estava de serviço no hospital, a Dra. Saughar Samali foi apanhando excertos dos telejornais no quarto de um paciente ou ouvia um boletim noticioso na rádio do gabinete. Contra a sua vontade, contra as suas perspectivas, foi arrastada de novo pelo turbilhão iraniano.
Quando está de serviço, a Dra Samali pode suprimir o que vê e ouve dos manifestantes, das prisões, dos espancamentos. Mas quando sai do St. Joseph's Hospital em Paterson e regressa a Clifton, o presente evoca um passado terrível.Lembra-se da fábrica do seu pai em Teerão ter sido incendiada deixando-o severamente marcado e cego de um olho. Lembra-se da sua família ter tentado fugir para o Paquistão, viajando num jipe de um contrabandista, com os faróis apagados, durante a noite, pelo deserto. Lembra-se das balas furarem o pára-brisas e os pneus, e lembra-se dos meses que se seguiram na prisão.
Em 1985, ela tinha 5 anos. E nos anos seguintes, mesmo após uma posterior fuga bem sucedida para os Estados Unidos, a Dra. Samali não se esqueceu do que significa ser Baha’i na República islâmica do Irão.
"Tento desligar as minhas emoções", diz a Dra. Samali, de 28 anos, a propósito da actual turbulência no Irão. "Os Baha’is do Irão passam por isto todos os dias. É triste ver isto, mas pode ser uma forma da verdade vir ao de cima".
Os Baha'is há muito que funcionam com canários providenciais na mina de carvão que é a teocracia do Irão. A sua perseguição, documentada durante 30 anos por numerosos relatórios de direitos humanos, contradiz todas as previsões ingénuas de que a linha-dura na superfície do Irão oculta uma profunda nascente de moderação e tolerância.
(...)
Durante a recente turbulência, que é essencialmente uma luta entre xiitas sobre a duvidosa reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, os Baha'is serviram mais uma vez como bodes expiatórios. Os apoiantes do presidente Ahmadinejad recuperaram os clichés dos Baha’is serem espiões americanos e sionistas secretos, e acrescentaram um novo, afirmando que BBC (British Broadcasting Corporation) significa "Baha’i Broadcasting Corporation".
Os ataque retóricos coincidiram com a decisão do governo de levar a julgamento, no dia 11 de Julho, os sete dirigentes baha’is perante um intitulado Tribunal Revolucionário. Os dirigentes, detidos no início de 2008, enfrentam acusações de "espionagem para Israel, insulto a santidades religiosas, e propaganda contra a República Islâmica", segundo relata a imprensa oficial iraniana. A espionagem é punível com a pena de morte.
Assim, para os 165.000 Baha’is dos Estados Unidos - pelo menos 10.000 são refugiados provenientes do Irão – a questionável eleição e a repressão dos manifestantes surgem como uma confirmação sinistra do carácter do governo.
"Tenho uma sensação de turbilhão no meu coração", afirmou disse Farhad Sabetan, um porta-vos da Comunidade Internacional Bahá’í, a organização que representa os interesses Baha’is nas Nações Unidas. "Os Baha’is passaram por este tipo de repressão ao longo dos últimos 30 anos, e a forma como foram tratados é agora a forma como o povo iraniano está a ser tratado".
(...)
Mesmo após 30 anos de repressão oficial dos Baha’is, o Sr. Hossein um mantra que os mullahs não ouvem: que o Bahaismo é uma religião de paz, que os Baha’is não são políticos, que os baha'is apoiam o governo onde quer que vivam. Tudo o que os Baha’is no Irão querem, afirma, são os mesmos direitos humanos que outros cidadãos.
Enquanto vê as notícias, enquanto tenta telefonar ao familiares no Irão, enquanto tenta acompanhar os acontecimentos de forma tão obsessiva, quanto a Dra Samali tenta afastar-se deles, o Sr. Hossein chegou à mesma conclusão que ela: talvez os baha’is tenham finalmente alcançado uma espécie de igualdade.
Atacados pela milícia Basij e pela Guarda Revolucionária, atingidos por canhões de água e armas, os muçulmanos iranianos, pelo menos os que apelam publicamente para eleições justas e direitos humanos, estão a ser tratados como Baha’is.
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Artigo completo (em inglês): For Bahais, a Crackdown Is Old News
sábado, 16 de maio de 2009
CNN: Baha'is say jailed leaders in Iran face harsh new accusation
(clique na imagem para aceder à notícia)

Human Rights Watch, the world rights monitoring group, used the anniversary of the arrests of six of the Baha'is to call for their release or a prompt trial, with "fair and open proceedings."
"These Baha'i leaders have been languishing in prison for a year now, with no access to their lawyers and no glimmer of a trial date," said Joe Stork, deputy Middle East director at Human Rights Watch, in a statement on Thursday. "These reported new charges only add to the fears for their lives under a government that systematically discriminates against Baha'is."
Human Rights Watch, the world rights monitoring group, used the anniversary of the arrests of six of the Baha'is to call for their release or a prompt trial, with "fair and open proceedings."
"These Baha'i leaders have been languishing in prison for a year now, with no access to their lawyers and no glimmer of a trial date," said Joe Stork, deputy Middle East director at Human Rights Watch, in a statement on Thursday. "These reported new charges only add to the fears for their lives under a government that systematically discriminates against Baha'is."
sexta-feira, 3 de abril de 2009
PUBLICO.PT: Comunidade Bahá'í atacada no Egipto
Dezenas de aldeões muçulmanos atacaram nesta última semana as residências de elementos da comunidade bahá'i no Sul do Egipto, depois de um dos seus elementos ter dito na televisão que a aldeia de Sharoyah, perto de Sohagh, estava cheia de prosélitos dessa religião.
Segunda e terça-feira foram incendiadas e danificadas quatro casas de bahá'is, declarou à AFP uma fonte dos serviços de segurança, depois de grupos de defesa dos direitos humanos terem alertado para este problema.
Os incêndios alastraram às residências de duas famílias muçulmanas, que também ficaram danificadas, enquanto as três dezenas de bahá'is daquela localidade eram ameaçados de morte e acusados de serem "inimigos de Deus".
No fim da semana passada um canal da televisão egípcia transmitiu um debate em que um jornalista chegou a ameaçar de morte uma médica bahá'i e a partir daí tudo se precipitou
A religião bahá'i foi fundada em meados do século XIX pelo aristocrata persa Husayn-'Ali, "Baha'u'llah" (A Glória de Deus), que os fiéis desta corrente consideram o mais recente de uma vasta linha de profetas que inclui Buda, Abraão, Jesus Cristo e Maomé. Mas os muçulmanos rejeitam tal teoria, pois acreditam que Maomé é que foi o último dos profetas; e daí a perseguição que aos bahá'is é movida no Médio Oriente, desde o Egipto ao Irão.
A polícia egípcia deteve seis pessoas devido aos acontecimentos do início desta semana e está a interrogá-las, tendo entretanto destacado mais agentes para a região de Sohagh.
Há sensivelmente seis milhões de bahá'is em todo mundo, incluindo alguns milhares em Portugal, onde o mais conhecido deles é o campeão olímpico de atletismo Nelson Évora, filho de um cabo-verdiano que casou na Costa do Marfim, onde ele nasceu
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Notícia retirada do Público online.
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ACTUALIZAÇÃO
Nos media internacionais, esta notícia continua a ter destaque:
Call for Egypt Bahai attack probe (BBC)
Rights groups: Muslim villagers set fire to homes of members of the Baha'i religion in Egypt (LA Times)
Baha'i homes attacked in Egypt village, families flee (Reuters)
Egypte: des villageois mettent le feu à des maisons de la minorité bahaïe (La Croix)
Grupos de defensa derechos humanos pide protección de los bahaíes en Egipto (El Confidencial)
Bahai homes attacked in Egypt after media commentary (Menassat, Lebanon)
Bahais flee Egyptian city after arson (GulfNews.com)
Baha`i Homes Attacked in Egypt Village (javno)
quinta-feira, 12 de março de 2009
Telegraph: Perseguição devastadora no Irão
O jornal britânico Daily Telegraph publicou um artigo intitulado "Iran's persecution of Bahá'ís is devastating" de autoria de Nazila Ghanea onde se critica fortemente as perseguições aos Baha’is no Irão. Aqui fica a tradução dos primeiros parágrafos.
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O que liga um académico, um blogger, uma vencedora do Prémio Nobel, um investigador pós-graduado, uma cyber-feminista, um jornalista e uma mulher que deixou que o véu escorregasse? A resposta? Todos vêem violada a liberdade de se expressarem. Todos foram presos, açoitados e multados no Irão.
O Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que todos têm direito à liberdade de opinião e expressão. Hoje o Irão restringe severamente essa liberdade. A Human Rights Watch, o Secretário-Geral da ONU e muitos outros observaram uma escalada nas tentativas de silenciar Iranianos que têm algo a dizer.
Mas um novo embargo à liberdade de expressão foi formalmente anunciado. O Procurador-Geral do Irão, Ayatollah Qorban-Ali Dorri-Najafabadi, declarou que a própria expressão de filiação na Fé Bahá’í é ilegal. Isto foi comunicado numa carta dirigida ao Ministro da Informação, Ghulam-Husayn Ejeyee, que necessita de encorajamento para violar os direitos. Ha quatro anos atrás, a Human Rights Watch chamou-lhe o “Ministro dos Assassinos” do Irão.
Segundo o Procurador-Geral, todos têm liberdade a sua ter sua crença e fé. “No entanto, nenhuma expressão ou declaração que vise perturbar o pensamento dos outros, nem é permitida qualquer tentativa de os ensinar que resulte em perturbação ou agitação das mentes”.
(...)
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Ler artigo completo aqui.
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O que liga um académico, um blogger, uma vencedora do Prémio Nobel, um investigador pós-graduado, uma cyber-feminista, um jornalista e uma mulher que deixou que o véu escorregasse? A resposta? Todos vêem violada a liberdade de se expressarem. Todos foram presos, açoitados e multados no Irão.O Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que todos têm direito à liberdade de opinião e expressão. Hoje o Irão restringe severamente essa liberdade. A Human Rights Watch, o Secretário-Geral da ONU e muitos outros observaram uma escalada nas tentativas de silenciar Iranianos que têm algo a dizer.
Mas um novo embargo à liberdade de expressão foi formalmente anunciado. O Procurador-Geral do Irão, Ayatollah Qorban-Ali Dorri-Najafabadi, declarou que a própria expressão de filiação na Fé Bahá’í é ilegal. Isto foi comunicado numa carta dirigida ao Ministro da Informação, Ghulam-Husayn Ejeyee, que necessita de encorajamento para violar os direitos. Ha quatro anos atrás, a Human Rights Watch chamou-lhe o “Ministro dos Assassinos” do Irão.
Segundo o Procurador-Geral, todos têm liberdade a sua ter sua crença e fé. “No entanto, nenhuma expressão ou declaração que vise perturbar o pensamento dos outros, nem é permitida qualquer tentativa de os ensinar que resulte em perturbação ou agitação das mentes”.
(...)
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Ler artigo completo aqui.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Uma outra civilização
Um texto de Márcia Camargos, na edição online d'O Estado de S. Paulo onde se descreve o Irão nos nossos dias.
Aqui fica um excerto:
Aqui fica um excerto:
Percebe-se, então, quanto é arriscado questionar a ordem estabelecida, mesmo que ela aponte para sérias violações dos direitos humanos como a perseguição aos membros da fé bahá'i, a mais nova das doutrinas monoteístas. Na contramão das interdições impostas pela severa interpretação do Islã ali reinante, eles pregam a igualdade e o fim dos preconceitos de gênero e culto e por isso seus adeptos são sistematicamente presos e torturados. Já os seguidores de Zoroastro, ou Zaratustra, fundador do masdeísmo, remota religião persa, são tolerados e mantêm seus templos espalhados por diversas cidades.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Encontro sobre os Media e o Religioso
Entre a vertigem e o silêncio
Encontro de jornalistas, universitários, investigadores,
comentadores e “bloguers”
12 de Fevereiro
Universidade Lusófona, Auditório Pessoa Vaz (Campo Grande, 376)
Porque (não) há espaço nos media para o religioso
Encontro de jornalistas, universitários, investigadores,
comentadores e “bloguers”
12 de Fevereiro
Universidade Lusófona, Auditório Pessoa Vaz (Campo Grande, 376)
Programa
10h00 – Apresentação e razões da iniciativa
10h10 – O religioso e os media na Europa
Manuel Pinto (Universidade do Minho)
10h40 – O religioso e os media em Portugal: o caso de uma agência
José António Santos (secretário-geral da Lusa)
11h10 –Comentário – Jorge Wemans (director de programas da RTP 2)
11h30 – Intervalo
12h00 – Debate
14h30 – Painel: Porque é que os nossos media (não) dão importância jornalística aos temas religiosos?
José Manuel Vidal (jornalista responsável pela informação religiosa do “El Mundo” e director de www.religiondigital.com)
António José Teixeira (SIC, director SIC Notícias)
Pedro Leal (RR, director-adjunto de Informação)
Miguel Gaspar (Público, Editor Mundo)
15h45 – Debate
17h00 – Encerramento do encontro
Entrada livre
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Les Baha'is s'inquiètent après plusieurs arrestations en Iran
Artigo de Pable de Roulet, publicado recentemente no jornal suíço, Le Courrier.
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DROITS HUMAINS - Après la rafle de six membres de la minorité religieuse, les proches suisses tentent d'alerter l'opinion.
La famille suisse de Aziz Samandri, un Baha'i iranien récemment arrêté avec cinq autres membres de la communauté, s'inquiète pour son sort et plus généralement pour les pratiquants de cette religion née dans la Perse du XIXe siècle. Cette religion, dont les membres forment la plus grandes communauté non-musulmane en Iran, s'est régulièrement retrouvée sous le feu de la répression du régime iranien depuis l'instauration de la république islamique. C'est à la mi janvier, que les six Baha'is – parmi lesquels une assistante de l'avocate des droits humains Shirin Ebadi – ont été arrêtés par les services de sécurité. Le 14 mai 2008, ce sont six figures importantes de la communauté qui étaient arrêtées1. Les raisons de l'arrestation de ces six personnes restent confuses, aucune accusation officielle n'ayant été prononcée.
Selon Patrick Nicollier, cousin de Aziz Samandri, le motif de cette répression serait à chercher dans leur activités au sein de réseaux sociaux de la communauté. «Après plusieurs jours, la seule motivation qui nous ait été communiquée, de façon orale et officieuses, c'est qu'ils ont été arrêtés parce qu'ils entretiennent des liens avec des pays européens et constituent donc une menace à la sécurité extérieure. Il est possible qu'a travers ces personnes, il s'agisse de recenser et réprimer les réseaux sociaux baha'is.»
Les six Baha'is emprisonnés seraient détenus dans des conditions inquiétantes. Comme le cousin de M. Nicollier, ils n'ont pu communiquer avec leur famille qu'une seule fois par téléphone. «Aziz a dit à sa famille qu'il allait bien, mais ont ne sait pas dans quelles conditions il a téléphoné. Il était certainement sur écoute.» Choqué par l'arrestation d'un membre de sa famille, «moins par défense des Baha'is que des libertés fondamentales», Patrick Nicollier cherche à alerter l'opinion à travers la presse. Il a également lancé un profil Facebook pour pouvoir communiquer quotidiennement les informations sur la situation de son cousin à un groupe d'aujourd'hui plusieurs milliers de personnes.
Ce n'est pas la première fois que la famille Samandari est touchée par la répression du régime, le père d'Aziz est mort «suicidé» en prison au début des années 1990. Cette nouvelle vague de répression inquiète au delà de la communauté Baha'ie. L'Organisation mondiale contre la torture a notamment lancé une campagne de défense de cette minorité religieuse, en appelant à envoyer des lettres aux autorités iraniennes pour demander le respect de l'intégrité physiques des personnes arrêtées, et l'accès à une représentation légale.
Quant à la communauté Baha'ie de Suisse, elle suit de près les événements tout en restant prudente sur les actions à envisager, comme l'explique l'attachée de presse de la communauté, Daniele Bianchi: «Notre action se situe à deux niveaux, informer la presse pour alerter l'opinion publique et prendre des contacts discrets avec le gouvernement. Mais nous n'entamerons pas de campagne spécifique pour ces arrestations. C'est une de nos constantes de faire très peu d'évènements de grande envergure. Cela s'inscrit aussi dans notre refus du prosélytisme.»
LE DERNIER MONOTHÉISME
La foi des Baha'is est monothéiste. Fondée en Perse dans le milieu du XIXe siècle, le baha'isme postule un processus d'unification mondiale à travers la force civilisatrice des religions dans l'histoire. Sans clergé, la religion repose sur des textes sacrés que le croyant est appelé à comprendre par lui-même, le prosélytisme étant proscrit.
Cette nouvelle religion révélée a immédiatement été considérée comme une déviance religieuse par le clergé chiite, l'Islam ne reconnaissant pas de prophètes après Mahomet. La révolution islamique en Iran aggravera la situation déjà sensible des Baha'is. Contrairement aux autre minorités religieuses d'Iran, antérieures à l'Islam, ces derniers ne bénéficient, d'aucune forme de protection.
Un large appareil répressif est spécifiquement dirigé contre eux par le nouveau pouvoir: interdiction d'étudier à l'université, de se réunir pour leur pratique religieuse, de percevoir une retraite ou d'inscrire le noms des morts sur les tombes. La répression du début des années 1980, dont plusieurs centaines d'exécutions, poussera plus de 200 000 Baha'is sur un demi-million à quitter l'Iran.
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DROITS HUMAINS - Après la rafle de six membres de la minorité religieuse, les proches suisses tentent d'alerter l'opinion.
La famille suisse de Aziz Samandri, un Baha'i iranien récemment arrêté avec cinq autres membres de la communauté, s'inquiète pour son sort et plus généralement pour les pratiquants de cette religion née dans la Perse du XIXe siècle. Cette religion, dont les membres forment la plus grandes communauté non-musulmane en Iran, s'est régulièrement retrouvée sous le feu de la répression du régime iranien depuis l'instauration de la république islamique. C'est à la mi janvier, que les six Baha'is – parmi lesquels une assistante de l'avocate des droits humains Shirin Ebadi – ont été arrêtés par les services de sécurité. Le 14 mai 2008, ce sont six figures importantes de la communauté qui étaient arrêtées1. Les raisons de l'arrestation de ces six personnes restent confuses, aucune accusation officielle n'ayant été prononcée.
Les six Baha'is emprisonnés seraient détenus dans des conditions inquiétantes. Comme le cousin de M. Nicollier, ils n'ont pu communiquer avec leur famille qu'une seule fois par téléphone. «Aziz a dit à sa famille qu'il allait bien, mais ont ne sait pas dans quelles conditions il a téléphoné. Il était certainement sur écoute.» Choqué par l'arrestation d'un membre de sa famille, «moins par défense des Baha'is que des libertés fondamentales», Patrick Nicollier cherche à alerter l'opinion à travers la presse. Il a également lancé un profil Facebook pour pouvoir communiquer quotidiennement les informations sur la situation de son cousin à un groupe d'aujourd'hui plusieurs milliers de personnes.
Ce n'est pas la première fois que la famille Samandari est touchée par la répression du régime, le père d'Aziz est mort «suicidé» en prison au début des années 1990. Cette nouvelle vague de répression inquiète au delà de la communauté Baha'ie. L'Organisation mondiale contre la torture a notamment lancé une campagne de défense de cette minorité religieuse, en appelant à envoyer des lettres aux autorités iraniennes pour demander le respect de l'intégrité physiques des personnes arrêtées, et l'accès à une représentation légale.
Quant à la communauté Baha'ie de Suisse, elle suit de près les événements tout en restant prudente sur les actions à envisager, comme l'explique l'attachée de presse de la communauté, Daniele Bianchi: «Notre action se situe à deux niveaux, informer la presse pour alerter l'opinion publique et prendre des contacts discrets avec le gouvernement. Mais nous n'entamerons pas de campagne spécifique pour ces arrestations. C'est une de nos constantes de faire très peu d'évènements de grande envergure. Cela s'inscrit aussi dans notre refus du prosélytisme.»
LE DERNIER MONOTHÉISME
La foi des Baha'is est monothéiste. Fondée en Perse dans le milieu du XIXe siècle, le baha'isme postule un processus d'unification mondiale à travers la force civilisatrice des religions dans l'histoire. Sans clergé, la religion repose sur des textes sacrés que le croyant est appelé à comprendre par lui-même, le prosélytisme étant proscrit.
Cette nouvelle religion révélée a immédiatement été considérée comme une déviance religieuse par le clergé chiite, l'Islam ne reconnaissant pas de prophètes après Mahomet. La révolution islamique en Iran aggravera la situation déjà sensible des Baha'is. Contrairement aux autre minorités religieuses d'Iran, antérieures à l'Islam, ces derniers ne bénéficient, d'aucune forme de protection.
Un large appareil répressif est spécifiquement dirigé contre eux par le nouveau pouvoir: interdiction d'étudier à l'université, de se réunir pour leur pratique religieuse, de percevoir une retraite ou d'inscrire le noms des morts sur les tombes. La répression du début des années 1980, dont plusieurs centaines d'exécutions, poussera plus de 200 000 Baha'is sur un demi-million à quitter l'Iran.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Quem tem medo da BBC?
No próxima semana terão início as emissões de um novo cana de TV britânico: a BBC Persian TV. Estes canal será emitido em língua persa para o Irão, Afeganistão e Tadjiquistão; estará disponível para os milhões de pessoas que possuem antena parabólica. Os seus rivais serão os canais de TV iranianos (rigorosamente controlados pelo Governo), a Voz da América e diversos canais pouco conhecidos cuja programação alterna entre a propaganda anti-governamental e variedades.
As autoridades iranianas apressaram-se a descrever o canal como “suspeito e ilegal” e acrescentando que “trabalha contra os interesses da República Islâmica”. A agência IRNA advertiu que a BBC está a recrutar iranianos para trabalho de “espionagem e guerra psicológica”. Em Teerão o embaixador britânico tem sido acusado de fomentar uma “revolução de veludo” e os funcionários locais da BBC têm sido vigiados e hostilizados pela polícia secreta. E para compor o ramalhete, os Guardas da Revolução aconselham a população a evitar o canal e advertem que este tem ligações a membros da Comunidade Bahá’í.
Este tipo de acusações mostra o óbvio: o actual regime iraniano tem medo da liberdade de imprensa. Um dos editores da BBC Persian TV não tem dúvidas: "A reacção em Teerão é de desespero pois não consegue impedir o fluxo livre de informação. Não é surpreendente. O governo tem encerrado jornais, websites, detido jornalistas e bloggers. Estão a tentar manter o Irão como numa sociedade fechada".
A BBC não obteve autorização para abrir um escritório em Teerão (apenas têm um correspondente local), e isso condiciona o acesso a imagens e reportagens em directo. Mas mesmo assim, um especialista sobre Media iranianos afirma: "A BBC Persian TV, potencialmente, pode ser um inimigo poderoso do Estado Iraniano se conseguir apresentar informação e análises precisas e objectivas".
O bloqueio das emissões não se afigura como uma opção realista por parte das autoridades; no passado os Guardas da Revolução usaram equipamento cubano para bloquear as emissões de TV estrangeiras mas não tiveram grande sucesso.
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Sobre este assunto:
BBC to launch TV channel for Iran (BBC)
Iran's fear of prying eyes: BBC accused of hiring spies to work for Farsi TV channel on the eve of its launch (The Guardian)
BBC to launch Farsi language television (AFP)
IRAN: Authorities upset about BBC Persian channel (LA Times)
As autoridades iranianas apressaram-se a descrever o canal como “suspeito e ilegal” e acrescentando que “trabalha contra os interesses da República Islâmica”. A agência IRNA advertiu que a BBC está a recrutar iranianos para trabalho de “espionagem e guerra psicológica”. Em Teerão o embaixador britânico tem sido acusado de fomentar uma “revolução de veludo” e os funcionários locais da BBC têm sido vigiados e hostilizados pela polícia secreta. E para compor o ramalhete, os Guardas da Revolução aconselham a população a evitar o canal e advertem que este tem ligações a membros da Comunidade Bahá’í.Este tipo de acusações mostra o óbvio: o actual regime iraniano tem medo da liberdade de imprensa. Um dos editores da BBC Persian TV não tem dúvidas: "A reacção em Teerão é de desespero pois não consegue impedir o fluxo livre de informação. Não é surpreendente. O governo tem encerrado jornais, websites, detido jornalistas e bloggers. Estão a tentar manter o Irão como numa sociedade fechada".
A BBC não obteve autorização para abrir um escritório em Teerão (apenas têm um correspondente local), e isso condiciona o acesso a imagens e reportagens em directo. Mas mesmo assim, um especialista sobre Media iranianos afirma: "A BBC Persian TV, potencialmente, pode ser um inimigo poderoso do Estado Iraniano se conseguir apresentar informação e análises precisas e objectivas".
O bloqueio das emissões não se afigura como uma opção realista por parte das autoridades; no passado os Guardas da Revolução usaram equipamento cubano para bloquear as emissões de TV estrangeiras mas não tiveram grande sucesso.
Video Promocional da BBC Persian TV
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Sobre este assunto:
BBC to launch TV channel for Iran (BBC)
Iran's fear of prying eyes: BBC accused of hiring spies to work for Farsi TV channel on the eve of its launch (The Guardian)
BBC to launch Farsi language television (AFP)
IRAN: Authorities upset about BBC Persian channel (LA Times)
sábado, 3 de janeiro de 2009
France 24: Les bahaïs, "sans papiers" en Égypte
Mercredi 31 décembre 2008
Par Frédéric MIGEON (texte)
Pour être citoyen égyptien, il faut désormais s'enregistrer comme membre d'une des trois religions reconnues par le Coran. Les bahaïs se retrouvent donc par la force des choses sans papiers et, par conséquent, sans droits sociétaux.
Basma Moussa est une femme fatiguée. Cette chirurgienne égyptienne, qui travaille depuis vingt ans à l'hôpital Qasr al-Ayni du Caire, n'a pu renouveler sa carte d'identité, il y a trois ans. "Ma fille n'en a plus non plus. Mon fils, qui a terminé ses études, ne peut fournir les papiers nécessaires pour effectuer son service militaire, ce qui l'empêche de postuler à un emploi." Le regard triste, Basma énumère d'autres problèmes rencontrés par ses proches : trois nouveaux nés n'ayant pu obtenir de certificat de naissance, une petite fille qui n'a pu être réinscrite à son école, une autre qui n'a pu être vaccinée… "Tous les jours, je croise les doigts pour ne pas être contrôlée par un policier, poursuit-elle. J'espère que tout ceci va bientôt s'arrêter".
Pour obtenir leur carte nationale d'identité, les citoyens égyptiens doivent mentionner leur religion. Jusqu'à peu, ils pouvaient se déclarer "musulman", "chrétien", "juif" (les trois religions reconnues par le Coran) ou "autre". Mais en 2004, dans le cadre de l'informatisation des cartes d'identité, un décret administratif a supprimé la mention "autre". Depuis, les plaintes se multiplient mais, de reports d'audiences en appels des jugements, le bras de fer entre les bahaïs et le gouvernement égyptien peine à être résolu.
Renier sa foi par résignation
Pour obtenir des papiers, certains bahaïs se sont résignés à renier leur foi en s'enregistrant comme musulman ou chrétien. Mais ce n'est pas le cas de l'immense majorité des quelque 1 500 membres de la communauté, qui se trouvent confrontés à de multiples complications dans leur quotidien : renvoi des enfants de l'école ou des étudiants de l'université, impossibilité d'avoir accès à son compte bancaire ou encore de quitter le pays….
En avril 2006, un couple "sans papiers" a obtenu du tribunal de justice administrative du Caire que l'Etat leur délivre des cartes d'identité portant la mention "bahaï". Cette décision a suscité de vives protestations. "Le cas avait été faussement présenté par la presse comme une demande de reconnaissance de la foi bahaïe, alors qu'il s'agissait d'une demande de reconnaissance civique", explique Hossam Bahgat, directeur de l'Egyptian Initiative for Personal Rights (EIPR), association défendant notamment les libertés religieuses. Subissant de fortes pressions, le ministère de l'Intérieur a fait appel de la décision et obtenu que le Conseil d'Etat casse le jugement.
Malgré tout, Shady Samer reste optimiste. Ce jeune entrepreneur en informatique bahaï, qui a ouvert un blog, à la fin de 2006, pour battre en brèche les idées reçues sur sa confession, note le changement qui s'est opéré dans l'opinion publique : "Jusqu'à cette affaire, les gens ne savaient même pas que nous existions. La couverture médiatique pendant le procès est un fait sans précédent dans le monde arabe. Jamais un bahaï n'avait été interviewé à la télé auparavant. Cela a rendu possible que les gens acceptent la liberté religieuse, que les gens différents avaient le droit d'avoir des droits civiques."
Shady Samer fait partie des rares bahaïs ayant encore des papiers.Sur sa carte d'identité, le champ religion est vide. DR.
Egyptien marié à une Américaine, Shady Samer a réussi à obtenir un certificat de naissance sans mention de religion pour sa fille qui dispose de la double nationalité, grâce à l'intervention de l'ambassade des Etats-Unis auprès du ministère de l'Intérieur. Un cas unique mais qui, pour lui, est une raison supplémentaire d'espérer.
Un tiret en lieu et place de la mention "bahaï"
Le tribunal administratif du Caire, saisi une nouvelle fois en 2007, a de nouveau tranché en faveur des bahaïs en janvier dernier, le gouvernement n'a pas fait appel cette fois-ci. Pour Hossam Bahgat, deux raisons expliquent ce changement d'attitude : "D'abord, les débats sans précédent sur la question de citoyenneté ont été très bénéfiques. Ensuite, les avocats des bahaïs ont changé de stratégie : ils ne demandent plus la mention 'bahaï', mais un simple tiret".
L'application du jugement, qui devrait permettre la reconnaissance civique des bahaïs, est toutefois suspendue en raison de deux demandes d'appels, déposées par deux avocats islamistes. Depuis près d'un an, les audiences d'appel, fortement perturbées par la présence d'extrémistes invectivant la Cour, ont été à plusieurs reprises reportées. Prochaine date : le 17 janvier. Les bahaïs attendent toujours leur heure.
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Les bahaïs en Egypte
La foi bahaïe, religion monothéiste apparue dans les années 1860 en Perse, accepte l'héritage du judaïsme, du christianisme et de l'islam. Les bahaïs sont aujourd'hui un peu plus de 7 millions dans le monde, répartis dans 193 pays.
Après avoir été reconnus en Egypte à partir des années 1930, les bahaïs ont été privés par le président Nasser de leurs droits en tant que communauté religieuse, en 1960. Leurs lieux de culte ont alors été fermés. Ils se réunissent, depuis, dans un contexte familial une fois par mois
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FONTE: Les bahaïs, "sans papiers" en Égypte (France 24)
sábado, 20 de dezembro de 2008
A Fé no feminino
domingo, 14 de dezembro de 2008
Guia para compreender a fé do novo Mensageiro Bahá'u'lláh
Segunda parte da reportagem de Margarida Santos Lopes sobre Nelson Évora e a Fé Bahá'í (Público, 12-Dez-2008)
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"(...) E Fradique, com toda a singeleza, confessou que se demorara tanto nas margens do Eufrates, por se achar casualmente ligado a um movimento religioso que, desde 1849, tomava na Pérsia um desenvolvimento quase triunfal."
Eça de Queirós
A Correspondência de Fradique Mendes (1900)
Nascer na Pérsia e morrer em Israel
A religião bahá'i é a segunda mais disseminada geograficamente, depois do cristianismo - está presente em todos os cantos do mundo - 200 grupos étnicos, tribais e raciais em 235 países e territórios dependentes. Foi fundada em 1844 por Bahá'u'lláh, que declarou publicamente ser "o Mensageiro de Deus para a nossa era", o último depois de Krishna, Buda, Zoroastro, Moisés, Jesus Cristo e Maomé, até aparecer um outro ainda mais magnífico. Bahá'u'lláh significa "A Glória de Deus" e é o título de Husayn-'Ali, nascido em Teerão de uma família da nobreza persa, a 12 de Novembro de 1817. O seu pai era um abastado governador de província, mas ele recusou um cargo político e preferiu dedicar-se a acções de filantropia. Juntou-se depois a um comerciante de Shiraz chamado Siyyid 'Ali-Muhammad, posteriormente conhecido como Báb (Porta), o fundador da fé babí e uma espécie de João Baptista que anunciou Bahá'u'lláh como "o Prometido de todas as religiões". Quando Báb foi executado em 1850, Bahá'u'lláh foi primeiro detido e depois desterrado para o Iraque.
Em 1863, foi de novo exilado para Constantinopla e em 1868 foi deportado para Akka, na Palestina otomana. Morreu em 1892. O lugar onde está sepultado, no Monte Carmelo, em Israel, é o maior santuário dos bahá'is.
Da América para Lisboa
Em 1844, várias páginas do III volume do Dicionário Popular, dirigido por Manuel Pinheiro Chagas, já se referiam ao Báb como precursor de Bahá'u'lláh, mas a fé bahá'i só foi divulgada em Portugal em 1926, com a chegada das crentes americanas Martha Root e Florence Schoflocher. Em Lisboa, proferiram conferências no Clube Rotário, deram entrevistas ao Diário de Notícias e ao Diário de Lisboa e ofereceram livros sobre a nova religião à Biblioteca Nacional. A comunidade só começou, porém, a ser formada a partir de 1943, depois da vinda para Lisboa de Virgínia Orbinson (que vivia em Madrid) e Valeria Nichols (que viajou dos EUA). Instalaram-se no Hotel Victoria, na Avenida da Liberdade, e uma das primeiras almas que "conquistaram" foi a da proprietária de uma loja de alta-costura no Chiado. A 20 de Abril de 1949, foi eleito o primeiro Conselho Bahá'i Local de Lisboa e a 20 de Outubro de 1957 foi inaugurado o Centro Bahá'i.
A religião de todas as religiões
Ainda que perseguidos como uma "heresia" por fundamentalistas islâmicos, sobretudo no Irão, onde muitos têm sido executados, os bahá'is - sete milhões a nível mundial e uns dez mil em Portugal - não parecem temer o futuro. Estão, aliás, convencidos de que "a paz mundial não é apenas possível mas inevitável". Monoteístas em "progressiva evolução" (aceitam a Bíblia e o Corão), o seu livro mais sagrado é o Kitáb-i-Aqdas, parte de um grande corpo de escrituras onde Bahá'u'lláh ensina que "a Terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos". Entre os vários princípios e leis estão, designadamente, a eliminação de preconceitos de qualquer natureza (raça, classe, crença); a igualdade de oportunidades, direitos e deveres entre o homem e a mulher; a eliminação dos extremos de pobreza e de riqueza; e a harmonia entre religião e ciência.
Assembleias sem clero
Não há clero na fé bahá'i. A vida colectiva da comunidade bahá'i é administrada por conselhos consultivos de nove membros. Como não há candidaturas individuais, são eleitos os crentes mais votados, a nível local, nacional e internacional, para as assembleias Espirituais Locais, Assembleias Espirituais Nacionais e Casa Universal da Justiça - a sede que funciona em Haifa (Israel).
Como rezam os bahá'is?
Através da oração e da meditação, individual ou na comunidade (seja no centros bahá'i ou nas casas dos crentes - onde frequentemente há música, debate de ideias e partilha de alimentos). O trabalho com espírito de serviço também é considerado adoração a Deus. As escrituras desta religião contêm numerosas preces para vários objectivos e ocasiões.
Casamento monogâmico
Para os bahá'is, a família é a unidade básica da sociedade, e o casamento monogâmico é a base da vida familiar. Cada um escolhe o seu parceiro, mas os pais "têm o direito e a obrigação de avaliar se dão o seu consentimento" aos filhos. O casamento é efectuado na presença de duas testemunhas designadas pelo conselho local bahá'i, numa cerimónia simples (embora a festa possa ser opulenta) em que o casal recita o seguinte versículo: "Todos nós cumpriremos a vontade de Deus." O primeiro casamento baha'i, reconhecido em Portugal foi o de David Ganço (filho do treinador de Nelson Évora), em 22 de Março de 2008. Os casamentos inter-raciais são encorajados para sublinhar a unidade da raça humana.
Divórcio com "um ano de paciência"
Um casal bahá'i pode divorciar-se, mas, primeiro, marido e mulher terão de fazer uma tentativa de reconciliação. Vivem separados pelo menos um ano - "um ano de paciência" - e se, depois desta experiência, ainda desejarem o divórcio, este é concedido.
Prioridade às filhas na educação
Os bahá'is são ardentes defensores da igualdade entre homens e mulheres, mas atribuem grande importância às mães e às filhas. As mães são consideradas vitais na formação dos jovens como "força poderosa para mudar as sociedades". Se um casal tiver um rapaz e uma rapariga mas apenas tiver posses para educar um, a prioridade deve ser dada à rapariga, porque "as desigualdades entre homens e mulheres dependem da educação e da oportunidade, não das capacidades".
Contribuições voluntárias e secretas
Todas as contribuições para o Fundo Bahá'i são voluntárias e confidenciais. Ninguém pode ser pressionado a contribuir, e só são aceites contribuições de não bahá'is para projectos sociais, económicos ou educativos.
Proibição de filiação partidária
Os crentes bahá'is estão proibidos de serem membros de partidos políticos, porque consideram que as acções políticas de natureza partidária não respondem aos problemas universais. Isso não significa que não possam assumir posições públicas sobre questões "puramente sociais e morais" e votar nos candidatos que considerem mais capazes de mudar o mundo. Este princípio de não envolvimento na política relaciona-se com o ensinamento bahá'i de lealdade ao governo em exercício.
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"(...) E Fradique, com toda a singeleza, confessou que se demorara tanto nas margens do Eufrates, por se achar casualmente ligado a um movimento religioso que, desde 1849, tomava na Pérsia um desenvolvimento quase triunfal."
Eça de Queirós
A Correspondência de Fradique Mendes (1900)
Nascer na Pérsia e morrer em Israel
A religião bahá'i é a segunda mais disseminada geograficamente, depois do cristianismo - está presente em todos os cantos do mundo - 200 grupos étnicos, tribais e raciais em 235 países e territórios dependentes. Foi fundada em 1844 por Bahá'u'lláh, que declarou publicamente ser "o Mensageiro de Deus para a nossa era", o último depois de Krishna, Buda, Zoroastro, Moisés, Jesus Cristo e Maomé, até aparecer um outro ainda mais magnífico. Bahá'u'lláh significa "A Glória de Deus" e é o título de Husayn-'Ali, nascido em Teerão de uma família da nobreza persa, a 12 de Novembro de 1817. O seu pai era um abastado governador de província, mas ele recusou um cargo político e preferiu dedicar-se a acções de filantropia. Juntou-se depois a um comerciante de Shiraz chamado Siyyid 'Ali-Muhammad, posteriormente conhecido como Báb (Porta), o fundador da fé babí e uma espécie de João Baptista que anunciou Bahá'u'lláh como "o Prometido de todas as religiões". Quando Báb foi executado em 1850, Bahá'u'lláh foi primeiro detido e depois desterrado para o Iraque.
Em 1863, foi de novo exilado para Constantinopla e em 1868 foi deportado para Akka, na Palestina otomana. Morreu em 1892. O lugar onde está sepultado, no Monte Carmelo, em Israel, é o maior santuário dos bahá'is.
Da América para Lisboa
Em 1844, várias páginas do III volume do Dicionário Popular, dirigido por Manuel Pinheiro Chagas, já se referiam ao Báb como precursor de Bahá'u'lláh, mas a fé bahá'i só foi divulgada em Portugal em 1926, com a chegada das crentes americanas Martha Root e Florence Schoflocher. Em Lisboa, proferiram conferências no Clube Rotário, deram entrevistas ao Diário de Notícias e ao Diário de Lisboa e ofereceram livros sobre a nova religião à Biblioteca Nacional. A comunidade só começou, porém, a ser formada a partir de 1943, depois da vinda para Lisboa de Virgínia Orbinson (que vivia em Madrid) e Valeria Nichols (que viajou dos EUA). Instalaram-se no Hotel Victoria, na Avenida da Liberdade, e uma das primeiras almas que "conquistaram" foi a da proprietária de uma loja de alta-costura no Chiado. A 20 de Abril de 1949, foi eleito o primeiro Conselho Bahá'i Local de Lisboa e a 20 de Outubro de 1957 foi inaugurado o Centro Bahá'i.
A religião de todas as religiões
Ainda que perseguidos como uma "heresia" por fundamentalistas islâmicos, sobretudo no Irão, onde muitos têm sido executados, os bahá'is - sete milhões a nível mundial e uns dez mil em Portugal - não parecem temer o futuro. Estão, aliás, convencidos de que "a paz mundial não é apenas possível mas inevitável". Monoteístas em "progressiva evolução" (aceitam a Bíblia e o Corão), o seu livro mais sagrado é o Kitáb-i-Aqdas, parte de um grande corpo de escrituras onde Bahá'u'lláh ensina que "a Terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos". Entre os vários princípios e leis estão, designadamente, a eliminação de preconceitos de qualquer natureza (raça, classe, crença); a igualdade de oportunidades, direitos e deveres entre o homem e a mulher; a eliminação dos extremos de pobreza e de riqueza; e a harmonia entre religião e ciência.
Assembleias sem clero
Não há clero na fé bahá'i. A vida colectiva da comunidade bahá'i é administrada por conselhos consultivos de nove membros. Como não há candidaturas individuais, são eleitos os crentes mais votados, a nível local, nacional e internacional, para as assembleias Espirituais Locais, Assembleias Espirituais Nacionais e Casa Universal da Justiça - a sede que funciona em Haifa (Israel).
Como rezam os bahá'is?
Através da oração e da meditação, individual ou na comunidade (seja no centros bahá'i ou nas casas dos crentes - onde frequentemente há música, debate de ideias e partilha de alimentos). O trabalho com espírito de serviço também é considerado adoração a Deus. As escrituras desta religião contêm numerosas preces para vários objectivos e ocasiões.
Casamento monogâmico
Para os bahá'is, a família é a unidade básica da sociedade, e o casamento monogâmico é a base da vida familiar. Cada um escolhe o seu parceiro, mas os pais "têm o direito e a obrigação de avaliar se dão o seu consentimento" aos filhos. O casamento é efectuado na presença de duas testemunhas designadas pelo conselho local bahá'i, numa cerimónia simples (embora a festa possa ser opulenta) em que o casal recita o seguinte versículo: "Todos nós cumpriremos a vontade de Deus." O primeiro casamento baha'i, reconhecido em Portugal foi o de David Ganço (filho do treinador de Nelson Évora), em 22 de Março de 2008. Os casamentos inter-raciais são encorajados para sublinhar a unidade da raça humana.
Divórcio com "um ano de paciência"
Um casal bahá'i pode divorciar-se, mas, primeiro, marido e mulher terão de fazer uma tentativa de reconciliação. Vivem separados pelo menos um ano - "um ano de paciência" - e se, depois desta experiência, ainda desejarem o divórcio, este é concedido.
Prioridade às filhas na educação
Os bahá'is são ardentes defensores da igualdade entre homens e mulheres, mas atribuem grande importância às mães e às filhas. As mães são consideradas vitais na formação dos jovens como "força poderosa para mudar as sociedades". Se um casal tiver um rapaz e uma rapariga mas apenas tiver posses para educar um, a prioridade deve ser dada à rapariga, porque "as desigualdades entre homens e mulheres dependem da educação e da oportunidade, não das capacidades".
Contribuições voluntárias e secretas
Todas as contribuições para o Fundo Bahá'i são voluntárias e confidenciais. Ninguém pode ser pressionado a contribuir, e só são aceites contribuições de não bahá'is para projectos sociais, económicos ou educativos.
Proibição de filiação partidária
Os crentes bahá'is estão proibidos de serem membros de partidos políticos, porque consideram que as acções políticas de natureza partidária não respondem aos problemas universais. Isso não significa que não possam assumir posições públicas sobre questões "puramente sociais e morais" e votar nos candidatos que considerem mais capazes de mudar o mundo. Este princípio de não envolvimento na política relaciona-se com o ensinamento bahá'i de lealdade ao governo em exercício.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (4)
A Mediatização da Violência
A propósito dos recentes ataques terroristas em Mumbai, tenho de partilhar convosco mais este pequeno excerto do livro de Fareed Zakaria, O Mundo Pós-Americano:
A propósito dos recentes ataques terroristas em Mumbai, tenho de partilhar convosco mais este pequeno excerto do livro de Fareed Zakaria, O Mundo Pós-Americano:
O carácter imediato das imagens e a intensidade das notícias num ciclo de vinte e quatro horas combinam-se para produzir exageros constantes. Todas as alterações climáticas são «a tempestade do século». Cada bomba que explode aparece nas NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA. É difícil relativizar tudo isto porque a revolução na informação é muito recente. Não tivemos imagens diárias dos cerca de 2 milhões de pessoas que morreram nos campos do Cambodja na década de 1970 ou do milhão de pessoas que pereceram na guerra Irão-Iraque na década de 1980. Nem sequer tivemos imagens da guerra no Congo na década de 1990, na qual morreram milhões de pessoas. Mas agora vemos quase diariamente filmagens ao vivo dos efeitos de bombas improvisadas, de carro armadilhados ou de mísseis - acontecimentos trágicos, é verdade, mas que a maior parte das vezes não causam mais de dez vítimas. O carácter aleatório da violência terrorista, o facto de o alvo serem civis e a facilidade com que as sociedades modernas são penetradas por este tipo de violência aumentam a nossa preocupação. «Podia ter sido eu», dizem as pessoas depois de um ataque terrorista.Não será caso para pedir um pouco mais de responsabilidade aos media? Afinal que qualidade tem um meio de comunicação social que corre desesperadamente atrás do imediatismo da notícia e esquece aquilo que verdadeiramente é notícia?
Parece um mundo muito perigoso. Mas não é. A probabilidade de morrermos em consequência da violência organizada é baixa e está a diminuir. Os dados revelam que a tendência geral se afasta da das guerras entre grandes países, o tipo de conflito que causa de facto grande quantidade de vítimas. (p. 17-18)
domingo, 28 de setembro de 2008
La libertad de religión no existe en Irán
Publicado no jornal El Pais, 28/09/2008
ÁNGELES ESPINOSA
Suníes y no musulmanes se enfrentan a un clima amenazante en Irán. Así lo afirma el último informe anual sobre libertad religiosa internacional que acaba de publicar el Departamento de Estado norteamericano. Aunque cristianos, judíos y otras minorías pueden celebrar su culto, educar a sus hijos en su religión y disponer de centros culturales o recreativos propios, la comunidad bahai o los cristianos evangélicos sufren el acoso de las autoridades.
Además, los miembros de las minorías religiosas son de facto ciudadanos de segunda. Para la República Islámica, Los bahais no constituyen una comunidad religiosa sino una organización política, a la que a menudo vinculan con el régimen del sha y acusan de espionaje, a pesar de sus orígenes locales y de que también en tiempo del sha estuvieron discriminados. Sus entre 300.000 y 350.000 fieles, la mayor minoría no musulmana, tienen dificultades para obtener documentos de identidad (hay que hacer constar la religión), lo que les impide encontrar trabajo y casarse, extremo que da pie a condenas por adulterio en un país que prohíbe cualquier relación sexual fuera del matrimonio.
Otro grupo en el punto de mira de las autoridades es la comunidad protestante. Si bien representa apenas un 5% de los 200.000 cristianos, su vocación evangelizadora sirve para justificar su persecución. Ese empeño es el responsable de un goteo de conversiones desde mediados del siglo XX que, a partir de la revolución islámica de 1979, se ha castigado con pena de muerte, la condena que el islam establece para la apostasía. Durante los años noventa, varios de sus pastores murieron asesinados.
Las comunidades cristianas autóctonas (armenios y asirios) no realizan proselitismo. Además estos grupos, al igual que los judíos o los zoroastrianos, rara vez exponen los agravios de que son víctimas para evitar represalias. Sin embargo, resulta significativo que desde la revolución islámica la comunidad judía se haya reducido 80.000 a 20.000 personas.
Las autoridades iraníes niegan que exista discriminación y refieren a la representación que estas minorías tienen en el Parlamento (cristianos, judíos y zoroastrianos tienen reservados cinco escaños, a pesar de apenas sumar un 2% de la población entre todos ellos) y su protección en la Constitución. Lo que no dicen es que ningún miembro de una minoría, ni siquiera un suní, puede ser elegido presidente. Los no musulmanes también están excluidos de la judicatura, la seguridad o la dirección de centros escolares. Incluso los directores de las escuelas judías o cristianas son musulmanes chiíes. El examen de teología islámica necesario para entrar en la universidad y en el funcionariado limita el acceso de las minorías. Sólo pueden servir en los escalones más bajos de la administración.
Durante un viaje a Kermanshah, al oeste de Irán, un grupo de universitarios expresaba su malestar porque "las materias obligatorias incluyen la historia sagrada de los chiíes, tan ajena a nosotros".
ÁNGELES ESPINOSA
Suníes y no musulmanes se enfrentan a un clima amenazante en Irán. Así lo afirma el último informe anual sobre libertad religiosa internacional que acaba de publicar el Departamento de Estado norteamericano. Aunque cristianos, judíos y otras minorías pueden celebrar su culto, educar a sus hijos en su religión y disponer de centros culturales o recreativos propios, la comunidad bahai o los cristianos evangélicos sufren el acoso de las autoridades.
Otro grupo en el punto de mira de las autoridades es la comunidad protestante. Si bien representa apenas un 5% de los 200.000 cristianos, su vocación evangelizadora sirve para justificar su persecución. Ese empeño es el responsable de un goteo de conversiones desde mediados del siglo XX que, a partir de la revolución islámica de 1979, se ha castigado con pena de muerte, la condena que el islam establece para la apostasía. Durante los años noventa, varios de sus pastores murieron asesinados.
Las comunidades cristianas autóctonas (armenios y asirios) no realizan proselitismo. Además estos grupos, al igual que los judíos o los zoroastrianos, rara vez exponen los agravios de que son víctimas para evitar represalias. Sin embargo, resulta significativo que desde la revolución islámica la comunidad judía se haya reducido 80.000 a 20.000 personas.
Las autoridades iraníes niegan que exista discriminación y refieren a la representación que estas minorías tienen en el Parlamento (cristianos, judíos y zoroastrianos tienen reservados cinco escaños, a pesar de apenas sumar un 2% de la población entre todos ellos) y su protección en la Constitución. Lo que no dicen es que ningún miembro de una minoría, ni siquiera un suní, puede ser elegido presidente. Los no musulmanes también están excluidos de la judicatura, la seguridad o la dirección de centros escolares. Incluso los directores de las escuelas judías o cristianas son musulmanes chiíes. El examen de teología islámica necesario para entrar en la universidad y en el funcionariado limita el acceso de las minorías. Sólo pueden servir en los escalones más bajos de la administración.
Durante un viaje a Kermanshah, al oeste de Irán, un grupo de universitarios expresaba su malestar porque "las materias obligatorias incluyen la historia sagrada de los chiíes, tan ajena a nosotros".
sábado, 30 de agosto de 2008
Liberation: Les bahaïs d’Iran en danger
FOAD SABERAN né à Téhéran, médecin psychiatre à Paris.
QUOTIDIEN : mardi 26 août 2008
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Cela dure depuis près de deux ans. A l’heure de la prière matinale, dans des cours d’école de la République islamique de l’Iran, des maîtres et des maîtresses injurient, humilient les enfants de famille bahaïe devant leurs camarades, pour les amener à renier la religion de leurs parents. Ces enseignants obéissent à une directive du ministère de l’Education et de l’Instruction, datée de l’automne 2006. Ces scènes d’un autre âge me rappellent des souvenirs.
Je me souviens d’avoir subi, en 1954, sous la monarchie triomphante, avec les gamins bahaïs de ma classe, des maltraitances similaires de la part de notre professeur d’instruction religieuse. Je me souviens de ce que racontait ma mère. A 20 ans, dans les années 1930, cette institutrice, grande jeune femme épanouie, a failli être vitriolée, pour s’être promenée sans voile dans le bazar de Téhéran. Les femmes votaient dans la communauté bahaïe dès avant la Première Guerre mondiale. Je me souviens qu’en 1981, le professeur Manoutchehr Hakim, célèbre médecin des pauvres et bahaï, a été assassiné. Les autorités se sont empressées de confisquer ses biens et ceux de son épouse française.
(...)
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Ler artigo completo aqui ou aqui.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Baha’i: a Derradeira Religião Global
Aqui fica a tradução de um artigo de Perry Yeatman, publicado na semana passada no Huffington Post.
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Durante anos, reflecti sobre a área da religião. O meu pai nasceu numa antiga família Quaker da Pensilvânia. A minha mãe era da Igreja Episcopal. Frequentei a catequese Episcopal e a Igreja Episcopal. Mas na faculdade criei amizades com muito católicos. Quando tinha trinta anos, foram os ateus e os judeus. E quando casei, fi-lo com alguém que raramente pensava em religião, fosse ela qual fosse.
Mas ainda me interessa; mais, e não menos, do que – digamos, há 15 anos atrás. Ainda ontem estive num jantar em casa de uma amiga. Ela é uma judia conservadora caçada com um cristão não praticante. Falemos das diferenças entre ser espiritual e ser religioso; falámos das diferenças entre as religiões, entre católicos e episcopais, entre judeus ortodoxos e conservadores, etc. Foi verdadeiramente interessante. Ela é muito clara e convicta na sua fé. E eu sinto-me num conflito. As minhas ideias e valores são claros. Mas considero as práticas da religião organizada - virtualmente de todas elas - confusas. Cada uma das principais fés do mundo tem qualquer coisa que eu valorizo, que respeito e que me toca. Mas cada uma também parece ter qualquer coisa que me perturba ou choca com aquilo que sou e com aquilo que defendo. Talvez seja por isso que recentemente tenha gravitado para a fé Quaker, pois sinto que envolve um sentido espiritual básico e essencial, com rituais e cerimónias limitadas mas com muita substância.
Isto aconteceu até há algumas semanas atrás quando descobri uma fé totalmente nova – da qual não sabia praticamente nada, até então.
Tendo vivido em praticamente em toda a parte do mundo, foi surpreendente para mim encontrar o que me parece ser a mais recente religião global, exactamente aqui, ao fundo da rua, em Wilmette, Illinois. No templo Baha’i. Não sou certamente uma especialista - até agora apenas passei algumas horas a estudá-la - mas os seus princípios nucleares são o motivo pelo qual digo que pode ser a derradeira religião global. Segundo o folheto que peguei no templo, os princípios essenciais da fé Baha’i são os seguintes:
De qualquer forma, não estou aqui a tentar converter ninguém. Nem sequer tenho a certeza do que vou fazer com esta descoberta. Mas em tempos como estes em que a religião está no coração de tantos problemas no mundo, penso que vale a pena como, e se, é possível para nós adoptar uma abordagem mais global, uma que seja mais baseada na fé e na espiritualidade do que no dogma. E se conseguirmos, sem perder as nossas identidades, optar por uma abordagem mais ampla e inclusiva às questões que hoje enfrentamos enquanto cidadãos globais de forma a encontrar algumas respostas mais duradouras para conflitos de já duram há muito tempo. Talvez seja ingénuo, mas é talvez seja exactamente isto que necessitamos: ver para lá do que dizem os especialistas e os entrincheirados, e avançarmos para soluções mais pragmáticas e inclusivas. Talvez o menor seja o maior quando se trata de uma abordagem global a este tipo de questões e talvez a Fé Baha’i tenha algo a ensinar a todos nós... É apenas um pensamento... de alguém que ainda está à procura da sua própria resposta.
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Durante anos, reflecti sobre a área da religião. O meu pai nasceu numa antiga família Quaker da Pensilvânia. A minha mãe era da Igreja Episcopal. Frequentei a catequese Episcopal e a Igreja Episcopal. Mas na faculdade criei amizades com muito católicos. Quando tinha trinta anos, foram os ateus e os judeus. E quando casei, fi-lo com alguém que raramente pensava em religião, fosse ela qual fosse.
Mas ainda me interessa; mais, e não menos, do que – digamos, há 15 anos atrás. Ainda ontem estive num jantar em casa de uma amiga. Ela é uma judia conservadora caçada com um cristão não praticante. Falemos das diferenças entre ser espiritual e ser religioso; falámos das diferenças entre as religiões, entre católicos e episcopais, entre judeus ortodoxos e conservadores, etc. Foi verdadeiramente interessante. Ela é muito clara e convicta na sua fé. E eu sinto-me num conflito. As minhas ideias e valores são claros. Mas considero as práticas da religião organizada - virtualmente de todas elas - confusas. Cada uma das principais fés do mundo tem qualquer coisa que eu valorizo, que respeito e que me toca. Mas cada uma também parece ter qualquer coisa que me perturba ou choca com aquilo que sou e com aquilo que defendo. Talvez seja por isso que recentemente tenha gravitado para a fé Quaker, pois sinto que envolve um sentido espiritual básico e essencial, com rituais e cerimónias limitadas mas com muita substância.
Isto aconteceu até há algumas semanas atrás quando descobri uma fé totalmente nova – da qual não sabia praticamente nada, até então.
Tendo vivido em praticamente em toda a parte do mundo, foi surpreendente para mim encontrar o que me parece ser a mais recente religião global, exactamente aqui, ao fundo da rua, em Wilmette, Illinois. No templo Baha’i. Não sou certamente uma especialista - até agora apenas passei algumas horas a estudá-la - mas os seus princípios nucleares são o motivo pelo qual digo que pode ser a derradeira religião global. Segundo o folheto que peguei no templo, os princípios essenciais da fé Baha’i são os seguintes:
- Eliminação de todas as formas de preconceito
- Igualdade entre homens e mulheres
- Harmonia entre ciência e religião
- Paz mundial suportada por um governo mundial
- Soluções espirituais para os problemas económicos
- Educação universal
De qualquer forma, não estou aqui a tentar converter ninguém. Nem sequer tenho a certeza do que vou fazer com esta descoberta. Mas em tempos como estes em que a religião está no coração de tantos problemas no mundo, penso que vale a pena como, e se, é possível para nós adoptar uma abordagem mais global, uma que seja mais baseada na fé e na espiritualidade do que no dogma. E se conseguirmos, sem perder as nossas identidades, optar por uma abordagem mais ampla e inclusiva às questões que hoje enfrentamos enquanto cidadãos globais de forma a encontrar algumas respostas mais duradouras para conflitos de já duram há muito tempo. Talvez seja ingénuo, mas é talvez seja exactamente isto que necessitamos: ver para lá do que dizem os especialistas e os entrincheirados, e avançarmos para soluções mais pragmáticas e inclusivas. Talvez o menor seja o maior quando se trata de uma abordagem global a este tipo de questões e talvez a Fé Baha’i tenha algo a ensinar a todos nós... É apenas um pensamento... de alguém que ainda está à procura da sua própria resposta.
sábado, 2 de agosto de 2008
Uma campanha da perseguição contra uma fé da tolerância
Aqui fica a tradução de um artigo de BENJAMIN BALINT, publicado ontem no Wall Street Journal.
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No início deste verão, a UNESCO adicionou os lugares sagrados Baha’is aqui [de Israel] à sua lista de locais de Património Mundial. Responsáveis Baha’is saudaram o anúncio com entusiasmo. “[Ele] destaca a importância dos lugares sagrados de uma religião que em 150 anos evoluiu de um pequeno grupo situado apenas no Médio Oriente para uma comunidade mundial com os seguidores em virtualmente todos os países,” disse Albert Lincoln, secretário geral da comunidade internacional Baha’i, sedeada em Haifa. Os Baha'is, dedicados à idéia de que todas as grandes religiões ensinam as mesmas verdades fundamentais sobre um Deus incognoscível, são agora mais de cinco milhões. O Sr. Lincoln acrescentou que o grupo está “particular grato ao governo de Israel por ter apresentado esta candidatura.”
Existem impressionantes locais de culto Baha’i numa dúzia de cidades, desde Nova Deli, na Índia, à sede americana em Wilmette, Illinois. Mas encontramos nas encostas íngremes do Monte Carmêlo, na costa oriental do Mediterrâneo, um local de 100 acres que alberga os arquivos Baha’is e a Casa Universal de Justiça, um edifício neoclássico onde reside o órgão governativo mundial (constituído por nove membros eleitos) e uma equipa de mais de 600 funcionários. No centro literal e espiritual do local, está o santuário de Mirza Ali Muhammad, conhecido como o Bab (“porta”) - o precursor que em 1844 anunciou esta fé monoteísta - que ali se encontra sepultado num mausoléu de cúpula dourada.
Embora o Bab tenha sido executado por insurreição e heresia em 1850, em Tabriz, no Irão, os seus seguidores levaram os seus restos mortais para a Terra Santa na década de 1880, e sepultaram-no aqui 1909, seguindo instruções do fundador da fé, Mirza Hussein Ali. Bahá'u'lláh (“Glória do Deus”), como o fundador é conhecido, chegou à região em 1868 como um prisioneiro dos otomanos depois de ter sido exilado da Pérsia, acusado de actividades revolucionárias e da conspiração assassinar o Xá.
Actualmente, o recinto atrai mais meio milhão visitantes por ano, incluindo os peregrinos Baha’is que vêm para visitas de nove dias, e os turistas que vêm passear nos jardins em forma de imaculados terraços curvos imaculados no exterior do santuário - nove acima e nove abaixo deste. Os terraços, projectados por Fariburz Sahba, e terminados em 2001, correspondem aos 18 primeiros discípulos Baha’is. Exigem uns 80 jardineiros e um custo de manutenção anual de aproximadamente 4 milhões de dólares.
Contudo, nem tudo vai calmo para Bahaismo. Apesar de toda a benevolência seus membros usufruem dos seus anfitriões israelitas (seguindo uma instrução de Bahá'u'lláh emitida imediatamente depois da sua chegada aqui, a religião nem procura nem aceita convertidos em Israel), eles sofrem a perseguição miserável em países islâmicos. E mais do que em qualquer outro lugar, no Irão Em nenhuma parte mais assim do que em Irão, o berço da fé.
Em Maio, seis dirigentes da comunidade de Baha’i foram presos em Teerão; permanecem incomunicáveis. As detenções são mas a mais recente vaga de um ódio de duas décadas dirigido contra uma fé considerada uma heresia muçulmana. Durante o regime Pahlevi (1927-79), as escolas Baha’is foram forçadas a encerrar, e a sua literatura foi proibida. O exército dos Xá destruiu o Centro Nacional Baha’i em Teerão em 1955.
Após a revolução dos ayatollahs de 1979, as coisas ficaram ainda piores para os Baha’is. Os guardas revolucionárias destruíram a casa do Bab, em Shiraz, e construíram uma mesquita sobre os escombros. Posteriormente, arrasaram a mansão que tinha pertencido ao pai de Bahá'u'lláh. Os oficiais iranianos usaram escavadoras para destruir cemitérios Baha’is em Najafabad e em Yazd, e em Babol, profanaram a sepultura de Quddus, um dos primeiros discípulos do Bab.
Esses incidentes iniciaram uma purga sistemática, apoiada pelo Governo. Os Baha’is foram expulsos das universidades, sujeitos à intimidação e à prisão arbitrária, e ficaram sem liberdade de culto. Todos os funcionários públicos Baha’is foram demitidos. Em 1991, o secretário do Supremo Conselho Cultural Revolucionário de Irão, Seyyed Mohammad Golpaygani, emitiu uma directiva, aprovada pessoalmente pelo Ayatollah Ali Khamenei, declarando que o “emprego estará recusado às pessoas que se identificam como Baha’is.” Alguns fiéis foram denunciados como agentes sionistas e torturados. Ao todo, os Baha’is afirmam que mais de 200 crentes foram executados no Irão desde o início da revolução, incluindo 10 mulheres de Baha’is enforcadas por darem aulas de religião às crianças.
É difícil imaginar uma corrente de intolerância religiosa mais pura do que o fanatismo que grassa na classe dirigente do Irão. É tão difícil quanto imaginar uma essência de tolerância mais pura do que aquela que caracteriza os Baha’is, que reconhece Abraão, Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Jesus e Maomé como mensageiros divinos; que pregam o pluralismo, a igualdade entre os sexos, a instrução universal e a harmonia entre o conhecimento secular e religioso; e que insistem na unidade da humanidade, ao ponto de encorajarem explicitamente o casamento inter-racial.
A intolerância odeia a tolerância acima de tudo. No mesmo momento em que a UNESCO decidiu reconhecer aquilo que chama “o valor universal proeminente” dos santuários de Carmêlo e aquilo que representam, os mullahs são impelidos a perseguir estes crentes que emergiram no coração do próprio Islão -- e quem representam um futuro que o Islão fanático, desastrosamente, preferiu rejeitar.
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O Sr. Balint, é um escritor residente em Jerusalem, e editorialista do jornal Jerusalém Post.
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No início deste verão, a UNESCO adicionou os lugares sagrados Baha’is aqui [de Israel] à sua lista de locais de Património Mundial. Responsáveis Baha’is saudaram o anúncio com entusiasmo. “[Ele] destaca a importância dos lugares sagrados de uma religião que em 150 anos evoluiu de um pequeno grupo situado apenas no Médio Oriente para uma comunidade mundial com os seguidores em virtualmente todos os países,” disse Albert Lincoln, secretário geral da comunidade internacional Baha’i, sedeada em Haifa. Os Baha'is, dedicados à idéia de que todas as grandes religiões ensinam as mesmas verdades fundamentais sobre um Deus incognoscível, são agora mais de cinco milhões. O Sr. Lincoln acrescentou que o grupo está “particular grato ao governo de Israel por ter apresentado esta candidatura.”
Existem impressionantes locais de culto Baha’i numa dúzia de cidades, desde Nova Deli, na Índia, à sede americana em Wilmette, Illinois. Mas encontramos nas encostas íngremes do Monte Carmêlo, na costa oriental do Mediterrâneo, um local de 100 acres que alberga os arquivos Baha’is e a Casa Universal de Justiça, um edifício neoclássico onde reside o órgão governativo mundial (constituído por nove membros eleitos) e uma equipa de mais de 600 funcionários. No centro literal e espiritual do local, está o santuário de Mirza Ali Muhammad, conhecido como o Bab (“porta”) - o precursor que em 1844 anunciou esta fé monoteísta - que ali se encontra sepultado num mausoléu de cúpula dourada.Embora o Bab tenha sido executado por insurreição e heresia em 1850, em Tabriz, no Irão, os seus seguidores levaram os seus restos mortais para a Terra Santa na década de 1880, e sepultaram-no aqui 1909, seguindo instruções do fundador da fé, Mirza Hussein Ali. Bahá'u'lláh (“Glória do Deus”), como o fundador é conhecido, chegou à região em 1868 como um prisioneiro dos otomanos depois de ter sido exilado da Pérsia, acusado de actividades revolucionárias e da conspiração assassinar o Xá.
Actualmente, o recinto atrai mais meio milhão visitantes por ano, incluindo os peregrinos Baha’is que vêm para visitas de nove dias, e os turistas que vêm passear nos jardins em forma de imaculados terraços curvos imaculados no exterior do santuário - nove acima e nove abaixo deste. Os terraços, projectados por Fariburz Sahba, e terminados em 2001, correspondem aos 18 primeiros discípulos Baha’is. Exigem uns 80 jardineiros e um custo de manutenção anual de aproximadamente 4 milhões de dólares.
Contudo, nem tudo vai calmo para Bahaismo. Apesar de toda a benevolência seus membros usufruem dos seus anfitriões israelitas (seguindo uma instrução de Bahá'u'lláh emitida imediatamente depois da sua chegada aqui, a religião nem procura nem aceita convertidos em Israel), eles sofrem a perseguição miserável em países islâmicos. E mais do que em qualquer outro lugar, no Irão Em nenhuma parte mais assim do que em Irão, o berço da fé.
Em Maio, seis dirigentes da comunidade de Baha’i foram presos em Teerão; permanecem incomunicáveis. As detenções são mas a mais recente vaga de um ódio de duas décadas dirigido contra uma fé considerada uma heresia muçulmana. Durante o regime Pahlevi (1927-79), as escolas Baha’is foram forçadas a encerrar, e a sua literatura foi proibida. O exército dos Xá destruiu o Centro Nacional Baha’i em Teerão em 1955.
Após a revolução dos ayatollahs de 1979, as coisas ficaram ainda piores para os Baha’is. Os guardas revolucionárias destruíram a casa do Bab, em Shiraz, e construíram uma mesquita sobre os escombros. Posteriormente, arrasaram a mansão que tinha pertencido ao pai de Bahá'u'lláh. Os oficiais iranianos usaram escavadoras para destruir cemitérios Baha’is em Najafabad e em Yazd, e em Babol, profanaram a sepultura de Quddus, um dos primeiros discípulos do Bab.
Esses incidentes iniciaram uma purga sistemática, apoiada pelo Governo. Os Baha’is foram expulsos das universidades, sujeitos à intimidação e à prisão arbitrária, e ficaram sem liberdade de culto. Todos os funcionários públicos Baha’is foram demitidos. Em 1991, o secretário do Supremo Conselho Cultural Revolucionário de Irão, Seyyed Mohammad Golpaygani, emitiu uma directiva, aprovada pessoalmente pelo Ayatollah Ali Khamenei, declarando que o “emprego estará recusado às pessoas que se identificam como Baha’is.” Alguns fiéis foram denunciados como agentes sionistas e torturados. Ao todo, os Baha’is afirmam que mais de 200 crentes foram executados no Irão desde o início da revolução, incluindo 10 mulheres de Baha’is enforcadas por darem aulas de religião às crianças.
É difícil imaginar uma corrente de intolerância religiosa mais pura do que o fanatismo que grassa na classe dirigente do Irão. É tão difícil quanto imaginar uma essência de tolerância mais pura do que aquela que caracteriza os Baha’is, que reconhece Abraão, Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Jesus e Maomé como mensageiros divinos; que pregam o pluralismo, a igualdade entre os sexos, a instrução universal e a harmonia entre o conhecimento secular e religioso; e que insistem na unidade da humanidade, ao ponto de encorajarem explicitamente o casamento inter-racial.
A intolerância odeia a tolerância acima de tudo. No mesmo momento em que a UNESCO decidiu reconhecer aquilo que chama “o valor universal proeminente” dos santuários de Carmêlo e aquilo que representam, os mullahs são impelidos a perseguir estes crentes que emergiram no coração do próprio Islão -- e quem representam um futuro que o Islão fanático, desastrosamente, preferiu rejeitar.
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O Sr. Balint, é um escritor residente em Jerusalem, e editorialista do jornal Jerusalém Post.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Programa "Caminhos", RTP, 1986
O programa caminhos foi criado para RTP para dar voz às minorias religiosas em Portugal. Em 1986, a Comunidade Bahá'í de Portugal participou pela primeira vez nesse programa. Aqui fica o excerto dessa participação.
Penso que para alguns Bahá'ís portugueses isto deve ser quase uma preciosidade histórica.
Penso que para alguns Bahá'ís portugueses isto deve ser quase uma preciosidade histórica.
terça-feira, 24 de junho de 2008
O Contributo das Religiões para a Paz
Aqui fica a transcrição da notícia do Público sobre o primeiro dia do 3º Colóquio Internacional "O Contributo das Religiões para a Paz".
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Crentes propõem um "G8" das religiões e António Costa anuncia apoio à criação de um museu judaico em Lisboa
Um "G8" que congregue líderes religiosos, para promover a compreensão entre os povos, foi ontem sugerido por René Samuel Sirat, vice-presidente da Conferência dos Rabinos Europeus, durante o III colóquio da Comissão de Liberdade Religiosa (CLR), que hoje termina no Fórum Lisboa.
O rabino Sirat, uma das mais destacadas personalidades do judaísmo, já propôs a mesma ideia em outras duas assembleias inter-religiosas. Na última, em Janeiro, em Alexandria (Egipto), a ideia foi apoiada por unanimidade. Mas Sirat diz que há ainda muito caminho para andar.
No colóquio, surgiram várias ideias para que as religiões possam dar o seu contributo para a paz, tema do colóquio. Paulo Borges, presidente da União Budista Portuguesa, propôs que os líderes religiosos peregrinassem em conjunto a lugares importantes das diversas religiões. O patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, desafiou a CLR a desenvolver o estudo comparado das religiões.
António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, anunciou para breve a abertura da estação arqueológica da cidade muçulmana no Castelo de São Jorge. O apoio à criação de um museu judaico na capital é outra ideia para promover o diálogo inter-religioso.
Na sessão de abertura, José Sócrates afirmou que nas democracias a liberdade religiosa "não é um tema fácil nem está resolvido", nem tão-pouco é "um dado adquirido". Pediu, por isso, que os políticos se empenhem permanentemente na sua defesa.
Referindo-se ao modo como os políticos devem lidar com a religião, Sócrates citou o primeiro Presidente americano, George Washington: "Com delicadeza, gentileza e afecto." E disse que "nada há mais profundamente humano que a religião".
Para o primeiro-ministro, o Estado laico deve significar neutralidade perante as religiões, mas de modo a que todas tenham espaço para afirmar as suas crenças.
"Neutralidade não significa o não reconhecimento do valor ético de todas as religiões", afirmou. "Acredito profundamente no contributo das religiões para a paz", um valor que, diz o primeiro-ministro, "tão esquecido tem andado na política internacional".
Ao abrir o colóquio, Mário Soares, presidente da CLR, professou a sua fé "nas virtudes do diálogo inter-religioso e entre crentes e não crentes". O cardeal-patriarca de Lisboa referiu-se ao "processo complexo" de construção da paz, que tem exigências éticas, políticas, económicas e religiosas. O contributo das religiões para a paz depende da "fidelidade dos crentes" aos princípios em que acreditam. Mas a "simples liberdade de consciência tem um longo caminho a percorrer".
Vassilios Tsirmpas, evangélico grego, acentuou a necessidade de pedir perdão pela arrogância que continua a marcar várias tradições religiosas.
O rabino René Samuel Sirat diz que ainda há muito caminho para andar até à criação de uma grande entidade multi-religiosa
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Outras noticias sobre este evento:
“A liberdade religiosa não está resolvida” (Correio da Manhã)
D. José Policarpo critica Concordata (Correio da Manhã)
Sócrates diz que liberdade religiosa não está resolvida (Diário Digital)
Sócrates apela a respeito pela liberdade religiosa (TVI)
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Crentes propõem um "G8" das religiões e António Costa anuncia apoio à criação de um museu judaico em Lisboa
Um "G8" que congregue líderes religiosos, para promover a compreensão entre os povos, foi ontem sugerido por René Samuel Sirat, vice-presidente da Conferência dos Rabinos Europeus, durante o III colóquio da Comissão de Liberdade Religiosa (CLR), que hoje termina no Fórum Lisboa.
O rabino Sirat, uma das mais destacadas personalidades do judaísmo, já propôs a mesma ideia em outras duas assembleias inter-religiosas. Na última, em Janeiro, em Alexandria (Egipto), a ideia foi apoiada por unanimidade. Mas Sirat diz que há ainda muito caminho para andar.
No colóquio, surgiram várias ideias para que as religiões possam dar o seu contributo para a paz, tema do colóquio. Paulo Borges, presidente da União Budista Portuguesa, propôs que os líderes religiosos peregrinassem em conjunto a lugares importantes das diversas religiões. O patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, desafiou a CLR a desenvolver o estudo comparado das religiões.
António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, anunciou para breve a abertura da estação arqueológica da cidade muçulmana no Castelo de São Jorge. O apoio à criação de um museu judaico na capital é outra ideia para promover o diálogo inter-religioso.
Na sessão de abertura, José Sócrates afirmou que nas democracias a liberdade religiosa "não é um tema fácil nem está resolvido", nem tão-pouco é "um dado adquirido". Pediu, por isso, que os políticos se empenhem permanentemente na sua defesa.
Referindo-se ao modo como os políticos devem lidar com a religião, Sócrates citou o primeiro Presidente americano, George Washington: "Com delicadeza, gentileza e afecto." E disse que "nada há mais profundamente humano que a religião".
Para o primeiro-ministro, o Estado laico deve significar neutralidade perante as religiões, mas de modo a que todas tenham espaço para afirmar as suas crenças.
"Neutralidade não significa o não reconhecimento do valor ético de todas as religiões", afirmou. "Acredito profundamente no contributo das religiões para a paz", um valor que, diz o primeiro-ministro, "tão esquecido tem andado na política internacional".
Ao abrir o colóquio, Mário Soares, presidente da CLR, professou a sua fé "nas virtudes do diálogo inter-religioso e entre crentes e não crentes". O cardeal-patriarca de Lisboa referiu-se ao "processo complexo" de construção da paz, que tem exigências éticas, políticas, económicas e religiosas. O contributo das religiões para a paz depende da "fidelidade dos crentes" aos princípios em que acreditam. Mas a "simples liberdade de consciência tem um longo caminho a percorrer".
Vassilios Tsirmpas, evangélico grego, acentuou a necessidade de pedir perdão pela arrogância que continua a marcar várias tradições religiosas.
O rabino René Samuel Sirat diz que ainda há muito caminho para andar até à criação de uma grande entidade multi-religiosa
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Outras noticias sobre este evento:
“A liberdade religiosa não está resolvida” (Correio da Manhã)
D. José Policarpo critica Concordata (Correio da Manhã)
Sócrates diz que liberdade religiosa não está resolvida (Diário Digital)
Sócrates apela a respeito pela liberdade religiosa (TVI)
A Arte de fazer Títulos

Não há nada como um título bem polémico para chamar a atenção do leitor, não é verdade?
Pois o Diário de Notícias parece ter ter procurado um título assim para descrever o 3º Colóquio Internacional organizado pela Comissão de Liberdade Religiosa. Além de sensacionalista, este título é falso. Não só o Cardeal Patriarca de Lisboa esteve presente na sessão de abertura, como dois representantes de organizações católicas (Comunidade de S. Egídio e Fundação Ajuda à Igreja que sofre) também participaram nos trabalhos.
A notícia completa do DN está aqui.
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