Mostrar mensagens com a etiqueta Media. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Media. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Les bahaïs, persécutés en Iran

Artigo publicado ontem no jornal francês, Liberation.
-------------------------------------------


Signe d’un durcissement idéologique du régime ou d’une lutte de plus en plus acharnée entre factions, la petite communauté bahaï fait à nouveau l’objet de persécutions en Iran. Avec la récente arrestation de six responsables, une femme et cinq hommes, celle-ci n’a plus de direction. Le septième membre - une femme - de ce comité d’ailleurs très informel et très discret avait déjà été appréhendé le 5 mars. Détenus à Téhéran, ils sont accusés d’«avoir agi contre la sécurité nationale et d’avoir noué des liens avec des étrangers».En janvier, 54 membres de cette communauté, estimée à quelque 300 000 personnes (5 millions dans le monde), ont été condamnés à des peines de prison, trois d’entre eux à quatre ans, les autres à un an avec sursis. Les juges les accusaient de prosélytisme à Chiraz, une des villes où les membres de cette religion monothéiste fondée au XIXe siècle sont nombreux.

Sacrilège. Persécutés depuis l’avènement de la République islamique, en 1979, - ils l’étaient aussi épisodiquement du temps du chah - les bahaïs, dans leur majorité, n’ont pourtant jamais voulu quitter l’Iran. Pour le régime islamique, leur foi est sacrilège puisque, tout en vénérant le prophète Mahomet, ils croient à l’existence d’un dernier messager de Dieu, Bahaullah, mort en 1892, et enterré, circonstance aggravante, en Israël, près de Haïfa.

Les premières années de la révolution ont été terribles pour les bahaïs. Les neuf membres de leur assemblée spirituelle ont disparu, sans doute exécutés. Selon des sources bahaïes, quelque 200 personnes ont été tuées depuis 1980, ce que Téhéran nie.

A Paris, Foad Saberan, psychiatre bahaï d’origine iranienne, estime que les conditions des bahaïs se sont gravement détériorées depuis l’arrivée au pouvoir de Mahmoud Ahmadinejad, en 2005. «Nous sommes le seul groupe humain où les enfants sont persécutés sur instruction du ministère de l’Education. Ainsi, dans certaines écoles, chaque matin, on fait sortir du rang les écoliers bahaïs et les enseigants incitent leurs copains à les insulter et à les humilier pour leur foi.» «Aujourd’hui, la vie d’un bahaï ne vaut rien. Tous les sadiques ont les mains libres pour s’attaquer à eux en toute impunité», ajoute-t-il.

Luttes internes. L’arrestation récente des responsables bahaïs est intervenue après l’attentat contre une mosquée de Chiraz, d’abord imputée par le régime aux fanatiques wahhabites, puis aux bahaïs, communauté pacifique qui, à la différence des autres minorités (sunnite, chrétienne, zoroastrienne et juive) ne peut avoir aucun représentant légal.

Plus qu’un raidissement idéologique, cette vague de persécutions semble s’inscrire dans les luttes internes du régime à l’approche des élections présidentielles de l’an prochain. Le 14 mai, le grand ayatollah Ali Montazeri est intervenu courageusement en leur faveur, demandant qu’ils puissent vivre comme des citoyens en Iran et bénéficier de la compassion de l’islam. Comme ce religieux, pressenti pour succéder à l’imam Khomeiny puis écarté du pouvoir, est toujours en exil intérieur dans la ville sainte de Qom, il n’est pas sûr que sa fatwa n’ait pas un effet contraire.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Acusações e Refutações

O caso dos Bahá'ís detidos no Irão é hoje motivo de acusações por parte do governo iraniano. Por seu lado, a Comunidade Internacional Bahá'í refuta essas acusações, acusando o governo iraniano de perseguição religiosa.

(clique nas imagens para ler a notícia)









sexta-feira, 18 de abril de 2008

Jose Luis Marques

Em 2 de Agosto de 1990, o Jornal das 9 (da RTP2) emitiu o que considero ter sido uma das melhores reportagens que a alguma vez vi sobre a Fé Bahá'í. Na altura realizava-se em Oeiras a Escola de Verão. O convidado especial era Jose Luis Marques, um ex-sacerdote Católico que aceitara a Fé Bahá'í; era ele o autor do livro "Cartas a um bom Católico".

Aqui fica essa reportagem (da autoria da jornalista Maria Júlia Fernandes), recuperada de uma cassete VHS bem antiga.

domingo, 16 de março de 2008

Os filhos do último Profeta



Aqui fica a transcrição do artigo publicado ontem na revista Única (do jornal Expresso).
---------------------------------------------


Reportagem de Mário Robalo (texto) e Tiago Miranda (fotografias)

Seis milhões de bahá’ís em todo o mundo celebram, na próxima sexta-feira, o Ano Novo. Afirmando-se o «manifestante de Deus», substituindo todos os anteriores[1], o persa Bahá'u'lláh profetizou, no século XIX, a instauração de um governo mundial para todos povos e a união de todas as fés. Em Portugal, existem nove mil fiéis.

Os miúdos fixam-se no olhar de Neda que lhes fala com uma ternura cativante: «Porque dizemos 'bom-dia' aos nossos pais, pela manhã, quando não sabemos ainda o que vai acontecer?» A pergunta provoca um coro de desconcertantes respostas. Mas Núria, apoiando o rosto moreno entre as mãos, coloca a sua questão, quase excessiva para os seus dez anos: «É porque queremos que os outros também estejam felizes...» Neda agarra a ideia, dando-lhe coerência: «Pois... é como se alguém estivesse a tossir por cima de vocês, ficariam constipados. O mesmo se passa quando olhamos a vida de forma positiva. Essa nossa alegria passa para os outros, é contagiante.»

Aos sábados, a iraniana Neda Bakhshandegi faz, com o marido e as três filhas, o percurso entre Évora e Lisboa. Não apenas para animar um grupo de crianças no Centro Nacional Bahá'í, «mas também para que a família não perca a relação com a comunidade», diz enquanto agasalha Sama Isabel, a filha mais nova, de 8 meses, para regressarem a casa numa tarde cinzenta e húmida. Esta mulher, que herdou do pai o gosto pela arquitectura, teve de fugir da sua Teerão natal quando tinha 12 anos, juntamente com os pais e um irmão, em Maio de 1978, um ano antes da revolução do ayatolah Khomeni. «Foi a instituição islâmica que criou o mal-estar», acusa ao evocar um ambiente depressivo que então já se vivia, com pessoas a anotarem as matrículas dos carros de quem os visitava. Os diferentes regimes iranianos desencadearam uma feroz perseguição contra os crentes bahá’ís, que agora entram no ano 164[2]. Em 1844[3], Bahá'u'lláh proclama-se o profeta anunciado pelas fés judaica, cristã e muçulmana. Desde então, o número de fieis condenados à morte já ultrapassou os 20 mil. O clero islâmico considera-os heréticos. Depois da proclamação da República islâmica do Irão, os funcionários públicos bahai foram despedidos e mais de 200 execuções foram confirmadas pela ONU e a União Europeia (UE), que por diversas vezes condenaram a situação de prisões arbitrárias e desaparecimentos. A última condenação da UE foi em Fevereiro, lamentando «a expulsão de estudantes de liceus e universidades». Após a entrada de Khomeni, mais de 700 mil bahá’ís[4] viram-se forçados a abandonar o país. Portugal acolhe uma centena.

Neda e a família acabaram por chegar a Nova Jersey (EUA) com visto de refugiados. Em Israel, durante um trabalho voluntário na sede da sua religião, conheceu Shakib Shahidian, um iraniano refugiado com a família em Portugal desde os 10 anos. Agora Neda dedica o seu tempo a suscitar vontades para acções cívicas, como a realização de concertos a favor de uma associação de pais de crianças deficientes ou a limpeza de uma barragem de abastecimento à cidade de Évora com crianças de escolas.

«A fé bahá'í é uma ferramenta que nos permite participar, de modo responsável, na construção de uma cultura de respeito por toda a humanidade e pela Natureza», reconhece Shakib. E este professor de Engenharia Agrícola na Universidade de Évora recupera as profecias de Bahá'u'lláh sobre a «nova civilização mundial» que será sustentada por uma federação governativa universal: eliminação da pobreza, garantia de cuidados de saúde e de ensino para todos, criação de uma língua universal[5], reconhecimento da harmonia da religião com a razão e o conhecimento científico, e igualdade entre mulher e homem.

A chegada a Portugal em 1976, «causou uma sensação de alívio para a família». Os pais de Shakib, médicos, eram ameaçados constantemente, apesar de prestarem serviço em pequenas aldeias no sul do Irão. «O meu pai chegou a receber um 'recado' com uma faca desenhada. Por isso, «viver em Vila Nova de Gaia com uma única panela em casa, que servia para aquecer a água do banho e fazer comida, não significou qualquer incómodo». Até ir para Évora fazer o curso, os pais sobreviveram a vender flores e plantas. Demorou sete anos até que a mãe conseguisse um lugar no Hospital de Peso da Régua. Em Angola, onde trabalhou numa empresa agrária, Shakib voltou a experimentar o ambiente de medo que experimentara na sua terra. «Quando cheguei a Luanda, os bahá'ís ainda tinham de esconder os livros sob o chão das casas»

Quem nunca teve de suportar a violência da perseguição religiosa foi Margarida e João Ganso, treinador do atleta Nelson Évora, também bahá’í. Ele e a mulher conheceram a fé depois de Abril de 1974 – até àquela data a polícia política por diversas vezes invadiu as reuniões dos crentes bahá’ís. Nascidos em famílias católicas, o seu abandono da Igreja «não resultou de nenhuma atitude de rebeldia», confessa Margarida, para quem «a opção pela fé bahá’í significou um passo em frente», devolvendo-lhe outra dimensão das religiões. «Na Igreja Católica, a certeza da fé apenas reside na sua doutrina. Agora tenho a noção de que existe algo de válido noutras religiões...» A ideia desta advogada é interrompida pelo seu filho David «apenas» quer acrescentar: «Nunca tentei mostrar a um amigo que outra religião está errada. Ela está correcta, mas incompleta, porque Deus vai-se revelando progressivamente.» Os ensinamentos bahá’ís sustentam que cada «manifestante de Deus» - Krishna, Zoroastro, Abraão, Moisés, Buda, Jesus e Maomé - revelou partes do plano divino para a Humanidade. Bahá'u'lláh trouxe «a mensagem da unidade», que se concretizará na «cidadania mundial». Foi esta convicção que levou David, engenheiro civil, 24 anos, a integrar um grupo de dança teatral internacional bahá’í, com jovens de 10 nacionalidades diferentes.

Durante um ano percorreram um sem-número de países, «transmitindo mensagens de confiança na Humanidade». O pai de David recorda entretanto que, antes da conversão, o casal procurou respostas em outras Igrejas cristãs. João Ganso sublinha que os «benefícios» da sua nova fé se revelaram a nível do relacionamento humano: «O ambiente na família melhorou significativamente. Oramos juntos, quando temos dificuldades. E eu que vivi em Angola trazia uma ponta de racismo. Agora estou inserido num grupo de pessoas africanas que frequentam a nossa casa.»

A casa de Maryam Sanai, na Praia da Rocha (Portimão), também está disponível todas as sextas-feiras para acolher um grupo de cerca de 20 pessoas. Reúnem-se para dialogar sobre temas tão diversos como «as mulheres lideres no mundo» ou «a relação de afecto entre pais e filhos». Um dia, numa acção da fé bahá’í, esta iraniana ouviu alguém sustentar que o desenvolvimento humano precisa de nutrição. «Foi como um clique a despertar-me para uma acção concreta». A partir de então, sempre que surge a oportunidade, «particularmente junto de pais com filhos ainda pequenos», Maryam integra na conversa «a necessidade de desenvolvermos virtudes que alimentam o nosso interior e as relações humanas». Não se trata de proselitismo camuflado, garante. Até porque a sua fé não lho permite. Ela própria tem experiência de que a religião não se impõe: «É uma busca individual, que se cultiva naturalmente, mas que primeiro passa por uma decisão íntima.»

Quando chegou a Portugal, em 1980, com o marido, Siavash Sanai e a filha Tina, então com três anos, Maryam trazia como currículo a sua carreira de jornalista na televisão estatal do Irão. Por causa da sua convicção religiosa foi, primeiro «desterrada para a biblioteca» e, depois, despedida. Oito anos antes tinha casado com um arquitecto, em cuja família diversos membros foram presos ou executados por confessarem Bahá'u'lláh.

Ao chegar a Portimão, Siavash ainda pensou poder ali exercer a sua profissão. «Um engano». Uma empresa de construção quis aproveitar-se da sua formação. Como não podia assinar projectos, «pagavam um ordenado tão pequeno, 33 contos (hoje 165 euros), que quase não dava para pagar os 28 (140 euros) da renda da casa». A casa onde agora recebem as pessoas que aderem à iniciativa de Maryam foi projectada por ele. E o negócio de peles e malas garante-lhes a sobrevivência. Inicialmente aventuraram-se a tomar conta de uma mercearia. «Um atrevimento. Ainda não falávamos português», lembra Siavash, interrompido pela mulher, para recordar que «eram os clientes quem nos ensinava o nome dos produtos» Mas não bastava a simpatia da clientela.

O negócio era fraco, e, entretanto, em 1985, nascera-lhe um rapaz, Sahba. «Chegámos a não ter dinheiro para levar os filhos ao médico», diz Maryam, concluindo com satisfação: «Mas tudo se conseguiu». O filho está a terminar o curso de engenharia em Lisboa, onde participa na actividade da comunidade. A filha, Tina, exerce medicina em Beja. E no quotidiano de tensão rodeado de problemas humanos, esta médica diz sustentar-se no lema bahá’í: «Sejam actos e não palavras o vosso adorno».

Todos os membros da família Sanai estão naturalizados portugueses, situação que não escapou à vigilância do governo islâmico de Teerão. Através de um «comissário», fez saber que a família não deve voltar à pátria. Siavash retribui: «no meu país nasci como um estrangeiro, em Portugal sou da casa. Aqui a religião nunca foi um perigo nem um obstáculo.»

-------------------------------------------

A «GLÓRIA DE DEUS»

Bahá'u'lláh, que significa «glória de Deus», nasceu na Pérsia em 1817, com o nome de Mirzá Husayn-Al [6]. O governo do seu país e as autoridades islâmicas não toleraram que ele se tivesse anunciado como o «manifestante de Deus» e «o prometido» - o último profeta de todas as religiões do passado[7]. Acabaram por lhe decretar o exílio e sucessivas detenções.

Faleceu a 29 de Maio de 1892, em Akka (Israel)[8] onde se encontra sepultado. As suas escrituras são consideradas revelações divinas para os seis milhões de crentes dispersos por mais de 200 países.

A fé bahá’í fundamenta-se na necessidade de «regenerar a Humanidade» com vista à formação de um governo único para todas as nações.

Os bahá’ís não têm clero nem culto[9]. O casamento é uma instituição e o divórcio é tolerado. O álcool e as drogas estão proibidas. Também lhes está vedada a participação na política partidária bem como cargos de governação.

Os lideres locais e nacionais são eleitos[10], a exemplo do seu órgão máximo, a Casa Universal de Justiça, em Israel. A primeira notícia sobre a fé bahá’í é dada em 1926, durante uma conferência no Clube Rotário, em Lisboa. Antes, Eça de Queiroz já se referira , em «correspondência de Fradique Mendes», ao triunfo de um movimento religioso na Pérsia, chamado «babismo». Por diversas vezes, a PIDE interrompeu as reuniões da comunidade, confiscando livros de orações e documentos internos. Alguns dos seus membros tiveram mesmo de responder na sede daquela polícia. Mário Marques, actual director dos Assuntos Externos, foi um dos crentes que, por diversas vezes, foram inquiridos pelos agentes da polícia política do Estado Novo.


* * * * * * * * *

COMENTÁRIO
Mesmo podendo passar a ideia errada de que a Comunidade Bahá'í em Portugal é maioritariamente constituida por refugiados iranianos, penso que este artigo apresenta uma interessante imagem do que são os baha’is em Portugal, das suas preocupações e interesses. Existem pequenos detalhes (que assinalei ao longo do texto) no texto que não são totalmente correctos e, por esse motivo, merecem alguns esclarecimentos.
[1] - Bahá'u'lláh não pretende substituir os Manifestantes anteriores. Ele apresenta-Se como mais um na sucessão de Mensageiros Divinos que acreditamos que Deus tem enviado à Humanidade. Também não acreditamos que Ele seja o último, no futuro a Humanidade terá outras necessidades, e por esse motivo é natural que surjam novos Mensageiros Divinos.
[2] - Segundo calendário Bahá’í, vamos entrar no ano 165.
[3] - Baha'u'llah anunciou a Sua missão em 1863 (a um conjunto restrito de pessoas) e em 1867 (de uma forma pública).
[4] - É um número exagerado. No Irão vivem cerca de 300.000 a 350.000 baha’is. Nos Estados Unidos o número de refugiados baha’is iranianos ronda os 10.000.
[5] - O sobre este tema, os princípios bahá’ís defendem a criação ou adopção de uma língua auxiliar internacional.
[6] - O nome próprio de Bahá'u'lláh era Husayn-'Alí.
[7] - Bahá'u'lláh apresentou-Se como o prometido de todas as religiões, mas nunca afirmou que a sua revelação fosse derradeira ou a última.
[8] - Quando Bahá'u'lláh faleceu, ainda não existia Estado de Israel. Seria mais correcto afirmar que ele faleceu em Akka, na Palestina Otomana.
[9] - O que se considera culto? Se estamos a falar de actividades praticadas ciclicamente seguindo um certo conjunto de regras (mesmo que genéricas), então poderemos considerar as Festas de 19 Dias como uma acto de culto. E também existem um conjunto mínimo de rituais; veja-se a Oração Diária Longa, ou a cerimónia de casamento.
[10] – Não se trata da eleição de lideres, mas sim de órgãos administrativos. Nenhum membro eleito de um órgão da administração bahá’í pode ser considerado um líder.

Alem disto, numa das fotos que acompanha a reportagem há uma legenda que refere 'Abdu'l-Bahá como "Guardião da Fé». O titulo de Guardião da Fé não se aplica a 'Abdul-Bahá, mas sim ao Seu neto, Shoghi Effendi.

quinta-feira, 6 de março de 2008

A qualidade da Comunicação Social



A qualidade da Comunicação Social é frequentemente posta em causa. O fenómeno não é recente, nem exclusivamente português. Provavelmente é tão antigo quanto a própria Comunicação Social. Há cerca de cem anos atrás Gandhi percebeu este problema; e também compreendeu que teremos de viver com ele:
A imprensa é uma grande força, mas, assim como um torrente descontrolada de água submerge paisagens inteiras e devasta plantações, assim também uma pena descontrolada só serve para destruir. Se o controlo for externo, torna-se mais venenoso do que a falta de controlo. Só pode ser vantajoso se exercido internamente. Se esta linha de raciocínio for correcta, quantos jornais do mundo passariam pelo teste? Mas quem poria fim aos inúteis? E quem deveria ser o juiz? Os úteis e os inúteis, assim como o bem e o mal de forma geral, têm de continua a existir juntos, e o ser humano tem de fazer a sua escolha.[1]
No sec. XIX, Bahá'u'lláh , o fundador da religião bahá’í também percebeu o potencial da imprensa. Ao referir-se a um jornal turco que O caluniava, escreveu:
As páginas de jornais que surgem subitamente são, em verdade, o espelho do mundo. Reflectem os feitos e as preocupações dos diversos povos e raças - reflectem e também os dão a conhecer. São um espelho dotado de audição, visão e expressão oral. É este um fenómeno poderoso e espantoso. Cumpre a seus redactores, porém, purificarem-se dos impulsos das paixões e desejos malignas e adornarem-se com as vestes da justiça e equidade. Devem investigar as situações, tanto quanto lhes seja possível, certificando-se dos factos, e então registrá-los por escrito. [2]
Não conheço nenhum jornalista que goste de fazer um mau trabalho. Mas conheço jornalistas cujos patrões não se regem por valores éticos, mas apenas pelo lucro; muitas vezes são esses patrões os principais responsáveis pela qualidade do trabalho que os jornalistas produzem. Neste aspecto as palavras de Gandhi parecem actuais. E as palavras de Bahá'u'lláh bem poderiam ser o mote para um código de ética da comunicação social.

--------------------------------------------------
NOTAS
[1] – Mahatma Gandhi, A Minha Vida e as Minhas Experiências com a Verdade, p.264
[2] – Epístolas de Bahá'u'lláh, Tarazat

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Islam and the apostasy debate



Se há tema com que o Islão não consegue lidar bem, esse é sem dúvida a apostasia. Para ler na BBC.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

EGYPT: A bit more religious freedom

Um artigo publicado ontem na edição online do The Economist.
---------------------------------------------


Apostasy need not necessarily be punished by death

TWENTY-SEVEN years ago, Egypt revised its secular constitution to enshrine Muslim sharia as “the principal source of legislation”. To most citizens, most of the time, that seeming contradiction—between secularism and religion—has not made much difference. Nine in ten Egyptians are Sunni Muslims and expect Islam to govern such things as marriage, divorce and inheritance. Nearly all the rest profess Christianity or Judaism, faiths recognised and protected in Islam. But to the small minority who embrace other faiths, or who have tried to leave Islam, it has, until lately, made an increasingly troubling difference.

Members of Egypt's 2,000-strong Bahai community, for instance, have found they cannot state their religion on the national identity cards that all Egyptians are obliged to produce to secure such things as driver's licences, bank accounts, social insurance and state schooling. Hundreds of Coptic Christians who have converted to Islam, often to escape the Orthodox sect's ban on divorce, find they cannot revert to their original faith. In some cases, children raised as Christians have discovered that, because a divorced parent converted to Islam, they too have become officially Muslim, and cannot claim otherwise.

Such restrictions on religious freedom are not directly a product of sharia, say human-rights campaigners, but rather of rigid interpretations of Islamic law by over-zealous officials. In their strict view, Bahai belief cannot be recognised as a legitimate faith, since it arose in the 19th century, long after Islam staked its claim to be the final revelation in a chain of prophecies beginning with Adam. Likewise, they brand any attempt to leave Islam, whatever the circumstances, as a form of apostasy, punishable by death.

But such views have lately been challenged. Last year Ali Gomaa, the Grand Mufti, who is the government's highest religious adviser, declared that nowhere in Islam's sacred texts did it say that apostasy need be punished in the present rather than by God in the afterlife. In the past month, Egyptian courts have issued two rulings that, while restricted in scope, should ease some bothersome strictures. Bahais may now leave the space for religion on their identity cards blank. Twelve former Christians won a lawsuit and may now return to their original faith, on condition that their identity documents note their previous adherence to Islam.

Small steps, perhaps, but they point the way towards freedom of choice and citizenship based on equal rights rather than membership of a privileged religion.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Is God behind Super Tuesday results?

As presidential candidates knock each other out competing for evangelical Christian, Muslim or Jewish votes, a few flocks are particularly impervious to their appeals. For example, you won’t see a Baha’i at the polls on Tuesday. Jehovah’s Witnesses will be absent as well. Both religious traditions prohibit participation. Does that imply all politics are evil?

Not necessarily. While Jehovah’s Witnesses always steer clear of the polls, Baha’is bow out only in the primaries. It’s the divisiveness of partisan politics they avoid. That precludes campaigning too, which means you won’t see an Obama sign on a Baha’i lawn or a McCain button on a Baha’i lapel.

Instead of declaring party affiliations, Bahais are to cast their ballots for leaders based on character, merit and likelihood of making the greatest contribution to society.

Glen Fullmer, a spokesman for the North American Baha’i Temple in Wilmette, said Baha’is are simply trying to model the Baha’i system of government in their public life. Baha’is believe Baha’u’llah, the prophet and founder of their faith, outlined a divine and superior system of government, which came to him in a divine revelation.

"It takes the best of a lot of the recognized systems of government [including] monarchy and democracy ... and eliminates the weaknesses," Fullmer said.

Without a professional clergy, Baha’i elect their leaders in a process they try to make as unifying as possible. Leaders of spiritual assemblies are selected without nominations or campaigning. Members simply write down names based on what they know about the individuals.

"It’s giving each elector the widest freedom," Fullmer said.

That’s an adjustment for a lot of Baha’i converts who previously called themselves Goldwater Republicans or Yellow Dog Democrats, he added.

"A lot of people come to the faith with all kinds of desire to change the world," Fullmer said. "For a lot of people, the outlook for that has been politics. For many Baha’is that’s a difficult thing. It’s taking a different lens to it."

Jehovah’s Witnesses have a more absolute prohibition. They pledge allegiance to God, not Caesar, and forbid voting of any kind. Jesse Graziani, a spokesman for Chicago-area Jehovah’s Witnesses, said their prohibition stems from John 17:16: "They are no part of the world, just as I am no part of the world." Graziani was referring to the biblical translation preferred by Jehovah’s Witnesses called the New World Translation of the Holy Scriptures, a Bible translated into modern language from Hebrew, Aramaic and Greek.

"The best way we can assist people is not by preaching some political dogma but by following the tenets that are found in the Bible," Graziani said. "We feel that God’s kingdom is the only hope for mankind. When Jesus Christ was on the Earth ... they wanted to make him a secular king. He turned that down. He felt that man’s government in general could never succeed because these governments never had God’s backing."

Do you believe God backs Super Tuesday? Will your choice to vote or not to vote have religious motivation?

----------------------------------------------
Publicado no blog de Manya Brachear, do Chicago Tribune

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Um desafio a Khatami

Sam Qandchi, editor do Iranscope, publicou hoje um vigoroso editorial onde desafia o governo iraniano a reconhecer a Fé Bahá'í. O texto coloca uma questão muito simples ao antigo presidente iraniano, Khatami, que é agora o representante iraniano no "Aliança de Civilizações": "Sr. Khatami, nos seus esforços em prol de uma maior unidade nacional, estará disposta a ajudar com o reconhecimento da Fé Baha'i na República islâmica do Irão?"

Qandchi lembra que há já alguns anos que Khatami fala do diálogo entre as civilizações. Mas é irónico que ele viva num país que nos últimos 28 anos negou o reconhecimento da Fé Baha'i, uma das grandes religiões mundiais e a maior comunidade religiosa do Irão, logo após os Xiitas. A ausência de reconhecimento está implícita na Constituição Iraniana que apenas garante o reconhecimento dos Cristãos e dos Judeus como "povos do Livro"; e também reconhece superficialmente os Zoroastrianos.

O argumento do regime islâmico tem sido que os Baha’is não são mencionados no Alcorão, e por esse motivo não podem ser reconhecidos.

O editorialista prossegue com a seguinte questão: os Xiitas são mencionados no Alcorão?

Claro que não! Em nenhuma parte do Alcorão se referem os Xiitas, uma corrente que foi criada depois do Alcorão ter sido revelado. E, de facto, de acordo com as tradições sunitas aceites em todos os países árabes e em algumas partes do Irão. Os Xiitas são infiéis e hereges. Esta é a opinião de 90% dos muçulmanos do mundo.

Qandchi interroga-se, então, sobre o que leva uma seita - que foi formada após o Alcorão e não é mencionada no Livro Sagrado, e é considerada herética pela maioria do mundo islâmico - a negar o reconhecimento de outra religião, apenas com base no argumento de que a Fé Baha'i não é referida no Alcorão!

O texto conclui com um apelo a Khatami – que está empenhado na reconciliação entre o Islão e o Cristianismo – a começar por curar as feridas da sua própria nação. Se após 160 anos de perseguições sistemáticas e massacres de Baha'is, o Irão não consegue libertar-se dos seus preconceitos e da sua profunda ignorância que manifesta no seu ódio aos baha'is, então como pode ter a ousadia de falar em reconciliação com outras nações?

-----------------------

COMENTÁRIO: Jorge Sampaio é o Alto Representante para a Aliança das Civilizações. Será que o ex-presidente português terá coragem para colocar uma questão destas ao ex-presidente iraniano? É que os problemas de direitos humanos não são questões internas de nenhum país. São questões de toda a humanidade.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

L'Atlas des Religions



Já há alguns dias que estava para referir o L’Atlas des Religions. Frei Bento Domingues fê-lo ontem, na edição do Público:
Se uns insistem no deserto religioso do nosso tempo, outros mostram a superabundância de religiões, de espiritualidades, de antigas e novas correntes e movimentos, num mundo cada vez mais global. Quem pensa que as religiões estão a acabar percorra devagar o magnífico L'Atlas des Religions e verá que o mais urgente é o diálogo inter-religioso e também entre crentes e não crentes. Não perdeu actualidade a repetida exigência de Hans Kung: "Não haverá paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões sem critérios éticos globais. Não haverá sobrevivência do nosso planeta sem um ethos global, um ethos mundial". Isso está à vista e só os cegos por interesses imediatos não querem ver.

Por outro lado, o diálogo não existe nem para abolir identidades nem para a sua pura afirmação. Num diálogo verdadeiro, todos mudam sem se anularem. É, por isso, necessário que cada um se torne responsável pela sua religião, pelas imagens que faz de Deus e do ser humano.

Como se diz em vários blogs: gostaria de ter escrito isto!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Os Filhos do Profeta sem Rosto


Por Mário Robalo, Expresso, 01-Novembro-1986

-----------------------------
Estão em Portugal como estiveram com João Paulo II em Assis: adorando um profeta cujo rosto não conhecem e pregando a paz e o universalismo. São os bahá'ís, perseguidos no Irão como espiões e aceites na ONU como interlocutores
-----------------------------

A humanidade «exige que as Grandes Potências resolvam, para a tranquilidade dos povos da terra, reconciliar-se plenamente entre si(...) Ajustai as vossas diferenças e reduzi os vossos armamentos (...) Isto assegurará a Paz e o sossego de cada povo, governo e nação».

Esta mensagem poderia ser parte do conteúdo de uma petição endereçada aos actuais líderes das duas superpotências que, em Reykyavik, mais uma vez não conseguiram chegar a um acordo. Mas não é. Curiosamente, estas palavras foram escritas há quase um século por um persa chamado Mirzá Husayn-Ali, que se proclamou encarregue do estabelecimento da verdadeira religião[1]. Actualmente denominado «profeta Bahá'u'lláh» (a glória de Deus) pelos seus quatro milhões de seguidores, este homem anunciou «o princípio evolutivo da religião», dizendo-a «revelada por etapas, de acordo com as necessidades de cada época e capacidade dos povos».

Mas antes da fé bahá'í ter sido introduzida em Portugal, já Eça de Queirós escrevia em Ccorrespondência de Fradique Mendes: "E Fradique, com toda a singeleza, confessou que se demorara tanto nas margens do Eufrates, por se achar casualmente ligado a um movimento religioso que, desde 1849, tomava na Pérsia um desenvolvimento quase triunfal e que se chamava babismo»". Não deixa porém de ser interessante referir que Eça de Queirós era conhecedor dos princípios que enformam a fé bahá’í. De tal modo que, neste mesmo livro, ele «interroga-se» se não deveria aventurar-se com Fradique «nessa campanha espiritual», tanto que seria mais nobre «encetar no Oriente uma carreira de evangelista» do que «banalmente recolher à banal Lisboa, a escrevinhar tiras de papel, sob um bico de gás, na ‘Gazeta de Portugal’»

Não tendo enveredado pelo apostolado Bahá’í, em 1926, porém, e conforme noticiaram os jornais da época, Lisboa parecia receptiva às palestras que duas missionárias proferiram no Clube Rotário. E dado o sucesso destas conferências, o «Diário de Notícias» e o «Diário de Lisboa» apressaram-se a solicitar entrevistas às duas mulheres que, perante a admiração geral, anunciavam «o estabelecimento de uma comunidade mundial» na qual desapareceriam «as rivalidades nacionais (...), as causas de lutas religiosas (...), e a grande acumulação de propriedades».

Sensivelmente vinte anos após esta primeira proclamação da fé bahá’í, fixavam-se no país – concretamente em 1947 – os primeiros «pioneiros». E dois anos mais tarde, em Lisboa, formava-se a primeira Assembleia Espiritual Local. Mas o governo de Salazar não permitiu a sua legalização. Desta forma, alguns crentes viram as suas casas devassadas pela polícia política. Só em 1975, após várias tentativas, os bahá’ís foram reconhecidos oficialmente como comunidade religiosa.

Com cerca de dois mil membros, a organização bahá’í portuguesa é actualmente governada por uma Assembleia Espiritual Nacional composta por nove membros eleitos todos os anos pelos delegados de vinte e oito Assembleias Locais, dispersas por todo o país.

Perseguição e extermínio

Recusando «entrar na arena da política partidária» por considerarem-na «prejudicial aos melhores interessas da Fé», os bahá'ís portugueses apresentaram, recentemente, um relatório ao Provedor de Justiça no qual denunciam as perseguições feitas contra os seus irmãos de fé no Irão. Esperam, desta forma, que Almeida Ribeiro, na sua qualidade de relator especial da Comissão de Direitos Humanos da ONU, interceda junto deste organismo pelos cerca de trezentos mil crentes bahá’ís que têm vindo a ser privados dos mais elementares direitos, quando não são executados sumariamente – tal como relatam e confirmam diversas resoluções do Parlamento Europeu e da Comissão de Direitos Humanos da ONU a que tivemos acesso.

Mas o primeiro-secretário da Embaixada do Irão em Lisboa, Bahadourvand, nega que alguém no seu país seja preso por causa das suas convicções religiosas. Reconhece, contudo, que «alguns elementos dessa seita foram presos por constituírem uma força de pressão com interesses anti-nacionais». Este diplomata afirmou mesmo que «eles (os bahá’ís) foram o maior suporte da Savak, a polícia secreta do Xá». Por sua vez, os bahá’ís negam tal acusação, afirmando que «tão fundamental é o princípio de não aceitarmos cargos políticos que, num único caso sob o regime de Pahlevi, quando um bahá'í foi nomeado para ministro, teve de imediato a sua expulsão decretada pela comunidade».


Mas não é somente após a chegada do ayatollah Khomenei ao poder que a comunidade bahá’í é perseguida. Desde 1847, altura em que Bahá'u'lláh iniciou a sua pregação, anunciando-se o último dos mensageiros de Deus[2], que as autoridades persas vêm promovendo a intolerância contra o seus seguidores . E a propósito, a literatura distribuída pelo movimento justifica: «o clero muçulmano do Irão, sentindo-se ameaçado por ideias que lhe contestavam a autoridade e o poder, exigiu insistentemente o extermínio dos Bahá’ís.»

Um governo mundial

Afirmando ser o descendente espiritual dos profetas das principais religiões (hinduísmo, judaísmo, zoroastrismo, budismo, cristianismo e islamismo) Bahá'u'lláh foi banido pelos governos da Pérsia e da Turquia que lhe decretaram sucessivos exílios. O último exílio que o «profeta» cumpriu foi na prisão de ‘Akká, na baía de Haifa, onde permaneceu até 1892, altura em que faleceu[3]. É ali, na sede internacional do movimento baha’i, que se encontra a única fotografia de Bahá'u'lláh, a qual não pode ser reproduzida «para que não exista o perigo de se vir a propagar um culto de adoração personificada, o que iria contra os nossos princípios»[4], dizem-nos os responsáveis portugueses.

A mensagem de Bahá'u'lláh preconiza a existência de «uma vasta assembleia que abranja todos os homens», por forma a poderem ser lançados «os alicerces da grande paz mundial». Reclamando a necessidade de um entendimento de todas as nações, para tornar possível o aparecimento de um governo mundial que detivesse poderes legislativos e executivos, Bahá'u'lláh reafirmou ainda que todas as matérias primas «pertencem à comunidade internacional». Conforme afirmam os dirigentes baha'is portugueses, ele sempre «pugnou por uma planificação a nível mundial, da produção do consumo e modo a eliminar a acumulação de riqueza apenas por parte de alguns países»[5].

Dos princípios e leis da fé baha’i que se encontram dispersos em mais de cem volumes, escritos pelo «último mensageiro de Deus» durante quarenta anos de exílio e cativeiro, destacam-se: a abolição de «quaisquer preconceitos, sejam de religião, raça, de pátria ou de política», porque «enquanto não forem eliminados o progresso do mundo será impossível»; a igualdade entre homem e mulher: «o mundo possui duas asas – o homem e a mulher. Enquanto estas duas asas não forem igualmente firmes, o pássaro não voará»; «ampliação das invenções humanas e desenvolvimento técnico; e exploração dos recursos do planeta ainda não utilizados».

Mas Bahá'u'lláh procurou também cativar homens influentes a nível internacional para a sua doutrina universalista. E a forma que encontrou foi o envio de mensagens pessoais. Primeiramente escreveu uma carta colectiva «aos reis da terra». Nela solicitava-lhes que governassem «com a mais meticulosa justiça» e conciliassem nas dissensões. «até poderem dispensar os exércitos». Posteriormente enviou cartas individuais a Napoleão III, ao Papa Pio IX, à rainha Vitória de Inglaterra e ao czar Alexandre solicitando a este último «colaboração para estabelecer entre os povos o Reino de Deus». A Napoleão III explicou que a sua missão consistia em «unificar a espécie humana»; asseverou «ser necessário abandonar a força» e que «os monges deveriam deixar os mosteiros, casar e participar na vida do povo». Por sua vez, na carta dirigida a Pio IX, escreveu: «Vende todos os elaborados ornamentos que possuis e despende-os no caminho de Deus». Incitou ainda o sumo pontífice a abandonar o seu «reino», numa clara alusão ao Vaticano.

Lideres Infalíveis

Convictos que no futuro estabelecimento de uma nova ordem mundial «a ciência e a religião, as duas forças mais poderosas da vida humana, cooperarão mutuamente e harmoniosamente se desenvolverão», os baha’is têm actualmente todas as suas actividades coordenadas pela Casa Universal de Justiça, sediada em Haifa, e cujo membros são considerados infalíveis em matéria de fé[6]. Segundo 'Abdu'l-Bahá, filho do «profeta», os membros deste órgão central devem «deliberar sobre todos os problemas que causam diferenças, questões obscuras (...). E aquilo que esse corpo decidir (...) é verdadeiramente a Verdade e o propósito de Deus».

Entre outros princípios, e tendo em conta a sua doutrina de unidade universal, os bahá'ís necessitam de ter o consentimento dos pais para se casarem. Se os progenitores de algum dos membros se opuserem à celebração do matrimónio, este não se poderá efectuar. Por outro lado, o divórcio só é permitido após o casal se separar durante um ano, considerado necessário para que ambos reflictam se pretendem ou não separar-se. Proibidos de se envolverem na vida política do seu país, os crentes têm o dever de respeitar «os pontos de vista daqueles que representam a autoridade». Contudo, não lhes é vedada a participação em actividades sindicais. Refira-se ainda que os ensinamentos do «profeta» não permitem aos baha’is ingerirem qualquer bebida que contenha álcool.

A Comunidade Internacional Bahá'í está acreditada, como organização não governamental junto do Conselho Económico e Social da ONU e da UNICEF. Está ainda associada ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e ao Departamento de Informações Públicas das Nações Unidas, com representações em Nova Iorque, Genebra, Viena e Nairobi. Todo este empenhamento, segundo os dirigentes portugueses, «faz parte da essência» da sua fé, através da qual acreditam «que a religião progressiva contribuirá permanentemente para o aperfeiçoamento do ser humano e consequentemente da ordem mundial».

--------------------------------------
COMENTÁRIO
Passam hoje vinte e um anos sobre a publicação deste artigo. De certa forma foi um momento que assinalou um início de uma maior visibilidade pública da Comunidade Bahá'í de Portugal. Como o próprio Mário Robalo contou, até essa altura ninguém tinha ouvido falar dos baha’is no Expresso. O texto aqui transcrito (e cujas as frases a bold estão conforme o original) reflecte naturalmente a imagem que os bahá’ís conseguiram passar, e aquilo que o jornalista captou e considerou relevante no manancial de informação que lhe foi transmitido.

O que se seguem são algumas observações sobre aspectos do texto que não estão totalmente correctos.
[1] – A fé Bahá'í não se considera “a verdadeira religião”; esse sentimento de exclusividade está ausente das Escrituras Bahá’ís. Isso equivalia e negar o valor e a veracidade das outras religiões, facto que seria contrário aos ensinamentos bahá'ís. O mais correcto seria dizer que os bahá'ís consideram a sua religião a mais adequada aos dias de hoje.
[2] – Bahá'u'lláh nunca se proclamou “o último Mensageiro de Deus”; segundo os ensinamentos bahá’ís, Ele é o mais recente. No futuro, surgirão outros Mensageiros.
[3] – Bahá'u'lláh não faleceu na prisão de ‘Akká, mas sim na sua residência em Bahji. Na prisão de ‘Akká esteve pouco mais de dois anos. A Sua estadia na residência de Bahji – já no final da Sua vida – era uma espécie de “prisão domiciliária”.
[4] – A não divulgação de fotografias de Bahá'u'lláh é, acima de tudo, uma atitude de reverência e respeito pela pessoa do Manifestante. Alguns baha’is possuem fotos de Bahá'u'lláh mas nunca as mostram em público e apenas as mostram a outros crentes em ocasiões muito especiais. Em relação às fotografias de 'Abdu'l-Bahá (o filho de Bahá'u'lláh) não existem restrições, mas apenas recomendações para que estas sejam exibidas de forma digna.
[5] – Um sistema centralizado de planificação mundial da produção seria obviamente um absurdo. Esta ideia não faz sentido mesmo no contexto da criação de um governo mundial.
[6] – A questão da infalibilidade acabou por ser o tópico mais polémico deste artigo. A infalibilidade da Casa Universal de Justiça foi decretada por Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá; não é um dogma criado pelos crentes. Aplica-se apenas às competências definidas para esta instituição (legislação sobre temas omisso nas Escrituras e interpretação dos Textos Sagrados). No entanto, a infalibilidade da instituição não significa que os seus membros individuais também sejam infalíveis. Sobre este assunto ver o artigo The Infallibility of the Universal House of Justice.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Faith in America (NBC)



Ontem nos Estados Unidos, a NBC iniciou uma série de reportagens intitulada "Faith in America". Neste link podem ver a reportagem (depois da publicidade). Durante a reportagem, há uma crente baha'i que é entrevistada frente ao Templo Baha'i de Chicago.

sábado, 1 de setembro de 2007

Cuestión de fe

Eu sei que disse que ia de férias, mas não resisto em deixar-vos aqui este excerto de um artigo que saiu recentemente no jornal El Pais.
-----------------------------


QUINO PETIT 09/08/2007

Del judaísmo a la Iglesia evangélica. Del cristianismo al islam. Del islam a la fe bahaí. Viajes espirituales que históricamente han provocado intransigencias y todavía hoy suscitan conflictos sociales. Ésta es la historia de personas que un día decidieron cambiar de credo.

A los argelinos Mohamed y Djamila Belhani su fe les pudo costar la vida. El supuesto pecado: secundar en una nación mayoritariamente musulmana los postulados de la religión bahaí, perseguida incluso hasta la muerte en algunos países árabes. Cuando se enteraron en el trabajo, varios compañeros de Mohamed llegaron a amenazarle con secuestrar a su hijo de tres años para alejarle de la tutela de un "infiel". El miedo convirtió al exilio en la única esperanza. Mientras su país se desangraba en una guerra civil que acabó sepultando a más de 150.000 víctimas, la familia encontró asilo en España en 1994. Pero para entonces hacía ya muchos años que su viaje espiritual había comenzado.

Originarios de Orán, la pareja se conoció en un colegio universitario de Argel. Él compartía habitación en el campus con un seguidor de la religión bahaí poco acostumbrado a exteriorizar sus creencias. Hasta que una tarde manifestó ante Mohamed una especie de revelación: "Existe otro profeta, posterior a Mahoma". Y le habló del persa Bahaulá, fundador de la fe bahaí en 1844 como creencia basada en un único Dios que se revela a través de todos los mensajeros divinos. Sin renegar de ninguno, desde Jesucristo hasta Buda. "Yo me crié bajo un islam más de tradición que de confesión, como pasa en España con el catolicismo. Pero desde pequeño me machacaron con aquello de que Mahoma era el último; mi dimensión del mundo se reducía a este salón", recuerda hoy Mohamed, a los 43 años, en su casa de Cambrils (Tarragona). "Ante la sociedad argelina podías mostrarte rebelde, opinar sobre lo que no te gustaba. Pero decir que había otro profeta después de él... ¡Eso no podías ni planteártelo! Era algo así como pasarte al enemigo".

El primer reflejo de Mohamed fue afanarse en desmontar los argumentos de su amigo. La mejor manera que se le ocurrió para lograrlo fue regresar a la casa de su familia, tras licenciarse en ingeniería, y encerrarse todo un verano a estudiar el Corán, la Biblia y varios escritos bahaís. "La religión en los países árabes es muy importante; en cuanto alguien te plantea una cuestión relacionada con ella, intentas resolverla", explica Djamila. A remolque de su novio, ella también se interesó por aquellas lecturas sagradas. Y juntos empezaron a encontrar similitudes entre las distintas religiones, a cuestionarse si era posible quedarse con lo mejor de cada una. A sospechar que no era tan descabellada la idea de aglutinarlas a todas en una sola. Finalmente dieron el paso. "El conocimiento en profundidad del Corán nos ayudó a abrazar la fe bahaí, a evolucionar hacia una religión más completa".

Pronto se lo comunicaron a sus familiares. Atónitos, recibieron de propina la noticia de un enlace inminente de la joven pareja bajo los ritos musulmán y bahaí. "A mi padre le di el disgusto de su vida", admite Mohamed. Dejó de rezar cinco veces al día, abandonó la mezquita y sustituyó el Ramadán por un ayuno durante los 19 días anteriores a cada 21 de marzo, fecha del año nuevo bahaí. Djamila tampoco encontró comprensión entre los suyos: "Mi madre me respetaba, pero mis hermanos me dieron de lado". Después de contraer matrimonio encontraron trabajo en la Empresa Estatal de Hidrocarburos y optaron por no airear en público sus inquietudes espirituales. Hasta que Mohamed decidió que estaba cansado de ocultarse en la oficina para ayunar fuera del Ramadán o justificar su ausencia durante los rezos en horario laboral.

En pleno ayuno previo al 21 de marzo, un compañero le invitó a bajar al comedor de la empresa. Mohamed le explicó la razón de su falta de apetito y su vida dio un giro radical.

"¿Por qué tuviste que contarlo?". Djamila todavía se lamenta. El rumor se extendió por la empresa. Entre las amistades y el vecindario. Muchos amigos fallaron. Algunos les señalaron por la calle. La guerra civil argelina se recrudecía a principios de los noventa, y el matrimonio, con dos hijos pequeños, se sintió presa del miedo. Mohamed logró un visado de turista para un mes en España y la familia llegó a Madrid con lo puesto. En el centro bahaí de la capital encontraron ayuda económica. Tras mucho insistir, Mohamed logró la concesión del asilo territorial con permiso de trabajo. Y volvió a empezar de cero, montando cuadros de luz; Djamila entró en depresión a los tres años: "Ésta ha sido la tragedia de mi vida. Abandonar mi casa, a mi gente. Ya sólo regresamos a Argelia una semana cada año durante el verano. Aunque echo de menos a mi familia, nunca podría volver a vivir allí. Sólo guardo recuerdos de pánico. De intolerancia".

Desde hace seis años, su casa está en Cambrils. Se sienten a gusto y practican en familia los ritos de su creencia. Mohamed ostenta hoy doble nacionalidad, española y argelina. Mantiene a los suyos montando centrales eléctricas. Pero ya no habla de su religión prácticamente con nadie ajeno a la fe bahaí. Prácticamente.

"La persecución a los bahaís es coetánea a su fundación y se prolonga hasta nuestros días, sobre todo en países como Irán. Las ejecuciones durante la revolución islámica estuvieron a la orden del día. Y todavía constituyen allí una minoría oprimida". Esta misma denuncia de Kasra Mottahedeh, secretario general de la Comunidad Bahaí de España, ha sido constatada por numerosos organismos internacionales que siguen clamando al cielo por que estas personas vean reconocidos sus derechos.

En España, la Comunidad Bahaí se engloba dentro de las llamadas confesiones minoritarias y representa alrededor de tres mil seguidores. Si bien no reúnen un número elevado de nuevos adeptos cada año, mantienen un número constante de advenedizos ajenos a los problemas que afrontaron Mohamed y Djamila. Como José Luis Marqués, de 62 años, quien no puso en peligro su vida, pero armó un buen revuelo en casa de sus padres poco después de ordenarse sacerdote. Tenía 24 años cuando encontró sentido a su existencia en la fe bahaí. "A través del estudio comprendí que esta religión explicaba mejor que ninguna otra por qué existe una pluralidad de creencias".

(...)

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Nelson Évora, O Menino da Fé Bahá’í

Reportagem da jornalista Marisa Carvalho, publicada no jornal 24Horas de 29 de Agosto de 2007.
----------------------------------------


Começou a treinar-se na rua, em brincadeiras de amigos, mas depressa os seus dotes deram nas vistas. Esteve para ser futebolista, mas escolheu o atletismo. O campeão do mundo guia-se por uma religião que se baseia nas boas acções.

Determinado, humilde, bem-disposto, amigo dos seus amigos. Quem conhece Nelson Évora não lhe poupa elogios nem disfarça a emoção. “Chorei, berrei, saltei”. Foi assim que David Ganço, um dos melhores amigos do novo campeão do mundo do triplo salto, celebrou a sua vitória. "Ele está no seu melhor e é muito profissional. A sua determinação é admirável", conta.

Um ano mais velho, os dois conheceram-se na infância, aos 6 anos. “O Nelson tinha acabado de chegar da Costa do Marfim e foi morar para o andar por cima do nosso”, explica o filho de João Ganço, o treinador de Nelson Évora. “Ele só falava francês e eu só falava português, mas lá nos entendemos e ficámos amigos”, revela. “Ainda não falei com ele, mas trocámos logo mensagens, é mais fácil, afinal ele está no Japão…” revela, bem-disposto.

Menino muito competitivo

David e Nelson começaram a treinar na rua. “Chateávamos o meu pai e ele mandava-nos dar voltas ao quarteirão”, explica David. Mas Nelson adorava o desporto. “Ele jogava muito bem futebol, até foi prestar provas no Benfica e passou, andámos na natação e no judo. Ele era bom em tudo”, revela o amigo. “Ele é muito competitivo. Desafiávamo-nos, das corridas aos jogos de computador. Mas nunca nos zangámos”, explica.

O suporte da fé

Quando conheceu a família Ganço, Nelson cruzou-se com a fé Bahá’í, doutrina seguida por estes. “Os princípios básicos centram-se na prática de boas acções e na excelência do desempenho, associado ao conhecimento consciente da pessoa”, explica David. Esta fé considera Bahá'u'lláh como o novo enviado de Deus e seguem os seus ideais. “Sem dúvida que o desempenho de Nelson ilustra a sua fé, pois ele tenta sempre dar o seu melhor em tudo o que faz”, acrescenta o amigo. Na comunidade Bahá’í há orações e ensinamentos, mas não padres, igrejas, ou hierarquias religiosas, há um só Deus mas todas as religiões são válidas, pois os princípios são semelhantes.

“Acredita-se que a pessoa atinge o conhecimento por si própria, através das acções, e somos todos iguais”, explica David. Em vez de irem à missa, os Bahá’í[s] fazem encontros entre membros e em determinadas alturas praticam o jejum.

Uma vida de grandes saltos

Filho de pais cabo-verdianos, Nelson nasceu na Costa do Marfim, que deixou aos 6 anos, quando a família Évora se fixou em Portugal, mais concretamente em Odivelas, onde começou a treinar. Representou depois o Benfica, o FC Porto, tendo regressado à Luz.

Até 2002, data em que se naturalizou português, representou Cabo Verde, detendo ainda o recorde no salto em comprimento e o triplo salto daquele país.

Habitualmente treina-se no Estádio Universitário, no Jamor e na Sobreda da Caparica. No Inverno, usa um corredor do Estádio da Luz, sem caixa de areia ou qualquer outra facilidade, para evitar a chuva.

Já entrou na universidade, frequentando o curso de Marketing e Publicidade, na Escola Superior de Comunicação de Benfica. A família é muito unida e os pais, Paulo e Elida, encontram-se na Bélgica onde foram visitar outro dos seus filhos. A mãe é familiar da cantora Cesária Évora. Sempre fez muito sucesso entre as raparigas, mas as suas prioridades estão bem estabelecidas. “Agora ele só pensa no atletismo”, assegura David Ganço.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O Caminho em Frente



"Baha'i Faith: A Way Forward" (Fé Bahá'í: Um Caminho em Frente) é o título de um documentário produzido a pedido da televisão sul-africana (SABC) e que foi emitido ontem na África do Sul, e será emitido noutros países da África austral. O programa, com duração de uma hora, foi produzido por Ryan e Leyla Haidarian, e tem por objectivo mostrar o que a Fé Bahá’í tem para oferecer, a um nível prático, ao mundo.

O documentário contém uma introdução à religião Bahá’í e centra-se em três cidadãos sul-africanos, e na forma como a sua fé se reflecte no serviço aos outros. Além disso, são ainda apresentados documentos históricos dos tempos em que a Comunidade Bahá'í da África do Sul vivia sob o regime do apartheid. “Nesses dias, os Bahá'ís seguiam a letra da lei, mas não se agarravam ao espírito das leis”, afirma-se no filme. Entre os princípios fundamentais da Fé Bahá'í estão a unidade racial e a eliminação de preconceitos.

A eleição da primeira Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da África do Sul, foi realizada com muitas precauções. O local escolhido para o evento foi um celeiro; os brancos entravam pela porta da frente e os negros entraram pelas traseiras. “Se a polícia se aproximava, os negros começavam a fazer limpezas e a cozinhar, enquanto que os brancos jogavam às cartas e conviviam”, relata o narrador.

O documentário está disponível neste link.

-------------------------------
FONTES:
South African film shows faith in action (BWNS)
Documentary on SABC (Baha'is of South Africa)

domingo, 19 de agosto de 2007

A crise contemporânea

Anselmo Borges, na edição de ontem do Diário de Notícias, refere alguns tópicos da intervenção de Eduardo Lourenço, na conferência “Religiões, Violência e Razão”:

A crise contemporânea é estranha. Enquanto o Ocidente se encontra desertificado de Deus, noutras culturas não só não há morte de Deus como, em vez da laicização, continuam na sua Idade Média, acreditando que o seu Deus é o verdadeiro e o Ocidente está em vias de perdição.

De facto, o Ocidente teve um dinamismo incomparável, e a razão disso é que o seu debate foi sempre à volta de Deus. Noutras culturas, Deus é um dado e está no centro de tudo; no Ocidente, Deus tem sido uma interpelação infinita. Deus não é uma evidência, porque não é um objecto. Deus é o nome, precisamente enquanto antinome, da nossa incapacidade de captar o Absoluto, o modo de designarmos a nossa incapacidade de ocuparmos o seu lugar. O Ocidente é a procura e o debate à volta desta questão. É-se contra a objectivação de Deus, porque Deus-pessoa não é objectivável. Deste modo, o Ocidente afirma-se como procura da liberdade. Quando, noutras culturas, se dá a pretensão de apoderar-se de Deus, temos fanatismo.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Direitos Humanos

... foi o tema da minha pequena entrevista no programa "A Fé dos Homens" transmitido ontem no canal 2 da RTP.

Pouco mais de 6 minutos é muito pouco para falar deste tema. Ficou muita coisa por dizer. Quem sabe um dia haja um programa maior.

O video da entrevista também está disponível aqui.