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domingo, 31 de janeiro de 2010

Acabar com as autarquias sem massa crítica

Henrique Monteiro, ontem no Expresso:
Não é admissível que certos concelhos tenham menos eleitores do que uma rua de Lisboa ou Porto. Não podemos viver no séc. XXI como se a nossa demografia fosse a do séc. XIX. É preciso coragem para agrupar, extinguir e assim optimizar os investimentos. Se os políticos têm capacidade para encerrar - e bem - escolas, tribunais, hospitais - devem dar o exemplo: encerrem Câmaras e respectivos serviços onde já não há população que as justifique (e de caminho extingam os governos civis que não servem para nada).

É difícil? Claro que é. Mas não o fazer é pior. E não é pelas agências de rating. É por nós!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

José Manuel Pureza interpela Governo Português sobre Dirigentes Bahá’ís no Irão


O líder da Bancada Parlamentar do Bloco de Esquerda apresentou uma interpelação por escrito ao Governo Português onde aborda o tema da detenção e julgamento dos sete dirigentes bahá’ís iranianos.

No texto dessa interpelação, é feita uma breve descrição dos eventos decorridos nos últimos meses e recorda o facto da relatora especial das Nações Unidas ter denunciado em 2006 a existência de uma ordem de monitorização secreta de todas as actividades dos Bahá'ís. O Prof. José M. Pureza lembra que a próxima sessão deste julgamento foi agendada para dia 7 de Fevereiro (havendo receios que se eternize com prejuízo claro da condição dos detidos), e alude ao facto de estarmos perante uma violação do artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

As questões colocadas pelo Deputado ao Governo Português são as seguintes:
  1. Conhece o Governo a situação dos sete dirigentes da Comunidade Bahá'í no Irão?
  2. Que contactos pretende o Governo Português realizar junto das autoridades iranianas no sentido de que este julgamento se processe dentro do respeito integral pelas normas internacionais de garantia de isenção e imparcialidade judiciais?

O texto integral da interpelação encontra-se aqui.

O Governo Português tem 30 dias para responder.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pedro Bacelar de Vasconcelos nomeado para a Comissão da Liberdade Religiosa

O ministro da Justiça, Alberto Martins, nomeou hoje o constitucionalista Pedro Bacelar de Vasconcelos para a Comissão da Liberdade Religiosa, em substituição de Jorge Bacelar Gouveia.

Numa nota de imprensa, o Ministério da Justiça dá conta da nomeação de Pedro Bacelar de Vasconcelos, "especialista em Direitos Humanos, Direito Público e Ciências Jurídico-Políticas" como membro da Comissão, presidida por Mário Soares, ex-Presidente da República.

Bacelar de Vasconcelos, de 53 anos, foi co-fundador do Observatório Europeu do Racismo, Xenofobia e Anti-semitismo e foi membro da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial.

Em termos políticos, Bacelar de Vasconcelos foi governador civil de Braga entre 1995 e 1999 e notabilizou-se pela defesa da comunidade cigana de Oleiros, Vila Verde.

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Fonte: Jornal I

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Caledário Inter-Religioso e Civil 2010

À semelhança do que aconteceu no ano passado, foi publicado o Calendário Inter-Religioso de 2010 pelas Edições Paulinas. Esta iniciativa teve o apoio do ACIDI e a colaboração de diversas comunidades religiosas radicadas em Portugal. Contém os feriados não só do Cristianismo, mas também do Islão, do Judaísmo, do Budismo, do Hinduísmo, da Fé Bahá'í e do calendário Chinês. Além disso inclui várias datas especiais dos calendário civil, como os dias nacionais dos diversos Estados da União Europeia e diversas datas especiais invocadas pelas Nações Unidas para chamar a atenção para problemas mundiais.







(clique nas imagens para aumentar)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Religiões com estrutura conjunta na assistência hospitalar

Notícia de hoje no Público.
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É ainda prematuro, mas o coordenador dos capelães católicos dos hospitais, padre José Nuno, espera que terça-feira se dê o primeiro passo para uma estrutura conjunta de assistência espiritual nos hospitais. Uma reunião em Lisboa juntará responsáveis de vários credos religiosos e dela pode sair, além de uma declaração conjunta, a ideia de uma associação conjunta de capelães e assistentes espirituais.

"Seria desejável criar essa estrutu-ra", diz ao PÚBLICO o padre José Nu-no. Da reunião de terça-feira, que decorre na Universidade Católica e contará com a ministra da Saúde na sessão de encerramento, pode sair a ideia de um segundo encontro para decisões futuras, acrescenta.

A ideia do encontro, que congrega representantes de uma dezena de diferentes confissões religiosas, partiu da estrutura católica de capelães. Pretende debater a aplicação do Decreto-Lei n.º 253/2009, de 23 de Setembro, que regulamenta a assistência espiritual e religiosa nos estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde.

O padre José Nuno não quer, no entanto, ficar pelas confissões religiosas: "Seria desejável que, num processo de alargamento progressivo, a assistência espiritual pudesse agregar entidades agnósticas e ateias, pois a dimensão espiritual da doença vai muito além da questão religiosa". Ao mesmo tempo, dado que a nova regulamentação não prevê nenhuma estrutura representativa junto do Ministério da Saúde, a criação de uma associação inter-religiosa permitiria ultrapassar essa ausência, prevê José Nuno.

Para já, estão confirmadas as participações de representantes católicos, do Conselho Português de Igrejas Cristãs (protestantes), da Aliança Evangélica Portuguesa, de várias igrejas cristãs ortodoxas (várias delas com implantação importante junto das comunidades imigrantes de Leste), Comunidade Israelita, Comunidade Islâmica, Comunidade Hindu, União Budista e Comunidade Bahá'í.

O presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, Mário Soares, também convidado, não pôde estar presente. Mas, em carta enviada ao padre José Nuno, considerou a iniciativa importante, por contribuir "para o debate em torno de questões fundamentais como a liberdade e a tolerância religiosas".

domingo, 1 de novembro de 2009

Emissão inter-religiosa no início de «A Fé dos Homens» na RDP

Uma emissão ecuménica e inter-religiosa assinala domingo o início na RDP do programa «A Fé dos Homens», dedicado à divulgação das actividades das 14 confissões religiosas reconhecidas legalmente em Portugal.

O espaço religioso, que chega à rádio 12 anos depois da primeira emissão para televisão, foi o resultado de três anos de negociações com os responsáveis da rádio pública, num processo «longo e moroso», com os responsáveis religiosos a destacar, no entanto, o «bom porto» a que se chegou.

Para vincar o espírito de diálogo ecuménico e inter-religioso, a primeira emissão é preenchida com uma mesa-redonda, juntando representantes das sete religiões e confissões que integram actualmente a Comissão do Tempo de Emissão das Confissões Religiosas (Igreja Católica, Aliança Evangélica Portuguesa, Igreja Adventista do Sétimo Dia e comunidades Baha'i, Islâmica, Israelita e Hindu).

(Diário Digital / Lusa)

sábado, 31 de outubro de 2009

João Ganço

Uma programa da série "A Fé dos Homens" sobre João Ganço, membro da Comunidade Bahá'í de Portugal e treinador de Nelson Évora.
João Ganço foi eleito "Treinador do Ano" em 2009, na Gala da Confederação do Desporto de Portugal.
Este programa foi emitido no dia 08-Junho-2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Mário Mota Marques (1942-2009)

Excerto de um programa "Caminhos" sobre Administração Bahá'í. Este programa foi exibido no início dos anos 1990.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mário Mota Marques (1942-2009)



Mário Simões da Mota Marques nasceu em Lisboa, em 1942. Desde muito cedo sentiu curiosidade pelo estudo das religiões, e em 1961 entrou em contacto com membros da comunidade Bahá'í, passando a frequentar diversas actividades. De imediato sentiu um enorme fascínio pelos ensinamentos de Baha'u'llah e pouco tempo depois aceita a nova religião.

Nesse mesmo ano, muda-se com os seus pais para Quelimane (Moçambique). Naquela cidade, não escondia as suas convicções religiosas, facto que não passou despercebido às autoridades coloniais que passaram a vigiá-lo. Apesar das limitações importas às usas actividades, teve a oportunidade de conhecer Bahá'ís moçambicanos e colaborar nas suas actividades

Passados dois anos, regressou a Portugal, tendo colaborado com as Comunidade Bahá’ís do Estoril e de Lisboa.

Entre 1973 e 1975, residiu em Angola, tendo sido um crente activo na Comunidade Bahá’í de Luanda.

Durante mais de 40 anos foi membro da Assembleia Espiritual Nacional dos Baha’is de Portugal (o órgão dirigente da Comunidade Bahá’í de Portugal). Foi também Fideicomissário do Huqúqu'lláh, sendo membro do Conselho de Fideicomissários para o Sul da Europa.

A partir dos anos 1990, dedica-se ao Gabinete de Assuntos Externos da Comunidade Bahá’í. Nessas funções, não hesitou em apresentar opiniões e sugestões aquando da elaboração da Lei de Liberdade Religiosa; foi persistente nos seus esforços para que a Comunidade Bahá'í conseguisse o estatuto de Comunidade Religiosa Radicada;
foi secretário da Comissão de Tempos de Emissão das Confissões Religiosas, encorajando todas as Confissões a aproveitarem o espaço que lhes era concedido nos canais públicos de TV.

Com o seu envolvimento em diversos iniciativas de carácter inter-religioso, torna-se um porta-voz da Comunidade Bahá'í, conseguindo a amizade e o respeito de membros de todas as confissões religiosas.

Na Comunicação Social portuguesa também se notaram os frutos do seu trabalho. Ao longo dos último anos, foi sendo cada vez mais usual ver publicados na imprensa artigos sobre a Comunidade Baha’i e as perseguições aos Bahá’ís do Irão.

Muitas das iniciativas do Estado Português relativamente às perseguições aos Bahá’ís do Irão podem ser atribuídos à sua dedicação em empenho.

Nas últimas semanas, e já fisicamente debilitado, compareceu na cerimónia de assinatura de um protocolo entre a RTP e as Confissões Religiosas para criação de um tempo de emissão na Antena 1.

Faleceu hoje, 15 de Outubro, vítima de doença prolongada.

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ACTUALIZAÇÃO

Uma homenagem do Prof. Paulo Mendes Pinto: Mário Mota Marques, um desejo numa vida

sábado, 26 de setembro de 2009

A Special Devotional

Escola Bahá'í de Verão 2009.
Um momento devocional muito especial. São entoadas frases das Escrituras Baha'is e combinados diversos estilos musicais.
Um dos melhores momentos desta Escola.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Os Programas Eleitorais e as Confissões Religiosas

Com o aproximar das eleições legislativas vários agentes sociais têm questionado as forças políticas sobre o que se propõem fazer nas múltiplas áreas da governação do nosso país. Como cidadão português e membro de uma minoria religiosa, tentei saber quais as intenções dos partidos e coligações em relação à Lei da Liberdade Religiosa (que ainda não se encontra totalmente regulamentada) e que princípios defendem no que toca ao relacionamento entre o Estado e as Confissões Religiosas do nosso país.

Consultei os programas eleitorais dos partidos em busca de respostas e o resultado é o que se encontra nos quadros seguintes.

Nº de vezes que as palavras Religião ou Confissão Religiosa surge nos programas eleitorais:

PS
1
PSD
0
BE
0
CDU
0
CDS
1


NOTA: o programa do PS refere o estabelecimento de parcerias com as confissões religiosas no âmbito de uma política de preservação do Património Histórico e Cultural(p. 59). O programa do CDS refere a "…atávica suspeita das parcerias com o sector social, nomeadamente com as instituições de inspiração ou matriz religiosa"(p.207) e ainda importância do "turismo religioso" (p.215,218)

Nº de vezes que as palavras Laicidade ou Laico surge nos programas eleitorais:


PS
0
PSD
0
BE
1
CDU
0
CDS
0


NOTA: O programa do Bloco de Esquerda refere a propósito da morte assistida: "Nenhum Estado laico e democrático deve poder determinar ou impor as condições em que cada um morre. Nenhuma teologia pode determinar o valor da nossa vida e do nosso sofrimento."(p.33)

Nº de vezes que as palavras Liberdade Religiosa ou Concordata surge nos programas eleitorais:


PS
0
PSD
0
BE
0
CDU
0
CDS
0


COMENTÁRIO: Será que as Confissões Religiosas, a Laicidade, a Lei da Liberdade Religiosa são temas irrelevantes para as forças políticas? Será que os partidos políticos nada têm a dizer ou a propor nessa matéria? Ou isto serão temas demasiado delicados, cuja referência é preferível omitir nos programas eleitorais?

* * * * * * * * *

ACTUALIZAÇÃO
No site da Associação República e Laicidade encontra-se um post intitulado "Sobre a campanha eleitoral para as Legislativas" onde podemos encontrar algumas respostas do BE e do MRPP a estas questões.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Só três confissões com aulas de religião e moral nas escolas públicas

Notícia divulgada hoje pela agência Lusa (disponível aqui e aqui).
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A lei da liberdade religiosa não levou mais religiões para a escola pública. Tal como antes de 2001, apenas três confissões partilham a disciplina de Educação Moral e Religiosa: a Católica é maioritária, mas há também a Evangélica e a Bahai.

Em 2007/08, segundo dados da Direcção-Geral do Desenvolvimento Curricular, estavam inscritos em Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) 255.015 mil alunos (2º e 3º ciclos). Estes números são muito semelhantes aos de anos anteriores e representam quase metade dos inscritos no ensino público: em 2006/07, 43 por cento dos alunos de todos os níveis de ensino frequentavam EMRC; em 2005/06, esta percentagem era de 47 por cento e em 2004/05 também de 43 por cento, segundo site da disciplina na Internet.

"A existência de mais oferta católica deve-se à existência de mais católicos e porque quase todas as escolas já tinham esta oferta. Nas outras religiões a oferta é mais pontual, mas a lei é igual para todos", explicou o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos. Segundo o Ministério da Educação (ME), no ano passado havia também 1700 alunos inscritos em aulas de Educação Moral e Religiosa Evangélica (EMRE) nas escolas públicas.

Os evangélicos começaram nas escolas públicas há vinte anos, com quatro turmas, e para assinalar a data redonda vão este ano realizar uma celebração especial, disse Lurdes Nunes, vice-presidente da Comissão para a Acção Educativa Evangélica nas Escolas Públicas (Comacep). Segundo Lurdes Nunes, no ano passado houve aulas de EMRE em 234 escolas, envolvendo 165 professores e cerca de 300 turmas. "Estamos a falar de cerca de 2500 pessoas, entre alunos e assistentes", disse, explicando que assistentes são alunos não inscritos, mas que vão às aulas regularmente.

"Alguns não se inscreveram e depois quiseram ter EMRE e há outros que se inscreveram em Moral Católica, mas acabam por vir às nossas aulas, porque têm lá os amigos e preferem estar acompanhados por eles, por exemplo", disse Lurdes Nunes, salientando que a convivência entre evangélicos e católicos é "muito sã e de muito trabalho em conjunto em áreas como a prevenção da droga, saúde, sexualidade, campanhas de saúde e visitas de estudo, por exemplo".

"O nosso objectivo e o dos nossos colegas católicos não é converter pessoas através das aulas. É transmitir valores e princípios morais baseados na Bíblia", salienta. Este trabalho conjunto das confissões em actividades nas escolas onde convivem é confirmado por Mário Mota Marques, líder em Portugal da Fé Bahai, com cerca de nove mil praticantes no país. As aulas de Educação Religiosa e Moral Bahai (ERMB) estão nalgumas escolas desde 1998, ainda antes da Lei de Liberdade Religiosa.

"Argumentámos junto do Ministério que éramos uma confissão religiosa plenamente estabelecida e não haveria razão para que não pudéssemos ter aulas, como os católicos e os evangélicos", disse Mário Mota Marques. Actualmente há quatro turmas a nível nacional, representando menos de cinquenta alunos: duas em Guimarães, uma em Barcelos e outra em Braga.

"As aulas de religião e Moral Bahai educam para valores de paz e tolerância, contra a violência, para conceitos como a cidadania e têm actividades lúdicas. Têm muita procura, mas faltam-nos professores", afirmou Mota Marques, realçando que esta religião universalista aceita bem todas as outras e defende a construção de uma sociedade global, pacífica e unida.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Iranianos em Portugal

Excertos do artigo Iranianos em Portugal: Ver o que se passa no Irão de longe e com espanto, do jornal Público, do passado dia 11 de Julho.
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Said Jalali, professor de Engenharia na Universidade do Minho, que é bahá'i (uma religião que nasceu no Irão, onde é perseguida), saiu do país antes da revolução de 1979 e é tão português como iraniano.

(...)

Said Jalali está em Portugal desde 1972. Na comunidade bahá'i há o que, "nas universidades europeias, se chama hoje intercâmbio", explica Jalali na sala da sua casa em Braga, onde um tapete com inscrições em farsi é o único elemento denunciador da origem da família. Terminado o seu curso, de Engenharia Civil, e com a mulher, estudante de Economia, tinha pensado passar esse "ano de aventura" em África. "Era mais exótico." Mas entretanto "disseram-nos que ainda ninguém tinha ido a Portugal, e viemos para cá".

A ideia era ficar um ano, mas, logo após poucos meses, o jovem engenheiro arranjou trabalho, a sua mulher entrou na universidade, "a vida tornou-se fácil, vieram os filhos, gostámos e ficámos", resume.

Setúbal foi o primeiro destino e ainda hoje confessa torcer pelo Vitória - "também para contrariar os meus filhos, que são portistas ferrenhos". A vinda para Portugal, confessa, "foi mesmo sorte". Ou, acrescenta, de uma forma muito portuguesa: "É destino".

(...)

Said Jalali saiu do Irão do Xá da Pérsia para o Portugal de Salazar, de uma ditadura para outra ditadura. Viveu a revolução portuguesa de 1974 em Setúbal ("era o único engenheiro numa fábrica em Tróia com três mil operários, todos colados ao rádio e a festejar") e a revolução de 1979 no Irão através da televisão e da família que continuava no país.

"Desde o início, pensei que a revolução [islâmica] não ia na direcção certa", confessa - os bahá'i, que já eram discriminados sob o Xá (Said Jalili não conseguiu um lugar de engenheiro na Câmara de Teerão por ser bahá'i), seriam ainda mais perseguidos na República Islâmica. Os bahá'i são vistos pelos xiitas como "hereges" porque o seu profeta, Baha'ullah, aparece na década de 1860, ou seja, é posterior a Maomé, e foi sepultado em Jaffa, onde hoje é Israel (um acaso da História que ainda hoje leva os fiéis iranianos a serem condenados por suspeita de "espionagem").

"Vocês aqui tiveram muita sorte, a revolução desde o início teve o rumo certo, da liberdade. Essa era a palavra-chave. Mas lá, mesmo de princípio, a palavra-chave não era essa. Depois começaram as perseguições: não só aos bahá'is, mas aos cristãos, até aos sunitas, que também são muçulmanos... E, passado pouco tempo, os políticos liberais que pensaram que iam ter o poder foram muito rapidamente, e completamente, afastados pelos religiosos."

(...)

"Incrível, incrível, como as pessoas saíram à rua... Podem não ganhar, pode não acontecer mais nada, mas foi incrível ver as pessoas sair e dizer que não estão contentes com este sistema", diz o professor Said Jalali. "E são tudo pessoas que nasceram com este regime", espanta-se. "Estes jovens a única via que têm é a Internet. No nosso repositório [de artigos científicos da Universidade do Minho], o terceiro país que consulta mais os nossos artigos é o Irão. As pessoas lá estão ávidas de informação."

O modo como tem acompanhado a situação agora é muito diferente da altura em que seguiu a revolução ou a guerra Irão-Iraque: é mais distante, porque não tem pessoas próximas no Irão, mas, por outro lado, vê tudo na Internet. Lembra-se bem de alguns sítios. "Mas os nomes, claro, são completamente diferentes."

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Responsabilidade política

O Governador do Banco de Portugal é nomeado pelo Governo. Não é um cargo a que se aceda graças a uma promoção, ou evolução, numa determinada carreira. Consequentemente, é um cargo que impõem uma dupla responsabilidade: administrativa e política.

No caso dos recentes escândalos financeiros (BPN e BPP), Vítor Constâncio tem justificado a sua actuação apenas na vertente da responsabilidade administrativa: seguiu todos os procedimentos legais possíveis; fez tudo o que os regulamentos e as normas processuais indicam. Até dedicou uma atenção especial aos bancos em causa. Acredito que seja verdade.

O que me parece é que o Governador do Banco de Portugal tem esquecido a sua responsabilidade política; por outras palavras, os problemas surgidos na supervisão sistema bancário português (mesmo que sejam impossíveis de detectar com os actuais métodos de supervisão) são da sua responsabilidade política, o que pressupõe uma responsabilização do Governador perante o Governo e, consequentemente, perante os cidadãos portugueses.

Lembro, a este propósito, a atitude de outros governantes que confrontados com situações semelhantes, perceberam a responsabilidade política do cargo que ocupavam (algo a que por vezes se chama "sentido de Estado") e apresentaram a sua demissão.

Recorde-se Jorge Coelho e o caso da ponte de Entre-os-Rios. Enquanto Ministro do Equipamento Social (Obras Públicas) era responsável pelas infra-estruturas rodoviárias. Entendeu que o que tinha acontecido era da sua responsabilidade política e, consequentemente, demitiu-se.

Por esse motivo, entendo que o Governador do Banco de Portugal se devia demitir. Se não o faz, apenas se descredibiliza a si próprio e à instituição que lidera. E se para justificar o facto de não se demitir, invoca, entre outras coisas, o seu "prestígio perante outros governadores de bancos centrais europeus", então o descrédito ainda é maior.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O "laicismo" de Saramago

Na sua crónica de hoje no Diário de Notícias, José Saramago discorre sobre o “laicismo”. Tal como noutras ocasiões, nas entrelinhas deste texto percebe-se que o escritor defende que o Estado deve ignorar as confissões religiosas. É algo bem diferente de uma laicidade inclusiva, onde o Estado coopera com as confissões religiosas, tal como coopera com tantos outros agentes sociais.

O texto de hoje tem a novidade: Saramago reduz o conceito de laicismo a uma espécie de combate escatológico entre a Igreja Católica e o Ateísmo. Para um velho combatente comunista, esta é uma curiosa visão profética.

Sabemos que Saramago nunca morreu de amores pela Igreja Católica, nem pela religião. No texto de hoje, rejeita a existência de Deus; não de um Deus transcendente, distinto da criação; para Saramago Deus apenas pode ser identificada com uma divindade saída de um catecismo literalista ou de uma qualquer religiosidade infantil. Um ateísmo, como o de Saramago, que se limita a rejeitar crenças religiosas patéticas, será sempre um ateísmo patético. É por isso que Saramago não chega aos calcanhares de Richard Dawkins.

domingo, 3 de maio de 2009

Os Católicos Portugueses e a Eutanásia

Laura Ferreira dos Santos, docente de Filosofia da Educação na Universidade do Minho, cita hoje no jornal Público, um estudo sobre atitudes e práticas religiosas realizado em 30 países, incluindo Portugal.

Neste trabalho, existe um capítulo em que «... José Machado de Pais, de acordo com os dados recolhidos, diz ter encontrado três tipologias para entender as atitudes dos/as portugueses/as perante a religião: 43% de católicos mais conservadores, que classificou de ritualistas, moralistas e tradicionais; 46% de católicos pertencentes a novas correntes socio-culturais, sendo estes católicos nominais, individualistas (que valorizam a autonomia) e tolerantes; finalmente, 6% de "radicais", que classificou de laicos, urbanos e elitistas. Portanto, teríamos 89% de portugueses a declararem-se católicos, embora sob modalidades bastante distintas.

O grupo dos católicos ritualistas, moralistas e tradicionais é maioritariamente constituído por pessoas idosas, reformadas, "domésticas", viúvas , com baixa escolaridade e baixos rendimentos económicos, a viverem sobretudo no Norte do país. Neste grupo de católicos encontraríamos as posições mais conservadores no domínio da ética, bioética ou relações de género, com 60% a encararem a eutanásia sempre como reprovável.

No grupo dos católicos nominais, individualistas e tolerantes, temos maioritariamente pessoas jovens, solteiras e escolarizadas, que apostam no futuro individual, a viverem sobretudo na região de Lisboa a Vale do Tejo. Possuem uma "religiosidade fluida" e instável. Admitem sem problemas a coabitação, as relações pré-matrimoniais e a eutanásia, desde que a decisão tenha origem no/a doente. Mais concretamente, “82% acham que a eutanásia é aceitável dentro de certos limites[...]

Finalmente, teríamos 6% de portugueses considerados laicos, urbanos e elitistas, bastante escolarizados, pertencentes às classes médias , predominantemente de sexo masculino e a habitarem a região de Lisboa e Vale do Tejo. Maioritariamente. Declaram-se sem religião, constituindo o maior grupo de descrentes em Deus. Quanto ao fim da vida, "70% pensam que o doente na posse das suas capacidades mentais tem o direito a ser ajudado pela medicina se decidir morrer".»