quarta-feira, 14 de abril de 2004

O Sudário e os Fundamentos da Fé

Porque é que acreditamos em algo que nos transcende? Em que se fundamenta a fé de cada um que se diz crente? Estas perguntas não têm uma resposta simples; cada crente terá a sua resposta; e cada resposta revela um pouco de cada crente, do seu entendimento da vida e do que ele pensa ser o propósito da nossa existência.

Claro que qualquer pessoa deve ter dificuldade em responder a estas perguntas. Eu, por exemplo, poderia escrever um longo testamento tentando responder. Poderia dizer que acredito porque algo dentro de mim me diz que existe um Deus Criador, ou poderia expor algum raciocínio aristotélico e até mesmo invocar as Cinco Vias de S. Tomás. Quanto aos fundamentos da fé apontaria para as Sagradas Escrituras e para a forma como estas têm transformado a vida de tantas pessoas e servido de base à construção de civilizações.

A questão sobre os fundamentos da fé, merece alguma atenção, agora que o Sudário de Turim volta a ser notícia (ver BBC, The Guardian e Washington Times). Segundo a BBC, cientistas italianos dizem ter descoberto uma 2ª face no sudário. Alguns sectores das diferentes igrejas cristãs agitam-se perante esta novidade. O Vaticano mantém uma distância prudente. O curioso da notícia, é referir que apesar dos testes de carbono 14 realizados ao Sudário há alguns anos, existem ainda muitos crentes que o veneram e o consideram uma prova testemunhal da existência de Cristo. Um objecto digno de adoração.

Afinal onde estão os fundamentos da fé?

Pessoalmente, acredito que Deus comunica com a humanidade através dos Seus Mensageiros (Moisés, Jesus, Buda, Maomé e mais recentemente Bahá'u'lláh). A adoração a Deus vê-se no respeito pelo nosso semelhante, na forma como pomos em prática os ensinamentos divinos.

Faz sentido que objectos que possam ter tido alguma relação com o Mensageiro (vulgamente designadas por "relíquias") venham substituir a Mensagem? No caso concreto dos Cristãos e do Sudário, se a fé se baseia nos ensinamentos de Cristo, então qual a importância do Sudário para a fé? Se a suposta "autenticidade do Sudário" é a base da fé, então a coisa complica-se muito com os resultados dos testes do carbono 14. E se o Sudário fosse autêntico, o que é que isso mudaria?

É fácil para um Bahá'í fazer estes comentários. Quando temos a possibilidade de fazer peregrinação à Terra Santa podemos observar uma série de "relíquias"; tratam-se de textos originais, roupas, canetas, malas e outros objectos de uso pessoal de Bahá'u'lláh. No entanto, estes objectos apesar de serem verdadeiros testemunhos da vida terrena de Bahá'u'lláh, não são alvo da veneração dos crentes. O centro das atenções dos peregrinos são os santuários onde estão sepultados Bahá'u'lláh e o Báb.

Mas – por hipótese académica – se se provasse que aquelas relíquias bahá'ís não eram autênticas, ficaria a minha fé abalada? Duvido. Ficaria triste, pois as relíquias mostram-nos um vestígio da dimensão humana do profeta; no entanto, a mensagem de Bahá'u'lláh não se centra nas relíquias mas sim nos Seus ensinamentos, conforme transmitidos nas escrituras.

Bahá'u'lláh faleceu há pouco mais de 100 anos; Cristo foi crucificado há quase 2000. É natural que ainda existam vestígios da presença humana de Bahá'u'lláh; é praticamente impossível que existam esse mesmo tipo de vestígios da presença de Cristo. Mas será mesmo necessário que tenhamos essas relíquias que testemunham uma vida terrena de um Profeta para que a nossa fé seja sólida?

terça-feira, 13 de abril de 2004

Kahlil Gibran e a Fé Bahá’í

Descobri uma página interessante que descreve os contactos entre 'Abdu'l-Bahá e Kahlil Gibran.
Kahlil Gibran desenhou um retrato de 'Abdu'l-Bahá e inspirou-se nele para um dos seus livros.
Muito interessante!

segunda-feira, 12 de abril de 2004

Os filhos dos Emigrantes

Ontem, domingo de Páscoa, o telejornal da RTP ofereceu-nos uma reportagem sobre a situação dos filhos dos emigrantes africanos que estão em Portugal sem autorização de residência. Apesar de terem nascido em Portugal, estas crianças não têm direito automático à nacionalidade portuguesa.

Um simples documento de autorização de residência depara-se com enormes dificuldades burocráticas por parte do SEF. Será assim tão complicado resolver estas situações? As escolas vão fechando os olhos às situações das crianças que não possuem os documentos, mas quando chegam ao 10º ano, deixam de facilitar a vida às crianças: todos os documentos têm de estar em dia!

A reportagem mostrou-nos o exemplo de um jovem que sonhava tirar o curso de informática; os labirintos e a lentidão da nossa administração pública levaram-no a ter de optar por trabalhar nas obras e sempre em situação precária. Após muitos anos de persistência obteve a nacionalidade: chorou e riu de alegria. Mas nem todos têm força de vontade e persistência; o caminho da marginalidade é mais fácil para muitos daqueles jovens.

O que ganha Portugal com isto? Se sucessivas gerações descendentes de emigrantes nunca tiverem direito à nacionalidade portuguesa (e consequentemente não têm os mesmos direitos!) não estaremos a criar uma casta de emigrantes ilegais que viverá sempre à margem da sociedade? É este o Portugal do Luso-Tropicalismo? É este o Portugal que sempre se soube relacionar melhor com os povos africanos do que qualquer outro povo europeu?

Enfim… Obrigado à RTP por nos ter alertado para esta situação. Isso é serviço público!

domingo, 11 de abril de 2004

Efeméride - 11 de Abril de 1912

Neste dia, em 1912, 'Abdu'l-Bahá chegava a Nova Iorque, a convite dos bahá’ís americanos.

Na sua visita aos Estados Unidos, desloca-se a várias cidades, incluindo Chicago, onde lança a primeira pedra do “Templo-Mãe do Ocidente”, Eliot Maine onde Sarah Farmer mais tarde disponibilizaria a sua propriedade para construção de um instituto bahá’í de formação, e Montreal, onde foi hóspede de William e May Maxwell, cuja residência se tornaria o primeiro centro bahá’í do Canadá (e cuja filha se tornaria esposa de Shoghi Effendi).

A estadia nos Estados Unidos prolonga-se por 239 dias. 'Abdu'l-Bahá visita várias igrejas, associações pacifistas, universidades, associações sindicais, casas privadas onde fala sobre os mais diversos assuntos, nomeadamente, os princípios básicos da Fé, e temas filosóficos, morais e espirituais.

As suas palestras foram posteriormente publicadas num volume intitulado The Promulgation of Universal Peace (creio que ainda não existe tradução portuguesa). As recordações dos crentes que testemunharam essa visita ficaram também registadas em vários livros.

A foto abaixo foi tirada durante uma visita a Brooklyn, em Junho de 1912.

sábado, 10 de abril de 2004

Inspecções Nucleares no Brasil

Com as atenções internacionais centradas no vespeiro iraquiano, é natural que muitas coisas nos passem despercebidas. Uma das notícias que nos passou despercebida foram as inspecções da Agencia Internacional de Energia Atómica (AIEA) às instalações nucleares brasileiras em Resende (Rio de Janeiro).

A visita destes inspectores abriu uma polémica entre o governo brasileiro, que se recusava a partilhar segredos tecnológicos nacionais e a AIEA. As notícias sobre este assunto descrevem declarações e desmentidos do governo e da AIEA; sucederam-se várias acusações, cada uma com muitas interpretações por parte dos media. Veja-se aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Entretanto foram postas a circular pelas agências noticiosas internacionais outras notícias referentes à destruição da Amazónia e outros problemas económicos brasileiros. Coincidência?

Devo admitir que tenho dificuldade em olhar para esta notícia sem ser um pouco tendencioso. Eu gosto do Brasil; aprecio imenso várias coisas na cultura brasileira. Acompanho muitas coisas que se passam naquele país; tenho familiares que vivem lá; tenho antepassados cariocas e gaúchos.

Talvez por esse motivo, a posição do governo e de vários media brasileiros, defendendo o seu know-how de tecnologia nuclear, despertou a minha simpatia. Nunca senti essa simpatia por outros países quando a AIEA tentou fazer inspecções, nomeadamente no Irão e na Coreia. Tentei encontrar justificações para essa diferença de posições da minha parte:
* O governo brasileiro não é um governo de cangaceiros;
* O regime brasileiro não é um regime totalitário;
* O regime brasileiro não apoia grupos terroristas;
* O regime brasileiro não é uma ameaça à paz mundial.

AS INSPECÇÕES DA AIEA

Não sei o que se passa quando a AIEA faz, ou tenta fazer, inspecções na Índia ou no Paquistão, em França ou no Reino Unido; até podem existir os mesmos problemas e os governos desses países podem criar os mesmos obstáculos e existam os mesmos atritos durante as visitas dos inspectores.

Este caso fez-me recordar um documentário que assisti há alguns meses atrás sobre as inspecções das Nações Unidas feitas no Iraque após a primeira guerra do golfo (1991). A maioria dos intervenientes assumia que as equipas de inspecção continham agentes da CIA. Atendendo a isto, e ao facto do Brasil ter conseguido uma série de realizações tecnológicas, questionei-me se os EUA não teriam interesse em espiar o desenvolvimento nuclear brasileiro.

Tentando ser o mais objectivo possível sobre este problema diria que:
* A tecnologia nuclear é uma tecnologia sensível; pode ser utilizada fins pacíficos ou para fins militares.
* É importante que existe um organismo internacional que controle a utilização que é feita com esta tecnologia.
* Esse organismo deve estar acima de qualquer suspeita; as suas actividades nunca poderão ser utilizadas para satisfazer os interesses particulares de qualquer país.
* Se as inspecções da AIEA levantam suspeitas e o motivo das suas inspecções não é claro, algo está mal com essa agência ou com os países que são alvo das inspecções.

UMA ORDEM MUNDIAL JUSTA E EQUILIBRADA

A base de qualquer relacionamento é a confiança; as relações familiares, profissionais, amizades, relações comerciais, tudo são elos baseados na confiança. Se a confiança não existe, a relação degrada-se. As inspecções nucleares no Brasil são um exemplo de relação degradada.

Se as nações e os organismos internacionais se relacionam sem uma base de confiança, então a ordem mundial tem de ser pensada e revista. Se as actividades de alguns dos mais conhecidos e prestigiados organismos internacionais suscitam reservas ou desconfianças de alguns países, então algo está mal com essa mesma ordem mundial.

Numa ordem mundial justa e equilibrada, parte das soberanias nacionais teria de ser transferida para um organismo que fosse uma espécie de Confederação de Nações (não encontrei expressão mais adequada). O controlo de armamentos, de tecnologias sensíveis, a partilha de conhecimentos científicos, a arbitragem internacional, e um tribunal penal internacional são apenas algumas áreas de actividade dessa Confederação; todos os países deveriam estar vinculados a essa organização e deveriam obedecer às decisões dos organismos dessa Organização.

A actual ordem mundial não possui estas características. É unipolar e as Nações Unidas têm aquela velha estrutura criada no final da 2ª Guerra Mundial. Não me parece que as nações do mundo possam continuar a viver e relacionar-se da maneira actual. Temos que pensar muito a sério nas mudanças, e na implementação das mesmas; não bastam bonitas declarações de intenções.

sexta-feira, 9 de abril de 2004

Foto de Bagdade Otomana

Ainda a propósito da efeméride de ontem, andei à procura de fotos antigas de Bagdade (no tempo em que era uma capital provincial do Império Otomano). Infelizmente, não encontrei na Web nenhuma foto antiga.

A única foto antiga que consegui encontrar é a que se encontra no livro Bahá'u'lláh, The King of Glory do Hasan Balyuzi. Esta foto também se encontra na edição portuguesa do livro Bahá'u'lláh publicado em 1992, por ocasião do centenário do Seu falecimento.

Aqui está ela:


quinta-feira, 8 de abril de 2004

Efeméride - 8 de Abril de 1853

Neste dia, em 1853 Bahá'u'lláh chegou a Bagdade, juntamente com familiares e alguns companheiros. Exilado e espoliado de todos seus bens, deixava para trás a Sua terra natal, a Pérsia. Era o primeiro de quatro exílios. O Iraque era nessa época uma província do Império Otomano.

Bagdade tornara-se local de reunião da comunidade Babí (seguidores do Báb). Após a morte do Báb e com a maioria dos líderes Babís mortos ou encarcerados, a comunidade Bábí sentia-se perdida e desorientada. Os primeiros esforços de Bahá'u'lláh para reorganizar esta comunidade levantaram invejas e desavenças. Por esse motivo preferiu retirar-Se para as montanhas do Curdistão onde permaneceu durante dois anos.

Regressado a Bagdade consegue reorganizar e revitalizar a comunidade. Ainda nesta cidade revela dois importantes livros: As Palavras Ocultas (uma série de aforismos morais que contêm a essência ética da Sua mensagem) e o Livro da Certeza (uma explicação detalhada do propósito e natureza da religião, explicando as passagens mais misteriosas do Corão, e dos Antigo e o Novo Testamentos, e descrevendo o papel dos Mensageiros de Deus como intermediários entre Deus e a humanidade).

O exílio em Bagdade durará 10 anos; no final desse tempo as autoridades otomanas e persas decidem exilá-Lo novamente, desta vez para a capital do Império (Constantinopla). Numa festa que antecedeu a Sua partida para esse novo exílio, Bahá'u'lláh revelará aos amigos mais próximos que é Ele o prometido anunciado pelo Báb.

quarta-feira, 7 de abril de 2004

Saber estar na Política

Ontem no Telejornal da RTP passou ontem uma reportagem sobre uma sessão da Assembleia Municipal de Lisboa. A dado momento, houve alguns deputados que desataram numa gritaria. Essa gritaria foi aumentando de tom até que a sessão foi suspensa. Todo o ambiente mais parecia uma assembleia geral de clube de futebol falido: gritaria, insultos, gente a esbracejar, ameaças... A notícia está hoje no Público.

A minha conclusão é simples: há ali uns quantos políticos que não se sabem comportar à altura da dignidade do cargo que ocupam. Além disso parece-me estranha a presença da RTP naquele local, exactamente quando há aquela escandaleira toda. Algo me dizia que tudo foi bem orquestrado.

Uma das razões para o descrédito dos políticos é exactamente este tipo de comportamentos. Quando um deputado eleito transforma o órgão de soberania em palco de arruaça, e os seus actos podem ser comparados ao comportamento membros de claques desportivas, deixam de existir muitas dúvidas sobre porque é que o cidadão comum se desinteressa da política. E esse desinteresse é ainda maior quando o cidadão comum se lembra que esses deputados que fazem figuras tristes têm um ordenado pago com o dinheiro dos nossos impostos...

Felizmente nem todas as pessoas envolvidas na política têm esta postura. Alguns há que sabem debater ideias, expor argumentos, rebater acusações e mesmo ironizar sobre os seus adversários políticos sem nunca perderem a educação e o cavalheirismo. Um exemplo disso é bem patente o programa Quadratura do Círculo da SIC-Notícias. Não é necessário estar de acordo com nenhum dos intervenientes nesse programa, ou ter ideias alinhadas com as cores políticas de qualquer um deles, para poder admirar o tom do debate e a postura dos intervenientes.

Até se pode estar em desacordo com todos os intervenientes desse programa. Mas o tom dos diálogos mostra-nos que ainda há pessoas que sabem estar na política.

segunda-feira, 5 de abril de 2004

Muro de Preconceitos

Com a queda do Muro de Berlim, caiu uma das maiores aberrações políticas do século XX. Um muro é um sinal de divisão, de desconfiança e de potencial conflito. Aquele muro era um dos símbolos de uma grande divisão entre dois sistemas políticos antagónicos; regozijámo-nos com o seu desaparecimento.

Mas no momento da queda do muro de Berlim, um outro muro ia sendo erguido. Trata-se de um muro de preconceitos e desconfianças entre as sociedades ocidentais e os países de maioria muçulmana. Desinformação e ignorância de ambos os lados têm facilitado a sua construção. Note-se que não é um muro de construção recente; nas últimas décadas foi reforçado e aumentado.

Foi reforçado pela revolução iraniana e foi aumentado pelo regime taliban no Afeganistão; a mais recente contribuição tem sido dada por grupos terroristas que se afirmam de inspiração islâmica.

Ao invocar uma pretensa inspiração islâmica nos seus actos, estes grupos terroristas arrastam para a mira da desconfiança ocidental milhões de cidadãos que professam a religião islâmica. Podemos ver como o uso da expressão terrorismo islâmico é utilizada e aceite por analistas políticos e pela comunicação social mais rigorosa. Hoje, palavras como árabe, muçulmano ou islão, tornaram-se sinónimos de "terrorismo" para o cidadão comum.

Nos tempos da guerra-fria, quem estava do outro lado do muro era impedido pelos regimes totalitários de aceder ao modo de vida ocidental; com este novo muro, quem estiver do outro lado do muro tem muita probabilidade de ser olhado com desconfiança e mesmo discriminado pelas autoridades dos países ocidentais (pode também ter dificuldade de se integrar nas sociedades ocidentais).

Há milhões de muçulmanos alvo de discriminação apenas devido às acções de grupos extremistas. São gente boa, honesta, que deseja ter uma vida tranquila e assegurar um bom futuro para os seus filhos. Apenas tiveram o azar de ter nascido no outro lado do muro...

Existem, obviamente, outros muros de preconceitos em relação a outras sociedades e culturas. Basta pensar nos africanos ou nos sul-americanos.

Para que expressões como Aldeia Global ou A Terra é um só país e a Humanidade os seus cidadãos se tornem uma realidade, estes muros não podem existir. Resta saber como os poderemos demolir...

sábado, 3 de abril de 2004

Onde está o resto do Povo?

O meu objectivo ao criar este blog era (e é!) reunir um conjunto de bahá’ís que quisessem partilhar por escrito algumas ideias, experiências e perspectivas sobre o mundo em que vivemos. Um grupo diversificado de pessoas, cada um partilhando ideias e preocupações sobre assuntos que lhe interessam, tornariam o blog mais vivo e interessante.

Avancei com o blog e tenho estado a insistir com alguns amigos para participarem. A maioria depara-se com falta de tempo. Compreendo-os. Na verdade, este blog também surgiu quando eu tinha bastante tempo livre.

A partir da próxima segunda feira a minha disponibilidade também vai ser menor; vou voltar trabalhar num projecto nas instalações de um cliente. Não terei tanto tempo para navegar por outros blogs. Mas o "bichinho" de escrever e trocar ideias e partilhar experiências com os outros ficou. Sou capaz de escrever com menos frequência, mas não vou deixar de escrever.

Por este motivo, era bom que algum daqueles amigos com quem eu tenho insistido pudesse colaborar. O Varqa anda super-ocupado e confessou que era mais fácil o Sporting ganhar o campeonato do que ele ter tempo para escrever. :-)

E os outros? Será que ninguém tem nada para partilhar?
Será que eu sou o único representante do Povo de Bahá na blogosfera portuguesa?

quinta-feira, 1 de abril de 2004

Notícias que nos passam ao lado...

... e vêm do outro lado do Atlântico

UMA LUTADORA
Manuela Oliveira tem 54 anos e nasceu em Moçambique. Tem nacionalidade e sotaque português. Mudou-se para o Brasil em 1976, quando já era licenciada em engenharia civil pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa. Em terras brasileiras, porém, teve que refazer o curso. "O meu pedido de equivalência não foi aceite. Foi coisa de português: já me tinha licenciado e fiz faculdade de novo", brinca.
Esta mulher que dirige o porto de Paranaguá, um dos sete principais portos do Brasil.

SEM-TERRA
O Governo Brasileiro começa a apostar da fixação dos sem-terra. Para este ano, o orçamento para as fixações atinge os 3,1 mil milhões de Reais (aprox. 870 milhões de Euros). O MST (Movimento dos Sem-Terra) não comenta o aumento das verbas para fixação das famílias e afirma que as ocupações vão continuar. No Paraná o objectivo do Governo é fixar 3000 famílias.
Será um caso de extrema-riqueza vs extrema-pobreza que estará na base desta crise dos sem-terra? Gostava de ter o comentário de algum brasileiro conhecedor da situação.
Mais detalhes no Estadão e na Gazeta do Povo.

POLÍTICA, MISÉRIA E VIAGRA
O deputado do Piaui, Antonio Jose de Moraes Souza, teve o seu mandato suspenso por ter oferecido viagra a troco de votos. A decisão do tribunal eleitoral acrescenta ainda que este deputado deve ser substituído pelo segundo candidato mais votado.
Nas regiões mais pobres do Brasil alguns políticos costumam oferecer comida e medicamentos em troca de votos.
Mais detalhes na BBC e na Gazeta do Povo.

1 de Abril de 1847 (outra efeméride)

Neste dia em 1847, Bahá'u'lláh enviou ao Báb uma carta e várias lembranças. O Báb encontrava-se preso na fortaleza de Mah-ku, nas montanhas do Azerbeijão persa.

O momento de contacto entre dois Manifestantes de Deus tem algo de profundamente místico; está de facto muito para lá da nossa compreensão. Mesmo assim, não podemos deixar de pensar no que iria na mente da cada um deles ao escrever, ao enviar e ao receber a carta e as ofertas? Impossível alguma vez sabermos. Pelos relatos que dispomos sabemos que o Báb ficou muito contente.

Na história das religiões, há um outro momento que talvez possa ser comparável a este: o baptismo de Cristo no rio Jordão. João Baptista ainda achou que devia ser Jesus a baptizá-lo, mas Jesus não quis apressar a ordem natural dos acontecimentos. Mas como é evidente, isto são comparações e analogias feitas por um simples mortal.