segunda-feira, 13 de junho de 2005

quinta-feira, 9 de junho de 2005

En nombre de Cristo, dejen en paz a los Baha’i y la mezquita

Transcrição de um texto publicado ontem, 8 de Junho, no ElMostrador.cl (Chile), a propósito da polémica que rodeou a escolha do local de contrução do futuro Templo Baha'i de Santiago do Chile.
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por Esteban Valenzuela Van Treek

El "Señor" debe estar enojado con sus modernos "cruzados de Santiago" que se opusieron a que se construyera un templo Baha’i en el Cerro San Cristóbal y ahora las emprenden contra la incipiente construcción de mezquitas en Santiago, Coquimbo o Iquique. ¡No, en nombre de Cristo, no hablen!. Él fue claro en que su Reino no era de este mundo (no a la religión oficial), en el diálogo con todos (los hombres de buena voluntad), en romper la tradición de mil normas (un solo mandamiento, el amor al prójimo), en que no había un pueblo escogido (todos los pueblos), encarnado sin temor en su tradición judía (ecumenismo) y consciente de las debilidades y las dudas (como las propias en el huerto de Getsemanì).

Es una grosería sin límites molestar a los Baha'i, que son un pacifista corriente ecuménica con origen en la tradición islámica, pero nacida en Irán en contraposición al fundamentalismo de las sectas. Tuve un gran alumno Baha'i, y sé de sus aportes a la cultura y la educación, como lo han hecho en la Universidad Bolivariana. Lo de oponerse a las mezquitas se parece a los fundamentalistas terroristas que destruyen iglesias y persiguen cristianos en Pakistán o en Indonesia. Algunos de los anti-musulmanes chilenos son colaboradores de grupos católicos que parecen olvidar los propios gestos concretos del Papa Juan Pablo II de pedir perdón por las persecuciones religiosas y la intolerancia contra judíos, ortodoxos, protestantes y los propios musulmanes. Les recomiendo leer al Nobel egipcio, Mafuz, para comprender que en todas las latitudes hay hombres de inspiración religiosa abierta y amorosa, y otros que traicionan su fe para apelar a "identidades homogéneas" y perseguir a "los distintos".

La Virgen del Cerro San Cristóbal estaría más alegre con las reflexiones de los pacíficos Baha'i, que con las antenas del capitalismo salvaje y la contaminación de los conservadores que no quieren regulaciones, pero buscan defender por decreto "religiones de Estado", que se apartan del testimonio del propio Jesús de Nazaret.

En una carta de chilenos de origen judío y palestino (cristianos y musulmanes) se recordaba no sólo la importancia del diálogo en el Medio Oriente, sino la urgencia en Chile de una ley contra la discriminación que no ha logrado la prioridad en la agenda pública que se merece. En nombre de Cristo, hermanos y amigos Baha’i y musulmanes, les pido disculpas, y les expreso nuestro compromiso para defenderlos de estos fundamentalismos, sutiles algunos, extremistas e inconsecuentes, otros. La "copia feliz del edén" y el "asilo contra la opresión" es el Chile fraterno, cooperador, amable y respetuoso de su diversidad, que hoy debemos potenciar y no agraviar.

Terra da Alegria

Quase me esquecia que ontem houve Terra da Alegria.



YELLOW ACCACIA - Imagem obtida no "LITTLE GEMS" EXHIBITION OF PAINTINGS

quarta-feira, 8 de junho de 2005

Earl Cameron

Earl Cameron, baha'i e actor reformado, estava a participar numa actividade da comunidade baha'i do Reino Unido quando recebeu um telefonema do seu agente. Ficou então a saber que Sidney Pollack (o realizador de "Tootsie" e "África Minha") estava interessado na sua participação no filme The Interpreter, um triller político. Não hesitou muito até aceitar o papel.

No filme, Earl Cameron desempenha o papel de Edmund Zuwanie, um presidente corrupto de um país africano fictício e contracena com Nicole Kidman and Sean Penn.

Parte deste triller teve a particularidade de ser filmado no edifício das Nações Unidas, em Nova Iorque, e descreve a história de uma intérprete que toma conhecimento de uma conspiração para assassinar o presidente Zuwanie no momento em que ele se dirige à Assembleia Geral das Nações Unidas.


Uma cena do filme The Interpreter em que o Presidente Zuwanie (Earl Cameron)
se dirige à Assembleia Geral das Nações Unidas. À esquerda está Nicole Kidman.
Foto da Universal Studios.


Segundo Earl Cameron, não o incomodou ter de representar uma personagem desagradável; o que mais o tocou foi falar na tribuna das Nações Unidas. "Ali estava eu perante uma plateia de 2000 figurantes que faziam de embaixadores. Ver os nomes de todos os países naquelas mesas deu-me uma percepção real da importância das Nações Unidas. O mundo está desesperado por paz e não existe outro modo de progredir a não ser em direcção a uma maior cooperação global. As soluções a procurar devem ser encontradas acima dos interesses nacionais - e até agora não existe qualquer organização que consiga dar esses primeiros passos em direcção a uma paz duradoura".

Notícia completa no BWNS: Hollywood role for veteran Baha'i actor.

terça-feira, 7 de junho de 2005

A Escola da Vida

Cada vez mais crianças moçambicanas ficam órfãs, à medida que os pais vão morrendo com Sida. As Nações Unidas estimam que existam 47.000 "órfãos de Sida" naquele país. Como consequência, em algumas áreas rurais, as crianças não sabem como cultivar a comida que necessitam para sobreviver. Nas províncias de Manica e Sofala foram criadas várias escolas para ensinar a estas crianças algumas técnicas agrícolas elementares. Uma foto-reportagem da BBC: Life School.


segunda-feira, 6 de junho de 2005

Ateísmo numa perspectiva Bahá'í

Recentemente, ano Diário Ateísta, a Palmira colocou-me a questão: porquê o combate ao ateísmo sempre foi o denominador comum de todas as religiões? Aqui fica uma resposta em jeito de reflexão.

A pergunta começa por ser redutora; e como todas as pergunta redutoras é susceptível de mal-entendidos. O que é que podemos considerar como religião? As doutrinas contidas nos livros sagrados? As grandes correntes de pensamento religioso? Modelos teológicos específicos? Organizações e instituições religiosas? A massa dos crentes?

E o que podemos considerar como Ateísmo? Sistemas totalitários como comunismo e nazismo, onde Deus foi substituído pelo Estado? O pensamento humanista ou racionalista? O pensamento clássico de Epicuro de Samos? Ou mesmo uma certa maneira de pensar inerente ao capitalismo financeiro em que Deus é substituído pelo dinheiro, as instituições religiosas pelas empresas e os sacerdotes pelos gestores?

A história está repleta casos em que conceitos religiosos ou ateístas foram levados a extremos a ponto de sufocarem a humanidade. Houve que ditaduras cruéis que foram instituídas sob uma pretensa herança religiosa e autoridade divina; e houve regimes totalitários que se basearam em ideologias políticas que se apresentam como substitutos da religião. Mais do que um conflito entre religião e ateísmo, foram tentativas de controlar o pensamento e a liberdade do ser humano. E os resultados foram sempre trágicos.

Mas deixemos estes conflitos políticos e sociais é passemos para o plano dos ensinamentos originais de cada religião. Qual é a religião cujas sagradas escrituras possuem referências inequívocas ao ateísmo? Usando o Ocean encontrei essas referências apenas nas Escrituras Bahá'ís (e esta, hein?!...). Aqui estão as mais significativas:
Quão grande a diferença entre a glória de Cristo e a glória de um conquistador terreno! É relatado pelos historiadores que Napoleão Bonaparte, no Egipto, embarcou em segredo durante a noite. O seu destino era a França. Durante a sua campanha na Palestina, tinha rebentado uma revolução e o governo interno enfrentava sérias dificuldades. O culto cristão tinha sido proibido pelos revolucionários. Os sacerdotes cristãos tinham fugido aterrorizados. A França tinha-se tornado ateia; prevalecia a anarquia. O navio prosseguiu durante a noite sob o luar. Napoleão caminhava no convés de um lado para o outro. Os seus oficiais, sentados, falavam entre si. Um deles falou das semelhanças entre Bonaparte e Cristo. Napoleão parou e disse em tom severo: "Pensas que vou voltar a França para estabelecer uma religião?"[1]

A filosofia hegeliana que, noutros países tem, sob a forma de um nacionalismo militante e intolerante, insistido em deificar o estado, inculcado um espírito de guerra e incitado ao animosidade racial, tem levado igualmente a um significativo enfraquecimento da Igreja e a uma considerável diminuição da sua influência espiritual. Ao contrário da ousada ofensiva que um movimento ostensivamente ateísta lançou contra ela, tanto na União Soviética como para lá das suas fronteiras, esta filosofia nacionalista, que alguns governantes e governos cristãos têm apoiado, é um ataque directo à Igreja por parte daqueles que previamente eram seus confessos aderentes, uma traição à causa por parte dos seus próprios amigos e parentes. Foi apunhalada por uma forma de ateísmo militante e estranho vindo do exterior, e por pregadores de uma doutrina herética vindos do seu interior. Além disso, estas duas forças, cada uma operando na sua esfera e usando as suas armas e métodos, foram auxiliadas e encorajadas por um espírito de modernismo prevalecente, onde se enfatiza uma filosofia puramente materialista e que, à medida que se espalha, tende cada vez mais a afastar a religião da vida diária do homem.[2]
Uma leitura cuidadosa destes excertos permite-nos perceber que se trata da condenação de uma certa expressão de Ateísmo (aquela em que o Estado substitui Deus, o Governo substitui as instituições religiosas e toda a afirmação do chefe de estado deve ser considerada um dogma inquestionável). Poderíamos dizer que os ensinamentos bahá'ís condenam o Ateísmo como um todo? Certamente que não. 'Abdu'l-Bahá, numa palestra afirmou:
Se a religião se torna motivo de ódio e inimizade, então é evidente que a abolição da religião é preferível à sua promulgação. A religião é um remédio para as doenças humanas. Se um remédio provoca doença, então é aconselhável que seja abandonado.[3]
Reduzir estas frases a meras considerações sobre religião e ateísmo, seria perder o que me parece ser o essencial da sua mensagem: qualquer força social (seja uma organização de cariz político, religioso ou social) que seja um agente de perturbação e aflição da sociedade é condenada pelos Escrituras Baha'is. Aqui é impossível não recordar uma frase de Bahá'u'lláh num entrevista a um académico britânico: "Não desejamos senão o bem-estar do mundo e a tranquilidade das nações". Pegando nesta frase e nas considerações anteriores diria que qualquer instituição que trabalhe para "o bem-estar do mundo e a tranquilidade das nações" é preferível a outra que não tenha esse objectivo.

Na minha interpretação pessoal sobre estas citações e sobre outros ensinamentos bahá’ís, parece-me óbvio que, numa perspectiva bahá’í, é preferível um Ateísmo em que os povos vivem em paz do que uma Religião que lança os povos no conflito. No entanto, a história mostra que as civilizações sempre se desenvolveram à sombra de uma religião; não se conhece uma civilização que tenha subsistido sem uma religião. Por outras palavras, a religião - quando cumpre os objectivos a que está destinada pelos seus Fundadores - tem uma capacidade de transformação da sociedade que nenhuma outra ideologia ou filosofia pode rivalizar. Como disse Bahá'u'lláh, "A religião é o principal instrumento para o estabelecimento da ordem no mundo e tranquilidade entre os seus povos"[4].

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NOTAS

[1] - 'Abdu'l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, p. 210.
[2] - Shoghi Effendi, The World Order of Baha'u'llah, p. 182.
[3] - 'Abdu'l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, p. 373. Este tipo de comentário foi repetido várias vezes por Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá, encontrando-se registado em vários textos das Escrituras Baha’is.
[4] - Baha'u'llah, Tablets of Baha'u'llah, p. 63.

Terra da Alegria

Terra da Alegria, a edição de 2ª feira.



CLAREMOMT BEACH - Imagem obtida no "LITTLE GEMS" EXHIBITION OF PAINTINGS

domingo, 5 de junho de 2005

Estaires

O que se pode encontrar no interior de um envelope destes?



Postais antigos da vila de Estaires, uma localidade francesa na retaguarda das linhas portuguesas, em 1917. No Antigamente...

sábado, 4 de junho de 2005

Uma Novidade!



Tem 13 semanas. Ainda não sabemos se é rapaz ou rapariga. Mas é responsável por uns quantos enjoos e indisposições. Por causa dele já tive de andar à procura de batatas fritas com sabor a queijo!!!

sexta-feira, 3 de junho de 2005

O Centenário Alemão

Os Bahá'ís da Alemanha estão a celebrar o seu centenário. Foi em 1905 que o primeiro baha'i se estabeleceu naquele país; chamava-se Edwin Fisher e era americano de origem alemã. As suas iniciativas e actividades levaram à criação de uma pequena comunidade de crentes que em 1913 recebeu a visita de 'Abdu'l-Bahá. Entre 1937 e 1945 as actividades baha’is estiveram proibidas pelo regime nazi; vários crentes foram interrogados, outros foram detidos e até deportados; alguns baha'is de origem judaica foram mortos.

Após a Segunda Guerra Mundial, os baha'is reiniciaram as suas actividades; na Alemanha do Leste, as actividades baha'is estiveram proibidas até à queda do Muro de Berlim. Espalhados por mais de 90 localidade do território alemão, os baha'is alemães são hoje particularmente activos no diálogo inter-religioso, em actos de promoção dos direitos humanos e defesa do desenvolvimento sustentável.

Para assinalar o centenário têm sido organizadas diversas actividades. Entre estas destacam-se um seminário dedicado ao tema "Requisitos da Coesão Social" em que estiveram presentes ministros, membros do parlamento federal, académicos e representantes de várias comunidades religiosas, e uma recepção - no Centro Baha'i em Berlim – para membros dos parlamentos alemão e europeu, governadores de estado, presidentes de municípios e representantes de partidos políticos.

A notícia completa está no BWNS: Senior government minister praises Baha'i contributions.

quinta-feira, 2 de junho de 2005

À imagem de quem?

Aqui fica um tradução/adaptação resumida do artigo In Whose Image? publicado do Planet Baha'i. Recomendo a leitura do artigo original (tanto mais que esta tradução/adaptação foi feita um pouco à pressa).

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A primeira vez que o ser humano é mencionado na Bíblia é quando Deus se propõe criá-lo; Com a frase "Façamo-lo à nossa imagem e semelhança..." (Gen 1:26) Deus expressa o Seu propósito. O Alcorão menciona o relato bíblico da criação e proclama Deus como Criador da humanidade. Outras tradições religiosas transmitem esta ideia em diferentes palavras; mas o aspecto comum é que todas as religiões (nas suas Escrituras ou tradições) apontam para a existência de um Criador. As escrituras bahá’ís não fogem a esta regra e declaram que Deus é o nosso Criador, acrescentando que a Sua imagem está "gravada" em nós; também referem que os seres humanos têm potencial para reflectir os atributos de Deus.

Mas também há quem se interrogue se não terá sido ao contrário: teriam as pessoas criado Deus à sua imagem e semelhança? Talvez Deus seja uma ficção... talvez as nossas ideias sobre Deus - ou imagem que temos d'Ele - sejam um reflexo daquilo que conhecemos de nós próprios. Numa perspectiva mais crítica, há mesmo quem afirme que as dificuldades em compreender o que Deus é, ou as descrições que as Escrituras fazem d'Ele, são uma prova que se trata de uma personagem de ficção.

Tenho outra perspectiva: a maioria das religiões não nos dá uma imagem correcta de Deus. A mente humana não tem capacidade para entender a realidade do seu Criador. Vejam-se os seguinte exemplos:
  • A Bíblia refere o poder e as qualidades superiores de Deus. O que quer que os seres humanos façam ou pensem, é sempre ultrapassado pelas capacidades de Deus. Isto significa que qualquer concepção humana sobre Deus será sempre inadequada.
  • O Alcorão condena a "associação de parceiros a Deus", isto é, tornar qualquer coisa igual a Deus. A Sua natureza superior desafia todas as tentativas para o compreender.
  • O Bhagavad-Gita descreve o "Não-Criado" e "Não Formado" que está em toda a parte, que se movimenta e tudo sustenta (cap.13), mas que os poderes dos sentidos humanos não conseguem perceber.
  • Buda, que geralmente evitava as discussões de teologia, deixou ensinamentos sobre um "Não-Nascido, Não-Gerado, Não-Criado, Não-Formado", resumindo assim a existência de um Deus que está para lá da compreensão humana.
  • As Escrituras Baha'is afirmam explicitamente que Deus está para lá da compreensão humana, e que qualquer imagem ou ideia que possamos ter da Sua Realidade é sempre incorrecta.
Resumindo: a questão colocada "à imagem de quem?" pode ser respondida de diferentes formas dependendo do contexto. Fomos criados à imagem de Deus, mas as nossas ideias sobre Deus são criadas à nossa própria imagem. Ao longo da história Ele tem-nos mostrado que as nossas ideias não podem ser senão aproximações. É importante ter sempre isto presente.