quarta-feira, 14 de setembro de 2005

sábado, 10 de setembro de 2005

Um curiosidade

Uma curiosidade publicada na edição do Expresso (revista Única) de hoje:

Deus anti-stresse

Pensar em Deus diminui a ansiedade e aumenta a resistência à dor. Esta é a tese avançada por um grupo de cientistas norte-americanos, depois de terem realizado várias experiências com jovens que foram divididos em vários grupos de meditação. Ao primeiro grupo foi pedido que repetissem inúmeras vezes frases do tipo "Deus é amor"; o segundo tinha de dizer "sou feliz" e o terceiro tinha, simplesmente, de relaxar. Durante o período em que durou o estudo, os voluntários desempenhavam algumas tarefas e experiências que envolviam dor, enquanto eram acompanhados por uma equipa de psicólogos que avaliava o seu estado de ânimo. No final, o grupo de crentes provou revelar menor ansiedade e maior resistência à dor. A explicação avançada pelos cientistas é que, ao pensar em Deus, os praticantes conseguiram alcançar um estado mais complexo de tranquilidade, que pode não ser atingido pela simples prática de meditação secular ou relaxamento.

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

David Ruhe (1914-2005)



É a lei natural da vida! Por vezes lá recebemos uma notícia de alguém querido ou conhecido que faleceu. Desta vez foi David Ruhe, um antigo membro da Casa Universal de Justiça (o corpo supremo que administra a comunidade internacional baha’i). Conheci-o em 1991, quando fiz a minha peregrinação à Terra Santa. Lembro-me de o ouvir para o grupo de peregrinos sobre o significado de alguns locais que íamos visitar ali na Terra Santa.

Alguns anos mais tarde comprei um livro da sua autoria: Door of Hope, um livro sobre a importância para os baha'is de vários lugares associados à vida de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá. Lembro-me que ao ler o livro recordei as suas palavras que ouvi durante a peregrinação.

David Ruhe aceitou a religião baha'i em 1941, em Filadélfia. Foi membro de vários órgãos administrativos dentro da comunidade, e em 1968 foi eleito para a Casa Universal de Justiça. Além da sua profissão (médico) tinha duas paixões: a escrita e a pintura. Quando em 1993, deixou a Casa Universal de Justiça, David Ruhe e a sua esposa mudaram-se para Nova Iorque, onde se dedicou à produção de uma série de documentários televisivos sobre a religião bahá'í. Faleceu no passado dia 6 de Setembro.

Notícia completa (em inglês) no BWNS.

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Jorge Filipe, outra vez.


O Jorge anda atrapalhado. Concluiu a primeira classe com muitas dificuldades. "A professora disse que ele sabe escrever, mas não sabe fazer contas. Passou-o por favor... Para o próximo ano vai ser bonito!" contou a mãe. Agora tem um livro de fichas de exercícios para fazer durante as férias.

A verdade é que apesar do Jorge morar numa casa com seis adultos, ninguém lhe dá atenção, ninguém brinca com ele. E se sabem ele anda mal na escola, dão-lhe umas bofetadas, ameaçam com umas tareias. Mas ninguém o ajuda com as matérias da escola; uns não podem, outros não querem. Não hesitam em chamar-lhe "Burro!"; é algo que também se acostumou a ouvir dos seus pequenos colegas.

Vimo-lo várias vezes a tentar fazer exercícios do livro que a professora recomendou. Os erros eram muitos e as dificuldades de concentração enormes. Tudo o distraía: o som da televisão, as conversas dos adultos, o barulho dos animais ou até a lembrança de algum brinquedo. "Vai buscar uns grãos de milho que eu explico-te como fazer contas" disse-lhe uma tia. Durante alguns dias, o milho ajudou-o a fazer contas. Mas o Jorge precisava de ajuda permanente.

Dentro de algumas semanas a escola vai começar. Vai sentir ainda mais dificuldades. E a falta de apoio será a mesma. Por este andar, o que será a vida deste miúdo?

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Exclusivismo

O meu texto publicado hoje na Terra da Alegria.
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Os ensinamentos básicos das religiões pretendem ajudar as pessoas a encontrar um significado e um conjunto de valores para orientar as suas vidas; paralelamente, algumas confissões e instituições religiosas costumam reclamar para si um estatuto de exclusividade, como se fossem detentora da "verdadeira revelação" e o "único caminho possível" para a salvação (ou libertação). No mundo actual, onde a globalização e o multiculturalismo são inevitáveis, estas pretensões de exclusivismo religioso devem ser equacionadas. Inevitavelmente algumas doutrinas antigas deverão ser reformuladas para ter em conta que há vários caminhos para chegar a Deus.

Podemos enumerar algumas consequências negativas das atitudes exclusivistas. A primeira é a divisão; as pessoas ficam catalogadas como "nós" e "os outros", os "salvos" e os "condenados". A segunda consequência é o obstáculo que se cria à cooperação e diálogo inter-religioso. A terceira consequência verifica-se quando as pretensões exclusivistas se combinam o poder político, económico e militar, gerando tensões e conflitos na sociedade. Não é de admirar que Hans Kung há mais de uma década tenha afirmado que a paz entre as religiões é um pré-requisito para a Paz Mundial[1]. 'Abdu'l-Bahá declarou que a crença de que uma religião é única que agrada a Deus que os seguidores das outras estão condenados por Deus e privados da Sua graça é a principal causa de preconceito religioso[2]. É importante não esquecer que a religião, ao reclamar exclusividade ou superioridade, é frequentemente usada para validar e intensificar conflitos humanos. A quarta consequência está na cristalização das principais diferenças teológicas entre as religiões, tornando-as sistemas de crença aparentemente irreconciliáveis entre si.

Podemos encontrar tendências exclusivistas em praticamente todas as religiões; no Judaísmo deparamo-nos com o conceito de "povo eleito"; no Islão sustenta-se que a revelação divina terminou pois Maomé foi o Selo dos Profetas (Alcorão 33:40) e advoga-se a superioridade do Islão em relação a outras religiões, porque os livros sagrados dos cristãos e dos judeus foram corrompidos (Alcorão 4:45-46).

No Cristianismo, os conceitos exclusivistas mais notórios são a encarnação (a essência de Deus encarnou na pessoa de Jesus Cristo) e a ideia de que a história sagrada chegou ao fim com a revelação de Jesus. E vários versículos bíblicos são invocados na tentativa de sustentar estes conceitos: Jesus é o Mediador entre Deus e a humanidade (1 Tim 2:5), não há outro nome pelo qual as pessoas se possam salvar (Act 4:12), Jesus é o Filho Unigénito (Jo 1:14) e ninguém chega ao Pai salvo através d’Ele (Jo 14:6). Estes, e outros versículos, costumam ser usados para justificar que Jesus foi o último Profeta, que nos deixou os ensinamentos definitivos, que Ele é a encarnação da Divindade e que a Sua revelação nos proporcionou o derradeiro acesso à vontade de Deus.

Alguns teólogos cristãos e especialistas em religiões comparadas, preocupados com a questão do exclusivismo, argumentam que a autenticidade dos textos é questionável; outros preferem dizer que o exclusivismo se baseia em interpretações incorrectas das escrituras, defendendo que se deve ter em conta o texto não é uma verdade histórica absoluta, mas um mero testemunho de fé, vivida num contexto histórico, social e cultural totalmente diferente dos nossos dias. O estilo de linguagem também varia conforme o autor e os destinatários dos textos.

É importante ter presente que o exclusivismo não é uma característica inerente às religiões, mas sim uma atitude em relação aos ensinamentos de uma religião. Os seus alicerces assentam frequentemente na interpretação literal de metáforas e simbolismos existentes nos Livros Sagrados. Na própria religião baha'i, algumas palavras de Bahá'u'lláh podem suscitar aspirações exclusivistas:
"Homem algum poderá obter a vida eterna, a não ser que abrace a verdade desta Revelação inestimável, maravilhosa e sublime."[3]
É verdade que não existe uma doutrina - ou teologia - baha’i exclusivista. Mas uma interpretação literal destas palavras poderia sugerir que para os baha’is, a salvação depende do reconhecimento de Bahá'u'lláh como Mensageiro de Deus. No entanto, isto seria uma contradição com outros ensinamentos do fundador da religião baha’i. Como poderia uma tal interpretação ser compatível com outros excertos das escrituras baha'is onde se declara que os seguidores de outras religiões também atingem a salvação? [4]

Ao ler esta frase de Bahá'u'lláh, devemos ter presente que as Suas escrituras dão uma maior ênfase à salvação colectiva do que à salvação individual; Ele mesmo declarou que a Sua Missão era "a salvação dos povos e raças da terra"[5]. Assim podemos entender que Bahá'u'lláh não tem pretensões exclusivistas sobre a salvação individual, mas que a salvação social da humanidade depende da adopção dos princípios da sua religião.

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NOTAS
[1] - Kung, Christianity and World Religions, p. 440-443
[2] – Paris Talks, p. 45-46
[3] - Selecção dos Escritos de Baha'u'llah, XCII
[4] - Recordo algumas das palavras de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá: "Abençoado o homem que se volveu para Ele (Cristo) "; Maomé é a "Arca da Salvação"; o Alcorão é "o Caminho para todos os que estão nos céus e todos os que estão na terra".
[5] - Selecção dos Escritos de Baha'u'llah, CXV

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

Evreux

Postais antigos da cidade de Evreux, publicados no Antigamente...

Katrina e os fogos

Sucedem-se as notícias e as imagens dos efeitos do furacão Katrina, nos Estados Unidos. Contam-se os mortos, calculam-se os prejuízos e fazem-se estimativas sobre o tempo necessário para a reconstrução. As televisões mostram imagem do desespero de quem aguarda algum auxílio, das equipas de socorro e dos saques. É quase impossível não recordar imediatamente que o governo americano não assinou o protocolo de Kioto. Poderá esta tragédia levar a uma mudança de atitude em relação a problemas ambientais provocados pela actividade humana? Ou atribuir-se-ão as culpas da mesma a inevitáveis caprichos da natureza?

Em Portugal também tivemos a nossa tragédia neste verão: os incêndios. Imagens de labaredas a consumir floresta, as chamas às portas de Coimbra; contam-se os hectares de área ardida, ouvem-se acusações de incompetência a várias entidades, denunciam-se políticas florestais inadequadas, e fazem-se debates. Poderá a calamidade dos incêndios deste verão obrigar a uma mudança de política florestal do nosso governo? Ou ficaremos pela aquisição de mais alguns helicópteros e carros de bombeiros?

O furacão e os fogos foram tragédias distintas, em locais bem diferentes e com consequências distintas. Mas no seu rescaldo, as opiniões públicas devem exigir dos governantes acções concretas que minimizem os problemas que afectam seriamente o meio-ambiente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Blogs que aparecem, blogs que desaparecem...

No regresso de férias, temos de arrumar a casa. Trazemos coisas novas, percebemos que já não vamos necessitar de outras, retomamos a rotina normal dos dias de trabalho. Curiosamente, acontece algo semelhante com a blogosfera; surgiram novos blogs e desapareceram outros. Vou sentir falta do Aviz, do Jaquinzinhos e do Eidw. Em contrapartida, descobri A Cidade Surpreendente e o Tigre da Tasmânia (de um jornalista desempregado).