Segundo os ensinamentos bahá'ís, toda a criação reflecte, de alguma forma, os "atributos" e "nomes" de Deus, desde o mais pequeno átomo à mais grandiosa galáxia. "...qualquer coisa que esteja nos céus e qualquer coisa que esteja sobre a terra, é evidência directa da revelação, no seu imo, dos atributos e nomes de Deus, já que dentro de cada átomo estão encerrados os sinais que dão testemunho eloquente da revelação daquela mais grandiosa Luz."[107] Tal como numa obra de arte em que podemos identificar características do autor, também na criação podemos identificar o cunho pessoal do Criador. Este conceito é por vezes referido como a "Revelação Universal". No Alcorão declara-se: "Não há coisa alguma que não celebre o Seu louvor"[17:44].
O ser humano é "de todas as coisas criadas a mais nobre e mais perfeita" [109]; reflecte, potencialmente, todos os nomes e atributos de Deus; São muitos os textos dos Livros Sagrados que descrevem este tema e descrevem o ser humano como a mais nobre e perfeita de todas as coisas criadas: "Quem se tiver conhecido a si próprio, terá conhecido Deus"[107].
Tal como a obra de arte que nunca conseguirá compreender a vontade, nem a essência, do seu artista criador, também a inteligência humana não pode compreender toda a vastidão e implicações da vontade divina, nem esta pode ser descrita por qualquer língua humana. Deus transcende todos os elogios e concepções que o ser humano possa fazer a Seu respeito.
É esta situação em que o ser humano aparece como o expoente máximo da criação divina, mas em que simultaneamente não tem acesso directo ao Criador, levam Bahá'u'lláh a citar no Kitáb-i-Iqán uma tradição islâmica segundo a qual Deus teria afirmado: "O Homem é o Meu mistério e Eu sou o seu Mistério".[107]
Devemos ter presente que apesar de não termos acesso directo ao Criador, nem por isso Ele nos abandonou à nossa sorte. A benevolência de Deus sempre atingiu a humanidade; nunca estivemos privados da Sua Graça. Ele nunca a negou a qualquer povo da Terra. De tempos a tempos, um Profeta tem surgido entre os povos com o objectivo de elevar a sua condição social e espiritual. A maior graça concedida por Deus ao Ser Humano é a possibilidade de O reconhecermos através dos Seus Manifestantes. Quem o consegue, alcança uma posição suprema, referida frequentemente como "a presença de Deus".
Sobre a criação, a vontade de Deus e os Profetas (frequentemente designados nas escrituras baha'is como "Manifestantes de Deus"), Bahá'u'lláh revelou no Kitáb-i-Iqán:
O domínio de Seu decreto é vasto demais para ser descrito pela língua dos mortais, ou atravessado pela ave da mente humana; e as dispensações de Sua providência são tão misteriosas que a inteligência do homem não as pode compreender. Nenhum fim atingiu à Sua criação e desde o "Princípio que não tem princípio", ela existe; e os Manifestantes de Sua Beleza, princípio algum os viu, e eles continuarão até o "Fim que não conhece fim".[178]-------------------------------------------------------------------
Entre parêntesis rectos indica-se o nº do parágrafo citado. Sobre a numeração dos parágrafos do Kitáb-í-Iqan, ver Notes on paragraph numbering of the Kitab-i-Iqan.
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