segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Mapa da Poluição na Europa


Cientistas holandeses recorreram a imagens do satélite Aura para elaborar mapas que mostrar a distribuição da poluição na Europa e noutras regiões do mundo. As imagens reflectem os níveis da poluição na camada mais baixa da atmosfera (aquela em que nós vivemos!). Na imagem anterior as manchas assinalam a presença de dióxido de nitrogénio (NO2), um precursor da produção de ozono ao nível do solo.

Notícia completa na BBC.

sábado, 10 de dezembro de 2005

Mundial de 2006

Fazendo uso da minha condição de treinador de bancada - que me é conferido pela minha condição de cidadão português - aqui fica o meu primeiro comentário ao resultado do sorteio do Mundial de 2006: cuidado com os iranianos. São desconhecidos para nós. Mas têm vários jogadores a jogar no estrangeiro. Têm potencial para vir a ser uma desagradável surpresa.



O calendário dos jogos:

11/Jun 17:00 Nuremberga México - Irão
11/Jun 20:00 Colónia Angola - Portugal
16/Jun 20:00 Hannover México - Angola
17/Jun 14:00 Frankfurt Portugal - Irão
21/Jun 20:00 Gelsenkirchen Portugal - México
21/Jun 20:00 Leipzig Irão - Angola

O site da BBC tem um bom resumo de informações sobre as diferentes selecções.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Esther Mucznik

A recente polémica sobre os crucifixos nas escolas levanta uma questão interessante: porque razão não se ouve uma única voz representativa das confissões não católicas no coro exigindo a retirada desses símbolos? Será por medo? Pelo hábito ancestral do silêncio? Por solidariedade institucional? Ou será porque estão de acordo com a presença desses símbolos religiosos?

Sem obviamente pretender falar em nome de ninguém, acho que não é por nenhuma destas razões. Mais simplesmente diria que o "combate" de uma associação como a Associação República e Laicidade - que denunciou a existência de crucifixos em determinadas escolas - não é o mesmo do das confissões não católicas, que na sua maioria não se revêem no "militantismo" laico que se dedica a esquadrinhar o país à caça de símbolos católicos para os erradicar do espaço público.

Gostaria de dizer com toda a clareza que, de uma forma geral, não sou favorável à proliferação desses ou de outros símbolos religiosos nos edifícios públicos. Liberdade religiosa e liberdade de manifestação religiosa nem sempre coincidem e há momentos em que determinadas manifestações religiosas podem colidir com a liberdade religiosa alheia. Mas não faço disto uma questão principal e decisiva e acredito que, mais do que a legislação, é o bom senso que deve prevalecer.


Esther Mucznik, Público, 09-Dezembro-2005
Comentário:
As questões levantados no primeiro parágrafo são muito pertinentes. Não me admirava que se a denúncia da existência de crucifixos em certas escolas públicas tivesse partido da Comissão de Liberdade Religiosa, várias confissões tivessem feito ouvir a sua voz sobre esta matéria. Talvez valha a pena recordar as palavras de Menéres Pimentel, presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, que ao referir-se à presença de crucifixos nas salas de aula das escolas públicas declarou representar "uma interferência da religião na esfera pública, intolerável, pouco consentânea com o princípio da separação entre o Estado e as confissões religiosas, com a liberdade religiosa dos membros de outras confissões religiosas e com a liberdade de consciência daqueles que não professem qualquer religião".

Bagão Felix

É obvio que nenhum crente deve impor a sua fé ou prática religiosa a outrem. Mas de igual modo e ainda que sob a capa de "neutralidade" (não confundamos neutralidade com imparcialidade...), nenhum ateu ou agnóstico deve impor o seu ateísmo ou agnosticismo como regra para os outros. Ou será que ser ateu ou agnóstico confere - para a tal neutralidade objectiva – algum estatuto superior e prévio?

António Bagão Felix, Público, 09-Dezembro-2005

Comentário:
É verdade que nenhuma crença (seja maioritária, ou não) possui esse estatuto superior e objectivo no que toca à aplicação da lei da liberdade religiosa. Creio que o organismo mais imparcial e neutro que talvez exista seja a Comissão da Liberdade Religiosa.

A retirada dos crucifixos das escolas públicas surgiu nos media como resultado de uma iniciativa da Associação Republica e Laicidade (fazendo com isso despertar o fantasma jacobino e anti-religioso da Primeira República). Teria sido preferível que a Comissão da Liberdade Religiosa tivesse sido ouvida sobre a matéria. Talvez este episódio sirva para relembrar o Governo da importância desta Comissão e remediar a tremenda falta de meios com que esta trabalha.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Kitáb-i-Iqán (9)

Motivos da Oposição aos Profetas (1ª parte)
Mas hoje, amanhã e depois, devo seguir o Meu caminho porque não se admite que um Profeta pereça fora de Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes Eu quis juntar os teus filhos como uma galinha junta a sua ninhada debaixo das asas e não quiseste. (Lc 13:33-34)

Oh! a miséria dos homens! Não lhes é enviado Mensageiro algum, que não seja objecto do seu escárnio. (Alcorão 36:30)
As citações anteriores são exemplos de um aspecto comum a todas as religiões: a oposição aos Profetas. Invariavelmente, ao longo da história, cada vez que surgiu um Profeta, Ele foi perseguido, não obstante existirem tradições e profecias que anunciavam o Seu aparecimento. Este paradoxo é abordado por Bahá’u’lláh em vários parágrafos do Kitáb-i-Íqán.

SÍMBOLOS, METÁFORAS E PARÁBOLAS

Nas Sagradas Escrituras de todas as religiões podemos encontrar, na forma de símbolos, metáforas e parábolas, alusões ao aparecimento de um novo profeta. “Dia da Ressurreição”, “Juízo Final”, “Regresso de Cristo”, “Dia de Deus” são algumas das expressões usadas para descrever esses momentos únicos na história da humanidade. No entanto, os crentes nem sempre entendem o significado deste tipo de expressões e por vezes até os interpretam literalmente. E assim, quando o prometido Profeta surge, a maioria dos crentes revolta-se contra Ele, por considerarem que não se cumpriram os sinais que deviam acompanhar o Seu aparecimento.

Poder-se-ia argumentar que as indicações deixadas pelos Profetas do passado estão incompletas. Mas se essas indicações estivessem incompletas, Deus iria castigar alguém por não reconhecer o novo Mensageiro? Isso não estaria de acordo com a Sua misericórdia [14].

No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh questiona: se o que está escrito nos textos sagrados sobre a vinda de um novo Mensageiro de Deus se cumprisse literalmente, quem se atreveria a descrer? E como se poderia isso cumprir se é contra as leis da natureza? Sobre os textos que anunciam o regresso de Jesus Cristo, Bahá'u'lláh declara:
Julgai imparcialmente: se as profecias registradas no Evangelho fossem cumpridas literalmente, se Jesus, Filho de Maria, acompanhado de anjos, descesse do céu visível sobre as nuvens, quem se atreveria a descrer, quem ousaria rejeitar a verdade e se tornar desdenhoso? Não, tamanha consternação logo se apoderaria de todos os que habitam a terra, que nenhuma alma se sentiria capaz de pronunciar uma palavra e, muito menos, de rejeitar ou aceitar a verdade.[88]
Assim, se o texto se cumprisse literalmente, o aparecimento de Jesus não seria um teste à fé de cada ser humano, mas um evento que deixaria todos estarrecidos. Percebe-se que as expectativas dos crentes quando se baseiam em interpretações literais acabam ser um obstáculo ao reconhecimento do novo Profeta, e ao acesso ao conhecimento espiritual que emana das Palavras de qualquer Mensageiro de Deus.

TRADIÇÕES RELIGIOSAS

Além das interpretações literais sobre textos alusivos ao aparecimento de novos Profetas, também existem conceitos baseados em certas interpretações das Escrituras podem funcionar como obstáculos ao reconhecimento de um novo Mensageiro Divino.

No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh refere que os sacerdotes cristãos agarraram-se ao sentido literal das palavras de Jesus e não perceberam a grandeza de Maomé [25]. No Evangelho de S. Lucas, as seguintes palavras são atribuídas a Cristo: "Passará o céu e a terra, mas as Minhas palavras não passarão" (21:33). Este versículo levou a maioria dos sacerdotes cristãos a acreditar que a Lei do Evangelho nunca seria alterada. Não compreenderam esta frase à luz da dupla condição dos Profetas. Acreditam que o Prometido manterá todos os ensinamentos éticos e sociais estabelecidos por Cristo. Foi essa interpretação que os levou a repudiar Maomé.[26]

De igual forma, o versículo do Alcorão em que Maomé se proclama "Selo dos Profetas"(33:40) é invariavelmente interpretado como uma indicação de que Deus não enviará mais Profetas. Também a maioria dos muçulmanos não compreende o significado deste versículo de acordo com a dupla condição dos Profetas, e por esse motivo rejeitam todas as religiões que possam surgir após o Islão.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Almoço



Hoje almocei com o João Tunes, a Guida Alves, o Raimundo Narciso e o Lutz. Um bom bife e muita conversa sobre as eleições e a campanha, as máquinas partidárias, o livro do Pacheco, o Khadaffi, o Saddam, as categorias de alemães que vivem em Portugal, a Guiné, os filhos, o novo livro sobre o João Amaral, o Cavaco e o Cunhal. A conversa foi boa. Muito boa.

Terra da Alegria

Hoje há Terra da Alegria!

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Rituais

Os seres humanos organizam grande parte das suas interacções sociais em padrões rotineiros formais. Por exemplo, no Ocidente, quando se conhece alguém pela primeira vez é costume dar-se um aperto de mão e trocar algumas palavras. Um ritual consiste num conjunto de práticas rotineiras formalizadas e relacionados com a religião. Para os seguidores de uma religião, porém, o ritual, tal com a escritura, é uma hierofania; é uma aparição do sagrado. Através da realização do ritual, o sagrado é evocado, O ritual pode incluir a leitura ou cântico das escrituras, hinos, certas acções, certos sons (como gongos, címbalos e sinos), certos cheiros (como o incenso) símbolos religiosos e música, todos eles contribuindo para a evocação do sagrado.

O ritual é provavelmente a fonte mais comum de experiência religiosa para a maioria das pessoas. Na verdade, para um número significativo de povos, o ritual é a própria religião. Para muitos indianos, japoneses xintoístas e povos tribais, a religião consiste quase exclusivamente em vários rituais (nomeadamente rituais de passagem, e rituais diários ou sazonais). Apesar destes rituais implicarem algumas crenças, estas tendem a ser uma interpretação dos académicos e normalmente não estão presentes na consciência das pessoas comuns que participam num ritual.

O ritual pode ser considerado como uma importante parte do conhecimento que o crente tem da sua religião. Enquanto que o conhecimento cognitivo pode fornecer ao indivíduo factos sobre a sua religião, o ritual dá-lhe um conhecimento do “sentimento” ou do "ambiente" da religião; transmite-lhe informação afectiva não-cognitiva (aquilo que alguns poderão designar por conhecimento holístico). Em algumas correntes do Cristianismo, o simples facto de um crente se ajoelhar perante uma imagem da Virgem Maria pode transmitir-lhe muito mais informação sobre a religião do que horas de pregação e formação conseguiriam. As atitudes em relação a si próprio, em relação a outras pessoas e em relação à Última Realidade conseguem ser transmitidos de forma mais directa e poderosa através de rituais do que qualquer outro meio. Seja o ritual realizado numa igreja a cheirar a incenso onde o sacerdote transforma o pão e o vinho no corpo e sangue de Cristo, ou técnicas de meditação que conduzem a um estado alterado de consciência, o resultado pode ser uma experiência directa do sagrado. Assim, para os novos convertidos, o ritual pode ser uma fonte de aprendizagem de factos sobre a nova religião. (...) O ritual também reforça o sentido de experiência religiosa comunitária, o sentimento de unidade e solidariedade de grupo, o sentimento de pertença a algo que é maior do que os indivíduos incluídos no grupo.

Existem numerosas formas de rituais: ritos de purificação, regeneração, agradecimento, auto-negação, penitência e propiciação. Por vezes é difícil distinguir o ritual da magia; ambos implicam um processo supra-natural. Os rituais são frequentemente ritos de passagem (isto é, relacionados com o ciclo da vida: nascimento, puberdade, casamento, morte) ritos relacionados com o calendários (rituais semanais, rituais de primavera, das colheitas, do inverno e do Ano Novo), ou encenações formais de uma história ou evento sagrado.

Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach, pags. 104-105

domingo, 4 de dezembro de 2005

Gostei de ler...

"É tempo de percebermos que o discurso da «diferença» e do «multiculturalismo» não é mais do que um palavreado paternalista infinitamente demagógico que retira às pessoas esse direito fundamental, que é o da igualdade. É tempo de abandonarmos o discurso protector das «minorias étnicas» e entendermos que um cientista, um artista, um filósofo negro devem ser ouvidos sobre as suas áreas de interesse e especialização e não só sobre o facto de... serem negros. Há pelo menos uma geração inteira de portugueses negros que são tratados como estrangeiros. Se sobreviverem à marginalidade e quiserem ir para a universidade, não têm bolsas nem apoios de ninguém: para Portugal são estrangeiros, para os países dos seus pais são emigrantes sem retorno."

Inês Pedrosa, Expresso (Revista Única), 03-Dezembro-2005

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Na Maternidade

Com o anestesista:
- Então você é que é o pai do calmeirão?
- Pois... é verdade...
- O miúdo é giro, sim senhor. Mais um benfiquista na família, hein?!...
- Quê? Não me diga que vocês trocam os bebés aqui na maternidade?

Com um tio:
- O miúdo é giro. Bem mais giro do que tu, quando nasceste...
- Ah sim ?!...
- Claro. Tu eras mais magro e tinhas o cabelo em pé. Parecias um piaçaba!

Com a esposa:
- Sabias que os bebés têm uma pulseira com um dispositivo electrónico que permite detectar a sua localização?
- É essa pulseira que ele tem no pé?
- Sim. Ontem à noite apareceu aí o segurança porque tinha sido detectado um bebé fora da zona dos recém-nascidos. Depois houve uma enfermeira que descobriu que a mãe tinha levado o bebé para passear no elevador...