sexta-feira, 10 de março de 2006

Um beijo lambusado



Todos os dias da semana têm um momento especial. Quando chego a casa, o meu filho mais velho, assim que me ouve a abrir a porta, começa a chamar por mim "O pai! O pai!..." e corre para a porta, abraça-se às minhas pernas, e tenta dar-me o beijinho de boas vindas. É aquele momento quase mágico em que todos os problemas e o stress do emprego se desvanecem e só existe a família.

Ontem ao fim do dia, quando vivi esse momento estranhei que o beijinho do meu filho fosse tão lambusado. Não é costume... Depois de um abracinho, perguntei-lhe "Então? Como foi a escola? Portaste-te bem?"

Quase imediatamente surgiu a minha mulher que, num tom severo de mãe, me contou: "O teu filho acabou de apanhar uma palmada!..."

"Então filho? O que fizeste?" Ele ignorou a minha pergunta e começou a brincar com uns carrinhos, como se não quisesse responder à minha pergunta. Ainda insisti, mas não me respondeu.

A minha mulher esclareceu o motivo da palmada: "Apanhei-o agora mesmo a beber água das cadelas!"

Percebi então o porquê daquele beijo lambusado.

quinta-feira, 9 de março de 2006

Alma de Mulher

A propósito do Dia da Mulher assinalado ontem, recebi por email este texto (cuja autoria desconheço) mas que me parece muito bonito.

Alma de Mulher

Nada mais contraditório do que "ser mulher"...
Mulher que pensa com o coração, age pela emoção e vence pelo amor.
Que vive milhões de emoções num só dia e transmite cada uma delas, num único olhar.
Que cobra de si a perfeição e vive arrumando desculpas para os erros, daqueles a quem ama.
Que hospeda no ventre outras almas, dá a luz e depois fica cega, diante da beleza dos filhos que gerou.
Que dá as asas, ensina a voar mas não quer ver partir os pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.
Que se enfeita toda e perfuma o leito, ainda que seu amor nem perceba mais tais detalhes.
Que como uma feiticeira transforma em luz e sorriso as dores que sente na alma, só pra ninguém notar.
E ainda tem que ser forte, pra dar os ombros para quem neles precise chorar.
Feliz do homem que por um dia souber, entender a alma da mulher!

Benfica!

Simão remata para o primeiro golo do Benfica

Quando se trata de competições europeias, tenho mesmo de torcer por todas as equipas portuguesas. E ontem fui benfiquista durante 90 e tal minutos. Sofri e vibrei com a vitória do Benfica sobre o Liverpool. E uma vitória de uma equipa portuguesa, no Anfield Road, a casa do actual campeão europeu não acontece todos os anos.

Aliás nas últimas duas semanas tenho tido alguns períodos de benfiquismo. Primeiro foi o jogo contra o Liverpool, aqui em Lisboa; depois foi o jogo contra o FC Porto. E ontem foi este jogo. Os próximos jogos do Benfica na Champions prometem mais 180 minutos de benfiquismo.

Um aspecto curioso do jogo de ontem foram os cânticos dos adeptos do Liverpool após o segundo golo do Benfica. Era como se estivessem a dizer aos jogadores que os continuavam a apoiar, apesar da derrota que era inevitável. Uma forma muito bonita de apoiar a equipa.

Resumindo: gostei tanto de ver o Benfica ganhar ao Liverpool, como há algumas semanas atrás gostei de ver o meu Sporting ganhar ao Benfica no Estádio da Luz. Como diz aquele ditado árabe: "Eu e o meu irmão contra o meu primo; eu, o meu irmão e o meu primo contra o estrangeiro".

A título de curiosidade: já reparei que sempre que desejo boa sorte ao João Tunes nas vésperas de um jogo do Benfica, o clube da Luz vence. Eu não sou supersticioso, mas… :-)

terça-feira, 7 de março de 2006

Kitáb-i-Iqán (14)

A Ressurreição dos Mortos

A ressurreição dos mortos é um conceito comum às escatologias cristãs e islâmicas; ambas sustentam que um dia, no "fim dos tempos", todos os seres humanos ressuscitarão e serão chamados a responder pelos seus actos. Tratam-se interpretações literais dos textos sagrados que há muitos séculos são aceites pelos crentes.

No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh afirma que o significado desta expressão está muito longe da interpretação literal que lhe é atribuída. [114]; essa interpretação literal leva-nos a um acto de utilidade questionável para os seres humanos. Pelo contrário, o fundador da religião Bahá'í considera que a ressurreição dos mortos consiste num processo de regeneração espiritual que ocorre sempre que surge um novo Mensageiro de Deus [51]. Esse transformação dos seres humanos é algo muito mais poderoso do que uma ressurreição física.


A Ressurreição dos Mortos, de Luca Signorelli.
Este pintor renascentista acreditava na ressurreição física.

Bahá'u'lláh acrescenta ainda que o Dia da Ressurreição se deu com todos os Manifestantes de Deus, e afirma explicitamente que a ressurreição dos mortos se deu com o aparecimento de Jesus[88] e com o aparecimento de Maomé[121]. Além disso, Bahá'u'lláh recorda que todos os Manifestantes tentaram explicar o sentido simbólico desta expressão: "Em cada era e século, os Profetas de Deus e Seus eleitos não tiveram outro objectivo senão o de afirmar o sentido espiritual dos termos «vida», «ressurreição» e «juízo»"[128]. E apresenta alguns exemplos:

Essas coisas sucederam nos dias de cada um dos Manifestantes de Deus. Assim disse Jesus: "Importa-vos nascer outra vez." (Jo 3:7) E ainda: "Quem não renascer da água e do Espírito Santo, não poderá entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito." (Jo 3:56) O intuito destas palavras é que, em cada era, quem nasce do Espírito e se vivifica pelo alento do Manifestante da Santidade, é, em verdade, dos que atingiram a "vida" e a "ressurreição", e entraram no "paraíso" do amor de Deus. [125]

(...)

Noutra passagem do Evangelho está escrito: "E aconteceu que, certo dia, morrera o pai de um dos discípulos de Jesus. Esse discípulo, relatando a Jesus a morte do pai, pediu que lhe fosse permitido ir enterrá-lo. A isso respondeu Jesus, aquela Essência do Desprendimento, dizendo: «Deixa que os mortos enterrem os seus mortos.» (Lc 9:60) [125]
Também no Alcorão se refere um exemplo de crentes que não entendiam o significado da expressão “ressurreição”: "E se disseres «Após a morte sereis seguramente ressuscitados», os infiéis responderão: «Isto nada mais é que manifesta magia»"(11:7)

O Dia da Ressurreição é ainda referido como “o Dia do Juízo”; o simbolismo de Ressurreição também está muito próximo de um outro referido anteriormente: a Presença de Deus [149]. Ambas as expressões descrevem a aceitação de uma nova Mensagem Divina, um acto que nos exige que abandonemos ideias, valores e conceitos antigos e que adoptemos novos valores e ensinamentos revelados pelo novo Manifestante de Deus.

Com o aparecimento de um novo Mensageiro de Deus todos somos testados. Ao surgir a nova mensagem divina, cuja fonte é a mesma de todas as religiões anteriores, Deus avalia se a nossa fé se baseia na essência do que foi revelado ou apenas em aspectos exteriores e secundários da religião[182]. É nesse teste que o Criador nos faz, que podemos viver uma ressurreição espiritual ao entender os ensinamentos de uma nova mensagem divina.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Liberdade vs. Susceptibilidade

"A minha liberdade tem um limite na tua. Na tua liberdade sim, mas não na tua susceptibilidade. Posso gozar com a tua fé que não interdito praticá-la. (...) Se se estabelece o princípio que não é lícito ofender uma qualquer fé, atribuem-se as chaves da liberdade à susceptibilidade do crente."

Paolo Flores d'Arcais, citado por Augusto M. Seabra no Público de ontem.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Dois anos a blogar...




Obrigado pelos desenhos, Dina.

Rotary Club

Teve lugar na passada quarta-feira num Hotel de Lisboa uma jantar do Rotary Club que convidou representantes das Confissões Religiosas: Católica, Bahá'i, Hindu, Islâmica, Judaica e Budista a estar presentes. No final do jantar, cada representante fez uma alocução sobre a sua própria Confissão Religiosa e também da contribuição para a Paz e Solidariedade para um Mundo Melhor.

quinta-feira, 2 de março de 2006

Mais uma tatuagem...

Ainda a propósito de tatuagens bahá'ís, R. Emory Lundberg, um leitor de Rodhe Island, enviou-me um link com foto da sua tatuagem com outro símbolo bahá'í. Apesar de ser original, não me convence a mudar de opinião sobre as tatuagens. Aqui fica a foto:


O significado do símbolo é o seguinte: a linha horizontal inferior representa a humanidade; a linha horizontal superior representa Deus e a linha intermédia representa os Manifestantes de Deus. A linha vertical representa a ligação entre Deus, os Manifestantes e a humanidade. Por fim, as duas estrelas simbolizam o Báb e Bahá'u'lláh.

É com alguma facilidade que se vê este símbolo em anéis, capas de livros pinturas e em alguns templos baha'is. Seguem-se alguns exemplos.




Esta última foto apresenta um pormenor do Santuário do Báb, no Monte Carmelo.

quarta-feira, 1 de março de 2006

Terra da Alegria

Mais uma edição da Terra da Alegria.

Mais uma língua oficial na ONU?

Está disponível na internet uma petição cujo objectivo é solicitar à ONU que a língua portuguesa seja adoptada como língua oficial daquela organização (a par do árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo). As referências a esta petição têm-se vindo a multiplicar em blogs e em correntes de mails.

Não posso deixar de ter alguma simpatia por esta petição. Afinal é a minha língua. É a língua da minha família e da comunidade onde me insiro. É um elemento muito importante da minha identificação cultural. O mesmo se passa com 250 milhões de seres humanos neste planeta.

O mundo lusófono até pode ver um acto destes com muito orgulho; mas que vantagens teria um acto destes para aquela organização? Em termos práticos as consequências seriam um acréscimo de custos, pois seria necessário aumentar o batalhão de tradutores que actualmente ali trabalham. E o orçamento da ONU já suporta tantos custos administrativos… Talvez valha a pena pensar um pouco antes de assinar uma petição destas.


Ao considerar as acções de um organismo internacional como a ONU, devemos ter presente as vantagens que essas acções têm para todos os povos do mundo e não para apenas um povo ou outro. Uma visão sectária das vantagens e desvantagens apenas serve para bloquear - ou dificultar - as acções deste tipo de organizações. Por outras palavras, temos de ter uma visão global, e não sectária.

Poder-se-á dizer que a visão sectária é comum à enorme maioria dos intervenientes nestes organismos. É verdade. Mas não é essa falta de visão global a causa da maioria dos problemas destes organismos?

A alternativa à existência de várias línguas oficiais nos organismos internacionais está na adopção de uma língua auxiliar internacional; pode ser uma das línguas existentes, ou uma língua "artificial" como o esperanto. Se depois de adoptada pelos organismos internacionais, essa língua fosse ensinada em todas as escolas do mundo, não só reduziríamos os custos de tradução, como melhoraríamos significativamente a comunicação entre os povos do mundo.

Por estes motivos, não vou assinar esta petição.

Parabéns



Dois anos de Blasfémias!