sexta-feira, 28 de abril de 2006

Bahá'ís do Irão, 1980

Em 21 de Agosto de 1980 todos os nove membros da Assembleia Nacional dos Baha'is do Irão foram raptados e desapareceram. Provavelmente foram executados. No site Iranian.com encontrei o seguinte filme que contém uma pequena homenagens a esses mártires.


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quinta-feira, 27 de abril de 2006

Kitáb-i-Iqán (17)

O Dia do Juízo (2ª parte)

No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh refere que Dia do Juízo/Dia da Ressurreição é um daqueles conceitos cujo significado espiritual os Mensageiros de Deus sempre tentaram explicar: “Em cada era e século, os Profetas de Deus e Seus eleitos não tiveram outro objectivo senão o de afirmar o sentido espiritual dos termos «vida», «ressurreição» e «juízo»[128]. Na verdade, ao ler os Evangelhos podemos perceber como Jesus tinha deixado implícito o significado desta expressão: ”Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a Minha palavra e acredita n’Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não incorre em condenação, mas passou da morte para a vida!” (Jo 5:24)

Mosaico Bizantino (sec.XII) ilustrando o Dia do Juízo

As descrições que as Sagradas Escrituras fazem sobre o Dia do Juízo possuem ainda outros elementos cujo simbolismo também é explicado por Bahá'u'lláh no Kitáb-i-Íqán. As Escrituras referem que as pessoas se levantarão dos seus túmulos (Jo: 5:28). Bahá'u'lláh refere que “…todo o povo está aprisionado dentro do túmulo do ego e jaz enterrado nas ínfimas profundezas do desejo mundano...[128]; noutro parágrafo, refere-se a crentes que se podiam ter levantado do “sepulcro do erro[127]. Estas duas expressões sugerem que o termo túmulo descreve uma condição de morte espiritual do ser humano.

As escrituras também referem o toque de trombeta que antecederá o Dia do Juízo Final. No Evangelho de S.Mateus refere-se que o Filho do Homem “enviará os Seus anjos com uma trombeta altissonante para reunir os Seus eleitos...” (Mt 24:31) S. Paulo refere o som da última trombeta que há-de soar e ressuscitar os mortos (I Cor 16:52). No Alcorão, encontram-se várias referências ao toque de trombeta que assinalará o início do Dia da Ressurreição: “E recorda-lhes o Dia em que a Trombeta soará, e todos os que estão nos céus e na terra temerão, salvo aqueles que Deus desejar. E todos irão a Ele, humildemente” (27:87)

No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh esclarece que o termo trombeta quando aplicado à revelação de Maomé se refere à ”trombeta mística e fez os mortos apressarem-se, de suas sepulturas da negligência e do erro, para o reino da guia e da graça.[25] Num contexto mais vasto, o toque de trombeta pode ser entendido como o momento do despertar espiritual: “Nesta hora, o Arauto místico, trazendo as jubilosas novas do Espírito, luzirá da Cidade de Deus, resplendente como o amanhecer e, com o toque de trombeta da sabedoria, despertará de seu sono de negligência, o coração, a alma e o espírito.” [216]

Com o aparecimento de um novo Manifestante de Deus dá-se o início de um novo ciclo de vida da humanidade. O processo de descoberta da nova Mensagem Divina tem sido descrito nas Sagradas Escrituras com diversos simbolismos: “ressurreição dos mortos”, “dia do Juízo” “toque de trombeta”, “atingir a presença de Deus”. Todos estes simbolismos são explicados no Livro da Certeza.

E neste mesmo livro, o fundador da religião baha’i descreve de forma poética a transformação causada sobre aquele que descobre a nova mensagem: “Então os múltiplos favores e graças emanadas do santo e eterno Espírito conferirão uma nova vida àquele que busca, a ponto de ele verificar que foi dotado de nova visão e de um ouvido novo, de um novo coração e de uma mente nova. Ele contemplará os sinais manifestos do universo e penetrará nos mistérios ocultos da alma. Fitando com os olhos de Deus, perceberá dentro de cada átomo uma porta que o conduz aos níveis da certeza absoluta. Descobrirá em todas as coisas os mistérios da Revelação Divina e as evidências de uma manifestação imperecedoura.[216]

quarta-feira, 26 de abril de 2006

25 de Abril




Quando saímos do Terreiro do Paço e nos dirigimos ao Largo do Carmo houve imensa gente que nos começou a aplaudir e a dar vivas à liberdade. Conduzia um blindado e experimentava uma sensação esmagadora e única: aos vinte anos era aclamado pela população de Lisboa como um libertador, um herói...

(Palavras de um tio meu, que participou na revolução de Abril)

Terra da Alegria

Uma nova edição da Terra da Alegria!

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Elias e João Baptista

Uma questão colocada pelo Bom Garfo:
Um assunto mais difícil:
11 Depois lhe perguntaram: Por que dizem os fariseus e os escribas que primeiro deve voltar Elias?
12 Respondeu-lhes: Elias deve voltar primeiro e restabelecer tudo em ordem. Como então está escrito acerca do Filho do homem que deve padecer muito e ser desprezado?
13 Mas digo-vos que também Elias já voltou e fizeram-lhe sofrer tudo quanto quiseram, como está escrito dele.
Marcos, 9 - 11- 13

Como vês o conceito de "reincarnação"?
Segundo o Antigo Testamento, o profeta Elias deveria aparecer antes do aparecimento do Messias(Mal 3:22-24); seria uma espécie de arauto de uma nova Mensagem Divina. Neste sentido, perante o anúncio do aparecimento do Messias seria natural que se questionasse “Então onde apareceu o profeta Elias?” O texto citado apresenta um esclarecimento sobre este assunto; o mesmo texto é também apresentado no Evangelho de Mateus e termina com a frase “Então compreenderam os discípulos que Jesus se referia a João Baptista” (17:13).

Com base neste texto fará sentido dizer que Elias reencarnou em João Baptista?


A Caverna de Elias, numa foto de 1910


Segundo Bahá'u'lláh, “o mundo do além é tão diferente deste mundo, quanto este mundo é diferente daquele mundo da criança que ainda está no ventre materno”. No ventre materno, o bebé tem de desenvolver as suas qualidades físicas para ficar apto para a fase seguinte da sua existência; de igual modo, o nosso objectivo na vida é desenvolver qualidades espirituais que nos permitam ficar aptos para a fase seguinte da nossa existência. Na perspectiva bahá’í, a reencarnação não existe; seria algo equivalente a um regresso ao ventre materno.

Importa, pois, procurar outros significados possíveis para estas palavras dos Evangelhos.

Segundo os ensinamentos bahá’ís, é possível olhar para os Profetas sob duas perspectivas: a condição divina e a condição humana. Ao considerarmos os Profetas olhando à Sua condição divina, percebemos que Eles possuem as mesmas características, desempenham o mesmo papel de intermediários entre o Criador e a humanidade, e não é possível fazer distinção entre Eles. Sob uma perspectiva humana, podemos identificar alguns aspectos distintos de cada Profeta; cada um possui um nome, uma individualidade própria, e uma Missão específica.

Desta forma, quando no Evangelho se identifica João Baptista com Elias, essa identificação é feita tendo em consideração a condição divina de ambos. Na verdade, ambos manifestavam as mesmas qualidades divinas, ambos estavam dotados do mesmo poder e a mensagem de ambos tem a mesma origem. Na perspectiva bahá'í, quando se afirma que Elias é o regresso de João Baptista, não estamos dizer que a alma racional de Elias regressou no corpo de João, mas antes que as qualidades espirituais manifestadas anteriormente por Elias, voltaram a manifestar-se em João.

Poderia fazer ainda uma analogia: na nossa linguagem corrente há quem diga que “a primavera regressou”. Na verdade, a primavera de um ano é distinta da primavera do ano anterior. Mas o facto de possuírem características comuns torna esta expressão perfeitamente aceitável e perceptível.

Mas identificar João Baptista com o regresso do profeta Elias, tem ainda uma dificuldade adicional: que o próprio João Baptista afirmara explicitamente não ser o Elias (Jo 1:21). À luz dos ensinamentos bahá’ís, esta resposta deve ser entendida atendendo à condição humana de ambos. Nessa perspectiva, João e Elias são distintos: possuem personalidades distintas, cada um possui uma missão específica e cada um tem uma essência própria.

A PROPÓSITO DE ELIAS...

A Caverna de Elias fica situada no Monte Carmelo, na Terra Santa. Também ali foi construído um mosteiro cristão, por uma ordem religiosa que ali se estabeleceu na esperança de assistir naquele local ao regresso de Cristo. No sopé do Monte Carmelo, em meados do sec. XIX, uma pequena colónia alemã também se tinha estabelecido com expectativas messiânicas semelhantes.

Durante o Seu exílio na Terra Santa, Bahá'u'lláh visitou o Monte Carmelo quatro vezes. Na última visita, em 1891, a Sua tenda foi montada próximo do Mosteiro; ainda durante essa ocasião, visitou a caverna de Elias e revelou a Epístola do Carmelo. Hoje, no Monte Carmelo encontra-se o Centro Mundial Bahá'í. O local é alvo de peregrinação dos baha’is, pois ali se encontram os túmulos do Báb e de 'Abdu'l-Bahá, assim como a sede da Casa Universal de Justiça.

Placa colocada à entrada da Cavera de Elias


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LINKS:
Nascimento e Morte
Reincarnation (explicação dada por 'Abdu'l-Bahá)
A Dupla Condição dos Profetas
The "Return" Spoken of by the Prophets (explicação dada por 'Abdu'l-Bahá)
A Brief History of Mount Carmel
O Regresso de Cristo

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Baha'is fundamentalistas

Um leitor questionou-me sobre baha'is fundamentalistas: Se um dia a religião bahai for maioritária não poderão também surgir "fundamentalistas" bahais?

Fundamentalismo é hoje uma palavra com uma conotação fortemente negativa. Já não está apenas associado a conceitos como "conservadorismo" ou "tradicionalismo"; tornou-se um sinónimo de "radicalismo", "fanatismo" e até "terrorismo". Por esse motivo penso que é importante definir qual o significado que atribuo a esta palavra antes de a aplicar.

Num certo sentido, posso considerar fundamentalismo como uma atitude mental segundo a qual a realidade é entendida apenas a preto e branco, ignorando as diferentes tonalidades de cinzento que existem entre estas duas cores.

Uma outra definição possível de fundamentalismo relaciona-se com uma dependência de uma comunidade em relação a algum (ou alguns) indivíduo(s) com um pouco de carisma ou personalidade forte. Pode existir uma situação em que ele(s) impõe(m) sistematicamente a sua opinião aos outros, exercendo com isso uma espécie de autoridade implícita sobre os restantes crentes.

Se considerarmos apenas estas duas definições, não tenho dúvidas em afirmar que existem dois ou três casos de atitudes fundamentalistas entre os baha'is de Portugal.

Aqui é importante ter presente que uma pessoa pode ser fundamentalista num aspecto da sua vida e ser liberal noutros. Por exemplo, uma pessoa pode mostrar uma atitude liberal ao defender uma sociedade multi-racial e vazia de preconceitos, mas simultaneamente pode ser fundamentalista ao impor uma alimentação vegetariana a toda a sua família.

Voltemos então à questão: poderão os fundamentalistas tomar o poder na comunidade baha'i?

O facto das instituições baha'is serem eleitas periodicamente torna a estrutura administrativa pouco vulnerável aos vícios e problemas conhecidos das estruturas administrativas de outra comunidades religiosas.

É evidente que podemos admitir o cenário onde exista uma comunidade "mentalmente dependente" de um pequeno conjunto de crentes, que são repetidamente eleitos para a Assembleia Espiritual. Mas será isso uma tomada de poder (uma espécie de golpe de estado)? Ou será apenas o resultado natural de uma eleição numa comunidade onde existe essa tal "dependência mental"?

O que pode cada baha’i fazer para evitar um cenário destes? Uma resposta possível pode passar pela participação em "Círculos de Estudo"; tratam-se de pequenos grupos de crentes que, de forma mais ou menos informal, se reúnem regularmente para estudar e meditar sobre a história, ensinamentos e Escrituras da religião baha'i. Outros baha'is que costumam visitar este blog poderão apresentar outras respostas alternativas e complementares a esta.

No fundo, o amadurecimento pessoal e desenvolvimento espiritual são o melhor obstáculo às atitudes fundamentalistas.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Kitáb-i-Iqán (16)

O Dia do Juízo (1ª parte)

"...vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a Sua voz; os que tiverem praticado boas obras sairão, ressuscitando para a vida, e os que tiverem praticado o mal ressuscitarão para a condenação." (Jo: 5:28-29)

"Aqueles que acreditam, os Judeus, os Cristãos e os Sabeus, que acreditam em Deus e no Dia do Juízo, e agem rectamente, terão a sua recompensa com o seu Senhor" (Alcorão 2:59)
Foram excertos como estes que inspiraram várias teologias e tradições religiosas - tanto no Cristianismo como no Islão - onde se profetiza a chamada a Ressurreição dos Mortos a que seguirá o Dia do Juízo Final; por vezes os dois conceitos são apenas designados por "Dia da Ressurreição". Nesse dia, os mortos ressuscitariam, toda a humanidade seria chamada à presença de Deus e todos seriam julgados pelos seus actos.

Trata-se, obviamente, de um conjunto de conceitos que assentam em interpretações literais das Escrituras. Mas este tipo de interpretação nas passagens que abordam estes assuntos nos Livros Sagrados tentam fazer-nos acreditar em fenómenos contrários às leis da natureza; desta forma, torna-se óbvia a necessidade de procurar os possíveis significados simbólicos das expressões associadas ao conceito de "Dia da Ressurreição" ou "Dia do Juízo".

O Juízo Final, de Miguel Ângelo.

Tal como em relação a outros conceitos que foi expondo ao longo do Kitab-i-Iqan, o fundador da religião bahá'í encoraja o Seu interlocutor a desprender-se de ideias preconcebidas, e a perceber que a natureza espiritual do Dia da Ressurreição é algo muito mais poderoso do que o entendimento literal do conceito vigente entre a maioria da população: "Esforça-te, pois, Ó meu irmão, a fim de compreenderes o sentido da «Ressurreição», e purifica os teus ouvidos das palavras vãs daquelas pessoas rejeitadas."[153]. Mais adiante, Bahá'u'lláh afirma de forma inequívoca que Dia do Juízo (ou Dia da Ressurreição) "... significa o aparecimento do Manifestante de Deus para proclamar Sua Causa..."[182], e a consequente resposta da humanidade aos Seus ensinamentos.

A história das grandes religiões mundiais, mostra que após o surgimento de um novo Mensageiro, as pessoas vão sendo gradualmente confrontadas com os Seus ensinamentos. A resposta dos seres humanos aos Seus ensinamentos é uma avaliação do carácter de cada alma. Os que acreditam na Sua Mensagem descobrem um novo alento na vida; essa descoberta é descrita simbolicamente como uma "ressurreição".

O Dia da Ressurreição é, portanto, um fenómeno cíclico que acompanha o surgimento de qualquer religião. "Quem, pois, em qualquer Era, tiver reconhecido e atingido a presença destes Luminares gloriosos, resplandecentes e sublimes, terá atingido, em verdade, a «Presença do próprio Deus» e entrado na cidade da vida imortal, da vida eterna. Atingir esta presença é possível somente no Dia da Ressurreição, o qual é o Dia em que surge o próprio Deus através de Sua Revelação que a tudo abrange. É isso o que significa o «Dia da Ressurreição», mencionado em todas as escrituras e anunciado a todos os povos." [151-152]

terça-feira, 18 de abril de 2006

Conto de Páscoa

Um breve nota sobre o texto de João Cesar das Neves, Conto de Páscoa, publicado ontem no Diário de Notícias.

Quem constrói sites na Internet tem de o renovar ciclicamente. A inovação tecnológica permite sempre a melhoria contínua das características e funcionalidades aí instaladas. De igual modo, as ameaças de vírus e acessos não autorizados também vão sendo cada vez mais sofisticadas.

E perante essas evoluções constantes de tecnologias e ameaças, o programador não se pode limitar a fazer apenas uma intervenção definitiva que resolva todos os problemas do site (isso é uma visão muito simplista sobre os construção e manutenção de sites); são necessárias repetidas intervenções e melhoramentos. Cada reparação, ou melhoramento, é destinado a responder a uma necessidade específica do site.

A história da construção de sites e a história da humanidade têm este interessante paralelismo.

Maria do Carmo Vieira

Maria do Carmo Vieira é uma professora que costuma dar a cara pela melhoria qualitativa do sistema de ensino público. Várias vezes foi entrevistada pela comunicação social, apontando problemas e propondo soluções; a sua imagem suscita simpatia.

Ontem no Jornal da Noite da SIC-Noticias apareceu mais uma vez. Entrevistada por Mário Crespo, a professora apontou problemas relacionados com os programas (referiu exemplos de exercícios caricatos propostos em alguns livros escolares) e com a certificação de manuais escolares (fará sentido que um funcionário do Ministério da Educação possa ser autor de um Manual escolar e simultaneamente membros de uma comissão de certificação desses manuais?).

MCV abordou ainda a falta de conhecimento e de domínio da língua portuguesa que inevitavelmente os programas escolares (e respectivos manuais) acabam por provocar. Na sua geração, um engenheiro ainda conseguia aprender literatura no ensino secundário. Agora dificilmente conseguirá.

Enquanto a entrevista decorria, na legenda apareceu por três vezes a frase: "Avaliação Escolas: Grupo de Professores contesta «testes á americana»".

Não sei se aquele "á" (com acento agudo) foi uma provocaçãozinha da equipa de realização da SIC ou apenas um erro de português do responsável pelas legendas. Mas é triste que numa entrevista onde se debatem os problemas do ensino do português, se deixem passar uma asneira tão elementar como esta.

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LINKS:
Regras de Acentuação
A com acento agudo (á)
A com acento grave (à)
Petição: Pela Dignidade do Ensino

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Pai

MM, uma amiga de longa data, refere num email o pai. Sabe “tudo, tudo, tudo” sobre Aquilino Ribeiro e organizou para a família um passeio à Beira Alta para visitar locais relacionados com o autor.

Também eu tenho a sorte de ter um pai com uma grande bagagem cultural. Sabe imensas coisas sobre história de Portugal. Quando éramos pequenos todos ouvimos histórias de reis de diferentes dinastias, as capitanias do Brasil, as invasões napoleónicas, as guerras liberais, o regicídio e tantas outras coisas. Costumamos dizer por piada que ninguém pode entrar na nossa família sem antes ouvir a história da batalha do Salado.

Hoje vejo o meu pai deliciar-se com os netos. Repete algumas brincadeiras que fazia connosco e inventa outras; para além das bricadeiras, vai coleccionando para os netos pequenos livros sobre história de Portugal que os jornais ciclicamente gostam de publicar. Mas ainda tem tempo para nós, para nos falar de coisas que vai descobrindo noutros livros, das conferências que tem assistido.

Comparo estes pais com outros e percebo como sou um privilegiado. Tenho ali um exemplo extraordinário. Ele esteve sempre presente e eu sempre tive respostas para as perguntas que lhe colocava. Estimulou a minha curiosidade pelo mundo que me rodeia. Transmitiu-me valores e nunca me impingiu dogmas. Espero que estes pais que agora são avós, vivam o suficiente para passar a sua cultura e conhecimento aos netos.