segunda-feira, 15 de maio de 2006

Ainda os Bahá'ís no Médio Oriente

A propósito da tua frase "I don't understand why official ID documents on any country need to have religious identification of a citizen" aqui vão uns comentários:

Em Fevereiro estive no Bahrein, também achei a coisa mais estranha. Para renovar o visto tive que pôr a minha religião, não que me importe mas temi que não me renovassem o visto. Afinal o homem mal olhou para o papel, limitou-se a por o carimbo e passou o documento para o lado. Pensei em ir para a Arábia Saudita mas a Lua (a minha namorada) disse-me que como não tínhamos passaporte de países do Golfo, eles iam perguntar-nos a nossa religião, e quando disséssemos que éramos baha’is, não nos iam deixar entrar.

O Bahrein é um país de maioria xiita, mas a família real é sunita. No entanto não deixam entrar xiitas para o exército porque tem medo que aconteça o mesmo que aconteceu no Irão. Enfim foi a coisa mais estranha para mim, nunca me passou pela cabeça escrever a religião no bilhete de identidade ou descriminar alguém numa profissão por causa da sua religião ou seita.

Ainda quanto a assunto de discriminação religião, a Lua teve que aos 21 anos mudar o nome para "Tina" por causa do passaporte. A razão é que o governo iraniano não aceita nomes "baha'is" tal como Lua, Badi, etc… Ela nasceu no Bahrein e a mãe também; mas como o pai já veio do Irão, então ela e os irmãos são considerados iranianos e não Bahreinis.

A Lua disse-me que nas últimas 4 semanas, todos os sábados a Al-Arabiya tem feito uma reportagem/debates sobre a questão dos baha’is do Egipto, com entrevistas com o moderador, 2 baha'is e 2 pessoas da universidade de Azhar. Numa entrevista sozinho com o repórter, um clérigo disse que "os baha’is não acreditam em Deus" "são contra o Islão" que "são Alawyeen" (um grupo que acredita que o profeta era Ali e que Maomé usurpou-o). Nos debates dizem coisas como "Israel e América inventaram os baha’is e foi por isso que conseguiram o voto do tribunal" e que "os baha'is enviam todo o seu dinheiro para Israel", "os baha’is podem ter sexo com qualquer mulher menos a do pai e que isso é dito no Kitab-i-Aqdas". Nos debates os baha'is tentam se defender mas o debate não é organizado como a nossa televisão, e os as pessoas de Azhar começam a falar ao mesmo tempo e mudam logo de assunto com mais ataques. Entre outras coisas também disseram que "as mulheres baha’is dormem com vários homens" que "defendem a igualdade entre homem e mulher mas a peregrinação é só para homens", e que "nas festas de 19 dias os baha’is fazem sexo em grupo".

Pelo o que a Lua me disse, a maior parte dos muçulmanos (pelo menos no Egipto) não acredita naquilo; e depois do programa escrevem artigos para revistas e jornais sobre os baha'is, dizendo que tem amigos, vizinhos e até familiares baha’is e que são boas pessoas sem mal algum. E não "porcos anti-islâmicos" como o clero muçulmano quer fazer parecer.

(Iuri Matias)

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Kitáb-i-Íqán (18)

As alegorias do Novo Testamento (1ª parte)

Ao longo dos posts sobre o Kitáb-i-Íqán apresentei vários exemplos de interpretações simbólicas que Bahá'u'lláh faz sobre a Bíblia e o Alcorão; essas interpretações referem-se a temas específicos como a dupla condição dos Manifestantes, a ressurreição dos mortos, a presença de Deus, o regresso de Cristo. Além dessas interpretações, o fundador da religião bahá'í faz ainda referência a várias alegorias do Novo Testamento e expõe o respectivo significado.


Nos primeiros parágrafos do livro, Bahá'u'lláh refere algumas palavras que os evangelistas atribuem a Jesus. “Vou embora e venho outra vez a vós"(João 14:28) e "Vou e outro virá que vos há de dizer tudo o que Eu não vos disse, e cumprirá tudo o que Eu disse" (cf Jo 16.13). Segundo Bahá'u'lláh, estas palavras são uma alusão ao martírio do fundador da religião cristã e ao aparecimento do Manifestante seguinte.

Literalmente as duas frases parecem contraditórias. Afinal quando Cristo partir, quem voltará: o Próprio ou outro? A maioria das doutrinas cristãs resolveu esta aparente contradição, interpretando a primeira frase como um referência ao regresso de Cristo e a segunda como um anúncio do aparecimento do Espírito Santo. Bahá'u'lláh, porém, afirma no Kitáb-i-Íqán que estas duas declarações significam a mesma coisa.

As frases devem ser entendidas à luz da dupla condição dos Manifestantes. Para compreender a primeira frase devemos ter presente a condição divina dos Mensageiros de Deus: todos eles são intermediários entre Deus e a humanidade e todos possuem a mesmas características divinas. Nesta perspectiva, não é possível fazer distinções entre Eles; podemos chamar todos pelo mesmo nome. Já a segunda frase deve ser entendida à luz da condição humana dos Manifestantes; nesta perspectiva, cada um possui uma individualidade e uma missão específicas e apresentam os Seus ensinamentos de acordo com as necessidades e maturidade dos povos a quem Se dirigem.

Para justificar o significado comum destas duas frases, Bahá'u'lláh apresenta uma analogia: «Considerai o sol. Se dissesse agora, "Sou o sol de ontem", diria a verdade. E se, levando em conta a sequência do tempo, pretendesse ser outro sol, estaria ainda dizendo a verdade. De modo semelhante, se dissermos que todos os dias são o mesmo, isso será certo e verdadeiro; e se, referindo-nos a seus nomes e designações especiais, dissermos que diferem, isso também será verdade. Pois embora sejam iguais, se reconhece em cada um, no entanto, uma designação separada, um atributo específico, um carácter particular.» [20]

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Leituras

Baha'is struggle to win full rights as Egyptians (Middle East Times)
Governo egípcio ignora decisão judicial e não reconhece Bahá'í (Agência EFE, via Yahoo)
Bahá'i religion 'world-embracing' (LA Daily News)
El progreso como credo (El Comercio, Peru)

Hussein Bikar

Zeinobia, do Egyptian Chronicles, a que me dirigi há alguns dias atrás continua a publicar as suas opiniões sobre os baha’is no Egipto. Algumas opiniões que vai publicando contêm incorrecções (e isso tem sido motivo de uma boa troca de comentários); mas também ali encontrei curiosidades como esta:

O meu avô conheceu outro Baha'i, o mais famoso no Egipto, o lendário pintor Hussein Bikar. O famoso pintor turco-egípcio foi preso no conhecido caso de Bahaismo em 1985, mas foi libertado devido à idade avançada. O meu avô sempre disse que este homem tinha uma maneira diferente de orar e outras opiniões em matérias de culto. O meu avô nunca lhe perguntou porque tinha viajado por mais de 100 países, e era um dos primeiros jornalistas a conhecer pessoas de diferentes seitas do Islão no Afeganistão e na Índia; por isso talvez pensasse que era um muçulmano como nós. Mas em 1985 a sociedade egípcia ficou chocada com as confissões do velho artista que durante cinco décadas tinha encantado todo o mundo árabe com os seus belos desenhos como a Núbia. É estranho que quando ele faleceu, não me lembro de terem mencionado a sua religião ou dizerem alguma coisa sobre o seu funeral. Para mim foi um choque pois eu pensava que ele seguia alguma corrente do sufismo; mas o meu avô corrigiu-me esta informação.
Confesso a minha ignorância: nunca ouvi falar neste artista egípcio. Mas gostei muito das poucas imagens de obras suas que encontrei na Net. Aqui ficam alguns dessas obras.

Pintura de Hussein Bikar (via And Far Away)


Núbia (via Egyptian Chronicles)

segunda-feira, 8 de maio de 2006

To Zeinobia, in Egypt

As we cannot watch Egyptian TV Channels here in Portugal, I haven’t had a chance to watch that show of Wael El-Abrashi on Dream 2 "The truth". But your comments and opinions on the Baha’i Faith prompt me to write some comments to your post.

Bahais don't claim that they are Muslims” -- Right. The Baha’i Faith is an independent religion. That means it has its own sacred books, laws, teachings and administration. It also means it not a sect or a schism in Islam. The relation between Baha’i Faith and Islam is the same that exists between Judaism and Christianity.

Baha Allah the founder of the Religion and their claimed messenger was an Ex-Muslim , also saying that Believing in Allah and all his messengers from Mohamed,Jesus and Moses is confusing people” -- Baha'u'llah thaught that all great world religions came from God. God sends His Messengers with teachings that are according to the needs and maturity of people. God allways sends these Messengers from time to time. His hands are not chained up.

also you can feel that their book "The holiest" and their religious scripts are so influenced from the Quran” -- This is a surprise to me. I thought Muslims believe the Quran to be matchless! Unless, of course, one believes the Quran and the Baha’i Holy Writings have the same source.

in Egypt in the 20 th century they had temples or what it is called in Arabic "Lodge"” -- Baha’is only have seven temples. In most countries they meet in private homes or a local seat. And Baha’is never behave like a “secret society”; when there are fears of persecution, the believers are very careful when (and to whom) mention their religion. That also happened here in Portugal before the 1974 revolution.

in their Holy Book El-Aqads "The Holiest" it is obligatory for the Bahai to send the annual Zaqat to the "Home of Justice"in Aka, Haifa, this Home is the highest authority for the Bahais” – Only Baha’is make contributions to Baha’i Funds; such contributions are secret and voluntary. We can contribute to National funds or International fund. The money to National funds goes to national activities; the money to International fund goes to several activities, such as social-economical development projects, special projects (as building temples) and maintenance of the Baha’i Gardens and buildings in the Holy Land. Do you smell danger here because the money is being sent to a Baha’i Institution located in Israel? The fact that Baha’is send money to Baha’is institution located in Israel is used by anti-baha’i propaganda to call us “Israeli agents” and “Zionist” and other things like that. That reminds me that Baha’is are building a new temple in Chile. Therefore, Baha’is have to send money to Chile. Would that make us “Chilean agents” to?

I never read a statement from the Bahais or their higher authority attacks or condemns the Hebrew state acts against the Palestinians” – Of course you haven’t! Just like you will never read a statement from a baha’i institution condemning the acts of the Sudanese government against the people in Darfur, the invasion of Kuwait, the lack of freedom in North Korea, Cuba and several central Asia countries. Why? Because baha’is don’t get involved in politics! Some Baha’i individual may express personal opinions, but not Baha’i institutions. And there is more: Baha’i teachings foster obedience to national governments and forbid involvement in subversive acts.

Look to their holy places and Look to the Muslim and Christian holy Places , there is a discrimination in treatment !!” – Who do you think paid the construction and pays the maintenance of Baha’i holy sites in the Holy Land? Only Baha’is! The Israeli Government never gave us a cent! All the land there was brought with Baha'i contributions. I take your expression as recognition of the beauty and magnificence of the Baha'i holy places. Did you ever see the Baha’i Temple in India? It was also built only with Baha'i contributions.

If you get your passports and Ids and in it you are mentioned as Bahai , would you visit the Mount Carmel and holy Lands in Haifa!?” – Of course any Baha’i would! What is more important: some act of “political correctness” or a visit to what one considers to be the holiest place on earth? Can you imagine a Muslim never having the Hajj because of some political correctness stuff? Would some one change a unique opportunity of a life time because of ephemeral considerations?

About Baha’is in Egypt

There are things I don’t understand about Egypt. I don’t understand why official ID documents on any country need to have religious identification of a citizen. Religion is a very personal phenomenon. In most European countries that would be unacceptable. this is a typical behaviour of former totalitarian European regimes. I wonder why they don’t also ask citizens to declare their political affiliation, sports affiliations, and others. It would also be unacceptable to have a member of a European parliament saying that members of any religious minority to be killed. That would be a “political suicide”.

Baha’is have always been persecuted under totalitarian governments; such governments fear religious diversity (or religion!). It happened here in Portugal, before the 1974 revolution, it happened in the former Soviet Union, in Nazi Germany and elsewhere.

Pakistan and Bangla Desh may be the few Muslim countries where Baha’is enjoy more freedom of belief. In all other Muslim countries Baha’is face harassment and persecutions, based on religious prejudice and anti-israeli propaganda. Unfortunately, few Muslims have ever investigated what is the Baha’i Faith.

UPDATE:

"Bill to incriminate the embrace of the Bahai faith in Egypt" (Mideastwire.com) (reprinted here)
EGYPT: Interior ministry resists recognition of Bahai faith (Reuters)

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Muros

Houve um tempo na história em que o dever era edificar muros para que as forças exteriores – bichos, meteorologia, outros homens – não impedissem o desenvolvimento, mas provavelmente haverá outra época em que o grande trabalho será o de derrubar muros de toda a espécie, não só os exteriores que os homens foram construindo por obrigação ou pelo gosto de progredir, mas também quebrar os interiores, que tantas vezes levantamos dentro de nós, como defesa da nossa comodidade ou como serviço da nossa preguiça.

Agostinho da Silva, Vida Conversável, pag. 57
Nesta curta frase, Agostinho da Silva apresenta uma visão optimista sobre o futuro da humanidade: o processo de amadurecimento dos povos do mundo leva a que cada comunidade e cada sociedade tenham de derrubar muros de preconceitos e ideias preconcebidas com que sempre viu outros povos e comunidades. Isso permitirá um diálogo que favoreça o respeito e o conhecimento mútuo entre os povos do mundo.

Este processo de amadurecimento colectivo não será fácil, nem rápido. O desenvolvimento e o progresso impelem-nos para a unidade dos povos; a preguiça e o comodismo prendem-nos a uma ordem mundial obsoleta e inadequada aos nossos dias. Por muito sombrios que sejam os tempos mais próximos, a unidade dos povos do mundo parece uma inevitabilidade.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Bahá'ís do Egipto

Governo vai recorrer da decisão do Tribunal

O governo egípcio vai recorrer da decisão de um tribunal administrativo que decidiu a favor dos direitos da pequena minoria baha'i, afirmou o ministro dos assuntos religiosos Mahmoud Hamdi Zakzouk. Perante o Parlamento, o ministro declarou que a base do recurso seria a opinião do principal clérigo muçulmano, o Sheikh de al-Azhar, segundo o qual "o Bahaismo não é uma religião revelada reconhecida pelos muçulmanos".

Zakzouk falava num debate parlamentar em que vários deputados manifestaram a sua oposição à decisão do tribunal administrativo a favor de um casal baha'i que há dois anos vinham exigindo que o governo os registasse como baha'is. Na ocasião, diversos grupos de direitos civis acolheram a decisão do tribunal como uma vitória da liberdade de religião.

Vários membros do Parlamento atacaram os baha'is como perversos e extremistas e recordaram que a sua sede internacional está situada na cidade israelita de Haifa. Um deputado da oposição (Gamal Akl, da Irmandade Muçulmana) não hesitou mesmo em afirmar que os baha'is são infiéis que devem ser mortos devido ao facto de terem mudado de religião.

"O problema dos baha’is é que eles são movidos por mãos israelitas. Desejamos que o Ministro do Interior não seja alvo da chantagem deste grupo perverso", afirmou Mustafa Awadallah, outro deputado da Irmandade Muçulmana.

Zainab Radwan, do Partido Nacional Democrático (do governo), justificou a sua posição a favor do reconhecimento dos bahá'ís nos documentos civis de identificação: "Há interesse em saber quem eles são, de forma a impedir que se infiltrem nos diferentes níveis da sociedade e espalhem a sua doutrina extremista e perversa".

A constituição Egípcia garante liberdade religiosa, mas na prática o governo está relutante a reconhecer outras religiões que não o Islão, Cristianismo e Judaísmo, que muitos muçulmanos acreditam ter um estatuto mais elevado. O tratamento da comunidade baha'i do Egipto (cerca de 2000 pessoas) tem sido motivo de fricção entre o governo daquele país e várias organizações de direitos humanos.

LINKS:
State to appeal ruling that favours Egypt's Baha’is (notícia original)
US body criticizes religious freedom in allies
Tribunal Egípcio reconhece direitos dos Baha'is
Muslim Brotherhood (Wikipedia)
Muslim Brotherhood (site oficial em inglês)



O MEU COMENTÁRIO:

1. As declarações dos deputados egípcios – defendendo a pena de morte para os membros de uma minoria religiosa ou o controlo rigoroso dos movimentos dos seus membros – fazem lembrar os tempos das mais sombrias ditaduras europeias do século XX. Que benefícios teve a Europa com a opressão de qualquer grupo social, político ou religioso? Infelizmente, os políticos egípcios parecem não querer aprender com os erros dos europeus.

E quando um representante de um partido de pretensa inspiração islâmica defende a pena de morte para os membros de uma minoria religiosa, bem nos podemos questionar: que religião é essa onde se acredita que Deus pode beneficiar com a morte de alguém?

No Ocidente, este tipo de afirmações por parte de um deputado seriam motivo de enorme escândalo; provavelmente seriam um suicídio político. Mas neste caso é provavel que passem despercebidas à maioria dos media e dos políticos ocidentais.

Num momento em que o Ocidente insiste em levar a democracia a países que ainda vivem sob ditaduras ou regimes autoritários, seria importante transmitir aos povos desses países que para viver num sistema democrático não é apenas necessário aceitar as regras da democracia; também se deve aceitar outro valor mais elementar: os direitos humanos.

2. O reconhecimento da religião bahá'í como religião independente há muito que é debatida no Egipto. Curiosamente, foi naquele país , em 1925, que um tribunal sunita reconheceu pela primeira vez a "Fé Bahá'í como uma nova religião, inteiramente independente" e que "portanto, nenhum baha'i pode ser considerado muçulmano".

3. O facto do Centro Mundial Bahá’í estar situado em Haifa (Israel) é ciclicamente usado pela propaganda fundamentalista islâmica para acusar os bahá’ís de serem “agentes sionistas” e aliados de Israel. O argumento é patético. Por um lado as leis bahá’is proíbem que os crentes desta religião se envolvam em actividades políticas ou em actos de subversão. Por outro lado, o Centro Mundial Baha’i está situado em Haifa porque foi para o norte da Palestina que em 1868 os governos otomano e persa exilaram Bahá'u'lláh. Além disso, o Centro Mundial Bahá’í nasceu antes do Estado de Israel.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Black census

Excertos de um artigo de Iqbal Latif, publicado no Iranian.com, a propósito da situação dos Bahá'ís no Irão.
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Counting minorities is an omen of bad prospects and evil designs ahead. According to the wicked plan, each and every Bahai member in Iran was being identified and monitored. Such an action is an impermissible and deplorable interference with the rights of members of religious minorities in Iran. Bahai faith for far too long has been an expunged page from the Iranian official contemporary records; to erase them further and tap their fringe subsistence is a clear-cut program of state-sponsored extinction of an entire community. This new actuarial request and secret state censuses of minorities have a very dangerous precedent. It advances the idea of collusion of silence with the involvement of science.

This testimony of a "black census" of Bahais can be compared to 'The Nazi Census: Identification and Control in the Third Reich,' a book written by Gtz Aly and Karl Heinz Roth and published in 1984 is amongst the first to commence the discussion about link between Nazi and post-Second World War state practices. "It was neither through the ideology of blood and soil nor through the principle of guns and butter, upheld until the end of 1944, that the National Socialists secured their might or carried out their destructive activities. It was the use of raw numbers, punch cards, statistical expertise and identification cards that made all that possible (p.1)." (...)

Iran not a signatory of this UN declaration that sanctifies the right of every human being for a free belief? Iran as a signatory of the Non proliferation treaty wants to send that treaty to the dustbin by not adhering to its limitation imposed on it as a signatory. On the other hand, it similarly wants to send the UN declaration of human rights to the dustbin of history by failing to maintain minimum safeguards as far as recognition and freedom of its minorities are concerned. A clergy-led cabal is putting the entire nation at a collision course with the conscience of the world.

Nations that are led on such a path of self-destruction in this day and age of drone-guided weapons bring havoc and heap misery upon the weakest. Iranians in no way deserve it. The intentional violation of international contracts - from NPT to Human rights - is a blinkered version of clergy that feels they can find their way out by highhandedness and long-windedness. Today the question is: until when will the conscience of Iranian diaspora remain in slumber with a huge dose of self-induced detachment from the grim prospects of Iranian minorities? Iran should take pride instead of persecuting the authors of declarations like these that emanated from Iran in 1869: "The earth is but one country and mankind its citizens."

A Natureza Humana

Hoje na Terra da Alegria temos textos sobre as relações entre a justiça e o amor (Timshel) e o preservativo como um bem acessório (Miguel Marujo). O “meu” texto sobre a natureza humana é mais uma citação do livro de Mojan Momen.

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O tema da natureza do ser humano é um dos que tem recebido uma vasta cobertura nas religiões do mundo. Estas apresentam profundas divergências relativamente a esta matéria. O que se segue é uma tentativa de resumir os ensinamentos.

A natureza do ser humano na teologia cristã clássica está fortemente ligada à doutrina do pecado original. Esta doutrina sustenta que desde que Adão e Eva pecaram no Jardim do Éden, a humanidade possui uma natureza pecadora inata que tem sido transmitida de geração em geração. Como consequência, os seres humanos estão inerentemente num estado de alienação e afastamento de Deus.

Por contraste, no Islão existe uma atitude mais positiva em relação à natureza humana. O pecado de Adão não é considerado como tendo sido transmitido ao longo das gerações. Segundo o Alcorão, Deus criou o homem, “soprando nele o seu espírito” e fazendo-o superior às outras criaturas, de tal forma que até aos anjos foi ordenado que se curvassem perante ele. Os seres humanos são os representantes (khalifa) de Deus na terra. Têm porém uma propensão inata a certas características malignas como a luxúria e a ganância, mas é-lhes ordenado por Deus que se oponham a estas tendências, sendo o paraíso a recompensa do sucesso.

Na Fé Bahá’í considera-se que os seres humanos têm uma natureza dupla. Possuem uma natureza espiritual, que é a sua verdadeira identidade. Enquanto estão neste mundo, a sua tarefa é aperfeiçoar os seus atributos espirituais na maior medida possível. Os seres humanos também possuem uma natureza animal, que funciona para satisfazer as suas necessidades físicas; se permitirem que esta faceta domine a sua natureza espiritual, então cometem actos malignos. Através da educação e disciplina espiritual (tais como os ensinamentos trazidos pelos fundadores e profetas das religiões mundiais), os seres humanos conseguem controlar a sua natureza animal e desenvolver a sua verdadeira identidade espiritual.

Para os sistemas religiosos que acreditam na Realidade Absoluta, os seres humanos apenas possuem uma realidade relativa ou contingente. Na verdade, a aparente realidade do mundo físico é, de facto, ilusória. O real é a Realidade Absoluta que está encoberta por este mundo. Se os seres humanos puderem ver as coisas como elas na realidade são, veriam que existe apenas uma Realidade que “é”. Tudo o resto, (incluindo a noção humana de possuir uma identidade separada do absoluto) tem apenas uma realidade ilusória ou relativa. No Budismo Mahayana, a realidade do ser humano é idêntica à de Shunyata, a Realidade Absoluta. No Adaita Vedanta, esta verdade esta verdade torna-se real quando os seres humanos compreendem que o Atman (a realidade interior de cada pessoa) é idêntica à de Brahman (a Realidade Absoluta) (…)

No Budismo Theravada, os seres humanos são compósitos (skandhas) de forma corpórea, sensações, percepções, consciência e formações mentais. Todas estas são transitórias (anitya) e não têm essência (anatman). Todas conduzem ao desejo (trishna) e consequentemente ao sofrimento. No Budismo Mahayana, a iluminação consiste em ver o vazio (shunyata) no âmago de todos estes skandhas.

No pensamento Confucionista, os seres humanos são essencialmente bons, mas necessitam de orientação e educação para mostrar a sua bondade inerente. Esta bondade inerente é demonstrada na plenitude quando seres humanos instruídos participam e melhoram a ordem política e social.

Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach, pag. 204-205

terça-feira, 2 de maio de 2006

Festival de Ridvan



Entre 21 de Abril e 2 de Maio, os Baha'is celebram o Festival de Ridvan. Este período festivo assinala o momento em que o fundador da religião bahá'í anunciou publicamente a Sua Missão. O episódio ocorreu em 1863, em Bagdade, que na época era uma capital provincial otomana, e precedeu a partida de Bahá'u'lláh, alguns familiares e companheiros para um segundo exílio, em Constantinopla.

Estes doze dias são assinalados com várias actividades e celebrações. Um dos eventos que ocorre nesta ocasião é a eleição das Assembleias Baha'is, os órgãos que administram os assuntos da comunidade bahá'í.

Um fim-de-semana prolongado...

Foi tempo para correr no jardim, brincar na terra, subir ao pinheiro, rebolar na relva, espalhar os brinquedo...
Foi tempo para ser criança!