domingo, 18 de junho de 2006

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Férias

Volto dia 18. Fiquem bem.

Leis e Regras

Numa reunião de amigos, a conversa caiu sobre a necessidade de leis. Na verdade todas as formas de organização social possuem algum tipo de leis. Porque é que necessitamos de leis? Serão todas as leis repressivas? Haverá leis que tenham um propósito didáctico que não é imediatamente percebido por todas as pessoas? Poderemos conceber uma sociedade sem leis?

A conversa dispersou com cada pessoa a apresentar múltiplas perspectivas sobre o assunto. Entre as diferentes opiniões, houve uma analogia que achei curiosa: "Qualquer organização necessita de leis, tal como uma cidade necessita de regras de trânsito. Imaginam o que seria uma cidade sem regras, sinais ou semáforos de trânsito? Era o caos! As leis apenas existem para que possamos regular as nossas interacções dentro de qualquer organização."

Recordei esta analogia, quando recentemente recebi um pequeno vídeo com imagens do trânsito numa rua de Kathmandu. Aparentemente ali existem poucas ou nenhumas regras de trânsito. Para quem está habituado ao trânsito das cidades portuguesas, isto é verdadeiramente caótico.

Apreciem.


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quarta-feira, 7 de junho de 2006

Sacrifício e Desprendimento

O "meu" texto de hoje da Terra da Alegria. Também podem lá encontrar textos do Timshel (A importância da caridade desde os primeiros tempos da Igreja) e do José (Um papa que grita a Deus).
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O conceito de Sacrifício ocupa um lugar proeminente nas religiões do mundo. Nas religiões mais antigas, o conceito de oferecer qualquer coisa de valioso à Divindade assentava na ideia de que tudo Lhe pertencia e era um sinal de obediência de nossa parte. Uma parte significativa da mais antiga literatura religiosa que possuímos, incluindo a Bíblia Hebraica e os Vedas, consiste em instruções e hinos para rituais associados com o sacrifício. O exemplo paradigmático associado ao sacrifício (o acto de abdicar de algo valioso em obediência à Divindade) nas religiões ocidentais é o desejo de Abraão em sacrificar o seu filho, conforme as instruções de Deus. (...)

Nas principais religiões não-teístas, o sacrifício também é importante. Todo o esforço é feito para garantir o favor dos espíritos para que mana [o poder] esteja sempre disponível. Os sacrifícios são o método mais comum para conseguir a aprovação. Assim, o sacrifício é uma expressão de homenagem a um Ser (ou seres) mais elevado ou mais poderoso, e também uma expressão de agradecimento. Por exemplo, nos momentos de aflição ou perigo, uma expressão comum disto inclui o sacrifício de algo valioso à Divindade (uma oferenda propiciadora). Alternativamente o voto pode ser feito para que se o perigo for evitado, o sacrifício será oferecido mais tarde. O sacrifício também pode ser parte de uma súplica onde se antecipa um favor da Divindade. Estas expressões de sacrifício existem nos dias actuais nas religiões populares: em aldeias africanas sacrificam-se animais em nome de uma pessoa que se encontra doente e na Tailândia fazem-se ofertas aos espíritos pedindo prosperidade.

No entanto, com o passar do tempo, em muitas comunidades religiosas a ênfase mudou para uma forma mais metafórica. O sacrifício que agora é feito assenta é o sacrifício do ego (os seus desejos, vontades e ideias pré-concebidas); não é um sacrifício dos bens. O objectivo é agradar a Deus ou progredir espiritualmente (ou ambas as coisas). (...) Esta espécie de transacção é frequentemente conceptualizada como uma situação em que algo efémero é dado em troca por algo que tem um valor permanente. Obviamente que um pessoa religiosa acredita que aquilo que oferece vale menos do que aquilo que recebe.

O corolário desta noção "mais elevada" de sacrifício é o "desprendimento" ou a "auto-negação". O sacrifício envolve um desprendimento do ego em relação aos seus desejos e apego às coisas deste mundo. Esta purga espiritual, a morte de uma vida centrada no ego, é considerada como sendo um pré-requisito essencial para o progresso espiritual. Estes conceitos ocupam um lugar central nas principais religiões mundiais e existe muita literatura sobre o assunto. Nesta literatura, o ser humano individual é descrito como ganancioso e centrado em si próprio, por natureza. Como tal, existe um medo inato e uma dúvida relativamente à religião quando esta afirma que é melhor desprendermo-nos e tornarmo-nos menos egocêntricos. Em particular, as religiões pedem que a pessoa abdique do controlo que sente ter sobre a sua própria vida; este controlo deve ser entregue a um líder religioso (um guru ou um sheikh, por exemplo), ou à essência de um ensinamento religioso, permitindo que este domine o coração e o ser de um indivíduo. Existe um conflito no indivíduo entre o desejo dos benefícios espirituais perceptíveis de uma vida espiritual e o medo de perder o controlo da sua vida. Após algum tempo este conflito é resolvido com o "salto da fé" e o compromisso num "novo caminho". Isto é experimentado como uma libertação, um alívio ou uma descoberta.

EXCERTOS DAS SAGRADAS ESCRITURAS SOBRE DESPRENDIMENTO

Cristianismo
Certo chefe perguntou-lhe então: «Bom mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» Respondeu-lhe Jesus...: «Ainda te resta uma coisa: vende tudo quanto tens, distribui o dinheiro pelos pobres e terás um tesouro nos Céus. Depois, vem e segue-Me». Quando isto ouviu ele entristeceu-se pois era muito rico. Vendo-o assim, Jesus exclamou: «Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Sim, é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus» (Lc 18:19, 22-25)

Islão
Maldito seja o vil caluniador, que acumula riquezas e as conta!
Pensa que as suas riquezas o tornam imortal. Não, em verdade, ele será lançado num tormento esmagador (Alcorão 104: 1-4)

Fé Bahá'í
Ó Filho do Ser!
Não te ocupes com este mundo, pois com o fogo testamos o ouro e com o ouro pomos à prova os Nossos servos.
Ó Filho do Homem!
Tu queres o ouro, e Eu desejo que dele te libertes. Tu julgas-te rico por possuí-lo, e Eu reconheço a tua riqueza por estares santificado acima dele. Por Minha vida! É este o Meu conhecimento e aquilo é a tua fantasia; como pode Minha vontade estar em harmonia com a tua?
(Bahá'u'lláh, Palavras Ocultas, do árabe, 55-56)

Taoismo
Fama ou integridade: qual é mais importante?
Dinheiro ou felicidade: qual é mais valioso?
Sucesso ou falhanço: qual é mais destrutivo?
Se procuras os outros para te realizares, nunca te realizarás verdadeiramente.
Se a tua felicidade depende de dinheiro, nunca estarás feliz contigo próprio.
Contenta-te com o que tens; regozija-te com a forma como as coisas são.
Quando perceberes que nada falta, todo o mundo te pertencerá.
(Tão Te Ching, 44)

Budismo
A riqueza destrói o louco que não procura o Além. Devido à ganância pela riqueza, o louco destrói-se a si próprio como se fosse o seu próprio inimigo.
(Dhammapada, 355)

Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach, pag. 225-228

terça-feira, 6 de junho de 2006

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Radio Cairo

Ontem a Radio Cairo emitiu uma entrevista com o Dr. Abd-ellah el-Sammack, professor de Estudos Religiosos na Universidade de al-Azhar. Apesar da Rádio Cairo ser uma rádio Oficial do Governo Egípcio, não foi convidado qualquer baha’i para debater os pontos de vista apresentados.

Conta quem ouviu a entrevista que as palvras do entrevistado foram um misto de factos elementares e falsidades gritantes. O professor referiu alguns princípios da religião Bahá’i como a unidade de Deus, a unidade das religiões, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, e eliminação de todas as formas de preconceito e a promoção da paz mundial.

Mas estas referências foram intercaladas com coisas do tipo "a Fé Bahá'í teve a sua origem na Rússia e foi promovida pelo comunismo". Só quem não conhece absolutamente nada da história baha’i pode afirmar uma coisa destas. Quem pode ignorar que Bahá'u'lláh era persa, que o primeiro templo baha'i (construído no actual Turquemenistão) foi confiscado pelas autoridades soviéticas e muitos baha’is naquele país foram perseguidos?

Outra das distorções foi: "Os Baha’is são considerados pelo governo israelita como seus cidadãos e estão sob sua protecção em toda a parte do mundo". Este é daqueles disparates típicos da propaganda anti-baha'i alimentada por fundamentalistas islâmicos. Quem sabe um pouco sobre a Fé Bahá'í, tem a noção que os bahá’ís não se envolvem em actividades subversivas contra os governos dos países onde vivem e honram os seus deverem de cidadania.

O Dr. el-Sammack também afirmou: "A Fé Bahá’í aboliria totalmente o Islão e todos os seus ensinamentos e leis". Será possível falar da religião baha'i sem conhecer o conceito de "revelação progressiva"? Os baha’is entendem que todas as religiões provêem de um único Deus e que os Manifestantes apresentam ensinamentos adequados à maturidade e necessidades dos povos. Quem se torna baha'i tem de aceitar que Maomé era Profeta, tal como quem se torna Muçulmano tem de aceitar que Jesus também era Profeta? Será isto assim tão difícil de entender?

sábado, 3 de junho de 2006

Bahais under scrutiny in Iran

Reportagem de Surya Gangadharan para a CNN-IBN (India), emitida hoje. Notíca completa aqui.
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Bahais under scrutiny in Iran

New Delhi: Speculation is growing that a government inspired campaign is underway in Iran against the minority Bahai community.

The basis for this speculation is a note sent by the UN Representative on Human Rights, Asma Jehangir to the Secretary General. Iran says this is not true.

Iran may have drawn reluctant admiration for its stubborn defence of its right to a nuclear programme, but its internal policies have been the subject of much international debate, especially when it concerns a religious minority, the Bahais.

The note in question refers to instructions issued by none other than Ayotollah Khameini.

The instructions called for close monitoring of the activities of the Bahai minority, and information on them to be gathered in a confidential manner.

(...)

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ACTUALIZAÇÃO (05/Junho)


O jornal Público (no passado sábado) e o Der Spiegiel (Wie die Mullahs Andersgläubige drangsalieren) também já noticiaram o assunto.

Bons e Maus professores

Nos muitos textos e artigos que o Expresso dedica hoje aos muitos problemas da educação no nosso país, não posso deixar de concordar com algumas ideias apresentadas no Editorial:
As propostas de alteração ao Estatuto da Carreira Docente obtiveram dos sindicatos a resposta habitual: um «não» global e rotundo. Pena que esta seja quase sempre a atitude das principais associações sindicais dos professores, que acabam por dar a ideia de apostarem em que nada mude no ensino, mesmo aquilo que está mal e à vista de toda a gente.

(...)

Muitos anos de falso igualitarismo e de um arremedo de avaliação - a participação em acções de formação muitas vezes irrelevantes para o trabalho de ensinar é quanto basta para se ir mudando de escalão – contribuíram para a degradação de uma classe profissional que é indispensável prestigiar de novo. A situação até agora inexistente só privilegia os maus professores – os que chegam à escola por falta de saídas profissionais alternativas, os incompetentes ou os faltistas e abusadores de toda a espécie que são uma espécie de parasitas do sistema. Sabemos que eles existem em todas as actividades; mas a escola é um espaço sensível e exposto perante a sociedade, pelo que tais comportamentos assumem especial gravidade.

Os alunos são os primeiros prejudicados. Mas os colegas responsáveis e cumpridores não o são menos. Desde logo porque muitas vezes têm de responder, com sobrecarga do seu próprio trabalho, às falhas e erros dos outros. E depois porque o mau desempenho de uns poucos contribui de forma decisiva para a má imagem de todos. Aliás, os bons professores são os primeiros a queixar-se e os sindicatos, que supostamente os representam, deviam saber reflectir as suas preocupações.

Para que serve um sindicato?

Já há algum tempo que sabia dos gravíssimos problemas de disciplina e insegurança que se vivem em algumas escolas públicas das periferias de Lisboa e Porto. Vários amigos me contaram algumas experiências pessoais; outros relataram experiências de colegas de profissão.

A reportagem da RTP sobre este problema teve o mérito de mostrar esse problema a uma enorme audiência. Sobre este assunto e os atritos entre sindicatos de professores e Ministério da Educação, Fernando Madrinha, escreve hoje na sua coluna Preto no Branco, no semanário Expresso:
Mas depois do que as famílias viram em casa através da RTP, não se ouviu dos sindicados o clamor esperado de protestos, de alertas e apelos que a reportagem justificava perfeitamente. Os mesmo que se apressaram a marcar uma greve para uma ponte entre feriados – não pode haver declaração pública de maior fraqueza e oportunismo – só porque alguns jornais atribuíram à ministra da Educação umas declarações que ela nega ter proferido, não tiveram uma palavra sobre a violência na escola X, nunca identificada pela RTP.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

El Chivo Expiatorio

Pelos media internacionais continuam a ecoar as notícias das detenções do passado dia 19 de Maio. Agora é em Espanha. Aqui fica um excerto da notícia divulgada pela Terra Actualidad - Europa Press. Ver notícia completa aqui.

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La comunidad baha'i denuncia una oleada represiva en Irán 'desapercibida' a causa de la crisis nuclear

Los representantes de la comunidad baha'i en España denunciaron hoy la reciente detención de 54 miembros de esta religión en Shiraz (sur de Irán), que calificaron como una de las operaciones de arresto 'más numerosas desde la década de los ochenta' y que vincularon a la nueva oleada de represión que, según ellos, sufren los seguidores de esta fe. Asimismo, advirtieron de que este nuevo 'pico' represivo está pasando 'desapercibido' para los medios de comunicación internacionales debido a que están más centrados en la actual crisis nuclear iraní.

Los 54 baha'is, en su mayoría jóvenes, fueron detenidos el pasado 19 de mayo mientras impartían clase a niños desfavorecidos en un colegio, como parte de una actividad de voluntariado del Fondo de Naciones Unidas para la Infancia (UNICEF) dirigida por una organización no gubernamental local, según informó en rueda de prensa el responsable de Relaciones Externas de la comunidad baha'i en España, Javier González.

Tras algunas semanas en prisión, 'sin que sus familias conocieran su paradero' y sin que se informase de la causa exacta de su detención, algunos de ellos fueron liberados tras pagar una fianza, pero todos ellos siguen pendientes de juicio. Unidos a los 72 baha'is detenidos en todo Irán a lo largo de los últimos 14 meses, añadió, 'ya son casi 130 personas las que están pendientes de juicio bajo la única acusación de pertenecer a la fe baha'i'.

(...)

'EL CHIVO EXPIATORIO'

Por otra parte, la crisis nuclear iraní ha permitido al Gobierno 'pasar de rondón' respecto al incremento de la persecución contra los baha'is, que está pasando 'desapercibida' ante la prensa internacional, más centrada en las presiones políticas sobre Teherán, prosiguió.

En todo caso, advirtió, siempre ha habido acoso, tanto en la época del Sha como en la posterior a la revolución islámica, incluso durante la anterior presidencia de Mohamed Jatamí. Tanto con moderados o radicales, 'los cambios han sido poco significativos', señaló. 'Lógicamente ha habido momentos altos y bajos, pero ahora estamos en uno de esos picos en los que la persecución se agrava', añadió.

En todo caso, advirtió, los baha'i se han convertido 'en el chivo expiatorio' de los intereses políticos y religiosos del interior de Irán, ya que 'cuando hay mayor hegemonía de las autoridades religiosas, como pasa en la actualidad, la persecución es más fuerte'.

La persecución se manifiesta no sólo en detenciones o ejecuciones, afirmó González. 'Se prohíbe a los jóvenes acceder a la universidad, se destruyen lugares sagrados que son patrimonio cultural en Irán, se profanan y destruyen cementerios, se retiran licencias para ser funcionarios o para los negocios, se dejan de pagar pensiones, incluso se les obliga a devolver salarios', citó, entre las principales formas de represión.

Entre los motivos de la persecución, Javier González destacó que los baha'is defienden la igualdad entre el hombre y la mujer, la armonía entre la ciencia y la religión, la educación como derecho universal y la ausencia de clero, lo cual 'es un peligro para el estatus de hegemonía de los religiosos iraníes'.

Los representantes de la comunidad baha'i se reunieron el pasado miércoles con el presidente de la Comisión de Exteriores del Congreso de los Diputados, Josep Antoni Duran i Lleida, y tienen previsto hacerlo en breve con los grupos políticos de Congreso y Senado para conseguir su apoyo de cara a las autoridades iraníes.

'La relación con el Ejecutivo, a través del Ministerio de Asuntos Exteriores, ha sido permanente desde hace 20 años, y no ha habido diferencias entre los Gobiernos de uno u otro partido', aseguró González. 'España siempre ha defendido ante la UE la causa baha'i', añadió.

(...)

quinta-feira, 1 de junho de 2006

New York Times

O New York Times noticia hoje as perseguições aos Baha'is no Irão (Iran's Bahai Religious Minority Says It Faces Raids and Arrests). Aqui fica a tradução dos primeiros parágrafos da notícia assinada por Laurie Goodstein.
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Minoria Religiosa Bahai do Irão afirma ser alvo de rusgas e detenções

Membros da minoria religiosa bahai do Irão afirmaram esta semana que o governo intensificou recentemente uma campanha de detenções, rusgas e propaganda destinada a erradicar a sua religião do Irão, o seu país de origem.

No dia 19 de Maio, forças de segurança iranianas prenderam 54 bahais na cidade de Shiraz que estavam envolvidos em projectos de serviço comunitário, muitos deles adolescentes ou com pouco mais de vinte anos, afirmaram fontes diplomáticas e fontes bahais fora do Irão.

Não foram acusados e todos - com excepção de três - foram libertados após seis dias, afirmaram estas fontes.

Trata-se da maior prisão em massa desde os anos 1980, quando milhares deles foram presos e mais de 200 foram executados pelo novo governo islâmico.

Estes desenvolvimentos alarmaram os observadores de direitos humanos nas Nações Unidas, que afirmam que desde Dezembro, um jornal governamental iraniano publicou mais de 30 artigos a denegrir a fé Bahai – inclusive acusando os Bahais de sacrificas crianças muçulmanas em dias sagrado. As detenções coincidiram com rusgas em seis casas de famílias bahais, onde foram confiscados computadores e documentos. Mais de 70 outros bahais foram presos desde Janeiro de 2005 em pequenos grupos, e alguns ainda estão presos, afirmam os observadores.

"Vemos o surgimento de um padrão que é perfeitamente sinistro", afirmou Bani Dugal, que representa a Comunidade Internacional Bahai nas Nações Unidas, onde as religiões e alguns outros grupos têm um estatuto consultivo. "Basicamente consiste em tentar criar o terror na comunidade Bahai, e também levar a população iraniana a aceitar isso".

(…)

Kitáb-i-Íqán (20)

A Virgem Maria

No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh refere-Se à Virgem Maria com as seguintes palavras:
De igual modo, deves reflectir sobre o estado e condição de Maria. Tão profunda foi a perplexidade desse mais belo semblante, tão penosa a sua situação, que ela deplorava amargamente ter nascido. Disso dá testemunho o texto do sagrado versículo onde se menciona que Maria, após o nascimento de Jesus, lamentou a sua condição e gritou: "Oxalá eu tivesse morrido antes disto e tivesse sido uma coisa esquecida, completamente esquecida!" (a) Juro por Deus! Tais lamentações consumiram o coração e abalaram o próprio ser. Tão grande consternação de alma, tamanho desânimo, não poderia ter sido causado senão pela censura do inimigo e pelas cavilações dos infiéis e perversos. Reflecte: qual a resposta que Maria poderia dar ao povo a seu redor? Como poderia ela afirmar que uma Criança, cujo pai era desconhecido, tivesse sido concebida do Espírito Santo? Por isso Maria, aquele Semblante velado e imortal, pegou na sua Criança e regressou para a sua casa. Assim que os olhos do povo caíram sobre ela, levantaram-se vozes, dizendo: "Ó irmã de Araão! O teu pai não foi um homem iníquo; nem a tua mãe foi impudica." (b) [59]
Anunciação, Fra AngelicoNeste breve parágrafo do Livro da Certeza, Bahá'u'lláh faz o elogio da pureza e da inocência da Virgem Maria. Para a maioria dos leitores portugueses poderá ser surpreendente o facto deste parágrafo incluir citações do Alcorão. Na verdade, o Alcorão sustenta que Jesus nasceu após uma gravidez miraculosa de Maria; para o Islão, Maria é uma das personagens mais importantes da história da religião, e o Alcorão contém um Sura com o seu nome. Também é interessante o facto de, tanto no Alcorão como no Kitáb-i-Íqán, Jesus ser frequentemente referido como “o Filho de Maria”.

A este propósito, convém recordar um pequeno texto de Shoghi Effendi onde ele definiu a forma como a religião baha'i encara o Cristianismo:

Quanto à posição do Cristianismo, diga-se, sem a menor hesitação ou equívoco, que a sua origem divina é incondicionalmente reconhecida, que a filiação e divindade de Cristo é destemidamente afirmada, que a inspiração divina do Evangelho é plenamente reconhecida; que a realidade do mistério da Imaculabilidade da Virgem Maria é confessada, e que a primazia de Pedro, o Príncipe dos Apóstolos é sustentada e apoiada. (c)
Apesar da Fé Bahá'i recusar os cultos marianos e fenómenos como as aparições (d), esta posição é muito semelhante à da Igreja Católica.

Devo confessar que este é um dos raros temas em que tenho dificuldade em compreender a posição oficial da religião bahá’í. O método bahá'í de interpretação das escrituras diz-nos que quando uma interpretação literal do texto leva a algo que é contrário à ciência e ao senso comum, então devemos procurar os significados simbólicos do texto. Acontece que, ao referir-Se à Virgem Maria, Bahá'u'lláh defende o significado literal do texto.

O fundador da religião bahá’í, afirma ainda que este episódio foi um teste tremendo aos judeus contemporâneos de Jesus; e acrescenta que este tipo de provações tem sido uma constante na história das grandes religiões mundiais: os desígnios de Deus são contrários aos desejos dos seres humanos [61]. “Apesar de todas essas coisas, Deus conferiu àquela Essência do Espírito, Àquele conhecido entre o povo como alguém que não teve pai, a glória de ser Profeta, e fez d'Ele a Sua testemunha para todos aqueles que estão no céu e na terra[60].

Alguns bahá’ís afirmam a propósito deste episódio que se Deus é Omnipotente então o nascimento miraculoso de Jesus nada tem de surpreendente. Se isso é assim então porque é que a religião baha’i não aceita a ressurreição física de Jesus? Não haverá aqui uma falta de coeirência entre esta posição e defesa da harmonia entre a ciência e a religião?

Como escrevi, tenho dificuldades em aceitar a posição baha'i sobre este assunto; felizmente este não é um dos ensinamentos essenciais da religião bahá'í. No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh apresenta alguns exemplos de afirmações de Manifestantes de Deus cujo objectivo era funcionar como teste para os crentes (e). Pergunto-me se Bahá'u'lláh não estará a testar os Seus seguidores ao defender a imaculabilidade da Virgem Maria. Acreditamos cegamente no fundador da nossa religião ou defendemos o princípio da livre e independente pesquisa da verdade?

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Referências
(a) - Alcorão 19:22.
(b) - Alcorão 19:28.
(c) - Shoghi Effendi, The Promised Day is Come, pags. 113-114
(d) - Ver os posts:
Fátima e Ainda sobre Fátima
(e) - No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh refere que Noé prometeu uma data exacta para o cumprimento de uma promessa divina. Quando essa promessa não se cumpriu, alguns dos seus seguidores abandonaram-No.