Notícia de hoje, no jornal Público.
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Peregrinação junta portugueses de vários credos na Terra Santa
Por António Marujo
Um encontro com o patriarca latino de Jerusalém e com comunidades judaicas e islâmicas, visitas ao templo e aos jardins da Comunidade Bahá'í em Haifa (norte de Israel), à Grande Sinagoga de Jerusalém e ao Jardim do Túmulo da Comunhão Anglicana. Estas são algumas das iniciativas previstas para uma invulgar "peregrinação interconfessional pela paz e tolerância entre os povos" que, entre 5 e 12 de Setembro levará à Terra Santa duas centenas e meia de portugueses cristãos (católicos e protestantes), judeus, muçulmanos e bahá'ís.
A peregrinação foi ontem apresentada em Lisboa e incluirá ainda visitas às mesquitas de Omar e Al Aqsa, ao Muro das Lamentações e a alguns dos lugares mais importantes ligados à vida de Jesus Cristo.
Uma homenagem a Aristides Sousa Mendes está também prevista. Durante a II Guerra Mundial, o cônsul português em Bordéus (Sul de França) concedeu 30 mil vistos a pessoas que fugiam ao nazismo e, com esse gesto que lhe mereceria o castigo ordenado por Salazar, evitou que mais de 10 mil judeus tivessem sido mortos.
Na visita ao Memorial do Holocausto, o grupo português plantará, no Bosque de Jerusalém, uma árvore que ficará como memória desta peregrinação.
A iniciativa é diferente das clássicas peregrinações a Israel e à Terra Santa por incluir lugares não ligados apenas ao cristianismo, especialmente o católico, mas também lugares importantes das outras religiões para as quais as terras de Israel e da Palestina são simbólicas. Essa mesma ideia é vincada por Francisco Moura, da Geotur. Foi esta empresa, que tem no turismo religioso um importante segmento de actividade, que teve a ideia da peregrinação, congregando à sua volta representantes das diferentes comunidades religiosas.
Na apresentação da iniciativa, Isaac Assor, da Comunidade Judaica de Lisboa afirmou que "é nas bases que se começa a cimentar o diálogo inter-religioso". Moahamed Abe, da Comunidade Islâmica, afirmou que o exemplo da convivência inter-religiosa em Portugal é positivo. E Mário Mota Marques, da Comunidade Bahá'í, diz que uma peregrinação como esta é importante para contactar as comunidades religiosas locais – os cristãos, citou vivem neste momento sérias dificuldades, entalados entre sociedades maioritariamente judaicas e islâmicas.
As peregrinações e as viagens têm também importância do ponto de vista turístico: há dois anos, o patriarca latino, Michel Shabah, de Jerusalém, mandou uma carta a todos os bispos católicos a pedir que retomassem as visitas à Terra Santa, para ajudar a revitalizar a economia e, dessa forma, atenuar o desemprego e as graves carências que se verificam sobretudo entre palestinianos.
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sexta-feira, 30 de junho de 2006
quinta-feira, 29 de junho de 2006
Kitáb-i-Íqán (22)
MOISÉS (2ª Parte)
O segundo de dois posts sobre a figura de Moisés nas Escrituras Bahá'ís.
Entre parêntesis rectos indica-se o nº do parágrafo citado. Sobre a numeração dos parágrafos do Kitáb-í-Iqan, ver Notes on paragraph numbering of the Kitab-i-Iqan.
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Os Primeiros Anos
Bahá'u'lláh refere que o advento de Moisés foi profetizado por magos egípcios e sábios hebreus. “Os adivinhos do Seu tempo advertiram o Faraó nestes termos: «Surgiu uma estrela no céu! Ei-la! Prognostica a concepção de uma Criança que segura nas mãos o vosso destino e o de vosso povo.» Assim também apareceu, na escuridão da noite, um sábio trazendo novas de júbilo ao povo de Israel, consolando-lhe a alma e tranquilizando-lhe o coração.”[68] Neste episódio vemos um paralelismo com o relato do Evangelho onde se descreve o aparecimento de uma estrela no céu nos dias que antecederam o nascimento de Jesus. (a) (Mt 2:1-2)
Num outro parágrafo do Kitáb-i-Íqán, é referido que Moisés "por quase trinta anos fora, aos olhos do mundo, criado na casa de Faraó e alimentado à sua mesa"[58]. Mas um episódio viria a mudar o rumo da Sua vida: "Um dia, Ele, ainda na juventude, antes de haver proclamado o Seu ministério, passava pelo mercado, quando viu dois homens lutando. Um deles pediu socorro a Moisés contra o adversário e então Moisés interveio e matou-o."[42]
A condição social de Moisés era um obstáculo para que a Sua mensagem fosse aceite quer por egípcios, quer por hebreus. Aos olhos dos egípcios, Ele era um assassino; aos olhos dos hebreus, Ele era um egípcio, um filho do povo opressor. A propósito disto, Bahá'u'lláh chama mais uma vez a atenção do leitor para o facto dos desígnios de Deus serem frequentemente contrários aos desejos dos seres humanos. Esses desígnios são verdadeiras provações que o Criador coloca à humanidade:
É extremamente difícil perceber o momento em que o Manifestante de Deus toma consciência da Sua missão. Esse momento de íntima ligação entre Deus e o Manifestante é frequentemente descrito com metáforas e simbolismos que nos permitem apenas um vislumbre da intensidade espiritual desse momento. Os Livros Sagrados do passado afirmam que durante o exílio em Midian, Moisés recebeu a revelação de Deus e tomou conhecimento da Sua missão.
Segundo Bahá'u'lláh, "Moisés entrou no vale santo, na solidão do Sinai, e aí, da «Árvore que não pertence nem ao Este nem ao Oeste», teve a visão do Rei da glória. Ai Ele ouviu a Voz comovedora do Espírito, que Lhe falava do Fogo ardente..." [42]. Noutras epístolas reveladas anos mais tarde, Bahá'u'lláh apresentou descrições das palavras que Moisés ouviu de Deus noutras ocasiões:
Um Episódio Final
Um episódio ocorrido no final da vida de Moisés é mencionado por 'Abdu'l-Bahá no livro Respostas a Algumas Perguntas. Numa entrevista com uma das primeiras crentes ocidentais, o filho de Bahá'u'lláh esclarece que nos livros sagrados as repreensões dirigidas por Deus aos Seus Manifestantes são na verdade dirigidas ao povo. E entre os exemplos apresentados cita o Antigo Testamento:
REFERÊNCIAS
(a) – Bahá'u'lláh refere que quando os Livros Sagrados mencionam a estrela que surge no céu anunciando o aparecimento de um Manifestante esses trechos podem ter uma leitura literal ou simbólica [68-73]. No sentido literal, tratar-se-á de um fenómeno físico; no sentido simbólico refere-se a figuras proféticas que anunciam o aparecimento do novo Manifestante (semelhante a João Baptista). Na religião baha'i, essas figuras foram Sheik Ahmad e Siyyid Kazim.
(b) – Epistolas de Bahá'u'lláh, pag. 292
(c) – Epistle to the Son of the Wolf, pag. 118
(d) – Alcorão 20:12. Também mencionado como o "Vale Sagrado"
(e) – Epistle to the Son of the Wolf, 117
(f) – 1 Num 20:2-13
(g) – Respostas a Algumas Perguntas, cap. 44
O segundo de dois posts sobre a figura de Moisés nas Escrituras Bahá'ís.
Entre parêntesis rectos indica-se o nº do parágrafo citado. Sobre a numeração dos parágrafos do Kitáb-í-Iqan, ver Notes on paragraph numbering of the Kitab-i-Iqan.
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Os Primeiros Anos
Bahá'u'lláh refere que o advento de Moisés foi profetizado por magos egípcios e sábios hebreus. “Os adivinhos do Seu tempo advertiram o Faraó nestes termos: «Surgiu uma estrela no céu! Ei-la! Prognostica a concepção de uma Criança que segura nas mãos o vosso destino e o de vosso povo.» Assim também apareceu, na escuridão da noite, um sábio trazendo novas de júbilo ao povo de Israel, consolando-lhe a alma e tranquilizando-lhe o coração.”[68] Neste episódio vemos um paralelismo com o relato do Evangelho onde se descreve o aparecimento de uma estrela no céu nos dias que antecederam o nascimento de Jesus. (a) (Mt 2:1-2)
Num outro parágrafo do Kitáb-i-Íqán, é referido que Moisés "por quase trinta anos fora, aos olhos do mundo, criado na casa de Faraó e alimentado à sua mesa"[58]. Mas um episódio viria a mudar o rumo da Sua vida: "Um dia, Ele, ainda na juventude, antes de haver proclamado o Seu ministério, passava pelo mercado, quando viu dois homens lutando. Um deles pediu socorro a Moisés contra o adversário e então Moisés interveio e matou-o."[42]
O vale de Jetro, no Sinai.
Ilustração de H.Fenn, 1875.
Ilustração de H.Fenn, 1875.
A condição social de Moisés era um obstáculo para que a Sua mensagem fosse aceite quer por egípcios, quer por hebreus. Aos olhos dos egípcios, Ele era um assassino; aos olhos dos hebreus, Ele era um egípcio, um filho do povo opressor. A propósito disto, Bahá'u'lláh chama mais uma vez a atenção do leitor para o facto dos desígnios de Deus serem frequentemente contrários aos desejos dos seres humanos. Esses desígnios são verdadeiras provações que o Criador coloca à humanidade:
...como são múltiplas e estranhas as provações com que Ele experimenta Seus servos. Considera tu como Ele escolheu subitamente dentre Seus servos e Lhe confiou a exaltada missão de ser um Guia divino, Àquele conhecido como homicida, que confessara, Ele mesmo, a Sua crueldade e que por quase trinta anos fora, aos olhos do mundo, criado na casa de Faraó e alimentado à sua mesa. Não poderia Deus, o Rei Omnipotente, ter impedido a mão de Moisés de cometer assassínio para que isso não Lhe fosse atribuído, facto este que tanta perplexidade e aversão causou entre o povo?"[58]A Sarça Ardente / A Revelação
É extremamente difícil perceber o momento em que o Manifestante de Deus toma consciência da Sua missão. Esse momento de íntima ligação entre Deus e o Manifestante é frequentemente descrito com metáforas e simbolismos que nos permitem apenas um vislumbre da intensidade espiritual desse momento. Os Livros Sagrados do passado afirmam que durante o exílio em Midian, Moisés recebeu a revelação de Deus e tomou conhecimento da Sua missão.
Segundo Bahá'u'lláh, "Moisés entrou no vale santo, na solidão do Sinai, e aí, da «Árvore que não pertence nem ao Este nem ao Oeste», teve a visão do Rei da glória. Ai Ele ouviu a Voz comovedora do Espírito, que Lhe falava do Fogo ardente..." [42]. Noutras epístolas reveladas anos mais tarde, Bahá'u'lláh apresentou descrições das palavras que Moisés ouviu de Deus noutras ocasiões:
Recorda tu os dias em que Aquele que conversou com Deus vigiava no deserto, as ovelhas de Jetro, Seu sogro. Escutou Ele a Voz do Senhor do género humano proveniente da Sarça Ardente que fora erguida na Terra Santa - Voz essa que exclamava: «Ó Moisés! Verdadeiramente, sou Deus, teu Senhor e o Senhor de teus antepassados, Abraão, Isaac e Jacob». (b) (cf. Ex 3:6)Na Epístola ao Filho do Lobo, Bahá'u'lláh apresenta outras descrições dos momentos em que Moisés recebeu revelações divinas:
E quando Ele subiu até o fogo, uma Voz clamou-Lhe da Sarça, à direita do Vale, no Local sagrado: «Ó Moisés, eu, verdadeiramente, sou Deus, o Senhor dos mundos!» (c)E ainda:
E quando chegou até o fogo, Ele foi chamado: «Ó Moisés! Verdadeiramente Eu sou Teu Senhor; tira portanto, Tuas sandálias, pois está no vale sagrado de Towa(d). E Eu escolhi-Te: dá ouvidos, então ao que Te será revelado. Verdadeiramente, Eu sou Deus, não há outro Deus além de Mim, Portanto, adora-Me.»(e) (cf. Ex 3:5)
O Monte Serbal, no Sinai.
Ilustração de J.D.Woodward, 1875.
Ilustração de J.D.Woodward, 1875.
Um Episódio Final
Um episódio ocorrido no final da vida de Moisés é mencionado por 'Abdu'l-Bahá no livro Respostas a Algumas Perguntas. Numa entrevista com uma das primeiras crentes ocidentais, o filho de Bahá'u'lláh esclarece que nos livros sagrados as repreensões dirigidas por Deus aos Seus Manifestantes são na verdade dirigidas ao povo. E entre os exemplos apresentados cita o Antigo Testamento:
... todo Profeta é a expressão do povo inteiro. Portanto, as promessas e as palavras que Deus Lhe dirige são dirigidas a todos. A linguagem da repreensão é, geralmente, muito severa para o povo, e também seria arrasadora. Assim, a Perfeita Sabedoria adopta esse modo de falar, como se encontra na Bíblia, por exemplo, quando os filhos de Israel se revoltaram e disseram a Moisés: «Nós não podemos lutar contra os amalecitas, porque eles são poderosos, fortes e corajosos.» Então, Deus repreendeu Moisés e Aarão, embora a obediência de Moisés fosse completa e Ele jamais se revoltasse. De certo que um tão grande homem – o mediador da Graça de Deus, incumbido de transmitir a Sua Lei – há necessariamente de obedecer aos mandamentos de Deus. (…)-----------------------------------------
E mais; em Números, capítulo XX, versículo 23: "E falou o Senhor a Moisés e a Aarão no monte de Hor, na costa da terra de Edom, dizendo: Aarão juntar-se-á ao seu povo, porque não entrará na terra que doei aos filhos de Israel,pois tende-vos revoltado contra a Minha Palavra nas águas de Meriba"(f); e no versículo 13: "Estas são as águas de Meriba, porque os filhos de Israel discutiram com o Senhor, Ele santificou-Se nelas".
Vejamos: o povo de Israel revoltou-se, mas aparentemente a repreensão foi dirigida a Moisés e Aarão. No Livro de Deuteronómio, capítulo III, versículo 26, está escrito: "Mas o Senhor indignou-se comigo por vossa causa, e não me ouviu. Em vez disso, disse-me: Baste-te, não Me fales mais nisto."
Ora, essas palavras e essas repreensões eram realmente para os filhos de Israel que, por se terem revoltado contra os mandamentos de Deus, tinham permanecido durante muito tempo, cativos no deserto árido, do outro lado Jordão, até o tempo de Josué – bendito seja! Essas repreensões, pois, destinavam-se ao povo de Israel, embora parecessem ser para Moisés e Aarão.(g)
REFERÊNCIAS
(a) – Bahá'u'lláh refere que quando os Livros Sagrados mencionam a estrela que surge no céu anunciando o aparecimento de um Manifestante esses trechos podem ter uma leitura literal ou simbólica [68-73]. No sentido literal, tratar-se-á de um fenómeno físico; no sentido simbólico refere-se a figuras proféticas que anunciam o aparecimento do novo Manifestante (semelhante a João Baptista). Na religião baha'i, essas figuras foram Sheik Ahmad e Siyyid Kazim.
(b) – Epistolas de Bahá'u'lláh, pag. 292
(c) – Epistle to the Son of the Wolf, pag. 118
(d) – Alcorão 20:12. Também mencionado como o "Vale Sagrado"
(e) – Epistle to the Son of the Wolf, 117
(f) – 1 Num 20:2-13
(g) – Respostas a Algumas Perguntas, cap. 44
terça-feira, 27 de junho de 2006
Continua a intimidação
Segundo notícias recentemente divulgadas pela Comunidade Internacional Baha'i, nas últimas semanas têm ocorrido várias detenções de bahá'ís no Irão. Os factos ocorreram quase em simultâneo nas cidades de Shiraz e Hamadan; não foi formulada qualquer acusação e os baha’is foram libertados alguns dias depois.Em Hamadan foram detidos três baha’is no passado dia 18 de Junho. Após três dias de detenção, foram libertados. Estas detenções deram-se após funcionários governamentais terem procedido a rusgas em suas casas, em que foram confiscados computadores, livros e documentos baha’is.
Também recentemente foram libertados os últimos de três baha’is (de um grupo de 54 jovens) detidos em 18 de Maio, em Shiraz. Apesar de inicialmente o juiz ter exigido o pagamento de uma caução no valor de 43.000 €, os três acabaram por ser libertados sem ter de pagar qualquer caução, mas com o compromisso de comparecerem no tribunal para o julgamento. No entanto, na maioria dos casos foi exigido alguma forma de caução – hipoteca de propriedades ou depósito de valores – antes da libertação.
Actualmente, dois baha'is detidos em Teerão e Sanandaj, ainda permanecem presos.
Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional Baha'i junto das Nações Unidas comentou esta situação: "Estamos preocupados pelo facto deste modelo de detenção e libertação estar a ser cada vez mais usual como outra forma de hostilização dos Bahaiis. Apoderar-se dos bens de pessoas que não foram acusadas que qualquer crime e cuja data de julgamento é desconhecida faz parte de uma estratégia mais vasta de intimidação para negar direitos e oportunidades à Comunidade Bahá'í."
Um livro para atiçar o preconceito anti-baha'i
Um dos mais activos e interessantes blogs que tenho acompanhado é Baha'i Faith in Egypt. É de autoria de um baha’i egípcio e todas as semanas no surpreende com alguma novidade sobre a situação dos baha’is naquele país. A opinião de quem pertence a uma minoria religiosa num país islâmico, e neste momento é testemunha privilegiada de uma batalha judicial pelos direitos civis dessa minoria fazem deste blog uma local de visita obrigatório. Pergunto-me porque é que não há baha'is iranianos com blogs semelhantes…
Num post recente, Bilo, o autor do Baha'i Faith in Egypt, refere a edição de um livro que apela à morte dos Baha'is no Egipto. Este livro acaba de ser publicado e está a ser distribuído às livrarias e quiosques do país.
O livro, intitulado Bahaismo - As suas Crenças e Objectivos Coloniais (104 paginas) é da autoria do Dr. Khaled Abdel-Halim el-Sayouty sob a supervisão do Ministério dos Assuntos Islâmicos e do Conselho Supremo Islâmico. Além da já usual difamação e distorção que estes livros contêm sobre a religião bahá'í e os seus seguidores, tem também uma declaração do Centro de Investigação Islâmico de Al-Azhar onde se apela de forma clara à morte dos Baha'is.

Na pag. 99 deste livro escreve-se: "Al-Azhar insta os que têm autoridade na República Árabe do Egipto a manterem-se firmes contra esta congregação maligna que é contrária à Fé de Deus e à ordem pública nesta sociedade. Os julgamentos de Deus devem ser executados contra eles, a lei que merecem deve ser aplicada e devem regressar ao pó juntamente com os seus ensinamentos. Isto é uma protecção para todos os cidadãos contra a apostasia e as suas crenças que se afasta do verdadeiro caminho de Deus. Os que cometeram crimes contra a verdade do Islão e a sua nação devem desaparecer da vida, para que não possam afastar-se do Islão".
Num post recente, Bilo, o autor do Baha'i Faith in Egypt, refere a edição de um livro que apela à morte dos Baha'is no Egipto. Este livro acaba de ser publicado e está a ser distribuído às livrarias e quiosques do país.
O livro, intitulado Bahaismo - As suas Crenças e Objectivos Coloniais (104 paginas) é da autoria do Dr. Khaled Abdel-Halim el-Sayouty sob a supervisão do Ministério dos Assuntos Islâmicos e do Conselho Supremo Islâmico. Além da já usual difamação e distorção que estes livros contêm sobre a religião bahá'í e os seus seguidores, tem também uma declaração do Centro de Investigação Islâmico de Al-Azhar onde se apela de forma clara à morte dos Baha'is.

Na pag. 99 deste livro escreve-se: "Al-Azhar insta os que têm autoridade na República Árabe do Egipto a manterem-se firmes contra esta congregação maligna que é contrária à Fé de Deus e à ordem pública nesta sociedade. Os julgamentos de Deus devem ser executados contra eles, a lei que merecem deve ser aplicada e devem regressar ao pó juntamente com os seus ensinamentos. Isto é uma protecção para todos os cidadãos contra a apostasia e as suas crenças que se afasta do verdadeiro caminho de Deus. Os que cometeram crimes contra a verdade do Islão e a sua nação devem desaparecer da vida, para que não possam afastar-se do Islão".
segunda-feira, 26 de junho de 2006
Bahaïs : une communauté en mal de reconnaissance
Les Bahaïs devront encore attendre. Deux mois avant de savoir si leur religion pourra être inscrite sur leurs papiers. Le jugement prévu la semaine dernière a été repoussé à l'automne prochain
Déception pour les deux à trois mille Bahaïs d’Egypte. Leur sort ne sera pas réglé avant le 16 septembre prochain. Le gouvernement égyptien a en effet obtenu un report du jugement en appel, suite à une décision du tribunal administratif d’Alexandrie. Le 4 avril dernier, celui-ci avait reconnu aux Bahaïs le droit d’inscrire leur religion sur leurs cartes d’identité. Le gouvernement a fait appel. Pour les Bahaïs d’Egypte, c’est la possibilité de mener une vie normale qui est en jeu.
Car comment vivre dans un pays quand on ne peut avoir ni certificat de naissance, ni carte d’identité, ni permis de conduire ? C’est parce qu’ils étaient confrontés à ce problème que deux membres de la communauté bahaï d’Egypte ont déposé en 2004 une plainte auprès du tribunal administratif d’Alexandrie.
Depuis l’an 2000 et le début de l’informatisation de l’état civil en Egypte, les Bahaïs se trouvent en effet confrontés à un dilemme. "À la case religion, les ordinateurs de l’administration n’acceptent que trois entrées : musulmans, chrétiens ou juifs, explique Hervé Milewski, un Français membre de la communauté bahaï d’Egypte. Il n’y a pas de case blanche. Or il nous est interdit de renier notre religion. Nous préférons ne pas avoir de papiers, malgré tous les problèmes que cela entraîne. Ainsi ma fille qui est née en Egypte n’a pas été enregistrée sur l’état civil égyptien."
Un dogme sacrilège
La décision favorable du tribunal administratif d’Alexandrie a donc été accueillie comme une victoire par les Bahaïs. Mais elle a déclenché un tollé en Egypte. "Depuis deux mois, nous sommes les victimes d’une campagne médiatique acharnée", se désole Hervé Milewski. "On nous accuse de tous les maux alors que notre religion est pacifiste et qu’elle demande à ses fidèles de respecter les lois du pays où ils vivent."
En 2003, l’académie des recherches islamiques de l’université d’Al Azhar, la plus haute autorité du monde sunnite, a défini le bahaïsme comme "un dogme sacrilège." Ce qui explique peut-être la vigueur avec laquelle les médias et certains hommes politiques ont réagi à l’annonce de la décision d’Alexandrie.
À l’inverse, l’Organisation Egyptienne des Droits de l’Homme s’est félicitée de ce jugement, qu’elle estime conforme à la constitution égyptienne.
FONTE: LePetitJournal.com
Déception pour les deux à trois mille Bahaïs d’Egypte. Leur sort ne sera pas réglé avant le 16 septembre prochain. Le gouvernement égyptien a en effet obtenu un report du jugement en appel, suite à une décision du tribunal administratif d’Alexandrie. Le 4 avril dernier, celui-ci avait reconnu aux Bahaïs le droit d’inscrire leur religion sur leurs cartes d’identité. Le gouvernement a fait appel. Pour les Bahaïs d’Egypte, c’est la possibilité de mener une vie normale qui est en jeu.
Car comment vivre dans un pays quand on ne peut avoir ni certificat de naissance, ni carte d’identité, ni permis de conduire ? C’est parce qu’ils étaient confrontés à ce problème que deux membres de la communauté bahaï d’Egypte ont déposé en 2004 une plainte auprès du tribunal administratif d’Alexandrie.
Depuis l’an 2000 et le début de l’informatisation de l’état civil en Egypte, les Bahaïs se trouvent en effet confrontés à un dilemme. "À la case religion, les ordinateurs de l’administration n’acceptent que trois entrées : musulmans, chrétiens ou juifs, explique Hervé Milewski, un Français membre de la communauté bahaï d’Egypte. Il n’y a pas de case blanche. Or il nous est interdit de renier notre religion. Nous préférons ne pas avoir de papiers, malgré tous les problèmes que cela entraîne. Ainsi ma fille qui est née en Egypte n’a pas été enregistrée sur l’état civil égyptien."
Un dogme sacrilège
La décision favorable du tribunal administratif d’Alexandrie a donc été accueillie comme une victoire par les Bahaïs. Mais elle a déclenché un tollé en Egypte. "Depuis deux mois, nous sommes les victimes d’une campagne médiatique acharnée", se désole Hervé Milewski. "On nous accuse de tous les maux alors que notre religion est pacifiste et qu’elle demande à ses fidèles de respecter les lois du pays où ils vivent."
En 2003, l’académie des recherches islamiques de l’université d’Al Azhar, la plus haute autorité du monde sunnite, a défini le bahaïsme comme "un dogme sacrilège." Ce qui explique peut-être la vigueur avec laquelle les médias et certains hommes politiques ont réagi à l’annonce de la décision d’Alexandrie.
À l’inverse, l’Organisation Egyptienne des Droits de l’Homme s’est félicitée de ce jugement, qu’elle estime conforme à la constitution égyptienne.
FONTE: LePetitJournal.com
Los diputados españoles condenan la persecución de la comunidad religiosa baha'í en Irán
MADRID, 21 (EUROPA PRESS) - Todos los grupos parlamentarios de la Comisión de Asuntos Exteriores del Congreso de los Diputados aprobaron hoy por unanimidad una proposición no de ley en la que condenan la persecución de la comunidad baha'í en Irán y solicitan al Gobierno socialista que exprese al régimen de los ayatolás su preocupación por este hecho.
En el texto consensuado esta mañana por los grupos de la Cámara Baja se insta al Ejecutivo de José Luis Rodríguez Zapatero a manifestar el derecho a la libertad religiosa de los baha'ís de Irán y a expresar su preocupación por las detenciones y arrestos arbitrarios sufridos por los miembros de esta comunidad en territorio iraní.
El portavoz de IU-ICV, Gaspar Llamazares indicó que su formación había firmado esta iniciativa "oportuna" en defensa de la libertad religiosa y de la comunidad baha'í en Irán. "Es oportuna por la vocación de que se defiendan los Derechos Fundamentales", señaló al respecto.
Mientras, Josu Erkoreka (PNV) recordó que los baha'ís forman una comunidad de fe con "amplia implantación" en 235 países que cuenta por cinco millones de fieles "de características heterogéneas".
Pese a nacer en Irán, esta comunidad sufre una persecución "encarnizada y sistemática orientada a su desaparición", opinó el diputado peneuvista, quien advirtió de que sin libertad ideológica y de conciencia es "inconcebible" el pluralismo.
"Las resoluciones de las Naciones Unidas, en algunas ocasiones, han logrado aminorar esta persecución y el sistemático atropello de los derechos de los baha'ís a través de los más encarnizados procedimientos, por el sólo hecho de tener estas creencias que no llevan a defender postulados violentos, ni contra el sistema establecido, al contrario, son postulados que defienden la paz", dejó claro.
Por su parte, Jordi Xuclá (CiU) hizo hincapié en la importancia de que el Congreso de los Diputados exprese el respeto a la libertad religiosa al ser un derecho fundamental universal. "Hay una persecución muy importante en Irán hacia esta minoría religiosa, de 350.000 baha'ís, que son perseguidos y que no pueden recibir una educación religiosa de acuerdo a sus creencias. La comunidad internacional y diversas organizaciones no gubernamentales alertan de que hay un repunte de esta persecución", manifestó.
(...)
Noticia completa (Yahoo - España)
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O MEU COMENTÁRIO: será que alguma vez veremos este tema ser abordado por deputadoS portugueses?
En el texto consensuado esta mañana por los grupos de la Cámara Baja se insta al Ejecutivo de José Luis Rodríguez Zapatero a manifestar el derecho a la libertad religiosa de los baha'ís de Irán y a expresar su preocupación por las detenciones y arrestos arbitrarios sufridos por los miembros de esta comunidad en territorio iraní.
El portavoz de IU-ICV, Gaspar Llamazares indicó que su formación había firmado esta iniciativa "oportuna" en defensa de la libertad religiosa y de la comunidad baha'í en Irán. "Es oportuna por la vocación de que se defiendan los Derechos Fundamentales", señaló al respecto.
Mientras, Josu Erkoreka (PNV) recordó que los baha'ís forman una comunidad de fe con "amplia implantación" en 235 países que cuenta por cinco millones de fieles "de características heterogéneas".
Pese a nacer en Irán, esta comunidad sufre una persecución "encarnizada y sistemática orientada a su desaparición", opinó el diputado peneuvista, quien advirtió de que sin libertad ideológica y de conciencia es "inconcebible" el pluralismo.
"Las resoluciones de las Naciones Unidas, en algunas ocasiones, han logrado aminorar esta persecución y el sistemático atropello de los derechos de los baha'ís a través de los más encarnizados procedimientos, por el sólo hecho de tener estas creencias que no llevan a defender postulados violentos, ni contra el sistema establecido, al contrario, son postulados que defienden la paz", dejó claro.
Por su parte, Jordi Xuclá (CiU) hizo hincapié en la importancia de que el Congreso de los Diputados exprese el respeto a la libertad religiosa al ser un derecho fundamental universal. "Hay una persecución muy importante en Irán hacia esta minoría religiosa, de 350.000 baha'ís, que son perseguidos y que no pueden recibir una educación religiosa de acuerdo a sus creencias. La comunidad internacional y diversas organizaciones no gubernamentales alertan de que hay un repunte de esta persecución", manifestó.
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Noticia completa (Yahoo - España)
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O MEU COMENTÁRIO: será que alguma vez veremos este tema ser abordado por deputadoS portugueses?
6 meses
sábado, 24 de junho de 2006
Ser Baha'i, no Egipto
Segue-se a tradução de uma artigo de Mariam Fam, divulgado pela Associated Press (em 22 de Junho), e publicado em vários jornais e sites noticiosos (Washington Post, Forbes, ABCNews, Yahoo). As frases a bold são apenas aspectos do artigo que me parecem merecedores de destaque. Nos últimos dias, a situação dos baha'is no Egipto também mereceu a atenção do jornal francês La Croix( Bataille judiciaire autour de la reconnaissance des baha'ïs en Egypte).
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CAIRO - Oculto nos bolsos de Labib Iskandar está um pedaço de papel cuidadosamente dobrado com os cantos gastos que nos conta a história de uma comunidade que luta pelo reconhecimento. É um recibo que Iskandar recebeu quando solicitou o documento de identificação informatizado que o Egipto começou a emitir – há mais de cinco anos
Iskandar é um bahai, um membro de uma comunidade religiosa que considera um Persa do séc. XIX, Bahá'u'lláh, como um profeta – um desafio à crença muçulmana que Maomé foi o último profeta. Dado o papel central do Islão na vida do Egipto, o governo não emite um cartão de identidade para um baha'i, mas apenas para muçulmanos, cristãos ou judeus.
O assunto surgiu nas notícias em Abril, quando um tribunal decidiu que os membros da pouco conhecida comunidade baha'i do Egipto tinham o direito de ter a sua religião registada em documentos oficiais. Esse facto levantou um clamor e o Ministro do Interior apressou-se a preencher um recurso; no mês passado, um outro tribunal congelou o caso.
No entanto, a controvérsia mantém-se. Alguns clérigos muçulmanos declaram abertamente que a Fé Baha’i é uma heresia, e os defensores dos direitos civis queixam-se que esta abordagem com mão de ferro ameaça que surjam motins semelhantes aos que ocorreram em muçulmanos e a minoria cristã [copta] em Alexandria.
Apesar da disputa afectar apenas os baha'is do país - cerca de 2000 pessoas entre os 72 milhões de egípcios – proporciona um vislumbre de como uma sociedade outrora cosmopolita se afundou numa cultura onde o fanatismo esmaga as protecções teóricas de liberdade religiosa.
"Antigamente, tudo era mais simples; todos sabiam que eu era baha'i e não tinha qualquer problema com isso" diz Iskandar, um professor de engenharia de 59 anos. "Não havia preconceitos. O fanatismo só agora veio à superfície"
A família cujo processo levou à decisão do tribunal sobre a Fé Baha’i recusou falar aos jornalistas. Mas a experiência dos baha’is no Egipto pode ser vista através de Iskandar e da sua família.
A sua certidão de nascimento e o seu anterior documento oficial de identificação identificam-no como baha'i. Os seus filhos têm certidões de nascimento semelhantes. Mas quando o seu filho mais velho, Ragi, de 24 anos, pediu o cartão de identidade, os funcionários oficiais concordaram em colocar um traço - para indicar um espaço em branco - na secção da religião.
Mais tarde quando o seu filho Hady, de 19 anos, pediu um cartão de identidade, foi-lhe dito que se devia identificar como uma das três religiões oficialmente reconhecidas e nunca mais recebeu os seus documentos, conta Iskandar.
"Ficamos muito preocupados quando eles saem à noite e regressam tarde a casa, especialmente o filho mais novo, pois como ele não tem documentos de identificação, isso pode trazer-lhe problemas" conta Iskandar. "Porque eles são jovens, eles podem aborrecer-se e dizer «Vamos embora do Egipto!»" – uma opção que o velho Iskandar rejeita.
"Eu sou um egípcio. Nasci no Egipto ... e não vou deixar o Egipto" diz ele.
O velho Iskandar pôde requerer o novo documento de identificação, mas nunca o recebeu. Os requerimentos dos seus dois filhos para novos documentos de identificação nem sequer foram aceites. E no final do ano o Egipto não vai reconhecer os antigos documentos de identificação, agora substituídos pelos novos cartões informatizados.
Iskandar lembra-se de frequentar todas as actividades baha’is até que um deceto presidencial de 1960 dissolveu as assembleias baha’is. Em Outubro do ano passado, a sua irmã faleceu e a família não conseguiu obter uma certidão de nascimento por causa da sua fé.
“Eles não querem reconhecer a Fé Baha’i. Muito bem. Não há problema. Mas como cidadão egípcio é, ou não, meu direito obter uma certidão de nascimento e um documento de identificação?” pergunta ele. “Porque é que querem que eu mude de religião? Porque é que querem que eu seja hipócrita? Eu recuso mentir”.
Abdel Moeti Bayoumi, um intelectual muçulmano, afirma que o pedido dos baha’is de reconhecimento em documentos oficiais fortaleceria um sistema sectário que podia fracturar o país.
“Acredite no que quiser acreditar, você e os seus filhos, enquanto o fizer em casa e com portas fechadas”, afirmou ele. “Mas não subverta a ordem pública”.
Bayoumi é um membro do centro de investigação islâmico de Al-Azhar, uma proeminente instituição do saber muçulmano sunita. Tal como muitos intelectuais muçulmanos acredita que o Bahaismo [sic] é uma dissidência do Islão e não uma religião por direito próprio. Afirma que as crenças e práticas baha’is – incluindo considerar Bahá'u'lláh como um profeta – ofendem os muçulmanos.
Acrescentou que os baha’is tiveram sorte pelo facto do Ministro do Interior ter recorrido do veredicto de Abril, pois caso contrário os extremistas podiam tê-los atacado.
Uma declaração de Al-Azhar instava o Egipto a “manter-se firme contra este grupo que agride a religião de Deus”. Instava o governo a criminalizar a Fé Baha’i, e outra declaração do centro de investigação de Al-Azhar, jogando com os sentimentos anti-israelitas da região, argumentava que o Bahaismo[sic] “serve os interesses do Sionismo”
Os baha'is afirmam que os os seus lugares sagrados em Israel são usados para desacreditar a sua comunidade. Bahá'u'lláh faleceu em Akko, no que fazia parte do então Império Otomano – e faz parte de Israel. O centro mundial dos 5 milhões de baha’is está em Haifa, Israel, e eles têm outros lugares sagrados na Turquia e no Irão.
Hossam Bahgat, director do Egyptian Initiative for Personal Rights, que acompanhou o caso dos baha’is afirmou que a ignorância dos egípcios em matéria de fé alimentou uma “campanha de difamação”.
“É outra manifestação da abordagem limitada e de mão pesada com que o Ministro do Interior trata os assuntos religiosos. Existem fortes semelhanças entre estes eventos e os tumultos de Alexandria em termos de falta de tolerância” afirmou ele, referindo-se aos confrontos que opuseram muçulmanos e cristãos e causaram dois mortos e quarente feridos em Abril.
A socióloga política Hoda Zakareya afirma que o Egipto – que até 1950 era o lar de um número significativo de judeus, arménios, gregos e outros – tornou-se menos tolerante.
Acrescentou que a crescente influência de grupos islâmicos, tais como a Irmandade Muçulmana, que pretendem galvanizar as pessoas através da religião e não do nacionalismo, contribuíram para a mudança: “A Irmandade afirma que pretende reconstruir a fracturada consciência colectiva com base na religião. Mas as pessoas estão-se a dividir, e não a unir, em torno do Islão”.
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CAIRO - Oculto nos bolsos de Labib Iskandar está um pedaço de papel cuidadosamente dobrado com os cantos gastos que nos conta a história de uma comunidade que luta pelo reconhecimento. É um recibo que Iskandar recebeu quando solicitou o documento de identificação informatizado que o Egipto começou a emitir – há mais de cinco anos
Iskandar é um bahai, um membro de uma comunidade religiosa que considera um Persa do séc. XIX, Bahá'u'lláh, como um profeta – um desafio à crença muçulmana que Maomé foi o último profeta. Dado o papel central do Islão na vida do Egipto, o governo não emite um cartão de identidade para um baha'i, mas apenas para muçulmanos, cristãos ou judeus.
O actual documento de identificação de Labib Iskandar
vai perder a validade no final do ano.
O assunto surgiu nas notícias em Abril, quando um tribunal decidiu que os membros da pouco conhecida comunidade baha'i do Egipto tinham o direito de ter a sua religião registada em documentos oficiais. Esse facto levantou um clamor e o Ministro do Interior apressou-se a preencher um recurso; no mês passado, um outro tribunal congelou o caso.
No entanto, a controvérsia mantém-se. Alguns clérigos muçulmanos declaram abertamente que a Fé Baha’i é uma heresia, e os defensores dos direitos civis queixam-se que esta abordagem com mão de ferro ameaça que surjam motins semelhantes aos que ocorreram em muçulmanos e a minoria cristã [copta] em Alexandria.
Apesar da disputa afectar apenas os baha'is do país - cerca de 2000 pessoas entre os 72 milhões de egípcios – proporciona um vislumbre de como uma sociedade outrora cosmopolita se afundou numa cultura onde o fanatismo esmaga as protecções teóricas de liberdade religiosa.
"Antigamente, tudo era mais simples; todos sabiam que eu era baha'i e não tinha qualquer problema com isso" diz Iskandar, um professor de engenharia de 59 anos. "Não havia preconceitos. O fanatismo só agora veio à superfície"
A família cujo processo levou à decisão do tribunal sobre a Fé Baha’i recusou falar aos jornalistas. Mas a experiência dos baha’is no Egipto pode ser vista através de Iskandar e da sua família.
A sua certidão de nascimento e o seu anterior documento oficial de identificação identificam-no como baha'i. Os seus filhos têm certidões de nascimento semelhantes. Mas quando o seu filho mais velho, Ragi, de 24 anos, pediu o cartão de identidade, os funcionários oficiais concordaram em colocar um traço - para indicar um espaço em branco - na secção da religião.
Mais tarde quando o seu filho Hady, de 19 anos, pediu um cartão de identidade, foi-lhe dito que se devia identificar como uma das três religiões oficialmente reconhecidas e nunca mais recebeu os seus documentos, conta Iskandar.
"Ficamos muito preocupados quando eles saem à noite e regressam tarde a casa, especialmente o filho mais novo, pois como ele não tem documentos de identificação, isso pode trazer-lhe problemas" conta Iskandar. "Porque eles são jovens, eles podem aborrecer-se e dizer «Vamos embora do Egipto!»" – uma opção que o velho Iskandar rejeita.
"Eu sou um egípcio. Nasci no Egipto ... e não vou deixar o Egipto" diz ele.O velho Iskandar pôde requerer o novo documento de identificação, mas nunca o recebeu. Os requerimentos dos seus dois filhos para novos documentos de identificação nem sequer foram aceites. E no final do ano o Egipto não vai reconhecer os antigos documentos de identificação, agora substituídos pelos novos cartões informatizados.
Iskandar lembra-se de frequentar todas as actividades baha’is até que um deceto presidencial de 1960 dissolveu as assembleias baha’is. Em Outubro do ano passado, a sua irmã faleceu e a família não conseguiu obter uma certidão de nascimento por causa da sua fé.
“Eles não querem reconhecer a Fé Baha’i. Muito bem. Não há problema. Mas como cidadão egípcio é, ou não, meu direito obter uma certidão de nascimento e um documento de identificação?” pergunta ele. “Porque é que querem que eu mude de religião? Porque é que querem que eu seja hipócrita? Eu recuso mentir”.
Abdel Moeti Bayoumi, um intelectual muçulmano, afirma que o pedido dos baha’is de reconhecimento em documentos oficiais fortaleceria um sistema sectário que podia fracturar o país.
“Acredite no que quiser acreditar, você e os seus filhos, enquanto o fizer em casa e com portas fechadas”, afirmou ele. “Mas não subverta a ordem pública”.
Bayoumi é um membro do centro de investigação islâmico de Al-Azhar, uma proeminente instituição do saber muçulmano sunita. Tal como muitos intelectuais muçulmanos acredita que o Bahaismo [sic] é uma dissidência do Islão e não uma religião por direito próprio. Afirma que as crenças e práticas baha’is – incluindo considerar Bahá'u'lláh como um profeta – ofendem os muçulmanos.
Acrescentou que os baha’is tiveram sorte pelo facto do Ministro do Interior ter recorrido do veredicto de Abril, pois caso contrário os extremistas podiam tê-los atacado.
Uma declaração de Al-Azhar instava o Egipto a “manter-se firme contra este grupo que agride a religião de Deus”. Instava o governo a criminalizar a Fé Baha’i, e outra declaração do centro de investigação de Al-Azhar, jogando com os sentimentos anti-israelitas da região, argumentava que o Bahaismo[sic] “serve os interesses do Sionismo”
Os baha'is afirmam que os os seus lugares sagrados em Israel são usados para desacreditar a sua comunidade. Bahá'u'lláh faleceu em Akko, no que fazia parte do então Império Otomano – e faz parte de Israel. O centro mundial dos 5 milhões de baha’is está em Haifa, Israel, e eles têm outros lugares sagrados na Turquia e no Irão.
Hossam Bahgat, director do Egyptian Initiative for Personal Rights, que acompanhou o caso dos baha’is afirmou que a ignorância dos egípcios em matéria de fé alimentou uma “campanha de difamação”.
“É outra manifestação da abordagem limitada e de mão pesada com que o Ministro do Interior trata os assuntos religiosos. Existem fortes semelhanças entre estes eventos e os tumultos de Alexandria em termos de falta de tolerância” afirmou ele, referindo-se aos confrontos que opuseram muçulmanos e cristãos e causaram dois mortos e quarente feridos em Abril.
A socióloga política Hoda Zakareya afirma que o Egipto – que até 1950 era o lar de um número significativo de judeus, arménios, gregos e outros – tornou-se menos tolerante.
Acrescentou que a crescente influência de grupos islâmicos, tais como a Irmandade Muçulmana, que pretendem galvanizar as pessoas através da religião e não do nacionalismo, contribuíram para a mudança: “A Irmandade afirma que pretende reconstruir a fracturada consciência colectiva com base na religião. Mas as pessoas estão-se a dividir, e não a unir, em torno do Islão”.
sexta-feira, 23 de junho de 2006
Kitáb-i-Íqán (21)
MOISÉS (1ª Parte)
No âmbito do estudo do Kitáb-i-Íqán, apresento hoje o primeiro de dois posts sobre a figura de Moisés nas Escrituras Bahá’ís. Apesar dos mais significativos Textos Sagrados da religião baha’i já se encontrarem traduzidos para inglês, tenho de reconhecer que este que este breve estudo ficou limitado a essas mesmas traduções, pois não conheço a língua árabe nem a língua persa. Não obstante essa limitação, espero que seja suficientemente elucidativo sobre a perspectiva bahá'í relativamente a Moisés.
Entre parêntesis rectos indica-se o nº do parágrafo citado. Sobre a numeração dos parágrafos do Kitáb-í-Iqan, ver Notes on paragraph numbering of the Kitab-i-Iqan.
----------------------------
As primeiras conversões à religião bahá'í ocorreram entre muçulmanos desde 1844; na década de 1890, a Fé Bahá’í “chegou” ao Ocidente e a partir desse momento deram-se as primeiras conversões entre cristãos ocidentais(a). Não admira, pois, que nas Escrituras Bahá’is, se encontrem vários livros e epístolas reveladas como resposta a esses primeiros crentes, onde – fruto da necessidade de enquadrar as respostas em função dos valores e das convicções originais desses crentes – existem muitas referências a Cristo e a Maomé.
Desta forma, compreende-se que Cristo e Maomé sejam os fundadores das Religiões Mundiais mais referidos nas Escrituras Bahá’ís. Mas sendo a divindade de Moisés prontamente reconhecida quer por Cristãos, que por Muçulmanos, é com alguma naturalidade que, nesses livros e epístolas, encontramos uma significativa quantidade de referências ao fundador do Judaísmo.
Além do Kitáb-i-Íqán, onde o nome do fundador do Judaísmo é mencionado em trinta e uma ocasiões, existem ainda outros dois livros das Escrituras Bahá’ís onde o Seu nome é referido com frequência: Epístola ao Filho do Lobo (b) e Respostas a Algumas Perguntas (c).
Nas Escrituras reveladas por Bahá'u'lláh as referências a anteriores Manifestantes de Deus é acompanhada por título ou designações elogiosas. Mantendo este estilo, no Kitáb-i-Íqán, Moisés é descrito como uma "Árvore Sagrada"[12], "Cedro Divino"(d), "Guia Divino"[58], "Aquele que conversava com Deus"[68] e "filho de 'Imrán, um dos Profetas excelsos e Autor de um Livro divinamente revelado."[57]
Os Simbolismos
Comparativamente aos textos do Antigo Testamento, com a qual a maioria dos leitores ocidentais se encontra mais familiarizado, uma das primeiras diferenças que se nota nas palavras de Bahá'u'lláh é a ênfase no simbolismo de algumas descrições. Apesar de nunca negar a historicidade dos relatos contidos nos Textos Sagrados, o fundador da religião baha’i prefere levar o leitor perceber que a verdadeira riqueza do Texto se encontra nos múltiplos significados simbólicos ali contidos (e). A título de exemplo veja-se a seguinte referência a Moisés:
Algumas mais conhecidas do Êxodo dos Hebreus, como as pragas do Egipto ou a travessia do Mar Vermelho, encontram-se ausentes do Kitáb-i-Íqán; em contrapartida, Bahá'u'lláh enfatiza o confronto entre Moisés e o Faraó[12, 57, 92] como um choque entre os que acreditavam na mensagem Divina e os que lhe faziam oposição e a perseguiam. Mais do que um confronto entre hebreus e egípcios, Bahá'u'lláh descreve-o como um choque entre os crentes e os descrentes:
A Mensagem de Moisés
Os ensinamentos de Moisés, tal como os ensinamentos de outros Manifestantes de Deus, têm por objectivo proceder ao renascimento espiritual dos povos. Ao contrário do que afirmam as tradicionais interpretações do Antigo Testamento, Bahá'u'lláh sustenta que a Mensagem de Moisés não se destinava apenas ao povo hebreu; nas palavras do fundador da religião bahá’í, Moisés "...chamou todos os povos e raças da terra para o reino da eternidade; convidou-os a participar dos frutos da árvore da fidelidade"[12].
Bahá'u'lláh reforça esta universalidade da Mensagem de Moisés, ao citar o Alcorão descrevendo o caso de um familiar do Faraó que acreditou na Mensagem de Moisés: "E disse um homem da família do Faraó, que era crente mas ocultava a sua fé – Quereis matar um homem por dizer que o meu Senhor é Deus, quando já veio com sinais do vosso Senhor? Se for um mentiroso, sobre ele cairá a sua mentira, mas se for homem da verdade, uma parte daquilo que ele ameaça haverá de cair sobre vós. Em verdade, Deus não guia quem é transgressor ou mentiroso."(40:28) [12]
‘Abdu’l-Bahá, filho de Bahá'u'lláh, refere que a influência da Mensagem de Moisés perdurou vários séculos e a sua influência estendeu-se aos povos vizinhos. "Tão grande foi o desenvolvimento atingido por esse povo, que os sábios da Grécia chegaram a considerar os homens ilustres de Israel como modelos de perfeição. Sócrates, por exemplo, visitou a Síria, e recebeu dos filhos de Israel os ensinamentos relativos à unidade de Deus e à imortalidade da alma e, após seu regresso, disseminou-os por toda a Grécia."(i)
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REFERÊNCIAS
(a) – Sobre as conversões de outras minorias religiosas iranianas (judeus, cristãos e zoroastrianos) à Fé Bahá'í ver The Conversion of Religious Minorities to the Bahá'í Faith in Iran de Susan Maneck.
(b) – Este livro foi revelado por Bahá'u'lláh em 1891, um ano antes de falecer. Nele, o fundador da religião baha’i recorda vários episódios da Sua vida, acontecimentos relacionados com os primeiros crentes e revela novamente textos revelados anteriormente. Neste livro o nome de Moisés é mencionado vinte e uma vezes.
(c) – Este livro contém o registo de várias conversas entre 'Abdu'l-Bahá e uma das primeiras crentes ocidentais (Laura Clifford Barney), durante a visita desta em 1907, a ‘Akká. Ao contrário do Kitáb-i-Íqán, onde Bahá'u'lláh aborda diversos temas islâmicos e cita frequentemente o Alcorão (não nos podemos esquecer que o destinatário deste livro era muçulmano), durante estas conversas, 'Abdu'l-Bahá abordou muitos temas cristãos e citou frequentemente a Bíblia. Neste livro, o nome de Moisés é mencionado trinta e duas vezes.
(d) – Epistle to the Son of the Wolf, pag. 65. Sobre a representação dos Manifestantes de Deus como Árvores, ver o post A Árvore da Vida.
(e) – No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh apresenta um modelo de interpretação das Escrituras Sagradas que assenta na ênfase do simbolismo. Segundo este modelo, é particularmente importante procurar os significados simbólicos do Texto Sagrado sempre que o seu sentido literal possa ir contra o senso comum e a ciência. Sobre o propósito do simbolismo nas Escrituras, ver o post Para que serve o Simbolismo nas Escrituras?
(f) – Exodo 4:2-3, 7:9-12
(g) – Exodo 3:2-4
(h) – Um mago contemporâneo de Moisés.
(i) – Respostas a Algumas Perguntas, cap. 5
No âmbito do estudo do Kitáb-i-Íqán, apresento hoje o primeiro de dois posts sobre a figura de Moisés nas Escrituras Bahá’ís. Apesar dos mais significativos Textos Sagrados da religião baha’i já se encontrarem traduzidos para inglês, tenho de reconhecer que este que este breve estudo ficou limitado a essas mesmas traduções, pois não conheço a língua árabe nem a língua persa. Não obstante essa limitação, espero que seja suficientemente elucidativo sobre a perspectiva bahá'í relativamente a Moisés.
Entre parêntesis rectos indica-se o nº do parágrafo citado. Sobre a numeração dos parágrafos do Kitáb-í-Iqan, ver Notes on paragraph numbering of the Kitab-i-Iqan.
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As primeiras conversões à religião bahá'í ocorreram entre muçulmanos desde 1844; na década de 1890, a Fé Bahá’í “chegou” ao Ocidente e a partir desse momento deram-se as primeiras conversões entre cristãos ocidentais(a). Não admira, pois, que nas Escrituras Bahá’is, se encontrem vários livros e epístolas reveladas como resposta a esses primeiros crentes, onde – fruto da necessidade de enquadrar as respostas em função dos valores e das convicções originais desses crentes – existem muitas referências a Cristo e a Maomé.
Desta forma, compreende-se que Cristo e Maomé sejam os fundadores das Religiões Mundiais mais referidos nas Escrituras Bahá’ís. Mas sendo a divindade de Moisés prontamente reconhecida quer por Cristãos, que por Muçulmanos, é com alguma naturalidade que, nesses livros e epístolas, encontramos uma significativa quantidade de referências ao fundador do Judaísmo.
Além do Kitáb-i-Íqán, onde o nome do fundador do Judaísmo é mencionado em trinta e uma ocasiões, existem ainda outros dois livros das Escrituras Bahá’ís onde o Seu nome é referido com frequência: Epístola ao Filho do Lobo (b) e Respostas a Algumas Perguntas (c).
Nas Escrituras reveladas por Bahá'u'lláh as referências a anteriores Manifestantes de Deus é acompanhada por título ou designações elogiosas. Mantendo este estilo, no Kitáb-i-Íqán, Moisés é descrito como uma "Árvore Sagrada"[12], "Cedro Divino"(d), "Guia Divino"[58], "Aquele que conversava com Deus"[68] e "filho de 'Imrán, um dos Profetas excelsos e Autor de um Livro divinamente revelado."[57]
Os Simbolismos
Comparativamente aos textos do Antigo Testamento, com a qual a maioria dos leitores ocidentais se encontra mais familiarizado, uma das primeiras diferenças que se nota nas palavras de Bahá'u'lláh é a ênfase no simbolismo de algumas descrições. Apesar de nunca negar a historicidade dos relatos contidos nos Textos Sagrados, o fundador da religião baha’i prefere levar o leitor perceber que a verdadeira riqueza do Texto se encontra nos múltiplos significados simbólicos ali contidos (e). A título de exemplo veja-se a seguinte referência a Moisés:
Armado com a vara do domínio celestial e adornado com a nívea mão do conhecimento divino, procedendo do Paran do amor de Deus e manejando a serpente do poder e da majestade eterna, Ele brilhou do Sinai da luz sobre o mundo.[12]Nesta frase, a vara e a serpente(f) em que este se transforma são apresentados como símbolos do poder divino de Moisés. A luz que brilhou da sarça ardente(g) e o próprio Moisés são usados para representar o conhecimento divino transmitido pela revelação de Moisés; o Faraó representa o expoente máximo da oposição à Mensagem Divina, da injustiça e da descrença.
O Monte Sinai, numa ilustração de David Roberts, 1839
Algumas mais conhecidas do Êxodo dos Hebreus, como as pragas do Egipto ou a travessia do Mar Vermelho, encontram-se ausentes do Kitáb-i-Íqán; em contrapartida, Bahá'u'lláh enfatiza o confronto entre Moisés e o Faraó[12, 57, 92] como um choque entre os que acreditavam na mensagem Divina e os que lhe faziam oposição e a perseguiam. Mais do que um confronto entre hebreus e egípcios, Bahá'u'lláh descreve-o como um choque entre os crentes e os descrentes:
O tirano copta jamais participará do cálice tocado pelos lábios do clã da justiça, e o Faraó da descrença não poderá esperar reconhecer jamais a mão do Moisés da verdade.[16]
Rejeitando o Moisés do conhecimento e da justiça, aderiram ao Samiri (h) da ignorância.[210]
A Mensagem de Moisés
Os ensinamentos de Moisés, tal como os ensinamentos de outros Manifestantes de Deus, têm por objectivo proceder ao renascimento espiritual dos povos. Ao contrário do que afirmam as tradicionais interpretações do Antigo Testamento, Bahá'u'lláh sustenta que a Mensagem de Moisés não se destinava apenas ao povo hebreu; nas palavras do fundador da religião bahá’í, Moisés "...chamou todos os povos e raças da terra para o reino da eternidade; convidou-os a participar dos frutos da árvore da fidelidade"[12].
Bahá'u'lláh reforça esta universalidade da Mensagem de Moisés, ao citar o Alcorão descrevendo o caso de um familiar do Faraó que acreditou na Mensagem de Moisés: "E disse um homem da família do Faraó, que era crente mas ocultava a sua fé – Quereis matar um homem por dizer que o meu Senhor é Deus, quando já veio com sinais do vosso Senhor? Se for um mentiroso, sobre ele cairá a sua mentira, mas se for homem da verdade, uma parte daquilo que ele ameaça haverá de cair sobre vós. Em verdade, Deus não guia quem é transgressor ou mentiroso."(40:28) [12]
‘Abdu’l-Bahá, filho de Bahá'u'lláh, refere que a influência da Mensagem de Moisés perdurou vários séculos e a sua influência estendeu-se aos povos vizinhos. "Tão grande foi o desenvolvimento atingido por esse povo, que os sábios da Grécia chegaram a considerar os homens ilustres de Israel como modelos de perfeição. Sócrates, por exemplo, visitou a Síria, e recebeu dos filhos de Israel os ensinamentos relativos à unidade de Deus e à imortalidade da alma e, após seu regresso, disseminou-os por toda a Grécia."(i)
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REFERÊNCIAS
(a) – Sobre as conversões de outras minorias religiosas iranianas (judeus, cristãos e zoroastrianos) à Fé Bahá'í ver The Conversion of Religious Minorities to the Bahá'í Faith in Iran de Susan Maneck.
(b) – Este livro foi revelado por Bahá'u'lláh em 1891, um ano antes de falecer. Nele, o fundador da religião baha’i recorda vários episódios da Sua vida, acontecimentos relacionados com os primeiros crentes e revela novamente textos revelados anteriormente. Neste livro o nome de Moisés é mencionado vinte e uma vezes.
(c) – Este livro contém o registo de várias conversas entre 'Abdu'l-Bahá e uma das primeiras crentes ocidentais (Laura Clifford Barney), durante a visita desta em 1907, a ‘Akká. Ao contrário do Kitáb-i-Íqán, onde Bahá'u'lláh aborda diversos temas islâmicos e cita frequentemente o Alcorão (não nos podemos esquecer que o destinatário deste livro era muçulmano), durante estas conversas, 'Abdu'l-Bahá abordou muitos temas cristãos e citou frequentemente a Bíblia. Neste livro, o nome de Moisés é mencionado trinta e duas vezes.
(d) – Epistle to the Son of the Wolf, pag. 65. Sobre a representação dos Manifestantes de Deus como Árvores, ver o post A Árvore da Vida.
(e) – No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh apresenta um modelo de interpretação das Escrituras Sagradas que assenta na ênfase do simbolismo. Segundo este modelo, é particularmente importante procurar os significados simbólicos do Texto Sagrado sempre que o seu sentido literal possa ir contra o senso comum e a ciência. Sobre o propósito do simbolismo nas Escrituras, ver o post Para que serve o Simbolismo nas Escrituras?
(f) – Exodo 4:2-3, 7:9-12
(g) – Exodo 3:2-4
(h) – Um mago contemporâneo de Moisés.
(i) – Respostas a Algumas Perguntas, cap. 5
quinta-feira, 22 de junho de 2006
Polícia do Pensamento
Dois comentários recentes colocados neste blog quase passaram despercebidos por terem sido feitos em posts afixados há já algum tempo. Refiro-me aos comentários assinados por A.Mobarak (no post To Zeinobia, in Egypt) e por um anónimo, presumivelmente baha’i (no post 54 Bahá'ís presos no Irão).
Apesar de terem sido escritos por pessoas diferentes, com convicções diferentes, os autores têm uma convicção comum: confundem o seu entendimento da verdade com a própria verdade. E com isso se consideram superiores nas observações que fazem.
O comentário de A.Mobarak é igual a muitos outros que se encontram em fóruns e sites anti-baha’is: afirma que a Fé Bahá’í não é uma religião e sugere um site muçulmano onde se tenta provar que a religião bahá'í é falsa. Para mim, a novidade foi o facto desse comentário vir parar aqui.
Já o bahá'í anónimo insinua-se como uma espécie de polícia do pensamento, como se ele soubesse o que os baha’is devem pensar, dizer ou escrever. Também sugere que o que se escreve, e comenta, neste blog (e noutros blogs de baha’is) não estaria de acordo com o que ele lá entende ser a doutrina baha'i, e que seriam apenas "meias-verdades". E quase ameaça com queixinhas às instituições baha'is.
Para quem tem dos bahá’ís uma imagem de tolerância, o comentário do bahá'í anónimo é muito estranho. Mas eu já tinha referido aqui que conhecia dois ou três casos de bahá'ís fundamentalistas.
A resposta a estes dois auto-intitulados "donos da verdade" aqui fica, com uma citação de Agostinho da Silva:
Apesar de terem sido escritos por pessoas diferentes, com convicções diferentes, os autores têm uma convicção comum: confundem o seu entendimento da verdade com a própria verdade. E com isso se consideram superiores nas observações que fazem.
O comentário de A.Mobarak é igual a muitos outros que se encontram em fóruns e sites anti-baha’is: afirma que a Fé Bahá’í não é uma religião e sugere um site muçulmano onde se tenta provar que a religião bahá'í é falsa. Para mim, a novidade foi o facto desse comentário vir parar aqui.
Já o bahá'í anónimo insinua-se como uma espécie de polícia do pensamento, como se ele soubesse o que os baha’is devem pensar, dizer ou escrever. Também sugere que o que se escreve, e comenta, neste blog (e noutros blogs de baha’is) não estaria de acordo com o que ele lá entende ser a doutrina baha'i, e que seriam apenas "meias-verdades". E quase ameaça com queixinhas às instituições baha'is.Para quem tem dos bahá’ís uma imagem de tolerância, o comentário do bahá'í anónimo é muito estranho. Mas eu já tinha referido aqui que conhecia dois ou três casos de bahá'ís fundamentalistas.
A resposta a estes dois auto-intitulados "donos da verdade" aqui fica, com uma citação de Agostinho da Silva:
Podemos dizer quando pensamos filosoficamente – e nem é preciso, para isso ser crente de uma determinada religião, a qual tem vantagem porque exerce a sua atenção sobre um ser superior último, seja ele o conceito, por exemplo, cristão ou muçulmano de Deus, seja outro conceito, é evidente que só esse último é que possui a autêntica verdade das coisas – que nós apenas temos de utilizar aquilo que consideramos verdadeiro e o grande perigo é que somos levados a confundir o nosso verdadeiro com a verdade. Então o homem que exerce o poder é o que acha que tem a verdade, que conhece a verdade, que dizer, comete o pecado de se considerar igual a Deus e de achar que pode dar determinações aos outros.
Agostinho da Silva, Vida Conversável, pag. 66
quarta-feira, 21 de junho de 2006
A voz de uma Maioria Silenciosa
Ontem, um dia após o adiamento da decisão do Supremo Tribunal Administrativo sobre os direitos civis dos baha'is no Egipto, o jornal "al-Kahera News" (um semanário muito respeitado, propriedade do Ministério da Cultura) publicou um artigo sobre a religião baha'i e a campanha de difamação que tem sido alvo naquele país.
O autor, Muhammad Shebl, apela ao fim da campanha de ódio conduzida pelos fundamentalistas islâmicos, e lembra aos seus leitores que os ensinamentos do Islão defendem a unidade da humanidade, tal como os Baha’is o têm feito. Além disso, justifica as suas afirmações com várias citações do Alcorão, claramente equilibradas e tolerantes.
Shebl adverte os seus leitores para o seguinte facto: "de acordo com a Lei Islâmica, não se podem forçar os baha’is a converterem-se ao Islão". E acrescenta: "Deus criou o homem e quis que ele fosse livre; por isso deu-lhe uma mente para perceber as coisas por si próprio; e Deus adiou o acerto de contas com o homem para a vida eterna. Se alguém neste mundo odeia os seus semelhantes devido às suas crenças, isso provocará a ira de Deus, pois desse modo cometem um grande pecado e ofendem-No. Se Deus desejasse obrigar todos os seres humanos a adorá-Lo, de algum forma já o teria feito; mas Ele preferiu dar-lhes livre arbítrio de modo a poder responsabilizá-los."
O Sr. Shebl também afirma que "se os baha'is fossem apóstatas [como têm sido acusados pelos Islamitas], então a sua punição só deve acontecer no Dia do Julgamento".
O autor salienta repetidamente a importância da liberdade de escola de cada ser humano, e o facto de não competir a ninguém - excepto Deus - fazer um juízo sobre as crenças dos outros. Também acrescenta que os Muçulmanos não podem limitar o seu reconhecimento ao Islão, Cristianismo e Judaísmo, mas devem reconhecer e tolerar todas as outras religiões, incluindo Baha'is, Budistas, Hindus, etc...
Segundo o autor do blog Baha'i Faith in Egypt, apesar da campanha de descrédito lançada por fundamentalistas islâmicos, este e outros artigos recentes nos principais jornais egípcios ilustram uma onda de tolerância e aceitação por parte daqueles que são capazes de moldar a opinião pública naquele país. Aparentemente representam a voz de uma maioria silenciosa que tem esperança num futuro brilhante e tranquilo.
Fonte: Egypt's Baha'is: Rise of Support in Official Press
O autor, Muhammad Shebl, apela ao fim da campanha de ódio conduzida pelos fundamentalistas islâmicos, e lembra aos seus leitores que os ensinamentos do Islão defendem a unidade da humanidade, tal como os Baha’is o têm feito. Além disso, justifica as suas afirmações com várias citações do Alcorão, claramente equilibradas e tolerantes.Shebl adverte os seus leitores para o seguinte facto: "de acordo com a Lei Islâmica, não se podem forçar os baha’is a converterem-se ao Islão". E acrescenta: "Deus criou o homem e quis que ele fosse livre; por isso deu-lhe uma mente para perceber as coisas por si próprio; e Deus adiou o acerto de contas com o homem para a vida eterna. Se alguém neste mundo odeia os seus semelhantes devido às suas crenças, isso provocará a ira de Deus, pois desse modo cometem um grande pecado e ofendem-No. Se Deus desejasse obrigar todos os seres humanos a adorá-Lo, de algum forma já o teria feito; mas Ele preferiu dar-lhes livre arbítrio de modo a poder responsabilizá-los."
O Sr. Shebl também afirma que "se os baha'is fossem apóstatas [como têm sido acusados pelos Islamitas], então a sua punição só deve acontecer no Dia do Julgamento".
O autor salienta repetidamente a importância da liberdade de escola de cada ser humano, e o facto de não competir a ninguém - excepto Deus - fazer um juízo sobre as crenças dos outros. Também acrescenta que os Muçulmanos não podem limitar o seu reconhecimento ao Islão, Cristianismo e Judaísmo, mas devem reconhecer e tolerar todas as outras religiões, incluindo Baha'is, Budistas, Hindus, etc...
Segundo o autor do blog Baha'i Faith in Egypt, apesar da campanha de descrédito lançada por fundamentalistas islâmicos, este e outros artigos recentes nos principais jornais egípcios ilustram uma onda de tolerância e aceitação por parte daqueles que são capazes de moldar a opinião pública naquele país. Aparentemente representam a voz de uma maioria silenciosa que tem esperança num futuro brilhante e tranquilo.
Fonte: Egypt's Baha'is: Rise of Support in Official Press
terça-feira, 20 de junho de 2006
Outro Campeonato, outras estatísticas...
Nema Milani, um blogger iraniano, lamenta a fraca exibição da selecção iraniana no Mundial 2006; mas acima de tudo lamenta que sempre que apenas quando se fala do Irão, surjam acusações violações dos direitos humanos naquele país. Porque não se fala de direitos humanos quando se refere a Costa do Marfim, a Arábia Saudita ou o Togo?
A este propósito, a Amnistia Internacional recorda que durante o Campeonato do Mundo as atenções estarão focadas nas estatísticas dos jogos: remates, posse de bola, faltas cometidas, cartões amarelos e vermelhos...
Entretanto há outro tipo de estatísticas que vai ficando esquecida. Todos os meses há mulheres espancadas, violadas, traficadas e exploradas sexualmente. A violência contra as mulheres é praticada na cidades, no campo, em casa, ou na rua… Mas o árbitro não vê… Não há cartões vermelhos… Nem há público a gritar "Penalty!"
A este propósito no site da Amnistia Internacional, está um resumo (com algumas estatísticas) de situações de violência sobre mulheres em cada um dos países participantes no Campeonato do Mundo. Merece ser visto.
A este propósito, a Amnistia Internacional recorda que durante o Campeonato do Mundo as atenções estarão focadas nas estatísticas dos jogos: remates, posse de bola, faltas cometidas, cartões amarelos e vermelhos...
Entretanto há outro tipo de estatísticas que vai ficando esquecida. Todos os meses há mulheres espancadas, violadas, traficadas e exploradas sexualmente. A violência contra as mulheres é praticada na cidades, no campo, em casa, ou na rua… Mas o árbitro não vê… Não há cartões vermelhos… Nem há público a gritar "Penalty!"
A este propósito no site da Amnistia Internacional, está um resumo (com algumas estatísticas) de situações de violência sobre mulheres em cada um dos países participantes no Campeonato do Mundo. Merece ser visto.
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