quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Religião Organizada

Um texto de Dale E. Lehman, Planet Baha'i(artigo em inglês: Being Organized)
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Muitas pessoas que acreditam em Deus afirmam que não gostam da religião organizada. Este é um sentimento compreensível. Quando olhamos para a história da religião, é difícil evitar o sentimento de que algo está muito mal. Parece que toda a religião organizada desempenhou um papel sinistro desde a corrupção e injustiça até à guerra e ao genocídio. Pode ser difícil, perante este cenário, perceber que também fez muito bem. Eu próprio também já rejeitei a religião organizada, considerando-a desnecessária e inútil.

Como bahá'í, porém, adquiri uma nova perspectiva. Vejo agora a religião organizada como uma ferramenta que existe com um determinado propósito. Tal como qualquer outra ferramenta, a religião pode ser usada de forma incorrecta; mas quando usada correctamente, proporciona-nos muitos benefícios. O propósito da religião foi definido por Bahá'u'lláh nestas palavras:
Diz o Grande Ser: Ó vós, filhos dos homens! O propósito fundamental que anima a Fé de Deus e a Sua Religião consiste em salvaguardar os interesses e promover a unidade do género humano, e nutrir entre os homens o espírito de amor e amizade. Não permitimos que se torne fonte de dissensão e discórdia, de ódio e inimizade.

(Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh)
Desde o seu início, toda a religião tem estes objectivos. No entanto, esta pequena frase indica que temos uma possibilidade de escolha: podemos usar a religião para atingir os objectivos propostos, ou podemos usá-la para atingir o oposto. Através da religião podemos aproximar-nos do Criador e da nossa família humana; mas também podemos fomentar divisões, conquistar poder pessoal, e até promover a guerra. A religião é uma força poderosa. Pode fazer um enorme bem, mas também se por tornar um grande mal.

As pessoas formam organizações para conseguir capitalizar o poder da unidade. Há muito que sabemos que "duas cabeças pensam melhor que uma", que "unidos sobrevivemos, divididos caímos". Uma grande empresa, captando o poder de muitas pessoas trabalhando para um objectivo comum, pode oferecer mais produtos e serviços, e consequentemente fazer mais dinheiro do que qualquer indivíduo isolado. A Constituição dos Estados Unidos começa com palavras que afirmam a importância da organização e unidade para a segurança e prosperidade dos seus povos. Uma comunidade religiosa também beneficia da organização e da unidade. Uma religião organizada pode proporcionar melhores recursos para a educação espiritual dos seus membros, pode oferecer mais e melhores serviços humanitários, e pode ter mais influência na sociedade.

Usemos, por um momento, a palavra "religião" num sentido muito restrito. Vamos usá-la para significar a correcta expressão dos ensinamentos divinos. Quando seguimos as leis e princípios de Deus, estamos a ser correctamente religiosos. Quando caímos no fanatismo, tentamos impor as nossas crenças aos outros, ou usamos a autoridade religiosa para nos servirmos a nós próprios, não estamos a ser religiosos. Tendo em mente estas distinções, consideremos o que Bahá'u'lláh escreveu:
A religião é, em verdade, o principal instrumento para o estabelecimento da ordem no mundo e da tranquilidade entre os seus povos. O enfraquecimento dos pilares da religião tem fortalecido os insensatos, tornando-os mais audazes e mais arrogantes. Em verdade digo: quanto maior o declínio da religião, mais penosa se torna a desobediência dos ímpios. Isso não pode levar, afinal, senão ao caos e confusão. Ouvi-me, ó homens de percepção, e precavei-vos, vós que estais dotados de discernimento!

(Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh)
A raiz do problema da religião organizada não está na organização em si, mas no coração humano. Um organização religiosa composta por pessoas cujos corações foram tocados pelo Espírito Santo, e que tentam sinceramente viver de acordo com os padrões divinos, será como uma luz para o mundo. Os seus membros procurarão aprofundar o seu conhecimento e fé, e esforçar-se-ão por ajudar o mundo. O poder da sua unidade permitir-lhe-á, enquanto organização, fazer exponencialmente mais bem no mundo do que qualquer um deles sozinho poderia fazer sozinho.

Todas as religiões organizadas têm em si este potencial. Se lhes falta alguma coisa, é apenas um meio para impedir a corrupção. Bahá'u'lláh, porém, estabeleceu uma ordem administrativa e criou uma Aliança com os Seus seguidores para a proteger contra a corrupção e o cisma. Isto não se deve ao factos dos Bahá'ís serem mais merecedores que os outros, mas porque Deus, nesta era, decretou que a unidade mundial seria estabelecida. Na verdade, Ele tomou o assunto nas Suas mãos, e não o entregou a outros.

Esta é a fonte da nossa confiança na religião organizada. Sabemos que cometeremos erros. Sabemos que algumas pessoas tentarão moldar a nossa religião de acordo com os seus propósitos. Mas também sabemos que os nossos erros acabarão por nos melhorar a nós próprios, e que os que se opõem à Aliança de Bahá'u'lláh serão incapazes de o derrotar. Com esta confiança, podemos centrar todas as nossas energias na promessa de Bahá'u'lláh para o futuro:
"Tão poderosa é a luz da unidade que pode iluminar a terra inteira."
(Bahá'u'lláh, SEB, CXXXII)

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

A ler

In focus: Haifa (BBC)
Les Baha'i à l'A.N. (Madagascar Tribune)
Text of secret Iran letter ordering "monitoring" of Baha'is made public (BWNS)

...e ainda:

The Fourth Faith? (Egypt Today)

Apetite

Está com nove meses e, como se vê nas fotos, alimenta-se bem. Durante este verão descobriu como é bom mordiscar e sugar fruta. Melancia e uvas são as suas preferências. Felizmente, apetite é coisa que não lhe falta!



terça-feira, 5 de setembro de 2006

Sobre o nome deste blog

"Povo de Bahá" é uma expressão frequentemente utilizada nas Escrituras da religião Bahá'í para designar os crentes em Bahá'u'lláh, i.e., os Bahá’ís. Seguidamente apresentam-se alguns excertos das escrituras Baha’is, onde surge esta expressão.

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Esforçai-vos, ó povo de Bahá, para que o tumulto da dissensão e luta religiosa que agita os povos da terra possa ser aquietado e todos os seus vestígios completamente eliminados.

(Bahá'u'lláh, Epístola ao Filho do Lobo)


Na opinião do povo de Bahá, a glória do homem está no seu conhecimento, na sua conduta íntegra, no seu carácter louvável e na sua sabedoria, e não em sua nacionalidade ou posição.

(Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh, Palavras do Paraíso)


Acautelai-vos, ó povo de Bahá, para não andar nos caminhos daqueles cujas palavras diferem das acções. Esforçai-vos para que possais manifestar aos povos da terra os sinais de Deus e reflectir os Seus mandamentos. Que os vossos actos sirvam de guia para toda a humanidade, pois o que é professado pela maioria dos homens, sejam de alta ou baixa condição, difere da sua conduta. É pelas vossas acções que vos podeis distinguir dos outros. Através delas o brilho da vossa luz pode irradiar-se sobre toda a terra.

(Bahá'u'lláh, Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, CXXXIX)


Bem-aventurados são os governantes e os eruditos entre o povo de Bahá. São os Meus mandatários entre os Meus servos e as manifestações dos Meus mandamentos entre o Meu povo. Sobre eles repousem a Minha glória, as Minhas bênçãos e a Minha graça, as quais abrangeram o mundo existente.

(Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh, Livro da Aliança)


Ó povo de Bahá! Incumbe a cada um de vós ocupar-se com algum trabalho, seja um ofício, um comércio ou algo semelhante. Enaltecemos o vosso empenho nesse trabalho ao grau de adoração ao Deus Uno e Verdadeiro.

(Bahá'u'lláh, Kitáb-i-Aqdas, parag. 33)


Associai-vos com todos os homens, ó povo de Bahá, num espírito de amizade e camaradagem. Se estiverdes cientes de uma certa verdade, se possuirdes uma jóia da qual outros são privados, partilhai-a com eles numa linguagem da maior generosidade e boa-vontade. Se for aceite, se o seu propósito for cumprido, tereis atingido o vosso objectivo. Se alguém a recusar, deixai-o a sós e suplicai a Deus que o guie. Acautelai-vos para não o tratar de um modo pouco bondoso.

(Bahá'u'lláh, Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, CXXXII)


O povo de Bahá não deve negar a qualquer alma a recompensa que lhe é devida, deve tratar com deferência os artífices e de modo diferente do povo de outrora, não deve macular a sua língua com injúrias.

(Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh, Tarazat)


Ó povo de Bahá! Sois os locais de alvorada do amor de Deus e as auroras da Sua benevolência. Não conspurqueis as vossas línguas com a maldição ou o ultraje de qualquer alma, e guardai vossos olhos contra aquilo que seja indigno. Apresentai aquilo que possuís. Se for recebido favoravelmente, o vosso objectivo será alcançado; se não, é inútil protestar.

(Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh, Bishárát)


Ó povo de Bahá! A fidedignidade é, em verdade, a melhor das vestes para os vossos templos e a mais gloriosa coroa para as vossas cabeças. Segurai-vos firmemente a ela, segundo o preceito de Quem ordena, d'Aquele que é de tudo informado.

(Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh, Tarazat)


Que Nossa Glória repouse sobre o povo de Bahá, o qual nem a tirania do opressor, nem a ascendência do agressor tem conseguido de Deus, o Senhor dos mundos.

(Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh, Tarazat)


Mais uma vez exortamos todos os crentes a observarem justiça e equidade e a manifestarem amor e contentamento. São eles, em verdade, o povo de Bahá, os companheiros da Arca Carmesim. Sobre eles esteja a paz de Deus, Senhor de todos os Nomes, o Criador dos céus.

(Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh, Ishraqat)


Entre o povo de Bahá, porém, o casamento deve ser uma união tanto física como espiritual, pois aqui marido e mulher estão extasiados com o mesmo vinho, enamorados pela mesma Face incomparável; ambos vivem através do mesmo espírito, através deles movem, e são iluminados pela mesma glória... Portanto, quando o povo de Bahá tenciona casar, a união deve ser uma relação verdadeira, uma ligação espiritual bem como física, de modo que ao longo de todas as fases da vida, e em todos os mundos de Deus, a sua união perdure; porque essa verdadeira unidade é uma centelha do amor de Deus.

('Abdu'l-Bahá, Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, nº 84)

sábado, 2 de setembro de 2006

Inconformados com a revolução

Na revista Única de hoje (suplemento do Expresso), a reportagem de Margarida Mota e António Pedro Ferreira ("Inconformados com a revolução") apresentou interessante um retrato do iraniano comum: gente com os mesmos interesses e ambições semelhantes aos de pessoas de outros pontos do globo. O facto de viverem sob um regime teocrático sujeita-os a um conjunto de constrangimentos nas suas actividades profissionais e afazeres pessoais, aos quais reagem com criatividade, cautela ou resignação.

Mas se este trabalho tem o mérito de mostrar que o cidadão comum iraniano, protegido pela Constituição e leis iranianas, não se conforma nem se acomoda com as restrições que a Republica Islâmica impõe, poderia ter ido um pouco mais longe e incluído um exemplo de um cidadão iraniano, que vive sem protecção legal ou jurídica, e é alvo de diferentes tipos de discriminação por professar uma religião que não o Islão, tal como acontece com os membros da comunidade bahá'í daquele país.

É verdade que as perseguições aos bahá'ís do Irão não são o caso mais grave de atropelo aos Direitos Humanos em todo o mundo. Mas creio que um bom retrato social daquele país deveria incluir um membro de uma minoria religiosa que o regime iraniano insiste em tratar como cidadãos de segunda classe. Afinal, já por 18 vezes a Assembleia Geral das Nações Unidas condenou o regime iraniano devido às perseguições aos bahá'ís.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Odon Vallet

Pequeno Livro das Ideias Falsas sobre as Religiões

O diálogo inter-religioso exige que pessoas de diferentes credos se conheçam melhor, desfazendo ideias preconcebidas e distorcidas que obstam a esse diálogo e entendimento. Mais do que uma moda, tornou-se uma necessidade de um mundo globalizado, sequioso de tranquilidade e bem-estar. Alguns crentes poderão questionar até que ponto as suas convicções religiosas poderão sobreviver a um diálogo de verdades plurais. Outros, em que me incluo, entendem que se exige um esforço a cada um de nós para compreendermos quem tem convicções diferentes das nossas.

O Pequeno Livro das Ideias Falsas sobre as Religiões, de Odon Vallet foi publicado há alguns meses no nosso país; é um livro que inevitavelmente desperta a atenção de quem se interessa pelo diálogo inter-religioso. O autor, licenciado em Direito e Ciência das Religiões pela Universidade Panthéon Sorborne (Paris) já publicou vários livros sobre religião, e propôs-se, nesta obra, desfazer uma série de equívocos – para não dizer disparates – que se tornam recorrentes entre muitas pessoas que abordam o tema da religião.

Veja-se por exemplo, quando se combinam temas como religião, pacifismo e violência. A maioria das pessoas no Ocidente associa a violência religiosa ao Islão e o pacifismo ao Budismo; logo no prefácio do livro o autor lembra o conceito de Jihad enquanto esforço de aperfeiçoamento interior e a existência de monges guerreiros tibetanos. Ao longo deste livro, Odon Vallet mostra-nos que as ideias falsas sobre religião surgem em diversas formas: simplificações abusivas (o judaísmo, o cristianismo e o islamismo são três religiões monoteístas), anacronismos (Moisés era judeu), ideias sem sentido (A circuncisão é o sinal da aliança entre Deus e o povo judeu), erros geográficos e culturais (Os muçulmanos são árabes), contradições históricas (A Índia é a pátria da não-violência), e meias-verdades (A Igreja sempre defendeu os poderes estabelecidos).

Para quem gosta debater e estudar diversos temas de religião e frequentemente se depara com tanta ideia distorcida, este livro prometia ser uma agradável surpresa. Ao folheá-lo pela primeira vez, imaginei logo algumas pessoas conhecidas a quem gostaria de oferecer. Não demorei muito a comprá-lo.

Inevitavelmente, este livro reflecte também a formação e as origens do autor. As referências à experiência religiosa em França e a episódios ocorridos naquele país sucedem-se ao logo do texto (exemplos: pags. 98, 103, 110, 138, 143, 155-156). Também a forma como são apresentados alguns assuntos reflectem as raízes cristãs do autor. Por exemplo, a comparação entre o Papa e o Dalai Lama é considerada incorrecta sobretudo porque o primeiro tem mais seguidores do que o segundo [pag. 64]. Também ao referir-se ao pecado original [pag. 148] o autor não hesita em declarar que o ser humano é intrinsecamente pecador (uma perspectiva negativista muito querida a alguns cristãos).

Além disso, em alguns capítulos, Odon Vallet desmonta as ideias erradas sem, no entanto, procurar conceitos comuns e unificadores. Por exemplo, no capítulo com o título "O judaísmo, o cristianismo e o judaísmo são as religiões do livro" [pag. 106], demonstra-se o erro do sentido literal da expressão. Estas três religiões não possuem o mesmo Livro Sagrado; judaísmo e cristianismo possuem vários livros sagrados; o Islão possui um Livro Sagrado. Por seu lado, outras religiões como o Budismo e o Sikhismo também possuem livros sagrados. Estranhamente, o autor não desenvolve o significado da expressão "religião do livro" enquanto sinónimo de revelação divina. Na minha opinião, tão importante como afirmar o erro de uma interpretação distorcida de uma expressão, é sugerir significados alternativos para essa mesma expressão.

Também ao referir o Monoteísmo - para desmontar a ideia "o judaísmo, o cristianismo e o islamismo são três religiões monoteístas" [pag. 112] - o autor apresenta as diferentes concepções de Divindade (o Deus único do Islão versus a trindade cristã; o Deus de Israel e a trindade hindu) para mostrar como a ideia está longe da realidade; no entanto, o autor dedica poucas linhas para mostrar como as religiões tendem para a unidade de culto.

Talvez o irónico deste livro seja o facto de ver Odon Vallet cometer alguns erros semelhantes aos que se propõe corrigir. Por exemplo, uma simplificação anacrónica verifica-se quando se usa a expressão "Estado de Israel" [pags. 61, 157] para designar os antigos Reinos de Judá e Israel; não será isto lançar uma semente de uma nova ideia falsa? Também o Sikhismo é referido como uma "religião guerreira" [pag. 118]; não será isto criar um estereótipo, ao associar uma religião com a violência? Será que o autor conhece os escritos do Guru Nanak? Se o autor consegue evitar este erro ao referir-se ao Islão, porque não consegue fazê-lo ao referir-se ao Sikhismo?

A religião bahá'í - mencionada nas pags. 57, 147, 179, 206 - é referida pelo autor como "um sincretismo entre islamismo, cristianismo, judaísmo e zoroastrismo" [pag. 57]; posteriormente, Odon Vallet afirma que "os cinco milhões de bahaístas veneram Abraão, Moisés, Zoroastro, Buda Jesus Cristo e Maomé, mas a sua religião fundada no Irão em meados do século XIX, não se assemelha a nenhuma outra"[pag. 206]. Se a religião baha'i não se assemelha a nenhuma outra, então como pode ser um sincretismo? E se o próprio autor assume que o termo sincretismo "tem má reputação nos meios científicos e religiosos" e é "sinónimo de confusão infantil e ignorância popular" [pag. 188], não estará ele a lançar um preconceito, uma ideia falsa, sobre uma religião? Afinal, quais foram os seus objectivos ao escrever este livro?

Em resumo: A palavra "religião" pode ser usada para designar diferentes aspectos do fenómeno religioso: os ensinamentos originais dos Manifestantes, as organizações religiosas, o clero, as comunidades dos crentes, as escrituras, as tradições, etc. Ao longo deste livro, Odon Vallet, raramente apresenta o seu entendimento da palavra religião antes de abordar algum ideia. Mesmo assim, o livro tem alguns capítulos muito interessantes, apesar de noutros sentirmos que o autor podia ter ido mais longe. Em algumas referências a religiões não-cristãs, o autor nem sempre consegue ser esclarecedor, chegando por vezes a sugerir ideias tão incorrectas quanto as que pretende esclarecer.

Uma nota final para a tradução. O texto usa o estrangeirismo Corão e vez de Alcorão; também os capítulos do Alcorão são referidos como “Salmos”.

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ABSTRACT: A commentary to the book Petit lexique des idées fausses sur les Religions (Little Book of False Ideas about Religions), by the French author Odon Vallet. The book has several interesting chapters, and in some cases Mr. Vallet seems able to explain misconceptions that originated from the use of popular expressions (such as "Religions of the Book"). He seldom sugests a correct meaning for such expressions. However, in some chapters Mr Vallet makes incorrect references to other religions: the ancient Hebrew kingdoms as "State of Israel", and to Sikhism as a "warrior religion". References to the Baha’i Faith are contradictory: "syncretism” and “not similar to any other".

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Vou dá um "meguio"!

Aconteceu no passado fim-de-semana com o meu filho mais velho. Estava eu a filmar as suas habilidades na piscina - e ele adora atirar-se para dentro de água - quando apanhei um susto. Umas braçadeiras pouco apertadas foram o motivo.

Quem tem miudos não está livre da apanhar um susto destes. Com crianças temos de estar sempre alerta.


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segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Uma entrevista reveladora

Uma entrevista com o Shiekh al-Azhar, Dr. Muhammad Sayyid Tantawi, foi publicada recentemente no jornal egípcio "al-Watany el-Youm" (A Pátria Hoje), com o título “Não me demitirei e não encerrarei o Centro de Investigação Islâmica de al-Azhar”. O entrevistador colocou algumas perguntas bem pertinentes ao Dr. Tantawi. Aqui ficam dois exemplos:

P. Qual o seu comentário à exigência de remoção do Segundo Artigo da Constituição Egípcia onde se declara: "O Islão é a religião do Estado... e a principal fonte de legislação é a Jurisprudência Islâmica (Sharia)"?

R. "Não vejo motivos para esta exigência, pois a Constituição há muito tempo que é baseada na Sharia Islâmica. Em particular, a Constituição Egípcia proporciona igualdade de direitos e responsabilidades para todos os cidadãos. Não existe opressão de não-Muçulmanos que exija a eliminação desse artigo..."

P. O Centro de Investigação Islâmica de al-Azhar apelou à eliminação dos Baha’is do Egipto. Qual é a sua resposta?

R. "Eles não pretenderam dizer morte com eliminação, mas eles pretenderam dizer que não devíamos ter contactos ou colaboração com eles; devíamos ostracizá-los... pois eles não pertencem a uma das três religiões reconhecidas... e uma Fatwa considerou-os heréticos..."

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COMENTÁRIO: A contradição nestas duas respostas é bem evidente. As respostas deste senhor fazem lembrar aquela frase do livro "O Triunfo dos Porcos": Todos são iguais, mas há uns que são mais iguais do que outros. Que se pode esperar de alguém que defende uma clara violação dos direitos humanos, invocando valores religiosos?

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

O Deus dos Privilegiados

Algumas das notas breves, sob o título "O Deus dos Privilegiados", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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  • Que imagem de Deus podem ter aqueles que, em nome de Deus, abusam da sua força (sejam as vítimas camponeses, bispos ou prisioneiros)?

  • Esta imagem do Deus aristocrata que está do lado dos ricos e dos poderosos é, de todas as falsas imagens de Deus, a que mais indigna aqueles que procuram Deus com o coração despojado. É a que mais urgentemente incita à revolta, abençoada ou não abençoada.

  • Deus não está com os ricos, mas também não está com os pobres. Menos ainda se no conceito de pobre entra o rancor, a ânsia de possuir o que não se tem, o egoísmo indiferente que existe entre muitos pobres

  • Pobres dos que se sentem eleitos de Deus! Pobres dos que crêem que os seus males são uma prova do Senhor!

  • Atenção profetas sociais: saber descobrir o bem pode ter tanto ou mais mérito que denunciar o mal.

  • De qualquer maneira, Deus deve-nos uma explicação em relação a alguns casos verdadeiramente intoleráveis de dor humana.
  • quarta-feira, 2 de agosto de 2006

    Um novo livro de Escrituras Bahá’ís

    Acaba de ser publicado um novo livro de Escrituras Baha’is; tem o título "The Tabernacle of Unity" (O Tabernáculo da Unidade) e contém cinco epístolas de Bahá’u’lláh, dirigidas a indivíduos de origem zoroastriana. Alguns excertos das epístolas agora publicadas já eram conhecidas; a famosa frase "Sois frutos de uma só árvore e folhas de um só ramo" surge na segunda epístola. No entanto, esta é a primeira vez que as epístolas são publicadas em inglês na sua totalidade.

    As primeiras duas epístolas deste livro surgiram como resposta a questões de Manikchi Sahib, um diplomata que representava os Parsees da Índia na Pérsia. Manikchi Sahib tornara-se um admirador de Bahá’u’lláh, e decidiu colocar-lhe várias questões sobre assuntos religiosos. As restantes epístolas foram dirigidas a outros dos primeiros bahá'ís de origem zoroastriana que colocaram questões do mesmo tipo. Apesar destas epístolas terem sido dirigidas a pessoas de origem zoroastriana, as respostas de Bahá'u'lláh não se limitam à perspectiva zoroastriana.

    Segundo Steven Phelps, um dos tradutores envolvidos neste trabalho, nestas epístolas "além de reafirmar os princípios centrais da Fé, tais como a unidade orgânica da raça humana, o carácter progressivo da revelação divina e a natureza mundial de pretensão profética de Bahá'u'lláh, os textos também apresentam novas perspectivas no debate sobre a fronteira entre o absoluto e o relativo na verdade religiosa. Talvez o aspecto comum mais importante destas epístolas seja o facto de exporem de forma eloquente a necessidade urgente da religião reclamar o seu papel como força unificadora e capaz de transformar o mundo."

    A tradução do livro foi feita pelo Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça, a partir dos textos originais. O resultado obtido foi fruto do trabalho e dedicação de várias pessoas, que se esforçaram por seguir o estilo de tradução adoptada por Shoghi Effendi. Este pequeno volume de Escrituras é apenas uma pequena porção das Escrituras de Bahá'u'lláh, reveladas durante os quarenta anos do Seu ministério.

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    Notícia original (BWNS):
    New volume of Baha'i sacred writings is published