sábado, 14 de outubro de 2006

O Banqueiro do Pobres

"O Comité Nobel da Noruega decidiu atribuir o Prémio Nobel da Paz para 2006, dividido em duas partes iguais, a Muhammad Yunus e ao Banco Grameen, pelos seus esforços na criação de desenvolvimento económico e social a partir da base. A paz duradoura não pode ser alcançada a não ser que grandes grupos populacionais encontrem meios para sair da pobreza. O micro-crédito é um desses meios . O desenvolvimento a partir da base também serve o progresso da democracia e os direitos humanos."
Foi com este parágrafo de abertura que ontem o Comité Nobel lançou o nome do Dr. Muhammad Yunus e do seu banco nas bocas do mundo. Na verdade, este economista do Bangladesh já recebera vários prémios; e não faltavam vozes , como a do ex-presidente Bill Clinton, que afirmavam que ele há muito deveria ter recebido o Prémio Nobel.

Os esforços do Dr. Yunus na luta contra a pobreza iniciaram-se durante a grande fome de 1974 no Bangladesh, quando emprestou uma pequena quantia equivalente a 27 USD a cerca de 40 mulheres. Rapidamente percebeu que pequenas quantias de dinheiro podiam fazer uma enorme diferença na sobrevivência e emancipação económica de várias pessoas.

Com a fundação do Banco Grameen em 1976 além do micro-crédito, passou também a financiar projectos de irrigação, capital de risco e na indústria textil; as suas actividades também incluem as contas de poupanças e empréstimos para compra de habitação. O mais curioso na actividade do banco é que 96% dos seus empréstimos vão para mulheres que sofrem tremendamente com a pobreza e que são mais capazes dos que os homens de dedicar as suas poupanças ao serviço das necessidades de toda a família.

Tenho três motivos para admirar o Dr. Muhammad Yunnus e o Banco Grameen.

1 - A sua actividade é um travão ao progresso do fundamentalismo islâmico. Há cerca de dez anos atrás, o partido religioso fundamentalista do Bangladesh viu a sua representação parlamentar reduzida de 17 para 3 deputados. Imediatamente após o anúncio dos resultados da votação, o Dr. Yunnus recebeu vários telefonemas onde era responsabilizado pelos resultados dos fundamentalistas. Na verdade, os fundamentalistas só se podiam queixar de si próprios; eram eles que tinha atacado e incendiado agências do Banco Grameen, atacaram credores e condenaram o micro-crédito como sendo anti-islâmico pois ajudava as mulheres a emanciparem-se financeiramente.

2 - Quando a imagem dos muçulmanos está tão denegrida aos olhos do ocidente devido aos actos de radicais e fundamentalistas, o Dr. Yunnus surge como a prova que o Islão inspira actos de profundo altruísmo. Quem apenas vê o Islão como uma religião violenta, tem de perceber no Islão, tal como em todas as religiões, há pessoas extraordinárias, assim como há gente desprezível.

3 - A actividade do Dr. Yunus e do Banco Grameen é um exemplo prático da aplicação de um princípio Baha’i: a procura de soluções económicas inspirada em princípios espirituais. Na verdade, o vencedor do Nobel da Paz não hesita em afirmar que o a inspiração islâmica do seu banco; e é do conhecimento geral, o objectivo do Banco Grameen é ajudar os pobres (e não ajudar o Islão).

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REFERÊNCIAS
The Nobel Peace Prize for 2006
Microcredit: A Weapon In Fighting Extremism
The Grameen Bank: An Interesting Alternative for Developing Countries
Nobel for anti-poverty pioneers (BBC)

Sobre o Aborto

[A posição do Estado] ... não pode ser a de transmitir a ideia de que um aborto é uma coisa sem importância, que se pode fazer quase sem pensar - tem de ser a oposta.

O Estado não deve passar à sociedade a ideia de que se pode abortar à vontade, porque é mais fácil, mais cómodo e deixou de ser cime.

José António Saraiva, Sol, 14-Outubro-2006

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Kitáb-i-Íqán (25)

O Sermão no Monte das Oliveiras (3ª parte)

No âmbito destes posts sobre o Kitáb-i-Íqán, apresento hoje o terceiro (e último) post dedicado à análise dos parágrafos que Bahá'u'lláh dedica nesse livro a um excerto do sermão profético de Jesus (Mt 24:29-31). Neste post abordo os significados de alguns termos simbólicos existentes nesse excerto.
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O FILHO DO HOMEM

A expressão "o Filho do homem, que virá sobre as nuvens do céu" sugere uma clara distinção entre dois planos de existência distintos (divino e humano), assim como a interferência directa de Deus na história da humanidade. Embora o Manifestante surja na forma de "templo humano"[74], a palavra "céu" afirma a Sua natureza divina. Esta dupla condição é característica comum a todos os Manifestantes de Deus.(a)

Segundo Bahá'u'lláh, o termo "Filho do Homem" designa o Manifestante de Deus prometido à humanidade. Nas palavras do fundador da religião bahá'í, os Manifestantes de Deus "...embora nasçam do ventre da Sua mãe, na realidade, descem do céu da Vontade de Deus. Apesar de habitarem nesta terra, as suas verdadeiras moradas, porém, são os retiros de glória nos reinos do além. Apesar de caminharem entre os mortais, voam no céu da Presença Divina. Sem pés, trilham o caminho do espírito, e sem asas elevam-Se às sublimes alturas da Unidade Divina... Eles são enviados através do poder transcendente do Ancião dos Dias e surgem de acordo com a excelsa Vontade de Deus, o poderosíssimo Rei"[74]


Uma representação artistica do regresso de Cristo,
baseada numa interpretação literal das escrituras

Ainda nesta expressão a palavra nuvens simboliza tudo o que se interpõe entre a terra e o céu. Tal como as nuvens no céu físico nos impedem de ver o sol, o termo nuvens nesta expressão simboliza tudo o que possa impedir a humanidade de reconhecer a luz divina que surge com o novo Manifestante. Bahá'u'lláh afirma que as nuvens simbolizam "aquelas coisas que são contrárias aos métodos e aos desejos dos homens"[79]. E acrescenta:
Essas "nuvens" significam, num sentido, a anulação das leis, a revogação das Revelações anteriores e dos rituais e hábitos correntes entre os homens, o enaltecimento dos fiéis iletrados sobre os eruditos que se opõem à Fé. Num outro sentido, referem-se ao aparecimento daquela Beleza Eterna na imagem do homem mortal, com aquelas limitações humanas como a necessidade de comer e beber, a pobreza e a riqueza, a glória e a humilhação, o dormir e o despertar e outras coisas semelhantes que lançam a dúvida na mente dos homens e provocam o seu afastamento. Todos esses véus são designados simbolicamente como "nuvens". [79]
Na perspectiva bahá'í, esta profecia de Jesus sobre o Filho do Homem surgindo no céu sobre as nuvens, é uma referência a Bahá'u'lláh(b).

PODER E MAJESTADE

Muitos cristãos acreditam que esse poder e majestade de Cristo se demonstrou na Sua ressurreição física (c) e salientam que será demonstrado na sua plenitude aquando do Seu regresso. Para os bahá'ís este poder e majestade representam uma invencibilidade espiritual inerente a todo o Manifestante de Deus. Esse poder e majestade manifestam-se com o triunfo e aceitação da Sua causa após perseguições e sofrimentos. Não se trata de uma vitória temporal, de um triunfo militar, mas sim de um triunfo espiritual, um triunfo conseguido, não obstante a rejeição e os sofrimentos que Lhe são impostos. Por outras palavras, podemos dizer que o Manifestante não surge na "glória dos homens", mas sim na Glória de Deus(Mc 8:38).

O sofrimento e as perseguições que se abatem sobre o Manifestante e os Seus primeiros seguidores são frequentemente vistos como um prenúncio do triunfo da Sua Causa. Esse sofrimento não é uma humilhação, um derrota ou um sinónimo de impotência; Como escreveu o próprio S. Paulo:
Enquanto os judeus pedem sinais, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas para os eleitos, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder e a sabedoria de Deus. (1 Cor 1:22-24)
O Kitáb-i-Íqán deixa um convite implícito aos leitores cristãos: tentar identificar o poder e a majestade do Báb e de Bahá'u'lláh nos Seus sofrimentos.

ANJOS

No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh identifica dois termos simbólicos na expressão "...enviará os seus anjos com trombetas...". O simbolismo do termo trombeta já foi referido num post anterior(d). Para o fundador da religião baha'i, o termo "anjos" representa todos aqueles crentes cuja vida reflecte os ensinamentos da religião do novo Manifestantes de Deus. A existência desses crentes é comum a todas as religiões; para Bahá'u'lláh, estes "anjos" são crentes "...reforçados pelo poder do espírito, consumiram todas as qualidades e limitações humanas com o fogo do amor de Deus..."[86]. E acrescenta: "E agora, porque estes santos seres se santificaram de todas as limitações humanas, se dotaram de atributos espirituais, e se adornaram com as nobres características dos abençoados, eles foram, assim, designados como anjos"[87].

CONCLUSÃO

Os bahá'ís acreditam que em todas as Escrituras Sagradas existe linguagem simbólica e alegórica com o objectivo de testar os crentes, e não para os confundir ou impedir de compreender. Deus deu às Escrituras significados ocultos e dotou os seres humanos de capacidade para as compreender. Além disso, devemos ter presente que uma decisão de fé é um exercício da livre vontade do ser humano. Se os textos sagrados tivessem apenas significados literais, isso obrigaria à ocorrência de fenómenos tão extraordinários, que todos os seres humanos que os testemunhassem não poderiam exercer a sua livre vontade(e). Como afirma o próprio Bahá'u'lláh no Kitáb-i-Íqán:
Julgai imparcialmente: se as profecias registadas no Evangelho fossem cumpridas literalmente, se Jesus, Filho de Maria, acompanhado de anjos, descesse do céu visível sobre as nuvens, quem se atreveria a descrer, quem ousaria rejeitar a verdade e se tornar desdenhoso?[88]
O significado literal do excerto do sermão profético de Jesus citado por Bahá'u'lláh está profundamente enraizado na mente da enorme maioria dos cristãos. Geralmente, quando um baha’i afirma que Cristo regressou na pessoa de Bahá'u'lláh, a objecção que encontra é "Por que não apareceu este ou aquele sinal?"[89].

A explicação apresentada por Bahá'u'lláh sobre o significado destes versículos do Evangelho de S. Mateus leva o leitor a reflectir sobre os múltiplos significados ali contidos. Esta explicação é também exemplificativa da estrutura do propósito do Kitáb-i-Íqán: mais do que apresentar a Sua mensagem, Bahá'u'lláh leva cada crente a perceber o valor e a riqueza das Escrituras da sua própria religião.

A quantidade de parágrafos dedicadas por Bahá'u'lláh à explicação dos significados contidos nestes poucos versículos do cap. 24 do Evangelho de S. Mateus, constituem uma das mais notáveis explicações para os leitores de "origem cristã" sobre a forma como os bahá'ís aplicam o seu modelo de interpretação das escrituras.

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REFERÊNCIAS
(a) – O Evangelho de S. João regista este assunto como tema de polémica durante a vida de Cristo (Jo 6:38-42).
(b) – Ver post O Regresso de Cristo.
(c) – Ver o post A Ressurreição de Cristo.
(d) – Ver post O Dia do Juízo (2ª parte)
(e) – Ver post Para que serve o Simbolismo.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Londres

É estranho, mas não me canso de visitar Londres.
De tempos a tempos, revejo os mesmos locais. E é como se os visse pela primeira vez.
O que há a dizer sobre a grande cidade já foi dito... todos sabem...
Ficam as imagens. Sem qualquer ordem ou legenda.































terça-feira, 10 de outubro de 2006

Barney Leith

During a visit last week to London, I had a chance to meet Barney Leith, the author of Barnabas Quotidianus.

It is always interesting to talk face to face with a person whom I only had a chance to know by email or by reading it’s blog. At the UK National Baha’i Centre in London, we had a brief moment to share a few thoughts. Language is a barrier when blogging… Someone from the Reunion Island brought even more books than me… Kensington is a nice neighbourhood…

But that moment was to brief; Barney was working and I was on Holiday. I had a feeling we could be chatting for hours. So Barney Leith is no longer just the blogger; he has a face, a voice, a smile…

Here is a picture of us.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Mind the Gap! (2)

No post anterior limitei-me a relatar o que li em vários jornais ingleses ao longo dos últimos dias. É importante ter presente que os jornais ingleses relatam com regularidade os chamados "crimes de ódio": é o jovens negro que foi esfaqueado por skinheads; é um bando de negros que atacou um velho reformado... Mas estes nunca são apresentados como "mais um problema provocado por esta ou aquela comunidade"; são tratados como crimes, fruto de problemas como o desemprego juvenil e a pobreza. O que eu estranhei nestes dias em Londres foi a quantidade de problemas que os jornais (através de reportagens, editoriais e artigos de opinião) apontavam como problemas de integração das comunidades muçulmanas.

Agora fica aqui a minha opinião sobre o assunto.

Quando umas pessoas se deslocam para viver noutra sociedade (seja por motivos políticos, económicos ou familiares), é legítimo que queiram manter a sua identidade cultural. Isso pode acontecer por desejo dos próprios ou por incapacidade de se integrarem na sociedade que os acolhe. Como alguns comentadores escreveram aqui, isso aconteceu com alguns portugueses em França e na Alemanha. Mas não aconteceu com todos; houve também os que se integraram nos países de acolhimento, e assimilaram novos valores culturais, sem nunca perderem as ligações afectivas ao país de origem. Esses seguiram o ditado "Em Roma, sê romano".

É verdade que a proximidade cultural é maior entre Portugueses e Franceses/Alemães do que entre Paquistaneses/Egípcios e Ingleses. Por esse motivo, comparar estes dois casos pode não ser muito correcto. E também não podemos esquecer que os ingleses conseguem ser muito racistas contra os estrangeiros; tenho alguns familiares que viveram em Inglaterra durante alguns anos, foram vítimas de discriminação e testemunharam casos de racismo (especialmente contra Paquistaneses e Indianos).

Mas o que nunca aconteceu com os portugueses que se fecharam em comunidade foi tentarem impor os seus valores culturais à sociedade que os acolhia; tão pouco, aqueles que saíram de Portugal no tempo da ditadura, se alguma vez criticaram os governos dos países que os acolheram, se esqueceram de criticar o governo do seu país de origem.

Ora este é um dos problemas actuais de alguns sectores (que acredito serem uma minoria) da comunidade islâmica em Inglaterra; criticam o que consideram ser abusos da autoridades inglesas, mas mantém um silêncio – por cumplicidade ou por receio? – com flagrantes abusos dos direitos humanos nos seus países de origem.

Além desta dualidade de comportamento, há questão da tentativa de alteração valores culturais da sociedade de acolhimento.

Confesso que partilho da opinião do Jack Straw; eu também não me sentiria à vontade se no meu país tivesse de falar de viva voz com alguém de rosto tapado. Não nego que as mulheres que queiram andar com rosto coberto o possam fazer; mas também ninguém me pode negar o direito de me sentir incomodado por ter de falar com alguém com o rosto coberto (Daud Abdullah, membro do Conselho Muçulmano Britânico reconheceu que é compreensível que os não-muçulmanos sintam esse desconforto).

Da mesma forma me sentiria incomodado se na escola dos meus filhos, um grupo minoritário de estudantes começasse a levantar objecções à realização da Festa de Natal. Apesar de eu ser Baha’i, o Natal faz parte da minha cultura e tenho prazer em celebrá-lo como festa da família (já escrevi sobre esse assunto).

Em cada país, existem valores elementares que regem a organização social e a convivência entre as pessoas; e esses valores devem ser respeitados por todos os que aí vivem. É evidente que os valores culturais evoluem ao longo do tempo (a tolerância ocidental, por exemplo, é um fenómeno muito recente); mas uma tentativa de forçar mudanças de valores através de violência e ameaças apenas provocará tensões e conflitos sociais.

domingo, 8 de outubro de 2006

Mind the Gap! (1)

Após quatro dias em Londres aqui fiquei com a impressão que os imigrantes muçulmanos não conseguem – ou não pretendem - integrar-se na sociedade inglesa.
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Mind the gap! é a frase que se ouve repetidamente em várias estações de Metro da capital britânica; alerta os passageiros do metros para degrau que pode existir entre o chão da carruagem e a plataforma. Esta frase e popularizou-se de tal forma que consta já de algumas recordações turísticas.

Mas a palavra gap também pode ser entendida distanciamento ou fosso.

Em relação ao ano passado, apercebi-me imediatamente o clima de tensão que se criou em relação à Comunidade Muçulmana. Todos os dias há várias notícias dando conta de vários casos de imigrantes muçulmanos incapazes de se integrarem na sociedade britânica: é o polícia muçulmano que pede para não efectuar vigilância da Embaixada de Israel invocando problemas morais, é o taxista muçulmano que se recusa transportar o cão de uma mulher invisual porque acredita que o cão é um animal impuro, são as crianças muçulmanos de uma escola pública que se opõem às decorações de natal... Todos os dias a imprensa mostra vários casos de insucesso do que chamam o modelo multicultural inglês.

O tema é já abordado sem a preocupação do politicamente correcto, chegando um dirigente da oposição a prometer que se for eleito vai acabar com os "ghetos muçulmanos". Mais recentemente, o Ministro Jack Straw ao receber um grupo de mulheres muçulmanas pediu-lhes que retirassem o véu que lhes cobria o rosto. Segundo o Ministro, falar com alguém com o rosto coberto é algo que impede um diálogo normal; curiosamente, a atitude do ministro recebeu um forte apoio da opinião pública. "Teve coragem para dizer o que todos pensam", "Finalmente foi franco e honesto", "Foi muito corajoso, pois há uma significativa percentagem de muçulmanos na sua região eleitoral".

Hoje, os editoriais e comentadores de alguns jornais questionaram o facto de se permitir a existência de comunidades de imigrantes fechadas sobre si próprias e isoladas do contactos com outras comunidades. Houve mesmo quem recordasse que o multiculturalismo em si não é o problema, pois os Amish nos EUA também são uma comunidade fechada sobre si própria, mas com uma postura totalmente diferente da comunidade muçulmana em Inglaterra. E por fim, a própria Igreja de Inglaterra criticou os esforços do Governo Inglês no diálogo Inter-Religioso, afirmando que este tem privilegiado excessivamente a fé islâmica e as comunidades islâmicas, aprofundando o fosso que existe entre esta e outras comunidades.

A tensão é óbvia. O gap entre os imigrantes muçulmanos em Inglaterra e a restante sociedade inglesa está-se a aprofundar. Vêm aí tempos muito complicados.

Mind the Gap!

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Nas notícias

Oxford conference on climate change stresses global collective action (BWNS)

Nation remembers Mahatma Gandhi (Yahoo! News – India)

Chew: Women play a vital role (The Star – Malasya)

Romeo Dallaire, expert on genocide, expresses concern for Baha'i community in Iran
(BWNS)

Scottsdale a melting pot of faiths (East Valley Tribune)

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NOTA: Volto no domingo.

O Deus dos Criptoteólogos

Algumas das notas breves, sob o título "O Deus dos Criptoteólogos", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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  • Existe no Antigo Testamento um Deus que convida urgentemente a repensar o que entendemos por Escritura revelada. Eu creio que Deus revela mais a reflexão sobre a Escritura, do que a Escritura em si, ligada a uma época e a uma linguagem determinadas.

  • "O temor a Deus é o princípio da sabedoria". Que sabedoria de principiantes aquela que se fica pelo temor!

  • Se o que te leva a não pecar é o temor a Deus, mais cedo ou mais tarde, arrepender-te-ás de não ter pecado.

  • Deus não existe para nos castigar, porque Ele não existem em função de cada um de nós. O nosso juízo final tem lugar a cada dia, a cada minuto, a cada acção nossa, a cada omissão.

  • A palavra "Deus" é uma palavra velha e desgastada, cheia de preconceitos; mas também continuamos a chamar "amor" a algo que, no fundo, é inominável.

  • Dedicar-se profissionalmente à teologia, é como dedicar-se profissionalmente a respirar.
  • domingo, 1 de outubro de 2006

    International Religious Freedom Report 2006

    O Departamento de Estado Norte-Americano publicou há algumas semanas atrás o Relatório Anual sobre Liberdade Religiosa (International Religious Freedom Report 2006). Este documento é muitas vezes visto como uma espécie de anexo ao relatório sobre Direitos Humanos, e apresenta informação detalhada relativa à liberdade religiosa em todos os países do mundo. Como muitas outras comunidades religiosas, os baha’is também aguardam sempre com alguma expectativa a publicação deste relatório. Na edição deste ano, existem muitas referências aos baha’is; na maioria dos casos menciona-se apenas que são uma das minorias religiosas; noutros casos, referem-se algumas das suas actividades; em alguns casos referem-se problemas, atropelos ou perseguições.


    Os excertos que se seguem são apenas alguns dos que contêm referências significativas à Comunidade Baha'i. Não são, obviamente o essencial, ou a parte mais importante do relatório. Muito do que é dito nestes Relatório sobre a situação dos Baha'is no Irão e no Egipto tem sido referida neste blog. A tradução destes excertos não foi revista.

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    BOTSWANA
    (...) O relacionamento geralmente amigável entre os grupos religiosos na sociedade tem contribuído para a liberdade religiosa. Existe um conselho inter-religioso que inclui representantes de organizações Cristãs, Muçulmanas, Hindus e Baha’is. (...)

    DJIBUTI
    (...) Ao contrário de anos anteriores, os Baha’is não reportaram qualquer incidente de discriminação, mas não confirmaram se a organização tenha entregue algum pedido de reconhecimento oficial durante o período coberto por este relatório. Em anos anteriores, esses pedidos foram recusados. (...)

    ERITREIA
    Demografia religiosa: (…) Também presentes em pequenos números estavam praticantes Budistas, Hindus e Baha’is (menos de 1%). A população das terras baixas ocidentais e orientais era predominantemente muçulmana e nas terras altas era cristã. Existiam poucos ateus. A participação religiosa era elevada em todos os grupos étnicos. (...)

    Situação da Liberdade Religiosa: (…) O Governo delineou e aprovou uma Constituição em 1997 que garante a liberdade de prática de qualquer religião; no entanto, o Governo não implementou as suas medidas no final do período a que se refere este relatório. O Governo restringiu este direito no caso de numerosas pequenas igrejas protestantes, Baha’is e Testemunhas de Jeová. (...)
    Restrições à Liberdade Religiosa: (...) As autoridade em geral não colocaram obstáculos aos quatros grupos que apresentaram pedidos de reconhecimento oficial em 2002 – a Igreja Presbiteriana Ortodoxa, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Fé e Missão e a Fé Baha’i – para realizarem reuniões de orações ou estudo em casa particulares, apesar de, à semelhança de outros grupos não reconhecidos, as suas casa de adoração permanecerem fechadas e não lhe ser permitido realizar reuniões em locais públicos.

    GÂMBIA
    (...) O Grupo Inter-Religioso para o Diálogo e para a Paz, que inclui representantes das comunidades Cristã, Muçulmana e Baha’i, reúne-se regularmente para discutir assuntos de interesse mútuo. (...)

    GUINÉ-CONAKRI
    (...) A pequena comunidade Baha’i pratica a sua é aberta e livremente, apesar de não ser oficialmente reconhecida. Não se sabe se a comunidade solicitou o reconhecimento oficial. (...)

    MALAWI
    …muitas escolas públicas oferecem um curso intitulado «Conhecer a Bíblia», que tem orientação Cristã, e outros intitulado «Educação Moral e Religiosa», que inclui material Muçulmano, Hindu, Baha’i e Cristão. Ambos os cursos são voluntários. (...)

    BRUNEI
    (...) O governo apenas permite a prática da escola oficial Shafeite do Islão. Baniu outros grupos religiosos que considera perversos, incluindo movimento radical islâmico Al-Arqam e a Fé Baha’i. (...)

    INDONÉSIA
    (...) O sistema de registo civil continua a discriminar pessoas que não pertencem às seis religiões reconhecidas; animistas, Baha’is e pessoas que pertencem a outras pequenas minorias religiosas estão impossibilitados de registar casamentos e nascimentos. (...)

    ILHAS SALOMÃO
    (...) No entanto, os administradores oficiais das escolas primaria e secundária em Auki, a capital provincial de Malaita, solicitaram recentemente formação multi-religiosa à comunidade Baha’i. (...)

    PAQUISTÃO
    (...) O Governo, impede, de facto, que os Baha’is viagem ao seu centro espiritual em Israel devido ao não reconhecimento desse país (...)

    SEYCHELLES
    Situação da Liberdade Religiosa: (...) As igrejas Católica Romana, Anglicana, Adventista do Sétimo Dia, mesquitas islâmicas e assembleia espiritual local Baha’i receberam o seu reconhecimento legal. (...)

    O Governo tende a não se envolver em assuntos religiosos, mas proporciona tempo de emissão a diferentes organizações religiosas na emissora pública de rádio. Alternadamente, nas manhãs de domingo, a radio nacional emite a missa católica e o serviço anglicano, que duram entre 1 hora e 15 minutos e 1 hora e 30 minutos. O Islão e a fé Hindu têm direito a 15 minutos de emissão nas tarde de sexta-feira; a fé Baha’i e os Adventistas de Sétimo Dia têm direito a quinze minutos de emissão nas tardes de sábado. (...)

    TURQUEMENISTÃO
    …no início do século XX, Asqabad era um refúgio para os Baha’is que fugiam às perseguições religiosas no Irão, e um templo Baha’i foi construído na cidade nessa altura. (...)

    LAOS
    Demografia religiosa: (...) A fé Baha'i tem mais de 1200 aderentes e 4 centros: 2 no município de Vientiane, 1 na província de Vientiane e 1 em Savannakhet. Um pequeno número de baha’is também vive na província de Khammouane e na vila de Pakse. O terreno em que os quatro centros baha’is estão localizados foi aprovada pelo governo laociano neste ano para uso pelos baha’is. Adicionalmente, o Governo deu aprovação oficial para que os baha’is usassem um terreno onde já tinham construído um cemitério. Os baha’is planeiam construir novos centros nas vilas de Savannkhet's Dong Bang Village e Lat Khouay no município de Vientiane. Receberam a aprovação local e distrital para uso do terreno mas aguardam a resposta do Gabinete de Terrenos Distritais. (...)

    Enquadramento Legal: (...) As assembleias espirituais baha’is nas cidades de Vientiane e Savannakhet praticam livremente, mas as pequenas comunidades nas províncias de Khammouane e Savannakhet enfrentam periodicamente dificuldades das autoridades locais. A assembleia baha’i de Vientiane também teve dificuldades em registar a propriedade do centro baha’i dessa localidade; no entanto, em 2005, as autoridades concederam a aprovação para uso da propriedade pelo baha’is. As assembleias baha’is locais e nacional, realizam regularmente as festas de 19 dias e celebram os dias sagrados. A Assembleia Espiritual Nacional reúne-se regularmente e é livre de enviar uma delegação à Casa Universal de Justiça, no Monte Carmelo, Haifa, Israel. (...)

    As Assembleias Espirituais Baha’is realizam aulas para crianças assim como para adultos. (...)

    Restrições à Liberdade Religiosa: (...) Apesar do decreto 92 autorizar a impressão de textos religiosos não budistas e permitir que o material religioso seja importado do exterior, também exige que essas actividades recebam a autorização do LFNC (Lao Front for National Construction). O LFNC não autorizou que as denominações cristã e baha’i imprimissem os seus materiais religiosos, apesar destes grupos terem estado a tentar obter essa permissão há vários anos. Alguns crentes trazem material religioso para o país; no entanto, essas pessoas enfrentam eventual detenção. (...)

    MALÁSIA
    Restrições à Liberdade Religiosa: (...) O governo opõe-se ao que considera interpretações "irregulares" do Islão, afirmando que as perspectivas extremistas dos grupos "irregulares" colocam em perigo a segurança nacional. Segundo o site do Departamento de Desenvolvimento Islâmico, foram identificados 56 ensinamentos "irregulares" e proibidos aos muçulmanos a partir de Junho de 2006. Estes incluem ensinamentos xiitas, meditação transcendental e baha’is, entre outros. O Governo declarou que os ensinamentos “irregulares” podem causar divisões entre os muçulmanos (...) Os membros dos grupos considerados “irregulares” podem ser detidos e presos, de acordo com tribunal da Shari’a, com vista a serem reabilitados e devolvidos ao “verdadeiro caminho do Islão.” (...)

    VIETNAME
    (...) Existem cerca de 6000 membros da Fé Baha’i, maioritariamente concentrados no sul. Antes de 1975, o seu número estimava-se em 200.000, segundo fontes oficiais baha’is. A prática baha’i foi banida entre 1975 e 1992, e o número de crentes caiu diminuiu drasticamente durante este período. Desde 1992, os baha'is têm-se reunido em encontros não oficiais. Os lideres comunitários afirmam ter boas relações com as autoridades, e parecem poder praticar a sua fé sem hostilização significativa. No final do período a que respeita este relatório, os baha’is preparavam-se para pedir o registo e reconhecimento oficial de acordo com o novo enquadramento legal. (...)

    AZERBEIJÃO
    (…) Também existem pequenas congregações de Luteranos Evangélicos, Católicos Romanos, Baptistas, Molokans (antigos crente russos ortodoxos), Adventistas do Sétimo Dia e Bahá’ís há mais de cem anos no país.

    Restrições à Liberdade Religiosa: (…) A comunidade Baptista reportou que as autoridades não devolveram um edifício com significado histórico confiscado previamente sob o regime soviético e que é usado como cinema central em Baku. A comunidade Baha’i reportou que o Governo não respondeu aos seu pedido de Agosto de 2005 para que as autoridades devolvessem uma casa de Baku com valor histórico para a comunidade. O Governo afirma que não existe uma lei sobre restituição de propriedades confiscadas, tornando impossível a devolução dos edifícios (...)

    Abusos de Liberdade Religiosa: (...) Grupos religiosos não tradicionais enfrentam problemas particularmente graves quando operam em regiões remotas do país, incluindo o enclave de Nakhchivan. Por exemplo, em Dezembro de 2004, o líder da pequena comunidade Baha’i em Nakhchivan foi detido brevemente e posteriormente libertado, devido à sua actividade e ensinamentos religiosos. (...)

    ESPANHA
    (...) Algumas religiões autónomas assinaram acordos com grupos religiosos com vista a encorajar a integração social. Por exemplo, o Governo da Catalunha assinou acordos com o conselho islâmico da Catalunha, e as comunidades religiosas Protestante, Judaica e Baha’i. (...)

    GRÉCIA
    (...) A fé Baha’i e outras expressaram o seu desejo de funcionarem segundo o contexto de um enquadramento legal, como religiões oficialmente reconhecidas, em vez de “associações” (...) A Igreja Ortodoxa mantém uma lista de práticas e grupos religiosos, incluindo Testemunhas de Jeová, Protestantes Evangélicos, Cientologistas, Mormons, Baha’is e outros, que acredita serem sacrilégios. (...)

    ROMÉNIA
    (...) A Organização dos Crentes Ortodoxos do Antigo Rito, o Movimento Adventista para a Reforma, a Fé Baha’i e os Mormons estavam entre os grupos religiosos que tentaram sem sucesso o reconhecimento oficial como religiões, após 1990. Os lideres locais da Fé Baha’i afirmaram mais uma vez que, durante o período coberto por este relatório, não tentaram obter o reconhecimento oficial porque fontes governamentais lhes afirmaram que a condição do grupo não pode ser alterada sob a actual legislação. (...) A Fé Baha’i queixou-se que empresas editoras de jornais rejeitaram repetidamente o seu pedido de publicação de artigos pagos, após o contrato ter sido assinado e a Fé Baha’i ter pago os encargos. (...)

    TURQUIA
    (...) Alguns muçulmanos, cristãos e baha'is enfrentam algumas restrições e hostilidade ocasional por alegado proselitismo e reuniões não autorizadas. (...)

    Demografia Religiosa: (…) Existem aproximadamente 10.000 Baha’is; (...)

    Restrições à Liberdade Religiosa: (...) A filiação religiosa está registada nos cartões nacionais de identidade. Alguns grupos religiosos, como os baha’is, não podem declarar a sua religião nos cartões porque a sua religião não se encontra entre as opções; fizeram chegar as suas preocupações ao governo. Em Abril de 2006, o Parlamento adoptou uma legislação que permite que as pessoas deixem em branco a identificação religiosa ou escrevam a sua religião. No entanto, parece que o Governo restringiu a “escolha de religião”; membros da comunidade Baha’i afirmaram que fontes governamentais lhes disseram que, apesar da nova lei, eles não poderiam indicar a sua religião nos cartões. (...)

    Abusos e Discriminação Social: (...)O relacionamento geralmente tolerante entre as religiões na sociedade contribuiu para a liberdade religiosa; no entanto, alguns muçulmanos, cristão e baha’is enfrentam a suspeita e a desconfiança da sociedade. Judeus e cristãos da maioria das denominação praticam livremente a sua religião e reportaram pouca discriminação na sua vida diária. No entanto, cidadãos que se converteram do Islão para outra religião enfrentam por vezes hostilidade e pressão social por parte de parentes e vizinhos. Proselitismo em nome de uma religião não-muçulmana é socialmente inaceitável e por vezes perigoso. (...)

    EGIPTO
    A Constituição garante a liberdade de crença e de prática de ritos religiosos, apesar de, na prática, o Governo colocar restrições a estes direitos. O Islão é a religião oficial de Estado e a Shari’a (lei islâmica) é a principal fonte de legislação; as práticas religiosas que contrariam a interpretação governamental da Shari’a estão proibidas. Membros de grupos religiosos não-muçulmanos reconhecidos oficialmente pelo Governo realizam cultos sem hostilização e mantêm ligações com correligionários noutros países; no entanto, membros de grupos religiosos não reconhecidos pelo Governo, particularmente a Fé Baha’i, sentem dificuldades individuais e colectivas

    Não houve mudança significativa na situação do respeito pela liberdade religiosa durante o período coberto por este relatório. O Governo opôs-se a avanços no respeito pela liberdade religiosa que afecta os Baha’is; continuam a existir abusos, numerosas restrições e algumas melhorias. Apelou de uma decisão de 4 de Abril de um Tribunal Administrativo que apoiou o direito dos Baha’is receberem documentos de identidade e certidões de nascimento com a religião assinalada nos documentos. (...)

    (...) A tradição e alguns aspectos da lei discriminam as minorias religiosas, incluindo Cristãos e particularmente Baha’is. O Governo continuou a negar documentos civis, incluindo cartões de identidade, certidões de nascimento e licenças de casamento, a membros da comunidade Baha’i, que conta entre 500 a 2000 membros. (...)

    Restrições à Liberdade Religiosa: A lei 263 de 1960, ainda em vigor, proíbe as instituições e actividades comunitárias baha’is, e um decreto presidencial de1961 retirou o reconhecimento legal aos baha’is. Durante a era Nasser, o governo confiscou propriedades da comunidade baha’i, incluindo centros baha’is, bibliotecas e cemitérios. O Governo declarou que os cartões de identificação nacionais exigiam que todos os cidadãos fossem classificados como muçulmanos, cristãos ou judeus. O Ministério do Interior, em raras ocasiões, emitiu documentos em que a religião do cidadão indicava “outra” ou simplesmente não incluíam menção da religião. Mas não é claro quando é que estas condições se aplicam. Baha’is e outros grupos religiosos que não estão associados com qualquer destas três “religiões celestiais” são obrigados a disfarçar a sua religião ou a ficar sem documentos oficiais.

    Quem não tem documentos de identificação válidos tem dificuldades em inscrever os seus filhos na escola, abrir contas bancárias, ou criar empresas. Aos 16 anos de idade, os baha’is enfrentam problemas adicionais segundo a lei 143/1994, que torna obrigatório a todos os cidadãos obter um cartão de identificação nacional com um novo numero nacional de identificação. A polícia, geralmente em autocarros públicos, efectua inspecções aleatórias aos documentos de identificação, e quem é apanhado sem o seu documento de identidade é detido até que o documento seja apresentado à polícia. Alguns baha’is, a quem não é possível obter documentos de identidade, preferem ficar em casa para evitar a polícia e possíveis detenções.

    Em Maio de 2004, o governo confiscou os documentos de identidade de dois baha’is que tinham pedido passaportes. Os funcionários afirmaram que agiam segundo instruções do Ministério do Interior para confiscar os documentos de identidade que pertencessem a baha’is. (...)

    Abusos de Liberdade Religiosa: (...)O centro de pesquisa islâmica (CPI) de Al-Azhar emitiu uma opinião legar em Dezembro de 2003, condenando os Baha’is como apóstatas. Em Maio de 2006, o Ministro da Justiça pediu orientação ao CPI para preparação do apelo do Governo contra a decisão de 4 de Abril que apoiava os direitos dos Baha’is. O CPI emitiu uma interpretação islâmica legal afirmando que a Fé Baha’i era uma “heresia”. A interpretação de 2006 referia uma opinião de 1985 que acusava os Baha’is de trabalhar em apoio do sionismo e imperialismo e rotulava-os de “apóstatas”. (...)

    Melhoramentos e Desenvolvimentos Positivos no Respeito pela Liberdade Religiosa: Em Março de 2006 o NCHR [National Council for Human Rights] publicou o seu segundo relatório, em que recomendava uma solução para o reconhecimento oficial dos baha’is, referia o problema das Testemunhas de Jeová no país, e criticava os textos religiosos das escolas por não abordarem tópicos dos direitos humanos. O relatório também encorajava o Governo a publicar uma nova lei para todos os grupos religiosos sobre a construção de novos locais de adoração. (...)

    IRÃO
    A Constituição declara que a “religião oficial do Irão é o Islão e que a doutrina seguida é a do Xiismo Ja’fari (Duodécimo). O Governo restringe a liberdade religiosa.

    Houve uma maior deterioração no já muito pobre respeito pela liberdade religiosa durante o período a que respeita este relatório, mais particularmente para Baha’is e Muçulmanos Sufis. As minorias religiosas do país incluem muçulmanos sunitas e sufis, baha’is, zoroastrianos, judeus e cristãos. Houve relatos de prisões, hostilização e discriminação baseada nas crenças religiosas.

    As acções e a retórica do governo continuaram a criar uma atmosfera ameaçadora para praticamente todas as minorias religiosas, especialmente baha’is e muçulmanos sufis. A uma menos escala, zoroastrianos, cristãos evangélicos e a pequena comunidade judaica também foram alvos da hostilidade do Governo. Os media controlados pelo Governo – emissoras e imprensa – intensificaram campanhas negativas contra as minorias religiosas – em particular os Baha’is – após a eleição de do Presidente Mahmoud Ahmadinejad, em Junho de 2005

    (...) Também em Março de 2006, a Relatora Especial das Nações Unidas emitiu uma declaração onde expressava a sua preocupação sobre o tratamento da comunidade Baha’i no país. A Relatora Especial afirmou que o Líder Supremo Khamenei deu instruções às forças de Segurança para identificar e compilar informação sobre os Baha’is.

    Enquadramento Legal: (...) Aderentes de grupos religiosos não reconhecidos pela Constituição não usufruem de liberdade de prática das suas crenças. Esta restrição afecta seriamente os aderentes da fé Baha’i, que o governo consideram um grupo islâmico herético com uma orientação política contrária revolução islâmica do país. No entanto, os Baha’is não se consideram muçulmanos, mas antes como uma religião independente com origens na tradição islâmica xiita. Fontes governamentais afirmaram que, enquanto indivíduos, os baha’is têm direito às suas crenças e estão protegidos pelos artigos da constituição enquanto cidadãos; no entanto o Governo continuou a proibir os Baha’is de ensinar e praticar a sua fé. Os Baha’is também enfrentam discriminação nos locais de trabalho e estão impedidos de aceder a empregos na função pública. (...)

    Restrições à Liberdade Religiosa: (...) Segundo a lei, o sangue baha’i é considerado "Mobah", significando isto que pode ser derramado impunemente. (...)

    A Fé Baha’i teve origem no país durante a década de 1840 como um movimento reformista dentro do Islão xiita. O governo considera os baha’is apóstatas devido à sua pretensão de ter uma revelação religiosa subsequente à do Profeta Maomé, mas os Baha’is não se consideram Muçulmanos. Em vez disso, o Governo considera os Baha’is como uma “seita” política, ligada ao regime de Palhevi, mas os Baha’is enfrentavam discriminação antes da revolução. Um relatório do Ministério da Justiça de 2001 afirmava que aos baha’is devia ser permitido o ingresso nas escolas desde que não se identificassem como baha’is e que preferencialmente os baha’is deviam ser admitidos em escolas com forte ideologia religiosa. Existem alegações que as crianças baha’is em escolas publicas foram sujeitas a tentativas de conversão ao Islão. O relatório do Ministério da Justiça também declarava que os Baha’is deviam ser impedidos de ingressar nas universidades que durante o processo admissão ou ser expulsos destas no decorrer dos seus estudos assim que a sua filiação religiosa se tornasse conhecida.

    Os Baha’is não ensinam nem praticam a sua fé; também não mantêm ligações com os seus correligionários no estrangeiro. O facto do Centro Mundial Baha'i (estabelecido pelo fundador da Fé Baha’i durante o Século XIX no que era então a Palestina Otomana) estar situado naquilo que é hoje o Estado de Israel expõe os Baha’is a acusações oficiais de “espionagem a favor do Sionismo”. Estas acusações tornaram-se mais intensas quando os Baha'is foram apanhados a comunicar ou a enviar contribuições financeiras para o Centro Mundial Baha'i.

    Os Baha'is estão impedidos de aceder a empregos públicos ou de receber pensões do governo. Além disso, aos baha’is é frequentemente negado o direito de receber indemnizações por actos injuriosos ou criminosos; também foi negado o direito de receber heranças. Os casamentos e os divórcios baha’is não são oficialmente reconhecidos, apesar do governo permitir que um certificado de casamento civil seja usado como documento oficial.

    O Governo permite que as minorias religiosas reconhecidas estabeleçam centros comunitários assim como algumas associações culturais, sociais e desportivas auto-financiadas. No entanto, o Governo proíbe que a comunidade Baha'i crie assembleias oficiais e mantenha instituições administrativas, actuando firmemente no encerramento dessas instituições. Uma vez que a fé Baha’i não em clero, a negação do direito a formar essas instituições e cargos eleitos ameaça a sua própria existência.

    Amplas restrições sobre os Baha’is tem minado a sua capacidade para funcionar como comunidade. Aos baha’is tem sido repetidamente oferecido o fim dos seus problemas se negarem a sua fé. (...)

    (NOTA: O capítulo referente ao Irão menciona ainda vários casos de perseguições aos Baha’is já referidas neste blog: A confiscação e destruição de cemitérios Baha’is, lugares sagrados, locais históricos, centros administrativos e outros bens; também as diferentes estratégias para impedir o acesso de estudantes Baha’is ao ensino superior são mencionadas. Além disso a recente directiva do líder supremo Ayatollah Ali Khamenei ao Ministério da Informação, à Guarda Revolucionária e às forças policiais no sentido de identificar os Baha’is e monitorizar as suas actividades não escapou aos autores deste relatório)

    BAHRAIN
    Enquadramento Legal: (...) No passado, o Ministério dos Assuntos Islâmicos negou repetidamente à comunidade Baha’i um pedido de legalização. O Ministério dos Assuntos Islâmicos declarou que a fé Baha’i é um ramo do Islão. De acordo com a interpretação oficial do Islão, o Governo considera os ensinamentos Baha’is como blasfemos e consequentemente ilegais; por esse motivo o Ministério recusa-se a reconhecer a religião, mas permite que a comunidade se reuna e pratique actos de culto. Há muitos anos que a comunidade Baha’i deixou de solicitar o reconhecimento oficial. (...)

    IRAQUE
    (...) Não houve mudança na situação do respeito pela liberdade religiosa durante o período coberto por este relatório. Desde 2003, o Governo não se tem envolvido em perseguições qualquer grupo religioso, apelando, pelo contrário à tolerância e aceitação de todas as minorias religiosas. No entanto, as antigas práticas discriminatórias contra Baha’is e Muçulmanos Sunitas Wahabitas prosseguem em algumas instituições governamentais. (...)

    Enquadramento Legal: (...) A resolução nº 201 de 2001 do Conselho do Comando Revolucionário proíbe o ramo Wahabita do Islão e decreta a pena de morte para os seus aderentes se a acusação for provada. A lei nº 105 de 1970 proíbe a fé Baha’i. Ambas ainda estão em vigor. (...)

    A lei provisória e a Constituição garantem liberdade religiosa. No entanto, no final do período referente a este relatório, a Secção de Nacionalidade e Passaportes do Ministério do Interior continuavam a seguir o regulamento 358 de 1975 que proíbe a emissão de documentos de identificação a quem afirmar ser Baha’i. Sem documentos oficiais de cidadania, os Baha’is sentem dificuldades em inscrever crianças nas escolas e a solicitar passaportes. (...)

    JORDÂNIA
    (...) Nas escolas públicas a educação religiosa é obrigatória para todos os estudantes muçulmanos. Estudantes cristãos e baha’is não são obrigados a frequentar os cursos sobre o islão.

    (...) O governo não reconhece as fés drusa ou baha’i como religiões, mas não proíbe a sua prática. Os drusos enfrentam discriminação oficial, mas não se queixam de discriminação social. Os baha’is enfrentam discriminação governamental e social. Nos documentos de identificação nacional onde normalmente se identifica a religião do portador, o Governo regista os Druzos como Muçulmanos e não indica religião para os Baha’is. A comunidade Baha’i não tem os seus próprios tribunais que se encarreguem de casos pessoais e familiares; esses assuntos são entregues a tribunais Shari’a. (...) O governo não permite que os baha’is registem escolas ou locais de adoração. As candidaturas de emprego à administração pública contêm, por vezes, questões sobre a religião do candidato. (…)

    LÍBANO
    (...) Aos cidadãos que pertençam a uma fé reconhecida pelo governo, é-lhes permitido realizar os seus rituais religiosos livremente; no entanto, alguns direitos poderão não estar garantidos se estiverem fora do sistema “confessional” de atribuição de poder político. Por exemplo, um baha'i não pode candidatar-se ao Parlamento, porque não existe um lugar reservado para a sua confissão, nem pode obter um cargo no governo pois estes são atribuídos segundo uma base confessional. No entanto, alguns grupos religiosos não reconhecidos estão registadas sob outras religiões reconhecidas oficialmente. Por exemplo, a maioria dos baha’is estão registados sob a seita xiita, e assim os baha’is podem candidatar-se aos lugares atribuídos à seita xiita. (...)

    Restrições à Liberdade Religiosa: (...) Grupos não reconhecidos oficialmente como os baha’is, budistas, hindus e algumas denominações evangélicas podem possuir propriedades e reunir-se para os cultos sem interferências governamentais; no entanto, estão em desvantagem sob a lei, porque legalmente não podem casar, divorciar ou receber heranças. (...)

    MARROCOS
    (...) Porque muitos Muçulmanos vêem a Fé Baha’i como um ramo herético do Islão e consequentemente os Baha’is como apóstatas, a maioria dos membros da comunidade Baha’i evita mostrar a sua filiação religiosa; as preocupações dos baha’is pela sua segurança e propriedades pessoais não os impede de funcionarem na sociedade, e alguns têm empregos na Administração Pública. (...)

    TUNÍSIA
    (...) O Governo considera a Fé Baha’i como uma seita herética do Islão e apenas permite que os seus aderentes praticam a sua fé em privado. O Governo permite que os Baha’is realizem reuniões do seu conselho nacional em casas privadas, e três Assembleias Espirituais Locais, corpos de administração local, foram eleitos desde 2004. A presença dos Baha’is no país data desde há mais de um século e seu número estima-se em 200.

    * * * * * * * * *

    Este relatório refere ainda a presença dos Baha’is no seguintes países:

    ÁFRICA

    Benin
    Camarões
    Cabo Verde
    Chade
    Costa do Marfim
    Guiné Equatorial
    Ghana
    Libéria
    Moçambique
    Namíbia
    Niger
    Ruanda
    Serra Leoa
    Swazilândia ["A Fé Baha'i é um dos grupos não-cristãos mais activos no país"]
    Tanzânia
    Uganda
    Zimbabwe

    EXTREMO ORIENTE E PACÍFICO

    Camboja
    Taiwan
    Kiribati
    Ilhas Marshal
    Micronesia
    Mongólia
    Palau
    Papua Nova Guiné
    Samoa
    Tonga [quase 5% da população]
    Tuvalu [3% da população]
    Vanuatu

    EUROPA E EURASIA

    Albânia
    Arménia
    Áustria
    Bielorrússia
    Chipre
    Dinamarca
    Georgia
    Itália
    Liechtenstein
    Luxemburgo
    Malta
    Moldávia
    Rússia
    San Marino
    República Eslovaca
    Reino Unido

    MÉDIO ORIENTE E NORTE DE ÁFRICA

    Israel
    Koweit
    Líbia
    Qatar
    Emirados Árabes Unidos

    ÁSIA CENTRAL

    Bangladesh
    Índia
    Kazaquistão
    Kirguizizstão
    Nepal
    Tadjiquistão
    Uzebequistão

    HEMISFÉRIO OCIDENTAL

    Antigua e Barbuda
    Bahamas
    Barbados
    Belize
    Bolívia
    Canadá
    Chile
    Costa Rica
    Cuba
    Dominica
    Equador
    Granada
    Guiana
    Jamaica
    Nicarágua
    Panamá
    Paraguai
    Peru
    St. Kitts e Nevis
    St. Lucia
    S. Vicente e Granadinas
    Suriname
    Uruguai

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    Outro anúncio com uma mensagem muito forte.
    Gostaria de o ver nas televisões portuguesas.


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    Este video foi recebido por email.
    A mensagem é forte, muito forte. Dá que pensar.
    Apesar de ser publicidade a um produto, penso que merece ser visto.


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