sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dan Seals & the Voices of Bahá

In memory of Dan Seals, who passed away in March 2009, here is a video of him with the Voices of Bahá and the Slovak Radio Symphony Orchestra, live in Slovakia, March 2000. Dan is performing one of his own songs, "We Are One."

terça-feira, 28 de julho de 2009

Re-humanizar o desumanizado

Artigo de Koroush Agah-Kesheh, publicado no Kayhan London, o mais influente jornal de língua persa fora do Irão. A tradução inglesa encontra-se no IPW; o original em persal encontra-se aqui.
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A detenção durante mais de um ano na prisão de Evin de sete dirigentes da comunidade Bahá'í iraniana foi largamente noticiada. O seu encarceramento continuado sem acusação nem acesso a aconselhamento legal, suscitou reacções de preocupação e protesto de todos os sectores – incluindo governos, activistas de direitos humanos, organizações não-governamentais, personalidades influentes, cidadãos comuns e incontáveis iranianos.

A detenção às primeiras horas da madrugada de toda a liderança da maior minoria não-muçulmana do Irão é suficientemente dramática para encher cabeçalhos. Mas o encarceramento dos sete foi apenas o mais recente desenvolvimento de uma campanha de 30 anos conduzida pelas autoridades iranianas para erradicar a Comunidade Baha’i. Um memorando secreto de 1991, ratificado pelo Líder Supremo do Irão, e divulgado pelas Nações Unidas em 1993, esboça um vasto plano para bloquear o desenvolvimento e progresso dos Baha’is, negando-lhes todas as oportunidades de ter uma influência na sociedade iraniana. Além disso, o memorando exigia sinistramente que “se deve elaborar um plano para confrontar e destruir as suas raízes culturais fora do país”.

Criar uma cultura de ódio

Um dos aspectos da actual campanha de perseguição contra os 300.000 Baha’is do Irão tem, porém, sido menos noticiado. Desde Setembro de 2005, o jornal estatal Kayahan tem publicado numerosos artigos denegrindo a comunidade e as suas crenças. A sua intenção: criar entre os leitores sentimentos de suspeição, desconfiança e ódio contra os Baha’is. Os artigos do Kayhan – juntamente com outras publicações que circulam largamente no Irão – distorcem e denigrem deliberadamente as práticas e crenças Baha’is, falsificam as vidas dos seus venerados fundadores e dirigentes, ressuscitam alegações contra os Baha’is baseadas em documentos que há muito se provaram ser falsos, e fabricam memórias de "antigos Baha’is" que agora "viram a luz" e regressaram ao Islão. Todos estes artigos apresentam as crenças Baha’is de forma a causar a maior ofensa possível aos Muçulmanos.

Este flagrante discurso de ódio não se limita à imprensa. Num caso recentemente reportado, uma estudante do ensino secundário que corrigiu a informação sobre a sua fé Baha’i numa aula de história, e cujos comentários o professor foi incapaz de contrariar, foi sujeita a uma apresentação por um clérigo que atribuiu aos Baha’is actos tão imorais que a estudante não foi capaz de contar à sua mãe o que foi dito. O clérigo concluiu dizendo que uma “senhora americana nua” tinha guiado os Baha’is.

Os media mundiais não hesitaram em cobrir a publicação das caricaturas do Profeta Maomé num jornal dinamarquês e as subsequentes cenas de violência em todo o mundo. No entanto, nada foi escrito sobre os 4000 exemplares de um livro ilustrado para crianças intitulado "O Falso Babak", apresentado como uma oferta às crianças das escolas iranianas. O livro é um relato calunioso, historicamente distorcido, e profundamente insultuoso, da vida de uma das figuras proféticas da fé Baha’i, conhecido como o Báb, retratando-o como um rapaz imbecil da aldeia cuja longa exposição ao sol do meio dia durante as orações o leva a reclamar ser um profeta, levando à sua morte.

A história demonstra os perigos desta propaganda, dirigida simultaneamente a adultos e crianças. Durante as anteriores campanhas governamentais de perseguição contra os Baha’is – como em 1955 e 1979 – a violência propagou-se inicialmente através de palavras, sermões e falsas declarações. "As palavras devem ser vistas como uma força com potencial para libertar uma energia poderosa, positiva ou negativa", escreveu o cientista político Professor Eliz Sanasarian. "Insultos e estereótipos, através da repetição, tornam-se aceites como verdade, com sistemas de conceitos, crenças e mitos plenamente elaborados."

Numa tal cultura, o ódio de toda uma população pode ser acicatado pela sistemática e implacável repetição de falsidades, que como consequência se tornam uma crença comum. Quando os cidadãos mobilizados tomam uma acção contra os seus vizinhos – sobre os quais lhes foi repetidamente dito que eram traidores, corruptos ou impuros – as autoridades absolvem-se da responsabilidade ao atribuir as culpas às acções da populaça.

Os efeitos desumanizadores do discurso

O Profeta fundador dos Bahá’ís, Bahá’u’lláh, estava, ele próprio, ciente dos efeitos do discurso. "Pois a língua é um fogo em brasas, e o excesso de palavras, um veneno mortal", escreveu ele. "O fogo material consome o corpo, enquanto o fogo da língua devora tanto o coração como a alma. A força do primeiro dura apenas pouco tempo, mas os efeitos do último persistem por um século". Certamente que as calúnias persistentemente dirigidas contra os Bahá’ís bombeadas sobre o povo iraniano durante mais de 150 anos coloriram as opiniões até dos liberais dos seus cidadãos que apenas recentemente começaram a falar em defesa dos seus compatriotas Bahá’ís.

Desumanizar uma parte da sociedade é um desenvolvimento profundamente perturbante em quaisquer circunstâncias. Na sua teoria de que o genocídio é um fenómeno que se desenvolve em sucessivas etapas, Gregory Stanton, Presidente da Genocide Watch, argumenta que na primeira fase assiste-se a uma categorização das pessoas baseada na raça, religião, nacionalidade ou etnicidade. Seguidamente são separados do resto da sociedade, e a sua diferença enfatizada, sendo forçados a ser identificados, quase como gado. Um exemplo disso foi a estrela amarela que os Judeus alemães tiveram de usar sob o domínio nazi. A terceira fase é a desumanização. A humanidade da vítima é negada, as suas características físicas são caricaturadas, o comportamento cultural é ridicularizado através de representações gráficas, discursos inflamados e da comunicação social. Os problemas sociais e económicos do país – e do mundo – são culpa sua.

Este padrão tem-se repetido ao longo da história. O "outro" é vilipendiado como um animal, um verme, uma peste, uma doença ou praticante de bruxaria. No Ruanda, os Tutsis eram descritos como baratas e cobras, acusados de comer órgãos vitais. Os Judeus na Alemanha eram, entre outras coisas, "cogumelos venenosos", porcos e aranhas.

"Os seres humanos que seguem outra coisa que não o Islão são como aqueles animais que vagueiam e lançam a corrupção", afirmou o Ayatollah Ahmad Jannati, o chefe do poderoso Conselho dos Guardiães. Os Bahá’ís no Irão têm sido rotulados como “perversos instrumentos de Satanás e seguidores do Diabo e das superpotências e seus agentes”. Foram acusados incontáveis vezes de espionagem. Mas quando é que na história humana houve alguma vez uma inteira comunidade de espiões num país, que contasse milhares de pessoas desde crianças a idosos?

Os Bahá’ís são rotulados como inimigos do Islão que "lutam contra Deus" e "espalham a corrupção na terra". No entanto, as escrituras Baha’is refém o Islão como "a abençoada e luminosa religião de Deus", e o Profeta Maomé como "a refulgente lâmpada dos Profetas", "Senhor da criação" e "Estrela d’Alva do mundo".

A sede internacional da Fé Baha’i está hoje localizada dentro das fronteiras do actual Estado de Israel. Mas como é que os Baha'is podem ser descritos como “Sionistas” quando Bahá'u'lláh foi exilado pelos governos Persa e Otomano para a cidade-fortaleza de 'Akka, em 1868, várias décadas antes do movimento sionista ter inicio, e oitenta anos antes da fundação do Estado de Israel?

Num programa orquestrado de perseguição, as autoridades iranianas tentaram persistentemente disfarçar o facto das suas acções serem motivadas apenas por ódio e preconceito religioso. Justificam as suas campanhas contra a comunidade Bahá’í afirmando que não se trata de uma religião mas de uma organização política. E quando não são rotulados de espiões ou agentes de várias agendas imperialistas ou colonialistas, os Bahá'ís enfrentam as constantes acusações de imoralidade, imodéstia e indecência. Nada podia estar mais longe da verdade.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Um Jesus não-exclusivista

«Jesus dá um passo espantoso face à história das religiões ao afirmar: «Mulher, acredita em mim: chegou a hora em que, nem neste monte nem em Jerusalém, haveis de adorar o Pai, mas sim em espírito e em verdade» (Jo. 4, 22-24). O que João põe na boca de Jesus é que, doravante, nenhuma religião perante Deus é superior a qualquer outra; que não é essencial ser-se samaritano ou judeu (hoje, poder-se-ia acrescentar, cristão, hindu, budista ou muçulmano), visto que, para além da diversidade de culturas religiosas, o que conta é a verdade da relação íntima com Deus. Jesus dinamita o exclusivismo religioso e destrói o discurso legitimador de qualquer tradição religiosa: a sua pretensão a ser um centro, uma via obrigatória para a salvação. Ele entende ajudar o homem a superar a religião exterior, necessariamente plural e concorrencial, para o introduzir na espiritualidade interior, radicalmente singular e universal.»
Frederic Lenoir, Cristo Filósofo, p. 231

Este excerto também é interpretado com a universalidade da mensagem cristã.
Porque serão tão poucas as igrejas cristãs que seguem o sentido do texto apontado por Frederic Lenoir?

sábado, 25 de julho de 2009

united4iran.org

O convite de Shirin Ebadi para as manifestações que se realizam hoje em todo o mundo.


sexta-feira, 24 de julho de 2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O fascínio religioso pelo sofrimento

No livro Cristo Filósofo, Frederic Lenoir escreve:
Com as Epístolas de S. Paulo instala-se a teologia da Cruz, articulada em torno da pessoa de Cristo, que consente o sacrifício supremo: «Nós proclamamos um Cristo crucificado, escândalo para os Judeus e loucura par aos pagãos» (1ª carta aos Coríntios, 1:23). Infelizmente esta teologia degenerou, sobretudo a partir do século XI, com Santo Anselmo, numa concepção sacrificial sangrenta, segundo a qual o Filho teria vindo salvar os homens da cólera do Pai e do domínio do diabo, morrendo na cruz. O corolário desta concepção sadomasoquista do plano divino era o facto de que os verdadeiros discípulos de Cristo seriam aqueles que sofrem mais. Daí o fascínio mórbido que tantos cristãos tiveram pelo sofrimento – o dito «dolorismo». (p. 56-57)
COMENTARIO:
Serão os Bahá’ís imunes a este fascínio pelo sofrimento? Será possível alcançar o sucesso sem sofrimento? Porque é que, em matéria religiosa, há quem prefira invocar o sacrifício dos crentes, em vez de enaltecer a sua dedicação e entusiasmo? Será que a dedicação apenas tem mérito quando há sacrifício?

Imagine-se um baha’i que decide ir viver para outro país com o objectivo de divulgar a Fé e ajudar a comunidade Baha’i a crescer (aquilo a que vulgarmente designamos por “pioneiro”). O que motiva esse crente será certamente uma atitude dedicação e entusiasmo para com a Fé Baha’i. Se, no país de destino, esse pioneiro enfrentar dificuldades (profissionais, culturais, etc) isso será uma consequência do seu entusiasmo e da sua dedicação. Para superar essas dificuldades, o pioneiro terá de fazer alguns sacrifícios (aceitar emprego mal remunerado, mudar alguns hábitos culturais,…).

Note-se que o objectivo da dedicação do pioneiro nunca foi o sacrifício, mas sim o serviço à Fé. O sofrimento é uma consequência (apenas possível) de uma atitude de dedicação e serviço.

Será que o sacrifício é mesmo necessário para o crescimento da Fé Bahá’í? Na minha perspectiva, o crescimento da comunidade Bahá’í necessita de dedicação e entusiasmo. O sofrimento pode surgir como consequência do entusiasmo e da dedicação. Mas o sofrimento só por si - sem a dedicação e entusiasmo - nunca será uma força dinamizadora do crescimento da Comunidade Bahá’í.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Apollo 11 40th anniversary

A video edit commemorating the 40th anniversary of the first walk on the moon. The lift off was July 16, 1969. The moon landing and first walk took place July 20, 1969. Astronauts on the flight Neil Armstrong, Mike Collins, and Buss Aldrin.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Iranianos em Portugal

Excertos do artigo Iranianos em Portugal: Ver o que se passa no Irão de longe e com espanto, do jornal Público, do passado dia 11 de Julho.
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Said Jalali, professor de Engenharia na Universidade do Minho, que é bahá'i (uma religião que nasceu no Irão, onde é perseguida), saiu do país antes da revolução de 1979 e é tão português como iraniano.

(...)

Said Jalali está em Portugal desde 1972. Na comunidade bahá'i há o que, "nas universidades europeias, se chama hoje intercâmbio", explica Jalali na sala da sua casa em Braga, onde um tapete com inscrições em farsi é o único elemento denunciador da origem da família. Terminado o seu curso, de Engenharia Civil, e com a mulher, estudante de Economia, tinha pensado passar esse "ano de aventura" em África. "Era mais exótico." Mas entretanto "disseram-nos que ainda ninguém tinha ido a Portugal, e viemos para cá".

A ideia era ficar um ano, mas, logo após poucos meses, o jovem engenheiro arranjou trabalho, a sua mulher entrou na universidade, "a vida tornou-se fácil, vieram os filhos, gostámos e ficámos", resume.

Setúbal foi o primeiro destino e ainda hoje confessa torcer pelo Vitória - "também para contrariar os meus filhos, que são portistas ferrenhos". A vinda para Portugal, confessa, "foi mesmo sorte". Ou, acrescenta, de uma forma muito portuguesa: "É destino".

(...)

Said Jalali saiu do Irão do Xá da Pérsia para o Portugal de Salazar, de uma ditadura para outra ditadura. Viveu a revolução portuguesa de 1974 em Setúbal ("era o único engenheiro numa fábrica em Tróia com três mil operários, todos colados ao rádio e a festejar") e a revolução de 1979 no Irão através da televisão e da família que continuava no país.

"Desde o início, pensei que a revolução [islâmica] não ia na direcção certa", confessa - os bahá'i, que já eram discriminados sob o Xá (Said Jalili não conseguiu um lugar de engenheiro na Câmara de Teerão por ser bahá'i), seriam ainda mais perseguidos na República Islâmica. Os bahá'i são vistos pelos xiitas como "hereges" porque o seu profeta, Baha'ullah, aparece na década de 1860, ou seja, é posterior a Maomé, e foi sepultado em Jaffa, onde hoje é Israel (um acaso da História que ainda hoje leva os fiéis iranianos a serem condenados por suspeita de "espionagem").

"Vocês aqui tiveram muita sorte, a revolução desde o início teve o rumo certo, da liberdade. Essa era a palavra-chave. Mas lá, mesmo de princípio, a palavra-chave não era essa. Depois começaram as perseguições: não só aos bahá'is, mas aos cristãos, até aos sunitas, que também são muçulmanos... E, passado pouco tempo, os políticos liberais que pensaram que iam ter o poder foram muito rapidamente, e completamente, afastados pelos religiosos."

(...)

"Incrível, incrível, como as pessoas saíram à rua... Podem não ganhar, pode não acontecer mais nada, mas foi incrível ver as pessoas sair e dizer que não estão contentes com este sistema", diz o professor Said Jalali. "E são tudo pessoas que nasceram com este regime", espanta-se. "Estes jovens a única via que têm é a Internet. No nosso repositório [de artigos científicos da Universidade do Minho], o terceiro país que consulta mais os nossos artigos é o Irão. As pessoas lá estão ávidas de informação."

O modo como tem acompanhado a situação agora é muito diferente da altura em que seguiu a revolução ou a guerra Irão-Iraque: é mais distante, porque não tem pessoas próximas no Irão, mas, por outro lado, vê tudo na Internet. Lembra-se bem de alguns sítios. "Mas os nomes, claro, são completamente diferentes."

O "Ter" e o "Ser"

Desde a revolução industrial e, mais ainda, desde a década de 1960, vivemos de facto numa civilização que faz do consumo, o motor do progresso. Motor não só económico mas também ideológico: o progresso é possuir mais. Omnipresente nas nossas vidas, a publicidade apenas faz aceitar esta crença em todas as suas formas. Podemos ser felizes sem ter o último carro? O mais recente modelo de leitor de DVD ou telemóvel? Uma televisão e um computador em cada sala? Esta ideologia é raramente posta em causa: enquanto for possível, porque não? E hoje a maioria das pessoas por todo o mundo assumiu este modelo ocidental, que torna a posse, a acumulação e a mudança permanente de bens materiais o significado último da vida. Quando este modelo gripa, o sistema falha; e quando parece que provavelmente não podemos continuar a consumir indefinidamente a este ritmo, que os recursos do planeta são limitados e que se torna urgente partilhar, então podemos finalmente fazer as perguntas certas. Pode-se questionar sobre o significado da economia, o valor do dinheiro, sobre as condições reais de uma sociedade equilibrada e da felicidade individual.

Neste ponto, creio que a crise pode e deve ter um impacto positivo. Ele pode ajudar-nos a reconstruir a nossa civilização, pela primeira vez a nível mundial, com base em critérios que não sejam o dinheiro e o consumo. Esta crise não é apenas económica e financeira, mas também espiritual e filosófica. Remete-nos para questões universais: o que pode ser considerado um verdadeiro progresso? Os seres humanos podem ser felizes e viver em harmonia com os outros numa civilização inteiramente construída em torno de um ideal de possuir? Sem dúvida que não. O dinheiro e a aquisição de bens materiais são apenas meios, alguns preciosos, mas nunca um fim em si mesmo. O desejo de posse é, por natureza, insaciável. E isso gera a frustração e a violência. O ser humano, está feito de maneira que deseja sem cessar possuir aquilo que não tem, lança-se a tomá-lo pela força junto do seu próximo. No entanto, uma vez que as necessidades materiais básicas estejam asseguradas - alimento, alojamento e ter o suficiente para viver decentemente - o homem necessita de entrar numa outra lógica, diferente do ter, para se satisfazer e tornar-se plenamente humano: a lógica do ser. Ele deve aprender a conhecer e a compreender, para entender o mundo que o rodeia e respeitá-lo. É preciso descobrir como amar, a viver com os outros, gerir a sua frustração, adquirir serenidade, superar o sofrimento inevitável da vida, mas também estar preparado para morrer com os olhos abertos. Porque se existência é um facto, viver é uma arte. Uma arte que se aprende, questionando os sábios e trabalhando sobre si mesmo.

Frederic Lenoir, Editorial da revista Le Monde des Religions, nº 36

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Clérigo Egípcio apela à aniquilação dos Iranianos e dos Bahá'ís

É tão ridículo que até podia parecer uma piada.
Mas não é.
É a realidade do ódio que se incita contra os Bahá'ís em países muçulmanos, e das fontes de perseguição contra a comunidade Bahá'í.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O acidente com o Tupolev Iraniano



Há algumas semanas, site IPW noticiava que um atleta iraniano tinha sido expulso da selecção júnior iraniana de judo, por ser Bahá'í. O caso referia-se a um atleta de 16 anos, Khashayar Zare'i, que após ter sido seleccionado acabou por ser desqualificado pela Comissão de Judo da província de Fars, não obstante ter vencido diversos torneios e competições escolares. Era mais um dos muitos casos de discriminação contra Bahá'ís no Irão.

Hoje, a terrível tragédia do acidente com o Tupolev iraniano circulou pelos media de todo o mundo. Perderam-se 168 vidas. No site da CNN, acrescenta-se um pormenor sobre os passageiros: "Dez membros da equipa nacional júnior de judo estavam a bordo do avião da Caspian Airlines, informaram diversas fontes incluindo a Press TV. A rede afirmou que os mortos incluíam oito atletas e dois treinadores".

Por vezes não sei o que pensar destas coisas…

A Gaiola de Ouro

Há pouco mais de dois meses foi publicado em Portugal o livro A Gaiola de Ouro (editora: A Esfera dos Livros) de Shirin Ebadi, advogada iraniana, activista dos direitos humanos e prémio Nobel da Paz 2003.

O livro centra-se na história de uma família que é trucidada pelo turbilhão da Revolução islâmica. Abbas, o irmão mais velho, oficial do exército do Xá é obrigado a exilar-se nos Estado Unidos, levando consigo a esposa doente. Javad, militante do partido Comunista (Tudeh) entra na clandestinidade, acabando por ser preso e fuzilado durante as execuções em massa que se seguiram ao fim da guerra com o Iraque. Ali, o irmão mais novo adere entusiasticamente à Revolução, alistando-se para guerra com o Iraque, tornando-se mais tarde um dissidente. Pari, a única irmã, tenta manter a família unida enquanto testemunha da desagregação social do Irão; vitima de discriminação, acaba por ir viver em Londres.

Neste livro de Shirin Ebadi ecoam os destinos de milhares de famílias iranianas, afectadas pelas tremendas crises políticas e sociais que levantaram irmãos contra irmãos, e que provocaram a emigração de milhões de cidadãos.

Um livro a ler para quem quer compreender o que é hoje o Irão.