Mais um excelente vídeo da Muslim Network for Baha'i Rights
terça-feira, 1 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Revelação Progressiva
Várias vezes neste blog referi o conceito de Revelação progressiva como um dos princípios mais importantes da Fé Bahá’í. No entanto, sempre que mencionei esse conceito descrevi-o de forma simplificada. O texto que se segue é uma tentativa de fazer uma análise mas cuidada sobre este conceito.
--------------------------------------------------------------
INTRODUÇÂO
Revelação Progressiva é um dos ensinamentos centrais da religião Bahá'í, segundo o qual a verdade religiosa é revelada por Deus de forma gradual e cíclica ao longo do tempo, através de uma sequência de Mensageiros Divinos. Esses Mensageiros Divinos apresentam ensinamentos adequados às necessidades do tempo e dos povos a quem se dirigem. Esta sequência de Mensageiros Divinos não terá fim, e existirá enquanto existir a espécie humana. Bahá'u'lláh, o fundador da Fé Bahá'í, é considerado o mais recente (mas não o último) e, consequentemente, aquele cujos ensinamentos são mais adequados à sociedade actual.
O conceito de revelação progressiva permite superar os aparentes conflitos teológicos e diferenças entre as religiões, pois cada Mensageiro Divino explicou a verdade de acordo com a capacidade dos seus ouvintes. Na perspectiva Bahá'í, é correcto afirmar que a verdade religiosa é relativa e não absoluta.

TERMINOLOGIA
A expressão Manifestante de Deus é usada na literatura Bahá’í para referir os fundadores de religiões divinamente inspiradas. Também é possível encontrar na literatura Bahá'í os termos "Profeta", "Mensageiro de Deus" ou "Mensageiro Divino" usados como sinónimo de "Manifestante de Deus".
RELIGIÕES E MANIFESTANTES
A Fé Bahá'í reconhece a origem divina das grandes religiões mundiais, considerando-as como diferentes etapas da história da religião; esta sucessão de etapas na história religiosa da humanidade é designada por Revelação Progressiva. Pode-se considerar que se trata de uma visão integrada sobre a história religiosa da humanidade: afirma-se a existência de um Deus único, sustenta-se a unidade dos profetas (chamados Manifestantes de Deus), e proclama-se um único propósito eterno de todas as religiões divinamente inspiradas.
Segundo os ensinamentos Bahá’ís, as religiões divinamente reveladas e actualmente existentes são o Sabeanísmo o Hinduísmo, o Judaísmo, Zoroastrismo, Budismo, Cristianismo, Islamismo, Fé Babí e Fé Bahá'í. As escrituras Bahá’ís sustentam que existiram outras religiões, mas o seu registo histórico perdeu-se[1].
A lista usual de Manifestantes apresentada pelos Bahá’ís é a seguinte: Krishna, Buda, Zoroastro, Moisés, Cristo, Maomé, o Báb, e Bahá'u'lláh. No entanto, existem outros Manifestantes referidos nas Escrituras Bahá’ís. Por exemplo, no Kitab-i-Iqan, Baha’u’llah designa José[2], Noé[3], Hud [4], Salih [5] e Abraão [6] como Manifestantes de Deus. Noutra epístola, Bahá’u’lláh refere Adão como o primeiro Manifestante de Deus.[7]
Note-se também que Shoghi Effendi mencionou a existência de várias religiões sobre as quais hoje não existe qualquer registo histórico:
ENSINAMENTOS RELIGIOSOS
Os Bahá'ís acreditam que existem dois tipos de ensinamentos religiosos:
1) Verdades espirituais eternas;
2) Leis sociais adequadas às necessidades de cada época.
Os primeiros são comuns a todas as religiões, e podem variar apenas na sua forma de apresentação (exemplos: adorar a Deus, amar o próximo, não matar). Os segundos incluem leis de conduta, instituições e cerimónias, e podem mudar profundamente de um Manifestante para outro (exemplos: jejum, divórcio, restrições alimentares).
Os Manifestantes de Deus proclamam as mesmas verdades espirituais e valores morais; além disso, a mensagem de cada Manifestante reflecte a evolução espiritual e da humanidade em cada época[9]. Segundo os ensinamentos Bahá’ís, a capacidade espiritual e receptividade da humanidade tem aumentado ao longo do tempo, e na actual fase da sua evolução pode compreender que as verdades espirituais contidas na revelação de Bahá’u’lláh.
Segundo as Escrituras Bahá'ís, as diferenças nas revelações dos Manifestantes de Deus residem essencialmente nas Leis Sociais reveladas por estes. Estas diferenças são consideradas normais e devem-se às condições sociais e humanas existentes no momento da revelação [10] e variam de acordo com os "diferentes requisitos de cada época"[11] e também com a "capacidade espiritual" da humanidade[12].
ANALOGIAS
Na literatura Bahá’í é possível encontrar diversas analogias que descrevem o conceito de revelação progressiva.
Escola
A sequência de revelações divinas pode ser comparada a uma escola. Tal como nas escolas o professor transmite conhecimentos de acordo com as capacidades dos alunos, também os fundadores das religiões apresentam ensinamentos adequados às necessidades e maturidades dos povos em cada época. Alguns ensinamentos considerados adequados numa determinada época podem ser eliminados, acrescentados ou substituídos noutra época posterior. Os ensinamentos das religiões anteriores não são considerados falsos, mas antes, adequados às necessidades de um, ou mais povos, numa determinada época.[13]
Médico
Em alguns textos, Bahá'u'lláh compara os Manifestantes a Médicos Divinos que vão receitando diferentes remédios consoantes as doenças da épocas em que surgem. O conhecimento desses Médicos Divinos tem uma única fonte, e é superior ao conhecimento humano. As diferentes necessidades de cada época em que surgem os médicos Divinos são o motivo das diferenças.[14]
Dia
Num outro texto, Baha’u’llah compara a sucessão de Manifestantes com o aparecimento do sol em dias sucessivos. Tal como em cada dia, após o nascer do sol, se sucedem a manhã, a tarde, e a noite, também numa dispensação existe um momento de nascimento, expansão, consolidação e decadência. Em todos os dias, a fonte de luz e a sequência de etapas (manhã, tarde, noite) é sempre a mesma, apesar de fazermos comparações entre as características dos diferentes dias.[15]
Primavera
As Escrituras Bahá'ís também afirmam que o aparecimento de um Mensageiro Divino é semelhante à chegada da Primavera, que faz renascer a vida num mundo que negligenciou os ensinamentos do Mensageiro anterior. Tal como as revelações dos Manifestantes de Deus, as Primaveras são distintas mas têm características comuns.[16]
Manto
Num outro texto, Bahá’u’lláh também compara o mundo com o corpo humano e a revelação como sendo o manto da "justiça e sabedoria". Sempre que o manto cumpre o seu objectivo, Deus renova-o. [17]
Outras analogias
No Livro da Certeza, Baha’u’lláh refere a "Cidade de Deus" que Deus renova ciclicamente [18] . Num outro texto, afirma claramente que um novo Manifestante de Deus só deverá aparecer depois de terem passado 1000 anos sobre a sua Revelação [19].
--------------------------------------------------
REFERÊNCIAS
[1] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. LXXXVII
[2] - Kitáb-i-Íqán, parag. 130
[3] - Kitáb-i-Íqán, parag. 9
[4] - Kitáb-i-Íqán, parag. 9
[5] - Kitáb-i-Íqán, parag. 10
[6] - Kitáb-i-Íqán, parag. 11
[7] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. XXXI
[8] - Shoghi Effendi, citado em Lights of Guidance, p. 414.
[9] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, secs. XXXIII, XXXVIII
[10] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. CXXXII
[11] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, secs. CXI, CXXXII
[12] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, secs. XXXVIII, CXXXII
[13] - Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, sec. 102
[14] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, secs. XXXIV, CVI
[15] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. XXXVIII; Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, sec. 16
[16] - Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, sec. 205; Respostas a Algumas Perguntas, caps. XXXIII e XIV
[17] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. XXXIV
[18] - Kitáb-i-Íqán, parag. 218, 219
[19] - Kitab-i-Aqdas, parag. 37
--------------------------------------------------------------
INTRODUÇÂO
Revelação Progressiva é um dos ensinamentos centrais da religião Bahá'í, segundo o qual a verdade religiosa é revelada por Deus de forma gradual e cíclica ao longo do tempo, através de uma sequência de Mensageiros Divinos. Esses Mensageiros Divinos apresentam ensinamentos adequados às necessidades do tempo e dos povos a quem se dirigem. Esta sequência de Mensageiros Divinos não terá fim, e existirá enquanto existir a espécie humana. Bahá'u'lláh, o fundador da Fé Bahá'í, é considerado o mais recente (mas não o último) e, consequentemente, aquele cujos ensinamentos são mais adequados à sociedade actual.
O conceito de revelação progressiva permite superar os aparentes conflitos teológicos e diferenças entre as religiões, pois cada Mensageiro Divino explicou a verdade de acordo com a capacidade dos seus ouvintes. Na perspectiva Bahá'í, é correcto afirmar que a verdade religiosa é relativa e não absoluta.
TERMINOLOGIA
A expressão Manifestante de Deus é usada na literatura Bahá’í para referir os fundadores de religiões divinamente inspiradas. Também é possível encontrar na literatura Bahá'í os termos "Profeta", "Mensageiro de Deus" ou "Mensageiro Divino" usados como sinónimo de "Manifestante de Deus".
RELIGIÕES E MANIFESTANTES
A Fé Bahá'í reconhece a origem divina das grandes religiões mundiais, considerando-as como diferentes etapas da história da religião; esta sucessão de etapas na história religiosa da humanidade é designada por Revelação Progressiva. Pode-se considerar que se trata de uma visão integrada sobre a história religiosa da humanidade: afirma-se a existência de um Deus único, sustenta-se a unidade dos profetas (chamados Manifestantes de Deus), e proclama-se um único propósito eterno de todas as religiões divinamente inspiradas.
Segundo os ensinamentos Bahá’ís, as religiões divinamente reveladas e actualmente existentes são o Sabeanísmo o Hinduísmo, o Judaísmo, Zoroastrismo, Budismo, Cristianismo, Islamismo, Fé Babí e Fé Bahá'í. As escrituras Bahá’ís sustentam que existiram outras religiões, mas o seu registo histórico perdeu-se[1].
A lista usual de Manifestantes apresentada pelos Bahá’ís é a seguinte: Krishna, Buda, Zoroastro, Moisés, Cristo, Maomé, o Báb, e Bahá'u'lláh. No entanto, existem outros Manifestantes referidos nas Escrituras Bahá’ís. Por exemplo, no Kitab-i-Iqan, Baha’u’llah designa José[2], Noé[3], Hud [4], Salih [5] e Abraão [6] como Manifestantes de Deus. Noutra epístola, Bahá’u’lláh refere Adão como o primeiro Manifestante de Deus.[7]
Note-se também que Shoghi Effendi mencionou a existência de várias religiões sobre as quais hoje não existe qualquer registo histórico:
"Estas religiões não são as únicas religiões verdadeiras que surgiram no mundo, mas são as únicas que ainda existem. Sempre houve Profetas e Mensageiros divinos, muitos dos quais referidos pelo Alcorão. Mas as únicas que existem são as acima mencionadas"[8]
ENSINAMENTOS RELIGIOSOS
Os Bahá'ís acreditam que existem dois tipos de ensinamentos religiosos:
1) Verdades espirituais eternas;
2) Leis sociais adequadas às necessidades de cada época.
Os primeiros são comuns a todas as religiões, e podem variar apenas na sua forma de apresentação (exemplos: adorar a Deus, amar o próximo, não matar). Os segundos incluem leis de conduta, instituições e cerimónias, e podem mudar profundamente de um Manifestante para outro (exemplos: jejum, divórcio, restrições alimentares).
Os Manifestantes de Deus proclamam as mesmas verdades espirituais e valores morais; além disso, a mensagem de cada Manifestante reflecte a evolução espiritual e da humanidade em cada época[9]. Segundo os ensinamentos Bahá’ís, a capacidade espiritual e receptividade da humanidade tem aumentado ao longo do tempo, e na actual fase da sua evolução pode compreender que as verdades espirituais contidas na revelação de Bahá’u’lláh.
Segundo as Escrituras Bahá'ís, as diferenças nas revelações dos Manifestantes de Deus residem essencialmente nas Leis Sociais reveladas por estes. Estas diferenças são consideradas normais e devem-se às condições sociais e humanas existentes no momento da revelação [10] e variam de acordo com os "diferentes requisitos de cada época"[11] e também com a "capacidade espiritual" da humanidade[12].
ANALOGIAS
Na literatura Bahá’í é possível encontrar diversas analogias que descrevem o conceito de revelação progressiva.
Escola
A sequência de revelações divinas pode ser comparada a uma escola. Tal como nas escolas o professor transmite conhecimentos de acordo com as capacidades dos alunos, também os fundadores das religiões apresentam ensinamentos adequados às necessidades e maturidades dos povos em cada época. Alguns ensinamentos considerados adequados numa determinada época podem ser eliminados, acrescentados ou substituídos noutra época posterior. Os ensinamentos das religiões anteriores não são considerados falsos, mas antes, adequados às necessidades de um, ou mais povos, numa determinada época.[13]
Médico
Em alguns textos, Bahá'u'lláh compara os Manifestantes a Médicos Divinos que vão receitando diferentes remédios consoantes as doenças da épocas em que surgem. O conhecimento desses Médicos Divinos tem uma única fonte, e é superior ao conhecimento humano. As diferentes necessidades de cada época em que surgem os médicos Divinos são o motivo das diferenças.[14]
Dia
Num outro texto, Baha’u’llah compara a sucessão de Manifestantes com o aparecimento do sol em dias sucessivos. Tal como em cada dia, após o nascer do sol, se sucedem a manhã, a tarde, e a noite, também numa dispensação existe um momento de nascimento, expansão, consolidação e decadência. Em todos os dias, a fonte de luz e a sequência de etapas (manhã, tarde, noite) é sempre a mesma, apesar de fazermos comparações entre as características dos diferentes dias.[15]
Primavera
As Escrituras Bahá'ís também afirmam que o aparecimento de um Mensageiro Divino é semelhante à chegada da Primavera, que faz renascer a vida num mundo que negligenciou os ensinamentos do Mensageiro anterior. Tal como as revelações dos Manifestantes de Deus, as Primaveras são distintas mas têm características comuns.[16]
Manto
Num outro texto, Bahá’u’lláh também compara o mundo com o corpo humano e a revelação como sendo o manto da "justiça e sabedoria". Sempre que o manto cumpre o seu objectivo, Deus renova-o. [17]
Outras analogias
No Livro da Certeza, Baha’u’lláh refere a "Cidade de Deus" que Deus renova ciclicamente [18] . Num outro texto, afirma claramente que um novo Manifestante de Deus só deverá aparecer depois de terem passado 1000 anos sobre a sua Revelação [19].
--------------------------------------------------
REFERÊNCIAS
[1] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. LXXXVII
[2] - Kitáb-i-Íqán, parag. 130
[3] - Kitáb-i-Íqán, parag. 9
[4] - Kitáb-i-Íqán, parag. 9
[5] - Kitáb-i-Íqán, parag. 10
[6] - Kitáb-i-Íqán, parag. 11
[7] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. XXXI
[8] - Shoghi Effendi, citado em Lights of Guidance, p. 414.
[9] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, secs. XXXIII, XXXVIII
[10] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. CXXXII
[11] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, secs. CXI, CXXXII
[12] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, secs. XXXVIII, CXXXII
[13] - Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, sec. 102
[14] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, secs. XXXIV, CVI
[15] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. XXXVIII; Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, sec. 16
[16] - Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, sec. 205; Respostas a Algumas Perguntas, caps. XXXIII e XIV
[17] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. XXXIV
[18] - Kitáb-i-Íqán, parag. 218, 219
[19] - Kitab-i-Aqdas, parag. 37
sábado, 29 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Rachael Price & the Voices of Bahá
A very young (12 years old) Rachael Price, singing "Dedicated to You" - in Spain, while on tour with "The Voices of Baha" in 1998.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
A Cruzada das Mulheres
Aqui fica a tradução de alguns excertos de um artigo publicado no New York Times, intitulado The Women's Crusade. Destaquei a amarelo algumas passagens que me pareceram mais relevantes. Recomendo a sua leitura integral.
------------------------------------------------------
No século 19, o supremo desafio moral era a escravatura. No século 20, foi o totalitarismo. E neste século é a brutalidade infligida a tantas mulheres e meninas em todo o mundo: tráfico sexual, ataques com ácido, queima de noivas e violações em massa.
E se as injustiças sobre as mulheres em países pobres são de extrema importância, num sentido económico e geopolítico a oportunidade que representam é ainda maior. "As mulheres sustêm metade do céu", diz um provérbio chinês; mas isto ainda é, em grande parte uma aspiração. Numa larga porção do mundo, as meninas não recebem educação e as mulheres são marginalizadas; e não é por acaso que nesses mesmos países estão desproporcionadamente atolados em pobreza e despedaçados pelo fundamentalismo e pelo caos. Existe um cresceste reconhecimento em todas as pessoas – desde o Banco Mundial às chefias militares americanas e a organizações de auxílio como a CARE – que o foco nas mulheres e meninas e a forma mais eficiente para combater o extremismo e a pobreza global. É por esse motivo que a ajuda externa tem sido canalizada para mulheres. O mundo está a despertar para uma poderosa verdade: as mulheres e as meninas não são o problema; são parte da solução.
(...)
Amartya Sen, o efervescente economista vencedor do Prémio Nobel, desenvolveu um indicador de desigualdade de género que é um lembrete chocando do que está em jogo. "Mais de 100 milhões de mulheres estão desaparecidas", escreveu Sen num ensaio clássico em 1990 na New York Review of Books, abrindo uma nova área de investigação. Sem notou que em circunstâncias normais as mulheres vivem mais do que os homens e por isso há mais homens do que mulheres no mundo. No entanto, em lugares onde as meninas têm um estatuto profundamente desigual, elas desaparecem. A China tem 107 homens para cada 100 mulheres em toda a sua população (e uma desproporção ainda maior entre recém-nascidos) e a Índia tem 108. Segundo Sen, a consequência destes rácios de género é que estão desaparecidas 107 milhões de mulheres em todo o globo. Estudos posteriores calcularam os valores de forma ligeiramente diferente e apresentaram números diferentes para as "mulheres desaparecidas" entre os 60 milhões e os 107 milhões.
As meninas desaparecem, parcialmente porque não recebem os mesmos cuidados de saúde e de educação que os rapazes. Na Índia, por exemplo, as meninas têm menos probabilidade de serem vacinadas do que os rapazes, e apenas vão ao hospital quando estão doentes. Além disso, as máquinas ultra-sons permitem que as mulheres grávidas saibam o sexo do feto – e fazem abortos se for feminino.
(...)
Outro enorme fardo sobre as mulheres em países pobres é a mortalidade materna, com uma mulher a morrer no parto em cada minuto. No Níger, um país da África ocidental, uma mulher tem uma probabilidade de 1 em 7 de morrer no parto durante a sua vida (estas estatísticas são duvidosas porque a mortalidade materna não é considerada suficientemente significativa para que se recolham bons dados). Para a Índia no seu progresso brilhante, uma mulher ainda tem uma probabilidade de 1 em 70 de morrer no parto durante a vida. Nos Estados Unidos esse risco é de 1 em 4800 e na Irlanda é 1 em 47600. O motivo desta diferença não se deve ao facto de não sabermos salvar a vida das mulheres em países pobres. É apenas porque as mulheres pobres e sem educação em África e na Ásia nunca foram uma prioridade dos seus próprios países nem das nações dadoras.
(...)
Porque é que as organizações micro-financeiras geralmente centram a sua assistência nas mulheres? E porque é que toda a gente beneficia quando as mulheres entram no mundo do trabalho e trazem para casa ordenados regulares? Uma das razões envolve o pequeno e nojento segredo da pobreza global: um dos mais miseráveis motivos da pobreza reside não apenas pelos baixos rendimentos, mas também por gastos incorrectos por parte dos pobres – especialmente os homens. De forma surpreendentemente frequente, deparamo-nos com uma mãe que chora a morte de uma criança que morreu de malária porque não tinha uma rede de mosquitos que custa 5 USD; a mãe diz que a família não tinha forma de comprar uma rede e é verdade; mas depois encontramos o pai num bar das redondezas. Ele vai ao bar três vezes por semana, e gasta mais de 5 USD em cada semana.
As nossas entrevistas e a análise dos dados existentes sugerem que as famílias mais pobres no mundo gastam 10 vezes mais (o que representa em média 20% do seu rendimento) no conjunto de álcool, prostituição, doces, bebidas açucaradas e festas caras do que na educação das suas crianças (2%). Se as famílias pobres gastassem tanto na educação dos seus filhos como gastam em cerveja e prostitutas, haveria um grande avanço nas perspectivas dos países pobres. As meninas, porque são as que ficam em casa e não vão à escola, seriam as maiores beneficiárias. Além disso, uma forma de redistribuir as despesas familiares é colocar mais dinheiro nas mãos das mulheres. Uma série de estudos mostrou que quando as mulheres controlam os bens e os rendimentos familiares, existe uma maior probabilidade do dinheiro da família ser gasto em alimentação, medicina, alojamento; consequentemente, as crianças tornam-se mais saudáveis.
(...)
--------------------------------------------
Ler o artigo na sua totalidade (em inglês) : The Women’s Crusade
------------------------------------------------------
No século 19, o supremo desafio moral era a escravatura. No século 20, foi o totalitarismo. E neste século é a brutalidade infligida a tantas mulheres e meninas em todo o mundo: tráfico sexual, ataques com ácido, queima de noivas e violações em massa.
E se as injustiças sobre as mulheres em países pobres são de extrema importância, num sentido económico e geopolítico a oportunidade que representam é ainda maior. "As mulheres sustêm metade do céu", diz um provérbio chinês; mas isto ainda é, em grande parte uma aspiração. Numa larga porção do mundo, as meninas não recebem educação e as mulheres são marginalizadas; e não é por acaso que nesses mesmos países estão desproporcionadamente atolados em pobreza e despedaçados pelo fundamentalismo e pelo caos. Existe um cresceste reconhecimento em todas as pessoas – desde o Banco Mundial às chefias militares americanas e a organizações de auxílio como a CARE – que o foco nas mulheres e meninas e a forma mais eficiente para combater o extremismo e a pobreza global. É por esse motivo que a ajuda externa tem sido canalizada para mulheres. O mundo está a despertar para uma poderosa verdade: as mulheres e as meninas não são o problema; são parte da solução.
(...)
Amartya Sen, o efervescente economista vencedor do Prémio Nobel, desenvolveu um indicador de desigualdade de género que é um lembrete chocando do que está em jogo. "Mais de 100 milhões de mulheres estão desaparecidas", escreveu Sen num ensaio clássico em 1990 na New York Review of Books, abrindo uma nova área de investigação. Sem notou que em circunstâncias normais as mulheres vivem mais do que os homens e por isso há mais homens do que mulheres no mundo. No entanto, em lugares onde as meninas têm um estatuto profundamente desigual, elas desaparecem. A China tem 107 homens para cada 100 mulheres em toda a sua população (e uma desproporção ainda maior entre recém-nascidos) e a Índia tem 108. Segundo Sen, a consequência destes rácios de género é que estão desaparecidas 107 milhões de mulheres em todo o globo. Estudos posteriores calcularam os valores de forma ligeiramente diferente e apresentaram números diferentes para as "mulheres desaparecidas" entre os 60 milhões e os 107 milhões.
As meninas desaparecem, parcialmente porque não recebem os mesmos cuidados de saúde e de educação que os rapazes. Na Índia, por exemplo, as meninas têm menos probabilidade de serem vacinadas do que os rapazes, e apenas vão ao hospital quando estão doentes. Além disso, as máquinas ultra-sons permitem que as mulheres grávidas saibam o sexo do feto – e fazem abortos se for feminino.
(...)
Outro enorme fardo sobre as mulheres em países pobres é a mortalidade materna, com uma mulher a morrer no parto em cada minuto. No Níger, um país da África ocidental, uma mulher tem uma probabilidade de 1 em 7 de morrer no parto durante a sua vida (estas estatísticas são duvidosas porque a mortalidade materna não é considerada suficientemente significativa para que se recolham bons dados). Para a Índia no seu progresso brilhante, uma mulher ainda tem uma probabilidade de 1 em 70 de morrer no parto durante a vida. Nos Estados Unidos esse risco é de 1 em 4800 e na Irlanda é 1 em 47600. O motivo desta diferença não se deve ao facto de não sabermos salvar a vida das mulheres em países pobres. É apenas porque as mulheres pobres e sem educação em África e na Ásia nunca foram uma prioridade dos seus próprios países nem das nações dadoras.
(...)
Porque é que as organizações micro-financeiras geralmente centram a sua assistência nas mulheres? E porque é que toda a gente beneficia quando as mulheres entram no mundo do trabalho e trazem para casa ordenados regulares? Uma das razões envolve o pequeno e nojento segredo da pobreza global: um dos mais miseráveis motivos da pobreza reside não apenas pelos baixos rendimentos, mas também por gastos incorrectos por parte dos pobres – especialmente os homens. De forma surpreendentemente frequente, deparamo-nos com uma mãe que chora a morte de uma criança que morreu de malária porque não tinha uma rede de mosquitos que custa 5 USD; a mãe diz que a família não tinha forma de comprar uma rede e é verdade; mas depois encontramos o pai num bar das redondezas. Ele vai ao bar três vezes por semana, e gasta mais de 5 USD em cada semana.
As nossas entrevistas e a análise dos dados existentes sugerem que as famílias mais pobres no mundo gastam 10 vezes mais (o que representa em média 20% do seu rendimento) no conjunto de álcool, prostituição, doces, bebidas açucaradas e festas caras do que na educação das suas crianças (2%). Se as famílias pobres gastassem tanto na educação dos seus filhos como gastam em cerveja e prostitutas, haveria um grande avanço nas perspectivas dos países pobres. As meninas, porque são as que ficam em casa e não vão à escola, seriam as maiores beneficiárias. Além disso, uma forma de redistribuir as despesas familiares é colocar mais dinheiro nas mãos das mulheres. Uma série de estudos mostrou que quando as mulheres controlam os bens e os rendimentos familiares, existe uma maior probabilidade do dinheiro da família ser gasto em alimentação, medicina, alojamento; consequentemente, as crianças tornam-se mais saudáveis.
(...)
--------------------------------------------
Ler o artigo na sua totalidade (em inglês) : The Women’s Crusade
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Obras de conservação
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
Julgamento dos 7 dirigentes Bahá'ís iranianos
Está marcada para a próxima terça-feira (18 de Agosto) o julgamento dos sete dirigentes Baha’is iranianos. A escolha desta data não é casual e revela um cinismo inacreditável por parte das autoridades iranianas: alguns dos advogados de defesa destes sete detidos encontram-se fora do Irão; outros também estão detidos.
O julgamento tem por base alegações de espionagem a favor de Israel, disseminação de propaganda anti-islâmica e ofensas religiosas. Mas como a Comunidade Baha’i tem repetido (e muitas organizações de Direitos Humanos concordam), a acusação apenas tem um fundamento religioso.
O caso continua a chamar a atenção dos media internacionais
* Iran Bahais face espionage trial (BBC)
* Baha'is trial due to start next week in Iran (CNN)
* Iran says seven detained Baha'is to go on trial (Reuters)
* Iran to try seven Bahais on Israel spy charges (AFP)
* Trial date set for seven jailed Baha’is in Iran (Washington TV)
* Iran plans to try 7 Bahai as Israeli spies (UPI)
* Iran to try 7 'Israeli agents' (Press TV)
* Trial of Baha'i prisoners set for Tuesday (CNN)
ACTUALIZAÇÃO
O julgamento foi adiado.
Iran postpones trial of seven Baha'is - report (Reuters - India)
Baha'is have roots in Iran, shrines in Israel (Reuters - India)
Trial of Bahai's in Iran accused of espionage postponed (JPost)
O julgamento tem por base alegações de espionagem a favor de Israel, disseminação de propaganda anti-islâmica e ofensas religiosas. Mas como a Comunidade Baha’i tem repetido (e muitas organizações de Direitos Humanos concordam), a acusação apenas tem um fundamento religioso.
O caso continua a chamar a atenção dos media internacionais
* Iran Bahais face espionage trial (BBC)
* Baha'is trial due to start next week in Iran (CNN)
* Iran says seven detained Baha'is to go on trial (Reuters)
* Iran to try seven Bahais on Israel spy charges (AFP)
* Trial date set for seven jailed Baha’is in Iran (Washington TV)
* Iran plans to try 7 Bahai as Israeli spies (UPI)
* Iran to try 7 'Israeli agents' (Press TV)
* Trial of Baha'i prisoners set for Tuesday (CNN)
ACTUALIZAÇÃO
O julgamento foi adiado.
Iran postpones trial of seven Baha'is - report (Reuters - India)
Baha'is have roots in Iran, shrines in Israel (Reuters - India)
Trial of Bahai's in Iran accused of espionage postponed (JPost)
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Epístolas de Bahá'u'lláh a Reis e Governantes
Programa "A Fé dos Homens" transmitido em 03-Agosto-2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Van Gilmer & the Voices of Bahá
Van Gilmer (solo) and the Voices of Bahá, singing on a mountain top in Athens (1998).
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Kiskadee & the Voices of Bahá
Kiskadee and the Voices of Bahá in Caracas on the Caribbean Tour (2005). Kiskadee explains how the music of her native Trinidad influences her Baha'i-themed songs, and sings the delightful "Gimme One World" and plays the steel drums.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
