Uma programa da série "A Fé dos Homens" sobre João Ganço, membro da Comunidade Bahá'í de Portugal e treinador de Nelson Évora.
João Ganço foi eleito "Treinador do Ano" em 2009, na Gala da Confederação do Desporto de Portugal.
Este programa foi emitido no dia 08-Junho-2009
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Bahá'ís juntam-se ao plano global contra as mudanças climáticas
A Comunidade Internacional Bahá'í anunciou hoje (27-Outubro-2009) que se associou a um programa pelas Nações Unidas para promover a "mudança geracional" na abordagem às alterações climáticas e à sustentabilidade ambiental.
O programa, que é co-patrocinado pela Aliança de Religiões e Conservação (ARC) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), visa promover mudanças de estilo de vida que ajudem a abrandar o aquecimento global e outros problemas ambientais durante um período de sete anos de 2010-2017.
"Estamos muito satisfeitos por participar com outras religiões mundiais e com as Nações Unidas nesta iniciativa inspiradora para promover a mudança duradoura na maneira como as pessoas interagem com o ambiente", disse Tahirih Naylor, uma representante da Comunidade Internacional Bahá'í junto das Nações Unidas.
"A importância deste esforço é a maneira em que capitaliza os pontos fortes das comunidades de fé - como as suas fortes redes de base e o poder transformador da crença religiosa - para abordar problemas ambientais na sua origem, que é o comportamento humano.
"Uma das metas a longo prazo da Fé Bahá'í é promover a transformação positiva de indivíduos e comunidades, e, para isso já temos patrocinamos milhares de círculos de estudo, aulas para crianças, reuniões devocionais, e grupos de jovens em mais de 180 países.
"Estamos desejosos por aprender mais sobre os esforços das outras comunidades de fé e estamos confiantes que podemos dar uma contribuição útil para este programa emocionante", disse ela.
A Sra. Naylor irá juntar-se aos representantes de outras religiões mundiais na próxima semana, no Castelo de Windsor, quando o programa do ARC / PNUD for formalmente lançado. O evento, programado para 2 a 4 de Novembro, contará com uma intervenção do Secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon e será apresentado por Sua Alteza Real o Príncipe Philip.
Mais de 200 líderes religiosos e seculares deverão estar presentes, e muitos grupos religiosos devem anunciar compromissos com iniciativas concretas, tal como o plano de Baha'i, para responder aos desafios ambientais globais.
A Sra Naylor como representante Bahá’í para o evento será acompanhada por Arthur Dahl, um ex-director executivo assistente do Programa de Ambiente das Nações Unidas. O Sr. Dahl é um conhecido autor, e especialista em recifes de coral e biodiversidade.
A Sra Naylor salientou que a comunidade Bahá’í tem sido membro da ARC desde a sua fundação, e tem procurado apoiar o seu programa inter-religioso de esforços de conservação.
"A Comunidade Bahá’í em todo o mundo tem estado envolvida na promoção do desenvolvimento sustentável e na criação de projectos de pequena escala, que incluem a conservação ambiental", disse. "E assim esta iniciativa é especialmente importante devido à maneira como aborda de forma concreta as atitudes e os valores que estão na raiz de muitos dos problemas ambientais da humanidade."
Especificamente, disse a Sra. Naylor, os Bahá'ís de todo o mundo serão encorajados a explorar a relação dos humanos com o ambiente conforme exposto nas Sagradas Escrituras Bahá'ís e adoptar medidas a nível individual e comunitário.
"Na nossa experiência, ligar os corações das pessoas às Sagradas Escrituras é a melhor maneira de proporcionar a motivação para a mudança social e acção", disse. "De igual forma, os Bahá’ís serão incentivados a participar em actos de serviço relacionados com a sustentabilidade ambiental".
Fonte: Baha'is join global plan for "generational change" on climate change (BWNS)
O programa, que é co-patrocinado pela Aliança de Religiões e Conservação (ARC) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), visa promover mudanças de estilo de vida que ajudem a abrandar o aquecimento global e outros problemas ambientais durante um período de sete anos de 2010-2017.
"Estamos muito satisfeitos por participar com outras religiões mundiais e com as Nações Unidas nesta iniciativa inspiradora para promover a mudança duradoura na maneira como as pessoas interagem com o ambiente", disse Tahirih Naylor, uma representante da Comunidade Internacional Bahá'í junto das Nações Unidas.
"A importância deste esforço é a maneira em que capitaliza os pontos fortes das comunidades de fé - como as suas fortes redes de base e o poder transformador da crença religiosa - para abordar problemas ambientais na sua origem, que é o comportamento humano.
"Uma das metas a longo prazo da Fé Bahá'í é promover a transformação positiva de indivíduos e comunidades, e, para isso já temos patrocinamos milhares de círculos de estudo, aulas para crianças, reuniões devocionais, e grupos de jovens em mais de 180 países.
"Estamos desejosos por aprender mais sobre os esforços das outras comunidades de fé e estamos confiantes que podemos dar uma contribuição útil para este programa emocionante", disse ela.
A Sra. Naylor irá juntar-se aos representantes de outras religiões mundiais na próxima semana, no Castelo de Windsor, quando o programa do ARC / PNUD for formalmente lançado. O evento, programado para 2 a 4 de Novembro, contará com uma intervenção do Secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon e será apresentado por Sua Alteza Real o Príncipe Philip.
Mais de 200 líderes religiosos e seculares deverão estar presentes, e muitos grupos religiosos devem anunciar compromissos com iniciativas concretas, tal como o plano de Baha'i, para responder aos desafios ambientais globais.
A Sra Naylor como representante Bahá’í para o evento será acompanhada por Arthur Dahl, um ex-director executivo assistente do Programa de Ambiente das Nações Unidas. O Sr. Dahl é um conhecido autor, e especialista em recifes de coral e biodiversidade.
A Sra Naylor salientou que a comunidade Bahá’í tem sido membro da ARC desde a sua fundação, e tem procurado apoiar o seu programa inter-religioso de esforços de conservação.
"A Comunidade Bahá’í em todo o mundo tem estado envolvida na promoção do desenvolvimento sustentável e na criação de projectos de pequena escala, que incluem a conservação ambiental", disse. "E assim esta iniciativa é especialmente importante devido à maneira como aborda de forma concreta as atitudes e os valores que estão na raiz de muitos dos problemas ambientais da humanidade."
Especificamente, disse a Sra. Naylor, os Bahá'ís de todo o mundo serão encorajados a explorar a relação dos humanos com o ambiente conforme exposto nas Sagradas Escrituras Bahá'ís e adoptar medidas a nível individual e comunitário.
"Na nossa experiência, ligar os corações das pessoas às Sagradas Escrituras é a melhor maneira de proporcionar a motivação para a mudança social e acção", disse. "De igual forma, os Bahá’ís serão incentivados a participar em actos de serviço relacionados com a sustentabilidade ambiental".
Fonte: Baha'is join global plan for "generational change" on climate change (BWNS)
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Amin Maalouf e Um mundo sem Regras (3)
A universalidade dos Valores Fundamentais
No livro Um Mundo sem Regras, Amin Maalouf escreve:
COMENTÁRIO:
Mais uma vez encontro um tremendo paralelismo entre as opiniões de Amin Maalouf e os ensinamentos Baha’is. Nos parágrafos acima encontro esse paralelismo na constatação da unidade e da diversidade da família humana, e na defesa da universalidade dos direitos humanos. Penso que nenhum Bahá’í ficará indiferente a estas palavras do escritor libanês.
Os repetidos elogios de 'Abdu'l-Bahá aos valores da liberdade e da democracia existentes na Europa e nos Estados Unidos, e a referência de Bahá'u'lláh à grande perturbação que o Ocidente tinha lançado no mundo, ecoam naquilo a que Amin Maalouf refere como a hipocrisia do Ocidente que esquece os valores que defende ao relacionar-se com outros povos.
Os direitos humanos não podem estar condicionados por particularidades nacionais e regionais, ou limitados por condicionantes históricas, culturais e religiosas. Cada ser humano possui um conjunto de direitos que podem se deduzidos e enumerados; não são direitos conquistados ou adquiridos; são inerentes à condição humana de cada indivíduo. Além disso esses direitos são inalienáveis, i.e. não podem ser negados ou anulados por outros ou pelo próprio indivíduo.
No livro Um Mundo sem Regras, Amin Maalouf escreve:
Contrariamente à ideia preconcebida, o erro secular das potências europeias não foi terem querido impor os seus valores ao resto do mundo, mas muito exactamente o inverso: teremrenunciado constantemente a respeitar os seus próprios valores nas suas relações com os povos dominados. Enquanto este equívoco não for resolvido, corremos o risco de voltar a cair nos mesmos erros.
O primeiro destes valores é a universalidade, ou seja, que a humanidade é uma. Diversa, mas uma. Por isso, é uma falta imperdoável transigir nos princípios fundamentais com o eterno pretexto de que os outros não estariam prontos para adoptá-los. Não há direitos do homem para a Europa e outros direitos do homem para a África, a Ásia ou para o mundo muçulmano. Nenhum povo na Terra é feito para a escravatura, para a tirania, para o arbitrário para a ignorância, para o obscurantismo, nem para a submissão das mulheres. Cada vez que negligenciamos esta verdade de base, traímos a humanidade e traímo-nos a nós mesmos. (p.60-61)
COMENTÁRIO:
Mais uma vez encontro um tremendo paralelismo entre as opiniões de Amin Maalouf e os ensinamentos Baha’is. Nos parágrafos acima encontro esse paralelismo na constatação da unidade e da diversidade da família humana, e na defesa da universalidade dos direitos humanos. Penso que nenhum Bahá’í ficará indiferente a estas palavras do escritor libanês.
Os repetidos elogios de 'Abdu'l-Bahá aos valores da liberdade e da democracia existentes na Europa e nos Estados Unidos, e a referência de Bahá'u'lláh à grande perturbação que o Ocidente tinha lançado no mundo, ecoam naquilo a que Amin Maalouf refere como a hipocrisia do Ocidente que esquece os valores que defende ao relacionar-se com outros povos.
Os direitos humanos não podem estar condicionados por particularidades nacionais e regionais, ou limitados por condicionantes históricas, culturais e religiosas. Cada ser humano possui um conjunto de direitos que podem se deduzidos e enumerados; não são direitos conquistados ou adquiridos; são inerentes à condição humana de cada indivíduo. Além disso esses direitos são inalienáveis, i.e. não podem ser negados ou anulados por outros ou pelo próprio indivíduo.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Em Marbelha
Moción Institucional presentada por el Delegado de Participación Ciudadana del Ayuntamiento de Marbella, sobre el apoyo a la Comunidad Bahá'í Internacional ante la persecución que los bahá'ís sufren en Irán.
Emocionante Pleno en el Ayuntamiento de Marbella, 25 de septiembre de 2009 from Oficina de Información Bahá'í on Vimeo.
sábado, 24 de outubro de 2009
Evangelho de um Primário
Daniel Oliveira escreve hoje no Expresso:
(...)
O primarismo está a tornar-se num ar do nosso tempo. É ele que faz crescer os fundamentalistas religiosas e as leituras literais da Bíblia e do Corão. E o primarismo atrai primarismo. Cria um manto espesso de tolerância e ignorância, de estupidez e incomunicabilidade. No tempo da frase curta, da declaração bombástica, do escândalo sem sentido da história, o primarismo é mais forte do que qualquer ideia. O que é mais extraordinário é que seja eu, um colunista da espuma dos dias, a dizê-lo a propósito de um escritor, que tem outro tempo para respirar, que pode ir muito além do espectáculo da polémica fácil.
Recuso-me a ser levado nesta avalancha. Esta avalancha que resume o cristianismo à sua caricatura. Que resume o islamismo à sua violência, que resume o judaísmo aso avanços e recuos de um Estado. Que resume o ateísmo a uma nova religião científica que esmaga milénios de história. Não, nenhum dos livros das três religiões monoteístas se explica com citações escolhidas ao acaso. E não, não é preciso ser cristão para sentir comoção com o ‘Cântico dos Cânticos’. Não é preciso ser crente para perceber que a religião condensa em si as camadas da história de que se fez a humanidade. Que ela tem um tempo e um ritmo que não cabem em conferências de imprensa. Não é preciso ser religioso para compreender esta permanente procura do sentido da vida e da imortalidade.
Eu, ateu convicto desde o dia em que penso, não aceito esta nova moral em que tudo se resume à dimensão do indivíduo. Em que todas as convicções colectivas, todos os ritos humanos, são vistos como manifestações de obscurantismo acrítico. Não perceber o que de mais profundo e complexo tem a fé humana é não perceber nada da humanidade. E se a um escritor lhe escapa o que de essencial há na sua espécie...
(...)
O primarismo está a tornar-se num ar do nosso tempo. É ele que faz crescer os fundamentalistas religiosas e as leituras literais da Bíblia e do Corão. E o primarismo atrai primarismo. Cria um manto espesso de tolerância e ignorância, de estupidez e incomunicabilidade. No tempo da frase curta, da declaração bombástica, do escândalo sem sentido da história, o primarismo é mais forte do que qualquer ideia. O que é mais extraordinário é que seja eu, um colunista da espuma dos dias, a dizê-lo a propósito de um escritor, que tem outro tempo para respirar, que pode ir muito além do espectáculo da polémica fácil.
Recuso-me a ser levado nesta avalancha. Esta avalancha que resume o cristianismo à sua caricatura. Que resume o islamismo à sua violência, que resume o judaísmo aso avanços e recuos de um Estado. Que resume o ateísmo a uma nova religião científica que esmaga milénios de história. Não, nenhum dos livros das três religiões monoteístas se explica com citações escolhidas ao acaso. E não, não é preciso ser cristão para sentir comoção com o ‘Cântico dos Cânticos’. Não é preciso ser crente para perceber que a religião condensa em si as camadas da história de que se fez a humanidade. Que ela tem um tempo e um ritmo que não cabem em conferências de imprensa. Não é preciso ser religioso para compreender esta permanente procura do sentido da vida e da imortalidade.
Eu, ateu convicto desde o dia em que penso, não aceito esta nova moral em que tudo se resume à dimensão do indivíduo. Em que todas as convicções colectivas, todos os ritos humanos, são vistos como manifestações de obscurantismo acrítico. Não perceber o que de mais profundo e complexo tem a fé humana é não perceber nada da humanidade. E se a um escritor lhe escapa o que de essencial há na sua espécie...
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Uma guerra no interior do mundo árabe-muçulmano
Tradução de um excerto de um artigo de opinião de Thomas Friedman, intitulado The Power in 11/9, e publicado no New York Times no passadio dia 17 de Outubro.
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(...)
O problema que temos em lidar com o mundo árabe-muçulmano de hoje é a ausência ou fraqueza geral do poder desse povo. Há uma guerra civil de baixa intensidade acontecendo no interior do mundo árabe-muçulmano de hoje; em muitos casos é "Sul contra o Sul " - más ideias contra más ideias, amplificadas pela violência, em vez de más ideias contra boas ideias amplificadas pelo poder do povo.
Em lugares como Egipto, Síria, Arábia Saudita, Afeganistão ou o Paquistão temos violentos movimentos extremistas religiosos combatendo com os serviços de segurança do Estado. E apesar dos regimes destes países estarem empenhados em esmagar os seus extremistas, eles raramente enfrentam as suas ideias extremistas, oferecendo alternativas progressistas. Isso é em grande parte porque a ideologia puritana islâmica do Estado saudita ou segmentos das forças armadas paquistanesas não é assim tão diferente da ideologia dos extremistas. E quando esses extremistas atingem outros lugares – sejam a Índia, os xiitas ou israelitas - estes regimes ficam indiferentes. É por isso que não há verdadeira guerra de ideias no interior desses países – há apenas uma guerra.
Esses estados não estão a promover uma interpretação inclusivista, progressista e tolerante do Islão, que poderia ser o alicerce do poder do povo. E quando as pessoas descem às ruas, é geralmente contra outro povo, em vez de unificar as suas próprias fileiras em torno das boas ideias. Houve muito mais marchas para denunciar caricaturas dinamarquesas do profeta Maomé do que para denunciar que os homens-bomba muçulmanos que mataram civis inocentes, muitos deles muçulmanos.
Os mais promissores movimentos progressistas de poder popular foram a Revolução dos Cedros no Líbano, o Despertar Sunita no Iraque e a Revolução Verde no Irão. Mas a Revolução do Cedro foi constrangida pelo poder sírio e por divisões internas. A revolta de Teerão foi esmagada pelo punho de ferro do regime iraniano, alimentada por petro-dólares. E não é claro se os iraquianos vão pôr o seu tribalismo de parte em troca de um poder popular partilhado.
(...)
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(...)
O problema que temos em lidar com o mundo árabe-muçulmano de hoje é a ausência ou fraqueza geral do poder desse povo. Há uma guerra civil de baixa intensidade acontecendo no interior do mundo árabe-muçulmano de hoje; em muitos casos é "Sul contra o Sul " - más ideias contra más ideias, amplificadas pela violência, em vez de más ideias contra boas ideias amplificadas pelo poder do povo.
Em lugares como Egipto, Síria, Arábia Saudita, Afeganistão ou o Paquistão temos violentos movimentos extremistas religiosos combatendo com os serviços de segurança do Estado. E apesar dos regimes destes países estarem empenhados em esmagar os seus extremistas, eles raramente enfrentam as suas ideias extremistas, oferecendo alternativas progressistas. Isso é em grande parte porque a ideologia puritana islâmica do Estado saudita ou segmentos das forças armadas paquistanesas não é assim tão diferente da ideologia dos extremistas. E quando esses extremistas atingem outros lugares – sejam a Índia, os xiitas ou israelitas - estes regimes ficam indiferentes. É por isso que não há verdadeira guerra de ideias no interior desses países – há apenas uma guerra.
Esses estados não estão a promover uma interpretação inclusivista, progressista e tolerante do Islão, que poderia ser o alicerce do poder do povo. E quando as pessoas descem às ruas, é geralmente contra outro povo, em vez de unificar as suas próprias fileiras em torno das boas ideias. Houve muito mais marchas para denunciar caricaturas dinamarquesas do profeta Maomé do que para denunciar que os homens-bomba muçulmanos que mataram civis inocentes, muitos deles muçulmanos.
Os mais promissores movimentos progressistas de poder popular foram a Revolução dos Cedros no Líbano, o Despertar Sunita no Iraque e a Revolução Verde no Irão. Mas a Revolução do Cedro foi constrangida pelo poder sírio e por divisões internas. A revolta de Teerão foi esmagada pelo punho de ferro do regime iraniano, alimentada por petro-dólares. E não é claro se os iraquianos vão pôr o seu tribalismo de parte em troca de um poder popular partilhado.
(...)
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Adeus, Mário!
A minha última foto com o Mário Marques, Agosto/2009
- Então já deitaste as criancinhas? Já trataste das fraldas?
- Sim, já estão a dormir. E tu como estás?
- Eu estou sempre bem!
"Eu estou sempre bem" era a resposta típica do Mário. As nossas conversas tornaram-se regulares nos últimos anos. O Mário dedicava-se aos Assuntos Externos da Comunidade Bahá’í e eu apoiava-o no que podia. Havia programas de TV para preparar; actividades inter-religiosas onde era necessário colaborar, fazer alguma apresentação ou apenas marcar presença; e ainda contactos com entidades oficiais (sempre o tema das perseguições no Irão!).
Trocávamos opiniões e desabafos: "Quem podemos convidar para falar naquela conferência?" "Não te esqueças de agradecer ao fulano. Ele foi impecável connosco..." "Pedimos uma audiência com eles, mas não tivemos resposta. Há anos que eles nos ignoram." "Não sei se o meu trabalho para a comunidade Bahá'í vai dar algum fruto. Mas é o que gosto de fazer." "Tens razão no que dizes. Mas é necessário uma resposta diplomática."
Rapidamente percebi que o Mário apreciava a minha colaboração. Com alguma frequência repetia: "Daqui a vinte anos, quando te reformares, ficas responsável pelos Assuntos Externos". E não era raro que ele tentasse envolver-me cada vez mais nas suas actividades: "Tens disponibilidade para ir a uma conferência em Budapeste?" Eu nunca podia; ainda hoje a vida profissional não permite.
Em Março, percebi que algo não estava bem. "Ele está magríssimo", avisaram-me. Estava magro e pálido. Enquanto analisávamos a realização de um Workshop, lá disse: "Tenho consulta na próxima 4ª feira. Depois o médico diz-me se tenho de ser operado ou não". Iniciaram-se aí alguns períodos de ausência. Repouso... Internamento... "Mas telefona-me sempre. Só se eu não puder atender é que não atendo". Continuei a telefonar.
Soube-se então que ele tinha um cancro no pâncreas. "É a doença dos 100 dias" advertiu o meu pai. "O pior está para vir" lastimou um amigo comum. “Parece que está melhor… Mas tem de fazer mais umas análises”, contava outro. "Fui com ele à consulta. O médico disse-me que o problema foi detectado tarde de mais". Mas o Mário resistia. Continuava activo nos Assuntos Externos. E não queria faltar às reuniões da Assembleia Nacional.
Em Agosto, a Escola de Verão fervilhava de entusiasmo com a presença dos Nakhjavanis e de Glenford Mitchell. Pálido e debilitado, o Mário deslocou-se a Santarém para estar presente na reunião da Assembleia Nacional com esses palestrantes. No meio das fotos que se seguiram, pus-lhe o braço no ombro, e disse: "Anda cá. Vamos tirar uma foto". Não sabia se voltaria a ter uma oportunidade de tirar uma foto com ele.
Em Setembro, a situação agravou-se. Foi preciso preparar o cenário da "ausência do Mário". "Podes assegurar algumas das funções dele?" "Vou tentar... não vai ser nada fácil". Seguiram-se as visitas ao hospital; na enfermaria trocámos as últimas impressões sobre as actividades Bahá'ís e tivemos conversas pessoais. Um dia recebi um email em que um amigo comum nos informava que o Mário não podia receber mais visitas. Tínhamos de aguardar o desenlace.
No dia do falecimento do Mário, telefonei a várias pessoas o conheciam e com quem ele trabalhou, por força da sua actividade no Gabinete de Assuntos Externos. As reacções eram invariavelmente de choque, pesar e consternação. De todos eles, a voz comovida tentava expressar alguns elogios e prometia estar presente no velório ou no funeral.
No velório, estiveram dezenas de pessoas; no funeral, eram centenas. A sala do Centro Bahá'í ficou cheia como nunca se viu. Havia muita gente no exterior, e muita gente na rua no momento da derradeira homenagem, do último adeus. Vários familiares e amigos recordaram o Mário. Lembraram o seu esforço, dedicação e entusiasmo no serviço à Causa Bahá'í e ao diálogo inter-religioso em Portugal. Alguns recordaram pequenos episódios da sua vida; outros leram orações.
Já passaram alguns dias desde que o Mário nos deixou. Por vezes estranho a ausência dele e lembro-me das palavras "Estou sempre bem". Acredito que sim; ele agora está bem. Mas eu ainda tenho de me habituar à sua ausência.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Ontem, no Público
Não era um líder, no sentido de pessoa carismática ou autoritária. Mas era um verdadeiro capitão de equipa, sempre pronto a ajudar os companheiros, capaz de os aconselhar e encorajar.
domingo, 18 de outubro de 2009
Julgamento dos 7 dirigentes Bahá'ís novamente adiado
Não foi marcada uma nova data!
Embora o julgamento dos sete dirigentes bahá'ís presos no Irão há mais de 17 meses tenha sido marcado para hoje, quando os advogados e as famílias chegaram às instalações do tribunal em Teerão foi-lhes dito que o julgamento não se ia realizar. Ñão foi marcada uma nova data para o julgamento.
"Chegou o momento para essas sete pessoas inocentes serem imediatamente libertadas sob fiança", disse Diane Ala'i, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas em Genebra.
"Os sete, cujo único 'crime' é a sua crença religiosa, estão mais uma vez no limbo legal, sem qualquer ideia do processo legal que têm pela frente. O mundo inteiro clama pelo um fim da sua detenção ilegal ", afirmou.
As agências oficiais de notícias no Irão afirmam que os sete estão a ser acusados de "espionagem para Israel, insultos a santidades religiosas e de propaganda contra a República Islâmica". Também foram acusados de "espalhar a corrupção na terra".
Na semana passada, parecia provável que o julgamento fosse novamente adiado, uma vez que os advogados de sete ainda não tinham recebido o mandado de notificação apropriado.
"O facto dos seus advogados não terem recebido a devida notificação e de não existir uma nova data para o julgamento é apenas uma entre as muitas violações dos próprios procedimentos legais do Irão, para não mencionar as violações do devido processo legal reconhecido pelo direito internacional, que marcaram este caso, desde o seu início ", disse Ala'i.
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FONTE: Trial of seven Baha'is delayed, no new date set (BWNS)
Embora o julgamento dos sete dirigentes bahá'ís presos no Irão há mais de 17 meses tenha sido marcado para hoje, quando os advogados e as famílias chegaram às instalações do tribunal em Teerão foi-lhes dito que o julgamento não se ia realizar. Ñão foi marcada uma nova data para o julgamento.
"Chegou o momento para essas sete pessoas inocentes serem imediatamente libertadas sob fiança", disse Diane Ala'i, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas em Genebra.
"Os sete, cujo único 'crime' é a sua crença religiosa, estão mais uma vez no limbo legal, sem qualquer ideia do processo legal que têm pela frente. O mundo inteiro clama pelo um fim da sua detenção ilegal ", afirmou.
As agências oficiais de notícias no Irão afirmam que os sete estão a ser acusados de "espionagem para Israel, insultos a santidades religiosas e de propaganda contra a República Islâmica". Também foram acusados de "espalhar a corrupção na terra".
Na semana passada, parecia provável que o julgamento fosse novamente adiado, uma vez que os advogados de sete ainda não tinham recebido o mandado de notificação apropriado.
"O facto dos seus advogados não terem recebido a devida notificação e de não existir uma nova data para o julgamento é apenas uma entre as muitas violações dos próprios procedimentos legais do Irão, para não mencionar as violações do devido processo legal reconhecido pelo direito internacional, que marcaram este caso, desde o seu início ", disse Ala'i.
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FONTE: Trial of seven Baha'is delayed, no new date set (BWNS)
Em memória de um homem bom
Um artigo de opinião da jornalista Margarida Santos Lopes, publicado ontem no jornal Publico.
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Na manhã de quinta-feira, tomei conhecimento da morte do dr. Mário Mota Marques (MMM) quase ao mesmo tempo em que os jornais e a blogosfera fervilhavam de rumores sobre a morte do ayatollah Ali Khamenei. Dei comigo a pensar se haveria alguma possibilidade de os dois se encontrarem numa outra dimensão, ainda que um representasse o Bem e outro o Mal. Tenho a certeza de que o meu amigo, incansável membro da comunidade bahá’i em Portugal, não perderia a oportunidade de exigir ao Supremo Líder o fim das perseguições à maior minoria religiosa do Irão.
Amanhã, os sete dirigentes bahá’is iranianos, presos há mais de um ano na cadeia de Evin, em Teerão, apenas por pertencerem a uma religião que a República Islâmica
considera herética, esperam, finalmente, comparecer em tribunal. Os seus advogados de defesa, entre eles a Prémio Nobel da Paz Shirin Ebadi, exigem que estes inocentes sejam libertados, sob fiança. Não há provas que sustentem as acusações de “espionagem” e “corrupção na Terra”, puníveis com a pena capital.
A morte de Khamenei não foi confirmada e, assim, MMM não poderá interpelá-lo, mas mantenho a certeza de que, onde quer que esteja, continuará a denunciar a negação dos direitos cívicos dos bahá’is no Irão, e a zelar pelos cerca de dez mil fiéis de Bahá’u’lláh em Portugal – país que também os perseguiu, até ao 25 de Abril de 1974
Conheci MMM, em 2008, quando preparava uma reportagem sobre a importância da fé bahá’i na carreira de Nelson Évora. Foi ele quem me apresentou ao atleta que ganhou para Portugal a única medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim. A ajuda que MMM me deu, sempre sorridente, amável e disponível, foi preciosa para contar a história de uma comunidade que muitos ainda desconhecem, e que, de certa maneira, se confunde com a sua própria caminhada.
MMM era um “estudioso das religiões”, disse-me, apesar de a sua família não ser religiosa. Começou por ler o Bhagavad Gita, dos hindus, mas não encontrou aqui resposta para as suas dúvidas. Aos 16 anos, foi conduzido a um centro bahá’i por um amigo, músico em Nova Iorque, que continua a ser agnóstico. Esta amizade gerou episódios bizarros. Como o incidente de uma carta que mencionava Bach. A PIDE leu “bahá’i”, e foi bater à porta de Mota Marques de madrugada. “Entravam e vasculhavam tudo”, contou MMM, relembrando outra visita da polícia a uma sala onde crianças tinham actividades lúdicas. “Os agentes chegaram, olharam para o papel de cenário com desenhos coloridos e perguntaram se eram planos para ataques a quartéis.”
Se hoje a fé bahá’i viu reconhecido em Portugal o estatuto de Comunidade Religiosa Radicada – tem aulas de religião e moral nas escolas públicas, e até um programa na RTP2 –, muito se deve a Mário Simões da Mota Marques, nascido em Lisboa em 1942, com passagens por Moçambique e Angola. Há 40 anos que era um dos nove membros da Assembleia Espiritual Nacional, conselho consultivo que, na ausência de clero, administra a vida colectiva da comunidade.
Onde quer que esteja agora, MMM gostará, seguramente, que o mundo não feche os olhos às violações dos direitos humanos na antiga Pérsia onde a fé bahá’i foi fundada em 1844 para ser, actualmente, a segunda mais disseminada geograficamente, depois do cristianismo: 200 grupos étnicos, tribais e raciais em 235 países e territórios independentes. O seu profeta é Bahá’u’lláh, que se anunciou “mensageiro de Deus para a nossa era” – até aparecer outro “ainda mais magnífico”.
É por acreditarem que Maomé não é último profeta e por terem a sua sede em Israel (pela simples razão de ter sido aqui que Bahá’u’lláh morreu e foi sepultado, em 1892, depois de um exílio forçado pelos otomanos) que os baháis – e os sete líderes que amanhã, talvez, sejam julgados – têm sido tão duramente reprimidos.
Se tinha de morrer, ainda bem que MMM morreu em Portugal. Hoje, terá direito a um funeral digno. No Irão seria, provavelmente, lançado numa vala comum, ou enterrado às escondidas pela sua família, para que o túmulo não fosse vandalizado. Por ser bahá’i.
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Na manhã de quinta-feira, tomei conhecimento da morte do dr. Mário Mota Marques (MMM) quase ao mesmo tempo em que os jornais e a blogosfera fervilhavam de rumores sobre a morte do ayatollah Ali Khamenei. Dei comigo a pensar se haveria alguma possibilidade de os dois se encontrarem numa outra dimensão, ainda que um representasse o Bem e outro o Mal. Tenho a certeza de que o meu amigo, incansável membro da comunidade bahá’i em Portugal, não perderia a oportunidade de exigir ao Supremo Líder o fim das perseguições à maior minoria religiosa do Irão.
Amanhã, os sete dirigentes bahá’is iranianos, presos há mais de um ano na cadeia de Evin, em Teerão, apenas por pertencerem a uma religião que a República Islâmica
considera herética, esperam, finalmente, comparecer em tribunal. Os seus advogados de defesa, entre eles a Prémio Nobel da Paz Shirin Ebadi, exigem que estes inocentes sejam libertados, sob fiança. Não há provas que sustentem as acusações de “espionagem” e “corrupção na Terra”, puníveis com a pena capital.
A morte de Khamenei não foi confirmada e, assim, MMM não poderá interpelá-lo, mas mantenho a certeza de que, onde quer que esteja, continuará a denunciar a negação dos direitos cívicos dos bahá’is no Irão, e a zelar pelos cerca de dez mil fiéis de Bahá’u’lláh em Portugal – país que também os perseguiu, até ao 25 de Abril de 1974
Conheci MMM, em 2008, quando preparava uma reportagem sobre a importância da fé bahá’i na carreira de Nelson Évora. Foi ele quem me apresentou ao atleta que ganhou para Portugal a única medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim. A ajuda que MMM me deu, sempre sorridente, amável e disponível, foi preciosa para contar a história de uma comunidade que muitos ainda desconhecem, e que, de certa maneira, se confunde com a sua própria caminhada.
MMM era um “estudioso das religiões”, disse-me, apesar de a sua família não ser religiosa. Começou por ler o Bhagavad Gita, dos hindus, mas não encontrou aqui resposta para as suas dúvidas. Aos 16 anos, foi conduzido a um centro bahá’i por um amigo, músico em Nova Iorque, que continua a ser agnóstico. Esta amizade gerou episódios bizarros. Como o incidente de uma carta que mencionava Bach. A PIDE leu “bahá’i”, e foi bater à porta de Mota Marques de madrugada. “Entravam e vasculhavam tudo”, contou MMM, relembrando outra visita da polícia a uma sala onde crianças tinham actividades lúdicas. “Os agentes chegaram, olharam para o papel de cenário com desenhos coloridos e perguntaram se eram planos para ataques a quartéis.”
Se hoje a fé bahá’i viu reconhecido em Portugal o estatuto de Comunidade Religiosa Radicada – tem aulas de religião e moral nas escolas públicas, e até um programa na RTP2 –, muito se deve a Mário Simões da Mota Marques, nascido em Lisboa em 1942, com passagens por Moçambique e Angola. Há 40 anos que era um dos nove membros da Assembleia Espiritual Nacional, conselho consultivo que, na ausência de clero, administra a vida colectiva da comunidade.
Onde quer que esteja agora, MMM gostará, seguramente, que o mundo não feche os olhos às violações dos direitos humanos na antiga Pérsia onde a fé bahá’i foi fundada em 1844 para ser, actualmente, a segunda mais disseminada geograficamente, depois do cristianismo: 200 grupos étnicos, tribais e raciais em 235 países e territórios independentes. O seu profeta é Bahá’u’lláh, que se anunciou “mensageiro de Deus para a nossa era” – até aparecer outro “ainda mais magnífico”.
É por acreditarem que Maomé não é último profeta e por terem a sua sede em Israel (pela simples razão de ter sido aqui que Bahá’u’lláh morreu e foi sepultado, em 1892, depois de um exílio forçado pelos otomanos) que os baháis – e os sete líderes que amanhã, talvez, sejam julgados – têm sido tão duramente reprimidos.
Se tinha de morrer, ainda bem que MMM morreu em Portugal. Hoje, terá direito a um funeral digno. No Irão seria, provavelmente, lançado numa vala comum, ou enterrado às escondidas pela sua família, para que o túmulo não fosse vandalizado. Por ser bahá’i.
sábado, 17 de outubro de 2009
Mário Mota Marques (1942-2009)
Programa "A Fé dos Homens", transmitido na RTP2, no dia 22-Out-2007. Entrevista com Mário Mota Marques.
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