sábado, 31 de julho de 2010

Ciência e Religião (1)


"... ainda que os biólogos possam discordar nos detalhes, eles geralmente estão de acordo em três características fundamentais da evolução: o acaso, a selecção natural e as enormes extensões de tempo. Independentemente da versão da biologia evolutiva que se siga, as mesmas questões fundamentais se levantam - portanto, não há necessidade de a teologia continuar à espera de um consenso científico mais preciso para começar a tecer comentários sobre a nova história da vida.

Uma teologia da evolução tem de se perguntar como é que, em termos religioso, se pode compreender o acaso, a impessoalidade e a crueldade da selecção natural, bem como o facto de a vida parecer apenas ter surgido gradualmente, ao longo de um período que a ciência estima ser hoje de 3,8 mil milhões de anos. Que tipo de Deus iria presidir a um processos tão caótico, tão prolongado e tão improvisado? A teologia não pode e não deve adiar a tarefa de enfrentar estas questões."

John F. Haught
, Cristianismo e Evolucionismo, p. 70

sábado, 24 de julho de 2010

A ética do Mundo Árabe e a credibilidade do Ocidente


"O que eu censuro hoje ao mundo árabe é a indigência da sua consciência moral; o que eu censuro ao Ocidente é a sua propensão para transformar a sua consciência moral num instrumento de dominação. Duas acusações pesadas e para mim duplamente dolorosas, mas não posso deixar de fazer num livro que pretende atacar as origens da regressão que se anuncia. No discurso de uns procurar-se-ia em vão os vestígios de uma preocupação ética ou referência a valores universais; nos discursos de outros estas preocupações e estas referências estão omnipresentes, mas são utilizadas selectivamente e constantemente desviadas a favor de uma política. O resultado é que o Ocidente não cessa de perder a sua credibilidade e os seus detractores não a têm nenhuma."

terça-feira, 20 de julho de 2010

Geração Viva - Pobreza

Programa "A Fé dos Homens", filmado em Darque (Viana do Castelo).
Inclui um excerto de um ensaio do grupo Geração Viva, dedicado ao tema da Pobreza, um tema rap, e uma entrevista com Daniel Silvestre.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Porque é que os Bahá'ís comemoram o martírio do Báb

Artigo de Brent Poirier publicado hoje no Huffington Post.
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Numa zona rural de New Hampshire, onde vivo com a minha esposa, há uma igreja Congregacional, que remonta ao século XIX. Que relação pode haver entre esta encantadora igreja da New England, com o seu espírito acolhedor e convidativo, e o martírio do Báb na Pérsia há 160 anos, que hoje Baha'is comemoram?

O ministério da Báb - o primeiro dos dois fundadores da Fé Bahá'í - começou em 1844 na Pérsia (actual Irão). "Báb" é um título que significa "porta" ou "portão" em árabe. Nesse ano, o seu primeiro acto foi revelar os significados mais profundos da história de José, uma narrativa que se encontra no livro do Génesis e no Alcorão. José é uma figura profética que cruza várias linhas, sendo reverenciada por judeus, cristãos, muçulmanos e bahá'ís.

Mesmo se considerado como um acontecimento histórico, a história de José e os seus irmãos é uma das histórias mais comoventes na literatura mundial - uma história de superioridade espiritual e da inveja que gerou; de traição e de perdão; de reconciliação e de paz.

Resumidamente, os irmãos de José pediram ao pai que lhes confiasse José, prometendo cuidar dele. Invejosos do seu favor aos olhos do pai, eles colocaram-no num poço e, posteriormente, venderam-no como escravo. Anos mais tarde, durante um período de fome, eles foram ao Egipto para comprar comida. Durante esses anos José sofreu, mas acabou por ascender a uma posição de destaque sendo responsável pelos armazéns de alimentos. Os irmãos entraram na presença de José, mas não o reconheceram. José ofereceu-lhes pão; eles foram novamente à sua presença e ele deu-se a conhecer. Por fim, eles reconheceram-no. Feliz por se reunir com os seus irmãos, ele disse-lhes para não se zangarem; abraçou-os e chorou.

Gostaria de partilhar o meu entendimento pessoal sobre o significado desta história. "Com efeito, na história de José e seus irmãos há mensagens para todos os que buscam a verdade" (Alcorão 12:8).

Eu entendo essa história como simbolizando o maior de todos os acontecimento na Terra: a sucessão de mensageiros, a quem Bahá'ís chamam Manifestantes de Deus, que vem à terra ao longo dos tempos para levar a Palavra de Deus renovada. A promessa dos irmãos de José ao seu pai para cuidar de José simboliza a Grande Aliança entre Deus e a humanidade - a promessa de Deus de enviar esses guias espirituais, e a promessa da humanidade a Deus para tratar dignamente os Seus Manifestantes, e para ouvir os seus conselhos. E embora a humanidade aguarde ansiosamente o seu aparecimento, quando os Manifestações de Deus surgem, a humanidade não os reconhece, rejeita-os, e persegue-os. Por fim, eles são reconhecidos, e assumem o seu lugar de proeminência.

O ponto central é o reconhecimento: Na história, os irmãos não reconhecem as características físicas de José, mas o significado é muito mais profundo. A humanidade não reconhecer facilmente os seus maiores benfeitores - não sem primeiro sofrer devido à falta de orientação. Os mesmos elementos encontram-se na história do fracasso dos discípulos em reconhecer Jesus Cristo, nas narrativas pós-ressurreição, como na estrada de Emaús, no último capítulo do Evangelho de Lucas.

Há um outro significado, e esta é especificamente uma interpretação Baha'i. O Bab anunciou a vinda do "Verdadeiro José", outro Manifestante de Deus, Bahá'u'lláh, que em breve Lhe iria suceder e sofrer nas mãos do Seu irmão. Detido numa masmorra em Teerão, conhecida como o Buraco Negro, Bahá'u'lláh, o Fundador da Fé Bahá'í, tentou "despertar o mundo e unir todos os que habitam na terra". Na verdade, as escrituras bahá'ís vêem isso como a missão de cada Manifestante Divino. Bahá'u'lláh escreveu: "Os Mensageiros de Deus foram enviados, e seus livros foram revelados, com o objectivo de promover o conhecimento de Deus, e de promover a unidade e a comunhão entre os homens."

A Pérsia naqueles dias estava tomada pelo zelo milenarista - e isto leva-me de volta à igreja na nossa comunidade. O pastor dessa igreja deixou o púlpito em 1844 para se juntar aos Milleritas, um grupo de antevia o regresso de Cristo vindo dos céus em 1843 ou 1844, com base na profecia de Daniel de 2.300 dias. O ano de 1844 coincidiu com as profecias de 1.260 dias encontrado no livro do Apocalipse, e o ano de 1260 no calendário islâmico, desconhecido para eles. As profecias judaicas, cristãs e muçulmanas coincidiam.

Em 1850, os principais seguidores do Báb, tinham sido todos mortos, e o próprio Báb estava preso. Em 9 de Julho desse ano, em circunstâncias notáveis narradas em detalhe aqui, o Báb foi condenado à morte por fuzilamento.

Até ao fim, o Báb falou com coragem e mostrou uma grande ternura. Ele escrevera: "O caminho para a orientação é de amor e compaixão, não de força e coerção". Vou reflectir sobre estes aspectos, neste dia solene: Coragem em afirmar a verdade de Deus a um outro, tal como o vemos, e gentileza em dar a plenitude dos nossos corações uns aos outros, mesmo quando somos mal compreendidos. Podemos procurar o significado mais profundo de outras Escrituras, e ver a sua base em comum?

José abraçou os seus irmãos e chorou. Também deveremos nós vaguear por terras distantes durante mais anos de conflito antes de nos abraçarmos e chorarmos? Ou podemos seguir o conselho dos Livros Sagrados, e o exemplo de José, e esforçamo-nos, segundo as palavras de Bahá'u'lláh, para "revivificar o mundo, enobrecer a sua vida, e regenerar os seus povos"?

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ser Bahá'í em Angola (2)

Matilde Oliveira Lopes partilha diversas recordações da sua vida como Bahá'í durante o tempo em que residiu em Angola (1964-1975).

Particularmente tocante é a descrição do episódio com inspector da PIDE (2º vídeo), assim como a história da outra Matilde (3º vídeo).





terça-feira, 29 de junho de 2010

50 casas de Bahá'ís destruídas no norte do Irão

Cerca de 50 famílias Bahá'ís viram as suas casas destruídas numa aldeia no norte do Irão. A acção ocorreu em Ivel, Mazindaran, local onde já tinham ocorrido diversos incidentes violentos contra os Baha’is. Desta vez, os habitantes - instigados por elementos hostis à comunidade Bahá'í - bloquearam os acessos à aldeia, enquanto permitiam que diversos camiões e quatro escavadoras, demolissem as casas.

A maioria destas casas em Ivel estava desocupada; os seus proprietários tinham abandonado a aldeia após incidentes violentos ou tinham sido expulsos pelas autoridades. Em, 2007, por exemplo seis destas casas tinham sido incendiadas. Estas demolições são o mais recente desenvolvimento de uma campanha em curso, oficialmente sancionada na área que tem como alvo todas as actividades da Baha'is.

Um vídeo amador, filmado com telemóvel e publicado na internet por activistas dos direitos humanos iranianos, mostra o que parecem ser de vários edifícios reduzidos a escombros, assim como diversos incêndios.



"Eles estão proibidos de se relacionar com os muçulmanos, ou mesmo de ajudar amigos e vizinhos", afirmou Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas em Genebra. "Até os mais pequenos actos de boa vontade - como levar flores para alguém que está doente no hospital ou a entrega de ofertas a um orfanato - são vistos como acções contra o regime."

"Os Bahá'ís vivem nesta região há mais de 100 anos e que já teve uma grande comunidade", disse Ala'i. "Mas em 1983, poucos anos depois da revolução iraniana, pelo menos 30 famílias de aldeias vizinhas e isso foram colocados em autocarros e expulsos. Desde então, eles tentaram sem sucesso obter indemnizações legais, ao retornar no verão para suas colheitas", acrescentou.

Em todos os media, os ataques persistentes do governo contra os Bahá'ís – juntamente com a inacção das autoridades locais para os proteger - continuaram a incitar ao ódio contra os bahá'ís na região e em todo o Irão, disse a Sra. Alai.

Os membros da comunidade Bahá'í fizeram repetidas queixas antes e após o último incidente às autoridades locais, incluindo o governador provincial em Sari. Em todos as ocasiões as autoridades negaram conhecimento das demolições ou dos motivos para estas.

Apesar de terem surgido notícias sobre os últimos acontecimento em vários sites de língua persa na sexta-feira passada, a Comunidade Internacional Bahá'í só hoje (28-Junho) foi capaz de confirmar os detalhes do incidente. As notícias mais recentes indicam que 90 por cento das residências Bahá'ís já foram demolidas.

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FONTES:
Homes demolished in campaign to drive Baha'is out of Iranian village (BWNS)
50 Houses of Baha'is Destroyed in Northern Iran (MNBR)
Baha'i Houses Demolished In Iran (RFE/RL)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O papel das Escolas

As próprias escolas devem tornar-se participantes nos processos de transformação social. O currículo não pode simplesmente visar transmitir conhecimentos e competências, mas que deve procurar desenvolver o vasto potencial inerente ao ser humano. Os indivíduos devem ser ajudados a canalizar esse potencial para a melhoria das suas comunidades e para o progresso da sociedade como um todo. O nível de consciência e profundo espírito de serviço e colaboração necessários para transformar os comportamentos individuais e as forças institucionais no sentido da sustentabilidade exige uma transformação dos processos educacionais proporcional à tarefa em mãos.

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Excerto do documento Rethinking Prosperity, Baha’i International Comunitiy, 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ser Baha'i em Angola (1)

Maria da Piedade Antunes partilha algumas das suas experiências como Bahá'í, durante o tempo em que viveu em Angola (1973-1975).