terça-feira, 10 de agosto de 2010

Qual o futuro da diversidade religiosa numa região dominada pelo Irão?

Artigo de Maryam Ishani, publicado ontem no Huffington Post. Os sombreados são da minha responsabilidade.
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Recentemente, sentei-me com um escritor iraniano bem sucedido, que reside em Nova York e Teerão. Ele escreve sobre a política do regime, o seu futuro e as possibilidades da democracia. Esperava visitar o Irão, a minha terra natal, para obter uma oportunidade de ver de perto o impacte dos motins após as eleições e se o movimento tinha, na verdade, sido completamente esmagado como parecia. Curiosa e ansiosa para cobrir uma história intensa e ver o país que expulsou a minha família há 20 anos atrás, pedi-lhe para nos encontrarmos num café da moda em NoLita.

Entre café e bolos, ele estava muito optimista de que eu não teria problemas para entrar e sair, mesmo como jornalista cobrindo as eleições, as coisas não eram tão más, disse. A sua escrita reflectia uma visão realista e positiva sobre o desenvolvimento político iraniano. "As coisas estão a mudar, o governo está a mudar ", ouvi-o a explicar mais de uma vez para multidões em sessões de autógrafos.

Eu não queria pressioná-lo muito, mas tinha uma preocupação específica: E se eu for Bahá'í?

"Pode-se provar que você é Bahá'í?" perguntou: "As autoridades no Irão conseguem fazer isso?"

Disse que uma vez tinha publicado uma história num boletim inter-religioso universitário, em que referi eu era um membro da fé Bahá'í.

"Então, não... você não pode ir. Retire esse artigo do servidor na faculdade antes de pensar em ir."

A ameaça que enfrentam os Bahá'ís do Irão esteve em lume brando até que nos últimos anos começou a ferver. No passado mês de Junho, as casas de 50 famílias Bahá'ís foram destruídas na cidade de Ivel, na província de Mazandaran. Um vídeo amador, filmado num telemóvel e colocado na internet mostrava casas sendo derrubadas e queimadas no norte da cidade.

Neste domingo, sete Bahá'ís desapareceram tranquilamente no éter de registo dos direitos humanos no Irão, sendo cada um condenado a 20 anos de prisão por praticarem de uma fé que não é reconhecida pela República Islâmica do Irão. Estes sete, em particular, representavam a liderança administrativa da comunidade no país.

Acusados de espionagem, actividades de propaganda contra a ordem islâmica, e estabelecimento de uma administração ilegal, entre outras alegações, eles (duas mulheres e cinco homens) foram detidos na prisão de Evin, em Teerão, desde Maio de 2008.

A sua prisão recebeu alguma atenção quando Roxanne Saberi referiu ter estado detida com as duas mulheres, Fariba Kamalabadi e Mahvash Sabet, do grupo de sete durante a sua própria prisão. Saberi descreveu que, enquanto era levada de Evin para ser libertada, chorou "lágrimas de tristeza por muitos prisioneiros inocentes que eu deixava para trás". Mas, infelizmente, com apenas seis breves sessões iniciadas em Janeiro e um acesso muito limitado aos seus advogados de defesa, o caso dos sete dirigentes Bahá'ís passou largamente despercebido nos relatórios importantes.

E isso é exactamente o que a liderança iraniana quer que aconteça. Com a atenção do mundo voltada para o seu programa nuclear e o seu relacionamento com grupos como o Hezbollah e o Hamas, não é de admirar que as políticas internas domésticas do Irão recebam poucas reacções.

No fim de contas, os Bahá'ís do Irão não seriam a primeira comunidade vulnerável, cuja situação seria sobreposta por questões políticas mundiais de maior dimensão. Mas a impunidade com que o Irão avança contra a liberdade religiosa levanta o alarme para a região como um todo. O Irão está ciente que tem a comunidade global dos direitos humanos num aperto de morte; as suas grandes campanhas ocupam o centro das atenções internacionais, permitindo-lhe continuar a avançar contra a diversidade religiosa na região, uma região onde a intolerância religiosa se tornou um barril de pólvora para a violência em maior escala.

A forma como a prisão, o julgamento e a condenação dos sete Bahá'ís em Teerão decorreu tranquilamente, confirma a confiança do Irão de que o mundo não conseguiu perceber que a injustiça que comete contra alguns está intrinsecamente relacionada com as ameaças intolerantes que faz exterior.

Enquanto os 300.000 membros sufocam lentamente na sua terra natal, apenas aqueles que conhecem o Irão moderno conhecem a realidade cruel que os Bahá'ís iranianos enfrentam.

Irão está a mudar, mas para os Bahá'ís do Irão, cujos adeptos defendem a não-violência e obediência ao governo, a mudança não chegará a tempo. E enquanto o mundo aguarda com optimismo de que as sanções dêem resultados, o Irão consegue continuar com o "business as usual".

"Na verdade, se eu fosse você, não iria ", advertiu o meu colega: "Se eles descobrem que você é Bahá'í e a prendem, não há realmente nada que alguém possa fazer por si."

Infelizmente, os sete condenados em Teerão, e seu governo, sabem muito bem como isso é verdade.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Dirigentes Bahá'ís condenados a 20 anos de prisão

Segundo o site BWNS, a Comunidade Internacional Bahá'í recebeu informação indicando que os sete dirigentes Bahá'ís iranianos teriam sido condenados a vinte anos de prisão. “Se estas notícias se confirmarem, então será um resultado profundamente chocante sobre o caso destas sete pessoas inocentes e inofensivas. Segundo sabemos, eles foram informados da sentença e os seus advogados vão recorrer”, afirmou Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í junto das Nações Unidas.

Os sete detidos - Fariba Kamalabadi, Jamaloddin Khanjani, Afif Naeimi, Saeid Rezaie, Mahvash Sabet, Behrouz Tavakkoli, e Vahid Tizfahm – administravam as necessidades dos 300.000 Bahá'ís iranianos, a maior minoria religiosa não muçulmana do país.

Os sete dirigentes estiveram 20 meses detidos sem acusação; durante esse período de tempo apenas puderam reunir-se com os seus advogados durante uma hora. O julgamento iniciou-se em Janeiro, consistiu em 6 breves audiências, e terminou no passado dia 14 de Junho.

Os sete foram acusados de espionagem, propaganda contra a ordem islâmica, e estabelecimento de uma administração ilegal, entre outras acusações. Todas as acusações foram categórica e completamente negadas.

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SOBRE ESTE ASSUNTO:

Reports say Iran's Baha'i leaders "sentenced" (BWNS)
Grupo bahá'í diz que sete líderes terão sido condenados no Irão (Público)
7 Baha'is sentenced to 20 years in Iran, group says (CNN)
Iranian Baha'i Leaders Given Long Sentences (RFE/RL)
Iran: 7 Bahai Leaders Are Sentenced to 20 Years (NYTimes)
Tehran, seven Bahai members sentenced to 20 years in prison (AsiaNews.it)
Seven Baha'is get 20-year terms in Iran (Reuters)
Baha'i Leaders Sentenced To 20 Years In Iran (Huffington Post)
Condemnats a 20 anys de presó set bahà'ís acusats d'espionatge i de difondre propaganda contra l'islam (Europa Press)
Le Bahaïsme, seulle religion officiellement persécutée en Iran (Le Monde)

sábado, 7 de agosto de 2010

Capitalismo de Casino


"Que não se tenha vergonha de enriquecer, compreendo. Que não se tenha vergonha de aceitar os frutos da prosperidade, também aceito; a nossa época propõe-nos tantas coisas belas e boas que seria um insulto à vida recusar desfrutar dela. Mas que o dinheiro seja completamente desligado de toda a produção, de todo o esforço físico ou intelectual, de toda a actividade socialmente útil? Que as nossas praças bolsistas se transformem em gigantescos casinos onde a sorte de centenas de milhões de pessoas, ricas ou pobres, seja decidida num lance de dados? Que as nossas instituições financeiras mais veneráveis acabem por se comportar como delinquentes embriagados? Que as economias de toda uma vida de labor podem ser aniquiladas ou multiplicadas por trinta em alguns segundos e segundo processos esotéricos que os próprios banqueiros já não compreendem?"

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Ponte entre o Oriente e o Ocidente


"Descobri que a ponte, há muito desejada, entre o Oriente e o Ocidente - que muitos políticos e intelectuais tentaram criar com a Aliança de Civilizações e outras iniciativas - já existe", afirmou Rafael Cerrato, autor espanhol, a propósito do lançamento do seu mais recente livro intitulado Desde el corazon de Iran – Los baha'is: La esperanza oprimida. O livro descreve a história da religião Bahá'í e enfatiza a repressão a que os seus seguidores têm sido sujeitos no Irão desde o séc. XIX.

A ideia de escrever o livro surgiu em 2006, quando Rafael Cerrato visitou o norte de Israel e ficou profundamente fascinado com os edifícios e jardins do Centro Mundial Bahá'í, nas encostas do Monte Carmelo. "Fiquei impressionado. Pensei imediatamente que tinha que descobrir o que estava por detrás daquela beleza", afirmou Cerrato

Ao regressar a Espanha, Cerrato começou a investigar a história e ensinamentos da Fé Bahá'í e ficou fascinado com o que descobriu. "Sem perder qualquer dos princípios das religiões anteriores, os ensinamentos sociais Bahá'ís têm tudo: a necessidade de organizações supranacionais, a igualdade entre homens e mulheres, educação universal,… acredito nestes princípios e eles atraem-me. Por isso não tenho nenhum problema em transmiti-los", declarou.

O autor afirmou esperar que o seu livro informe os leitores de língua espanhola sobre a situação que os Baha'is enfrentam no Irão, e os valores pelos quais eles que estão preparados para sofrer. "Espero que abra os olhos de dirigentes, jornalistas e intelectuais para os planos e acções do actual governo do Irão. E ao mesmo tempo, espero que eles vejam que, através da Fé Bahá'í, muitos processos construtivos de diálogo se podem abrir entre o Oriente e o Ocidente", declarou Cerrato.

A IMPORTÂNCIA DA RELIGIÃO

Nascido em 1951 em Córdoba, Rafael Cerrato, licenciou-se economia em Málaga. Posteriormente, decidiu dedicar as suas energias a explorar "as grandes verdades não registadas na história, mas que são fundamentais para a compreensão do nosso presente". Para o autor, a religião desempenha um papel fundamental nessa compreensão.


Em 2005, Cerrato - que professa o Catolicismo - publicou "Carta a Fernando Sanchez Drago", onde apresentava comparações entre os fundadores do Cristianismo, Islão e Budismo. No ano seguinte, com o livro "Lepanto, a Batalha não terminada", Cerrato explorou a história das relações do Ocidente com o Islão.

"Sempre pensei que o homem é um animal religioso – mais do que um animal político como muitos filósofos definiram", disse Cerrato. "Sem a religião, os fenómenos sociais ou a evolução do mundo não pode ser compreendida".

"A religião deve ser uma força para o bem e um elemento unificador", disse ele. "Mas, infelizmente, é a causa de muitos problemas. A origem destes problemas não é a própria religião ... Eles são causados principalmente pela distorção que os homens fazem do seu conteúdo e mensagem."

REACÇÕES
Sobre o livro de Cerrato, Enrique Cordoba, colunista do El Nuevo Herald escreveu: "Festejo a publicação deste livro de Cerrato… para aqueles que querem informar-se sobre uma doutrina que deve ser estudada".

A jornalista Ninoska Pérez Castellón, de Miami, escreveu que é "um livro necessário… É um apelo mundial para garantir que os abusos contra a comunidade Bahá'í no Irão não cai no esquecimento. É devido à integridade de escritores como Rafael Cerrato que podemos familiarizar-nos profundamente com um assunto que devia estar na primeira página dos jornais".
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FONTE:
Spanish author discovers "bridge between East and West (BWNS)

sábado, 31 de julho de 2010

Ciência e Religião (1)


"... ainda que os biólogos possam discordar nos detalhes, eles geralmente estão de acordo em três características fundamentais da evolução: o acaso, a selecção natural e as enormes extensões de tempo. Independentemente da versão da biologia evolutiva que se siga, as mesmas questões fundamentais se levantam - portanto, não há necessidade de a teologia continuar à espera de um consenso científico mais preciso para começar a tecer comentários sobre a nova história da vida.

Uma teologia da evolução tem de se perguntar como é que, em termos religioso, se pode compreender o acaso, a impessoalidade e a crueldade da selecção natural, bem como o facto de a vida parecer apenas ter surgido gradualmente, ao longo de um período que a ciência estima ser hoje de 3,8 mil milhões de anos. Que tipo de Deus iria presidir a um processos tão caótico, tão prolongado e tão improvisado? A teologia não pode e não deve adiar a tarefa de enfrentar estas questões."

John F. Haught
, Cristianismo e Evolucionismo, p. 70

sábado, 24 de julho de 2010

A ética do Mundo Árabe e a credibilidade do Ocidente


"O que eu censuro hoje ao mundo árabe é a indigência da sua consciência moral; o que eu censuro ao Ocidente é a sua propensão para transformar a sua consciência moral num instrumento de dominação. Duas acusações pesadas e para mim duplamente dolorosas, mas não posso deixar de fazer num livro que pretende atacar as origens da regressão que se anuncia. No discurso de uns procurar-se-ia em vão os vestígios de uma preocupação ética ou referência a valores universais; nos discursos de outros estas preocupações e estas referências estão omnipresentes, mas são utilizadas selectivamente e constantemente desviadas a favor de uma política. O resultado é que o Ocidente não cessa de perder a sua credibilidade e os seus detractores não a têm nenhuma."

terça-feira, 20 de julho de 2010

Geração Viva - Pobreza

Programa "A Fé dos Homens", filmado em Darque (Viana do Castelo).
Inclui um excerto de um ensaio do grupo Geração Viva, dedicado ao tema da Pobreza, um tema rap, e uma entrevista com Daniel Silvestre.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Porque é que os Bahá'ís comemoram o martírio do Báb

Artigo de Brent Poirier publicado hoje no Huffington Post.
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Numa zona rural de New Hampshire, onde vivo com a minha esposa, há uma igreja Congregacional, que remonta ao século XIX. Que relação pode haver entre esta encantadora igreja da New England, com o seu espírito acolhedor e convidativo, e o martírio do Báb na Pérsia há 160 anos, que hoje Baha'is comemoram?

O ministério da Báb - o primeiro dos dois fundadores da Fé Bahá'í - começou em 1844 na Pérsia (actual Irão). "Báb" é um título que significa "porta" ou "portão" em árabe. Nesse ano, o seu primeiro acto foi revelar os significados mais profundos da história de José, uma narrativa que se encontra no livro do Génesis e no Alcorão. José é uma figura profética que cruza várias linhas, sendo reverenciada por judeus, cristãos, muçulmanos e bahá'ís.

Mesmo se considerado como um acontecimento histórico, a história de José e os seus irmãos é uma das histórias mais comoventes na literatura mundial - uma história de superioridade espiritual e da inveja que gerou; de traição e de perdão; de reconciliação e de paz.

Resumidamente, os irmãos de José pediram ao pai que lhes confiasse José, prometendo cuidar dele. Invejosos do seu favor aos olhos do pai, eles colocaram-no num poço e, posteriormente, venderam-no como escravo. Anos mais tarde, durante um período de fome, eles foram ao Egipto para comprar comida. Durante esses anos José sofreu, mas acabou por ascender a uma posição de destaque sendo responsável pelos armazéns de alimentos. Os irmãos entraram na presença de José, mas não o reconheceram. José ofereceu-lhes pão; eles foram novamente à sua presença e ele deu-se a conhecer. Por fim, eles reconheceram-no. Feliz por se reunir com os seus irmãos, ele disse-lhes para não se zangarem; abraçou-os e chorou.

Gostaria de partilhar o meu entendimento pessoal sobre o significado desta história. "Com efeito, na história de José e seus irmãos há mensagens para todos os que buscam a verdade" (Alcorão 12:8).

Eu entendo essa história como simbolizando o maior de todos os acontecimento na Terra: a sucessão de mensageiros, a quem Bahá'ís chamam Manifestantes de Deus, que vem à terra ao longo dos tempos para levar a Palavra de Deus renovada. A promessa dos irmãos de José ao seu pai para cuidar de José simboliza a Grande Aliança entre Deus e a humanidade - a promessa de Deus de enviar esses guias espirituais, e a promessa da humanidade a Deus para tratar dignamente os Seus Manifestantes, e para ouvir os seus conselhos. E embora a humanidade aguarde ansiosamente o seu aparecimento, quando os Manifestações de Deus surgem, a humanidade não os reconhece, rejeita-os, e persegue-os. Por fim, eles são reconhecidos, e assumem o seu lugar de proeminência.

O ponto central é o reconhecimento: Na história, os irmãos não reconhecem as características físicas de José, mas o significado é muito mais profundo. A humanidade não reconhecer facilmente os seus maiores benfeitores - não sem primeiro sofrer devido à falta de orientação. Os mesmos elementos encontram-se na história do fracasso dos discípulos em reconhecer Jesus Cristo, nas narrativas pós-ressurreição, como na estrada de Emaús, no último capítulo do Evangelho de Lucas.

Há um outro significado, e esta é especificamente uma interpretação Baha'i. O Bab anunciou a vinda do "Verdadeiro José", outro Manifestante de Deus, Bahá'u'lláh, que em breve Lhe iria suceder e sofrer nas mãos do Seu irmão. Detido numa masmorra em Teerão, conhecida como o Buraco Negro, Bahá'u'lláh, o Fundador da Fé Bahá'í, tentou "despertar o mundo e unir todos os que habitam na terra". Na verdade, as escrituras bahá'ís vêem isso como a missão de cada Manifestante Divino. Bahá'u'lláh escreveu: "Os Mensageiros de Deus foram enviados, e seus livros foram revelados, com o objectivo de promover o conhecimento de Deus, e de promover a unidade e a comunhão entre os homens."

A Pérsia naqueles dias estava tomada pelo zelo milenarista - e isto leva-me de volta à igreja na nossa comunidade. O pastor dessa igreja deixou o púlpito em 1844 para se juntar aos Milleritas, um grupo de antevia o regresso de Cristo vindo dos céus em 1843 ou 1844, com base na profecia de Daniel de 2.300 dias. O ano de 1844 coincidiu com as profecias de 1.260 dias encontrado no livro do Apocalipse, e o ano de 1260 no calendário islâmico, desconhecido para eles. As profecias judaicas, cristãs e muçulmanas coincidiam.

Em 1850, os principais seguidores do Báb, tinham sido todos mortos, e o próprio Báb estava preso. Em 9 de Julho desse ano, em circunstâncias notáveis narradas em detalhe aqui, o Báb foi condenado à morte por fuzilamento.

Até ao fim, o Báb falou com coragem e mostrou uma grande ternura. Ele escrevera: "O caminho para a orientação é de amor e compaixão, não de força e coerção". Vou reflectir sobre estes aspectos, neste dia solene: Coragem em afirmar a verdade de Deus a um outro, tal como o vemos, e gentileza em dar a plenitude dos nossos corações uns aos outros, mesmo quando somos mal compreendidos. Podemos procurar o significado mais profundo de outras Escrituras, e ver a sua base em comum?

José abraçou os seus irmãos e chorou. Também deveremos nós vaguear por terras distantes durante mais anos de conflito antes de nos abraçarmos e chorarmos? Ou podemos seguir o conselho dos Livros Sagrados, e o exemplo de José, e esforçamo-nos, segundo as palavras de Bahá'u'lláh, para "revivificar o mundo, enobrecer a sua vida, e regenerar os seus povos"?

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ser Bahá'í em Angola (2)

Matilde Oliveira Lopes partilha diversas recordações da sua vida como Bahá'í durante o tempo em que residiu em Angola (1964-1975).

Particularmente tocante é a descrição do episódio com inspector da PIDE (2º vídeo), assim como a história da outra Matilde (3º vídeo).