quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Novo Dicionário do Islão

Foi recentemente publicado entre nós o Novo Dicionário do Islão, de Margarida Santos Lopes. Trata-se de uma versão corrigida e aumentada (a primeira foi publicada em 2002), onde se apresentam conceitos, personagens e histórias associadas à religião que teve origem na revelação de Maomé.

Nestas páginas, Islão (fé) não é igual a islamismo (ideologia); e os islamitas (crentes) nem sempre são islamistas (combatentes da jihad). Para alguns, o termo "islamista" é uma heresia linguística, mas este livro preocupa-se mais com o neologismo que caracteriza o medo e a discriminação dos muçulmanos: «islamofobia».

Por isso, segue as recomendações de respeitados «islamólogos», como a muçulmana Dalia Mogahed e John Esposito, que não confundem uma maioria silenciosa e devota de 1200 milhões de fiéis com uma minoria ruidosa e fanática, que continua a matar em nome do seu profeta, Maomé, e de Deus/Allah.

Para quem pretende perceber o Islão, esta é uma obra fundamental. Para um Bahá'í, este livro é de referência obrigatória, pois ajuda a compreender o mundo e as circunstâncias em que nasceu a Fé Bahá'í.

sábado, 25 de setembro de 2010

Ciência e Religião (5)


"... um Criador que chama à existência um mundo auto-organizativo e autocriador parece muito mais digno da nossa adoração do que um Criador que insiste em fazer tudo directamente, sem envolver as próprias criaturas. Por isso, insistir numa criação especial, como fazem muitos cristãos, é reduzir Deus ao papel de um mágico. É também recusar reconhecer a vocação criadora que todas as criaturas, em algum grau, possuem e nós, seres humanos, possuímos de um modo muito especial. Uma sólida teologia da criação encontra mais razões para admirar um criador divino que chama à existência este universo autocriador, do que um «designer» que força directamente tudo, de acordo com um esquema preestabelecido."

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 101-102

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Geração Viva: Violência Doméstica

Ensaio do grupo de intervenção Geração Viva sobre a violência doméstica.
Programa "A Fé dos Homens", transmitido na RTP2, em 20-Setembro-2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Ausência de Legitimidade


"Para qualquer sociedade humana, a ausência de legitimidade é uma forma de força de gravidade que desregula todos os comportamentos. Quando nenhuma autoridade, nenhuma instituição, nenhuma personalidade pode fazer-se valer de uma verdadeira credibilidade moral, quando os homens começam a acreditar que o mundo é uma selva onde reina a lei do mais forte e onde todos os golpes são permitidos, só pode derivar-se para a violência assassina, e a tirania e o caos."

sábado, 11 de setembro de 2010

Ciência e Religião (4)


"A ideia de uma criação instantaneamente concluída é, como diz Teilhard de Chardin, teologicamente impensável. Um universo já totalmente criado, um universo que não se desenvolvesse gradualmente, seria apenas uma extensão do próprio ser de Deus; não seria um mundo em si mesmo. Não teria autocoerência interna, nem autonomia intrínseca. Seria, em vez disso, uma implementação puramente passiva da vontade divina. Seria um universo congelado, sem futuro, e incapaz de conter vida já que, por definição, os seres vivos têm continuamente de se transcender (ir além) de si próprios para estarem de facto vivos. A duração temporal é um aspecto essencial de uma criação que possa dar origem à vida."

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 96-97

domingo, 5 de setembro de 2010

Uma solidariedade planetária


"Nos próximos anos, saberemos construir entre os homens, para além de todas as fronteiras, uma solidariedade de um novo tipo - universal, complexa, subtil, reflectida, adulta? Independentemente das religiões, sem ser de modo nenhum anti-religiosa ou insensível às necessidades metafísicas do homem, que são tão reais como as necessidades físicas? Uma solidariedade que possa transcender as nações, as comunidades e as etnias sem abolir a profusão de culturas? Que possa unir os homens face aos perigos que os espreitam sem se comprazer num discurso de apocalipse?"

sábado, 4 de setembro de 2010

Sobre o cenário de catástrofe ambiental

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O que é terrível, neste cenário [de catástrofe ambiental], é a probabilidade de se tornar real; e de saber que só a mudança total do comportamento dos povos e das vontades políticas poderia romper a fatalidade que se desenha. O que implicaria o impossível: a transformação rápida do capitalismo mundial e a convergência dos países numa política ecológica comum. Além de que a salvação do planeta exigiria a mobilização geral dos povos. Ou um Estado mundial. Entretanto, pratica-se localmente uma terapia de remendos e internacionalmente bloqueiam-se ou adiam-se medidas que deviam ser aplicadas já e drasticamente.
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José Gil, Visão, 2 de Setembro de 2010-09-04

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ciência e Religião (3)


"Ainda que o altruísmo humano e a religião, tal como as outras formas de vida, tenham emergido no decurso de um processo evolucionário e, por conseguinte, tenham algum continuidade com a sua ascendência evolucionária, o seu estatuto ético e cognitivo tem de ser considerado num contexto diferente da sua pré-história evolucionária. Em qualquer desenvolvimento histórico, o estádio original pode tornar-se crescentemente insignificante. Avaliar algo simplesmente na base da sua origem genética é a «falácia genética».

Assim, por exemplo, a ciência da química é descrita como tendo-se desenvolvido a partir da prática medieval da alquimia; e a astronomia moderna é descrita como tendo as suas origens na astrologia antiga. Porém, ao longo do tempo, a química abandonou tudo o que tinha da alquimia, excepto um interesse geral na mudança da matéria; e a astronomia preservou da astrologia apenas um interesse pelos céus. Em ambos os casos, as origens históricas tornaram-se inconsequentes. Se nos deixássemos guiar pela falácia genética, porém, teríamos de rejeitar a química contemporânea e a astronomia, devido à inferioridade dos seus precedentes históricos."

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 67-68

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Morte lenta para os Bahá'ís do Irão

Tradução de excertos de um artigo publicado na revista Time.
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Na maioria dos países, os crentes da fé Baha'i são vistos como cidadãos-modelo. A sua religião coloca grande ênfase na dedicação, paz e obediência à lei. No Irão, no entanto, os baha'is não são apenas indesejáveis, mas activamente perseguidos. Desde que o Ayatollah Ruhollah Khomeini chegou ao poder em 1979, 300.000 Baha'is do Irão vivem sob um reinado de terror na terra onde nasceu a sua fé. No mais recente de muitos protestos, o relatório anual do Departamento de Estado sobre direitos humanos afirmou na semana passada que os crentes "sofrem de prisão, tortura e execução" nas mãos do governo.

Desde 1979, pelo menos 150 fiéis foram condenados à morte. Embora as acusações oficiais normalmente incluam "espionagem" ou "traição", os bahá'ís dizem que o motivo real é a intolerância oficial a uma fé que os mullahs xiitas do Irão consideram blasfema. Estima-se que 550 Baha'is estejam na prisão. Milhares de pessoas perderam as suas casas e bens, e multidões profanaram centros Baha'is, cemitérios e mais sagrado santuário da fé no Irão, a Casa do Báb em Shiraz.

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Em Agosto do ano passado, o procurador-geral do Irão, Hojatoleslam Hossein Musavi Tabrizi, ordenou a abolição de todas as organizações Baha'is. A comunidade, obedientemente, encerrou os seus 400 centros locais e dissolveu os conselhos administrativos nacional e locais. Nos meses seguintes à declaração de Tabrizi, um agricultor foi linchado, uma jovem foi morta por uma multidão logo depois dar à luz, e 190 bahá'ís foram presos. Mehri Mavaddat, uma advogada iraniana refugiada que vive agora em Toronto, e cujo marido foi executado em 1981, afirma: "Os assassinatos são muito casuais. Isso é o que os torna tão horríveis. Alguns são presos e mortos. Alguns são conhecidos do governo, mas não são presos."

Os Baha'is, que muitas vezes são convenientes bodes expiatórios, são perseguidos desde que a sua fé foi fundada em meados do século XIX, na Pérsia. Depois de um Xá tirano ter sido assassinado por um terrorista muçulmano em 1896, uma multidão atacou a comunidade Baha'i em Yazd, matando várias pessoas. Os crentes foram repetidamente torturados e mutilado por vigilantes locais nos anos seguintes. A pior explosão antes da subida de Khomeini ao poder ocorreu em 1955-56 sob o Xá. Antigos agentes da SAVAK, a polícia secreta do Xá, dizem que agentes do governo provocaram uma histeria anti-Baha'i para desviar a fúria dos muçulmanos reaccionários contra o Xá. Um ex-oficial SAVAK recorda: "Muitos clérigos muçulmanos, incluindo numerosos com altos cargos no regime de Khomeini, enriqueceram com o dinheiro SAVAK, que receberam para lutar contra o Bahaismo e do Comunismo." Em 1978, na agitação que precedeu a partida do Xá, 40 pessoas, ambos Baha'is e muçulmanos, foram mortas durante confrontos em Shiraz.

Há uma razão fundamental para esta inimizade doutrinária. O Islão proclama que Maomé foi o "Selo dos Profetas", mensageiro final de Deus para a humanidade. Mas a fé Baha’i... afirma que dois profetas vieram depois de Maomé. Para os muçulmanos trata-se de uma fé nova e pervertida. O primeiro profeta foi Mirza Ali "Muhammad, que declarou em 1844 que ele era o Bab (porta), o caminho para Deus. Ele foi executado em 1850 como um herege. Quando as autoridades persas tentaram acabar com os seus discípulos, os Babis ripostaram, cerca de 20 mil foram chacinados.

Um dos Babis adoptou o nome de Bahá'u'lláh (Glória de Deus) e proclamou-se o Prometido, ou Messias, em 1863; os seus seguidores ficaram conhecidos como bahá'ís. Ele substituiu o zelo militante dos Babis por uma rigorosa não-violência. Bahá'u'lláh passou muitos dos seus últimos anos numa prisão turca ou sob prisão domiciliar, perto da actual Haifa, Israel. Ali, os Baha'is construíram o seu túmulo e estabeleceram a sua sede mundial. Esta ligação ténue com Israel inflama ainda mais as suspeitas islâmicas.

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Leia o artigo completo:
Religion: Slow Death for Iran's Baha'is (TIME)