segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ciência e Religião (11)


Um modo de entender o poderoso, ainda que cientificamente indetectável, influxo de Deus no mundo é recordar como funciona a informação. Ao ler esta página, o leitor está a olhar para manchas de tinta preta fixada numa folha branca. Se não soubesse ler, a única coisa que veria seria umas marcas pretas ininteligíveis. E perderia o conteúdo informativo que se encontra aqui contido. Do mesmo modo, a presença da informação não é detectável à ciência física. Quaisquer ideias inscritas nesta página, por exemplo, não serão detectadas pela química enquanto tal.

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 164

domingo, 28 de novembro de 2010

Anselmo Borges: Diálogo Inter-Religioso

Palavras do Pe. Anselmo Borges na sessão de apresentação do seu livro RELIGIÃO E DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO, realizada pelo Centro de Reflexão Cristã.

Após a apresentação do autor seguiu-se um colóquio sobre Diálogo Inter-Religioso, com a participação do Prof. Doutor Miguel Oliveira da Silva (presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida) e Juan Masiá Clavel (teólogo e escritor jesuíta espanhol) e moderação do Dr. Guilherme d'Oliveira Martins.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Carta de Raha Sabet

O texto que se segue é a tradução de um excerto de uma carta de Raha Sabet, uma jovem Baha’i iraniana que actualmente cumpre pena de prisão em Shiraz. Raha integrava o grupo de 54 jovens detidos em 2006; deste grupo apenas três foram julgados e condenados a penas de quatro anos de prisão. A carta foi escrita na prisão em 08 de Outubro de 2010 e publicada no Iran Press Watch.

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Allah'u'Abhá.

Amavelmente, alguns amigos mais queridos já me pediram várias vezes para escrever como é que eu passo o tempo na prisão. Para começar, gostaria de mencionar que a minha pena de prisão é de 4 anos, e que três anos já passaram numa cela individual.

Nestes 3 anos, estive na Casa de Detenção do Centro de Segurança da província de Fars (Shiraz), onde existe alguma cadeia pública e todos os que ali se encontram estão acusados por motivos políticos ou de segurança e estão em celas individuais.

A cela individual é apenas um pequeno quarto, onde a porta está sempre fechada; não há qualquer janela ou abertura para o exterior; possui também uma pequena instalação sanitária.

Cada prisioneiro pode sair para apanhar ar fresco durante 30 minutos por dia. Não há nenhuma árvore, nenhuma relva; apenas se pode ver o chão de cimento (tão grande como um campo de voleibol) e uma enorme parede acima da qual se pode ver um belo céu azul.

Quando o tempo está muito quente ou muito frio, ou está a chover ninguém pode ir para o ar livre. Uma vez por semana, posso telefonar para a minha família e conversar com eles durante 5 minutos e também uma vez por semana posso encontrar-me com eles atrás de um vidro espesso apenas por 5 minutos.

Todos os dias alguns guardas são responsáveis por trazer o pequeno-almoço, almoço e jantar e também para levar prisioneiros ao ar livre. Todos eles são homens e não posso esconder o facto do seu comportamento para comigo ser muito respeitoso e educado; até hoje eles não me atormentaram nem me magoaram.

Na minha cela há um aquecedor, uma ventoinha, um televisor e também três cobertores em que um deles é usado como tapete e os outros para dormir. Outras facilidades que tenho na minha cela são: um sabonete, um champô, uma escova de dentes, uma pasta de dentes, uma caixa de lenços, um aparador de unhas, uma caixa de detergente, uma toalha, um pente e uma muda de roupa e nada mais. Devo mencionar que uma vez a cada 2 ou 3 semanas, os guardas pedem uma lista de compras a cada preso para lhes comprar os produtos necessários de higiene e algumas frutas. Mas como não há qualquer frigorífico nas nossas celas, os presos apenas podem comprar um ou dois tipos de frutas, como maçãs ou laranjas.

Alguns de vocês podem pensar que é difícil viver em instalações simples, é muito difícil, mas o facto importante é que cada corpo, com o passar do tempo, pode aprender a viver nessas instalações, sem qualquer problema. Isso significa que não há problema se não temos um espelho, se não existe o conforto de uma cama, mobília ou frigorífico.

É muito importante que treinemos o espírito e o pensamento para a reflectir sobre os valores da humanidade e da liberdade espiritual... Desta forma estamos sempre satisfeitos, agradecidos e aproveitamos a oportunidade.

(...)

(Continue a ler este texto, em inglês)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ciência e Religião (10)


A ciência não pode apelar nunca para o sobrenatural, caso contrário deixa de ser ciência. Porém, os defensores do design inteligente introduzem a sua divindade desenhadora num nível de explicação que é próprio da ciência, e não da teologia. O seu Deus-designer é um deus tapa-buraco. Por pensarem que o design adaptativo e fenómenos como o ADN são naturalmente improváveis, insistem que a própria ciência tem de apelar para uma explicação sobrenatural. No entanto, esse salto fá-los afastar-se da ciência. Tratam erradamente a ideia de design inteligente como sendo uma ideia científica.

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 156

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ONU critica duramente o Irão por violações dos direitos humanos

Uma comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas criticou ontem (18-Novembro) duramente o Irão pelas suas contínuas e crescentes violações dos direitos humanos. Com uma votação de 80 contra 44, a terceira Comissão da Assembleia aprovou uma resolução em que "expressa profunda preocupação pelas graves e recorrentes violações dos direitos humanos" no país. Houve 57 abstenções.

A votação decorreu depois do Irão ter apresentado uma "moção de não-acção", que visava bloquear a resolução e pedia o adiamento do debate. A moção foi rejeitada com uma votação de 51 votos a favor e 91 contra, com 32 abstenções.

Nos seus detalhes, a resolução refere os recentes relatórios sobre uso continuado de tortura no Irão, a intensificação da repressão contra defensores dos direitos humanos, "a desigualdade de género e a violência generalizada contra as mulheres", e a discriminação das minorias, incluindo os membros da Fé Bahá'í.

"Os termos da resolução, que é 23ª condenação do Irão desde 1985, não deixa dúvidas de que o mundo continua profundamente preocupado com as contínuas violações dos direitos humanos no Irão", disse Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í das Nações Unidas.

O documento de cinco páginas faz eco das preocupações manifestadas pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, que publicou um relatório em Outubro, onde criticava o uso de tortura e a pena de morte no Irão, os maus tratos às mulheres, e as repetidas violações dos procedimentos legais, como bem como a não protecção dos direitos das minorias, como os Baha'is, Sufiis, Baluchis e comunidades curdas.

A resolução também apela ao Irão para cooperar com observadores de direitos humanos internacionais e a permitir-lhes entrada no país.

"A Comunidade Internacional Bahá'í acolhe esta resolução, não só pela sua visão lúcida do que está acontecer no Irão, mas também pelo seu apelo a uma maior vigilância", disse Dugal. "Como refere a resolução, passaram mais de cinco anos desde que o Irão permitiu funcionários da ONU no país para investigar denúncias de violações dos direitos humanos - algo que é claramente inaceitável, especialmente para um país que diz ao mundo que não tem nada a esconder".

Apresentadas por 42 co-patrocinadores, a aprovação da resolução pela Terceira Comissão garante praticamente a aprovação final pelo plenário da Assembleia Geral em Dezembro.

A resolução contém um parágrafo sobre o tratamento dos Bahá’ís no Irão, e uma extensa lista de incidentes recentes e ataques contra os Bahá'ís.

Em especial, destaca que existem "cada vez mais provas de esforços por parte do Estado para identificar, monitorizar e deter arbitrariamente Bahá'ís, impedindo que os membros da Fé Baha'i frequentem a universidade ou consigam obter meios de subsistência económica, a confiscação e destruição dos seus bens", e "vandalismo contra os seus cemitérios." Também expressa preocupação com o recente julgamento e condenação dos sete dirigentes Bahá'í, dizendo que lhes foram "repetidamente negado os correctos procedimentos legais."

ACTUALIZAÇÃO

O representante do Brasil na 3ª Comissão da AG das Nações Unidas justifica a abstenção brasileira na votação da moção de condenação da situação dos direitos humanos no Irão. Apesar da abstenção, o Brasil referir a sua preocupação com a situação das mulheres iranianas e também da Comunidade Baha’i no Irão.




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SOBRE ESTE ASSUNTO


UN resolution sharply critical of Iran for continuing human rights violations (BWNS)
UN committee condemns 'serious human rights violations' in Iran (CNN)
UN concerned over Iran human rights (PA)
Comitê da ONU aprova resolução sobre direitos humanos no Irã (Globo)
Direitos do homem: ONU adota uma resolução crítica em relação ao Irão (DN)
La Asamblea General de la ONU critica la situación de los derechos humanos en Irán (EFE)
Un comité de la ONU condena los abusos de DDHH en Irán (epsocial)
UN Resolution on Iran's Human Rights Violations Approved by Huge Margin (Payvand)
UN committee slams Iran over human rights record (Reuters)
UN rights resolution angers Iran (Khaleej Times)
UN rights resolution ploy by West (PressTV)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

As coisa que um pai tem que ouvir...



Conversa de sábado de manhã:

- David: queres ir à escola baha'i ou à escolinha de futebol?

- Antes quero ir ao circo!

domingo, 14 de novembro de 2010

Colóquio: As Religiões e a Paz - Diálogo Inter-Religioso

Por ocasião da apresentação do mais recente livro de Anselmo Borges, Religião e Diálogo Inter-Religioso (Imprensa da Universidade de Coimbra), o Centro de Reflexão Cristão realiza no próximo dia 16 de Novembro, pelas 18H30, um colóquio sobre o tema "As Religiões e a Paz - Diálogo Inter-Religioso". Serão intervenientes Juan Masiá, s.j., e o Prof. Doutor Miguel Oliveira da Silva.

Local: Centro Nacional de Cultura – Galeria Fernando Pessoa
Largo do Picadeiro, nº 10, 1º - Lisboa.
[Metro: Baixa-Chiado]
Entrada livre

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quem foi Bahá'u'lláh?

Uma breve explicação sobre a vida e ensinamentos de Bahá'u'lláh, o fundador da Fé Bahá'í.
Programa "A Fé dos Homens", emitido na RTP2, em 08-Novembro-2010.

domingo, 7 de novembro de 2010

Artigo no boletim Ecclesia (1951)

O Rui Almeida teve a gentileza de me enviar uma cópia de um artigo sobre a Fé Bahá'í, publicado em Julho de 1951 no boletim Ecclesia, órgão oficial da Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica. Apesar do autor do texto não estar identificado, este documento tem diversos aspectos interessantes e pode ser considerado um testemunho histórico do surgimento da Fé Bahá’í em Portugal.



(clique nas imagens para aumentar)



Aqui fica a transcrição do texto:

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UMA RELIGIÃO NOVA EM PORTUGAL

O bàbismo, que Eça de Queiroz tornou conhecido em Portugal, na sua prosa inconfundível, fazendo do seu Fradique um apóstolo do que era então uma religião nova em folha e mal registada pelos especialistas, chegou há poucos meses a Lisboa, rejuvenescido, adaptado ao fugaz momento da Política Mundial, rotulado com um novo nome, impulsionado pelos métodos da propaganda norte-americana, autenticando-se com recentes mártires e santos, infiltrando-se por meio de belas brochuras e consideráveis volumes, fazendo afirmações ecléticas de respeito cristão, dourando-se com a arte imponente da sua sede ocidental e com o mistério da sua origem asiática...

Tudo isto é tão estranho, que o leitor decerto já pensou que estaremos fazendo literatura recreativa, ou crónica leve com intenções alegoristas; o mesmo terão pensado do bàbismo de Fradique Mendes... Todavia tendes aqui uma notícia bem verdadeira, meditada e documentada. Temos motivos para crer que ainda o "baaismo", o novo nome desta novíssima religião, conseguirá o que não tem conseguido, segundo nos consta, instalar-se legalmente entre nós. Veremos o que "resulta", como dizem os nossos amigos espanhóis.

Um grupo de alegres e vivas senhorinhas ianquis trouxeram há pouco, como já foi dito, na sua bagagem, para a nossa terra, o livro de cheques de turismo e os primeiros prospectos e tratados em que se descrevem os antecedentes e se explanam as doutrinas do novo culto.

Façamos um pouco de história: praticamente o bàbismo donde derivou o baaísmo rejuvenescido pelas necessidades éticas do Momento, foi uma seita islamita que se autonomizou, por assim dizer, devido a influências estranhas à sua origem, principalmente cristãs, proclamando-se uma religião universal, adaptada às actuais necessidades. Era uma seita modista, sincretista e eclética, fundada por Mirzá Ali Muhamede, um siíde descendente de Mafoma, nascido em Xirás, no sul da Pérsia, a 20 de Outubro de 1819, que como reformador religioso, assumiu o título de Bab (a Porta), dado por seus discípulos. Escreveu em persa o livro "Baian", foi observante do islamismo xiíta e porfim foi fusilado, por herege muçulmano, a 9 de Julho de 1850. Poderia ter o bàbismo desaparecido no pó dos arquivos da excentricidade humana, se não fora essa condenação e se um outro hábil político-pensador não houvera surgido, tomando o facho altruísta que caíra da mão inerte do espingardeado. Chamava-se este Mirzá Husain Ali Nuri, mas adoptou o nome de Baàulá (glória de Deus); mas é saudado pelos seus sequazes pelos nomes de Jèmalé Mobareque, ou "beleza sagrada", e de Jèmalé Quedâme, ou "beleza eterna". Nasceu em 12 de Novembro de 1817 e tornou-se em 1844 um dos principais partidários de Bab, dedicando-se à propagação pacífica dessa doutrina na Pérsia. Justiçado o Bab foi ele exilado com os principais bàbis, para Bagodá, e mais tarde para Constantinopla, ou Istambul, e para Andrinopla, sob vigilância do governo turco. Foi nesta última cidade que Baàulá declarou abertamente a sua missão, dizendo ser "aquele que Deus devia manifestar", anunciado pelo Bab nos seus escritos e prometido para os "últimos dias". Em cartas endereçadas aos principais chefes de estado da Europa convidava-os a reunirem-se a ele para o estabelecimento da religião e da paz universais. Desde então os bàbis que o reconheceram tornaram-se báaís. Em 1869 o sultão exilou Baàulá para S. João de Acre, a "Prisão Suprema", onde veio a redigir a maior parte das suas obras doutrinárias e onde morreu em 28 de Maio de 1892. Seu primogénito, Abas Efendi, que se apelidou Abdul Baá, ou "servo de Baá, recebeu dele o encargo de disseminar a religião e manter a ligação entre os baàís de todo o mundo, tendo nascido na Pérsia em 23 de Maio de 1844, o ano em que seu pai se declarou bàbí; e desde a infância compartilhou das perseguições sofridas por seu pai, até que, em 1908, elas cessaram com a vitória dos jovens-turcos. De 1911 a 1913 percorreu a Europa e a América do Norte expondo as suas doutrinas e visitando os grupos já existentes. Foi feito cavaleiro do Império Britânico em 1920...

O seu pensamento contém-se principalmente nas "Lições de S. João de Acre", dadas de 1904 a 6, recolhidas por Laura Clifford Barney e publicadas em 1907, de que há versão resumida em português. Não somente nos países muçulmanos, como já vimos, mas, conforme suas estatísticas de 1946, em 78 países, representando 31 raças e falando 53 idiomas vários, há "assembleias espirituais", obedecendo ao 1.° "Guardião da Causa de Deus", Xogui Efendi, o neto materno de Abdul Baá, que cursou a universidade de Oxónia e assumiu a direcção do movimento por morte de seu avô, em 28 de Novembro de 1921. Este homem é assistido pelas "mãos da Causa de Deus", indivíduos nomeados pelo fundador, primeiramente, depois pelos sucessores, o filho e o bisneto. Os seus centros mundiais são em Wilmette, Illinois, Estados Unidos, onde construíram uma grande "Casa de Adoração" e o Escritório Internacional Baàista em Genebra, na Suíça. Trata-se duma religião monoteísta, messiânica (ou modista, como se diz no Islame) dizendo-se aclerical mas tendo praticamente um ministério levítico, com uma dinastia a dirigi-lo, dizendo-se alitúrgica mas construindo uma grande casa de adoração. Como muçulmanos de origem, os baaistas são contrários à doutrina hindu das reincarnações, seguidas pelos espiritistas e teosofistas. Sem originalidade alguma nas suas aspirações de ordem social, apresentam-se audaciosamente como pioneiros do pacifismo, da igualdade dos sexos, da intercidadania, e, para captar adeptos em todos os credos, afirmam ter-se cumprido o segundo advento cristão, a vinda do Màdi, dos muçulmanos, do quinto Buda, do Xá-barame esperado pelos zoroastrianos, e a nova incarnação de Crixna. O seu fundador é considerado um profeta que há sessenta e tal anos previu factos hoje em cumprimento, e que nele houve pelo menos o milagre duma sabedoria não recebida pelos livros, visto ser homem inculto. Exemplo de profecia é esta: os 1335 dias proféticos de Daniel juntos à data da Hégira (fuga de Mafoma, de Meca para Medina em 622) dão a data de 1957, em que se verificará o "grande acontecimento".

Têm eles, portanto, de se esforçar por captar prosélitos antes de chegarem a essa data tão ousadamente indicada, como outras que aventureiros das religiões de vez em quando aventam...

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Alguns comentários sobre este artigo.

1. Na época em que o artigo foi publicado, já tinham chegado a Portugal vários pioneiros Baha’is provenientes dos Estados Unidos. Estas deslocações faziam-se de acordo com objectivos de um plano de expansão da Comunidade Bahá'í (1946-1953). Estes pioneiros ajudaram a construir e a fortalecer os primeiros alicerces da comunidade. Até então apenas havia em Portugal pequenas comunidades e grupos isolados de Bahá'ís. O texto refere "Um grupo de alegres e vivas senhorinhas ianquis" que trouxeram consigo os primeiros prospectos e livros.

2. O autor manifesta tem uma curiosidade genuína na Fé Bahá'í. Admira os métodos de "propaganda americana", as "belas brochuras", os "recentes mártires e santos". A sua descrição da história da Fé Bahá'í está muito próxima daquela que conhecemos. Por outro lado, refere que a Fé Bahá'í não tem "originalidade alguma nas suas aspirações de ordem social", apesar de descrever os Bahá'ís como "pioneiros do pacifismo, da igualdade dos sexos, da intercidadania".

3. O artigo foi publicado numa época em que Shoghi Effendi dirigia os destinos da Comunidade Bahá'í a nível internacional, e não tinha ainda sido eleita a Casa Universal de Justiça. O texto refere que os Bahá'ís são dirigidos por uma "dinastia".

4. O autor refere a ambição dos Bahá'ís em instalarem-se legalmente em Portugal. Na verdade, os Bahá'ís viveram situações muito complicadas durante a ditadura. O reconhecimento oficial só foi conseguido em 1975.

5. O texto tem uma grafia diferente da actualmente usada. Usa-se "Baàulá", em vez de Bahá'u'lláh; "Abdul Baá" em vez de 'Abdu'l-Bahá; "Xogui Efendi" em vez de Shoghi Effendi; "Oxónia" em vez de Oxford.

6. O artigo também revela alguma sobranceria: a Fé Babi é referida como uma "excentricidade humana". Bahá'u'lláh é descrito como "hábil político-pensador". Nas últimas frase (sobre a profecia) há um toque de ironia que devia merecer alguma reflexão por parte dos Bahá'ís.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Restauro do Jardim de Ridvan

Após mais de três anos de trabalhos de restauro e conservação, um local sagrado Bahá'í está a revelar um vislumbre do património histórico e espiritual desta parte da Terra Santa.

Desde o tempo do Império Romano até ao início do século 20, os moinhos de água deste local – a cerca de dois quilómetros da cidade velha de Acre – produziam a farinha de trigo para alimentar a população da área.

"Esta foi uma zona agrícola muito importante para a cidade", salientou Albert Lincoln, secretário-geral da Comunidade Internacional Bahá'í. "Os moinhos de água eram parte do que foi provavelmente um dos maiores complexos industriais da região. Eles foram registados em 1799 pela delegação francesa que fez um levantamento da área em resposta às pretensões de conquista de Napoleão."

Mas para os bahá'ís, este lugar tem um significado espiritual, acrescenta o Sr. Lincoln.
"É um dos lugares sagrados mais bonitos associado à presença de Bahá'u'lláh aqui durante o século XIX."

O Trabalho de Restauro

Usando fotografias e descrições históricas, uma equipa internacional de arquitectos e engenheiros devolveu ao jardim de Ridvan ao seu carácter original, assistida pelo Autoridade Israelita de Antiguidades que forneceu um levantamento do terreno e realizou parte do trabalho.

"A nossa missão foi recriar a ilha tal como tinha sido na época de Bahá'u'lláh", disse Khosrow Rezai, um representante da equipa de design que supervisionou o projecto. "Portanto, a nossa tarefa foi investigar e descobrir o maior número possível de evidências históricas sobre o aspecto da área, para que pudéssemos trazer a ilha de volta à vida."

Os dois canais de água foram reconstruídos nos dois lados do jardim nos percursos originais, seguindo em direcção aos moinhos, alguns dos quais também foram restaurados. "Encontramos um aquífero subterrâneo a 40 metros e estão a usá-lo para alimentar os canais", diz Rezai. "Mas a configuração dos canais dá a impressão de que a água está a novamente a fluir das montanhas e corre em direcção ao oceano."

Com a recriação do aspecto original do jardim, os peregrinos podem agora experimentar a sensação de um retiro espiritual. "Tentamos transmitir, na medida do possível, a tranquilidade do jardim preparado por 'Abdu'l-Bahá como um lugar onde Bahá'u'lláh podia descansar", diz Rezai. "Poder ver a água dá uma sensação incrível. Atravessamo-la, cheiramo-la, sentimo-la. Esperemos que transmita a sensação de felicidade e alegria que Bahá'u'lláh sentiu."

Esta semana, cerca de 280 bahá'ís – vindos de lugares tão distantes como a Mongólia, Ruanda e El Salvador - tornaram-se os primeiros peregrinos desde 2007 a visitar este lugar sagrado.



A Ilha Verdejante

Em 1875 - oito anos após a prisão de Bahá'u'lláh na cidade-prisão de Acre - o Seu filho ‘Abdu’l-Bahá alugou uma ilha existente entre dois canais de água, desviados do rio Na'mayn para alimentar os moinhos. Nesta ilha, 'Abdu'l-Baha criou um requintado jardim para o Seu pai que, até então, tinha estado preso e exilado mais de duas décadas. Bahá'u'lláh chamou "Ridvan" (em português, "paraíso") ao jardim.

Quando Bahá'u'lláh conseguiu alguma liberdade de movimentos na Palestina, teve finalmente a oportunidade de visitar frequentemente o jardim; por vezes dormia numa pequena casa ali existente.

Depois de 'Abdu'l-Bahá ter comprado a ilha, os peregrinos do Irão e dos países vizinhos trouxeram arbustos, árvores, plantas e flores para colocar nos canteiros.

Bahá'u'lláh referiu-Se a este local como "A Nossa Ilha Verdejante " e escreveu algumas coisas bonitas em que descreve como Ele estava sentado no jardim e a água fluía ao Seu redor.

Um sistema de drenagem de pântanos para conter a malária e aumentar as terras aráveis na década de 1930 e 1940, privou o jardim das suas características originais. Mas agora, com a recuperação dos canais de água, o Jardim de Ridvan é novamente uma ilha.

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FONTE: Holy place restoration sheds light on region's heritage (BWNS)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ciência e Religião (9)


Na verdade, é uma bênção que as Escrituras tenham sido escritas numa linguagem narrativa e poética «ingénua», de uma cultura não científica. Se tivessem sido escritas de acordo com os padrões da ciência moderna, a maior parte das pessoas do passado – que não tinham conhecimentos científicos alguns – nunca delas poderiam ter tirado proveito algum.

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 139