quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ciência e Religião (13)


"De acordo com a abordagem de compromisso, evolucionismo não implica que tenhamos de abandonar a nossa fé e a teologia, mas sim que a fé e a teologia tenham de passar por um processo próprio de desenvolvimento.

Não existe perigo algum para a fé religiosa ou para a teologia ao abrirem-se a uma tal transformação. Na verdade, um tal crescimento ajuda a manter a fé e a teologia vivas e saudáveis. E se tivermos tempo para pensar em Deus em termos de evolução, acredito que o nosso entendimento religioso terá tudo a ganhar, e nada a perder."

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 77

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Geração Viva: Igualdade de Género

Ensaio do grupo de intervenção Geração Viva sobre a Igualdade de Género.
Programa "A Fé dos Homens", transmitido na RTP2, em 20-Dezembro-2010.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ciência e Religião (12)


É um grande paradoxo que Deus crie o universo, e permita que ele seja, de algum modo, independente. Como poderá reconciliar-se a nossa ideia de um poder criador divino com um universo que existe «por si próprio» e que acaba por produzir vida e seres humanos dotados de uma liberdade que pode até opor-se a Deus?

Estas são questões antigas, mas a ciência recente trouxe-nos agora um novo modo de as encarar. Estudos científicos da evolução e dos fenómenos do «caos» e da «complexidade» mostram que o nosso cosmos, desenvolvendo-se ao longo de um período de cerca de quinze mil milhões de anos, é em grande medida uma realidade autocriadora. Não quero estar aqui a sugerir que a Natureza é a origem única da sua própria existência, mas o universo hoje parece ser tudo menos o produto passivo de uma força divina determinativa. Segundo os cientistas, hoje o mundo é composto por sistemas auto-organizativos. O arranjo sequencial de matéria física em átomos, moléculas, sistemas planetários, estrelas, galáxias e clusters de galáxias, células, organismos, pessoas, sociedades – tudo isto acontece de um modo que parece não carecer de uma manipulação exterior. Mesmo o emergir do universo no momento do big bang parece agora aos físicos ter acontecido «espontaneamente».

John F. Haught
, Cristianismo e Evolucionismo, p. 199

sábado, 18 de dezembro de 2010

Calendário Inter-Religioso 2011


Já está à venda o calendário inter-religioso de 2011, o ano que a ONU proclamou como “Ano Internacional das Florestas”. Trata-se de uma publicação das Edições Paulinas que à semelhança dos anos anteriores, assinala as festividades e celebrações das principais religiões radicadas em Portugal – Hinduísmo, Judaísmo, Budismo, Cristianismo (várias Igrejas), Islão, Fé Bahá’í e algumas festividades guardadas pela Comunidade Chinesa –, assim como as principais efemérides civis: os dias nacionais dos 27 membros da União Europeia e vários outros dias dedicados à reflexão de variada temática de âmbito social.

Atendendo ao preço (3€ no Centro Bahá', 3,5€ na FNAC) penso que é uma boa prenda para oferecer a familiares e amigos que celebram o Natal.

Juan Masiá: Diálogo Inter-Religioso

Intervenção de Juan Masiá Clavel (teólogo e escritor jesuíta espanhol) no colóquio que se seguiu à apresentação do livro RELIGIÃO E DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO, de Anselmo Borges.

Neste colóquio - Organizado pelo Centro de Reflexão Cristã - também participou também o Prof. Doutor Miguel Oliveira da Silva (presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida).





segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Carta Aberta ao lider do Sistema Judicial do Irão

Numa carta aberta ao chefe do Sistema Judicial do Irão, a Comunidade Internacional Bahá'í destacou a contradição entre a perseguição dos Baha'is e o apelo do Irão para que as minorias muçulmanas sejam tratadas de forma justa noutros países.

"Pedimos ... que os Bahá'ís naquele país usufruam dos seus plenos direitos de cidadania, de modo a que possam ser capazes de satisfazer a sua aspiração sincera de contribuir, juntamente com os seus concidadãos, para o progresso da sua nação", afirma a carta.



"Isso, de facto, não é mais do que aquilo você legitimamente pede para as minorias muçulmanas que residem noutros países. Os Bahá'ís apenas pretendem o mesmo tratamento da sua parte", afirma a Comunidade Internacional Bahá'í.

Respeitar os direitos dos Bahá'ís iranianos agora seria "um sinal de vontade de respeitar os direitos de todos os cidadãos do seu país", diz a carta.

O documento, datado de 07 de Dezembro e dirigida ao Ayatollah Mohammad Sadeq Larijani, afirma que as injustiças infligidas aos bahá'ís iranianos são um "reflexo da opressão terrível que tomou conta da nação." Corrigir as injustiças sofridas pelos Bahá'ís iria "levar esperança aos corações de todos os iranianos de que você está pronto para garantir justiça para todos."

"O nosso apelo é, então, na realidade, uma exortação ao respeito dos direitos de todo o povo iraniano", acrescenta a Comunidade Internacional Bahá'í.

"Como pode uma sociedade justa, ou um mundo mais justo, ser construído sobre uma base irracional de opressão e de negação sistemática dos direitos humanos fundamentais a qualquer minoria? Tudo o que seu país afirma defender abertamente na arena mundial é contradito pelo pela forma como tratam o vosso próprio povo no vosso país."

Medidas repressivas

A carta descreve em detalhe as "muitas medidas repressivas" adoptadas pelas autoridades durante a detenção, julgamento, sentença e recurso, dos sete dirigentes Bahá'ís, que – com o conhecimento do Governo Iraniano – serviam como um grupo de nacional que supervisionava as necessidades espirituais mínimas dos Bahá'ís do Irão.

Os sete foram acusados de actividades de propaganda contra a ordem islâmica e estabelecimento de um governo ilegal, entre outras acusações. Todas as acusações foram categoricamente negadas.
A carta ilustra a forma como o Ministério Público durante o julgamento dos sete foi "incapaz de apresentar qualquer prova credível de apoio às suas acusações." O julgamento, salienta-se, era de tal forma desprovido de imparcialidade que todo o processo se pode classificar como uma enorme farsa.

Notícia completa aqui.

Ler a carta aqui (em inglês).

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Rua de Camões, nº 4, Paris

Entrámos no Centro Bahá'í de Paris com a esperança de encontrar algum livro ou DVD. Sempre podia haver por ali alguma novidade (ou raridade) editorial que valesse a pena. Depois de sermos recebidos com a cortesia habitual, a nossa anfitriã lançou a pergunta: "Voulez-vous visiter la residence de 'Abdu'l-Bahá à Paris?"

Quem resiste a um convite destes? Eu nem sabia que o local podia ser visitado!

Foi em Paris que surgiu a primeira comunidade Baha’i da Europa Ocidental. Era por Paris que passavam muitos dos peregrinos que no início do século XX iam em peregrinação à Terra Santa, para visitar 'Abdu'l-Bahá. Nos escritos de 'Abdu'l-Bahá sucedem-se as exortações e os conselhos aos Baha’is em Paris. De certa forma, Paris tornou-se o berço da Fé Baha’i na Europa.

Entre 1911 e 1913 'Abdu'l-Bahá visitou a cidade 3 vezes, Numa dessas ocasiões demorou-Se mais quase 10 semanas. Instalou-se num apartamento na Rua de Camões, nº 4. Ali recebia visitantes e proferiu várias palestras que hoje temos registadas no livro "Palestras em Paris".

Em 1996, Armindo Pedro, um Bahá'í português residente em França, descobriu que o apartamento estava à venda e informou a Comunidade Bahá'í de França. Algum tempo depois, A Casa Universal de Justiça deu instruções para a aquisição daquele espaço. E hoje os Bahá'ís podem visitar aquela residência que no território europeu ocupa o terceiro lugar em termos de importância espiritual.

Assim, conhecer aquele apartamento era um convite irresistível.

No dia e hora marcada, entrámos naquele espaço simples e acolhedor. Mantêm-se muitos dos aspectos originais, nomeadamente o soalho, as paredes e as portas. O pouco mobiliário não é original, mas data daquela época. Permite-nos imaginar aquele espaço há 100 anos atrás.

Durante os 90 minutos que ali estivemos apreciámos a dignidade do local, e pudemos fazer as nossas orações. Não pude deixar de me lembrar dos Bahá'ís de Portugal e, pouco depois, quando nos foi oferecido um chá, enviar a muitos dos amigos um SMS especial.

Não resisto em partilhar convosco algumas imagens, apesar de serem de pouca qualidade (foram obtidas com a máquina de filmar).




Jardins do Trocadero. 'Abdu'l-Bahá costumava passear por aqui.


A Torre, vista dos Jardins do Trocadero


O homem que dá nome à rua, também está ali representado


















Livros de Orações disponíveis em muitas línguas

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Miguel Oliveira da Silva: Diálogo Inter-Religioso

Intervenção do Prof. Doutor Miguel Oliveira da Silva (presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida) no colóquio que se seguiu à apresentação do livro RELIGIÃO E DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO, de Anselmo Borges.

Neste colóquio - organizado pelo Centro de Reflexão Cristã - também participou também Juan Masiá Clavel (teólogo e escritor jesuíta espanhol).



terça-feira, 30 de novembro de 2010

New York Times, 30 de Novembro de 1921

A notícia do falecimento de 'Abdu'l-Bahá, ocorrido dois dias antes, em Haifa.



(clique na imagem para ampliar)

Obtido aqui.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ciência e Religião (11)


Um modo de entender o poderoso, ainda que cientificamente indetectável, influxo de Deus no mundo é recordar como funciona a informação. Ao ler esta página, o leitor está a olhar para manchas de tinta preta fixada numa folha branca. Se não soubesse ler, a única coisa que veria seria umas marcas pretas ininteligíveis. E perderia o conteúdo informativo que se encontra aqui contido. Do mesmo modo, a presença da informação não é detectável à ciência física. Quaisquer ideias inscritas nesta página, por exemplo, não serão detectadas pela química enquanto tal.

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 164

domingo, 28 de novembro de 2010

Anselmo Borges: Diálogo Inter-Religioso

Palavras do Pe. Anselmo Borges na sessão de apresentação do seu livro RELIGIÃO E DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO, realizada pelo Centro de Reflexão Cristã.

Após a apresentação do autor seguiu-se um colóquio sobre Diálogo Inter-Religioso, com a participação do Prof. Doutor Miguel Oliveira da Silva (presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida) e Juan Masiá Clavel (teólogo e escritor jesuíta espanhol) e moderação do Dr. Guilherme d'Oliveira Martins.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Carta de Raha Sabet

O texto que se segue é a tradução de um excerto de uma carta de Raha Sabet, uma jovem Baha’i iraniana que actualmente cumpre pena de prisão em Shiraz. Raha integrava o grupo de 54 jovens detidos em 2006; deste grupo apenas três foram julgados e condenados a penas de quatro anos de prisão. A carta foi escrita na prisão em 08 de Outubro de 2010 e publicada no Iran Press Watch.

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Allah'u'Abhá.

Amavelmente, alguns amigos mais queridos já me pediram várias vezes para escrever como é que eu passo o tempo na prisão. Para começar, gostaria de mencionar que a minha pena de prisão é de 4 anos, e que três anos já passaram numa cela individual.

Nestes 3 anos, estive na Casa de Detenção do Centro de Segurança da província de Fars (Shiraz), onde existe alguma cadeia pública e todos os que ali se encontram estão acusados por motivos políticos ou de segurança e estão em celas individuais.

A cela individual é apenas um pequeno quarto, onde a porta está sempre fechada; não há qualquer janela ou abertura para o exterior; possui também uma pequena instalação sanitária.

Cada prisioneiro pode sair para apanhar ar fresco durante 30 minutos por dia. Não há nenhuma árvore, nenhuma relva; apenas se pode ver o chão de cimento (tão grande como um campo de voleibol) e uma enorme parede acima da qual se pode ver um belo céu azul.

Quando o tempo está muito quente ou muito frio, ou está a chover ninguém pode ir para o ar livre. Uma vez por semana, posso telefonar para a minha família e conversar com eles durante 5 minutos e também uma vez por semana posso encontrar-me com eles atrás de um vidro espesso apenas por 5 minutos.

Todos os dias alguns guardas são responsáveis por trazer o pequeno-almoço, almoço e jantar e também para levar prisioneiros ao ar livre. Todos eles são homens e não posso esconder o facto do seu comportamento para comigo ser muito respeitoso e educado; até hoje eles não me atormentaram nem me magoaram.

Na minha cela há um aquecedor, uma ventoinha, um televisor e também três cobertores em que um deles é usado como tapete e os outros para dormir. Outras facilidades que tenho na minha cela são: um sabonete, um champô, uma escova de dentes, uma pasta de dentes, uma caixa de lenços, um aparador de unhas, uma caixa de detergente, uma toalha, um pente e uma muda de roupa e nada mais. Devo mencionar que uma vez a cada 2 ou 3 semanas, os guardas pedem uma lista de compras a cada preso para lhes comprar os produtos necessários de higiene e algumas frutas. Mas como não há qualquer frigorífico nas nossas celas, os presos apenas podem comprar um ou dois tipos de frutas, como maçãs ou laranjas.

Alguns de vocês podem pensar que é difícil viver em instalações simples, é muito difícil, mas o facto importante é que cada corpo, com o passar do tempo, pode aprender a viver nessas instalações, sem qualquer problema. Isso significa que não há problema se não temos um espelho, se não existe o conforto de uma cama, mobília ou frigorífico.

É muito importante que treinemos o espírito e o pensamento para a reflectir sobre os valores da humanidade e da liberdade espiritual... Desta forma estamos sempre satisfeitos, agradecidos e aproveitamos a oportunidade.

(...)

(Continue a ler este texto, em inglês)