segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A revolta no Egipto, explicada aos meus filhos

Na TV sucedem-se as imagens das manifestações e motins no Egipto.
- Pai, porque é que eles estão ali a gritar?
- Querem que o presidente vá embora.
- Porquê?
- Porque é um homem mau.
- Mandou pessoas para a prisão?
- Sim. E ali não há democracia. Ali as pessoas não podem escolher quem que ser presidente. Por isso dizemos que é um ditador. Percebes?
- Sim. Mas onde é que está o ditador?
- Deve estar no palácio dele.
- Aposto que ele está escondido debaixo da mesa da cozinha!...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Estarão os egípcios na disposição de trocar uma ditadura por outra?

Hoje a Irmandade Muçulmana envolveu-se nos motins no Egipto.

Para quem pensa que a agitação no Egipto é igual à que aconteceu na Tunísia, lembro que este é um grupo fundamentalista que ambiciona criar um estado islâmico no Egipto. Para perceber os seus princípios, bastaria lembrar que em Maio de 2006, durante um debate parlamentar os deputados da Irmandade Muçulmana afirmaram que os Bahá'ís eram apóstatas e deviam ser mortos. Acrescentaram ainda que iam preparar uma lei que criminalizava a Fé Bahá'í e classificava os Bahá'ís como apóstatas.

Será que esta Irmandade Muçulmana vai desviar a revolução no Egipto?

Estarão os egípcios na disposição de trocar uma ditadura por outra?

Iremos assistir a um remake da revolução islâmica de 1979?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A 19ª seita do Líbano?

Tradução do post Sects And The City: The 19th Sect Of Lebanon? de Seif, um libanês-canadiano. No final do texto, acrescentei duas pequenas notas da minha responsabilidade.
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Eles são uma seita que é indesejável em muitas partes do Médio Oriente Médio, eles não têm dirigentes religiosos, e qualquer [actividade] política de além de votar é proibida pela sua religião. Eles encontram-se no Líbano, talvez como uma pequena população, mas estão lá. O seu objectivo religioso é a unidade ea paz da humanidade, e, no entanto, islâmicos e cristãos extremistas desejam erradicá-los. Quem são eles, esta possível 19ª seita do Líbano. Bem, eles são conhecidos como bahá'ís.

A população Baha'is no Líbano varia entre 350 a 412 indivíduos (com quase metade desse número vivem fora do Líbano, a população estima-se em 624 pessoas). Vivem em muitas áreas do Líbano, de Beirute a Bekaa Ocidental ...eles estão espalhados por todo o país. Os Baha'is começaram a chegar no Líbano em 1870, instalando-se principalmente em Beirute. Originalmente, os Baha'is no país foram principalmente os persas, que se aventuravam no Líbano...mas hoje não é esse o caso. Muitos libaneses abraçaram a fé, converteram-se recentemente ou há centenas de anos atrás... mas, esperem… não acaba aí; muitos consideram-na a fé que mais cresce no interior do país. Yeap, os grupos muçulmanos podem crescer rapidamente no Líbano... mas isso é com nascimentos. A maioria das conversões no país inclina-se para o Bahaismo.

Os bahá'ís um centro em BeitMerry... situado nas montanhas do Líbano, dois cemitérios ... um em Khaldeh e outro em Mashghara (que foi criado em 1971) e, claro, um escritório que foi recentemente encerrado em HaretHreik . A maioria Bahai'is prefere viver na cidade predominantemente xiita de Mashghara, no Vale do Bekaa, por uma razão simples: eles podem praticar abertamente, orar abertamente, e proclamar livremente as suas opiniões religiosas... algo que não podem fazer em muitas partes do país. A Fé Bahá'í chegou ao Mashghara com o Imam Al-Sheikh Ja'afartahhan, originalmente um xiita, que morreu em 1923 depois de abraçar a Fé Bahá’í ...Muitas pessoas na cidade seguiram o exemplo.

Mas se eles não estão na lista das seitas reconhecidas no Líbano, em que listas se encontram eles? Eles estão classificados como xiitas, cristãos, sunitas e, às vezes drusos. Isto acontece porque os seus antepassados devem-se ter convertido a partir dessas seitas, e porque o nosso país é preguiçoso ou preconceituoso... a fé dos convertidos não foi alterado para "Baha'i". Mas o reconhecimento da fé não é seu único problema. Os seus casamentos são negados no Líbano, obrigando os Baha'is viajar a Chipre para realizar um casamento civil, e a voltar ao Líbano para registar o casamento. Uma falha do Líbano.

Não sou um especialista na Fé Bahá'í, nem sei muito sobre os bahá'ís no Líbano (embora dois maravilhosos Baha'is persas tenham cativado meu coração, e se tenham tornado dois dos meus melhores amigos), por isso decidi ir à procura um Baha'i libanês ...e depois de dois meses, finalmente, encontrei um, por isso este post pode chegar ao fim.
Perguntei a Nasser Khairallah muito simples que faz um Baha'i ser Baha'i, e como é que é ser Baha'i libanês.
Ser Baha'i no Líbano não é nada de bom ou de mau… A nossa comunidade mais forte está em Mashghara apenas porque é a mais antiga comunidade Baha'i no Líbano. Por causa das tradições Baha'i, temos um conselho com 9 membros em Mashghara que cuida de uma variedade de assuntos que vão desde o divórcio às questões da homossexualidade. Este conselho de 9 membros é o grupo de pessoas que toma o lugar de "dirigentes religiosos". Porque não temos um líder religioso como a maioria das religiões, esse conselho é o nosso "líder religioso". Em cada país onde os bahá'ís estão presentes, existe um conselho de nove membros, que cuida dessas questões. Tal como os muçulmanos, fazemos um "zakat", que é de 19% do nosso rendimento que damos a um dos membros do nosso conselho, que por sua vez, tem o dever de distribuí-lo aos pobres no Líbano ou nos países vizinhos[1]. O nosso livro religioso chama-se "Al-Kitab el Aqdas", e foi escrito pelo fundador da nossa religião.

Somos diferentes da maioria das seitas no Líbano em muitos níveis. A Fé Bahá’í é-nos ensinada até aos 15 anos de idade. Depois aprendemos muitas sobre outras religiões, e é-nos dada a opção de ser bahá'í ou seguir outra fé. Nós podemos casar [com pessoas] de qualquer religião ou seita que nos rodeia, sem quaisquer problemas para os nossos pais e familiares. Isto é simplesmente porque nós enfatizamos a "unidade de Todos os credos e religiões". Também enfatizamos que os ensinamentos do profeta Maomé não foram sujeitos a qualquer forma de desrespeito ou subestimados, e na sua obra "O Livro da Certeza" Bahá'u'lláh expressou o Seu apreço pelo Profeta Maomé e defendeu a sagrada Bíblia cristã.

Sexo antes do casamento e álcool são estritamente proibidos, mas estamos autorizados a comer carne de porco…Podemos votar nas eleições, mas apenas de uma forma que melhor sirva a unidade entre o povo; entrar na política é estritamente proibido, e isso irá resultar em ser anulada como Baha'i[2]. No Líbano praticamos abertamente e livremente, porque esconder nossa fé também é proibido. O maior problema que enfrentamos no Líbano é o casamento, porque temos que ir a Chipre ou à Europa para conseguir um casamento civil. Não somos reconhecidos como uma seita legal no país... apesar de existirem muitas à nossa volta. Eu não sei mais o que dizer sobre os bahá'ís... Eu só acho que seriamos uma mais-valia para a sociedade libanesa, de que somos parte!

O Líbano prega sobre liberdades religiosas e de aceitação, mas não é esse o caso! Aceitamos todos e acolhemos todas as seitas, mas ainda Líbano não nos aceita. O Bahrein e Jordânia aceitam-nos, aceitam os nossos casamentos e nossa identidade religiosa, embora sejam nações religiosamente muito conservadoras...é frustrante. Agradeço-lhe que fale sobre isso, pois é uma questão muito importante. Temos cemitérios, e um centro... Mas para quê, se não temos o reconhecimento religioso pelo governo? Os libaneses de diferentes seitas não têm nenhum problema connosco; porquê o governo? São influências externas que nos mantêm nesta situação...Egipto, Arábia Saudita e Irão não nos aceitam e até nos perseguem, e eu acho que é por isso. Este país tem um monte de merda que precisa de mudar…

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COMENTÁRIOS:
[1] – O Zakat referido é, na verdade o Huquq'u'llah. Os 19% incidem sobre as poupanças e não sobre os rendimentos. O autor usou o termos Zakat para ser entendido por uma audiência muçulmana.
[2] – O envolvimento em actividade partidária implica a quebra dos vínculos à Comunidade Bahá’í.

Frédéric Lenoir: "La Tunisie ne risque pas de contagion islamiste"

Critique à l'égard de la manière dont la France a accompagné le mouvement de révolte tunisien, Frédéric Lenoir analyse pourquoi la Tunisie aspire à la démocratie, et qu'il y a peu de chances qu'elle bascule dans une nouvelle dictature.



Via Le Monde de Religions.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ainda os ataques incendiários em Rafsanjan

Ainda relativamente ao último post, deixo aqui um vídeo da HRANA (Human Rights Activists News Agency). Trata-se de um vídeo amador que nos mostra o incêndio no estabelecimento comercial de um Bahá'í de Rafsanjan, Sr. Ali Shaker. Outro estabelecimento do Sr. Shaker já tinha sido incendiado em Novembro.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Incendiários ameaçam Bahá'ís no Irão

Uma recente vaga de incêndios criminosos em empresas pertencentes a Bahá’ís de Rafsanjan, no Irão, parece ser parte de uma campanha que visa destruir as relações entre Bahá’ís e muçulmanos naquela cidade. Após cerca de uma dúzia de ataques a lojas - realizados desde 25 de Outubro de 2010 - cerca de 20 residências e empresas pertencentes a Bahá’ís receberam cartas com ameaças dirigidas aos "membros da falsa seita Bahaista".

O documento anónimo exige que os Bahá’ís assinem um compromisso para "refrear os de contactos ou amizades com muçulmanos" e evitar "contratar estagiários muçulmanos". Os Bahá'ís também são advertidos para não divulgar a sua fé, inclusive na Internet. Caso as condições sejam aceites pelos destinatários, a carta afirma garantir que "são será lançado qualquer ataque contra a sua vida e propriedades."

O interior de um estabelecimento comercial pertencente a um Bahá'í em Rafsanjan,
depois de ter sido atacado por incendiários

"Durante os últimos dois meses, Bahá’ís inocentes viram as seus estabelecimentos comerciais atacados com bombas incendiárias ", disse Diane Ala'i, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas em Genebra. "Alguns deles foram alvo de vários ataques às suas propriedades." "Agora, além dos ataques aos seus meios de subsistência, as suas vidas são ameaçadas a menos que eles se comprometam a isolar-se dos seus amigos e vizinhos", acrescentou.

"O que é que os autores destes ataques e ameaças esperam conseguir?" perguntou Ala'i. "Tudo o que isso revela ao mundo é o ódio religioso fomentado por certos elementos da sociedade iraniana."

A Sra Ala'i acrescentou que os Bahá'ís têm pedido às autoridades que investiguem estes casos, mas nada tem sido feito. "Inacreditavelmente, alguns destes Bahá’ís foram acusados de terem sido eles próprios a atear os incêndios seguindo instruções de governos estrangeiros."

Os atacantes têm visado, em particular, os estabelecimentos de reparação de móveis, electrodomésticos e lojas de óptica.

Em 15 de Novembro, por exemplo, foram incendiadas duas lojas de vendas de electrodomésticos e uma oficina de reparações, causando prejuízos que ultrapassaram dezenas de milhares de euros. Posteriormente, um dos lojistas alugou um imóvel próximo para prosseguir a sua actividade comercial e instalou uma porta de segurança. Um mês depois, apesar das precauções, os atacantes conseguiram introduzir uma substância explosiva na loja através de um buraco feito no telhado, provocando uma explosão que atirou a porta a cinco metros de distância e estilhaçou todos os vidros.

Mais recentemente, em 2 de Janeiro, outra oficina de reparações foi incendiado com um líquido inflamável lançado sobre as chapas de metal que o proprietário tinha instalado para protecção.

Um boletim publicado por uma fundação cultural muçulmana em Rafsanjan afirmou que os ataques têm sido provocados pelo facto de algumas actividades comerciais serem "monopólio" dos Bahá'ís na cidade. Um café pertencente a muçulmanos também foi incendiado depois do boletim o ter erradamente identificado como pertencente a Bahá’ís.

"A pressão económica sobre a comunidade Bahá'í do Irão já é grande, com postos de trabalho e licenças comerciais a serem negadas aos Bahá'ís", disse Diane Ala'i. "Estes ataques e as ameaças são mais uma forma particularmente cruel de perseguição contra os cidadãos comuns, que estão tentam simplesmente ganhar a vida e praticar sua fé".

No passado dia 21 de Dezembro, a ONU aprovou uma resolução que expressa "profunda preocupação com graves e recorrentes violações dos direitos humanos em curso" no país. A resolução condena especificamente a discriminação contra as minorias do Irão, incluindo os membros da Fé Bahá'í.

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FONTE: Arsonists threaten reprisals if Baha'is befriend Muslims (BWNS)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Unidade é a nossa Segurança

A sabedoria Bahá'í em tempos violentos

Artigo de Homa Sabet Tavangar publicado no Huffington Post (10 de Janeiro de 2011)

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O primeiro mês de 2011 poderia ser o momento perfeito para alcançar a unidade, mas os acontecimentos recentes podem frustrar as esperanças e criar ainda maiores divisões e sofrimentos.

A primeira semana de 2011 testemunhou duas tragédias terríveis separadas por milhares de quilómetros de distância, mas com semelhanças arrepiantes. No Paquistão, em 04 de Janeiro, o governador do Punjab, Salman Taseer, foi morto a tiro em plena luz do dia num bairro comercial de Islamabad. E, no Arizona, em 08 de Janeiro, num Centro Comercial em Tucson, EUA a congressista Gabrielle Giffords foi alvejada com uma bala na cabeça, seis pessoas foram imediatamente mortas, e muitas foram feridas.

Segundo o seviço inglês da Al Jazeera no Paquistão, o líder de um grupo religioso dos estudiosos muçulmanos aconselhou: "Não deve haver nenhuma expressão de dor ou simpatia sobre a morte do governador [Taseer], pois aqueles que apoiam a blasfémia contra o Profeta entregam-se eles próprios à blasfémia ". Taseer tinha sido um crítico aberto da lei de blasfémia do Paquistão, que estava a ser revista após uma mulher cristã ter sido condenada à morte por supostamente insultar o profeta Maomé. Segundo alguns relatos, o alegado assassino de Taseer cometeu o acto violento por causa das pressões dos seus líderes religiosos, para punir severamente aqueles que se recusaram a apoiar leis draconianas contra a blasfémia. O atirador pensava que estava a fazer o trabalho de Deus.

No tiroteio de Tucson, os políticos que usaram expressões como "carregar e apontar", "linha de fogo", e outras imagens violentas não podem ser responsabilizados pelas acções violentas de um jovem doente mental, mas num momento em que culpamos a TV pela obesidade infantil, falta de atenção, comportamentos violentos e outros males sociais, ter maior responsabilidade sobre as consequências da nossa linguagem e das nossas acções não é uma jogada política; é um acto de responsabilidade.

Os dois políticos alvejados eram vozes da razão e da moderação, no Paquistão e os EUA, e admirados pelas suas atitudes conciliadoras, capacidades e paixão pelo serviço. Quantos avisos de alerta precisamos, antes de repensarmos o nosso compromisso em juntar diferentes pontos de vista opostos juntos para o bem comum, de modo que as diferenças não encorajem a violência? Ainda será possível? E neste início de ano 2011, como podemos fazer melhor?

Com muitos exemplos de conflitos crescentes, a unidade exige nada menos do que uma transformação da sociedade e atitudes. Uma dádiva tão preciosa como a unidade - na diversidade, não a uniformidade - será uma vitória dura. Acredito que "O bem-estar da humanidade, a sua paz e segurança são inatingíveis a menos que, e até que, a sua unidade seja firmemente estabelecida". A nossa segurança depende da nossa unidade. Esta citação é de Baha'u'llah, o Fundador da Fé Bahá'í, que passou a maior parte da sua vida na prisão por defender a igualdade, a justiça, a educação para todos, e exortar a humanidade no caminho da paz. Ele afirmou que cada ser humano foi "criado Nobre" apesar muitas vezes voltarmos as costas a essa nobreza; a necessidade básica nesta época da história humana é a união de toda a raça humana. Ele ensinou que se a religião provoca injustiça da tirania, ou hostilidade, então, "seria preferível a ausência de religião."

Para orientar minhas acções pessoais, estas palavras de Bahá'u'lláh sugerem algumas medidas concretas: " Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio. Sê digno da confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar afectuoso e acolhedor. Sê um tesouro para o pobre, uma advertência para o rico, uma resposta ao pranto do necessitado, e preserva a santidade das tuas promessas. Sê recto no teu julgamento e comedido nas tuas palavras. Com ninguém sejas injusto e a todos mostrai brandura. Sê como uma lâmpada para os que caminham nas trevas, um consolo para o triste, um mar para o sedento, um refúgio para o abatido, um sustentáculo e defensor da vítima da opressão."

Fiquei profundamente incomodada com tantos actos de ódio, neste início de ano. Mas em vez de responder na mesma moeda, aqueles de nós que querem a paz podem fazer muito - amar mais profundamente, procurar aprender mais abertamente, servir com mais generosidade, e ser mais consciente dos indivíduos em torno de nós, usando os princípios acima referido como guia. Temos que começar por algum lado.

Ciência e Religião (15)


"Desde o momento das origens cósmicas, qualquer que seja a perspectiva utilizada, sabemos que tem havido um crescimento gradual em complexidade organizada, em sensibilidade e, em última análise, em consciência e consciência auto-reflexa. Afinal de contas estamos aqui, por isso pelo menos algo de importante aconteceu. A existência da nossa própria personalidade inteligente deveria ser o suficiente para nos fazer suspeitar de que algo de importante tem estado a ocorrer no universo, pois não podemos deixar de valorizar a nossa própria mente. Mesmo se alguém questionar ou duvidar daquilo que acabei de dizer, é porque essa pessoa implicitamente valoriza a sua inteligência. Poderá um universo que gerou a sua (inevitavelmente valorizada) mente ser algo essencialmente sem sentido? Se acha que sim, acaba de se contradizer a si próprio."

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 190-191

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ciência e Religião (14)


"Não deveríamos rejeitar nem querer corrigir informação científica séria, para tentar fazê-la encaixar os nossos inevitavelmente estreitos conceitos de divindade. É claro que a biologia evolucionista não é perfeita e continuará a passar por melhoramentos. Mas são desperdiçados demasiado tempo e energia a tentar mostrar que a evolução está errada, quando aquilo que os crentes religiosos deviam estar a perguntar-se era se a nossa compreensão de Deus não será demasiado pequena para nela conseguir acomodar o mundo de Darwin."

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 172-173

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ciência e Religião (13)


"De acordo com a abordagem de compromisso, evolucionismo não implica que tenhamos de abandonar a nossa fé e a teologia, mas sim que a fé e a teologia tenham de passar por um processo próprio de desenvolvimento.

Não existe perigo algum para a fé religiosa ou para a teologia ao abrirem-se a uma tal transformação. Na verdade, um tal crescimento ajuda a manter a fé e a teologia vivas e saudáveis. E se tivermos tempo para pensar em Deus em termos de evolução, acredito que o nosso entendimento religioso terá tudo a ganhar, e nada a perder."

John F. Haught, Cristianismo e Evolucionismo, p. 77

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Geração Viva: Igualdade de Género

Ensaio do grupo de intervenção Geração Viva sobre a Igualdade de Género.
Programa "A Fé dos Homens", transmitido na RTP2, em 20-Dezembro-2010.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ciência e Religião (12)


É um grande paradoxo que Deus crie o universo, e permita que ele seja, de algum modo, independente. Como poderá reconciliar-se a nossa ideia de um poder criador divino com um universo que existe «por si próprio» e que acaba por produzir vida e seres humanos dotados de uma liberdade que pode até opor-se a Deus?

Estas são questões antigas, mas a ciência recente trouxe-nos agora um novo modo de as encarar. Estudos científicos da evolução e dos fenómenos do «caos» e da «complexidade» mostram que o nosso cosmos, desenvolvendo-se ao longo de um período de cerca de quinze mil milhões de anos, é em grande medida uma realidade autocriadora. Não quero estar aqui a sugerir que a Natureza é a origem única da sua própria existência, mas o universo hoje parece ser tudo menos o produto passivo de uma força divina determinativa. Segundo os cientistas, hoje o mundo é composto por sistemas auto-organizativos. O arranjo sequencial de matéria física em átomos, moléculas, sistemas planetários, estrelas, galáxias e clusters de galáxias, células, organismos, pessoas, sociedades – tudo isto acontece de um modo que parece não carecer de uma manipulação exterior. Mesmo o emergir do universo no momento do big bang parece agora aos físicos ter acontecido «espontaneamente».

John F. Haught
, Cristianismo e Evolucionismo, p. 199