quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Egipto: Mais ataques incendiários contra Bahá’ís

Um grupo de jovens muçulmanos egípcios incendiou as casas pertencentes a Bahá’ís na aldeia de Shouraneya (província de Sohag, Alto Egipto). Este ataque não provocou mortos ou feridos, pois os proprietários fugiram da aldeia em Março de 2009 após uma outra vaga de ataques incendiários. Nessa altura, cerca de 40 famílias Bahá’ís fugiram da aldeia e nunca mais voltaram.

Adel Ramadan, membro da ONG Egyptian Initiative for Personal Rights, afirmou que várias pessoas da aldeia destruíram outras habitações pertencentes a Bahá’ís, após terem circulado rumores que os Bahá’ís iriam regressar.

"Um grupo de Bahá’ís pediu à polícia que garantisse a sua segurança pois iriam regressar às suas casas. Foi-lhes dito que poderiam voltar na terça-feira, e de repente, vimos pessoas a atacar essas casas", afirmou Ramadam, acrescentando que a sua organização já abriu um inquérito ao incidente.

"Temos fortes indícios de que dois membros da força policial incitaram o povo a atacar as casas dos Bahá’ís e vamos apresentar uma queixa ao Procurador-Geral, logo que todos os elementos de prova sejam recolhidos, vamos levar estes agentes policiais a tribunal", declarou ainda Ramadam.

Testemunhas afirmaram que vários jovens da aldeia organizaram um protesto na terça-feira – exigindo o prolongamento do horário de funcionamento dos barcos que fazem a ligação com aldeias vizinhas, aumentando a vigilância aos preços da carne e do pão – quando, de repente, começaram a gritar slogans contra os Bahá’ís e resolveram queimar as suas casas.

A Dra Basma Moussa, que pertence à Comunidade Bahá’í, afirmou a um jornal egípcio que nenhum Bahá’í foi visto na aldeia desde 2009. Quando souberam desta segunda vaga de ataques, queixaram-se à polícia, mas nada foi feito; além disso, estes mesmos jovens que incendiaram as casas também impediram a passagem de carros dos bombeiros. A Dra Moussa lembrou que os Bahá’ís exigem que o Estado garanta os direitos de todos os cidadãos, independentemente da sua religião.

---------------------------------
Mais informações:
Baha’i Homes Set on Fire Again in Egypt (MNBR)
Rights group suspect security involvement in Bahai homes fires in Sohag (Daily News Egypt)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Estou na lista de pessoas que deviam desaparecer"

O site elcorreo.com (Bilbao, Espanha) publica na sua edição online uma entrevista com Bahiyyih Nakhjavani (escritora e professora de literatura), a propósito do seu livro “A mulher que lia demasiado”. A entrevista centra-se na vida da poetisa Tahirih, a primeira mulher iraniana que rejeitou o uso do véu e foi presa por ensinar outras mulheres a ler e por defender a dignidade das mulheres. As últimas questões abordam outro tema.

P: O Irão vai viver a sua própria "revolução egípcia”?
R: Tudo que estamos a fazer essa pergunta.
P: E então?
R: O fundamentalismo não pode ser combatido com outra atitude igualmente fundamentalista. Devemos olhar para nós próprios e evitar atitudes extremistas. Entre o Irão e o Egipto existem grandes diferenças.
P: Quais são elas?
R: O governo egípcio era secular, não religioso. E não podemos esquecer a força tremenda da Guarda Revolucionária (corpo de elite das forças de segurança iranianas). Recebem dinheiro do governo e, portanto, sua lealdade será absoluta. Apesar disso já se escutam vozes de protesto.
P: Você algum dia regressará ao Irão?
R: Eu gostaria, mas, infelizmente, o meu nome e o meu apelido estão no topo de uma lista de pessoas que deveriam desaparecer. Eu estou lá. Seria muito perigoso voltar, por enquanto. Eu tenho medo de dizer coisas que possam ser usadas para prejudicar ainda mais os Bahá’ís inocentes presos no Irão.

Ler entrevista completa aqui. (em espanhol)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Grande preocupação com a segurança dos Bahá’ís detidos no Irão

Os sete dirigentes Bahá’ís iranianos foram transferidos para o sector mais brutal do complexo prisional onde se encontram detidos. No caso das duas mulheres Bahá’ís, as circunstâncias da transferência suscitam receios de que esta possa ter sido orquestrada de forma criar um ambiente de segurança que ameaça as suas vidas. Sabe-se que uma delas - Fariba Kamalabadi - já foi ameaçada fisicamente por outros presos, desde que foi transferida para a Secção 200 da Prisão de Gohardasht.

“O ambiente é muito tenso nessa Secção e ali existe muita animosidade contra os detidos” disse Bani Dugal, principal representante da Comunidade Internacional Bahá’í, junto das Nações Unidas.



“É difícil perceber os motivos desta transferência”, afirmou a Sra. Dugal. “Contudo, acreditamos que desde que chegaram a Gohardasht, as mulheres Bahá’ís – apesar da sua situação ser extremamente preocupante - têm sido uma fonte constante de conforto e esperança para os outros prisioneiros. Aparentemente as autoridades prisionais ficaram alarmadas quando perceberam que as duas mulheres Bahá’ís estavam a começar a receber sinais de respeito da parte de um crescente número de prisioneiros. Para justificar o agravamento das condições, as autoridades acusaram as duas de estarem a ensinar a Fé Bahá’í”.

Desde que foram presas, as duas mulheres assumiram uma atitude de serviço aos outros, acrescentou a Sra Dugal. No princípio de 2009, por exemplo, elas partilharam uma cela na prisão de Evin com a jornalista Roxana Saberi que mais tarde escreveu que elas a tinham ajudado, apesar das provações que estavam a sofrer.

Na semana passada, todos os prisioneiros foram avisados para não estabelecer qualquer contacto com as duas mulheres Bahá’ís. Apesar deste aviso, os presos continuaram a falar com elas.

“Depois das mulheres terem sido transferidas, grande número de detidos desceram as escadas e dirigiram-se à parte inferior para visitá-las no local onde agora se encontram, apesar dos guardas colocarem dificuldades”, disse Ms.Dugal.

Antes da transferência - que teve lugar a 12 de Fevereiro - a Sra Kamalabadi e a Sra Sabet foram informadas que os presos na Secção 200 já tinham sido “avisados” acerca delas, acrescentou.

PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE HIGIENE

Os sete dirigentes Bahá’ís foram enviados para Gohardasht - conhecida pelas suas péssimas condições de higiene -, a 20 kms a oeste de Teerão, em Agosto de 2010. Anteriormente estiveram na prisão de Evin, em Teerão durante 20 meses sem julgamento; foram acusados de espionagem e estabelecimento de uma administração ilegal, entre outras acusações. Todas as acusações foram negadas. Depois de um breve julgamento, foram condenadas a 10 anos de prisão.

Inicialmente os prisioneiros Bahá’ís foram isolados do contacto com outros elementos mais violentos daquele complexo prisional. Também tinham acesso frequente a áreas exteriores e às áreas para o exercício físico. No entanto, nas últimas semanas, os sete Bahá’ís foram transferidos para celas com condições muito piores.

Os cinco homens foram transferidos há três semanas, para uma ala, junto dos prisioneiros políticos, conhecida como secção 4 que está superlotada e tem vigilância constante. Estão agora a sofrer grandes privações. “Três deles estão juntos numa única cela. Os outros dois estão numa outra cela”, afirmou a Sra. Dugal. “Há duas camas em cada cela e por isso um deles tem que dormir no chão”.

“Os presos que estão nesta parte da prisão podem ir apanhar ar fresco ao exterior, em determinadas horas e anteriormente eles podiam fazer isso sempre e quando queriam”, disse a Sra. Dugal.

APELO AOS GOVERNOS

“Na nossa carta aberta de 7 de Dezembro de 2010 ao chefe do sistema judicial, salientámos que um ambiente tão odioso e degradante é indigno até dos maiores criminosos”, afirmou a Sra. Dugal.

“Dizemos, uma vez mais, ao Governo Iraniano: será que acreditar nos princípios de compaixão e justiça do Islamismo é coerente com a imposição de tais condições a cidadãos inocentes?”

“Continuamos a apelar aos Governos e a pessoas de boa vontade em todo o mundo que mostrem aos governantes iranianos que as suas acções estão a ser observadas e que eles serão considerados responsáveis pela segurança destes e de outros 50 Bahá’ís que se encontram detidos no Irão” disse a Sra. Dugal.

-------------------------------
FONTE: Grave concern for safety of Iran's imprisoned Baha'i leaders (BWNS)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Deolinda: Parva que Sou

Porque me preocupa profundamente o futuro deste país, faço eco desta magnífica canção de protesto



Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração "casinha dos pais"
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração "eu já não posso mais!"
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Familiares temem por Bahá’ís presos no Irão

Segundo uma notícia da AFP, uma delegação de Bahá’ís foi recebida ontem (09-Fevereiro) em Washington pela Comissão Americana para a Liberdade Religiosa Internacional. Entre os membros desta delegação encontravam-se familiares dos sete dirigentes Bahá’ís que se encontram detidos no Irão. Segundo os seus testemunhos, as condições na prisão de Gohardasht têm-se agravado; além do espaço exíguo ser partilhado com criminosos violentos, também existem graves problemas de higiene.

Segundo estes familiares há apenas um aspecto positivo nesta situação: os dirigentes Bahá'ís detidos têm ganho a simpatia de muitos reclusos devido às suas acções e atitudes. “De uma forma geral, o povo iraniano desenvolveu um maior respeito e são muito mais solidários para com a sua situação", afirmou um dos familiares.

Ler notícia completa (em inglês): Families fear for Bahais jailed in Iran

Centro Bahá'í, na Cidade da Praia

Fotos gentilmente enviadas pelo Rui Almeida, que está na Cidade da Praia.



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A revolta no Egipto, explicada aos meus filhos

Na TV sucedem-se as imagens das manifestações e motins no Egipto.
- Pai, porque é que eles estão ali a gritar?
- Querem que o presidente vá embora.
- Porquê?
- Porque é um homem mau.
- Mandou pessoas para a prisão?
- Sim. E ali não há democracia. Ali as pessoas não podem escolher quem que ser presidente. Por isso dizemos que é um ditador. Percebes?
- Sim. Mas onde é que está o ditador?
- Deve estar no palácio dele.
- Aposto que ele está escondido debaixo da mesa da cozinha!...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Estarão os egípcios na disposição de trocar uma ditadura por outra?

Hoje a Irmandade Muçulmana envolveu-se nos motins no Egipto.

Para quem pensa que a agitação no Egipto é igual à que aconteceu na Tunísia, lembro que este é um grupo fundamentalista que ambiciona criar um estado islâmico no Egipto. Para perceber os seus princípios, bastaria lembrar que em Maio de 2006, durante um debate parlamentar os deputados da Irmandade Muçulmana afirmaram que os Bahá'ís eram apóstatas e deviam ser mortos. Acrescentaram ainda que iam preparar uma lei que criminalizava a Fé Bahá'í e classificava os Bahá'ís como apóstatas.

Será que esta Irmandade Muçulmana vai desviar a revolução no Egipto?

Estarão os egípcios na disposição de trocar uma ditadura por outra?

Iremos assistir a um remake da revolução islâmica de 1979?