Apenas seis meses depois do Tribunal de Recurso Penal do Irão ter reduzido a pena dos sete dirigentes Baha’is iranianos para 10 anos de prisão, estes foram informados, que a sua sentença tinha sido revertida para a pena original de 20 anos. A Comunidade Internacional Bahá’í reagiu a esta notícia em choque e consternação.
Se bem que, depois das condenações, tanto os réus como os seus advogados tenham envidado reiterados esforços para obterem as cópias oficiais do veredicto original e da decisão do recurso, nunca as conseguiram obter, o mesmo acontecendo com o recente acórdão, razão pela qual não é possível saber-se com precisão quais as razões em que se basearam para anularem a redução da sentença.
Aparentemente a decisão do Tribunal de Recurso Penal, de reduzir a pena para 10 anos foi posta de lado por uma objecção apresentada pelo Procurador-Geral contra esta decisão, que tem a cobertura do sistema judicial que lhe permite apelar de qualquer decisão judicial, desde que ele a considere contrária à lei Shariah (código de leis do Islão). Tudo isto parece ser um estratagema montado para permitir às autoridades manipularem os resultados de modo a adequá-los aos seus próprios fins.
A detenção ilegal destes sete homens e mulheres - inocentes de qualquer crime que não fosse o da sua crença religiosa -, as grosseiras irregularidades do julgamento em 2010, a recusa do sistema judicial em divulgar oficialmente os veredictos, para os réus e seus advogado e, ainda, todas as acções praticadas pelas autoridades, demonstra claramente que a decisão de impor uma sentença tão severa foi premeditada. Nessa altura, como essa sentença brutal levantou uma fortíssima onda de protestos por todo o mundo, reduziram a pena para 10 anos, acusando-os de pertencerem a uma seita ilegal. Anteriormente tinham-nos condenado por espionagem, acções contra a segurança do estado, colaboração com o Estado de Israel e de passarem documentos classificados para o estrangeiro, com a intenção de minarem a segurança do Estado.
Agora, porém num volte face que expõe o seu cinismo grosseiro e o seu desmérito, as autoridades parecem ter concluído que as vozes de protesto se calaram e que eles podem simplesmente voltar ao seu plano original de encarcerar os sete durante 20 anos, o que equivale a prisão perpétua, pelo menos para alguns destes prisioneiros. Para além da insensibilidade da decisão de anular o recurso, a recusa das autoridades de fornecerem aos funcionários da prisão a documentação necessária, impediu os prisioneiros de terem a licença temporária, por razões humanitárias, e de obterem atenção e cuidados médicos, de que tanto necessitavam. Isto é inegavelmente mais uma prova dos extremos a que as autoridades iranianas estão dispostas a ir nos seus esforços para oprimir os Bahá’ís do Irão.
É bom lembrarmo-nos de que o tratamento cruel infligido a estes homens e mulheres, está inserido num contexto de incitamento ao ódio contra os Bahá’ís, sancionado pelo Estado, com bombas incendiárias contra os seus locais de trabalho, bem como outras formas de terror, que utilizam paraos expulsar das suas vilas e cidades, e uma série de abusos e outras violações dos seus direitos fundamentais que, infelizmente, se tornaram demasiado conhecidos e que continuam a aumentar dia após dia. Cerca de 79 bahá'ís estão hoje detidos em prisões no Irão.
À luz do exposto, não vamos cessar de apelar a todos os governos, organizações de direitos civis, individualidades imparciais, em todos os lugares do mundo, para tomarem todas as medidas possíveis e enviarem os mais enérgicos protestos contra as acções do Irão.
O governo iraniano deveria saber que as suas acções para com os Bahá'ís - e todos os outros que sofrem opressão às suas mãos - só servirá para manchar ainda mais a sua reputação.
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Sobre este assunto: Shock at "duplicity" as 20-year sentence for Iran's Baha'i leaders is reinstated (BWNS)
sexta-feira, 1 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
Entrevista a Bahiyyih Nakhjavani
Entrevista a Bahiyyih Nakhjavani, a autora do livro "La mujer que leía demasiado", uma biografía de Tahirih
sexta-feira, 25 de março de 2011
Conselho dos Direitos Humanos da ONU nomeia Relator Especial para o Irão
Pela primeira vez desde a sua criação, há 5 anos, o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas nomeou um Relator Especial para indagar se o Irão está a cumprir com as normas internacionais dos direitos humanos. A decisão foi tomada após votação (22 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções) e reflecte a crescente impaciência da comunidade internacional face às contínuas violações dos direitos humanos no Irão.
Diane Ala'i - representante da Comunidade Internacional Bahá'í para as Nações Unidas, em Genebra - considerou que se tratou de uma “votação histórica” e que a decisão tomada ”constitui uma nova etapa para garantir e proteger os direitos humanos fundamentais de todos os povos em todo o mundo”. Acrescentou ainda que a comunidade mundial já ouviu demasiadas vezes o Irão alegar que não viola os direitos humanos, quando, na verdade, se tornou um dos regimes mais opressivos do mundo de hoje.
Esta resolução veio no seguimento de um relatório do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre os direitos humanos no Irão, em que dava conta da sua profunda preocupação com os relatos da crescente repressão, execuções, maus tratos e possíveis torturas de ativistas dos direitos humanos e da oposição.
Este relatório também expressou grande preocupação com as perseguições a grupos minoritários, tendo destacado, especificamente, as perseguições contra os Bahá’ís iranianos, observando que, recentemente foram presos Bahá’ís, e que sete dos seus dirigentes tinham sido condenados a longas penas de prisão, depois de um julgamento considerado injusto por muitos.
Disse também que levantou várias vezes este assunto em cartas e reuniões com as autoridades iranianas por achar que estes julgamentos não preenchiam os requisitos necessários para serem julgamentos justos, uma vez que as acusações pareciam ser uma violação da sua liberdade, internacionalmente reconhecida, de religião e crença, de expressão e de associação.
Finalmente, Ban Ki-moon instou o Irão a autorizar a visita do Relator Especial da ONU ao país e a considerar essa visita como questão prioritária, de modo a que se possam realizar avaliações mais abrangentes.
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Sobre este assunto:
UN Human Rights Council appoints monitor for Iran (BWNS)
Brasil vota a favor de resolução da ONU para investigar direitos humanos no Irã (O Globo)
Irão: Governo rejeita resolução da ONU sobre direitos humanos (DN)
Diane Ala'i - representante da Comunidade Internacional Bahá'í para as Nações Unidas, em Genebra - considerou que se tratou de uma “votação histórica” e que a decisão tomada ”constitui uma nova etapa para garantir e proteger os direitos humanos fundamentais de todos os povos em todo o mundo”. Acrescentou ainda que a comunidade mundial já ouviu demasiadas vezes o Irão alegar que não viola os direitos humanos, quando, na verdade, se tornou um dos regimes mais opressivos do mundo de hoje.
Esta resolução veio no seguimento de um relatório do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre os direitos humanos no Irão, em que dava conta da sua profunda preocupação com os relatos da crescente repressão, execuções, maus tratos e possíveis torturas de ativistas dos direitos humanos e da oposição.
Este relatório também expressou grande preocupação com as perseguições a grupos minoritários, tendo destacado, especificamente, as perseguições contra os Bahá’ís iranianos, observando que, recentemente foram presos Bahá’ís, e que sete dos seus dirigentes tinham sido condenados a longas penas de prisão, depois de um julgamento considerado injusto por muitos.
Disse também que levantou várias vezes este assunto em cartas e reuniões com as autoridades iranianas por achar que estes julgamentos não preenchiam os requisitos necessários para serem julgamentos justos, uma vez que as acusações pareciam ser uma violação da sua liberdade, internacionalmente reconhecida, de religião e crença, de expressão e de associação.
Finalmente, Ban Ki-moon instou o Irão a autorizar a visita do Relator Especial da ONU ao país e a considerar essa visita como questão prioritária, de modo a que se possam realizar avaliações mais abrangentes.
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Sobre este assunto:
UN Human Rights Council appoints monitor for Iran (BWNS)
Brasil vota a favor de resolução da ONU para investigar direitos humanos no Irã (O Globo)
Irão: Governo rejeita resolução da ONU sobre direitos humanos (DN)
segunda-feira, 21 de março de 2011
Naw-Ruz A melhor foto
A "super lua" na noite de Naw-Ruz.
A foto foi obtida na noite de 20 para 21 de Março, junto ao templo Bahá'í de Chicago.
Naw-Ruz: Mensagem de Hillary Clinton
Press Statement
Hillary Rodham Clinton
Secretary of State
Washington, DC
March 20, 2011
Junto-me ao presidente Barack Obama no envio dos melhores votos de saúde e prosperidade para todos os que celebram o Naw-Ruz no mundo todo, incluindo os americanos, afegãos, curdos, azeris, iranianos e os povos da Ásia Central. Há milhares de anos que o Naw-Ruz tem sido um tempo para família e amigos se reunirem e comemorar o início de um novo ano. Entre as muitas ricas tradições de celebração de Naw-Ruz, os temas do renascimento e da busca da felicidade são constantes e são as aspirações que todos nós partilhamos. Como escreve o poeta iraniano Hafiz: "A brisa do Naw-Ruz sopra do quarto do Amado; procurai o conforto desta brisa para alegrar o coração."
Este ano, permite-nos reflectir sobre os recentes acontecimentos no Oriente Médio. Louvamos a demonstração das expressões pacífica da dignidade e dos direitos humanos que temos visto em grande parte da região. Juntamo-nos à comunidade internacional abraçando as oportunidades Nowruz e lutando pela defesa dos seus valores.
Que este novo ano seja repleto de renovado sentido de esperança e um novo compromisso com os direitos humanos e liberdades fundamentais que são nosso direito universal.
Nowruzetoon Pirouz, Nowruz Haroozetoon! Navruz Mubarak!
Que o vosso Naw-Ruz seja glorioso, e que todos os seus dias sejam Naw-Ruz.
Hillary Rodham Clinton
Secretary of State
Washington, DC
March 20, 2011
Junto-me ao presidente Barack Obama no envio dos melhores votos de saúde e prosperidade para todos os que celebram o Naw-Ruz no mundo todo, incluindo os americanos, afegãos, curdos, azeris, iranianos e os povos da Ásia Central. Há milhares de anos que o Naw-Ruz tem sido um tempo para família e amigos se reunirem e comemorar o início de um novo ano. Entre as muitas ricas tradições de celebração de Naw-Ruz, os temas do renascimento e da busca da felicidade são constantes e são as aspirações que todos nós partilhamos. Como escreve o poeta iraniano Hafiz: "A brisa do Naw-Ruz sopra do quarto do Amado; procurai o conforto desta brisa para alegrar o coração."
Este ano, permite-nos reflectir sobre os recentes acontecimentos no Oriente Médio. Louvamos a demonstração das expressões pacífica da dignidade e dos direitos humanos que temos visto em grande parte da região. Juntamo-nos à comunidade internacional abraçando as oportunidades Nowruz e lutando pela defesa dos seus valores.
Que este novo ano seja repleto de renovado sentido de esperança e um novo compromisso com os direitos humanos e liberdades fundamentais que são nosso direito universal.
Nowruzetoon Pirouz, Nowruz Haroozetoon! Navruz Mubarak!
Que o vosso Naw-Ruz seja glorioso, e que todos os seus dias sejam Naw-Ruz.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Uma flor com 25 anos
O jornal Hindustan Times refere - na sua edição online - o 25º aniversário do templo Bahá’í de Nova Deli. O conhecido Templo de Lótus recebe cerca de 8000 visitantes por dia, desde o mais pobre dos pobres até Chefes de Estado. Desde que foi inaugurado, o templo já recebeu mais de 100 milhões de visitas. Os primeiros Bahá’ís estabeleceram-se na Índia em 1890, e hoje existem quase 2 milhões de seguidores de Bahá'u'lláh naquele país.
O programa das celebrações inicia-se no Domingo, na véspera do ano novo Bahá’í, com uma sessão de orações de todas as religiões. “O programa de domingo é apenas para convidados especiais; também se realizarão programas culturais abertos para todos no dia 21 de Março” anunciou Nalina Jiwnani, o coordenador das celebrações. Além destas celebrações, estão planeadas outras actividades ao longo deste ano.
No local do Templo, existe um centro de informações onde se prestam esclarecimentos e informações sobre a Fé Bahá’í. O jornal cita o Sr. Shatrughan Jiwnani, o porta-voz da Comunidade Bahá’í da Índia que afirma que a Comunidade Bahá’í trabalha para construir uma civilização mundial, baseada na justiça e na paz.
Notícia completa (em inglês)
sábado, 12 de março de 2011
Vários Bahá'ís detidos em Teerão e Bam
Segundo diversas agências noticiosas, o Ministério da Informação do Irão prendeu hoje (12-Março) vários membros da Comunidade Bahá’í por suspeita de proselitismo da sua religião em escolas de Teerão e Bam (sudeste do Irão). Mohammad Reza Sanjari, o procurador-geral do tribunal revolucionário de Bam, afirmou que estas detenções são o resultado de nove meses de investigações. Não há informações sobre o número de detidos ou quando foram feitas as detenções.
"A investigação indicou a existência de uma rede ampla e complexa, cujos membros actuavam de acordo com ordens de uma organização central ", declarou. Sanjari acrescentou que os Baha’is – que os xiitas consideram uma heresia islâmica - se aproveitaram do forte terramoto que abalou Bam, em 2003, matando milhares e destruindo 70 a 90 por cento dos edifícios.
Sanjari informou a agência ISNA que estes Baha’is foram acusados de "promoção e proliferação dos seus programas disfarçados de actividades culturais, educacionais em diversas instalações de educação pré-escolar em Bam, Kerman e Teerão." O procurador Bam alega que os Baha’is detidos se "infiltraram" num jornal local na província de Kerman e "inculcaram" o ponto de vista Bahá’í através de histórias infantis.
COMENTÁRIO: Este é apenas mais um episódio na longa história de hostilização e discriminação promovida pelo Governo Iraniano contra a Comunidade Bahá’í. Nas entrelinhas percebe-se que estes Bahá’ís faziam algumas das coisas que fazem em qualquer país: realizam aulas de desenvolvimento moral e cívico para crianças e organizam actividades para pré jovens. Como pano de fundo de mais este caso temos o reconhecimento das autoridades sobre o abandono a que foi deixada a cidade de Bam, após o terramoto de 2003.
Afinal que credibilidade merecem as acusações de um o procurador-geral de um país repetidamente condenado nos palcos internacionais pelos graves abusos de direitos humanos contra o seu próprio povo?
Poderemos confiar nas palavras de representante de um Estado que se mantém orgulhosamente só na defesa de uma pretensa pureza religiosa e que é criticado pelos seus próprios cidadãos pelo uso indiscriminado de tortura, violação, espancamentos, restrições à liberdade de imprensa?
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FONTES:
Iran arrests Bahai followers for proselytising faith (Reuters)
Detenidos seguidores de la fe Bahai en Teherán y Bam (ABC.es)
Iran arrests Baha'is in Bam (Press TV)
Islamic Republic Arrests Several Baha'is (Payvand)
"A investigação indicou a existência de uma rede ampla e complexa, cujos membros actuavam de acordo com ordens de uma organização central ", declarou. Sanjari acrescentou que os Baha’is – que os xiitas consideram uma heresia islâmica - se aproveitaram do forte terramoto que abalou Bam, em 2003, matando milhares e destruindo 70 a 90 por cento dos edifícios.
Sanjari informou a agência ISNA que estes Baha’is foram acusados de "promoção e proliferação dos seus programas disfarçados de actividades culturais, educacionais em diversas instalações de educação pré-escolar em Bam, Kerman e Teerão." O procurador Bam alega que os Baha’is detidos se "infiltraram" num jornal local na província de Kerman e "inculcaram" o ponto de vista Bahá’í através de histórias infantis.
COMENTÁRIO: Este é apenas mais um episódio na longa história de hostilização e discriminação promovida pelo Governo Iraniano contra a Comunidade Bahá’í. Nas entrelinhas percebe-se que estes Bahá’ís faziam algumas das coisas que fazem em qualquer país: realizam aulas de desenvolvimento moral e cívico para crianças e organizam actividades para pré jovens. Como pano de fundo de mais este caso temos o reconhecimento das autoridades sobre o abandono a que foi deixada a cidade de Bam, após o terramoto de 2003.
Afinal que credibilidade merecem as acusações de um o procurador-geral de um país repetidamente condenado nos palcos internacionais pelos graves abusos de direitos humanos contra o seu próprio povo?
Poderemos confiar nas palavras de representante de um Estado que se mantém orgulhosamente só na defesa de uma pretensa pureza religiosa e que é criticado pelos seus próprios cidadãos pelo uso indiscriminado de tortura, violação, espancamentos, restrições à liberdade de imprensa?
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FONTES:
Iran arrests Bahai followers for proselytising faith (Reuters)
Detenidos seguidores de la fe Bahai en Teherán y Bam (ABC.es)
Iran arrests Baha'is in Bam (Press TV)
Islamic Republic Arrests Several Baha'is (Payvand)
Irão: Dirigente Bahá’í impedido de comparecer no funeral da esposa
"Negar a um homem inocente a possibilidade de estar com a sua esposa no momento do seu falecimento, e posteriormente impedir que ele compareça no seu funeral, mostra a dimensão da desumanidade em que as autoridades iranianas se afundam. A compaixão e a justiça islâmica estão longe daqui". Foi com estas palavras que Diane Ala'i - a representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas em Genebra - reagiu ao facto de um dos sete dirigentes Bahá'ís detidos no Irão não ter sido autorizado comparecer no funeral da sua esposa. "Esta é uma sequência de eventos profundamente cruel", acrescentou.
O Sr. Jamaloddin Khanjani - actualmente com 77 de idade - está a cumprir uma pena de dez anos na prisão iraniana Gohardasht, juntamente com outros seis Bahá’ís. Todos eram membros de um grupo ad hoc nacional que tratava das necessidades da Comunidade Bahá’í do Irão. A Sra. Ashraf Khanjani de 81 anos de idade - casada com o Sr. Khanjani há mais de 50 anos - faleceu na manhã de quinta-feira (09-Março) na casa da família em Teerão. Há vários meses que tinha problemas de saúde.
Sabe-se que o funeral da Sra. Khanjani, se realizou ontem (sexta-feira) de manhã em Teerão, com a presença de 8.000 a 10.000 pessoas. Funcionários do Ministério da Informação estiveram presentes e filmaram o acontecimento.
A Sra. Khanjani dedicou sua vida a criar os seus quatro filhos, tendo também cuidado de dezenas de outras crianças de famílias carenciadas. "Ela chegava a cuidar de 40 ou 50 crianças em qualquer momento, independentemente das crenças religiosas dessas famílias", disse Alai. "Isso mostra é o tipo de pessoa que ela era: gentil e generosa. Era um farol de esperança dedicado a manter a unidade da sua família face à dura perseguição religiosa" .
Antes da revolução iraniana de 1979, o Sr. Khanjani era um empresário bem-sucedido e proprietário de uma fábrica de tijolos mecanizada, onde trabalhavam centenas de pessoas. Após a revolução, o Sr. Khanjani foi obrigado a encerrar a fábrica, tendo esta sido posteriormente confiscada pelas autoridades.
No início dos anos 1980, o Sr. Khanjani serviu como membro da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Irão, instituição que foi dissolvida pelo Governo, e da qual quatro membros foram fuzilados.
Posteriormente, e apesar de muitas dificuldades, o Sr. Khanjani conseguiu criar uma quinta mecanizada. Os condicionamentos impostos pelas autoridades estendiam-se aos seus filhos e parentes, e incluíam a recusa de empréstimos, o encerramento das suas instalações, a limitação de transacções comerciais, e a proibição de viajar para fora do Irão.
Em Maio de 2008, o sr. Khanjani foi detido, juntamente com outros seis dirigentes Bahá’ís. "A vida nos últimos três anos, desde sua prisão foi particularmente difícil para a esposa e família", disse Ala'i. "Depois que o Sr. Khanjani ter sido transferido para Gohardasht, em Agosto do ano passado, as visitas quinzenais à prisão obrigavam a uma viagem de 100 km ida e volta. Foi mais um encargo adicional para suportar." Para agravar as dificuldades vários familiares próximos da família Khanjani têm sido visados pelas autoridades, estando alguns deles detidos.
"Pelo menos hoje, neste momento tão difícil, o Sr. Khanjani e sua família sentem o conforto pelo facto dos pensamentos e orações de governos, organizações e pessoas de boa vontade em todo o mundo, estarem com eles", disse Ala'i.
O Sr. Jamaloddin Khanjani - actualmente com 77 de idade - está a cumprir uma pena de dez anos na prisão iraniana Gohardasht, juntamente com outros seis Bahá’ís. Todos eram membros de um grupo ad hoc nacional que tratava das necessidades da Comunidade Bahá’í do Irão. A Sra. Ashraf Khanjani de 81 anos de idade - casada com o Sr. Khanjani há mais de 50 anos - faleceu na manhã de quinta-feira (09-Março) na casa da família em Teerão. Há vários meses que tinha problemas de saúde.
Sabe-se que o funeral da Sra. Khanjani, se realizou ontem (sexta-feira) de manhã em Teerão, com a presença de 8.000 a 10.000 pessoas. Funcionários do Ministério da Informação estiveram presentes e filmaram o acontecimento.
A Sra. Khanjani dedicou sua vida a criar os seus quatro filhos, tendo também cuidado de dezenas de outras crianças de famílias carenciadas. "Ela chegava a cuidar de 40 ou 50 crianças em qualquer momento, independentemente das crenças religiosas dessas famílias", disse Alai. "Isso mostra é o tipo de pessoa que ela era: gentil e generosa. Era um farol de esperança dedicado a manter a unidade da sua família face à dura perseguição religiosa" .
Antes da revolução iraniana de 1979, o Sr. Khanjani era um empresário bem-sucedido e proprietário de uma fábrica de tijolos mecanizada, onde trabalhavam centenas de pessoas. Após a revolução, o Sr. Khanjani foi obrigado a encerrar a fábrica, tendo esta sido posteriormente confiscada pelas autoridades.
No início dos anos 1980, o Sr. Khanjani serviu como membro da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Irão, instituição que foi dissolvida pelo Governo, e da qual quatro membros foram fuzilados.
Posteriormente, e apesar de muitas dificuldades, o Sr. Khanjani conseguiu criar uma quinta mecanizada. Os condicionamentos impostos pelas autoridades estendiam-se aos seus filhos e parentes, e incluíam a recusa de empréstimos, o encerramento das suas instalações, a limitação de transacções comerciais, e a proibição de viajar para fora do Irão.
Em Maio de 2008, o sr. Khanjani foi detido, juntamente com outros seis dirigentes Bahá’ís. "A vida nos últimos três anos, desde sua prisão foi particularmente difícil para a esposa e família", disse Ala'i. "Depois que o Sr. Khanjani ter sido transferido para Gohardasht, em Agosto do ano passado, as visitas quinzenais à prisão obrigavam a uma viagem de 100 km ida e volta. Foi mais um encargo adicional para suportar." Para agravar as dificuldades vários familiares próximos da família Khanjani têm sido visados pelas autoridades, estando alguns deles detidos.
"Pelo menos hoje, neste momento tão difícil, o Sr. Khanjani e sua família sentem o conforto pelo facto dos pensamentos e orações de governos, organizações e pessoas de boa vontade em todo o mundo, estarem com eles", disse Ala'i.
terça-feira, 8 de março de 2011
Como a religião mudou uma bilionária chinesa
A religião mudou tudo. Aos 45 anos, Zhang Xin reinventa-se a si própria como uma convertida Bahá’í, moral e modesta, que transcendeu os interesses materialistas e agora quer concentrar-se na caridade e na educação. "A Fé Bahá’í transformou-me", afirma.
É difícil conciliar essa visão da Sra. Zhang, com sua imagem pública. Milhões de pessoas na China conhecem a história da sua ascensão de sucesso: a operária com 14 anos de idade numa fábrica têxtil em Hong Kong e estudante nocturna que chegou à Universidade de Cambridge, no Reino Unido; um início de carreira na Goldman Sachs e no Travelers Group. Juntamente com o seu marido, Pan Shiyi, fundou a Soho China, e lucrou mais de 1,9 mil milhões de dólares em 2007.
"Nós acreditámos demasiado que a abundância material traria uma melhor educação, que por sua vez facilitaria avanços na civilização", escreveu ela no Sina Weibo, um serviço de microblog, onde ela tem mais de 1,4 milhões de seguidores. "Mas o desenvolvimento da China desfez a nossa ilusão."
Ela espera que a religião, e a Fé Bahá’í em particular, possa ajudar a China a fazer a ponte entre o rápido crescimento económico e desenvolvimento espiritual, que fica para trás. Uma nova religião com cerca de seis milhões de crentes no mundo, a Fé Bahá’í enfatiza a unidade espiritual de toda a humanidade.
É curioso para ouvir a Sra. Zhang, entre todas as pessoas, lamentar os resultados do materialismo na China moderna. Afinal, ela viveu o Sonho Chinês de forma mais exuberante do que quase qualquer outra mulher no país. E nos últimos 16 anos, ela e o marido construíram a sua fortuna vendendo esse sonho para a aspirante classe média chinesa. Eles são conhecidos pelos seus prédios futuristas projectados por Riken Yamamoto, Peter Davidson e Zaha Hadid.
Na China, o rótulo de empresário-construtor é sinónimo de ganância e lucros excessivos. No mês passado, o primeiro-ministro Wen Jiabao apontou o dedo aos empresários-construtores quando falava de problemas de habitação. Ele pediu aos empreiteiros-construtores assumissem "todas as suas responsabilidades sociais", acrescentando que acredita que "o sangue que flui nos seus corpos também deve ser moral."
Zhang tem consciência deste problema de imagem. "Muitas pessoas que não me conhecem e pensam naturalmente que «uma empresária-construtor, corrupta, não é boa pessoa ", diz ela no seu modo de falar rápido e entusiástico. "Eu acho que muitas pessoas, inclusive eu, são preconceituosas em relação a tantas coisas. E o preconceito vem da ignorância. É assim com muitos chineses, que nunca estiveram no Japão, acham que todos os japoneses são pessoas más. Mas quando o conhecimento existe, a ignorância desaparece e preconceito desfaz-se. "
Será que ela vê algum conflito entre um comportamento ético e ganhar dinheiro, principalmente no actual ambiente de negócios da China, em que o respeito pelas regras pode significar menor probabilidade de sucesso?
Não, diz a Sra. Zhang. "Se você é mais honesto do que as outras pessoas, os seus negócios terão um desempenho melhor porque os seus parceiros de negócios vão confiar mais em você e querem fazer mais negócios consigo", afirma. "Além disso, as pessoas talentosas gostam de trabalhar para empresas com princípios éticos".
Zhang não é a única empresária no país com que espera enfrentar os problemas sociais com a religião. A forma como a sociedade chinesa perdeu a sua moralidade - e como recuperá-la - é um tópico quente na Internet e nas conversas ao jantar.
Uma das teorias predominantes é a seguinte: o Partido Comunista fez com que todos os chineses ficassem ateus e, depois, a Revolução Cultural destruiu todas as doutrinas de Confúcio que guiaram a sociedade chinesa durante milhares de anos; por fim, na sua busca incessante de riqueza nos últimos 30 anos, os chineses romperam os limites morais que ainda restavam. É um país onde não existe respeito nem medo.
As pessoas consideram que a falta de moralidade é responsável por males sociais como a poluição, a corrupção e a infidelidade. Juntamente com um melhor nível de vida surgiram níveis de ansiedade mais elevados.
Alguns procuram conforto na religião. Segundo uma pesquisa de 2010 da Academia Chinesa de Ciências Sociais, há mais de 20 milhões de cristãos na China, e 73% destes converteram-se após 1993, apenas sobre o tempo a economia entrou em ascensão.
Zhang diz que se converteu à Fé Baha'i em 2005, depois de uma crise familiar a levar a questionar o significado do sucesso para o qual ela tanto tinha trabalhado. Descobriu que a oração pode ser calmante. O Sr. Pan converteu-se na mesma época. Por vezes eles colocam as suas orações e suas interpretações dos ensinamentos bahá'ís no Sina Weibo, onde o Sr. Pan tem cerca de 3,5 milhões de seguidores.
Fareed Zakaria entrevista Zhang Xin
A Sra Zhang nunca deixa suas reflexões sobre a religião resvalar na área da política. Ela afirma ser apolítica, e não acredita que uma mudança de sistema político traga uma sociedade melhor. Ela afirma que a revolução no Egipto não mudou a sociedade, e lembra o abuso sexual da correspondente da CBS Lara Logan, imediatamente após a renúncia de Hosni Mubarak à presidência. "Não faz nenhuma diferença se é uma democracia ou uma ditadura", afirma. "A mudança real vem quando se muda o coração das pessoas. Quando todo mundo tem um coração melhor, toda a sociedade vai mudar."
Então as crenças religiosas do casal de negócios mais famoso da China têm tanta influência sobre os jovens quanto o seu anterior estilo de vida deslumbrante?
"Espero que sim", diz ela. "Nos nossos primeiros dias, tentámos ser empresários criativos. E por isso aparecíamos nas melhores festas. Agora há outros empresários criativos como nós. E chegámos a um ponto nas nossas vidas em que acreditamos que a sociedade chinesa precisa de orientação espiritual, e nós somos privilegiados de receber uma coisa tão bonita. Precisamos de a partilhar com todos."
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FONTE: How Religion Changes a Chinese Billionaire Developer (WSJ)
É difícil conciliar essa visão da Sra. Zhang, com sua imagem pública. Milhões de pessoas na China conhecem a história da sua ascensão de sucesso: a operária com 14 anos de idade numa fábrica têxtil em Hong Kong e estudante nocturna que chegou à Universidade de Cambridge, no Reino Unido; um início de carreira na Goldman Sachs e no Travelers Group. Juntamente com o seu marido, Pan Shiyi, fundou a Soho China, e lucrou mais de 1,9 mil milhões de dólares em 2007."Nós acreditámos demasiado que a abundância material traria uma melhor educação, que por sua vez facilitaria avanços na civilização", escreveu ela no Sina Weibo, um serviço de microblog, onde ela tem mais de 1,4 milhões de seguidores. "Mas o desenvolvimento da China desfez a nossa ilusão."
Ela espera que a religião, e a Fé Bahá’í em particular, possa ajudar a China a fazer a ponte entre o rápido crescimento económico e desenvolvimento espiritual, que fica para trás. Uma nova religião com cerca de seis milhões de crentes no mundo, a Fé Bahá’í enfatiza a unidade espiritual de toda a humanidade.
É curioso para ouvir a Sra. Zhang, entre todas as pessoas, lamentar os resultados do materialismo na China moderna. Afinal, ela viveu o Sonho Chinês de forma mais exuberante do que quase qualquer outra mulher no país. E nos últimos 16 anos, ela e o marido construíram a sua fortuna vendendo esse sonho para a aspirante classe média chinesa. Eles são conhecidos pelos seus prédios futuristas projectados por Riken Yamamoto, Peter Davidson e Zaha Hadid.
Na China, o rótulo de empresário-construtor é sinónimo de ganância e lucros excessivos. No mês passado, o primeiro-ministro Wen Jiabao apontou o dedo aos empresários-construtores quando falava de problemas de habitação. Ele pediu aos empreiteiros-construtores assumissem "todas as suas responsabilidades sociais", acrescentando que acredita que "o sangue que flui nos seus corpos também deve ser moral."
Zhang tem consciência deste problema de imagem. "Muitas pessoas que não me conhecem e pensam naturalmente que «uma empresária-construtor, corrupta, não é boa pessoa ", diz ela no seu modo de falar rápido e entusiástico. "Eu acho que muitas pessoas, inclusive eu, são preconceituosas em relação a tantas coisas. E o preconceito vem da ignorância. É assim com muitos chineses, que nunca estiveram no Japão, acham que todos os japoneses são pessoas más. Mas quando o conhecimento existe, a ignorância desaparece e preconceito desfaz-se. "
Será que ela vê algum conflito entre um comportamento ético e ganhar dinheiro, principalmente no actual ambiente de negócios da China, em que o respeito pelas regras pode significar menor probabilidade de sucesso?
Não, diz a Sra. Zhang. "Se você é mais honesto do que as outras pessoas, os seus negócios terão um desempenho melhor porque os seus parceiros de negócios vão confiar mais em você e querem fazer mais negócios consigo", afirma. "Além disso, as pessoas talentosas gostam de trabalhar para empresas com princípios éticos".
Zhang não é a única empresária no país com que espera enfrentar os problemas sociais com a religião. A forma como a sociedade chinesa perdeu a sua moralidade - e como recuperá-la - é um tópico quente na Internet e nas conversas ao jantar.
Uma das teorias predominantes é a seguinte: o Partido Comunista fez com que todos os chineses ficassem ateus e, depois, a Revolução Cultural destruiu todas as doutrinas de Confúcio que guiaram a sociedade chinesa durante milhares de anos; por fim, na sua busca incessante de riqueza nos últimos 30 anos, os chineses romperam os limites morais que ainda restavam. É um país onde não existe respeito nem medo.
As pessoas consideram que a falta de moralidade é responsável por males sociais como a poluição, a corrupção e a infidelidade. Juntamente com um melhor nível de vida surgiram níveis de ansiedade mais elevados.
Alguns procuram conforto na religião. Segundo uma pesquisa de 2010 da Academia Chinesa de Ciências Sociais, há mais de 20 milhões de cristãos na China, e 73% destes converteram-se após 1993, apenas sobre o tempo a economia entrou em ascensão.
Zhang diz que se converteu à Fé Baha'i em 2005, depois de uma crise familiar a levar a questionar o significado do sucesso para o qual ela tanto tinha trabalhado. Descobriu que a oração pode ser calmante. O Sr. Pan converteu-se na mesma época. Por vezes eles colocam as suas orações e suas interpretações dos ensinamentos bahá'ís no Sina Weibo, onde o Sr. Pan tem cerca de 3,5 milhões de seguidores.
Fareed Zakaria entrevista Zhang Xin
A Sra Zhang nunca deixa suas reflexões sobre a religião resvalar na área da política. Ela afirma ser apolítica, e não acredita que uma mudança de sistema político traga uma sociedade melhor. Ela afirma que a revolução no Egipto não mudou a sociedade, e lembra o abuso sexual da correspondente da CBS Lara Logan, imediatamente após a renúncia de Hosni Mubarak à presidência. "Não faz nenhuma diferença se é uma democracia ou uma ditadura", afirma. "A mudança real vem quando se muda o coração das pessoas. Quando todo mundo tem um coração melhor, toda a sociedade vai mudar."
Então as crenças religiosas do casal de negócios mais famoso da China têm tanta influência sobre os jovens quanto o seu anterior estilo de vida deslumbrante?
"Espero que sim", diz ela. "Nos nossos primeiros dias, tentámos ser empresários criativos. E por isso aparecíamos nas melhores festas. Agora há outros empresários criativos como nós. E chegámos a um ponto nas nossas vidas em que acreditamos que a sociedade chinesa precisa de orientação espiritual, e nós somos privilegiados de receber uma coisa tão bonita. Precisamos de a partilhar com todos."
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FONTE: How Religion Changes a Chinese Billionaire Developer (WSJ)
domingo, 6 de março de 2011
O Sentido da Vida
Entrevista com Sam Cyrous.
Programa "A Fé dos Homens" emitido no dia 28-Fev-2011, na RTP2.
Programa "A Fé dos Homens" emitido no dia 28-Fev-2011, na RTP2.
terça-feira, 1 de março de 2011
O Império Otomano
Foi com muito agrado que li (a expressão exacta seria “devorei”) o livro de Donald Quataert, O Império Otomano: Das Origens ao Século XX. Como a maioria dos portugueses, pouco ou nada sabia sobre o Império Otomano. Tanto quanto me lembro, os otomanos apenas surgiram como personagens secundárias na disciplina de História no ensino secundário; eram “piratas” vindos do Mar Vermelho que o Afonso de Albuquerque derrotara.O Império Otomano surgiu no Séc. XIII e existiu até ao final da Primeira Guerra Mundial. Foi um dos mais importantes estados não europeus, tendo desempenhado um papel importantíssimo na história dos povos mediterrânicos. Os seus domínios estendiam-se dos Balcãs à fronteira persa, da Crimeia ao norte de África. Neste livro, Quataert analisa o império nas suas vertentes sociológica, administrativa, económica e política - relações internacionais, comerciais, estruturas de governo, economia, sociedade -, em especial desde 1700 até à sua queda, em 1923. O texto é acompanhado de alguns mapas, ilustrações e quadros genealógicos e cronológicos, muito úteis para estudantes e não-especialistas.
Para um Bahá’í, o livro de Quataert tem uma vantagem evidente: ajuda-nos a perceber o ambiente político, social e económico em que viveram Bahá’u’lláh e o pequeno grupo de exilados que O acompanhavam. Lembro que o fundador da Fé Bahá’í passou a maior parte da Sua vida Exilado no Império Otomano; nas Escrituras Bahá’ís encontram-se várias referências ao mundo otomano: os seus governantes, as suas cidades, as suas instituições e os seus hábitos culturais e sociais.
Depois de compreender um pouco daquele mundo otomano em que viveu Bahá’u’lláh, surgem algumas questões: O que pensaria Bahá'u'llah do Tanzimat? De que forma o relacionamento dos Otomanos com potências estrangeiras, influenciou a situação de minorias étnicas e religiosas no Império? Como foram recebidas as convulsões internas no Império (a revolta Urabi no Egipto, por exemplo) pelo grupo de exilados? Que contactos terão existido entre os Baha’is e políticos e intelectuais reformistas otomanos?
Esperemos que futuros historiadores sejam capazes de dar resposta a estas e outras questões semelhantes.
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Sobre o Império Otomano, talvez interesse ler este texto:
O Mundo Otomano, no olhar de Eça de Queirós
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