Por Gleibys L. Buchanan, publicado no Washington Post.
Bahá'u'lláh, o fundador da Fé Bahá'í, afirmou que, "Mulheres e homens foram e sempre serão iguais aos olhos de Deus", e os Baha'is acreditam que essa igualdade se deve manifestar como uma realidade social Na verdade, trata-se de um factor essencial na criação de um mundo pacífico. Assim, a Fé Bahá'í defende categoricamente o princípio da igualdade entre homens e mulheres e a igualdade de participação das mulheres em todas as áreas da acção humana.
Porque a religião desempenha um papel relevante na formação dos valores sociais, ela encontra-se numa posição única para falar activamente contra a opressão e a discriminação das mulheres. É necessário reconhecer que a perversão da religião tem sido, ao longo dos tempos, uma das principais causas da desintegração social, intolerância, ódio, sexismo, opressão, pobreza e guerra. A religião deve ser livre de preconceito e discriminação, se pretende ser um agente da justiça e uma força positiva para o desenvolvimento social.
Ao trabalhar para erradicar a discriminação de género, os Bahá'ís adoptam uma perspectiva evolutiva do papel da religião na emancipação das mulheres. É claro que nos primeiros anos da sua história, as tradições religiosas do mundo incentivaram o progresso e a participação das mulheres na sociedade. No entanto, em períodos baixos do seu desenvolvimento, as forças do extremismo têm trabalhado para oprimir as mulheres.
Os Baha'is aplicam o princípio da igualdade ao envolverem-se nos esforços para fomentar o progresso das mulheres nas suas comunidades. Nos seus esforços, eles abraçam a imagem das Escrituras Bahá'ís em que a humanidade é vista como um pássaro em uma asa é mulher e outra o homem. A menos que ambas as asas sejam fortes e bem desenvolvidas - prossegue a metáfora - o pássaro não será capaz de voar.
"O desenvolvimento da mulher", escreveu Janet A. Khan em Religion as an Agent for Promoting the Advancement of Women at All Levels, "é considerado vital para o pleno desenvolvimento dos homens e é visto como um pré-requisito para a paz. Desta forma, os membros da comunidade Bahá’í, tanto homens como mulheres, e os seus conselhos administrativos eleitos democraticamente partilham um forte compromisso com a prática do princípio da igualdade na sua vida pessoal, nas suas famílias, e em todos os aspectos da vida social e vida cívica".
A Fé Bahá'í não tem clero. Os assuntos da comunidade são organizados com a plena participação dos seus membros e administrados por organismos de nove membros eleitos democraticamente, a nível local, nacional, regional e global. Mulheres e homens servem juntos em cada nível da administração, excepto na Casa Universal de Justiça, órgão que supervisiona as actividades Bahá’ís a nível global. O serviço nesta instituição é restrito aos homens pelas Escrituras Baha'is. Embora o motivo para essa limitação não seja apresentado, as Escrituras Bahá'ís especificam que se tornará bem claro no futuro, numa fase mais avançada da compreensão social, e que não contradizem a realidade da igualdade de género. Isso é confirmado pelo grande número de mulheres que foram nomeadas para servir como Mãos da Causa de Deus, a condição espiritual mais elevada atingível por indivíduos Bahá’ís. Além disso, a filha de Bahá'u'lláh, Bahíyyih Khanum, dirigido aos assuntos da comunidade Bahá'í mundial entre 1921 e 1924 - a primeira vez na história que uma mulher actuou como dirigente de uma religião mundial.
Os Bahá’ís, ao defender a igualdade de género, olham para o exemplo inspirador de Tahirih, uma das primeiras seguidoras da sua fé. Ela era uma poetisa altamente educada, que rompeu os laços que escravizavam as mulheres no século XIX, na Pérsia. Tahirih foi presa devido às suas crenças religiosas e, posteriormente, estrangulada pelos seus captores. Antes da sua morte, disse aos carrascos: "Vocês podem matar-me quando quiserem, mas não podem parar a emancipação das mulheres".
terça-feira, 19 de abril de 2011
Páscoa Feliz
Uma conversa entre um Cristão e uma Bahá'í sobre o significado da Ressurreição e da Páscoa.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
Santuário do Báb novamente resplandecente
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| O Santuário do Báb com a sua cúpula restaurada |
Após mais de dois anos de obras de restauro, a cúpula dourada do Santuário Bahá'í de Haifa foi revelada para encanto de visitantes, peregrinos e moradores da cidade. Ao início da manhã de hoje, foram retiradas as últimas coberturas que ainda restavam sobre a cúpula do Santuário, revelando as quase 12.000 novas telhas douradas, que coroam o edifício impecavelmente restaurado no Monte Carmelo.
O Santuário do Báb e os seus jardins são famosos no mundo inteiro pela sua beleza e tranquilidade. Em 2008, foi designado - juntamente com o Santuário de Bahá'u'lláh perto de Acre - como local de "valor universal excepcional" na lista de Património Mundial da UNESCO. Só no ano passado recebeu a visita de aproximadamente 760.000 turistas e 7.500 peregrinos Bahá’ís.
"Hoje, a «Rainha do Carmelo», oculta do olhar do público durante a maior parte do projeto, revelou-se e resplandece novamente...", anunciou a Casa Universal de Justiça, depois de visitar o Santuário e oferecer orações em agradecimento.
O Presidente do Município de Haifa, Yona Yahav, juntamente com várias autoridades civis e convidados, estiveram presentes numa recepção comemorativa, realizada na histórica colónia alemã dos Templários, com a sua vista espectacular para o Santuário e seus jardins.
"Sou o primeiro Presidente do Município de Haifa, que realmente nasceu aqui", disse Yahav. "Em 1954, fui testemunha da construção da superestrutura do Santuário. Ver estas renovações é muito comovente. São extremamente importantes." E acrescentou: "O Santuário afeta todo o ambiente de Haifa. É o núcleo e o símbolo desta cidade tolerante e multi-cultural". "Isto é realmente algo único nesta cidade, em Israel e no mundo", concluiu Yahav.
DOIS ANOS ANTES DO PREVISTO
Numa mensagem enviada para os Bahá'ís de todo o mundo, a Casa Universal de Justiça, recordou que a restauração "deste majestoso edifício foi precedida por três anos de preparativos, o que implicou vastos estudos para avaliar a sua condição, para analisar o impacto ambiental, e para identificar as técnicas e materiais para a renovação que o manteriam fiel ao desenho original, bem como resistir aos rigores do tempo."
Mais de 50 anos de exposição ao clima de Haifa e às condições ambientais tinham causado o seu impacto na pedra e na cúpula da superestrutura, quando o trabalho começou em 2008.
Saeid Samadi, arquiteto e gestor do projeto, afirmou que os peritos estimavam que esta restauração levaria normalmente cinco a seis anos. "Originalmente estimámos Abril de 2013 para a sua conclusão. Graças à dedicação total e união de todos os envolvidos, este projeto foi concluído em menos de três anos."
"A equipa apreciou verdadeiramente a importância do lugar e nunca esqueceu onde estavam a trabalhar", declarou Samadi. "Estávamos inspirados pelo princípio bahá'í de que tudo deve ser criado para o mais elevado estado de perfeição".
O projeto exigiu a restauração e conservação do interior e exterior da estrutura original (datada de 1909), bem como medidas para reforçar o Santuário contra as forças sísmicas. Um reajustamento totalmente novo - combinando a tecnologia do betão, aço e fibra de carbono para o revestimento - era necessário para todo o edifício.
"Foram gastas cerca de 80.000 horas-homem para melhorar significativamente a resistência do Santuário contra terramotos", diz Samadi. "Mas tudo está oculto da vista e não afeta a beleza e a grandiosidade da arquitetura original."
RESTAURAÇÃO DA PEDRA E DA CÚPULA
Os trabalhos de restauro do Santuário foram significativamente ajudados por um projeto anterior realizado no edifício próximo dos Arquivos Internacionais Bahá’ís, diz o Sr. Samadi. "Estudámos o Santuário e investigámos materiais e técnicas, enquanto ainda trabalhávamos nos Arquivos. Essa experiência gerou um grande impulso. Conhecíamos os especialistas; aperfeiçoámos as técnicas e os conhecimentos. Com o Santuário, não concluíamos um trabalho antes de iniciar outro. Estávamos a trabalhar na estrutura, fazíamos o restauro da pedra, fazíamos muitas coisas ao mesmo tempo."
Foram gastas mais de 50.000 horas-homem em trabalho de alvenaria pela equipa do gabinete de restauração e por voluntários - incluindo muitos jovens – vindos da Austrália, Canadá, China, Equador, Alemanha, Índia, Quénia, Mongólia, Holanda, Nova Zelândia, África do Sul, Reino Unido, Estados Unidos da América e Vanuatu, todos formados por especialistas em conservação. Cada centímetro quadrado do exterior do edifício foi examinado e restaurado.
"Para a superestrutura original foi escolhido mármore de Carrara, mas não foi fácil arranjá-lo após a Segunda Guerra Mundial", diz Samadi. "A única pedra que estava disponível era mármore Chiampo. Quando estávamos a investigar para ver como ele tinha sido restaurado na Europa, descobrimos que - devido à sua natureza - não tinha sido utilizado em nenhum outro lugar para revestimento exterior, apenas para o chão. Portanto não havia qualquer conhecimento prévio sobre como fazer isso."
Também tiveram que ser desenvolvidas novas técnicas para substituir as telhas de ouro do Santuário. Durante dois anos, foram feitos esforços para ver se as telhas antigas e desgastadas poderiam ser restauradas. "Verificámos a condição de cada telha individualmente mas, como resultado da sua exposição aos elementos, muitas estavam partidas e não podiam ser recuperadas; as outras não podiam recuperar a sua beleza original", afirma Samadi.
UMA EMPRESA PORTUGUESA
Após vários anos de investigação, foi contratada uma empresa portuguesa - a Porcel - para produzir as novas telhas que têm mais de 120 formas e tamanhos diferentes. Foi utilizada tecnologia de ponta para fabricar cada telha de porcelana pura, coberta com camadas de vidro e ouro, e concluídas com um revestimento de longa duração.
“A empresa nunca tinha feito nada assim", diz Samadi. "Eles são conhecidos pelas suas peças de porcelana com qualidade de museu. Mas o resultado é perfeito. As telhas não são apenas bonitas; são também cinco a seis vezes mais resistentes à erosão do que os originais."
Um pedreiro-especialista e assentador de telhas da Nova Zelândia - Bruce Hancock - supervisionou o trabalho realizado pela equipa do gabinete de restauração. "Nós tivemos que aprender à medida que avançávamos", disse Hancock. "Normalmente, colocamos telhas que são quadradas. Estas telhas são de todas as formas e tamanhos. Cada linha é curva. Inicialmente, eu estava preocupado sobre como iríamos fazer a curva, mas estas peças foram concebidas e definidas de tal maneira que fazem isso por si próprias. Pareciam ter uma vida própria. Foi incrível!"
A cúpula do Santuário do Bab "brilha agora na plenitude de seu esplendor", observou a Casa Universal de Justiça na sua mensagem.
Dez meses de prisão por ter uma página no Facebook
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| Sara Mahboubi |
No dia 22 de Março, vários agentes do Ministério da Segurança invadiram a casa do seu pai, confiscando livros, apontamentos CDs e um computador; no final da rusga prenderam Sara. No passado dia 7 de Abril, o seu advogado foi informado que ela tinha sido condenada a 10 meses de prisão. Uma das razões apresentadas pelo tribunal que a condenou foi o facto de ser pertencer a um “website anti-revolucionário chamado Facebook”!
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SOBRE ESTE ASSUNTO:
domingo, 10 de abril de 2011
Carta aberta ao Povo do Egipto
Na sequência das mudanças políticas no Egipto, a Comunidade Bahá'í daquele país publicou uma carta aberta a todos os egípcios, onde expõe diversas ideias que devem ser analisadas e debatidas, para construir um futuro mais justo e promissor para todos os egípcios. Esta é a forma que os Bahá'ís do Egipto - anteriormente privados de direitos civis - encontraram para contribuir de forma positiva para construção de um Egipto para todos os seus cidadãos.
O texto que se segue apresenta tradução dos primeiros parágrafos dessa carta. O original em árabe pode ser lido aqui, e a tradução em inglês pode ser lida aqui. Os sombreados amarelos são da minha responsabilidade.
Aos nossos concidadãos:
Os acontecimentos dos últimos meses proporcionaram-nos - Bahá'ís do Egipto - uma oportunidade que nunca experimentámos antes: comunicar directamente convosco, nossos irmãos e irmãs. Embora pequenos em número, temos o privilégio de pertencer a esta terra onde, desde há mais de cem anos, nos temos esforçado para viver de acordo com os princípios consagrados na nossa fé e empenhado para servir o nosso país como cidadãos honestos. Esta oportunidade é aquela pela qual tanto esperávamos, especialmente porque desejámos expressar o nosso agradecimento às inúmeras almas justas e compassivas que apoiaram os nossos esforços nos últimos anos para obter igualdade perante a lei. Mas regozijamo-nos principalmente pelo facto de, numa tão crítica conjuntura na história da nossa nação, sermos capazes da dar um humilde contributo para a conversação que agora começou sobre o seu futuro e partilhar algumas perspectivas, elaboradas a partir da nossa própria experiência e de Bahá'ís em todo o mundo, como pré-requisitos para percorrer o caminho em direcção a uma prosperidade material e espiritual duradouras.
Independentemente do que motivou a rápida mudança que ocorreu, o resultado demonstra o desejo colectivo de todos nós, o povo do Egipto, para exercer maior controle sobre o nosso destino. A liberdade para o fazer é estranha para nós, porque não gozámos anteriormente este grau de liberdade. E a nossa história colectiva, como os egípcios, árabes e africanos, ensinou-nos que não faltam forças no mundo que nos impedirão de determinar nosso próprio futuro ou, alternativamente, que nos convidam a abdicar voluntariamente dessa responsabilidade. O colonialismo, a ortodoxia religiosa, o Estado autoritário, e a tirania absoluta desempenharam o seu papel no passado. Hoje, a "delicada" força do consumismo e da erosão da moralidade que esta promove, são igualmente capazes de nos deter, sob o pretexto de nos tornar mais livres.
O facto de, como povo, termos escolhido participar activamente na definição do rumo da nossa nação é um sinal público de que nossa sociedade atingiu uma nova etapa no seu desenvolvimento. Uma semente plantada cresce de forma orgânica e gradual, e evolui através de estágios de força crescente até atingir um estado que é reconhecidamente "madura"; as sociedades humanas também partilham esta característica. Em um certo momento, a insatisfação cresce numa população que esteve impedida de participar plenamente nos processos de condução do rumo de um país, e o desejo atribuição de maior responsabilidade aos cidadãos torna-se irresistível. Neste contexto, os acontecimentos que tiveram lugar no Egipto podem ser vistos como uma resposta às forças que são, na verdade, a evolução de toda a raça humana para uma maior maturidade e interdependência. Uma indicação de que a humanidade está a avançar nessa direcção é que os aspectos de conduta que não pareciam inadequados numa idade mais precoce - comportamentos que resultaram em conflito, corrupção e desigualdade - são cada vez mais vistos como incompatíveis com os valores que sustentam uma sociedade justa. Ao longo do tempo, as pessoas em todos os lugares estão a tornar-se mais ousados na rejeição de atitudes e sistemas que impediam o seu progresso rumo à maturidade.
O movimento para uma maior maturidade é, portanto, um fenómeno global. Ainda assim, isso não significa que todas as nações e povos avancem ao longo do percurso a uma velocidade uniforme. Em alguns pontos, as circunstâncias podem convergir num momento historicamente significativo no qual uma determinada sociedade pode redireccionar os fundamentos do seu rumo. Nesses momentos, uma expressão da vontade colectiva pode ter um efeito decisivo e permanente sobre o futuro do país. O Egipto chegou precisamente a esse momento. Não vai durar para sempre.
Neste momento, então, enfrentamos a questão de peso sobre o que procuramos alcançar com a oportunidade que temos. Quais são as opções à nossa frente? Muitos modelos de vida colectiva são apresentados e defendidos por várias partes interessadas. Será que vamos avançar para uma sociedade individualista, fragmentada, onde todos se sentem livres para procurar os seus próprios interesses, mesmo às custas do bem comum? Será que vamos ser tentados pelas atracções do materialismo e do seu agente visível, o consumismo? Será que vamos optar por um sistema que se alimenta do fanatismo religioso? Será que estamos dispostos a permitir que surja uma elite que seja alheia às nossas aspirações colectivas, e possa até tentar manipular o nosso desejo de mudança? Ou será que o processo de mudança poderá perder o impulso, dissolvendo-se em disputas entre facções, e desintegrar-se sob o peso da inércia institucional? Pode-se justamente argumentar que, olhando toda a região árabe - e, certamente, além desta – o mundo deseja um modelo inquestionável da sociedade de sucesso digno de ser imitado. Assim, se nenhum modelo existente se revelar satisfatório, poderíamos considerar a traçar um rumo diferente e, talvez, demonstrar à comunidade das nações que é possível uma nova abordagem verdadeiramente progressista para a organização da sociedade. O estatuto do Egipto na ordem internacional - a sua tradição intelectual, a sua história, a sua localização - significa que uma escolha esclarecida da sua parte poderia influenciar o curso do desenvolvimento humano em toda a região, e influenciar até mesmo o mundo.
Demasiadas vezes, a mudança provocada pelo protesto popular, resulta, posteriormente, em decepção. Isto não é porque o movimento que funcionou como catalisador para a mudança careça de unidade - de facto, a sua capacidade para promover a unidade entre diferentes povos e interesses é a característica essencial que garantiu o seu sucesso - mas sim porque rapidamente se percebe que é muito mais fácil encontrar uma causa comum contra o status quo do que chegar a acordo sobre o que deve substituí-lo. Por isso, é vital que nos empenhemos em alcançar um amplo consenso sobre os princípios operacionais que devem moldar um novo modelo para a nossa sociedade. Depois de alcançado o acordo, as políticas que se seguirão serão muito mais susceptíveis de atrair o apoio das populações a que serão afectadas.
A tentação natural, ao considerar a forma como a nossa nação deve progredir, é procurar imediatamente conceber soluções concretas para as queixas comuns e problemas sociais reconhecidos. Mas, mesmo que surgissem ideias dignas, estas não constituiriam em si uma visão abrangente de como queremos o nosso país se desenvolva. O mérito de princípio essencial é que, se ganhar apoio, induz a uma atitude, uma dinâmica, uma vontade, uma aspiração que facilitam a descoberta e a implementação de medidas práticas. No entanto, uma discussão de princípios deve estar preparada para ir além do nível de abstracção. Ao nível conceitual, pode ser relativamente fácil chegar a um acordo sobre um conjunto de princípios orientadores, mas sem um exame das suas ramificações estes podem tornar-se pouco mais do que slogans vazios. Uma tentativa para chegar a um consenso deverá permitir a exploração e investigação das mais profundas e específicas implicações que a adopção de um princípio particular teria para a nossa nação. É com esse espírito, então, que os seguintes princípios são definidos.
Uma sociedade madura demonstra uma característica acima de todas as outras: o reconhecimento da unicidade da humanidade. Que sorte, então, que a memória mais persistente dos últimos meses não seja das divisões religiosas ou de conflito étnico, mas de diferenças sendo postas de lado em prol de uma causa comum. A nossa capacidade instintiva, enquanto povo, para reconhecer a verdade que todos nós pertencemos a uma família humana serviu-nos bem. No entanto, desenvolver instituições, organismos e estruturas sociais que promovam a unidade da humanidade é um desafio muito maior. Longe de ser uma expressão de esperança vaga e piedosa, este princípio estabelece a natureza dessas relações essenciais que devem vincular todos os Estados e nações, como membros de uma única família humana. Na sua génese está o reconhecimento de que todos nós fomos criados a partir da mesma substância por um Criador, e, consequentemente, é insustentável que uma pessoa, tribo ou nação reivindique superioridade sobre outra. A sua aceitação requer uma mudança orgânica na estrutura da sociedade actual, uma mudança com consequências de longo alcance em todos os aspectos da nossa vida colectiva. E para além das suas implicações sociais, exige uma profunda revisão de cada uma das nossas próprias atitudes, valores e relações com os outros, e, finalmente, para uma transformação no coração humano. Nenhum de nós está isento das suas profundas exigências.
As ramificações desta verdade fundamental - a unidade da humanidade - são tão profundas que muitos outros princípios vitais, essenciais para o desenvolvimento futuro do Egipto, podem derivar dela. Um primeiro exemplo é a igualdade entre homens e mulheres. Haverá algo que retarde mais o progresso do nosso país de forma mais eficiente do que a contínua exclusão das mulheres de uma participação plena nos assuntos da nação? Combater este desequilíbrio, por si só, traria uma melhoria em todos os aspectos da vida egípcia: religiosa, cultural, social, económico e político. Tal como o pássaro que não pode voar se uma asa for mais fraca que outra, também a capacidade da humanidade para subir aos cumes da verdadeira realização são severamente limitados, enquanto às mulheres forem negadas as oportunidades oferecidas aos homens. Assim que as mesmas prerrogativas forem concedidas a ambos os sexos, ambos irão florescer, para o benefício de todos. Mas para além da questão dos direitos civis, o princípio da igualdade de género traz consigo uma atitude que deve ser alargada ao lar, ao local de trabalho, a cada espaço social, à esfera política, em última instância, até mesmo às relações internacionais.
Em parte alguma poderá a igualdade entre os sexos ser mais proveitosamente estabelecida que no ensino, que existe para permitir que homens e mulheres de todas as origens desenvolvam o seu potencial inato para contribuir para o progresso da sociedade. Se pretende ter sucesso, [o ensino] deve oferecer uma preparação adequada para a participação na vida económica da nação, mas também, deve possuir uma dimensão moral robusta. As escolas devem transmitir aos seus alunos as responsabilidades inerentes a ser um cidadão do Egipto e inculcar-lhes aqueles valores que conduzem ao melhoramento da sociedade e a cuidar dos outros seres humanos. À educação não pode ser permitido tornar-se um meio pelo qual a desunião e o ódio aos outros sejam incutidos nas mentes inocentes. Com a abordagem correcta, ela também pode se tornar um instrumento eficaz para proteger as futuras gerações contra a praga insidiosa da corrupção, que tão ostensivamente aflige o Egipto de hoje. Além disso, o acesso à educação básica deve ser universal, independentemente de qualquer distinção baseada em sexo, etnia ou meios. As estratégias para o controlo dos recursos da nossa nação - o nosso património, a nossa agricultura, a nossa indústria - mostrar-se-ão infrutíferos se negligenciarmos o recurso mais importante de todos: as nossas capacidades intelectuais e espirituais concedidas por Deus. Dar prioridade ao aperfeiçoamento dos meios com os quais nos educamos proporcionar-nos-á uma colheita abundante nos anos vindouros.
Relacionado com o tema da educação encontra-se a interacção entre ciência e religião, as fontes gémeas do conhecimento que a humanidade pode usar quando procura alcançar o progresso. É uma bênção que a sociedade egípcia, como um todo, não assuma que os dois devem estar em conflito, uma percepção infelizmente comum noutros lugares. De facto, possuímos uma orgulhosa história de fomentar um espírito de investigação racional e científica, com resultados admiráveis nas áreas da agricultura e medicina - para citar apenas dois - mantendo uma forte tradição religiosa e o respeito pelos valores promulgados pelas grandes religiões do mundo. Não há nada em tais valores que nos deva inclinar para o pensamento irracional ou fanatismo. Todos nós, especialmente a geração mais jovem, podemos estar conscientes que é possível que aos indivíduos estar imbuídos de espiritualidade sincera enquanto trabalham activamente para o progresso material da nação.
(…)
Ler texto completo (em inglês)
O texto que se segue apresenta tradução dos primeiros parágrafos dessa carta. O original em árabe pode ser lido aqui, e a tradução em inglês pode ser lida aqui. Os sombreados amarelos são da minha responsabilidade.
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Aos nossos concidadãos:
Os acontecimentos dos últimos meses proporcionaram-nos - Bahá'ís do Egipto - uma oportunidade que nunca experimentámos antes: comunicar directamente convosco, nossos irmãos e irmãs. Embora pequenos em número, temos o privilégio de pertencer a esta terra onde, desde há mais de cem anos, nos temos esforçado para viver de acordo com os princípios consagrados na nossa fé e empenhado para servir o nosso país como cidadãos honestos. Esta oportunidade é aquela pela qual tanto esperávamos, especialmente porque desejámos expressar o nosso agradecimento às inúmeras almas justas e compassivas que apoiaram os nossos esforços nos últimos anos para obter igualdade perante a lei. Mas regozijamo-nos principalmente pelo facto de, numa tão crítica conjuntura na história da nossa nação, sermos capazes da dar um humilde contributo para a conversação que agora começou sobre o seu futuro e partilhar algumas perspectivas, elaboradas a partir da nossa própria experiência e de Bahá'ís em todo o mundo, como pré-requisitos para percorrer o caminho em direcção a uma prosperidade material e espiritual duradouras.Independentemente do que motivou a rápida mudança que ocorreu, o resultado demonstra o desejo colectivo de todos nós, o povo do Egipto, para exercer maior controle sobre o nosso destino. A liberdade para o fazer é estranha para nós, porque não gozámos anteriormente este grau de liberdade. E a nossa história colectiva, como os egípcios, árabes e africanos, ensinou-nos que não faltam forças no mundo que nos impedirão de determinar nosso próprio futuro ou, alternativamente, que nos convidam a abdicar voluntariamente dessa responsabilidade. O colonialismo, a ortodoxia religiosa, o Estado autoritário, e a tirania absoluta desempenharam o seu papel no passado. Hoje, a "delicada" força do consumismo e da erosão da moralidade que esta promove, são igualmente capazes de nos deter, sob o pretexto de nos tornar mais livres.
O facto de, como povo, termos escolhido participar activamente na definição do rumo da nossa nação é um sinal público de que nossa sociedade atingiu uma nova etapa no seu desenvolvimento. Uma semente plantada cresce de forma orgânica e gradual, e evolui através de estágios de força crescente até atingir um estado que é reconhecidamente "madura"; as sociedades humanas também partilham esta característica. Em um certo momento, a insatisfação cresce numa população que esteve impedida de participar plenamente nos processos de condução do rumo de um país, e o desejo atribuição de maior responsabilidade aos cidadãos torna-se irresistível. Neste contexto, os acontecimentos que tiveram lugar no Egipto podem ser vistos como uma resposta às forças que são, na verdade, a evolução de toda a raça humana para uma maior maturidade e interdependência. Uma indicação de que a humanidade está a avançar nessa direcção é que os aspectos de conduta que não pareciam inadequados numa idade mais precoce - comportamentos que resultaram em conflito, corrupção e desigualdade - são cada vez mais vistos como incompatíveis com os valores que sustentam uma sociedade justa. Ao longo do tempo, as pessoas em todos os lugares estão a tornar-se mais ousados na rejeição de atitudes e sistemas que impediam o seu progresso rumo à maturidade.
O movimento para uma maior maturidade é, portanto, um fenómeno global. Ainda assim, isso não significa que todas as nações e povos avancem ao longo do percurso a uma velocidade uniforme. Em alguns pontos, as circunstâncias podem convergir num momento historicamente significativo no qual uma determinada sociedade pode redireccionar os fundamentos do seu rumo. Nesses momentos, uma expressão da vontade colectiva pode ter um efeito decisivo e permanente sobre o futuro do país. O Egipto chegou precisamente a esse momento. Não vai durar para sempre.
Neste momento, então, enfrentamos a questão de peso sobre o que procuramos alcançar com a oportunidade que temos. Quais são as opções à nossa frente? Muitos modelos de vida colectiva são apresentados e defendidos por várias partes interessadas. Será que vamos avançar para uma sociedade individualista, fragmentada, onde todos se sentem livres para procurar os seus próprios interesses, mesmo às custas do bem comum? Será que vamos ser tentados pelas atracções do materialismo e do seu agente visível, o consumismo? Será que vamos optar por um sistema que se alimenta do fanatismo religioso? Será que estamos dispostos a permitir que surja uma elite que seja alheia às nossas aspirações colectivas, e possa até tentar manipular o nosso desejo de mudança? Ou será que o processo de mudança poderá perder o impulso, dissolvendo-se em disputas entre facções, e desintegrar-se sob o peso da inércia institucional? Pode-se justamente argumentar que, olhando toda a região árabe - e, certamente, além desta – o mundo deseja um modelo inquestionável da sociedade de sucesso digno de ser imitado. Assim, se nenhum modelo existente se revelar satisfatório, poderíamos considerar a traçar um rumo diferente e, talvez, demonstrar à comunidade das nações que é possível uma nova abordagem verdadeiramente progressista para a organização da sociedade. O estatuto do Egipto na ordem internacional - a sua tradição intelectual, a sua história, a sua localização - significa que uma escolha esclarecida da sua parte poderia influenciar o curso do desenvolvimento humano em toda a região, e influenciar até mesmo o mundo.
Demasiadas vezes, a mudança provocada pelo protesto popular, resulta, posteriormente, em decepção. Isto não é porque o movimento que funcionou como catalisador para a mudança careça de unidade - de facto, a sua capacidade para promover a unidade entre diferentes povos e interesses é a característica essencial que garantiu o seu sucesso - mas sim porque rapidamente se percebe que é muito mais fácil encontrar uma causa comum contra o status quo do que chegar a acordo sobre o que deve substituí-lo. Por isso, é vital que nos empenhemos em alcançar um amplo consenso sobre os princípios operacionais que devem moldar um novo modelo para a nossa sociedade. Depois de alcançado o acordo, as políticas que se seguirão serão muito mais susceptíveis de atrair o apoio das populações a que serão afectadas.
A tentação natural, ao considerar a forma como a nossa nação deve progredir, é procurar imediatamente conceber soluções concretas para as queixas comuns e problemas sociais reconhecidos. Mas, mesmo que surgissem ideias dignas, estas não constituiriam em si uma visão abrangente de como queremos o nosso país se desenvolva. O mérito de princípio essencial é que, se ganhar apoio, induz a uma atitude, uma dinâmica, uma vontade, uma aspiração que facilitam a descoberta e a implementação de medidas práticas. No entanto, uma discussão de princípios deve estar preparada para ir além do nível de abstracção. Ao nível conceitual, pode ser relativamente fácil chegar a um acordo sobre um conjunto de princípios orientadores, mas sem um exame das suas ramificações estes podem tornar-se pouco mais do que slogans vazios. Uma tentativa para chegar a um consenso deverá permitir a exploração e investigação das mais profundas e específicas implicações que a adopção de um princípio particular teria para a nossa nação. É com esse espírito, então, que os seguintes princípios são definidos.
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Uma sociedade madura demonstra uma característica acima de todas as outras: o reconhecimento da unicidade da humanidade. Que sorte, então, que a memória mais persistente dos últimos meses não seja das divisões religiosas ou de conflito étnico, mas de diferenças sendo postas de lado em prol de uma causa comum. A nossa capacidade instintiva, enquanto povo, para reconhecer a verdade que todos nós pertencemos a uma família humana serviu-nos bem. No entanto, desenvolver instituições, organismos e estruturas sociais que promovam a unidade da humanidade é um desafio muito maior. Longe de ser uma expressão de esperança vaga e piedosa, este princípio estabelece a natureza dessas relações essenciais que devem vincular todos os Estados e nações, como membros de uma única família humana. Na sua génese está o reconhecimento de que todos nós fomos criados a partir da mesma substância por um Criador, e, consequentemente, é insustentável que uma pessoa, tribo ou nação reivindique superioridade sobre outra. A sua aceitação requer uma mudança orgânica na estrutura da sociedade actual, uma mudança com consequências de longo alcance em todos os aspectos da nossa vida colectiva. E para além das suas implicações sociais, exige uma profunda revisão de cada uma das nossas próprias atitudes, valores e relações com os outros, e, finalmente, para uma transformação no coração humano. Nenhum de nós está isento das suas profundas exigências.
As ramificações desta verdade fundamental - a unidade da humanidade - são tão profundas que muitos outros princípios vitais, essenciais para o desenvolvimento futuro do Egipto, podem derivar dela. Um primeiro exemplo é a igualdade entre homens e mulheres. Haverá algo que retarde mais o progresso do nosso país de forma mais eficiente do que a contínua exclusão das mulheres de uma participação plena nos assuntos da nação? Combater este desequilíbrio, por si só, traria uma melhoria em todos os aspectos da vida egípcia: religiosa, cultural, social, económico e político. Tal como o pássaro que não pode voar se uma asa for mais fraca que outra, também a capacidade da humanidade para subir aos cumes da verdadeira realização são severamente limitados, enquanto às mulheres forem negadas as oportunidades oferecidas aos homens. Assim que as mesmas prerrogativas forem concedidas a ambos os sexos, ambos irão florescer, para o benefício de todos. Mas para além da questão dos direitos civis, o princípio da igualdade de género traz consigo uma atitude que deve ser alargada ao lar, ao local de trabalho, a cada espaço social, à esfera política, em última instância, até mesmo às relações internacionais.
Em parte alguma poderá a igualdade entre os sexos ser mais proveitosamente estabelecida que no ensino, que existe para permitir que homens e mulheres de todas as origens desenvolvam o seu potencial inato para contribuir para o progresso da sociedade. Se pretende ter sucesso, [o ensino] deve oferecer uma preparação adequada para a participação na vida económica da nação, mas também, deve possuir uma dimensão moral robusta. As escolas devem transmitir aos seus alunos as responsabilidades inerentes a ser um cidadão do Egipto e inculcar-lhes aqueles valores que conduzem ao melhoramento da sociedade e a cuidar dos outros seres humanos. À educação não pode ser permitido tornar-se um meio pelo qual a desunião e o ódio aos outros sejam incutidos nas mentes inocentes. Com a abordagem correcta, ela também pode se tornar um instrumento eficaz para proteger as futuras gerações contra a praga insidiosa da corrupção, que tão ostensivamente aflige o Egipto de hoje. Além disso, o acesso à educação básica deve ser universal, independentemente de qualquer distinção baseada em sexo, etnia ou meios. As estratégias para o controlo dos recursos da nossa nação - o nosso património, a nossa agricultura, a nossa indústria - mostrar-se-ão infrutíferos se negligenciarmos o recurso mais importante de todos: as nossas capacidades intelectuais e espirituais concedidas por Deus. Dar prioridade ao aperfeiçoamento dos meios com os quais nos educamos proporcionar-nos-á uma colheita abundante nos anos vindouros.
Relacionado com o tema da educação encontra-se a interacção entre ciência e religião, as fontes gémeas do conhecimento que a humanidade pode usar quando procura alcançar o progresso. É uma bênção que a sociedade egípcia, como um todo, não assuma que os dois devem estar em conflito, uma percepção infelizmente comum noutros lugares. De facto, possuímos uma orgulhosa história de fomentar um espírito de investigação racional e científica, com resultados admiráveis nas áreas da agricultura e medicina - para citar apenas dois - mantendo uma forte tradição religiosa e o respeito pelos valores promulgados pelas grandes religiões do mundo. Não há nada em tais valores que nos deva inclinar para o pensamento irracional ou fanatismo. Todos nós, especialmente a geração mais jovem, podemos estar conscientes que é possível que aos indivíduos estar imbuídos de espiritualidade sincera enquanto trabalham activamente para o progresso material da nação.
(…)
Ler texto completo (em inglês)
sábado, 9 de abril de 2011
Ensinamentos Bahá’ís para impedir a paralisia do Governo
A propósito do debate sobre o orçamento do governo Federal dos EUA (cuja não aprovação ameaçou paralisar as actividades do Governo), recomendamos a leitura deste artigo Baha'i Teachings to Prevent the Federal Government Shutdown, de Homa Sabet Tavangar, publicado no Huffington Post. Muitas das ideias e comentários expressos neste artigo são aplicáveis à situação política e económica em Portugal.
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Não há Bahá’ís no Congresso os EUA. Os ensinamentos da Fé são decididamente não-partidários, mas em todo o mundo os seus membros votam, organizam-se em torno de questões de princípio (como a liderança em liberdade religiosa, gestão ambiental e de direitos das mulheres), e podem trabalhar para o governo, mas não como filiados nos democratas, republicanos ou em qualquer outro partido. Assim como os membros do Congresso têm falado em nome dos Bahá’ís e outros injustamente perseguidos no Irão - como congressista Ros-Lehtinen (R-FL) e senador Durbin (D-IL) - ou apoiam a legislação sobre os direitos das mulheres , muitos membros do Congresso tem sido influenciados positivamente pelo envolvimento dos seus diversos eleitores Baha'is nas suas cidades em todo o país, e pelos princípios de unidade e de justiça que os seus amigos e eleitores defendem.
Gostaria de propor que os sensatos membros do Congresso, olhassem para os ensinamentos da Fé Bahá'í para superar o impasse. Quando quase um milhão de trabalhadores federais precisa de ligar os seus computadores e telemóveis e são ameaçados por uma lei federal se fizerem alguma actividade oficial enquanto o governo está inactivo, o impacto será sentido por muitos mais americanos: os cheques de reembolso do IRS não serão emitidos, a limpeza e vigilância de resíduos tóxicos será interrompida, a formação de polícias e guardas de fronteira, no Afeganistão, assim como muitas operações no estrangeiro vão parar, as hipotecas e os empréstimos federais ficaram paralisados e isso bloqueará a actividade económica, e muito mais.
A abordagem Bahá’í é profundamente espiritual, e no entanto está em harmonia com as mais recentes investigações na área da gestão: começar com uma visão e objectivo globais e claros; conseguir apreciar e ouvir verdadeiramente as diferenças de opinião; empreender uma discussão honesta e uma tomada de decisões que vise o bem maior e fomente a unidade. Tudo isto está enraizado no mais universal dos princípios: a Regra de Ouro. Neste caso, poderíamos dizer que é "legisla para os outros da mesma forma que gostarias que fosse legislado para ti."
Começando com a visão, Bahá'u'lláh advertiu-nos: "O bem-estar da humanidade, sua paz e segurança, são inatingíveis, a menos que sua unidade seja firmemente estabelecida". Unidade em torno da visão, de modo que os objectivos maiores - a nossa paz e segurança - pode ser conseguida. Mas é difícil termos unidade quando os dirigentes dizem coisas definitivas dizer uns aos outros. Um recente estudo de Harvard concluiu que 27% da comunicação dos membros do Congresso é feita por insultos.
Esta abordagem abre espaço para a discórdia. Para atingir a autêntica unidade, as opiniões divergentes são expressadas e, na verdade, encorajadas. As Escrituras Bahá'ís aconselham: "O brilho centelha da verdade surge somente após o choque de opiniões divergentes". Além disso, quando uma ideia é colocada perante o grupo, já não é "propriedade" da pessoa que a expressou, mas de todos os envolvidos na consulta. O elemento do ego - tão desafiador quanto parece - é minimizado com o objectivo de servir o bem maior. Essas ideias começam a formar um processo acarinhado pelos Baha'is e designado "consulta", que compreende muito mais do que uma discussão civilizada.
(...)
Ler artigo completo (em inglês)
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Não há Bahá’ís no Congresso os EUA. Os ensinamentos da Fé são decididamente não-partidários, mas em todo o mundo os seus membros votam, organizam-se em torno de questões de princípio (como a liderança em liberdade religiosa, gestão ambiental e de direitos das mulheres), e podem trabalhar para o governo, mas não como filiados nos democratas, republicanos ou em qualquer outro partido. Assim como os membros do Congresso têm falado em nome dos Bahá’ís e outros injustamente perseguidos no Irão - como congressista Ros-Lehtinen (R-FL) e senador Durbin (D-IL) - ou apoiam a legislação sobre os direitos das mulheres , muitos membros do Congresso tem sido influenciados positivamente pelo envolvimento dos seus diversos eleitores Baha'is nas suas cidades em todo o país, e pelos princípios de unidade e de justiça que os seus amigos e eleitores defendem.
Gostaria de propor que os sensatos membros do Congresso, olhassem para os ensinamentos da Fé Bahá'í para superar o impasse. Quando quase um milhão de trabalhadores federais precisa de ligar os seus computadores e telemóveis e são ameaçados por uma lei federal se fizerem alguma actividade oficial enquanto o governo está inactivo, o impacto será sentido por muitos mais americanos: os cheques de reembolso do IRS não serão emitidos, a limpeza e vigilância de resíduos tóxicos será interrompida, a formação de polícias e guardas de fronteira, no Afeganistão, assim como muitas operações no estrangeiro vão parar, as hipotecas e os empréstimos federais ficaram paralisados e isso bloqueará a actividade económica, e muito mais.
A abordagem Bahá’í é profundamente espiritual, e no entanto está em harmonia com as mais recentes investigações na área da gestão: começar com uma visão e objectivo globais e claros; conseguir apreciar e ouvir verdadeiramente as diferenças de opinião; empreender uma discussão honesta e uma tomada de decisões que vise o bem maior e fomente a unidade. Tudo isto está enraizado no mais universal dos princípios: a Regra de Ouro. Neste caso, poderíamos dizer que é "legisla para os outros da mesma forma que gostarias que fosse legislado para ti."
Começando com a visão, Bahá'u'lláh advertiu-nos: "O bem-estar da humanidade, sua paz e segurança, são inatingíveis, a menos que sua unidade seja firmemente estabelecida". Unidade em torno da visão, de modo que os objectivos maiores - a nossa paz e segurança - pode ser conseguida. Mas é difícil termos unidade quando os dirigentes dizem coisas definitivas dizer uns aos outros. Um recente estudo de Harvard concluiu que 27% da comunicação dos membros do Congresso é feita por insultos.
Esta abordagem abre espaço para a discórdia. Para atingir a autêntica unidade, as opiniões divergentes são expressadas e, na verdade, encorajadas. As Escrituras Bahá'ís aconselham: "O brilho centelha da verdade surge somente após o choque de opiniões divergentes". Além disso, quando uma ideia é colocada perante o grupo, já não é "propriedade" da pessoa que a expressou, mas de todos os envolvidos na consulta. O elemento do ego - tão desafiador quanto parece - é minimizado com o objectivo de servir o bem maior. Essas ideias começam a formar um processo acarinhado pelos Baha'is e designado "consulta", que compreende muito mais do que uma discussão civilizada.
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terça-feira, 5 de abril de 2011
Martha Root na Rádio Praga (1932)
No blog Bahá'í Views descobri esta pequena preciosidade: um excerto de um programa emitido em 1932, na Radio Praga, onde podemos ouvir a voz de Martha Root.
Descrição do programa:
"No início desta série, ouvimos a voz do primeiro Presidente da Checoslováquia, Tomáš Masaryk Garrigue. A família Masaryk incluiu várias mulheres notáveis, que também desempenharam o seu papel na história checa do Século 20. Charlotte, a mulher de Tomáš, era americana, nascido em em Nova York em 1850. Quando o casal se casou em Brooklyn em 1878, ele assumiu o apelido Garrigue como parte de seu nome próprio, como um gesto de respeito. Charlotte passou a dedicar sua vida a todas as coisas checas, e era enérgica na defesa dos direitos das mulheres. Faleceu em 1923, apenas cinco anos depois da fundação da República. Nesta gravação de arquivo de Novembro 1932 ela é lembrada por uma amiga americana, a feminista e defensora da paz, Martha Root".
Descrição do programa:
"No início desta série, ouvimos a voz do primeiro Presidente da Checoslováquia, Tomáš Masaryk Garrigue. A família Masaryk incluiu várias mulheres notáveis, que também desempenharam o seu papel na história checa do Século 20. Charlotte, a mulher de Tomáš, era americana, nascido em em Nova York em 1850. Quando o casal se casou em Brooklyn em 1878, ele assumiu o apelido Garrigue como parte de seu nome próprio, como um gesto de respeito. Charlotte passou a dedicar sua vida a todas as coisas checas, e era enérgica na defesa dos direitos das mulheres. Faleceu em 1923, apenas cinco anos depois da fundação da República. Nesta gravação de arquivo de Novembro 1932 ela é lembrada por uma amiga americana, a feminista e defensora da paz, Martha Root".
sábado, 2 de abril de 2011
Catherine Ashton exige liberdade para prisioneiros Bahá'ís no Irão
A Chefe da Diplomacia Europeia, Catherine Ashton, afirmou ontem (01-Abril) que estava "perturbada" pelo facto do Irão ter duplicado a pena de prisão aos sete dirigentes da comunidade Bahá'í, e exigiu a sua libertação.
"Estou perturbada com as recentes informações segundo as quais as penas iniciais de 20 anos de prisão contra os sete ex-dirigentes Bahá'ís podem ter sido re-estabelecidas", lê-se num comunicado da Comissária Europeia.
"Por esse motivo, peço às autoridades iranianas que libertem imediatamente os sete dirigentes Bahá'ís, cuja sentença parece ser motivada apenas por pertencerem a uma fé minoritária, e a pôr fim à perseguição de minorias religiosas no Irão".
Os sete, que foram condenados em Agosto do ano passado a 20 anos de prisão, viram a sua pena reduzida para metade pelos juízes de recurso, em Setembro.
"Peço às autoridades iranianas que esclareçam a situação jurídica dos sete indivíduos em causa", disse Ashton. "Eles e os seus advogados devem ter o direito de acesso a toda a documentação pertinente sobre os seus casos."
Os Bahá'ís têm sido impedidos aceder ao ensino superior e cargos na administração pública e são considerados infiéis no Irão xiita; têm sido perseguidos, tanto antes como depois da revolução islâmica de 1979.
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Ler comunicado (em inglês):
Statement by High Representative Catherine Ashton on the sentences of seven former Bahá’í leaders in Iran
"Estou perturbada com as recentes informações segundo as quais as penas iniciais de 20 anos de prisão contra os sete ex-dirigentes Bahá'ís podem ter sido re-estabelecidas", lê-se num comunicado da Comissária Europeia.
"Por esse motivo, peço às autoridades iranianas que libertem imediatamente os sete dirigentes Bahá'ís, cuja sentença parece ser motivada apenas por pertencerem a uma fé minoritária, e a pôr fim à perseguição de minorias religiosas no Irão".
Os sete, que foram condenados em Agosto do ano passado a 20 anos de prisão, viram a sua pena reduzida para metade pelos juízes de recurso, em Setembro.
"Peço às autoridades iranianas que esclareçam a situação jurídica dos sete indivíduos em causa", disse Ashton. "Eles e os seus advogados devem ter o direito de acesso a toda a documentação pertinente sobre os seus casos."
Os Bahá'ís têm sido impedidos aceder ao ensino superior e cargos na administração pública e são considerados infiéis no Irão xiita; têm sido perseguidos, tanto antes como depois da revolução islâmica de 1979.
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Ler comunicado (em inglês):
Statement by High Representative Catherine Ashton on the sentences of seven former Bahá’í leaders in Iran
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Amnistia Internacional: "Uma decisão vingativa contra os Bahá’ís"
A reintrodução da pena de prisão de 20 anos para os sete dirigentes da minoria Bahá’í é "ultrajante", afirmou a Amnistia Internacional, enquanto apelava novamente à sua libertação imediata.
Estes sete dirigentes viram inicialmente um Tribunal de Recurso as suas sentenças reduzidas de 20 para 10 anos por uma corte de apelação iraniana, apenas para as autoridades para reverter a decisão.
"Mais uma vez, as autoridades iranianas estão a manipular o seu próprio sistema de justiça para perseguir membros de uma minoria religiosa", declarou Malcolm Smart, director da Amnistia Internacional para o Oriente Médio e Norte da África.
"Em vez de duplicar as suas penas, as autoridades deviam liberta os dirigentes Baha'is imediatamente e garantir a sua liberdade para praticar a sua religião, livres ameaças ou perseguições."
"Estes actos arbitrários e vingativos são uma advertência salutar, porque o Conselho de Direitos Humanos votou recentemente a nomeação de um relator especial para o Irão. A decisão do Conselho não foi precipitada."
Os sete dirigentes Bahá'ís - duas mulheres e cinco homens – estão detidos em condições severas na prisão de Gohardasht, em Karaj, perto de Teerão. Eles foram condenados por supostos crimes, que incluem "espionagem para Israel", "insulto a santidades religiosas" e "propaganda contra o sistema" por um Tribunal Revolucionário de Teerã, em Agosto do ano passado. Os sete negaram todas as acusações contra eles.
REACÇÃO DO GOVERNO AMERICANO
Entretanto, em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, afirmou que os Estados Unidos continuam preocupados com a "perseguição aos Baha'is e outras minorias religiosas no Irão".
"Estamos profundamente perturbados com relatos que nos chegam do Irão de que uma pena de 20 anos dos sete líderes Bahá'í foi reintroduzida após um recurso do Procurador-Geral, um homem a quem os Estados Unidos impuseram sanções económicas e proibição de viajar por a cometer graves violações dos direitos humanos", disse Toner. "Condenamos este passo sem precedentes como uma violação das obrigações do Irão à luz do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos."
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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Estes sete dirigentes viram inicialmente um Tribunal de Recurso as suas sentenças reduzidas de 20 para 10 anos por uma corte de apelação iraniana, apenas para as autoridades para reverter a decisão.
"Mais uma vez, as autoridades iranianas estão a manipular o seu próprio sistema de justiça para perseguir membros de uma minoria religiosa", declarou Malcolm Smart, director da Amnistia Internacional para o Oriente Médio e Norte da África.
"Em vez de duplicar as suas penas, as autoridades deviam liberta os dirigentes Baha'is imediatamente e garantir a sua liberdade para praticar a sua religião, livres ameaças ou perseguições."
"Estes actos arbitrários e vingativos são uma advertência salutar, porque o Conselho de Direitos Humanos votou recentemente a nomeação de um relator especial para o Irão. A decisão do Conselho não foi precipitada."
Os sete dirigentes Bahá'ís - duas mulheres e cinco homens – estão detidos em condições severas na prisão de Gohardasht, em Karaj, perto de Teerão. Eles foram condenados por supostos crimes, que incluem "espionagem para Israel", "insulto a santidades religiosas" e "propaganda contra o sistema" por um Tribunal Revolucionário de Teerã, em Agosto do ano passado. Os sete negaram todas as acusações contra eles.
REACÇÃO DO GOVERNO AMERICANO
Entretanto, em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, afirmou que os Estados Unidos continuam preocupados com a "perseguição aos Baha'is e outras minorias religiosas no Irão".
"Estamos profundamente perturbados com relatos que nos chegam do Irão de que uma pena de 20 anos dos sete líderes Bahá'í foi reintroduzida após um recurso do Procurador-Geral, um homem a quem os Estados Unidos impuseram sanções económicas e proibição de viajar por a cometer graves violações dos direitos humanos", disse Toner. "Condenamos este passo sem precedentes como uma violação das obrigações do Irão à luz do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos."
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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Dirigentes Bahá'ís no Irão: Sentença revertida para 20 anos de prisão
Apenas seis meses depois do Tribunal de Recurso Penal do Irão ter reduzido a pena dos sete dirigentes Baha’is iranianos para 10 anos de prisão, estes foram informados, que a sua sentença tinha sido revertida para a pena original de 20 anos. A Comunidade Internacional Bahá’í reagiu a esta notícia em choque e consternação.
Se bem que, depois das condenações, tanto os réus como os seus advogados tenham envidado reiterados esforços para obterem as cópias oficiais do veredicto original e da decisão do recurso, nunca as conseguiram obter, o mesmo acontecendo com o recente acórdão, razão pela qual não é possível saber-se com precisão quais as razões em que se basearam para anularem a redução da sentença.
Aparentemente a decisão do Tribunal de Recurso Penal, de reduzir a pena para 10 anos foi posta de lado por uma objecção apresentada pelo Procurador-Geral contra esta decisão, que tem a cobertura do sistema judicial que lhe permite apelar de qualquer decisão judicial, desde que ele a considere contrária à lei Shariah (código de leis do Islão). Tudo isto parece ser um estratagema montado para permitir às autoridades manipularem os resultados de modo a adequá-los aos seus próprios fins.
A detenção ilegal destes sete homens e mulheres - inocentes de qualquer crime que não fosse o da sua crença religiosa -, as grosseiras irregularidades do julgamento em 2010, a recusa do sistema judicial em divulgar oficialmente os veredictos, para os réus e seus advogado e, ainda, todas as acções praticadas pelas autoridades, demonstra claramente que a decisão de impor uma sentença tão severa foi premeditada. Nessa altura, como essa sentença brutal levantou uma fortíssima onda de protestos por todo o mundo, reduziram a pena para 10 anos, acusando-os de pertencerem a uma seita ilegal. Anteriormente tinham-nos condenado por espionagem, acções contra a segurança do estado, colaboração com o Estado de Israel e de passarem documentos classificados para o estrangeiro, com a intenção de minarem a segurança do Estado.
Agora, porém num volte face que expõe o seu cinismo grosseiro e o seu desmérito, as autoridades parecem ter concluído que as vozes de protesto se calaram e que eles podem simplesmente voltar ao seu plano original de encarcerar os sete durante 20 anos, o que equivale a prisão perpétua, pelo menos para alguns destes prisioneiros. Para além da insensibilidade da decisão de anular o recurso, a recusa das autoridades de fornecerem aos funcionários da prisão a documentação necessária, impediu os prisioneiros de terem a licença temporária, por razões humanitárias, e de obterem atenção e cuidados médicos, de que tanto necessitavam. Isto é inegavelmente mais uma prova dos extremos a que as autoridades iranianas estão dispostas a ir nos seus esforços para oprimir os Bahá’ís do Irão.
É bom lembrarmo-nos de que o tratamento cruel infligido a estes homens e mulheres, está inserido num contexto de incitamento ao ódio contra os Bahá’ís, sancionado pelo Estado, com bombas incendiárias contra os seus locais de trabalho, bem como outras formas de terror, que utilizam paraos expulsar das suas vilas e cidades, e uma série de abusos e outras violações dos seus direitos fundamentais que, infelizmente, se tornaram demasiado conhecidos e que continuam a aumentar dia após dia. Cerca de 79 bahá'ís estão hoje detidos em prisões no Irão.
À luz do exposto, não vamos cessar de apelar a todos os governos, organizações de direitos civis, individualidades imparciais, em todos os lugares do mundo, para tomarem todas as medidas possíveis e enviarem os mais enérgicos protestos contra as acções do Irão.
O governo iraniano deveria saber que as suas acções para com os Bahá'ís - e todos os outros que sofrem opressão às suas mãos - só servirá para manchar ainda mais a sua reputação.
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Sobre este assunto: Shock at "duplicity" as 20-year sentence for Iran's Baha'i leaders is reinstated (BWNS)
Se bem que, depois das condenações, tanto os réus como os seus advogados tenham envidado reiterados esforços para obterem as cópias oficiais do veredicto original e da decisão do recurso, nunca as conseguiram obter, o mesmo acontecendo com o recente acórdão, razão pela qual não é possível saber-se com precisão quais as razões em que se basearam para anularem a redução da sentença.
Aparentemente a decisão do Tribunal de Recurso Penal, de reduzir a pena para 10 anos foi posta de lado por uma objecção apresentada pelo Procurador-Geral contra esta decisão, que tem a cobertura do sistema judicial que lhe permite apelar de qualquer decisão judicial, desde que ele a considere contrária à lei Shariah (código de leis do Islão). Tudo isto parece ser um estratagema montado para permitir às autoridades manipularem os resultados de modo a adequá-los aos seus próprios fins.
A detenção ilegal destes sete homens e mulheres - inocentes de qualquer crime que não fosse o da sua crença religiosa -, as grosseiras irregularidades do julgamento em 2010, a recusa do sistema judicial em divulgar oficialmente os veredictos, para os réus e seus advogado e, ainda, todas as acções praticadas pelas autoridades, demonstra claramente que a decisão de impor uma sentença tão severa foi premeditada. Nessa altura, como essa sentença brutal levantou uma fortíssima onda de protestos por todo o mundo, reduziram a pena para 10 anos, acusando-os de pertencerem a uma seita ilegal. Anteriormente tinham-nos condenado por espionagem, acções contra a segurança do estado, colaboração com o Estado de Israel e de passarem documentos classificados para o estrangeiro, com a intenção de minarem a segurança do Estado.
Agora, porém num volte face que expõe o seu cinismo grosseiro e o seu desmérito, as autoridades parecem ter concluído que as vozes de protesto se calaram e que eles podem simplesmente voltar ao seu plano original de encarcerar os sete durante 20 anos, o que equivale a prisão perpétua, pelo menos para alguns destes prisioneiros. Para além da insensibilidade da decisão de anular o recurso, a recusa das autoridades de fornecerem aos funcionários da prisão a documentação necessária, impediu os prisioneiros de terem a licença temporária, por razões humanitárias, e de obterem atenção e cuidados médicos, de que tanto necessitavam. Isto é inegavelmente mais uma prova dos extremos a que as autoridades iranianas estão dispostas a ir nos seus esforços para oprimir os Bahá’ís do Irão.
É bom lembrarmo-nos de que o tratamento cruel infligido a estes homens e mulheres, está inserido num contexto de incitamento ao ódio contra os Bahá’ís, sancionado pelo Estado, com bombas incendiárias contra os seus locais de trabalho, bem como outras formas de terror, que utilizam paraos expulsar das suas vilas e cidades, e uma série de abusos e outras violações dos seus direitos fundamentais que, infelizmente, se tornaram demasiado conhecidos e que continuam a aumentar dia após dia. Cerca de 79 bahá'ís estão hoje detidos em prisões no Irão.
À luz do exposto, não vamos cessar de apelar a todos os governos, organizações de direitos civis, individualidades imparciais, em todos os lugares do mundo, para tomarem todas as medidas possíveis e enviarem os mais enérgicos protestos contra as acções do Irão.
O governo iraniano deveria saber que as suas acções para com os Bahá'ís - e todos os outros que sofrem opressão às suas mãos - só servirá para manchar ainda mais a sua reputação.
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Sobre este assunto: Shock at "duplicity" as 20-year sentence for Iran's Baha'i leaders is reinstated (BWNS)
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