Ao protesto mundial contra a perseguição da Comunidade Bahá'í do Irão juntou-se o Senado Chileno, uma senadora muçulmana do Canadá e conhecidas organizações indianas.
"A detenção injusta"
No Chile, o Senado, por unanimidade, apelou ao presidente Sebastián Piñera para "condenar veementemente" o Irão pela sua "perseguição rigorosa e sistemática aos Bahá’ís." Numa resolução aprovada por unanimidade em 15 de Junho, o Senado chileno mencionou especificamente as detenções, no mês passado no BIHE, opondo-se à "injusta detenção dessas pessoas."
AQ resolução salienta ainda que, "desde 1979 o governo do Irão tem proibido sistematicamente o ensino superior aos jovens adeptos da sua maior minoria religiosa não-muçulmana, a grande comunidade Bahá'í, com mais de 300 mil crentes, e também tem procurado reprimir os esforços dos Bahá'ís para estabelecer as suas próprias iniciativas, incluindo o Instituto Bahá'í de Educação Superior (BIHE)."
Um apelo apaixonado
A Senadora Mobina Jaffer - que é a primeira senadora muçulmana do Canadá - falou durante mais de 15 minutos, em 21 de Junho, sobre a situação dos direitos humanos no Irão, condenando o país "pela campanha brutal de opressão contra os seus cidadãos" pedindo "novas medidas" ao Canadá para "chamar o Irão a prestar contas pelo seu tratamento inaceitável aos Bahá’ís."
E acrescentou: "Em Setembro passado, a ONU catalogou os abusos cometidos pelo Irão, incluindo tortura e crueldade, tratamento desumano ou degradante, execuções públicas e execuções de defensores de menores, o apedrejamento como medida de execução, a violação dos direitos das mulheres, as violações dos direitos das minorias e restrições à liberdade de reunião e de associação e à liberdade de opinião e expressão”
No entanto, a maior parte do seu discurso, centrou-se no debate sobre a perseguição do governo iraniano aos Bahá’ís, dizendo que a situação "é uma questão a estudar sobre as reais intenções do governo iraniano no que respeita às suas obrigações dos direitos humanos."
"A perseguição enfrentada pelos Bahá’ís no Irão tem hoje poucos paralelos na história da humanidade", disse a senadora Jaffer. "Esta é uma comunidade com mais de 300.000 pessoas que há mais de 30 anos tem sido sujeita a uma política de Estado, muitas vezes explicitamente centrada na sua destruição. A intensidade da pressão sentida por esta minoria religiosa é quase impossível de imaginar para nós, canadianos, mas é nosso dever, como senadores, aliás como seres humanos, levantar as nossas vozes em solidariedade com a sua causa”.
"Os Bahá’ís enfrentam estas perseguições no Irão, porque uma linha dura da elite clerical vê a sua religião como ilegítima, e são, portanto, considerados apóstatas ou adversários do Islão. Essa atitude em relação aos Bahá’ís é transmitida por mentiras e desinformação, canalizadas através da comunicação social controlada pelo Estado. Os Baha’is são muitas vezes falsamente acusados de serem agentes estrangeiros trabalhando secretamente contra a nação. O resultado de tais campanhas de desinformação é a de generalizar a ignorância que perpetua a cultura do preconceito ", disse ainda.
O debate formal sobre a "Investigação" da senadora, acerca do Irão, será retomado quando o Senado se reunir novamente no Outono.
O comportamento “vergonhoso” do Irão
Na Índia, individualidades proeminentes continuam a levantar as suas vozes contra a prisão de funcionários e docentes da faculdade BIHE.
A Fundação BETI (Better Education Through Innovation) em Lucknow - que se dedica à educação de raparigas - manifestou a sua "firme solidariedade condenando as acções perpetradas contra o Instituto Bahá'í de Educação Superior".
"É realmente surpreendente que a República Islâmica do Irão recorra a uma acção que, não só nega aos Bahá’ís os seus inerentes Direitos Humanos, como também vai contra os decretos do Sagrado Alcorão que repetidamente sublinha a necessidade de se adquirir a maior e melhor educação possível", escreveu Sehba Hussain, directora e fundadora da Fundação BETI e membro da Comissão Nacional de Protecção dos Direitos da Criança.
"As acções levadas a cabo pelo Governo do Irão são vergonhosas aos olhos dos verdadeiros crentes, bem como do Todo-Poderoso", escreveu a Sra. Hussain.
Numa carta ao embaixador iraniano na Índia, que acompanha uma petição assinada por 86 personalidades, Maja Daruwala - directora de Iniciativas dos Direitos Humanos na Commonwealth - expressou "forte condenação dos actos brutais de perseguição contra os Bahá’ís iranianos", particularmente "aqueles indivíduos associados ao nobre trabalho de proporcionar o acesso à educação dos jovens Bahá’ís, a quem tem sido sistematicamente negado o seu direito à educação ..."
"Pedimos também ao governo do Irão para honrar as suas próprias obrigações que estão subordinadas ao Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais e permitir a todos os seus cidadãos o acesso ao ensino superior, independentemente da sua ideologia ou crenças", escreveu a Sra. Daruwala.
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FONTE: Iran's human rights violations: international condemnation spreads (BWNS)
quarta-feira, 29 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Rio de Janeiro: Manifestação pela Liberdade Religiosa no Irão
Ontem (19-Junho), representantes do Governo, comunidades religiosas, organizações da sociedade civil, e pessoas provenientes de vários locais do Brasil encontravam-se entre os 800 defensores dos direitos humanos que se reuniram na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, numa manifestação para que o Irão cesse as perseguições aos Bahá’ís e outras minorias religiosas.
Cerca de 8000 imagens (correspondentes ao número de dias de detenção sofridos em mais de três anos na prisão) com fotos dos rostos dos sete dirigentes Bahá’ís presos no Irão foram colocadas em exibição na praia. As fotos formavam um grande círculo, representando o mundo e a união entre todas os povos e nações.
Na sua intervenção o deputado Chico Alencar deu o mote para as actividades do dia: "A liberdade religiosa é algo que não pode ser tocado."
Um participante judeu, Natan Klabin, reforçou a ideia. "Nós sabemos bem o que é ser perseguido por causa de uma religião, e, portanto, nós sabemos o quão importante é mostrar solidariedade para com outras minorias oprimidas".
Babalawo Ivanir dos Santos - representante do candomblé (religião afro-brasileira) - referiu a perseguição que a sua comunidade várias vezes enfrentou. "É por isso que sentimos que temos de protestar contra todos os tipos de intolerância religiosa. Espero que um dia não haja mais necessidade de organizar manifestações como esta, em qualquer país", afirmou.
Mil coletes amarelos - impressos com as frases "Hoje somos todos Bahá’ís" e "Libertem os setes Bahá’ís presos no Irã" - foram distribuídos, juntamente com folhetos sobre a liberdade religiosa. Vários músicos também contribuíram para o programa, apresentando canções sobre liberdade e solidariedade.
Iradj Eghrari, representante da Comunidade Baha’i do Brasil disse que demonstrar solidariedade entre as religiões é essencial para mostrar às autoridades iranianas que a perseguição não é apenas uma questão de preocupação para os Baha'is. "Se uma pessoa não demonstra apoio a minorias religiosas perseguidas, ele ou ela pode muito bem ser a próxima vítima de intolerância religiosa", disse Eghrari.
Os sete dirigentes Bahá’ís detidos eram membros de um grupo nacional ad-hoc que ajudava a responder às necessidades dos 300.000 membros da comunidade bahá'í do Irão. Após 30 meses de detenção sem julgamento, foram julgados sob falsas acusações e condenados a 20 anos de prisão, em Agosto de 2010.
ACTUALIZAÇÃO: Um vídeo sobre o evento (gentilmente cedido por Said Junior):
Sobre este assunto:
Copacabana se mobiliza pelo respeito aos bahais no Irã (O Globo)
Manifestação em Copacabana exige fim de perseguição da religião Bahá’í no Irã (Jornal do Brasil)
Protesto no RJ pede liberdade de religiosos no Irã (terra.com.br)
Ato no Rio pede fim de assédio a bahais no Irã (MRE, Brasil)
Cerca de 8000 imagens (correspondentes ao número de dias de detenção sofridos em mais de três anos na prisão) com fotos dos rostos dos sete dirigentes Bahá’ís presos no Irão foram colocadas em exibição na praia. As fotos formavam um grande círculo, representando o mundo e a união entre todas os povos e nações.
Na sua intervenção o deputado Chico Alencar deu o mote para as actividades do dia: "A liberdade religiosa é algo que não pode ser tocado."
Um participante judeu, Natan Klabin, reforçou a ideia. "Nós sabemos bem o que é ser perseguido por causa de uma religião, e, portanto, nós sabemos o quão importante é mostrar solidariedade para com outras minorias oprimidas".
Babalawo Ivanir dos Santos - representante do candomblé (religião afro-brasileira) - referiu a perseguição que a sua comunidade várias vezes enfrentou. "É por isso que sentimos que temos de protestar contra todos os tipos de intolerância religiosa. Espero que um dia não haja mais necessidade de organizar manifestações como esta, em qualquer país", afirmou.
Mil coletes amarelos - impressos com as frases "Hoje somos todos Bahá’ís" e "Libertem os setes Bahá’ís presos no Irã" - foram distribuídos, juntamente com folhetos sobre a liberdade religiosa. Vários músicos também contribuíram para o programa, apresentando canções sobre liberdade e solidariedade.
Iradj Eghrari, representante da Comunidade Baha’i do Brasil disse que demonstrar solidariedade entre as religiões é essencial para mostrar às autoridades iranianas que a perseguição não é apenas uma questão de preocupação para os Baha'is. "Se uma pessoa não demonstra apoio a minorias religiosas perseguidas, ele ou ela pode muito bem ser a próxima vítima de intolerância religiosa", disse Eghrari.
Os sete dirigentes Bahá’ís detidos eram membros de um grupo nacional ad-hoc que ajudava a responder às necessidades dos 300.000 membros da comunidade bahá'í do Irão. Após 30 meses de detenção sem julgamento, foram julgados sob falsas acusações e condenados a 20 anos de prisão, em Agosto de 2010.
ACTUALIZAÇÃO: Um vídeo sobre o evento (gentilmente cedido por Said Junior):
Sobre este assunto:
Copacabana se mobiliza pelo respeito aos bahais no Irã (O Globo)
Manifestação em Copacabana exige fim de perseguição da religião Bahá’í no Irã (Jornal do Brasil)
Protesto no RJ pede liberdade de religiosos no Irã (terra.com.br)
Ato no Rio pede fim de assédio a bahais no Irã (MRE, Brasil)
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Vistante ilustre
Parece que este blog ontem recebeu a visita de um visitante ilustre... da Embaixada do Irão em Brasília.
Estava interessado na entrevista de Shirin Ebadi no programa do Jô Soares.
Estava interessado na entrevista de Shirin Ebadi no programa do Jô Soares.
(Clique na imagem para aumentar)
Paris: Flashmob para assinalar o 2º aniversário do esmagamento da Primavera Iraniana
Em 12 de Junho de 2011 assinalou-se o 2º aniversário do esmagamento da Primavera Iraniana. As organizações United4Iran e Move4Iran organizaram em Paris um Flashmob silencioso para chamar a atenção para a contínua violação dos direitos humanos dos cidadãos do Irão continuam a enfrentar. O objectivo desta iniciativa era destacar o apoio internacional sustentado para o povo iraniano e incentivar as pessoas em todo o mundo, que têm a sorte de usufruir liberdades básicas, para se comprometerem no apoio ao movimento direitos civis no Irão.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Jô Soares entrevista Shirin Ebadi
Jô Soares entrevistou a Prémio Nobel da Paz Shirin Ebadi. A iraniana recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2003,foi a primeira mulher a ocupar o cargo de juíza no Irão. Líder mundial pelos direitos humanos, exilada na Inglaterra, está em São Paulo para participar do Congresso Fronteiras do Pensamento.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Enoch Olinga (1926-1979)
Um vídeo sobre Enoch Olinga, um Baha'i ugandês que serviu a Causa de Bahá'u'lláh durante vários anos. O Sr. Olinga visitou Portugal algumas vezes.
Foi assassinado durante a guerra que se seguiu ao derrube de Idi Amin.
Foi assassinado durante a guerra que se seguiu ao derrube de Idi Amin.
terça-feira, 7 de junho de 2011
A "Questão Bahá'í" citada no Parlamento Europeu
“As vítimas de intolerância religiosa não são apenas as pessoas privadas do direito de praticar a sua fé; elas sofrem abusos em todos os aspectos das suas vidas diárias.” Este comentário feito durante uma audiência na subcomissão do Parlamento Europeu para os Direitos Humanos.
Penelope Faulkner - membro da Plataforma Europeia de Discriminação e Intolerância Religiosa (EPRID) - destacou o grau em que a liberdade de religião ou crença está ameaçada em todo o mundo. É um "problema enorme", disse Faulkner. "Especialmente em países onde o Estado ... incita ao ódio, as minorias religiosas são indefesos. "Eles perdem os seus direitos, os seus meios de subsistência e, em muitos casos, as suas vidas."
"Este é o caso dos Baha'is no Irão, onde as autoridades aplicam um plano sistemático para lidar com o que chamam «A Questão Bahá’í»- com directivas específicas para bloquear o acesso à educação, confiscar de bens, recusar empregos e negar direitos de cidadania direitos a qualquer pessoa que se saiba ser Bahá’í ", disse Faulkner.
Os seus comentários foram feitos poucos dias depois de 16 pessoas terem sido detidas no Irão por trabalharem para uma universidade informal que oferece cursos aos jovens Baha'is que foram impedidos pelo Governo de frequentar o ensino superior. Veja notícia aqui.
A Sra. Faulkner lembrou ainda uma pesquisa recente que indicava que 70% da população mundial vive em locais onde a liberdade religiosa é limitada ou violada. "Acontece em todos os continentes, em todas as comunidades, incluindo na Europa. O efeito devastador do sofrimento humano nos últimos meses mostra que as políticas da UE nesta área não são apenas necessárias, mas também estão muito atrasadas", afirmou.
"Os seres humanos são responsáveis"
O Relator Especial das Nações Unidas sobre a liberdade de religião ou crença, Heiner Bielefeldt, declarou na audiência que assiste a essas violações numa base diária.
"E o que me choca mais é o grau de ódio contra as minorias religiosas entre as comunidades - muitas vezes o ódio nutrido por uma combinação paradoxal de medo (que por vezes atinge a paranóia) e desprezo", disse o professor Bielefeldt. Mas esses ódios podem ser superados, afirmou.
"Afinal de contas, são seres humanos que são responsáveis, são os seres humanos que também podem mudar, os grupos de seres humanos que também podem evoluir nas suas convicções. Isso é algo que devemos sempre ter em conta."
O Professor Bielefeldt disse na audiência - realizada em 26 de Maio - que a liberdade de religião ou crença é um direito humano universal, que deve também ser interpretado para englobar interpretação mais ampla de religião.
"Você vê muitos países em várias regiões do mundo que garantem a liberdade de religião ou crença na sua constituição, em depois dizem: 'OK, há três opções: você pode ser judeu, cristão ou muçulmano. Ponto Final!"
"Por vezes, são cinco opções; por vezes, são seis opções. Por vezes não são religiões, mas o ponto de partida - se pretendemos fixar-nos na natureza universalista dos direitos humanos - deve ser a dignidade da pessoa humana e seu auto-entendimento. Se você conhece os seres humanos, então sabe que o seu auto-entendimento é muito, muito, muito diversificado", acrescentou.
O professor Bielefeldt salientou ainda que os tratados das Nações Unidas sobre o assunto afirmam claramente que a liberdade de religião ou crença "protege teístas, não-teístas, crenças ateístas, assim como o direito de não professar qualquer religião ou crença... Este é o espírito universalista, e não só o espírito, mas também a carta dos direitos humanos e liberdade de religião. E isto está realmente ameaçado."
Um contexto mais amplo
Neste painel também esteve Sarah Vader, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í junto da União Europeia. A Sra Vader sugeriu que a liberdade de religião ou crença deve ser considerada num "contexto mais amplo da democracia e da protecção dos direitos humanos".
"A UE deve ter um cuidado especial para ser inclusiva e justa, permitindo a participação de todos - incluindo os grupos mais vulneráveis, como mulheres, jovens, minorias étnicas e religiosas", disse a Sra. Vader, que também falava em nome do EPRID, uma coligação de organizações não-governamentais de apoio à liberdade de religião ou crença de que a Comunidade Internacional Bahá'í é um membro.
"Em relação à futura política da UE em matéria de liberdade de religião ou crença, é necessário que o processo seja aberto, transparente e inclusivo, e encontre uma forma de envolver a sociedade civil em diferentes níveis, seja aqui em Bruxelas ou ao nível das capitais e das delegações junto da UE ", declarou.
A Sra. Vader apresentou uma série de recomendações com as quais a UE poderia melhorar o acompanhamento geral e abordagem à liberdade de religião ou crença, seja através da criação de um enviado especial para a liberdade religiosa e elaboração um relatório anual sobre os progressos a nível mundial sobre liberdade de religião ou crença.
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FONTE: "Baha'i Question" cited at European Parliament human rights hearing (BWNS)
Penelope Faulkner - membro da Plataforma Europeia de Discriminação e Intolerância Religiosa (EPRID) - destacou o grau em que a liberdade de religião ou crença está ameaçada em todo o mundo. É um "problema enorme", disse Faulkner. "Especialmente em países onde o Estado ... incita ao ódio, as minorias religiosas são indefesos. "Eles perdem os seus direitos, os seus meios de subsistência e, em muitos casos, as suas vidas."
"Este é o caso dos Baha'is no Irão, onde as autoridades aplicam um plano sistemático para lidar com o que chamam «A Questão Bahá’í»- com directivas específicas para bloquear o acesso à educação, confiscar de bens, recusar empregos e negar direitos de cidadania direitos a qualquer pessoa que se saiba ser Bahá’í ", disse Faulkner.
Os seus comentários foram feitos poucos dias depois de 16 pessoas terem sido detidas no Irão por trabalharem para uma universidade informal que oferece cursos aos jovens Baha'is que foram impedidos pelo Governo de frequentar o ensino superior. Veja notícia aqui.
A Sra. Faulkner lembrou ainda uma pesquisa recente que indicava que 70% da população mundial vive em locais onde a liberdade religiosa é limitada ou violada. "Acontece em todos os continentes, em todas as comunidades, incluindo na Europa. O efeito devastador do sofrimento humano nos últimos meses mostra que as políticas da UE nesta área não são apenas necessárias, mas também estão muito atrasadas", afirmou.
"Os seres humanos são responsáveis"
O Relator Especial das Nações Unidas sobre a liberdade de religião ou crença, Heiner Bielefeldt, declarou na audiência que assiste a essas violações numa base diária.
"E o que me choca mais é o grau de ódio contra as minorias religiosas entre as comunidades - muitas vezes o ódio nutrido por uma combinação paradoxal de medo (que por vezes atinge a paranóia) e desprezo", disse o professor Bielefeldt. Mas esses ódios podem ser superados, afirmou.
"Afinal de contas, são seres humanos que são responsáveis, são os seres humanos que também podem mudar, os grupos de seres humanos que também podem evoluir nas suas convicções. Isso é algo que devemos sempre ter em conta."
O Professor Bielefeldt disse na audiência - realizada em 26 de Maio - que a liberdade de religião ou crença é um direito humano universal, que deve também ser interpretado para englobar interpretação mais ampla de religião.
"Você vê muitos países em várias regiões do mundo que garantem a liberdade de religião ou crença na sua constituição, em depois dizem: 'OK, há três opções: você pode ser judeu, cristão ou muçulmano. Ponto Final!"
"Por vezes, são cinco opções; por vezes, são seis opções. Por vezes não são religiões, mas o ponto de partida - se pretendemos fixar-nos na natureza universalista dos direitos humanos - deve ser a dignidade da pessoa humana e seu auto-entendimento. Se você conhece os seres humanos, então sabe que o seu auto-entendimento é muito, muito, muito diversificado", acrescentou.
O professor Bielefeldt salientou ainda que os tratados das Nações Unidas sobre o assunto afirmam claramente que a liberdade de religião ou crença "protege teístas, não-teístas, crenças ateístas, assim como o direito de não professar qualquer religião ou crença... Este é o espírito universalista, e não só o espírito, mas também a carta dos direitos humanos e liberdade de religião. E isto está realmente ameaçado."
Um contexto mais amplo
Neste painel também esteve Sarah Vader, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í junto da União Europeia. A Sra Vader sugeriu que a liberdade de religião ou crença deve ser considerada num "contexto mais amplo da democracia e da protecção dos direitos humanos".
"A UE deve ter um cuidado especial para ser inclusiva e justa, permitindo a participação de todos - incluindo os grupos mais vulneráveis, como mulheres, jovens, minorias étnicas e religiosas", disse a Sra. Vader, que também falava em nome do EPRID, uma coligação de organizações não-governamentais de apoio à liberdade de religião ou crença de que a Comunidade Internacional Bahá'í é um membro.
"Em relação à futura política da UE em matéria de liberdade de religião ou crença, é necessário que o processo seja aberto, transparente e inclusivo, e encontre uma forma de envolver a sociedade civil em diferentes níveis, seja aqui em Bruxelas ou ao nível das capitais e das delegações junto da UE ", declarou.
A Sra. Vader apresentou uma série de recomendações com as quais a UE poderia melhorar o acompanhamento geral e abordagem à liberdade de religião ou crença, seja através da criação de um enviado especial para a liberdade religiosa e elaboração um relatório anual sobre os progressos a nível mundial sobre liberdade de religião ou crença.
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FONTE: "Baha'i Question" cited at European Parliament human rights hearing (BWNS)
Aulas Baha’is para Crianças, em Portimão
Programa “A Fé dos Homens”, emitido na RTP2, no dia 06-Junho-2011.
Reportagem sobre um projecto de Aulas Baha’is para Crianças, em Portimão.
Reportagem sobre um projecto de Aulas Baha’is para Crianças, em Portimão.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Religiões exortam líderes dos G8 a tomar medidas ousadas sobre questões globais
Nos dias 23 e 24 de maio passado, teve lugar em Bordéus a sétima Cimeira dos Líderes Religiosos dos G8. A Fé Bahá'í respondeu ao convite enviando dois representantes: Susanne Tamas, do Canadá, e Barney Leith, do Reino Unido.
Os dois delegados Bahá'ís reuniram-se com cristãos, judeus, muçulmanos, xintoístas e sikhs, bem como com outros membros de organizações inter-religiosas, para deliberar sobre questões relacionadas com as agendas do G8 na Cimeira de Deauville e do G20 na Cimeira de Cannes, agendadas para 3 e 4 de Novembro de 2011.
O Moderador da Cimeira, Sua Eminência o Metropolitano Emmanuel Adamakis, Co-Presidente do Conselho das Igrejas de França, disse aos participantes que eles estavam ali reunidos não só como líderes religiosos, mas também como representantes da humanidade, falando a uma só voz para os líderes dos países G8 e G20.
Desta reunião saíu uma declaração, aprovada por unanimidade, que posteriormente foi apresentada ao Secretário-Geral dos G8.
Além das recomendações visando cinco grandes temas - a reforma da governação global, a situação macro-económica, as alterações climáticas, o desenvolvimento e investimento na paz - a declaração dizia ainda que deviam ser convidados representantes do continente Africano e do Médio Oriente para serem incluídos nas Reuniões dos G8 e dos G20, porque – dizia o comunicado "As nossas diferentes formações e experiências enriqueceram a nossa consulta".
"O trauma do terramoto, do tsunami e do desastre nuclear, descrito pelos nossos colegas japoneses; a experiência e as aspirações dos nossos amigos dos países do Médio Oriente e a preocupação dos nossos colegas Africanos sobre a continuada marginalização em se fazer ouvir a sua voz, sublinhou a urgência das questões em estudo ". A declaração concluía exortando os G8 e os G20 "para continuarem a expandir e a fortalecer a resposta global necessária para desafios globais."
"Nós - os líderes das diversas comunidades religiosas em todo o mundo - comprometemo-nos, novamente, a trabalhar juntos em todas as linhas religiosas para o bem comum, com os governos e outros parceiros de boa vontade. Continuamos convencidos -.cada um de acordo com os ensinamentos da sua religião - que a justiça, a compaixão e a reconciliação são essenciais para a paz genuína", acrescenta o comunicado.
Intervenção Bahá'í
A representante Bahá'í do Canadá afirmou: "Os participantes nesta Cimeira demonstraram um desejo sincero de encontrar uma maneira de traduzir os princípios espirituais, que demonstram a sua visão do mundo, em recomendações concretas e práticas que podem auxiliar os líderes dos G8 a enfrentar os desafios que a humanidade enfrenta". E disse ainda: "O respeito e o interesse genuínos com que as pessoas se ouviram umas às outras procurando aprofundar a compreensão de questões tão complexas foi muito impressionante".
Por sua vez, Barney Leith, do Reino Unido, concordou e disse também: "O espírito de unidade infundido neste encontro foi profundamente comovente".
"Havia um forte sentimento em todos os participantes da Cimeira de que faziam parte de uma única família humana e de estarem completamente empenhados, lembrando aos líderes das nações poderosas o seu compromisso moral de reduzir o sofrimento humano."
As cimeiras anteriores foram realizadas antes de cada reunião dos G8 no Reino Unido (2005), Rússia (2006), Alemanha (2007), Japão (2008), Itália (2009) e Canadá (2010). Esta série de encontros visa identificar áreas de consenso moral entre as várias religiões.
Os dois delegados Bahá'ís reuniram-se com cristãos, judeus, muçulmanos, xintoístas e sikhs, bem como com outros membros de organizações inter-religiosas, para deliberar sobre questões relacionadas com as agendas do G8 na Cimeira de Deauville e do G20 na Cimeira de Cannes, agendadas para 3 e 4 de Novembro de 2011.
O Moderador da Cimeira, Sua Eminência o Metropolitano Emmanuel Adamakis, Co-Presidente do Conselho das Igrejas de França, disse aos participantes que eles estavam ali reunidos não só como líderes religiosos, mas também como representantes da humanidade, falando a uma só voz para os líderes dos países G8 e G20.
Desta reunião saíu uma declaração, aprovada por unanimidade, que posteriormente foi apresentada ao Secretário-Geral dos G8.
Além das recomendações visando cinco grandes temas - a reforma da governação global, a situação macro-económica, as alterações climáticas, o desenvolvimento e investimento na paz - a declaração dizia ainda que deviam ser convidados representantes do continente Africano e do Médio Oriente para serem incluídos nas Reuniões dos G8 e dos G20, porque – dizia o comunicado "As nossas diferentes formações e experiências enriqueceram a nossa consulta".
"O trauma do terramoto, do tsunami e do desastre nuclear, descrito pelos nossos colegas japoneses; a experiência e as aspirações dos nossos amigos dos países do Médio Oriente e a preocupação dos nossos colegas Africanos sobre a continuada marginalização em se fazer ouvir a sua voz, sublinhou a urgência das questões em estudo ". A declaração concluía exortando os G8 e os G20 "para continuarem a expandir e a fortalecer a resposta global necessária para desafios globais."
Representantes do Judaismo, Cristianismo, Islão, Sikhismo, Shintoismo
e da Fé Bahá'í presentes no encontro de Bordéus
"Nós - os líderes das diversas comunidades religiosas em todo o mundo - comprometemo-nos, novamente, a trabalhar juntos em todas as linhas religiosas para o bem comum, com os governos e outros parceiros de boa vontade. Continuamos convencidos -.cada um de acordo com os ensinamentos da sua religião - que a justiça, a compaixão e a reconciliação são essenciais para a paz genuína", acrescenta o comunicado.
Intervenção Bahá'í
A representante Bahá'í do Canadá afirmou: "Os participantes nesta Cimeira demonstraram um desejo sincero de encontrar uma maneira de traduzir os princípios espirituais, que demonstram a sua visão do mundo, em recomendações concretas e práticas que podem auxiliar os líderes dos G8 a enfrentar os desafios que a humanidade enfrenta". E disse ainda: "O respeito e o interesse genuínos com que as pessoas se ouviram umas às outras procurando aprofundar a compreensão de questões tão complexas foi muito impressionante".
Por sua vez, Barney Leith, do Reino Unido, concordou e disse também: "O espírito de unidade infundido neste encontro foi profundamente comovente".
"Havia um forte sentimento em todos os participantes da Cimeira de que faziam parte de uma única família humana e de estarem completamente empenhados, lembrando aos líderes das nações poderosas o seu compromisso moral de reduzir o sofrimento humano."
As cimeiras anteriores foram realizadas antes de cada reunião dos G8 no Reino Unido (2005), Rússia (2006), Alemanha (2007), Japão (2008), Itália (2009) e Canadá (2010). Esta série de encontros visa identificar áreas de consenso moral entre as várias religiões.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Para os educadores Bahá’ís, uma lição sobre o poder do Irão
Artigo de Artigo de Mitra Mobasherat Joe Sterling, publicado no site da CNN.
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(CNN) - Os três agentes de segurança iranianos tocaram à campainha, informou educadamente o homem sobre a sua detenção, revistaram minuciosamente a casa, confiscaram livros equipamentos high-tech, e levaram-no para longe até famosa prisão de Evin.
A rusga na manhã domingo demorou três horas. Agora, cada segundo parece uma eternidade para os angustiados membros da família do homem, que rezam pela sua segurança física, aguardam a sua libertação, e abanam a cabeça face à perspectiva de uma longa estadia na prisão, disseram os seus familiares à CNN.
A sua família diz que o motivo da detenção é sua religião.
O homem é um dos 16 Baha'is apanhados nas rusgas em 21 de Maio (e após essa data) que visavam educadores dedicados ao ensino de membros da sua comunidade a quem é negada a entrada nas universidades na República Islâmica do Irão. Desses 16, nove já foram libertados. Mas este educador permanece na prisão, declarou um responsável Bahá’í à CNN.
Esta repressão é o mais recente exemplo de perseguição implacável do regime xiita de quem adere a uma fé considerada herética pelos aiatolás no poder.
A Fé Bahá'í, fundada durante o século 19 no Irão, e agora com 5 a 6 milhões adeptos em todo o mundo, é uma religião monoteísta que realça a unidade espiritual da humanidade.
Os clérigos que possuem influência no Irão consideram que a fé Bahá’í é uma blasfémia, porque o seu fundador, Bahá'u'lláh, declarou ser um profeta de Deus. Os muçulmanos acreditam que o profeta Maomé foi o último profeta de Deus.
(...)
Os ataques atraíram a condenação dos Baha’is e de outras vozes, incluindo a Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional, uma agência do governo americano que monitora a discriminação religiosa em todo o globo.
"O governo iraniano não vai parar a sua desavergonhada perseguição aos Bahá'ís no Irão", disse o presidente da comissão, Leonard Leo, numa declaração escrita. "Não é suficiente que as autoridades já tenham em acção uma política que impede os Bahá’ís de frequentar as universidades iranianas; o governo passou a tentar sistematicamente desmantelar a iniciativa interna da comunidade Bahá’í, para garantir que seus jovens tenham a oportunidade de obter uma educação acima do ensino secundário."
(...)
Desde que o regime islâmico tomou o poder há décadas, a Comissão dos EUA diz que, 200 dirigentes Bahá’ís no Irão foram mortos, mais de 10.000 foram demitidos de empregos no governo e na universidade, e os seus seguidores são proibidos de "estabelecer locais de culto, escolas, ou associações independentes religiosas no Irão".
São-lhes "negados empregos públicos e pensões, bem como o direito de herdar propriedade. Os seus casamentos e divórcios também não são reconhecidos, e têm dificuldades na obtenção de atestados de óbito. Os cemitérios bahá'ís, os lugares sagrados, e as propriedades da comunidade são frequentemente confiscadas ou profanadas", afirma a Comissão.
O porta-voz Baha'i Farhad Sabetan, que lecciona economia na California State University, East Bay, declarou que apesar dos bahá'ís não poderem servir como oficiais militares, eles foram recrutados para servir como soldados rasos na guerra Irão-Iraque.
E desde 2005, cerca de 400 Bahá’ís foram presos arbitrariamente, acrescenta a comissão dos EUA, incluindo sete dos dirigentes da comunidade detidos há três anos.
"Isso lembra o que Hitler queria fazer antes do extermínio", disse Sabetan. Isso é uma referência à perseguição e genocídio de judeus sob o regime nazi de Adolf Hitler na Alemanha no século 20.
Como os bahá'ís foram sistematicamente excluídos do ensino superior, eles desenvolveram o instituto em estilo underground.
Sabetan afirma que a ideia foi: "Por que não podemos simplesmente começar alguma coisa nós próprios?"
No início as aulas eram cursos por correspondência. Outros foram realizados em casas particulares, onde estudantes de odontologia usavam lava-louças de cozinha em aulas de construção de próteses.
"Tornou-se um desenvolvimento de base caseira".
Ninguém incomodou alunos e professores no início, quando o grupo reuniu voluntários, equipamentos e estudantes voluntariosos. O seu corpo docente era constituído por profissionais voluntários que ensinavam no Irão, mas tinham perdido os seus empregos após a revolução, por serem bahá'ís.
Mas cerca de 10 anos depois, a repressão começou.
Os jogos de poder não faziam sentido para os bahá'ís e parecia que a opressão era motivada apenas pela opressão. Sabetan disse que um professor lhe contou que os agentes de segurança "destruíram tudo" num ataque e nem sequer tiveram o bom senso para confiscar o material para seu uso próprio.
Com a ajuda do financiamento de organizações Bahá’ís estrangeiras, o sistema cresceu e hoje é uma faculdade virtual online.
O esforço é uma iniciativa séria para ajudar os Bahá’ís iranianos a obter as qualificações adequadas para os negócios e profissões e graus de bacharel emitidos pela escola foram aceites por algumas faculdades ocidentais, declaram os Bahá’ís no seu site.
A rede educacional Bahá’í oferece mais de 20 cursos de sub-graduação e graduação numa gama de áreas tão distintas como a literatura, o direito, a matemática e a farmácia, acrescenta o site.
Sabetan afirmou que não sabe o que levou as autoridades a efectuar as últimas rusgas, mas pelo menos uma das pessoas foi acusada de actos contra a segurança do regime.
"Não está claro para nós como é que o estudo da física, química e da ciência são um perigo para o governo iraniano", disse Sabetan.
Continuar a ler o artigo (em inglês)
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(CNN) - Os três agentes de segurança iranianos tocaram à campainha, informou educadamente o homem sobre a sua detenção, revistaram minuciosamente a casa, confiscaram livros equipamentos high-tech, e levaram-no para longe até famosa prisão de Evin.
A rusga na manhã domingo demorou três horas. Agora, cada segundo parece uma eternidade para os angustiados membros da família do homem, que rezam pela sua segurança física, aguardam a sua libertação, e abanam a cabeça face à perspectiva de uma longa estadia na prisão, disseram os seus familiares à CNN.
A sua família diz que o motivo da detenção é sua religião.
O homem é um dos 16 Baha'is apanhados nas rusgas em 21 de Maio (e após essa data) que visavam educadores dedicados ao ensino de membros da sua comunidade a quem é negada a entrada nas universidades na República Islâmica do Irão. Desses 16, nove já foram libertados. Mas este educador permanece na prisão, declarou um responsável Bahá’í à CNN.
Esta repressão é o mais recente exemplo de perseguição implacável do regime xiita de quem adere a uma fé considerada herética pelos aiatolás no poder.
A Fé Bahá'í, fundada durante o século 19 no Irão, e agora com 5 a 6 milhões adeptos em todo o mundo, é uma religião monoteísta que realça a unidade espiritual da humanidade.
Os clérigos que possuem influência no Irão consideram que a fé Bahá’í é uma blasfémia, porque o seu fundador, Bahá'u'lláh, declarou ser um profeta de Deus. Os muçulmanos acreditam que o profeta Maomé foi o último profeta de Deus.
(...)
Os ataques atraíram a condenação dos Baha’is e de outras vozes, incluindo a Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional, uma agência do governo americano que monitora a discriminação religiosa em todo o globo.
"O governo iraniano não vai parar a sua desavergonhada perseguição aos Bahá'ís no Irão", disse o presidente da comissão, Leonard Leo, numa declaração escrita. "Não é suficiente que as autoridades já tenham em acção uma política que impede os Bahá’ís de frequentar as universidades iranianas; o governo passou a tentar sistematicamente desmantelar a iniciativa interna da comunidade Bahá’í, para garantir que seus jovens tenham a oportunidade de obter uma educação acima do ensino secundário."
(...)
Desde que o regime islâmico tomou o poder há décadas, a Comissão dos EUA diz que, 200 dirigentes Bahá’ís no Irão foram mortos, mais de 10.000 foram demitidos de empregos no governo e na universidade, e os seus seguidores são proibidos de "estabelecer locais de culto, escolas, ou associações independentes religiosas no Irão".
São-lhes "negados empregos públicos e pensões, bem como o direito de herdar propriedade. Os seus casamentos e divórcios também não são reconhecidos, e têm dificuldades na obtenção de atestados de óbito. Os cemitérios bahá'ís, os lugares sagrados, e as propriedades da comunidade são frequentemente confiscadas ou profanadas", afirma a Comissão.
O porta-voz Baha'i Farhad Sabetan, que lecciona economia na California State University, East Bay, declarou que apesar dos bahá'ís não poderem servir como oficiais militares, eles foram recrutados para servir como soldados rasos na guerra Irão-Iraque.
E desde 2005, cerca de 400 Bahá’ís foram presos arbitrariamente, acrescenta a comissão dos EUA, incluindo sete dos dirigentes da comunidade detidos há três anos.
"Isso lembra o que Hitler queria fazer antes do extermínio", disse Sabetan. Isso é uma referência à perseguição e genocídio de judeus sob o regime nazi de Adolf Hitler na Alemanha no século 20.
Como os bahá'ís foram sistematicamente excluídos do ensino superior, eles desenvolveram o instituto em estilo underground.
Sabetan afirma que a ideia foi: "Por que não podemos simplesmente começar alguma coisa nós próprios?"
No início as aulas eram cursos por correspondência. Outros foram realizados em casas particulares, onde estudantes de odontologia usavam lava-louças de cozinha em aulas de construção de próteses.
"Tornou-se um desenvolvimento de base caseira".
Ninguém incomodou alunos e professores no início, quando o grupo reuniu voluntários, equipamentos e estudantes voluntariosos. O seu corpo docente era constituído por profissionais voluntários que ensinavam no Irão, mas tinham perdido os seus empregos após a revolução, por serem bahá'ís.
Mas cerca de 10 anos depois, a repressão começou.
Os jogos de poder não faziam sentido para os bahá'ís e parecia que a opressão era motivada apenas pela opressão. Sabetan disse que um professor lhe contou que os agentes de segurança "destruíram tudo" num ataque e nem sequer tiveram o bom senso para confiscar o material para seu uso próprio.
Com a ajuda do financiamento de organizações Bahá’ís estrangeiras, o sistema cresceu e hoje é uma faculdade virtual online.
O esforço é uma iniciativa séria para ajudar os Bahá’ís iranianos a obter as qualificações adequadas para os negócios e profissões e graus de bacharel emitidos pela escola foram aceites por algumas faculdades ocidentais, declaram os Bahá’ís no seu site.
A rede educacional Bahá’í oferece mais de 20 cursos de sub-graduação e graduação numa gama de áreas tão distintas como a literatura, o direito, a matemática e a farmácia, acrescenta o site.
Sabetan afirmou que não sabe o que levou as autoridades a efectuar as últimas rusgas, mas pelo menos uma das pessoas foi acusada de actos contra a segurança do regime.
"Não está claro para nós como é que o estudo da física, química e da ciência são um perigo para o governo iraniano", disse Sabetan.
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domingo, 29 de maio de 2011
Porque é que um Baha’i não deve estudar?
Artigo de Sohrab Ahmari, escritor e activista Irano-americano, publicado no Huffington Post.
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No inverno passado, quando desabrochavam as primeiras flores da primavera árabe, eu estava ocupado co-edição de uma compilação de ensaios sobre dissidentes no Oriente Médio. Foi uma experiência inspiradora. Escritos no período entre 2005 e 2010, os ensaios pareciam extraordinariamente premonitórios, considerando o desenrolar dos acontecimentos em lugares como a Tunes, Cairo, Manama, Daraa e Benghazi. Ali estavam dezenas de jovens homens e jovens mulheres de toda a região partilhando seus sonhos de um futuro livre - quando a ditadura inveterada ainda pareciam uma característica permanente da vida árabe.
Editar ensaios do meu país natal, Irão - onde o regime mais repressivo da região esmagou violentamente uma revolta semelhante apenas dois anos antes - foi mais doloroso. E nenhum foi mais do que um trabalho escrito por uma jovem iraniana que se identifica apenas como "TT" de modo a não comprometer a sua já precária segurança pessoal.
TT é membro da minoria Bahá’í. Fundada no século 19, na Pérsia, a fé Baha'i proclama que todas as religiões do mundo são igualmente divinas. Desde aquela época, os Bahá’ís têm sido perseguidos no Irão e em todo o Oriente Médio. O actual regime iraniano sente-se particularmente ameaçado pela religião, porque os seus profetas vieram depois de Muhammad (considerado pela teologia islâmica como último profeta de Deus) e porque alguns de seus lugares santos estão localizados no actual Israel.
A discriminação contra os Bahá’ís iranianos está consagrada na Constituição e nas leis da República Islâmica. Convencido de que se trata de um "movimento político" que visa minar o Islão, os muláhs impediram o reconhecimento oficial da Fé Bahá'í. Os dirigentes Bahá’ís são frequentemente perseguidos e detidos arbitrariamente. Aos Bahá’ís também é negado o acesso ao sistema de ensino superior do Irão – um aspecto mais cruel do tratamento do regime a uma comunidade que atribui um alto valor à educação.
O ensaio de TT aborda o impacto desta política perversa sobre os jovens iranianos Bahá’ís como ela. Ela descreve a amarga desilusão que sentiu como um estudante do ensino secundário após a obter o primeiro lugar numa olimpíada de língua árabe - apenas para ser excluída da prova seguinte, de âmbito nacional. TT também conta como uma professora da expulsou a sua irmã apenas por ser Bahá'í (posteriormente, outro professor aceitou-a depois dela vencer uma prova regional de ciência).
O momento mais comovente no ensaio vem quando "Zhinus", uma velha amiga da família e uma aluna aplicada, recebe o precioso cartão admissão para o exame nacional de admissão à universidade - e depois vê o vigilante do exame rasgar o cartão em pedaços à frente dos seus olhos.
Protegida pelo anonimato, TT desafia directamente os governantes clericais do Irão: "Porque é que um Bahá’í não deve estudar? O que é que as pessoas da minha Fé fizeram para merecer tal tratamento? Por que uma fé, que vê todos os seres humanos como iguais e apela para que todos se amem, merece isto?" Ela conclui o seu ensaio partilhando o seu sonho de continuar a sua educação apesar de todas as dificuldades.
O sonho de TT sonho tornou-se ainda menos provável de se realizar do que era quando escreveu o ensaio. No passado fim-de-semana [21-22 de Maio], as autoridades iranianas executaram um ataque coordenado contra as residências particulares de 30 pessoas ligadas ao Instituto Bahá'í de Ensino Superior (BIHE). Fundado tranquilamente pela comunidade, o BIHE oferece cursos de educação à distância e online, respondendo às necessidades dos jovens Bahá’ís de entrar na faculdade. (Um "campus" físico é constituído por dezenas de casas particulares que serviam como salas de aula e instalações administrativas, foi encerrado pelo regime no início do ano 2000.)
Embora os seus cursos não tenham sido reconhecidos internacionalmente, muito os diplomados do concluíram com sucesso programas de pós-graduação em conhecidas universidades ocidentais, graças tanto ao rigor académico da sua rede privada de ensino como aos grupos de pressão por parte das comunidades Bahá’í na Europa e América do Norte. Mas mesmo essa pequena dose de oportunidades para os Baha'is do Irão era aparentemente demasiado para os paranóicos muláhs, que agora acusam os administradores do BIHE de usar a sua rede para "espiar" contra o Irão.
A sua verdadeira motivação, é clara, tem sido eliminar lenta e silenciosamente uma fé minoritária que - na sua ênfase no pluralismo e na solidariedade inter-religioso - envergonha a sua tirania teocrática. No entanto, os esforços clérigos provavelmente revelar-se-ão inúteis a longo prazo, tanto porque a maioria muçulmana do Irão já percebeu as suas tácticas de dividir para reinar e porque os Bahá’ís, têm-se mostrado resistentes face à enorme repressão. Como TT escreve em seu ensaio, "onde há fé, a esperança nunca morre."
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No inverno passado, quando desabrochavam as primeiras flores da primavera árabe, eu estava ocupado co-edição de uma compilação de ensaios sobre dissidentes no Oriente Médio. Foi uma experiência inspiradora. Escritos no período entre 2005 e 2010, os ensaios pareciam extraordinariamente premonitórios, considerando o desenrolar dos acontecimentos em lugares como a Tunes, Cairo, Manama, Daraa e Benghazi. Ali estavam dezenas de jovens homens e jovens mulheres de toda a região partilhando seus sonhos de um futuro livre - quando a ditadura inveterada ainda pareciam uma característica permanente da vida árabe.
Editar ensaios do meu país natal, Irão - onde o regime mais repressivo da região esmagou violentamente uma revolta semelhante apenas dois anos antes - foi mais doloroso. E nenhum foi mais do que um trabalho escrito por uma jovem iraniana que se identifica apenas como "TT" de modo a não comprometer a sua já precária segurança pessoal.
TT é membro da minoria Bahá’í. Fundada no século 19, na Pérsia, a fé Baha'i proclama que todas as religiões do mundo são igualmente divinas. Desde aquela época, os Bahá’ís têm sido perseguidos no Irão e em todo o Oriente Médio. O actual regime iraniano sente-se particularmente ameaçado pela religião, porque os seus profetas vieram depois de Muhammad (considerado pela teologia islâmica como último profeta de Deus) e porque alguns de seus lugares santos estão localizados no actual Israel.
A discriminação contra os Bahá’ís iranianos está consagrada na Constituição e nas leis da República Islâmica. Convencido de que se trata de um "movimento político" que visa minar o Islão, os muláhs impediram o reconhecimento oficial da Fé Bahá'í. Os dirigentes Bahá’ís são frequentemente perseguidos e detidos arbitrariamente. Aos Bahá’ís também é negado o acesso ao sistema de ensino superior do Irão – um aspecto mais cruel do tratamento do regime a uma comunidade que atribui um alto valor à educação.
O ensaio de TT aborda o impacto desta política perversa sobre os jovens iranianos Bahá’ís como ela. Ela descreve a amarga desilusão que sentiu como um estudante do ensino secundário após a obter o primeiro lugar numa olimpíada de língua árabe - apenas para ser excluída da prova seguinte, de âmbito nacional. TT também conta como uma professora da expulsou a sua irmã apenas por ser Bahá'í (posteriormente, outro professor aceitou-a depois dela vencer uma prova regional de ciência).
O momento mais comovente no ensaio vem quando "Zhinus", uma velha amiga da família e uma aluna aplicada, recebe o precioso cartão admissão para o exame nacional de admissão à universidade - e depois vê o vigilante do exame rasgar o cartão em pedaços à frente dos seus olhos.
Protegida pelo anonimato, TT desafia directamente os governantes clericais do Irão: "Porque é que um Bahá’í não deve estudar? O que é que as pessoas da minha Fé fizeram para merecer tal tratamento? Por que uma fé, que vê todos os seres humanos como iguais e apela para que todos se amem, merece isto?" Ela conclui o seu ensaio partilhando o seu sonho de continuar a sua educação apesar de todas as dificuldades.
O sonho de TT sonho tornou-se ainda menos provável de se realizar do que era quando escreveu o ensaio. No passado fim-de-semana [21-22 de Maio], as autoridades iranianas executaram um ataque coordenado contra as residências particulares de 30 pessoas ligadas ao Instituto Bahá'í de Ensino Superior (BIHE). Fundado tranquilamente pela comunidade, o BIHE oferece cursos de educação à distância e online, respondendo às necessidades dos jovens Bahá’ís de entrar na faculdade. (Um "campus" físico é constituído por dezenas de casas particulares que serviam como salas de aula e instalações administrativas, foi encerrado pelo regime no início do ano 2000.)
Embora os seus cursos não tenham sido reconhecidos internacionalmente, muito os diplomados do concluíram com sucesso programas de pós-graduação em conhecidas universidades ocidentais, graças tanto ao rigor académico da sua rede privada de ensino como aos grupos de pressão por parte das comunidades Bahá’í na Europa e América do Norte. Mas mesmo essa pequena dose de oportunidades para os Baha'is do Irão era aparentemente demasiado para os paranóicos muláhs, que agora acusam os administradores do BIHE de usar a sua rede para "espiar" contra o Irão.
A sua verdadeira motivação, é clara, tem sido eliminar lenta e silenciosamente uma fé minoritária que - na sua ênfase no pluralismo e na solidariedade inter-religioso - envergonha a sua tirania teocrática. No entanto, os esforços clérigos provavelmente revelar-se-ão inúteis a longo prazo, tanto porque a maioria muçulmana do Irão já percebeu as suas tácticas de dividir para reinar e porque os Bahá’ís, têm-se mostrado resistentes face à enorme repressão. Como TT escreve em seu ensaio, "onde há fé, a esperança nunca morre."
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