terça-feira, 5 de julho de 2011

Filmagens em Paris

Fazer um programa de TV sobre a presença do Mestre na capital francesa...

A "nossa" Avenida
Esta ideia surgiu há alguns meses, durante uma viagem a Paris, quando visitei a residência de 'Abdu'l-Bahá na cidade luz. E havia bons motivos: Paris é considerada o berço da Fé Bahá’í na Europa; foi ali que surgiu a primeira comunidade Bahá’í europeia; e aquela foi a cidade em que 'Abdu'l-Bahá Se demorou mais tempo durante as Suas viagens no Ocidente (1911-1913). Em Dezembro do ano passado esta ideia era já um projecto na minha cabeça.

Em França, os Baha’is têm vindo a preparar a celebração deste Centenário com diversas iniciativas. A possibilidade de fazer um programa de TV sobre esta visita foi acolhida com grande entusiasmo. Ocorreu-nos também que poderíamos fazer outros programas (de 7 minutos) sobre os livros “Palestras em Paris” (associado à visita de 'Abdu'l-Bahá) e “Respostas a Algumas Perguntas” (elaborado por Laura Clifford Barney, uma das primeiras Bahá’ís de França). Não podemos esquecer que são livros muito populares entre Bahá’ís e pessoas que querem conhecer a Fé Bahá’í.

Em Janeiro passámos à fase de planeamento do projecto: orçamento, deslocações, estadias, estrutura e guião para os programas. Quantas pessoas são necessárias levar a Paris? Que materiais devemos recolher? Poderemos filmar na Residência? Como descrever o ambiente na Europa (e em França) em 1911? Como transmitir a importância do local de uma forma digna, serena e apelativa?

Centro Bahá'í de Paris
As questões e os problemas sucediam-se; as respostas e as soluções também. Valeu-nos a ajuda de Armindo Pedro (Bahá’í Português residente em França) e de Sophie Menard (do Gabinete de Assuntos Externos da Comunidade Bahá’í de França).

Finalmente, tivemos luz verde de todas as partes. A AEN de Portugal já tinha dado a sua aprovação; a AEN de França concorda. A Artemis (empresa que faz as filmagens) também. Apressámo-nos a marcar viagens e estadias. Em França começaram a avisar algumas pessoas que podiam vir a ser entrevistadas.

O tempo ia passando e as estruturas dos três programas de TV foram assumindo forma. Diversos livros publicados em França e algum material recolhido na Internet inspiraram e orientaram a elaboração dos guiões. O nosso objectivo ficou cada vez mais claro. Decidimos filmar um 4º programa com perguntas genéricas. Dá sempre jeito tem algum material disponível para outros programas.

Chegou o dia da viagem a Paris. Não podia esquecer de nada. Imprimi todos os documentos e emails que troquei. Levei os livros e alguns materiais. Tinha alguma dificuldade em acreditar que isto estava a acontecer. Íamos mesmo filmar uns programas de TV sobre a presença de 'Abdu'l-Bahá em Paris.

Pouco depois de deixarmos bagagens e equipamento no hotel, fomos passear pelas ruas de Paris. A Residência de 'Abdu'l-Bahá ficava ali perto. Encontrámos a "Avenue de Camoens" após alguns minutos de caminhada. Lá estava a estátua (mal-tratada) do poeta português junto à escadaria no topo da avenida. É engraçado pensar que a residência de 'Abdu'l-Bahá em Paris fica numa rua que tem o nome de um poeta Português. É difícil não sorrir perante esta coincidência.

António Malheiro e Pedro Marques
A rua estava deserta e tranquila. No prédio nº 4, não havia luzes acesas no 1º andar. A poucos metros dali a Torre Eiffel estava iluminada. Tirámos umas fotos, pois claro. Dei por mim a explicar algumas das minhas ideias… Era difícil conter o entusiasmo.

No dia seguinte iniciamos o trabalho a sério. Encontrámo-nos na residência à hora marcada. Começámos com um briefing; recordámos o nosso plano de trabalhos para este dia e esclarecemos várias dúvidas. Ficámos a saber que há várias pessoas para ser entrevistadas. Lembrámos que as entrevistas seriam faladas em francês e legendadas em português; a perspectiva de programas bilingues animou todos os presentes.

Antes de sair, fizemos orações no quarto privado de 'Abdu'l-Bahá. Começámos com filmagens no exterior; fomos para o Jardim de Trocadero, ali perto; partilhámos a carrega da mochila com baterias e cassetes, do tripé e da câmara. E não esquecemos os apontamentos.

Sucederam-se os "takes". "Aqui tem um bom enquadramento." "Era importante que vocês se movimentassem enquanto falam..." "O B. está despenteado..." "Espera... não ficou bem. Vamos ter que repetir" "Vamos fazer a abertura depois...". Os Bahá’ís franceses observavam-nos atentamente. Alguns estavam curiosos; outros claramente tentavam a tentar aprender connosco.

Filmando na Residência
A tarde foi preenchida com filmagens no interior da residência. Começamos as entrevistas. Algumas vozes fraquejaram; outras aceleraram; não faz mal; podíamos repetir. Falhou o flash; aquele candeeiro dava para desenrascar. Precisámos de novos ângulos. Reparei no Junior; era de origem marfinense e tinha um olhar quase magnético. Infelizmente, durante a entrevista, sentiu-se desconfortável e desviou o olhar para o chão. "Parem!..." Delicadamente, chamei-lhe a atenção e ele aceitou o meu comentário. Retomámos a entrevista. Desta vez, o Junior olhou fixamente Pedro Marques durante a entrevista. Estamos de acordo: "O gajo é bom na TV!"

As filmagens previstas para hoje estavam quase a acabar. Ao fim da tarde recebemos um recado: "Já não é necessário ir hoje ao Centro Bahá’í. A pessoa que ia ser entrevistada hoje estará lá amanhã". Foi uma alteração de planos que nos agradou; estávamos cansados. Mas não o suficiente para nos impedir de ir passear até ao Arco do Triunfo, depois de jantar.

No sábado de manhã, tínhamos filmagens no Centro Bahá’í de Paris. Alguns amigos aguardavam-nos. Tínhamos previsto filmar entrevistas sobre os dois livros. Começou o Frederic a falar sobre o livro "Palestras em Paris"; despejou datas, nomes, locais... "Sou um rato de biblioteca", confessou-me mais tarde. Entendi-o e fiquei a pensar em fotos antigas para ilustrar a sua intervenção. Este vai dar trabalho quando fizermos a montagem.

A explicar uns pormenores...
Seguiu-se a Annie. Tinha sessenta anos e aparentava um misto de humildade e elegância. Começou a sua intervenção a dizer que o livro (Respostas a algumas perguntas) era "mágico e é útil para Bahá’ís e não Bahá’ís". Ops! "Corta!" Explico que o que acabou de dizer pode ser mal-entendido. Dizer que um livro Bahá’í é mágico poderia sugerir que somos algum grupo esotérico; além disso, não devemos nunca fazer distinção entre pessoas por serem, ou não serem, Bahá'ís. Annie aceitou os meus comentários com um sorriso. Recomeçámos. Desta vez tudo correu bem.

Chegaram mais pessoas para serem entrevistadas. Responderam a questões de carácter genérico. Algumas tiveram um desempenho muito bom para quem é entrevistado pela primeira vez; parecia que não se intimidavam com a presença da câmara.

Entrevistando a Natalia
Sophie agradeceu-nos e nome da AEN de França e pede para jantar connosco. Queria fazer um balanço do trabalho. Pediu opiniões sinceras sobre o desempenho de todos os participantes. O audiovisual é uma área em que os Baha’is franceses ainda têm que desenvolver. Acham que somos fantásticos. Não é bem assim, mas sabemos que temos mais experiência do que eles.

Comecei os meus comentários: "Alguns pareceram intimidados com a presença da câmara..." "Gostei da maneira de falar da G. Era muito segura." "L. falou demasiado depressa… parecia um apresentador de televendas..." "A. foi magnífica..." "T. era demasiado sexy..." "Foi pena o M. ter aquela roupa. Parecia mal-amanhado..." "O Júnior foi muito bom. Temos poucas pessoas como ele em Portugal".

Sophie tomava nota das minhas observações. "Podemos de avançar para um workshop de Técnicas de Apresentação. A maior parte das pessoas não tem consciência destes problemas. E isto pode-se corrigir com algum treino", concluo.

À porta da Residência
"Seria uma boa ideia. Temos muito a aprender convosco", respondeu-me.

"Temos de aprender uns com os outros. Em Portugal, temos dificuldade em encontrar pessoas disponíveis para os programas. Aqui vocês mobilizaram dez, ou doze, pessoas. Isso é muito bom."

"A vossa presença foi uma bênção..."

"Não gosto de pensar assim. Eu diria que o resultado neste momento é francamente positivo. O nosso objectivo era filmar 4 programas e devemos ter recolhido material para 6 ou 7. É claro que ainda não vimos o resultado final; falta o trabalho da montagem. Mas neste momento estamos muito satisfeitos".

Sophie sorri.

Ficámos com a sensação que este pode ser o início de uma bela colaboração entre Bahá’ís de França e de Portugal.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Parlamento Europeu ouviu advogada dos dirigentes Bahá'ís presos no Irão

Uma das advogadas que defendeu os sete dirigentes Bahá'ís, presos no Irão, Mahnaz Parakand, fez um apelo apaixonado à justiça, durante uma reunião extraordinária realizada no Parlamento Europeu.

A Dra Parakand afirmou que a expectativa do povo do Irão é "não ser abandonado pelos governos e organizações internacionais, cuja política principal é o respeito pela humanidade e pelos direitos humanos...". Todos os povos do Irão são "mantidos numa grande prisão chamada República Islâmica do Irão", disse ela, "sofrendo as mais diversas opressões e sofrimentos, e são presos, torturados e executados por um sem número de pretextos."

Esta reunião, foi a primeira aparição pública da senhora Parakand desde que fugiu da sua terra natal, depois de saber que estava prestes a ser presa devido ao apoio que dava aos sete dirigentes Bahá'ís e a outros casos, incluindo o de Nasrin Sotoudeh, também ela advogada, condenada a 11 anos de prisão por representar ativistas de direitos humanos.

Vários deputados do Parlamento Europeu - acompanhados de funcionários da Comissão Europeia e do Serviço Europeu de Assuntos Externos - ouviram a Sra. Parakand descrever detalhadamente o caso dos sete, e a escalada de perseguições enfrentada pelos seus correligionários.

"A dor e o sofrimento que os Bahá'ís têm de suportar vai ainda além das crueldades sofridas por todos os povos do Irão", declarou, acrescentando que se sentia grata por poder "falar livremente e sem quaisquer restrições, e sem se sentir insegura, com medo de ser presa e torturada", que se sentia honrada por ser "a voz dos mártires que foram executados apenas por causa das suas crenças, e falar alto em nome de quem passou anos na prisão e foi torturado simplesmente por exprimir a sua opinião ..."

A Dra Parakand afirmou que falava em nome de "aqueles que estão impedidos de ter emprego em cargos do governo e aqueles que foram privados do ensino superior; aqueles cujas casas foram destruídas e até mesmo os seus cemitérios profanados, apenas por causa das suas crenças; aqueles indivíduos que são constantemente assediados nas suas empresas privadas, por professarem uma religião diferente de quem governa o país. "

Aludindo aos recentes ataques das autoridades iranianas contra o Instituto Bahá'í de Educação Superior - uma iniciativa comunitária que oferecia ensino superior aos jovens Bahá'ís impedidos de entrarem nas universidades – a Dra. Parakand disse que representava também "as pessoas que estão privadas de qualquer tipo de instituições para a educação dos seus filhos, que são impedidos de entrar nas escolas e nas universidades públicas”.

"Quando existem tais instituições, elas são fechadas e os seus gestores são detidos e presos", disse ela. "Eu quero falar sobre aqueles jovens que não são livres para expressar as suas crenças, porque se o fizerem serão expulsas da escola; falar sobre aqueles que não têm a liberdade de escolher os seus próprios amigos e cuja amizade com indivíduos que não são Bahá’ís os torna suspeitos de estarem a ensinar a Fé Bahá'í, fazendo com que sejam presos e torturados."

Um catálogo de injustiças

A Dra. Parakand é membro do Centro dos Defesa dos Direitos Humanos, fundado pela Prémio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, que esteve à frente da defesa dos sete dirigentes Bahá'ís. Na reunião de ontem (28-Junho), a Dra. Parakand apresentou o primeiro relato detalhado do que aconteceu, à porta fechada, durante o julgamento dos sete dirigentes Bahá'ís no ano passado, descrevendo uma longa lista de injustiças e erros de legalidade apresentados pelo sistema judicial iraniano, incluindo as prisões clandestinas dos sete - sem intimação - em 2008, a sua detenção inicial em células solitárias, sem contacto com as suas famílias; interrogatórios individuais e prisão ilegal, por mais de dois anos, sem acesso ao aconselhamento jurídico; julgamento baseado em falsas acusações; e o subsequente recurso do processo, que viu os seus 20 anos de prisão reduzida para 10 anos, e depois novamente restabelecido para 20.

"O libelo da acusação que foi emitido contra os nossos cliente... era mais como uma declaração política, do que um documento legal", lembrou a Dra. Parakand. "Era um documento de 50 páginas, cheio de acusações e humilhações contra a Comunidade Bahá'í do Irão, especialmente contra os nossos clientes. Não produzia qualquer prova para as alegações”.

"Houve apenas um libelo emitido para todos os sete líderes... contra todas as normas legais, sem especificar de que tipo de infração tinha, cada um deles, sido acusado", disse.

Acrescentou que, antes do julgamento, durante os dois anos e meio de detenção ilegal, nem ela, nem os seus colegas, tiveram permissão para visitar os seus clientes.

"Durante um mês, estudámos diligentemente os autos, que continham mais de 2.000 páginas, e estudámos cada página cuidadosamente, tentando descobrir como e com que base, raciocínio, documento, prova ou testemunho, tinha sido tirada, desta maneira, a liberdade a estas sete pessoas. Felizmente não foi possível encontrar qualquer documento ou razão jurídica para provar que quaisquer das acusações, que foram levantadas contra os nossos clientes, eram verdadeiras ", acrescentou.

"Esperávamos que eles fossem perdoados, uma vez que não havia razão para serem condenados."

Depois de analisar os autos, os advogados foram autorizados a ter apenas uma reunião com os prisioneiros. "A nossa visita foi realizada em condições tais, com as autoridades da prisão a controlarem, e as mulheres que estavam presentes a gravarem clandestinamente a nossa conversa... Este acto violou o direito dos prisioneiros de descreverem livremente o que lhes estava a acontecer na prisão", explicou a Dra Parakand.

Recordando o julgamento, a Dra. Parakand falou das numerosas violações aos procedimentos legais, bem como a presença em tribunal de agentes dos Serviços Secretos, destinados a intimidar os réus.

"Uma das condições de um julgamento justo é a imparcialidade do juiz", e, neste caso, "o juiz ... estava a usar a mesma linguagem e as frases descritas na lista de indiciamento, como “seita preversa Bahaista”. "Isso mostra claramente a falta de imparcialidade do juiz-presidente e um julgamento injusto com base na sua crença. "

Durante o julgamento, o juiz, interrompeu muitas vezes as declarações da defesa alegando que os seus argumentos eram considerados “ensino do Bahaísmo”, disse ela.

"A injustiça imposta aos prisioneiros... é um reflexo da opressão imposta a todos os Bahá'ís que vivem no Irão", acrescentou a Sra. Parakand.

Apelo para uma acção continuada

A Dra. Parakand concluiu exortando os governos e as organizações a exigirem que o Irão modifique as suas leis internas discriminatórias contra as minorias religiosas e intelectuais, e a obrigarem os países que violam os direitos humanos a seguir com exactidão o conteúdo da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Direitos Políticos.

Apelou também à União Europeia para enviar um representante ao Irão para investigar a situação dos sete dirigentes Bahá'ís, "para melhorar a sua situação actual, ilegal e a tomar as medidas necessárias para a sua libertação imediata."

A ida da Dra. Parakand ao Parlamento Europeu foi um convite de Barbara Lochbihler, uma eurodeputada alemã, que é a presidente da delegação do Parlamento para as relações com o Irão. A Sra. Lochbihler assegurou à Sra. Parakand que a situação dos direitos humanos no Irão não vai ser esquecida.

Além dos sete dirigentes, cerca de 90 Bahá'ís estão actualmente presos no Irão, incluindo nove funcionários e membros do corpo docente do Instituto Bahá'í de Educação Superior, ainda detidos após os ataques em 39 casas Bahá'ís no mês passado.

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FONTE: Lawyer for jailed Baha'i leaders speaks out at European Parliament (BWNS)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Aumenta a condenação internacional contra as violações dos direitos humanos no Irão

Ao protesto mundial contra a perseguição da Comunidade Bahá'í do Irão juntou-se o Senado Chileno, uma senadora muçulmana do Canadá e conhecidas organizações indianas.


"A detenção injusta"

No Chile, o Senado, por unanimidade, apelou ao presidente Sebastián Piñera para "condenar veementemente" o Irão pela sua "perseguição rigorosa e sistemática aos Bahá’ís." Numa resolução aprovada por unanimidade em 15 de Junho, o Senado chileno mencionou especificamente as detenções, no mês passado no BIHE, opondo-se à "injusta detenção dessas pessoas."

AQ resolução salienta ainda que, "desde 1979 o governo do Irão tem proibido sistematicamente o ensino superior aos jovens adeptos da sua maior minoria religiosa não-muçulmana, a grande comunidade Bahá'í, com mais de 300 mil crentes, e também tem procurado reprimir os esforços dos Bahá'ís para estabelecer as suas próprias iniciativas, incluindo o Instituto Bahá'í de Educação Superior (BIHE)."



Um apelo apaixonado

A Senadora Mobina Jaffer - que é a primeira senadora muçulmana do Canadá - falou durante mais de 15 minutos, em 21 de Junho, sobre a situação dos direitos humanos no Irão, condenando o país "pela campanha brutal de opressão contra os seus cidadãos" pedindo "novas medidas" ao Canadá para "chamar o Irão a prestar contas pelo seu tratamento inaceitável aos Bahá’ís."

E acrescentou: "Em Setembro passado, a ONU catalogou os abusos cometidos pelo Irão, incluindo tortura e crueldade, tratamento desumano ou degradante, execuções públicas e execuções de defensores de menores, o apedrejamento como medida de execução, a violação dos direitos das mulheres, as violações dos direitos das minorias e restrições à liberdade de reunião e de associação e à liberdade de opinião e expressão”

No entanto, a maior parte do seu discurso, centrou-se no debate sobre a perseguição do governo iraniano aos Bahá’ís, dizendo que a situação "é uma questão a estudar sobre as reais intenções do governo iraniano no que respeita às suas obrigações dos direitos humanos."

"A perseguição enfrentada pelos Bahá’ís no Irão tem hoje poucos paralelos na história da humanidade", disse a senadora Jaffer. "Esta é uma comunidade com mais de 300.000 pessoas que há mais de 30 anos tem sido sujeita a uma política de Estado, muitas vezes explicitamente centrada na sua destruição. A intensidade da pressão sentida por esta minoria religiosa é quase impossível de imaginar para nós, canadianos, mas é nosso dever, como senadores, aliás como seres humanos, levantar as nossas vozes em solidariedade com a sua causa”.

"Os Bahá’ís enfrentam estas perseguições no Irão, porque uma linha dura da elite clerical vê a sua religião como ilegítima, e são, portanto, considerados apóstatas ou adversários do Islão. Essa atitude em relação aos Bahá’ís é transmitida por mentiras e desinformação, canalizadas através da comunicação social controlada pelo Estado. Os Baha’is são muitas vezes falsamente acusados de serem agentes estrangeiros trabalhando secretamente contra a nação. O resultado de tais campanhas de desinformação é a de generalizar a ignorância que perpetua a cultura do preconceito ", disse ainda.

O debate formal sobre a "Investigação" da senadora, acerca do Irão, será retomado quando o Senado se reunir novamente no Outono.

O comportamento “vergonhoso” do Irão

Na Índia, individualidades proeminentes continuam a levantar as suas vozes contra a prisão de funcionários e docentes da faculdade BIHE.

A Fundação BETI (Better Education Through Innovation) em Lucknow - que se dedica à educação de raparigas - manifestou a sua "firme solidariedade condenando as acções perpetradas contra o Instituto Bahá'í de Educação Superior".

"É realmente surpreendente que a República Islâmica do Irão recorra a uma acção que, não só nega aos Bahá’ís os seus inerentes Direitos Humanos, como também vai contra os decretos do Sagrado Alcorão que repetidamente sublinha a necessidade de se adquirir a maior e melhor educação possível", escreveu Sehba Hussain, directora e fundadora da Fundação BETI e membro da Comissão Nacional de Protecção dos Direitos da Criança.

"As acções levadas a cabo pelo Governo do Irão são vergonhosas aos olhos dos verdadeiros crentes, bem como do Todo-Poderoso", escreveu a Sra. Hussain.

Numa carta ao embaixador iraniano na Índia, que acompanha uma petição assinada por 86 personalidades, Maja Daruwala - directora de Iniciativas dos Direitos Humanos na Commonwealth - expressou "forte condenação dos actos brutais de perseguição contra os Bahá’ís iranianos", particularmente "aqueles indivíduos associados ao nobre trabalho de proporcionar o acesso à educação dos jovens Bahá’ís, a quem tem sido sistematicamente negado o seu direito à educação ..."

"Pedimos também ao governo do Irão para honrar as suas próprias obrigações que estão subordinadas ao Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais e permitir a todos os seus cidadãos o acesso ao ensino superior, independentemente da sua ideologia ou crenças", escreveu a Sra. Daruwala.

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FONTE: Iran's human rights violations: international condemnation spreads (BWNS)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Rio de Janeiro: Manifestação pela Liberdade Religiosa no Irão

Ontem (19-Junho), representantes do Governo, comunidades religiosas, organizações da sociedade civil, e pessoas provenientes de vários locais do Brasil encontravam-se entre os 800 defensores dos direitos humanos que se reuniram na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, numa manifestação para que o Irão cesse as perseguições aos Bahá’ís e outras minorias religiosas.

Cerca de 8000 imagens (correspondentes ao número de dias de detenção sofridos em mais de três anos na prisão) com fotos dos rostos dos sete dirigentes Bahá’ís presos no Irão foram colocadas em exibição na praia. As fotos formavam um grande círculo, representando o mundo e a união entre todas os povos e nações.



Na sua intervenção o deputado Chico Alencar deu o mote para as actividades do dia: "A liberdade religiosa é algo que não pode ser tocado."

Um participante judeu, Natan Klabin, reforçou a ideia. "Nós sabemos bem o que é ser perseguido por causa de uma religião, e, portanto, nós sabemos o quão importante é mostrar solidariedade para com outras minorias oprimidas".

Babalawo Ivanir dos Santos - representante do candomblé (religião afro-brasileira) - referiu a perseguição que a sua comunidade várias vezes enfrentou. "É por isso que sentimos que temos de protestar contra todos os tipos de intolerância religiosa. Espero que um dia não haja mais necessidade de organizar manifestações como esta, em qualquer país", afirmou.

Mil coletes amarelos - impressos com as frases "Hoje somos todos Bahá’ís" e "Libertem os setes Bahá’ís presos no Irã" - foram distribuídos, juntamente com folhetos sobre a liberdade religiosa. Vários músicos também contribuíram para o programa, apresentando canções sobre liberdade e solidariedade.

Iradj Eghrari, representante da Comunidade Baha’i do Brasil disse que demonstrar solidariedade entre as religiões é essencial para mostrar às autoridades iranianas que a perseguição não é apenas uma questão de preocupação para os Baha'is. "Se uma pessoa não demonstra apoio a minorias religiosas perseguidas, ele ou ela pode muito bem ser a próxima vítima de intolerância religiosa", disse Eghrari.



Os sete dirigentes Bahá’ís detidos eram membros de um grupo nacional ad-hoc que ajudava a responder às necessidades dos 300.000 membros da comunidade bahá'í do Irão. Após 30 meses de detenção sem julgamento, foram julgados sob falsas acusações e condenados a 20 anos de prisão, em Agosto de 2010.

ACTUALIZAÇÃO: Um vídeo sobre o evento (gentilmente cedido por Said Junior):




Sobre este assunto:
Copacabana se mobiliza pelo respeito aos bahais no Irã (O Globo)
Manifestação em Copacabana exige fim de perseguição da religião Bahá’í no Irã (Jornal do Brasil)
Protesto no RJ pede liberdade de religiosos no Irã (terra.com.br)
Ato no Rio pede fim de assédio a bahais no Irã (MRE, Brasil)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vistante ilustre

Parece que este blog ontem recebeu a visita de um visitante ilustre... da Embaixada do Irão em Brasília.

Estava interessado na entrevista de Shirin Ebadi no programa do Jô Soares.

(Clique na imagem para aumentar)

Paris: Flashmob para assinalar o 2º aniversário do esmagamento da Primavera Iraniana

Em 12 de Junho de 2011 assinalou-se o 2º aniversário do esmagamento da Primavera Iraniana. As organizações United4Iran e Move4Iran organizaram em Paris um Flashmob silencioso para chamar a atenção para a contínua violação dos direitos humanos dos cidadãos do Irão continuam a enfrentar. O objectivo desta iniciativa era destacar o apoio internacional sustentado para o povo iraniano e incentivar as pessoas em todo o mundo, que têm a sorte de usufruir liberdades básicas, para se comprometerem no apoio ao movimento direitos civis no Irão.

Arnaldo Jabor: Irão tenta impedir encontro entre Dilma Rousseff e Shirin Ebadi

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Jô Soares entrevista Shirin Ebadi

Jô Soares entrevistou a Prémio Nobel da Paz Shirin Ebadi. A iraniana recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2003,foi a primeira mulher a ocupar o cargo de juíza no Irão. Líder mundial pelos direitos humanos, exilada na Inglaterra, está em São Paulo para participar do Congresso Fronteiras do Pensamento.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Enoch Olinga (1926-1979)

Um vídeo sobre Enoch Olinga, um Baha'i ugandês que serviu a Causa de Bahá'u'lláh durante vários anos. O Sr. Olinga visitou Portugal algumas vezes.
Foi assassinado durante a guerra que se seguiu ao derrube de Idi Amin.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A "Questão Bahá'í" citada no Parlamento Europeu

“As vítimas de intolerância religiosa não são apenas as pessoas privadas do direito de praticar a sua fé; elas sofrem abusos em todos os aspectos das suas vidas diárias.” Este comentário feito durante uma audiência na subcomissão do Parlamento Europeu para os Direitos Humanos.

Penelope Faulkner - membro da Plataforma Europeia de Discriminação e Intolerância Religiosa (EPRID) - destacou o grau em que a liberdade de religião ou crença está ameaçada em todo o mundo. É um "problema enorme", disse Faulkner. "Especialmente em países onde o Estado ... incita ao ódio, as minorias religiosas são indefesos. "Eles perdem os seus direitos, os seus meios de subsistência e, em muitos casos, as suas vidas."

"Este é o caso dos Baha'is no Irão, onde as autoridades aplicam um plano sistemático para lidar com o que chamam «A Questão Bahá’í»- com directivas específicas para bloquear o acesso à educação, confiscar de bens, recusar empregos e negar direitos de cidadania direitos a qualquer pessoa que se saiba ser Bahá’í ", disse Faulkner.

Os seus comentários foram feitos poucos dias depois de 16 pessoas terem sido detidas no Irão por trabalharem para uma universidade informal que oferece cursos aos jovens Baha'is que foram impedidos pelo Governo de frequentar o ensino superior. Veja notícia aqui.

A Sra. Faulkner lembrou ainda uma pesquisa recente que indicava que 70% da população mundial vive em locais onde a liberdade religiosa é limitada ou violada. "Acontece em todos os continentes, em todas as comunidades, incluindo na Europa. O efeito devastador do sofrimento humano nos últimos meses mostra que as políticas da UE nesta área não são apenas necessárias, mas também estão muito atrasadas", afirmou.

"Os seres humanos são responsáveis"

O Relator Especial das Nações Unidas sobre a liberdade de religião ou crença, Heiner Bielefeldt, declarou na audiência que assiste a essas violações numa base diária.

"E o que me choca mais é o grau de ódio contra as minorias religiosas entre as comunidades - muitas vezes o ódio nutrido por uma combinação paradoxal de medo (que por vezes atinge a paranóia) e desprezo", disse o professor Bielefeldt. Mas esses ódios podem ser superados, afirmou.

"Afinal de contas, são seres humanos que são responsáveis, são os seres humanos que também podem mudar, os grupos de seres humanos que também podem evoluir nas suas convicções. Isso é algo que devemos sempre ter em conta."

O Professor Bielefeldt disse na audiência - realizada em 26 de Maio - que a liberdade de religião ou crença é um direito humano universal, que deve também ser interpretado para englobar interpretação mais ampla de religião.

"Você vê muitos países em várias regiões do mundo que garantem a liberdade de religião ou crença na sua constituição, em depois dizem: 'OK, há três opções: você pode ser judeu, cristão ou muçulmano. Ponto Final!"

"Por vezes, são cinco opções; por vezes, são seis opções. Por vezes não são religiões, mas o ponto de partida - se pretendemos fixar-nos na natureza universalista dos direitos humanos - deve ser a dignidade da pessoa humana e seu auto-entendimento. Se você conhece os seres humanos, então sabe que o seu auto-entendimento é muito, muito, muito diversificado", acrescentou.

O professor Bielefeldt salientou ainda que os tratados das Nações Unidas sobre o assunto afirmam claramente que a liberdade de religião ou crença "protege teístas, não-teístas, crenças ateístas, assim como o direito de não professar qualquer religião ou crença... Este é o espírito universalista, e não só o espírito, mas também a carta dos direitos humanos e liberdade de religião. E isto está realmente ameaçado."


Um contexto mais amplo

Neste painel também esteve Sarah Vader, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í junto da União Europeia. A Sra Vader sugeriu que a liberdade de religião ou crença deve ser considerada num "contexto mais amplo da democracia e da protecção dos direitos humanos".

"A UE deve ter um cuidado especial para ser inclusiva e justa, permitindo a participação de todos - incluindo os grupos mais vulneráveis, como mulheres, jovens, minorias étnicas e religiosas", disse a Sra. Vader, que também falava em nome do EPRID, uma coligação de organizações não-governamentais de apoio à liberdade de religião ou crença de que a Comunidade Internacional Bahá'í é um membro.

"Em relação à futura política da UE em matéria de liberdade de religião ou crença, é necessário que o processo seja aberto, transparente e inclusivo, e encontre uma forma de envolver a sociedade civil em diferentes níveis, seja aqui em Bruxelas ou ao nível das capitais e das delegações junto da UE ", declarou.

A Sra. Vader apresentou uma série de recomendações com as quais a UE poderia melhorar o acompanhamento geral e abordagem à liberdade de religião ou crença, seja através da criação de um enviado especial para a liberdade religiosa e elaboração um relatório anual sobre os progressos a nível mundial sobre liberdade de religião ou crença.

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FONTE: "Baha'i Question" cited at European Parliament human rights hearing (BWNS)

Aulas Baha’is para Crianças, em Portimão

Programa “A Fé dos Homens”, emitido na RTP2, no dia 06-Junho-2011.
Reportagem sobre um projecto de Aulas Baha’is para Crianças, em Portimão.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Religiões exortam líderes dos G8 a tomar medidas ousadas sobre questões globais

Nos dias 23 e 24 de maio passado, teve lugar em Bordéus a sétima Cimeira dos Líderes Religiosos dos G8. A Fé Bahá'í respondeu ao convite enviando dois representantes: Susanne Tamas, do Canadá, e Barney Leith, do Reino Unido.

Os dois delegados Bahá'ís reuniram-se com cristãos, judeus, muçulmanos, xintoístas e sikhs, bem como com outros membros de organizações inter-religiosas, para deliberar sobre questões relacionadas com as agendas do G8 na Cimeira de Deauville e do G20 na Cimeira de Cannes, agendadas para 3 e 4 de Novembro de 2011.

O Moderador da Cimeira, Sua Eminência o Metropolitano Emmanuel Adamakis, Co-Presidente do Conselho das Igrejas de França, disse aos participantes que eles estavam ali reunidos não só como líderes religiosos, mas também como representantes da humanidade, falando a uma só voz para os líderes dos países G8 e G20.

Desta reunião saíu uma declaração, aprovada por unanimidade, que posteriormente foi apresentada ao Secretário-Geral dos G8.

Além das recomendações visando cinco grandes temas - a reforma da governação global, a situação macro-económica, as alterações climáticas, o desenvolvimento e investimento na paz - a declaração dizia ainda que deviam ser convidados representantes do continente Africano e do Médio Oriente para serem incluídos nas Reuniões dos G8 e dos G20, porque – dizia o comunicado "As nossas diferentes formações e experiências enriqueceram a nossa consulta".

"O trauma do terramoto, do tsunami e do desastre nuclear, descrito pelos nossos colegas japoneses; a experiência e as aspirações dos nossos amigos dos países do Médio Oriente e a preocupação dos nossos colegas Africanos sobre a continuada marginalização em se fazer ouvir a sua voz, sublinhou a urgência das questões em estudo ". A declaração concluía exortando os G8 e os G20 "para continuarem a expandir e a fortalecer a resposta global necessária para desafios globais."


Representantes do Judaismo, Cristianismo, Islão, Sikhismo, Shintoismo 
e da Fé Bahá'í presentes no encontro de Bordéus

"Nós - os líderes das diversas comunidades religiosas em todo o mundo - comprometemo-nos, novamente, a trabalhar juntos em todas as linhas religiosas para o bem comum, com os governos e outros parceiros de boa vontade. Continuamos convencidos -.cada um de acordo com os ensinamentos da sua religião - que a justiça, a compaixão e a reconciliação são essenciais para a paz genuína", acrescenta o comunicado.

Intervenção Bahá'í

A representante Bahá'í do Canadá afirmou: "Os participantes nesta Cimeira demonstraram um desejo sincero de encontrar uma maneira de traduzir os princípios espirituais, que demonstram a sua visão do mundo, em recomendações concretas e práticas que podem auxiliar os líderes dos G8 a enfrentar os desafios que a humanidade enfrenta". E disse ainda: "O respeito e o interesse genuínos com que as pessoas se ouviram umas às outras procurando aprofundar a compreensão de questões tão complexas foi muito impressionante".

Por sua vez, Barney Leith, do Reino Unido, concordou e disse também: "O espírito de unidade infundido neste encontro foi profundamente comovente".

"Havia um forte sentimento em todos os participantes da Cimeira de que faziam parte de uma única família humana e de estarem completamente empenhados, lembrando aos líderes das nações poderosas o seu compromisso moral de reduzir o sofrimento humano."

As cimeiras anteriores foram realizadas antes de cada reunião dos G8 no Reino Unido (2005), Rússia (2006), Alemanha (2007), Japão (2008), Itália (2009) e Canadá (2010). Esta série de encontros visa identificar áreas de consenso moral entre as várias religiões.