segunda-feira, 26 de setembro de 2011

José Ramos-Horta e Desmond Tutu apelam à libertação de educadores Bahá'ís

À medida que vários educadores Bahá’ís são levados a tribunal no Irão, dois prémios Nobel criticaram duramente o governo iraniano, comparando as suas acções à da “Idade das Trevas na Europa” e à “Inquisição Espanhola”. Estes comentários do Presidente Timorense, José Ramos-Horta, e do Arcebispo anglicano Desmond Tutu surgiram numa carta aberta ao mundo académico, publicado no jornal "Huffington Post", sob o título A Guerra do Irão contra o conhecimento.

Na carta, os dois laureados apelam ao governo iraniano para que liberte incondicionalmente e retire todas as acusações contra sete membros da Comunidade Bahá’í actualmente a ser julgados devido à sua colaboração com o projecto educativo BIHE (Bahá’í Institute for Higher Education).

Desmond Tutu e José Ramos-Horta
"O progresso da humanidade nos últimos séculos tem sido alimentado, mais do que qualquer outro factor, aumentando o acesso à informação, acelerando a troca de ideias, e na maior parte do mundo, através da educação universal", declaram os autores.

"Por esse motivo, é particularmente chocante quando déspotas e ditadores do século XXI tentam subjugar suas próprias populações, negando-lhe a acesso à educação ou à informação”.

"Não só é inútil a longo prazo, mas também faz com que eles pareçam ter medo da época em que vivem, e assombrados por novos pensadores no meio deles."

"O exemplo, talvez mais gritante, desse medo é hoje a negação do ensino superior aos membros da Fé Bahá'í no Irão - uma religião pacífica, sem agenda política, que reconhece a unidade de todas as religiões", afirma-se na carta.

AUDIÊNCIAS NO TRIBUNAL

A publicação desta carta aberta coincidiu com relatos que indicam que já começaram os julgamentos de alguns educadores Bahá’ís que colaboravam com o BIHE (Baha’i Institute for Higer Education), uma iniciativa de professores Bahá’ís expulsos das universidades iranianas que proporcionava uma forma de estudo alternativa aos estudantes Bahá’ís impedidos de entrar nas universidades iranianas.

"As pessoas que foram presas não eram líderes políticos nem religiosos", salientam Ramos-Horta e Desmond Tutu na sua carta. "Eles eram professores de disciplinas como contabilidade e odontologia, e hoje enfrentam a perspectiva de décadas na prisão O crime de que são acusados: proporcionar ensino superior à juventude Bahá’í"

"O advogado que se preparava para os defender está agora, ele próprio, na prisão; ontem, dois dos detidos terão tido audiências no tribunal; hoje, outros dois devem ter audiências; e amanhã, será a vez de outros dois; um outro terá sido levado a tribunal na semana passada", disse Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas.

"Tudo indicia que não podemos esperar um julgamento justo", acrescentou.

Falando em nome da Comunidade Internacional Bahá'í, a Sra Dugal agradeceu a tomada de posição de Ramos-Horta e Desmond Tutu: "Agradecemos-lhes, assim como agradecemos a todos os governos, organizações e pessoas de boa vontade em todo o mundo, cujos esforços transmitem uma mensagem clara às autoridades iranianas de que as suas acções estão a ser vigiadas de perto e são condenadas".

EXPULSOS DEVIDO ÀS SUAS CRENÇAS

A carta aberta também destaca a situação de outros que foram expulsos das universidades "devido às suas crenças ou por defender pontos de vista considerados contrários ao do partido no poder, incluindo pontos de vista pró-reformista."

"Acreditamos que é importante reconhecer que estas acções não são o resultado, ou ditames, da fé islâmica. Basta olhar para a Idade das Trevas da Europa ou a Inquisição espanhola para ver que Aiatolas iranianos não são certamente os primeiros a usar a religião como pretexto para tentar suprimir pela força ideias e conhecimento que eles temem poder ameaçar o seu poder. As ricas tradições filosóficas e artísticas iranianas, os contributos de estudiosos iranianos em todo o mundo, e as acções de membros da comunidade muçulmana, que vieram em auxílio e apoio do BIHE, são um testemunho do facto de que as acções dos seus líderes não são o reflexo da fé muçulmana nem dos muitos muçulmanos de boa vontade nas comunidades iranianas", diz a carta.

"E enquanto nós acreditamos que, tanto historicamente, quanto no mundo interligado de hoje, é inútil suprimir a busca do conhecimento, existem muitas pessoas no Irão, cujas vidas estão ameaçadas ou afectadas por essas tentativas.

"Eles precisam do nosso apoio."

Os prémios Nobel convidam a comunidade académica para transmitir aos seus homólogos iranianos o seu desacordo e desaprovação com qualquer política que impeça os indivíduos de aceder ensino superior, devido à sua religião ou convicções políticas.

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FONTE: Desmond Tutu and Jose Ramos-Horta join calls for release of Baha'i educators (BWNS)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ordem de Nascimento dos Filhos

ORDEM DE NASCIMENTO DOS FILHOS
O 1.º filho é de vidro.
O 2.º é de borracha.
O 3.º é de aço.

PLANEAMENTO
O 1.º filho é, em geral, desejado.
O 2.º é planeado.
O 3.º é descuido.

A ORDEM DE NASCIMENTO DAS CRIANÇAS
1.º Filho - Os irmãos mais velhos têm álbum de fotografias completo, relato minucioso do dia que vieram ao mundo, madeixa de cabelo e dentes de leite guardados.
2.º Filho - O segundo mal consegue encontrar fotografias do primeiro aniversário.
3.º Filho - O terceiro não faz ideia das circunstâncias em que chegou à família

O QUE VESTIR
1.º Bebé - A mãe começa a usar roupas de grávidas assim que o exame dá positivo.
2.º Bebé - A mãe usa as roupas normais o máximo que puder.
3.º Bebé - As roupas para grávidas são as roupas normais da mãe, porque já deixou de ter um corpinho de sereia e passou a ter um de baleia.

PREPARAÇÃO PARA O NASCIMENTO
1.º Bebé - A mãe faz exercícios de respiração religiosamente.
2.º Bebé - A mãe não se preocupa com os exercícios de respiração - afinal lembra-se que, na última vez, eles não funcionaram.
3.º Bebé - A mãe pede para tomar a epidural no 8.º mês porque se lembra que dói muito.

O GUARDA-ROUPA
1.º Bebé - Lavam-se as roupas que oferecem ao bebé, arrumam-se de acordo com as cores e dobram-se delicadamente dentro da gaveta.
2.º Bebé - A mãe vê se as roupas estão limpas e só deita fora aquelas com manchas escuras.
3.º Bebé - Os meninos podem usar rosa, não é? Afinal o seu marido é liberal e tem certeza que o filho vai ser macho como o pai!

PREOCUPAÇÕES
1.º Bebé - Ao menor suspiro do bebé, o pai e a mãe correm para o pegar ao colo.
2.º Bebé - Os pais pegam no bebé ao colo quando os gritos ameaçam acordar o irmão mais velho.
3.º Bebé - Os pais ensinam o mais velho a abanar o berço.

A CHUPETA
1.º Bebé - Se a chupeta cair ao chão, os pais guardam-na até que possam chegar a casa e fervê-la.
2.º Bebé - Se a chupeta cair ao chão, os pais lavam-na.
3.º Bebé - Se a chupeta cair ao chão, os pais passam-na na camisa, dão uma lambidela, passam-ma de novo na camisa, desta vez para dar secar e dão-na novamente ao bebé, porque o que não mata, engorda (vitamina B, de Bicho, off course!).

MUDA DE FRALDAS
1.º Bebé - Trocam as fraldas de hora a hora, mesmo que elas estejam limpas.
2.º Bebé - Trocam as fraldas a cada duas ou três horas, se necessário.
3.º Bebé - Tentam trocar a fralda apenas quando as outras crianças começam a reclamar do mau cheiro.

BANHO
1.º Bebé - A água é filtrada e fervida e a temperatura medida com o termómetro.
2.º Bebé - A água é da torneira e a temperatura é fresquinha.
3.º Bebé - É enfiado directamente debaixo do chuveiro à temperatura que vier, porque a mãe, o pai e os avós foram criados assim e ninguém morreu de frio.

ACTIVIDADES
1.º Bebé - Levam o bebé às aulas de música para bebés, ao teatro, à narração de histórias, à natação, ao judo, etc.
2.º Bebé - Levam o filho à escola e vá lá...
3.º Bebé - Levam o filho ao supermercado, à padaria, à manicura...

SAÍDAS
1.º Bebé - A primeira vez que saem sem o filho, ligam cinco vezes para casa para saber se ele está bem.
2.º Bebé - Quando estão a abrir a porta para sair, lembram-se de deixar o número de telefone à empregada.
3.º Bebé - Mandam a empregada ligar só se vir sangue.

EM CASA
1.º Bebé - Passam boa parte do dia só a olhar para o bebé.
2.º Bebé - Passam algum tempo a olhar para as crianças só para ter certeza que o mais velho não está a apertar, a morder, a beliscar, a bater, a brincar ao super-homem com o bebé, a amarrar um saco de plástico do Continente ao pescoço dele ou a atirá-lo de cima do sofá.
3.º Bebé - Passam o tempo todo a esconderem-se das crianças.

ENGOLIR MOEDAS
1.º Bebé - Quando o primeiro filho engole uma moeda, correm para o hospital e pedem um raio-X.
2.º Bebé - Quando o segundo filho engole uma moeda, ficam atentos até ela sair.
3.º Bebé - Quando o terceiro filho engole uma moeda, descontam na mesada dele.

(recebida por email)

Educação e Paz - Uma perspectiva Baha'i

Entrevista com a Professora Fátima Veiga.
Programa "A Fé dos Homens", transmitido na RTP2, em 19-Setembro-2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Rio de Janeiro: Caminhada pela Liberdade Religiosa

No passado dia 18 de Setembro, o Rio de Janeiro foi palco de mais uma “Caminhada pela Liberdade Religiosa” que reuniu milhares de pessoas e onde o tema das perseguições aos Baha’is no Irão foi lembrado. Os Bahá’ís distribuíram mil camisolas amarelas com o slogan “Hoje somos seguidores de todas as Religiões” - um sentimento partilhado por todas as comunidades presentes.

Este evento é uma iniciativa do Comité de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR). Na primeira edição o evento (em 2008) reuniu cerca de 2000 pessoas e pretendia chamar a atenção para o preconceito que os seguidores das tradicionais religiões afro-brasileiras enfrentam no Brasil; neste ano o evento contou com 25.000 participantes de diversas religiões - Afro-Brasileiros, Católicos romanos, Muçulmanos, Judeus, Protestantes, Budistas e Bahá’ís – e tinha por objectivo chamar a atenção para a intolerância religiosa.

Caminhada pela Liberdade Religiosa, no Rio de Janeiro


No discurso de abertura do encontro, o coordenador do CCIR, Babalorixá Ivanir dos Santos, destacou a perseguição enfrentada pelos Bahá’ís iranianos e chamou a atenção da multidão para o "grupo de amarelo" que, frisou, "são os defensores activos da causa da liberdade religiosa no Brasil”. Depois da marcha vários representantes religiosos falaram à multidão, entre eles Iradj Roberto Eghrari, membro da Comunidade Bahá’í que afirmou:

"O preconceito, os estereótipos e a falta de informação, sobre as diversas tradições religiosas, fazem as pessoas comportarem-se irracionalmente contra aqueles que têm crenças diferentes.
É como deixarmos de ver essas «outras pessoas» como seres humanos, como pessoas que merecem respeito e tratamento justo".

O Sr. Eghrari referiu ainda os sete líderes Bahá’ís iranianos que estão presos desde 2008, condenados a penas de 20 anos de prisão, por falsas acusações.

"Há muitas semelhanças entre as perseguições dos Bahá’ís no Irão e as das religiões afro-brasileiras aqui", acrescentou. "As propriedades são destruídas e confiscadas, as crianças são assediadas e os jovens não podem ter acesso à educação por causa das suas crenças. A única maneira dos opressores deixarem essas pessoas em paz é se eles concordarem em renegar a sua fé. Mas como pode alguém remover à força, uma crença religiosa de uma pessoa, sem a despedaçar completamente?"
Ivan dos Santos, um dos organizadores da marcha, disse que a intolerância religiosa gera racismo e ameaça a democracia. "A religião é uma das causas de guerra no mundo, mas aqui nós estamos trazendo as religiões para o diálogo em conjunto", declarou. "O nosso movimento não é religioso, não promove qualquer fé, apenas o direito de ser respeitado."

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FONTES: 
Brazilians march together to demand justice (BWNS)
Milhares de manifestantes contra Intolerância Religiosa (DN) 
Milhares de manifestantes no Rio de Janeiro contra a intolerância religiosa (SIC)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Irão: Advogado detido antes do julgamento dos Bahá'ís

Enquanto vários Bahá’ís iranianos aguardam julgamento por colaborarem com o BIHE - uma organização que proporcionava ensino superior a jovens Bahá’ís impedidos de frequentar as universidades do Irão - ficou agora a saber-se que o advogado que se preparava para os defender foi detido.

Abdolfattah Soltani, membro sénior de uma equipa jurídica que representa os Bahá’ís detidos, foi preso no passado sábado. O Sr. Soltani é co-fundador do Centro de Defensores dos Direitos Humanos juntamente com outros quatro advogados, incluindo a Prémio Nobel Shirin Ebadi. Recorde-se que este Centro foi encerrado em Dezembro de 2008, após uma rusga policial.

A Amnistia Internacional já apelou à libertação imediata do Sr. Soltani, descrevendo-o como “um dos mais destemidos defensores dos Direitos Humanos no Irão.

A Comunidade Bahá’í, através de Diane Ala’i, a sua representante junto das Nações Unidas, em Genebra, salientou que “um a um, os corajosos advogados iranianos estão a ser convocados e presos, ou têm que fugir do seu país.” E questionou: “Quais são exactamente os motivos para as autoridades iranianas efectuarem esta detenção, pouco antes dos seus clientes serem levados a tribunal?

Em Maio as autoridades iranianas realizaram rusgas em casa de 39 professores, funcionários e alunos do BIHE. Muitas outras pessoas foram detidas e posteriormente interrogadas; algumas foram libertadas. Sete pessoas permanecem detidas desde Maio e outras quatro foram detidas no início desta semana. A imprensa oficial continua a afirmar que o BIHE foi considerado ilegal pelo governo iraniano.

Não tem sido possível conhecer detalhes do processo legal em curso. “Não recebemos qualquer relatório formal com as acusações que lhes são feitas, salvo as indicações que os relacionam com assuntos de segurança nacional. Apesar de todos os esforços, os advogados apenas se conseguiram reunir com três dos detidos”, afirmou a Sra Ala’i.

“Apelamos a todos os governos, organizações e pessoas de boa vontade que façam tudo ao seu alcance para impedir o Irão de prosseguir com mais um atropelo à justiça”, acrescentou a Sra Ala’i.

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FONTE: Lawyer arrested ahead of trial of Baha'i educators (BWNS)

Annual Report on Religious Freedom

The U.S. State Department on Tuesday issued its annual report on religious freedom. Secretary of State Hillary Clinton said that violations of religious freedom embolden extremists. And she said that Iran is among the worst offenders. VOA's Jerome Socolovsky met a woman whose father was arrested after he tried to circumvent a ban on university education for the Baha'i minority.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Entrevista no Absurdistão

- Permita-me que lhe faça a última pergunta desta entrevista. Gostaria de saber a sua opinião sobre a pena de morte por apedrejamento que existe no Irão. Como muçulmano e como presidente... eu gostaria de saber qual é a sua opinião sobre o apedrejamento.

- Faz alguma diferença o método como se matam as pessoas? A senhora estudou o quê? Quais foram os seus estudos universitários? A senhora frequentou a universidade? Diga-me qual foi a sua licenciatura

- Está-me a perguntar o que é que eu estudei? Estudei Comunicação, Relações Internacionais e Estratégia.

- Bom... Se eu lhe fizer uma pergunta acerca da indústria a senhora consegue responder? É que a senhora está a fazer-me uma pergunta de direito... Eu sou um engenheiro de formação

- O senhor é engenheiro mas tem uma opinião... enquanto presidente do Irão...

- Por exemplo, é possível termos um debate entre advogados. Então devia convidar advogados, juristas e terem este tipo de discussões jurídicas... Eu, Ahmadinedjad, presidente deste país não quero que ninguém morra... em felicidade, liberdade de uma forma dinâmica e próspera.

Na entrevista ao Ahmadinedjad...


... faltaram umas perguntas sobre direitos humanos e minorias religiosas no Irão!

A frase da semana



"Porque é que alguns países ocidentais se preocupam tanto com os direitos das minorias?"

Ahmadinedjad, hoje numa entrevista à RTP1.

Mais uma peça no mosaico religioso do Líbano

Tradução de um artigo publicado na edição online do jornal libanês The Daily Star. Este artigo surgiu na edição em papel do dia 06 de Setembro. Os sombreados a amarelo são da minha responsabilidade.
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É amplamente conhecido que o Líbano tem oficialmente 18 seitas religiosas. Mas nem o número 18, nem mesmo a palavra seita, descreve realmente a diversidade religiosa do país. Espalhados pelo país encontram-se várias centenas de membros da Fé Bahá’í.

Proibida pela doutrina de fazer proselitismo, a sua existência é muitas vezes ignorada e as suas crenças mal entendidas. Apesar disso, os adeptos não se parecem importar com a falta de um rótulo sectário. Eles dizem que não são uma seita, mas sim uma religião independente, que incorpora as que vieram antes dela.

A Fé Bahá'í teve a sua génese na Pérsia, em meados do século 19, onde nasceu o seu fundador Mirza Husayn Ali Nuri, conhecido como Bahá’u’llah ("a glória de Deus"). Bahá’u’llah foi um dos primeiros seguidores de Sayyid Ali Mohammad de Shiraz, conhecido como Báb ("a porta"), que alegou ser o 12º imã referenciado no Islão xiita. Posteriormente, após o Báb ter sido executado devido às suas crenças e o próprio Bahá’u’lláh ter sido preso e exilado, a fé Bahá’í tornou-se uma religião por direito próprio.

Bahá’u’llah afirmou ser um mensageiro de Deus, e Baha'is acreditam que a fé Bahá’í é a última[1] de uma sucessão de religiões. Eles acreditam nos profetas, incluindo Abraão, Jesus, Maomé, Buda, o Báb e Bahá’u’lláh. Os principais ensinamentos incluem a unidade de Deus - apesar da sua aceitação de vários profetas, esta é uma religião monoteísta - a unidade da religião e a unidade da humanidade. Além dos escritos de Bahá’u’lláh, os Baha’is também aceitam os textos sagrados das outras religiões, como a Bíblia, o Alcorão e os escritos de Buda.

Depois de Bahá’u’lláh ter sido preso por autoridades persas e otomanas, morreu em Akka, agora dentro das fronteiras de Israel dos dias de hoje, onde se situa a sede da religião. A religião propagou-se e, por fim, fez o seu caminho para o Líbano.

Um dos primeiros convertidos libaneses foi Sheikh Jaafar al-Tahhan, um clérigo xiita que, segundo os seus bisnetos Sawsan e Karim, conheceu a religião quando esteve no Iraque, e acreditou que esta cumpria as profecias do Islão. Após o seu regresso ao Vale de Bekaa, ele converteu a sua família, e assim surgiu uma dos três ou quatro famílias Bahá’ís libanesas

Apesar de serem da terceira geração de Baha'is, Sawsan e Karim explicam que seguir a fé foi uma escolha.

Isto porque os Baha'is devem estudar outras religiões antes de oficialmente se tornarem membros da religião, aos 15 anos[2]. "Estive em escolas cristãs, fui a aulas de cristianismo... Estudámos sobre Buda, Maomé, e outras figuras religiosas", diz Sawsan.

Ela também frequentou aulas Bahá'ís e escolheu tornar-se Bahá’í.

O mesmo fez Karim. Crescendo como Bahá’í, afirma, "Estudei a maioria das religiões. [A fé Bahá’í] fez mais sentido para mim. Para cada pergunta que eu tinha, eu encontrei respostas."

A fé Bahá’í proíbe o preconceito, promove a paz no mundo, insiste na igualdade de género, na educação e mesmo, por fim, numa língua internacional que possa ser compreendida por todos.

Sawsan diz que, com sua ênfase no internacionalismo "a religião adapta-se às necessidades da globalização."

Os irmãos estão sentados num sofá em casa de Zena Ghamloush, um membro de outra família Bahá’í libanesa. Estão numa reunião devocional, onde Baha'is oram. Não há nenhum sacerdote, sheikh, ou algo semelhante, porque os Bahá’ís comunicam directamente com Deus. Tal com explica uma mulher no encontro: "Se você ama alguém, você deve falar com ele/ela."

Depois de conversar durante algum tempo, uma dúzia ou mais de pessoas sentam-se numa espaçosa sala de estar dos Ghamloush. Toca suavemente uma música de fundo. Sobre uma mesa da sala encontram-se cartões com orações escritas em inglês e árabe. Algumas pessoas pegam num cartão; outros recitam de memória.

Karim inicia a noite lendo uma oração em árabe; segue-se a sua irmã. Outra jovem, uma educadora de infância, canta uma canção em inglês. Alguém lê o Alcorão. A maior parte ouve com os olhos fechados.

As reuniões devocionais ocorrem frequentemente em casas como a dos Ghamloush, e não existe templo Bahá’í no Líbano. Há um Centro Bahá’í em Montiverdi para os grandes encontros. O feriado mais importante no calendário Bahá’í, Ridvan, começa no final de Abril. O Ano Novo Bahá’í é em Março.

Sawsan, Karim e Zena dizem que as pessoas são muitas vezes curiosas e mal informadas sobre a sua religião. "Eles acham que é uma seita muçulmana", diz Sawsan. "A nossa família era muçulmana, e por isso, somos rotulados como muçulmanos." Os Bahá’ís estão registados de acordo com a sua herança familiar, em vez da sua identidade religiosa. Para um casamento Bahá'í ser reconhecido legalmente no Líbano devem [primeiramente] ter um casamento civil; depois podem casar.

"Fazem-nos um monte de perguntas, colegas e novos amigos", diz Ghamloush. Mas a discriminação flagrante não é um grande problema, afirma. Ela acha que a mistura sectária, que é frequentemente acusada pelo conflito aqui, é o motivo para os Bahá’ís, na sua maioria, não serem incomodados.

"Aqui há muitas religiões, há muitas seitas", diz ela, e por isso "eles estão habituados à ideia de diversidade."

A religião proíbe os Bahá’ís de se envolverem na política, a menos que um governo interfira com seu direito de culto. Os Baha'is também são obrigados a obedecer às leis do país em que vivem, diz Ghamloush.

No Líbano e em alguns outros países árabes, isso representa um conjunto específico de desafios. O Centro Mundial Bahá’í, e os seus locais mais sagrados, estão em Israel. "O governo libanês diz que não temos permissão para entrar em contacto com os israelitas, e assim, como Baha'is temos que respeitar", diz Ghamloush. "Por isso, não temos qualquer contacto directo com o Centro Mundial Bahá’í."

"É um sonho para mim como Bahá'í individual visitar os lugares santos", diz ela. "[Mas isso só vai acontecer], na altura certa, porque não podemos quebrar as regras."

Mas se os Bahá’ís não podem visitar os lugares sagrados, eles podem praticar a sua religião de outras maneiras. "Os Bahá’ís de tentam implementar os conceitos [da religião] nas suas comunidades locais", através do voluntariado, por exemplo, diz Ghamloush.

Após o fim da oração da residência Ghamloush, o grupo espiritualmente saciado move-se pela sala em busca de actividades mais terrenas.

Gelatinas vermelha e laranja, bolos de chocolate, doces árabes e chá acompanham uma conversa animada. É uma mistura doce e confusa, que parece apropriada para uma religião que defende a paz, amor e respeito aqueles que vieram anteriormente.

Tal como diz Sawsan, a fé Bahá’í tem múltiplas fontes religiosas. Sorri: "É uma espécie de resumo."

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Texto original: Another tile in Lebanon’s mosaic of faiths (The Daily Star, Lebanon)

União Europeia condena perseguições aos Bahá’ís do Irão

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton voltou a condenar a perseguição à comunidade Bahá’í no Irão. Numa declaração publicada ontem a Sra Asthon expressou “profundas preocupações sobre a recente vaga de detenções de cidadãos Baha’is e o encerramento de um centro educativo da Comunidade Bahá’í no Irão. A declaração também insta o Irão a abster-se de todas formas de discriminação contra as minorias religiosas.

Recentemente o Irão declarou ilegal o BIHE (Bahá’í Institute for Higher Education) que recorria ao serviço voluntário de professores despedidos para ensinar os jovens Baha’is. No passado mês de Maio, cerca de 14 Baha’is que trabalhavam para o BIHE foram levados para priões em Teerão, Jaraj, Shiraz e Isfahan.

O BIHE foi criado em 1987 com o objectivo de proporcionar ensino superior aos jovens Bahá’ís impedidos de entrar nas Universidades devido às suas convicções religiosas. O governo iraniano afirma que a Fé Bahá’í é uma organização política e recusa-se a reconhecê-la como religião.

Clique aqui para ler a declaração da Sra Ashton.