terça-feira, 29 de novembro de 2011

Identidade local e cidadania global

Para conhecer a verdade devemos envolver-nos na prática da comunicação com outros; isso significa falar com, e ouvir, pessoas que são significativamente diferente de nós. Se falamos apenas connosco ou os que são semelhantes a nós, ou se existem pessoas que simplesmente excluímos dos nossos diálogos, ou com os quais não nos imaginamos a falar, então estamos a privar-nos de uma oportunidade para aprender alguma coisa que ainda não descobrimos.

Ter a nossa própria língua materna e, no entanto, ser capaz de compreender e conversar noutras línguas e culturas religiosas é sentir o fascínio e a necessidade de se tornar aquilo que podemos chamar “cidadãos do mundo”. A expressão pode ser mal-entendida ou mal utilizada – como se ser membro da aldeia global exigisse que abandonássemos completamente a nossa aldeia natal. As nossas raízes identitárias são sempre locais; e em grande medida assim continuam. O que estamos aqui a falar é da necessidade, e excitante oportunidade, para nos tornarmos cidadãos de outras aldeias. Levamos o que herdámos da nossa própria aldeia, e à luz daquilo que aprendemos enquanto visitamos outras aldeias, apreciamos tanto o valor como as limitações daquilo que a nossa própria aldeia nos deu. Neste sentido, todos nós somos hoje chamados a um certo grau de cidadania mundial. Duas das maiores ameaças que a comunidade das nações e culturas enfrenta hoje são o nacionalismo e fanatismo, que crescem entre aqueles que nunca abandonaram a sua aldeia e pensam que são superiores a todos os outros.

Este chamamento não é escutado por todas as pessoas e comunidades religiosas. É frequentemente entendido como uma ameaça por aquelas teologias que não a aprovam. Porque a face do estranho ainda é demasiado ameaçadora, muitas comunidades religiosas ainda respondem à nova situação mundial com uma espécie de isolacionismo cultural que desvia as tradições religiosas e as coloca ao serviço do nacionalismo etnocêntrico.

Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 12

domingo, 27 de novembro de 2011

Fado, património imaterial da humanidade

Ana Gomes: Violação de Direitos Humanos no Irão

Intervenção da Eurodeputada Ana Gomes, a propósito de uma moção sobre violação dos Direitos Humanos no Irão.

Rui Tavares: violação de Direitos Humanos no Irão

Rui Tavares, no Parlamento Europeu, a propósito de uma moção sobre Direitos Humanos no Irão.



O assassinato de Abdolreza Soudbakhsh, médico e professor na Universidade de Teerão, que examinou as vítimas de Kahrizak, uma prisão macabra usada pelas autoridades iranianas usaram para deter a grande maioria dos militantes da oposição. E mais: o caso das empresas europeias que colaboram com o regime no Irão com tecnologia para censurar comunicações dos opositores.

sábado, 26 de novembro de 2011

ONU condena Irão por violação de Direitos Humanos



Depois de uma votação recorde, a Assembleia Geral da ONU condenou o governo do Irão pela violação dos Direitos Humanos.
Para alertar sobre a violência do regime, famílias da religião Baha'i no Brasil realizaram uma exposição sobre a perseguição na República Islâmica.

Direitos Humanos: ONU e União Europeia Condenam Irão

A Assembleia Geral da ONU, usando a linguagem mais dura até à data, condenou firmemente o Irão pelas suas "violações contínuas e recorrentes dos direitos humanos." Com uma votação de 86 a favor, 32 contra e 59 abstenções, a Terceira Comissão da Assembleia aprovou uma resolução de seis páginas em que classifica uma vasta gama de abusos no Irão, incluindo um "aumento dramático" das execuções, do uso de tortura, dos ataques sistemáticos contra defensores dos direitos humanos, violência generalizada contra as mulheres e discriminação continuada contra as minorias, incluindo os membros da Fé Bahá'í.

Leia a resolução completa aqui

"Com uma longa e detalhada lista de crimes contra os cidadãos comuns, a Resolução deste ano, condena o comportamento das autoridades iranianas nos termos mais duros a que já assistimos", disse Bani Dugal, representante principal da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas. "O resultado não pode deixar dúvidas sobre o que a comunidade mundial pensa dos incansáveis esforços do Irão para violar praticamente todos os direitos humanos", acrescentou.

A resolução vem no seguimento dos recentes relatórios do Secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do novo Relator Especial para os direitos humanos no Irão, que foram também fortemente críticos em relação aos abusos dos direitos humanos na República Islâmica.

ÁREAS DE PREOCUPAÇÃO

Patrocinada por 42 países, a resolução enumera cerca de 16 áreas de interesse, que vão desde a tortura e um aumento das penas de morte, até às "restrições graves e sistemáticas da liberdade de reunião pacífica" e "severas limitações e restrições ao direito de liberdade de pensamento, consciência, religião ou crença". Também estão mencionadas, pela primeira vez, as preocupações com a "interferência ilícita" na privacidade individual, citando a violação de correspondência, e-mails e correio de voz, por parte do governo.

Está também em destaque a persistente incapacidade do Irão em seguir os procedimentos legais necessários, incluindo "o uso sistemático e arbitrário de prisão solitária prolongada, a falta de acesso dos prisioneiros aos representantes legais da sua escolha, a recusa em considerar a concessão de fiança aos detidos e as más condições das prisões, incluindo o alto nível de superlotação e más condições de saneamento, bem como relatos persistentes de prisioneiros que são sujeitos a tortura e estupro e outras formas de violência sexual."

"ESCALADA DE ATAQUES CONTRA OS BAHÁ'ÍS"

As violações contínuas e a discriminação contra as minorias étnicas e religiosas são outra causa de preocupação, em particular os problemas enfrentados pelos árabes, os azeris, baluchis e curdos, bem como a discriminação contra os cristãos, judeus, sufis, muçulmanos sunitas e zoroastrianos.

Destaca-se ainda, "O aumento dos ataques contra os Bahá’ís e seus defensores, inclusive nos média patrocinados pelo Estado; um aumento significativo no número de Bahá’ís presos e detidos, incluindo o ataque direcionado ao BIHE (Bahá’í Institute for Higer Education), o restabelecimento dos vinte anos de prisão contra os sete dirigentes Bahá'ís, seguindo procedimentos legais profundamente falsos e novas medidas para negar o emprego aos Bahá'ís nos setores público e privado".

A resolução apela ao Irão para "eliminar a discriminação e a exclusão das mulheres e membros de certos grupos, incluindo membros da Fé Bahá'í, no que respeita ao acesso ao ensino superior, e para acabar com a criminalização do esforço para proporcionar ensino superior à juventude Bahá’í aquém foi negado o acesso às universidades iranianas".

O país também deve cooperar com a ONU e os seus funcionários nos esforços para monitorizar o cumprimento dos direitos humanos.

"Esta resolução é um testemunho poderoso da situação de como todos os iranianos - e não apenas algumas minorias dissidentes – vivem em permanente estado de sítio, onde hostilização, prisões arbitrárias, tortura e ameaças de morte, se tornaram preocupações diárias", afirmou a Sra. Dugal.

A Resolução - que deverá ser confirmada pela totalidade da Assembleia, em Dezembro - solicita ao Secretário-Geral das Nações Unidas um novo relatório, sobre os direitos humanos no Irão, para o próximo ano.


RESOLUÇÃO EUROPEIA

No passado dia 17 de Novembro, o Parlamento Europeu também aprovou uma resolução, igualmente dura, condenando o Irão pelas suas violações de direitos humanos.

Leia a resolução aqui.

A resolução citou várias preocupações, que vão desde o aumento das execuções e o uso generalizado da tortura até à opressão sistemática dos defensores dos direitos humanos, jornalistas, mulheres e minorias.

O Parlamento Europeu observou igualmente o aumento da perseguição aos Bahá’ís no Irão, notando que "sofrem discriminação pesada, incluindo a negação do acesso à educação" e que os sete dirigentes Bahá’ís permanecem presos e "mais de 100 membros da comunidade continuam sob detenção."

"Congratulamo-nos com estas resoluções e esperamos que o governo iraniano ouça finalmente os apelos da comunidade internacional para o fim destas práticas e um regresso ao Estado de Direito", declarou Bani Dugal.

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FONTE: UN strongly condemns Iran's human rights violations; European Parliament joins global outcry (BWNS)

Dia da Aliança

O Dia da Aliança é o dia em que os Bahá’ís celebram a nomeação de 'Abdu'l-Bahá como Centro da Aliança de Bahá'u'lláh. As diversas Comunidades Bahá’í assinalam esta data com encontros devocionais, onde são lidos excertos das Escrituras Bahá'ís e evocada a importância da Aliança de Bahá'u'lláh.

'Abdu'l-Bahá afirmou que o dia 23 de Maio é o dia da Declaração do Báb e deve estar sempre associado a esse evento, e nunca recordado como o dia do Seu nascimento. No entanto, os Bahá'ís pediram-Lhe que indicasse um dia para ser celebrado como data do seu aniversário. Em resposta, Ele indicou o dia 26 de Novembro para ser celebrado como o dia da nomeação do Centro da Aliança de Bahá'u'lláh.

Este feriado era originalmente conhecido como Jashn-i-A’zam, que em persa significa “O Maior Festival”, pois 'Abdu'l-Bahá era conhecido como “O Mais Grandioso Ramo”. No Ocidente este dia sagrado tornou-se conhecido como Dia da Aliança.

Este é um feriado Bahá'í em que o trabalho não tem de ser suspenso.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Music as a key to understanding reality

Mr. Khadem-Missagh is a violinist who discovered that there are some hidden connections between music and the world around us.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Comemoração do Centenário da Fé Bahá'í na África do Sul

No passado dia 12 de Novembro, comemorou-se em Joanesburgo, o centenário da Fé Bahá'í na África do Sul, com uma reunião aberta de pessoas de todas as origens étnicas, lembrando que nem sempre foi assim no passado. Durante esta comemoração foram recordadas algumas histórias que relatavam os perigos enfrentados pelos primeiros Bahá’ís que tentavam seguir a sua fé nos anos mais difíceis do apartheid.

Khwezi Fudu, porta-voz dos Bahá’ís da África do Sul, disse: "A comunidade reflectiu sobre o trabalho dos primeiros Bahá’ís na promoção da unidade num país com um passado de segregação racial". E acrescentou: “Também comemoramos - com apresentações musicais, teatrais e audiovisuais - a contribuição que a comunidade Bahá'í tem dado ao país nas áreas de unidade racial, educação moral das crianças e dos jovens, igualdade de género e diálogo inter-religioso".

O ex-Presidente Sul-Africano, Thabo Mbeki, enviou uma mensagem em que afirmava: "Estamos... fortemente encorajados pelo facto de vocês terem respondido aos desafios do desenvolvimento humano, não só prestando serviços, mas também alimentando a capacidade de todos os seres humanos para o seu próprio desenvolvimento, incluindo a sua moralidade". "Sentimo-nos muito honrados e mais fortes por termos membros da Fé Bahá'í no nosso país e entre nós", acrescentou.

O coro Bahá'í "Diversity" actuando na celebração do Centenário da Fé Bahá'í na África do Sul


UMA ELEIÇÃO MULTI-RACIAL

Aos dignitários e convidados presentes na comemoração, foi contado que, após a Fé Bahá'í ter chegado à África do Sul em 1912, as pessoas de todas as raças, foram-se juntando gradualmente à comunidade. Em 1956, quando a comunidade era já suficientemente grande, os Bahá’ís da África Austral, de várias origens raciais, reuniram-se numa pequena fazenda em Highveld e elegeram o primeiro Conselho regional.

Como precaução, Reginald Turvey - um pintor muito conhecido, que era Bahá’í - ficou a vigiar a estrada que ia para a fazenda. Se a polícia de segurança se aproximasse, ele daria um aviso e os eleitores, dispersar-se-iam. Os Bahá’ís africanos fingiriam estar a fazer limpezas e a cozinhar, enquanto os membros brancos da comunidade fingiriam estar a jogar às cartas.

Esta eleição histórica decorreu sem problemas - o seu resultado foi uma prova do princípio Bahá’í de unidade racial: dos nove membros eleitos, dois eram negros e um deles era um mestiço Sul-Africano, juntamente com um Swazi e um moçambicano, e quatro brancos.


CONVIDADOS PROEMINENTES

Na comemoração do centenário estiveram presentes: a senhora Zanele Mbeki, anterior primeira dama da África do Sul; a família real Sigcau, do povo AmaMpondo; Agostinho Zacarias, Coordenador Residente das Nações Unidas, e outras pessoas ilustres, incluindo funcionários do governo, membros do corpo diplomático, artistas, jornalistas e representantes de corporações, académicos, líderes religiosos e activistas sociais.

Também a Alta Comissária Australiana - Sua Excelência a Sra. Ann Harrap - fez uma palestra em que focou questões como a capacitação das mulheres e descreveu a ocasião como "interessante, inspiradora e educativa". "Fiquei impressionada pela forma como a comunidade Bahá'í se reuniu para apresentar o que eles têm contribuído para a sociedade Sul-Africana nos últimos 100 anos", acrescentou.

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FONTE: South African Baha'is reflect on 100 years of racial unity (BWNS)

sábado, 19 de novembro de 2011

Verdade ou Ideologia?

Exemplos de como a verdade se transforma perigosamente em ideologia estão espalhados na história de todas as religiões e culturas. Porque é que os pregadores Cristãos disseram aos pobres que a sua pobreza lhes faria ganhar um lugar mais elevado no céu? Era para os consolar os pobres ou para os impedir de se revoltarem contra os ricos proprietários que frequentemente contribuíam financeiramente para a igreja? Porque é que os Brahmins (autoridades religiosas no Hinduísmo) insistem que o sistema de castas é um requisito da lei sagrada e eterna do Darhma? Porque descobriram esta lei através de estudo e meditação ou porque o seu próprio prestígio e poder eram garantidos através do sistema de castas?

Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 12

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ser Baha'i em Angola - Fernando Mesquita

Fernando Mesquita, membro da Comunidade Baha'i, partilha algumas memórias sobre o tempo em que viveu em Angola (1970-1975).

sábado, 12 de novembro de 2011

Em busca de uma identidade religiosa renovada

As religiões mundiais confrontam-se umas com as outras como nunca aconteceu anteriormente e estão a experimentar um novo sentido de identidade e propósito porque, tal como átomos, humanos e culturas, sentem as possibilidades de uma unidade mais ampla através de um melhor relacionamento entre si. Tal como a filosofia e a ciência apelam à cultura ocidental a partir de um entendimento estático e individualista da realidade, também muitas pessoas religiosas estão a despertar para uma forma mais dinâmica e dialogante de compreensão de si próprios. Os crentes nas várias religiões sentem cada vez mais intensamente o desafio de encontrar e desenvolver as suas identidades individuais numa comunidade mais ampla de outras religiões. Para ser Cristão ou Hindu, deve-se ser parte desta comunidade religiosa mais ampla. Hoje, assim parece, deve-se ser inter-religiosamente religioso.

Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 10