segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
A Epístola da Sabedoria (4)
A CRIAÇÃO
NOTA: entre parêntesis rectos [ ] encontram-se referências aos parágrafos da Epístola da Sabedoria.
Como dissemos anteriormente, para compreender qualquer Epístola de Bahá'u'lláh é necessário conhecer as circunstâncias da sua revelação. No caso da Epístola da Sabedoria também é importante perceber o contexto intelectual da época; por outras palavras, temos de conhecer as preocupações e interesses da intelectualidade islâmica da segunda metade do séc. XIX. Recordemo-nos que Nabil - o destinatário da Epístola - provinha desse meio.
A tradução para árabe de obras de antigos filósofos gregos enriqueceu profundamente a cultura islâmica; mas também abriu portas para diversos debates e controvérsias. Um desses debates - que apaixonava os intelectuais do mundo islâmico - era a questão sobre o início da criação. Os gregos antigos acreditavam que o universo sempre existira; mas esta doutrina colidia com as ideias bíblicas e corânicas de que o mundo tinha sido criado por Deus num determinado momento no tempo.
Avicena, médico e filósofo persa (980-1037) defendia as ideias aristotélicas sobre eternidade da criação. Al-Ghazali, místico e filósofo persa (1058-1111), no livro “A Incoerência dos Filósofos”, atacara as ideias de pré-existência do cosmos. Por outro lado, Averrois, filósofo e médico andaluz (1126-1198), no livro “A Incoerência da Incoerência” refutara os argumentos de Al-Ghazali e reafirmara a eternidade do universo. O debate arrastou-se ao longo de séculos e na Pérsia do sec. XIX ainda continuava, havendo correntes de pensamento que rejeitavam a filosofia grega e a ciência moderna, e outras que defendiam a sua importância.
Não é surpreendente que Nabil, que tinha uma profunda formação em filosofia e teologia, quisesse saber a opinião de Bahá'u'llah sobre o assunto.
Em resposta a Nabil, Bahá'u'llah afirma a validade dos dois conceitos. Por um lado, afirma a validade das posições de Avicena e Averrois: "Fosses tu asseverar que sempre existiu e haverá de continuar a existir, isso seria verdade"[8]. Seguidamente, a Abençoada Beleza sustenta a veracidade dos textos sagrados, proclamando que a criação tem a sua origem no poder criador de Deus.
A compatibilidade entre os dois conceitos pode ser formulada da seguinte maneira: o universo foi criado por Deus, mas nunca teve um momento de não-existência. Para entender a harmonia entre os dois conceitos temos de olhar para aquilo que Bahá'u'lláh considera ser a causa da Criação: o Verbo de Deus.
Apesar de afirmar que a causa da criação é incompreensível à compreensão humana[8], Bahá'u'llah declara: “O que tem estado em existência havia existido antes, mas não na forma que tu hoje vês. O mundo existente veio a ser, através do calor gerado da interacção entre a força activa e aquela que a recebe. Essas duas são a mesma, embora sejam, no entanto, diferentes... O que comunica a influência geradora e aquilo que lhe recebe o impacto são, em verdade, criados através do irresistível Verbo de Deus, Verbo esse que é a Causa da criação inteira, enquanto tudo mais, além do Seu Verbo, são apenas as criaturas e os efeitos do Verbo.”[9]
Note-se que os conceitos e analogias presentes nesta citação também se podem encontrar nas Escrituras de outras religiões. A criação descrita no Alcorão (37:11, 55:14) e na Bíblia que dizem-nos que o ser humano foi feito a partir do barro; isto sugere a presenta de elementos activo e passivo.
Porque é que Bahá'u'llah afirma que a criação tem “uma Causa inescrutável até mesmo para todos os homens de erudição”[8] e posteriormente apresenta algumas ideias defendidas por Avicena e Aristóteles? Será correcto aceitar literalmente estas palavras?
Na minha opinião pessoal, estas palavras podem ser consideradas como uma validação dos conceitos apresentados por Avicena, que por sua vez se inspirou nas ideias Aristóteles (De generatione et corruption). Os gregos antigos acreditavam que o universo tinha surgido devido à combinação de agentes activos e agentes passivos. Este modelo aristotélico dominou a física no mundo islâmico e na Europa Medieval. Na Pérsia do século 19, este modelo ainda era defendido por alguns filósofos. Recordemos que estas palavras estão adequadas à mentalidade de Nabil-i-Akbar, que estava familiarizado com estes conceitos.
Para concluir, poderíamos resumir estas palavras dos parágrafos [8] e [9] da seguinte forma:
NOTA: entre parêntesis rectos [ ] encontram-se referências aos parágrafos da Epístola da Sabedoria.
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| O universo é eterno ou foi criado num certo momento? |
A tradução para árabe de obras de antigos filósofos gregos enriqueceu profundamente a cultura islâmica; mas também abriu portas para diversos debates e controvérsias. Um desses debates - que apaixonava os intelectuais do mundo islâmico - era a questão sobre o início da criação. Os gregos antigos acreditavam que o universo sempre existira; mas esta doutrina colidia com as ideias bíblicas e corânicas de que o mundo tinha sido criado por Deus num determinado momento no tempo.
Avicena, médico e filósofo persa (980-1037) defendia as ideias aristotélicas sobre eternidade da criação. Al-Ghazali, místico e filósofo persa (1058-1111), no livro “A Incoerência dos Filósofos”, atacara as ideias de pré-existência do cosmos. Por outro lado, Averrois, filósofo e médico andaluz (1126-1198), no livro “A Incoerência da Incoerência” refutara os argumentos de Al-Ghazali e reafirmara a eternidade do universo. O debate arrastou-se ao longo de séculos e na Pérsia do sec. XIX ainda continuava, havendo correntes de pensamento que rejeitavam a filosofia grega e a ciência moderna, e outras que defendiam a sua importância.
Não é surpreendente que Nabil, que tinha uma profunda formação em filosofia e teologia, quisesse saber a opinião de Bahá'u'llah sobre o assunto.
Em resposta a Nabil, Bahá'u'llah afirma a validade dos dois conceitos. Por um lado, afirma a validade das posições de Avicena e Averrois: "Fosses tu asseverar que sempre existiu e haverá de continuar a existir, isso seria verdade"[8]. Seguidamente, a Abençoada Beleza sustenta a veracidade dos textos sagrados, proclamando que a criação tem a sua origem no poder criador de Deus.
A compatibilidade entre os dois conceitos pode ser formulada da seguinte maneira: o universo foi criado por Deus, mas nunca teve um momento de não-existência. Para entender a harmonia entre os dois conceitos temos de olhar para aquilo que Bahá'u'lláh considera ser a causa da Criação: o Verbo de Deus.
Apesar de afirmar que a causa da criação é incompreensível à compreensão humana[8], Bahá'u'llah declara: “O que tem estado em existência havia existido antes, mas não na forma que tu hoje vês. O mundo existente veio a ser, através do calor gerado da interacção entre a força activa e aquela que a recebe. Essas duas são a mesma, embora sejam, no entanto, diferentes... O que comunica a influência geradora e aquilo que lhe recebe o impacto são, em verdade, criados através do irresistível Verbo de Deus, Verbo esse que é a Causa da criação inteira, enquanto tudo mais, além do Seu Verbo, são apenas as criaturas e os efeitos do Verbo.”[9]
Note-se que os conceitos e analogias presentes nesta citação também se podem encontrar nas Escrituras de outras religiões. A criação descrita no Alcorão (37:11, 55:14) e na Bíblia que dizem-nos que o ser humano foi feito a partir do barro; isto sugere a presenta de elementos activo e passivo.
Porque é que Bahá'u'llah afirma que a criação tem “uma Causa inescrutável até mesmo para todos os homens de erudição”[8] e posteriormente apresenta algumas ideias defendidas por Avicena e Aristóteles? Será correcto aceitar literalmente estas palavras?
Na minha opinião pessoal, estas palavras podem ser consideradas como uma validação dos conceitos apresentados por Avicena, que por sua vez se inspirou nas ideias Aristóteles (De generatione et corruption). Os gregos antigos acreditavam que o universo tinha surgido devido à combinação de agentes activos e agentes passivos. Este modelo aristotélico dominou a física no mundo islâmico e na Europa Medieval. Na Pérsia do século 19, este modelo ainda era defendido por alguns filósofos. Recordemos que estas palavras estão adequadas à mentalidade de Nabil-i-Akbar, que estava familiarizado com estes conceitos.
Para concluir, poderíamos resumir estas palavras dos parágrafos [8] e [9] da seguinte forma:
- A criação sempre existiu apesar de já ter tido outra(s) forma(s). Não lhe podemos atribuir uma origem temporal.
- Nenhuma teoria científica ou filosófica conseguirá, alguma vez, descrever de forma adequada e completa a interacção entre o Verbo e a Criação.
- Existem algumas ideias válidas sobre a criação que já foram identificadas por alguns sábios, mas não descrevem a totalidade dessa interacção. No entanto, trata-se de um processo que na sua totalidade é incompreensível para os seres humanos.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Sam Cyrous - Unicidade e a Diversidade do Pensamento
Sam Cyrous é psicólogo e mestre em Psicoterapia Relacional pela Universidade de Sevilla (Espanha).
É membro da Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial e representante no Brasil da Academia Internacional de Psicoterapia Positiva e Transcultural. Treinador e palestrante, organizador de eventos nacionais e internacionais, é também membro de diversas entidades nacionais e internacionais pelos direitos humanos.
É membro da Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial e representante no Brasil da Academia Internacional de Psicoterapia Positiva e Transcultural. Treinador e palestrante, organizador de eventos nacionais e internacionais, é também membro de diversas entidades nacionais e internacionais pelos direitos humanos.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Até na morte, os Bahá'ís do Irão enfrentam perseguições
Há dezoito anos atrás, os Bahá’ís da cidade de Sanandaj, receberam um terreno - com cerca de um hectare - junto a uma estrada, para ser usado como cemitério.Tratava-se de uma encosta, desprovida de vegetação, que dificilmente interessaria para construção imobiliária. No Outono de1993, após o primeiro funeral, os Baha’is locais decidiram mudar a paisagem do local: removeram rochas, substituíram o solo e plantaram centenas de ciprestes e abetos, oferecidos pelo Departamento de Agricultura. Seguiu-se a colocação de energia eléctrica e a construção de um espaço destinado à preparação dos corpos.
Para cada etapa deste empreendimento, foram solicitadas e recebidas as respectivas autorizações. Mesmo para abrir um poço, foi solicitada e recebida a autorização do Conselho Regional das Águas; cada vez que uma autorização caducava, a respectiva renovação foi obtida sem problemas.
Impressionado com a transformação do lugar, o Gabinete de Recursos Naturais sugeriu aos Bahá’ís que plantassem árvores no terreno público adjacente ao cemitério, ampliando assim a zona verde. Como resultado, os moradores - na maior parte muçulmanos sunitas de Sanandaj - acabaram por respeitar o lugar, como um símbolo da presença pacífica da comunidade Bahá'í na sua cidade.
Mas agora, a beleza da área e a vegetação, parece ter instigado uma mudança de atitude das autoridades oficiais: querem reaver o cemitério, reivindicando o direito do Estado sobre a terra - apesar dos Bahá’ís terem sido anteriormente autorizados a fazer as obras. No final deste mês será emitida, em tribunal, uma ordem para que este seja confiscado, e os edifícios e as sepulturas destruídos.
A hostilidade recente para com os Bahá’ís em Sanandaj não augura nada de bom para o veredicto. No passado dia 19 de Dezembro, agentes dos Serviços Secretos efectuaram rusgas em 12 residências de famílias Bahá’ís na cidade. Livros Bahá’ís, panfletos, fotografias, cassetes áudio, computadores, telemóveis, drives de computador e vários documentos pessoais foram confiscados.
"À luz desta vaga de perseguições aos Bahá'ís de Sanandaj, parece que o destino do cemitério já foi decidido, por ordem dos Serviços Secretos", comentou Diane Ala'i, a representante da Comunidade Bahá'í Internacional, junto das Nações Unidas, em Genebra.
PERTURBANDO OS QUE PARTIRAM
Sob o actual regime do Irão, o caso de Sanandaj não é único. Desde 2007, houve mais de 30 incidentes de vandalismo, ataques incendiários, e outros problemas relacionados com cemitérios Bahá’ís e com o esforço dos Bahá’ís, para sepultar devidamente os seus mortos.
"Não satisfeitos por perseguirem os vivos, as autoridades iranianas tratam de perturbar a paz, mesmo daqueles que já faleceram", disse Ala'i. "Este é o mais recente de uma longa série de ataques a cemitérios Bahá’ís e aos ritos de sepultamento. São uma violação flagrante das normas internacionais de direitos humanos e da compreensão de qualquer pessoa decente sobre respeito pelos mortos."
Alguns exemplos recentes:
- Um cemitério recém-construído em Sangsar, província de Semnan, oferecido aos Bahá’ís locais pelo município, foi vandalizado por invasores desconhecidos em Março de 2011. As sepulturas ficaram atulhadas de lixo, as árvores foram arrancadas, e as duas pequenas salas foram destruídas.
- Em Julho de 2010, sepulturas no cemitério Bahá’í de Jiroft, província de Kerman, foram destruídas por invasores desconhecidos que utilizaram bulldozers.
- No final de Maio de 2010, o cemitério Bahá’í em Mashhad, foi vandalizado durante a noite usando uma pá carregadora e outra maquinaria pesada. As paredes do cemitério, o necrotério e o lugar onde as orações eram recitadas, foram severamente danificados.
Noutros incidentes, as autoridades desenvolveram esforços para interferir com os ritos de sepultamento Bahá’í.
Em Tabriz, por exemplo, há anos que tinha sido permitido aos Bahá’ís o acesso ao cemitério público da cidade. Em Agosto do ano passado, foi dito à família de uma mulher Bahá’í falecida nessa altura, que ela teria de ser sepultada com os ritos muçulmanos. Os seus restos mortais tiveram de ser enterrados num cemitério Bahá’í noutra cidade. Um incidente semelhante ocorreu em Outubro passado, quando o corpo de um homem Bahá’í foi levado de Tabriz para outro cemitério Bahá’í a cerca de 100 quilómetros de distância e enterrado sem a família ter sido informada.
"As autoridades iranianas, nos fóruns internacionais, afirmam com muita firmeza, que os bahá'ís não são tratados de forma diferente dos outros e só são 'punidos' quando fazem algo ilegal", disse Diane Ala'i. "O que terão feito estas pessoas mortas para merecerem tal tratamento?"
"O embelezamento do cemitério em Sanandaj e seus arredores é uma evidência da contribuição sincera e positiva que os Bahá’ís iranianos desejam fazer ao seu país. O que parece igualmente evidente é que as autoridades iranianas consideram tal coisa impossível de aceitar."
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FONTE: Even in death, Iran's Baha'is face persecution (BWNS)
Para cada etapa deste empreendimento, foram solicitadas e recebidas as respectivas autorizações. Mesmo para abrir um poço, foi solicitada e recebida a autorização do Conselho Regional das Águas; cada vez que uma autorização caducava, a respectiva renovação foi obtida sem problemas.
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| Em Sanandaj, a 400 km de Teerão, o Cemitério Bahá'í pode vir a ser confiscado pelas autoridades |
Impressionado com a transformação do lugar, o Gabinete de Recursos Naturais sugeriu aos Bahá’ís que plantassem árvores no terreno público adjacente ao cemitério, ampliando assim a zona verde. Como resultado, os moradores - na maior parte muçulmanos sunitas de Sanandaj - acabaram por respeitar o lugar, como um símbolo da presença pacífica da comunidade Bahá'í na sua cidade.
Mas agora, a beleza da área e a vegetação, parece ter instigado uma mudança de atitude das autoridades oficiais: querem reaver o cemitério, reivindicando o direito do Estado sobre a terra - apesar dos Bahá’ís terem sido anteriormente autorizados a fazer as obras. No final deste mês será emitida, em tribunal, uma ordem para que este seja confiscado, e os edifícios e as sepulturas destruídos.
A hostilidade recente para com os Bahá’ís em Sanandaj não augura nada de bom para o veredicto. No passado dia 19 de Dezembro, agentes dos Serviços Secretos efectuaram rusgas em 12 residências de famílias Bahá’ís na cidade. Livros Bahá’ís, panfletos, fotografias, cassetes áudio, computadores, telemóveis, drives de computador e vários documentos pessoais foram confiscados.
"À luz desta vaga de perseguições aos Bahá'ís de Sanandaj, parece que o destino do cemitério já foi decidido, por ordem dos Serviços Secretos", comentou Diane Ala'i, a representante da Comunidade Bahá'í Internacional, junto das Nações Unidas, em Genebra.
PERTURBANDO OS QUE PARTIRAM
Sob o actual regime do Irão, o caso de Sanandaj não é único. Desde 2007, houve mais de 30 incidentes de vandalismo, ataques incendiários, e outros problemas relacionados com cemitérios Bahá’ís e com o esforço dos Bahá’ís, para sepultar devidamente os seus mortos.
"Não satisfeitos por perseguirem os vivos, as autoridades iranianas tratam de perturbar a paz, mesmo daqueles que já faleceram", disse Ala'i. "Este é o mais recente de uma longa série de ataques a cemitérios Bahá’ís e aos ritos de sepultamento. São uma violação flagrante das normas internacionais de direitos humanos e da compreensão de qualquer pessoa decente sobre respeito pelos mortos."
Alguns exemplos recentes:
- Um cemitério recém-construído em Sangsar, província de Semnan, oferecido aos Bahá’ís locais pelo município, foi vandalizado por invasores desconhecidos em Março de 2011. As sepulturas ficaram atulhadas de lixo, as árvores foram arrancadas, e as duas pequenas salas foram destruídas.
- Em Julho de 2010, sepulturas no cemitério Bahá’í de Jiroft, província de Kerman, foram destruídas por invasores desconhecidos que utilizaram bulldozers.
- No final de Maio de 2010, o cemitério Bahá’í em Mashhad, foi vandalizado durante a noite usando uma pá carregadora e outra maquinaria pesada. As paredes do cemitério, o necrotério e o lugar onde as orações eram recitadas, foram severamente danificados.
Noutros incidentes, as autoridades desenvolveram esforços para interferir com os ritos de sepultamento Bahá’í.
Em Tabriz, por exemplo, há anos que tinha sido permitido aos Bahá’ís o acesso ao cemitério público da cidade. Em Agosto do ano passado, foi dito à família de uma mulher Bahá’í falecida nessa altura, que ela teria de ser sepultada com os ritos muçulmanos. Os seus restos mortais tiveram de ser enterrados num cemitério Bahá’í noutra cidade. Um incidente semelhante ocorreu em Outubro passado, quando o corpo de um homem Bahá’í foi levado de Tabriz para outro cemitério Bahá’í a cerca de 100 quilómetros de distância e enterrado sem a família ter sido informada.
"As autoridades iranianas, nos fóruns internacionais, afirmam com muita firmeza, que os bahá'ís não são tratados de forma diferente dos outros e só são 'punidos' quando fazem algo ilegal", disse Diane Ala'i. "O que terão feito estas pessoas mortas para merecerem tal tratamento?"
"O embelezamento do cemitério em Sanandaj e seus arredores é uma evidência da contribuição sincera e positiva que os Bahá’ís iranianos desejam fazer ao seu país. O que parece igualmente evidente é que as autoridades iranianas consideram tal coisa impossível de aceitar."
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FONTE: Even in death, Iran's Baha'is face persecution (BWNS)
sábado, 21 de janeiro de 2012
A Epístola da Sabedoria (3)
O QUE MOTIVA BAHÁ'U'LLÁH A REVELAR ESTA EPÍSTOLA?
NOTA: entre parentesis rectos [ ] encontram-se referências aos parágrafos da Epístola da Sabedoria.
A principal motivação de Bahá'u'lláh para revelar esta Epístola reside nas questões colocadas por Nabil; Não era a primeira vez que Bahá'u'lláh abordava o tema dessas questões. Esses assuntos já tinham sido objecto de diálogo entre Nabil e Bahá'u'lláh durante o Seu primeiro exílio no Iraque. [19]
Mas a Abençoada Beleza fala de outras motivações. Refere, por exemplo, que desejou revelar o que servisse de lembrança aos povos para que colocassem de lado as ideias prevalecentes entre eles [2]. Isto sugere que muitas das ideias existentes sobre os temas abordados na Epístola serão perspectivas parciais ou distorcidas da realidade.
Noutras ocasiões, Bahá'u'lláh refere que não há necessidade de tomar como referência as ideias prevalecentes em tempos antigos ou em tempos mais recentes [15, 17](a). Bahá'u'lláh também refere que é por "amor a Deus" que menciona na Epístola alguns relatos sobre os sábios para que o povo compreenda que Deus é a realidade última de todas as coisas [23].
No final da Epístola, Bahá'u'lláh declara que não falou por vontade própria, mas apenas proferiu aquilo que Deus "instilou" no Seu coração[32] e acrescenta que não teria pronunciado uma única palavra da Epístola se não fosse a estima que nutre por Nabil.[33]
O fundador da Fé Bahá’í recorda ainda que o Seu conhecimento não é fruto de estudo ou de reflexão[34]. Acrescenta que o Seu coração está purificado "dos conceitos dos eruditos e palavras dos sábios"[35], revelando apenas a vontade de Deus.
A Fonte da Sabedoria de Bahá'u'lláh
Enquanto membro da aristocracia persa, Bahá'u'lláh tinha alguma educação, mas o Seu nível de educação estava abaixo dos padrões da intelectualidade muçulmana da época. A Sua justificação para falar em assuntos teológicos, ou filosóficos assenta apenas no Seu conhecimento inato e inspiração divina.
Ele próprio afirma – e outras fontes confirmam - que não estudou em nenhuma mesquita, seminário ou madrassa (escola de lei islâmica). Nunca estudou o curriculum elementar do pensamento islâmico com algum professor conhecido. Dificilmente seria considerado qualificado para frequentar aulas de filosofia que eram leccionadas pelos professores mais eruditos do Seu tempo.
No mundo islâmico a credibilidade para falar sobre certos assuntos era concedida pelos professores e mestres apenas depois de longos estudos de certos textos.
Bahá'u'lláh criticou a imitação cega das tradições do passado que era tão importante para os especialistas em lei islâmica. Na Epístola da Sabedoria, Bahá'u'lláh declara que podia ver e ler livros que nunca tinha lido:
A comparação que Bahá'u'lláh faz entre o Seu conhecimento e a erudição prevalecente na época encontra paralelo nas palavras reveladas na Epístola ao Xá da Pérsia:
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(a) - Na Epístola é referido um conceito neo-testamentário "Eles estão cheios de espírito"(Efésios 5:18; Actos 2:4; 10:44-48; 10:44-48; 19:1-7) para exemplificar uma ideia que tem sido mal compreendida. Houve quem pensasse que o espírito penetra literalmente no corpo e várias pessoas seguiram esta ideia [26].
NOTA: entre parentesis rectos [ ] encontram-se referências aos parágrafos da Epístola da Sabedoria.
A principal motivação de Bahá'u'lláh para revelar esta Epístola reside nas questões colocadas por Nabil; Não era a primeira vez que Bahá'u'lláh abordava o tema dessas questões. Esses assuntos já tinham sido objecto de diálogo entre Nabil e Bahá'u'lláh durante o Seu primeiro exílio no Iraque. [19]
Mas a Abençoada Beleza fala de outras motivações. Refere, por exemplo, que desejou revelar o que servisse de lembrança aos povos para que colocassem de lado as ideias prevalecentes entre eles [2]. Isto sugere que muitas das ideias existentes sobre os temas abordados na Epístola serão perspectivas parciais ou distorcidas da realidade.
Noutras ocasiões, Bahá'u'lláh refere que não há necessidade de tomar como referência as ideias prevalecentes em tempos antigos ou em tempos mais recentes [15, 17](a). Bahá'u'lláh também refere que é por "amor a Deus" que menciona na Epístola alguns relatos sobre os sábios para que o povo compreenda que Deus é a realidade última de todas as coisas [23].
No final da Epístola, Bahá'u'lláh declara que não falou por vontade própria, mas apenas proferiu aquilo que Deus "instilou" no Seu coração[32] e acrescenta que não teria pronunciado uma única palavra da Epístola se não fosse a estima que nutre por Nabil.[33]
O fundador da Fé Bahá’í recorda ainda que o Seu conhecimento não é fruto de estudo ou de reflexão[34]. Acrescenta que o Seu coração está purificado "dos conceitos dos eruditos e palavras dos sábios"[35], revelando apenas a vontade de Deus.
A Fonte da Sabedoria de Bahá'u'lláh
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| Escola tradicional em Teerão (1900) |
Ele próprio afirma – e outras fontes confirmam - que não estudou em nenhuma mesquita, seminário ou madrassa (escola de lei islâmica). Nunca estudou o curriculum elementar do pensamento islâmico com algum professor conhecido. Dificilmente seria considerado qualificado para frequentar aulas de filosofia que eram leccionadas pelos professores mais eruditos do Seu tempo.
No mundo islâmico a credibilidade para falar sobre certos assuntos era concedida pelos professores e mestres apenas depois de longos estudos de certos textos.
Bahá'u'lláh criticou a imitação cega das tradições do passado que era tão importante para os especialistas em lei islâmica. Na Epístola da Sabedoria, Bahá'u'lláh declara que podia ver e ler livros que nunca tinha lido:
Bem sabes que Nós não folheámos os livros que os homens possuem, nem adquirimos a erudição corrente entre eles e, no entanto, sempre que desejamos citar as palavras dos eruditos e sábios, imediatamente aparece diante da face do teu Senhor, na forma de epístola, tudo o que apareceu no mundo e está revelado nas Escrituras e nos Livros Sagrados. Assim registámos por escrito o que os olhos percebem.[34]
A comparação que Bahá'u'lláh faz entre o Seu conhecimento e a erudição prevalecente na época encontra paralelo nas palavras reveladas na Epístola ao Xá da Pérsia:
Ó Rei! Eu era apenas um homem como os outros, adormecido em meu leito, quando eis que os sopros do Todo-Glorioso manaram sobre Mim e Me deram o conhecimento de tudo o que já existia. Isso não provém de Mim, mas d’Aquele que é Todo-Poderoso e Omnisciente. E Ele ordenou-Me que levantasse a Minha voz entre a terra e o céu, e por isso Me sucedeu o que fez correr lágrimas de todo os homens de compreensão. A erudição comum entre os homens, não a estudei; nem entrei nas suas escolas. Pergunta na cidade em que residi, a fim de teres a certeza de que Eu não sou dos que falam falsamente. Este Ser é apenas uma folha movida pelos ventos da Vontade do teu Senhor, o Todo-Poderoso, Alvo de todo louvor.
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(a) - Na Epístola é referido um conceito neo-testamentário "Eles estão cheios de espírito"(Efésios 5:18; Actos 2:4; 10:44-48; 10:44-48; 19:1-7) para exemplificar uma ideia que tem sido mal compreendida. Houve quem pensasse que o espírito penetra literalmente no corpo e várias pessoas seguiram esta ideia [26].
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
O Sonho do Dr King e o Prisioneiro em Bagdade, há 150 anos
Artigo de Homa Sabet Tavangar, publicado no Huffington Post.
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Em vésperas do feriado de Martin Luther King, quis mostrar às minhas filhas o Boletim do St. Francis College, de 1976, que continha uma foto da minha mãe a estudar com a sua amiga, Joetta. A imagem do seu rosto jovem atento fez-me reviver as emoções da minha infância, do amor, do orgulho e alguma tensão porque a minha mãe começava a Faculdade após o nascimento da minha irmã mais nova enquanto eu já estava na escola primária. Ela conseguia fazer-nos um jantar quente todas as noites e tinha sorte se conseguia dormir quatro horas, pois ela só começava a estudar a sério depois de nós irmos dormir.
Quando encontrei a foto, telefonei à minha mãe. "A Joetta era a tua melhor amiga na faculdade?" Eu perguntei. "Ela era a minha única amiga", ela respondeu de uma forma prosaica. "Ninguém queria ser meu amigo e ninguém queria ser amigo dela - éramos ambas demasiado diferentes; por isso tinhamo-nos uma à outra."
Esta não era a minha única recordação. Eu não podia imaginar a minha mãe - quase esplendorosa - ser rejeitada pelos colegas. Enquanto cresci em nossa casa, parecia que tínhamos sempre mais pessoas, e em particular pessoas de diferentes origens raciais e étnicas. Os meus pais eram activos na comunidade Bahá’í local, que era constituída por professores, empresários, comerciantes, artistas, estudantes e crianças da década de 70. Distinguia-se porque Foi distinguido por representar mais etnias do que pessoas pensaram que existiam em Fort Wayne, Indiana, naqueles dias, e particularmente para as amizades que existiam entre as raças.
Quase tão natural como aprender a dizer 'por favor' e 'obrigado', enquanto crianças eram-nos incutidas ideias existentes nas Escrituras Baha'is, como: "Amai todas as religiões e raças com um amor que seja verdadeiro e sincero e mostrai amor através de acções". E "O tabernáculo de unidade foi erguido; não vos olheis uns aos outros como estranhos. Vós sois os frutos de uma única árvore, e as folhas do mesmo ramo.."
Cresci a ouvir as conversas dos adultos à cerca da frase "o racismo é a questão mais desafiadora que a América enfrenta"; usávamos símbolos nos nossos casacos, com frase como "Um planeta, um só povo... por favor!" e "No meu coração não há espaço para preconceito "; e lá no cimo, entre os nossos heróis de todos os tempos favorito estava, e está, o Dr. Martin Luther King.
Quando a Revolução Iraniana ocorreu em 1979, seguida rapidamente pela tomada de reféns dos norte-americanos durante 444 dias intermináveis, eu era um chefe da claque do 8º ano em Fort Wayne, e fiquei espantada quando começaram a chamar-me terrorista e “Sand N-word”. Eles não sabiam sobre o perigo da minha família enfrentava no Irão por ser Bahá'í, onde meu primo, com pouco mais de 20 anos, foi executado por possuir livros Baha'is.
Eles também não sabiam que os princípios que os nossos parentes - e ainda hoje muitos mais indivíduos - se dedicavam, davam forma às palavras pelas quais o Dr. King viveu e morreu. Escrito pouco antes da eclosão da Guerra Civil Americana, enquanto exilado para Bagdade em meados do Séc. XIX, Bahá'u'lláh advertiu: "Não sabeis porque vos criamos a todos do mesmo pó? Que ninguém se enalteça acima do outro..."
Embora pouco conhecidos, os paralelos entre a mensagem de que o Profeta do Século XIX, que morreu como prisioneiro na Palestina (hoje, Israel), e a do Dr. King do Séc. XX nos Estados Unidos são impressionantes. Esse é o motivo pelo qual os Baha'is nos EUA assinalam o "Dia da Unidade Racial" no segundo domingo de Junho, porque eles serviram na Comissão que estabeleceu o primeiro federal Dr. Martin Luther King Jr., e porque tantos de nós crescemos com a bênção de ter amigos e familiares de todas as raças.
No ano passado voltei a Fort Wayne, Indiana, para falar na celebração da cidade Dia Internacional da Mulher, e a primeira pessoa na audiência a estender a mão apresentou-se como uma amiga do liceu: "Sou a LaTonia Lembras-te como nós nos chamávamos «Salada Mista» porque unimos pretos e brancos quando começou o transporte escolar? "
Fiquei tão sensibilizada por LaTonia partilhado os nossos esforços esperançosos, que me lembrei que o sonho do Dr. King assumia forma nos nossos pequenos passos: Convidar pessoas de diversas origens para partilhar uma refeição para a "Ceia de Domingo" contactar um velho amigo com quem costumava estudar, e fazer uma pausa no serviço, perto ou longe. Juntos, com alguma coragem, as nossas acções positivas podem começar um processo de cura que o nosso mundo necessita urgentemente.
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FONTE: Dr. King's Dream and a Prisoner in Baghdad 150 Years Ago (Huffington Post)
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Em vésperas do feriado de Martin Luther King, quis mostrar às minhas filhas o Boletim do St. Francis College, de 1976, que continha uma foto da minha mãe a estudar com a sua amiga, Joetta. A imagem do seu rosto jovem atento fez-me reviver as emoções da minha infância, do amor, do orgulho e alguma tensão porque a minha mãe começava a Faculdade após o nascimento da minha irmã mais nova enquanto eu já estava na escola primária. Ela conseguia fazer-nos um jantar quente todas as noites e tinha sorte se conseguia dormir quatro horas, pois ela só começava a estudar a sério depois de nós irmos dormir.
Quando encontrei a foto, telefonei à minha mãe. "A Joetta era a tua melhor amiga na faculdade?" Eu perguntei. "Ela era a minha única amiga", ela respondeu de uma forma prosaica. "Ninguém queria ser meu amigo e ninguém queria ser amigo dela - éramos ambas demasiado diferentes; por isso tinhamo-nos uma à outra."
Esta não era a minha única recordação. Eu não podia imaginar a minha mãe - quase esplendorosa - ser rejeitada pelos colegas. Enquanto cresci em nossa casa, parecia que tínhamos sempre mais pessoas, e em particular pessoas de diferentes origens raciais e étnicas. Os meus pais eram activos na comunidade Bahá’í local, que era constituída por professores, empresários, comerciantes, artistas, estudantes e crianças da década de 70. Distinguia-se porque Foi distinguido por representar mais etnias do que pessoas pensaram que existiam em Fort Wayne, Indiana, naqueles dias, e particularmente para as amizades que existiam entre as raças.
Quase tão natural como aprender a dizer 'por favor' e 'obrigado', enquanto crianças eram-nos incutidas ideias existentes nas Escrituras Baha'is, como: "Amai todas as religiões e raças com um amor que seja verdadeiro e sincero e mostrai amor através de acções". E "O tabernáculo de unidade foi erguido; não vos olheis uns aos outros como estranhos. Vós sois os frutos de uma única árvore, e as folhas do mesmo ramo.."
Cresci a ouvir as conversas dos adultos à cerca da frase "o racismo é a questão mais desafiadora que a América enfrenta"; usávamos símbolos nos nossos casacos, com frase como "Um planeta, um só povo... por favor!" e "No meu coração não há espaço para preconceito "; e lá no cimo, entre os nossos heróis de todos os tempos favorito estava, e está, o Dr. Martin Luther King.
Quando a Revolução Iraniana ocorreu em 1979, seguida rapidamente pela tomada de reféns dos norte-americanos durante 444 dias intermináveis, eu era um chefe da claque do 8º ano em Fort Wayne, e fiquei espantada quando começaram a chamar-me terrorista e “Sand N-word”. Eles não sabiam sobre o perigo da minha família enfrentava no Irão por ser Bahá'í, onde meu primo, com pouco mais de 20 anos, foi executado por possuir livros Baha'is.
Eles também não sabiam que os princípios que os nossos parentes - e ainda hoje muitos mais indivíduos - se dedicavam, davam forma às palavras pelas quais o Dr. King viveu e morreu. Escrito pouco antes da eclosão da Guerra Civil Americana, enquanto exilado para Bagdade em meados do Séc. XIX, Bahá'u'lláh advertiu: "Não sabeis porque vos criamos a todos do mesmo pó? Que ninguém se enalteça acima do outro..."
Embora pouco conhecidos, os paralelos entre a mensagem de que o Profeta do Século XIX, que morreu como prisioneiro na Palestina (hoje, Israel), e a do Dr. King do Séc. XX nos Estados Unidos são impressionantes. Esse é o motivo pelo qual os Baha'is nos EUA assinalam o "Dia da Unidade Racial" no segundo domingo de Junho, porque eles serviram na Comissão que estabeleceu o primeiro federal Dr. Martin Luther King Jr., e porque tantos de nós crescemos com a bênção de ter amigos e familiares de todas as raças.
No ano passado voltei a Fort Wayne, Indiana, para falar na celebração da cidade Dia Internacional da Mulher, e a primeira pessoa na audiência a estender a mão apresentou-se como uma amiga do liceu: "Sou a LaTonia Lembras-te como nós nos chamávamos «Salada Mista» porque unimos pretos e brancos quando começou o transporte escolar? "
Fiquei tão sensibilizada por LaTonia partilhado os nossos esforços esperançosos, que me lembrei que o sonho do Dr. King assumia forma nos nossos pequenos passos: Convidar pessoas de diversas origens para partilhar uma refeição para a "Ceia de Domingo" contactar um velho amigo com quem costumava estudar, e fazer uma pausa no serviço, perto ou longe. Juntos, com alguma coragem, as nossas acções positivas podem começar um processo de cura que o nosso mundo necessita urgentemente.
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FONTE: Dr. King's Dream and a Prisoner in Baghdad 150 Years Ago (Huffington Post)
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Parlamento Britânico debate perseguições religiosas no Irão
Num debate realizado no Parlamento Britânico, no dia 11 de Janeiro, 19 deputados, criticaram duramente o Irão pelas suas violações dos direitos humanos, destacando o facto de que praticamente todas as minorias religiosas no Irão estarem agora a enfrentar a opressão. No discurso de abertura, Louise Ellman, deputada por Liverpool Riverside, descreveu a perseguição aos Bahá'ís como "escalada generalizada e perigosa."
"A repressão toma muitas formas, numa contínua e sistemática perseguição", disse a Sra. Ellman. "Significa, por exemplo, a detenção arbitrária, a prisão e a negação do acesso ao ensino superior e às áreas de emprego. Residências e empresas de Bahá’ís foram objecto de ataques incendiários, os cemitérios foram destruídos e os filhos foram hostilizados." Referiu ainda a sua preocupação com as penas de 20 anos de prisão, a serem cumpridas pelos sete dirigentes Bahá’ís e o esforço contínuo do Irão para travar a entrada dos jovens Bahá’ís no ensino superior.
Falando sobre as observações feitas recentemente pelo senador canadiano, Romeo Dallaire, a Sra. Ellman afirmou que "é extremamente importante que o mundo não espere até que aconteça um genocídio. Deve acatar a advertência e tomar outras medidas para pressionar o Governo do Irão a parar com o que estão a fazer."
Os participantes também levantaram a questão do aumento da perseguição aos cristãos no Irão. O deputado Andrew Selous declarou que, pelo menos, oito líderes cristãos foram assassinados desde 1979, e expressou preocupação especial sobre o caso do Pastor Youcef Nadarkhani, que foi condenado à morte por apostasia em 2010 e, desde então, tem sido o foco de um protesto internacional.
O deputado Stewart Jackson falou de "ataques regulares às reuniões" dos cristãos, dos severos interrogatórios e torturas... incluindo a exigência de retractação da fé e da obtenção de informações sobre as identidades dos cristãos; detenção por longos períodos sem acusação formal e outras violações do processo legal; condenações por crimes mal definidos ou acusações políticas falsas, a mira na economia da comunidade cristã através da exigência de pagamentos de fiança exorbitantes; e a ameaça da iminente execução de um pastor."
Sobre a comunidade judaica do Irão, o deputado Martin Horwood informou que "é crescente a evidência de que o anti-semitismo está ascensão no Irão, e que a pequena comunidade judaica que ali vive, está a ser responsabilizada pelas acções do governo israelita".
No final do debate, Alistair Burt, o Subsecretário de Estado para os Negócios Estrangeiros e Commonwealth, disse que, apesar de em 2011 se ter mostrado que as exigências de dignidade humana são irreprimíveis, o Irão está-se a deslocar em sentido contrário.
"Os direitos humanos são universais", declarou Burt, "e a incapacidade do Irão em cumprir as suas obrigações traduz-se em punir e asfixiar o cumprimento dos desejos e aspirações de milhões de pessoas." O Sr. Burt garantiu aos presentes que o Reino Unido continuará a pressionar os outros países para apoiarem as resoluções tomadas nas Nações Unidas e no Conselho dos Direitos Humanos, que reflectem a preocupação sobre os relatos dos direitos humanos no Irão.
O Dr. Kishan Manocha, Director do Gabinete de Assuntos Externos, da Comunidade Bahá'í do Reino Unido, saudou esta discussão, de âmbito tão alargado. "O facto de tantos deputados, representando todos os partidos, terem realmente participado, reflecte a enorme preocupação com os relatos sobre os direitos humanos no Irão e, especialmente, a sua crescente intolerância religiosa", afirmou.
"Estamos, é claro, satisfeitos, pelos Bahá’ís terem sido mencionados com destaque", acrescentou. "Mas também estamos felizes porque os parlamentares do Reino Unido estão a concentrar-se nos problemas enfrentados por outras minorias religiosas. Precisamos de falar em uníssono sobre a situação da intolerância religiosa no Irão".
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FONTE: Debate highlights dangerous escalation of religious persecution in Iran (BWNS)
"A repressão toma muitas formas, numa contínua e sistemática perseguição", disse a Sra. Ellman. "Significa, por exemplo, a detenção arbitrária, a prisão e a negação do acesso ao ensino superior e às áreas de emprego. Residências e empresas de Bahá’ís foram objecto de ataques incendiários, os cemitérios foram destruídos e os filhos foram hostilizados." Referiu ainda a sua preocupação com as penas de 20 anos de prisão, a serem cumpridas pelos sete dirigentes Bahá’ís e o esforço contínuo do Irão para travar a entrada dos jovens Bahá’ís no ensino superior.
Falando sobre as observações feitas recentemente pelo senador canadiano, Romeo Dallaire, a Sra. Ellman afirmou que "é extremamente importante que o mundo não espere até que aconteça um genocídio. Deve acatar a advertência e tomar outras medidas para pressionar o Governo do Irão a parar com o que estão a fazer."
Os participantes também levantaram a questão do aumento da perseguição aos cristãos no Irão. O deputado Andrew Selous declarou que, pelo menos, oito líderes cristãos foram assassinados desde 1979, e expressou preocupação especial sobre o caso do Pastor Youcef Nadarkhani, que foi condenado à morte por apostasia em 2010 e, desde então, tem sido o foco de um protesto internacional.
O deputado Stewart Jackson falou de "ataques regulares às reuniões" dos cristãos, dos severos interrogatórios e torturas... incluindo a exigência de retractação da fé e da obtenção de informações sobre as identidades dos cristãos; detenção por longos períodos sem acusação formal e outras violações do processo legal; condenações por crimes mal definidos ou acusações políticas falsas, a mira na economia da comunidade cristã através da exigência de pagamentos de fiança exorbitantes; e a ameaça da iminente execução de um pastor."
Sobre a comunidade judaica do Irão, o deputado Martin Horwood informou que "é crescente a evidência de que o anti-semitismo está ascensão no Irão, e que a pequena comunidade judaica que ali vive, está a ser responsabilizada pelas acções do governo israelita".
No final do debate, Alistair Burt, o Subsecretário de Estado para os Negócios Estrangeiros e Commonwealth, disse que, apesar de em 2011 se ter mostrado que as exigências de dignidade humana são irreprimíveis, o Irão está-se a deslocar em sentido contrário.
"Os direitos humanos são universais", declarou Burt, "e a incapacidade do Irão em cumprir as suas obrigações traduz-se em punir e asfixiar o cumprimento dos desejos e aspirações de milhões de pessoas." O Sr. Burt garantiu aos presentes que o Reino Unido continuará a pressionar os outros países para apoiarem as resoluções tomadas nas Nações Unidas e no Conselho dos Direitos Humanos, que reflectem a preocupação sobre os relatos dos direitos humanos no Irão.
O Dr. Kishan Manocha, Director do Gabinete de Assuntos Externos, da Comunidade Bahá'í do Reino Unido, saudou esta discussão, de âmbito tão alargado. "O facto de tantos deputados, representando todos os partidos, terem realmente participado, reflecte a enorme preocupação com os relatos sobre os direitos humanos no Irão e, especialmente, a sua crescente intolerância religiosa", afirmou.
"Estamos, é claro, satisfeitos, pelos Bahá’ís terem sido mencionados com destaque", acrescentou. "Mas também estamos felizes porque os parlamentares do Reino Unido estão a concentrar-se nos problemas enfrentados por outras minorias religiosas. Precisamos de falar em uníssono sobre a situação da intolerância religiosa no Irão".
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FONTE: Debate highlights dangerous escalation of religious persecution in Iran (BWNS)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
A Epístola da Sabedoria (2)
NABIL-I-AKBAR, O DESTINATÁRIO
NOTA: entre parentesis rectos [ ] encontram-se referências aos parágrafos da Epístola da Sabedoria.
Nabil-i-Akbar(a) é o título conferido por Bahá’u’lláh a um crente chamado Aqa Muhammad-i-Qa’ini, também conhecido como Fadli-i-Qa'ini (o Sábio de Qa’in). Tratava-se de um mujtahid(b) que tinha um profundo conhecimento de teologia xiita e filosofia islâmica.
Nabil nasceu em 29 de Março de 1829, perto de Birjand, (distrito de Qa'in); o seu pai era um conhecido e influente Mullah; muitos dos seus antepassados eram mujtahids. Seguindo a tradição familiar, desenvolveu interesse por temas religiosos e iniciou os seus estudos de teologia em Mashad. Mais tarde mudou-se para Sabzivar onde estudou filosofia com um dos mais famosos filósofos persas do seu tempo, Ḥaji Mullah Hadi Sabzivari. Cinco anos depois, foi para Najaf (Iraque) estudar jurisprudência; ali teve oportunidade de alargar os seus conhecimentos nas melhores escolas do mundo islâmico da época, tendo conseguido por obter o grau de mujtahid.
Em 1852, no tempo que se viviam as grandes perseguições aos Babis, Nabil estava em Teerão. Um dia foi preso e falsamente acusado de ser Babi; protestou e foi libertado. Mas o incidente fê-lo pensar. O contacto de Nabil com os ensinamentos do Báb só aconteceu pouco antes de ir para Najaf, quando um Babi lhe deu alguns exemplares de escrituras do Báb; no ano seguinte, Nabil aceitou a Fé Babi.(c)
Em 1859, pouco antes de regressar à Pérsia, foi persuadido por um Babi a visitar Bahá’u’lláh em Bagdade. Bahá’u’llah recebeu-o durante alguns dias como convidado. Alguns autores acreditam que Nabil pertence ao grupo restrito dos que reconheceram Bahá’u’llah antes da declaração de 1863(d).
Seguindo instruções de Bahá’u’llah, regressou à Pérsia com o objectivo de divulgar a Fé Babi. Primeiramente foi bem recebido e sabe-se que o governador de Qa’in tinha por ele muita estima e admiração. No entanto, o sucesso das suas actividades missionárias suscitou oposição e hostilidade. Nabil esteve preso e foi torturado durante dois meses numa prisão em Birjand; seguiu-se um período de dois anos em que esteve em prisão domiciliária em Qa’in, tendo sido posteriormente exilado para Mashad, onde permaneceu durante um ano.
Durante o exílio em Mashad, um outro Babi, Mullah Moḥammad-ʿAli Zarandi(e) informou-o que Bahá’u’llah tinha proclamado ser o Prometido anunciado pelo Báb. Como consequência, Nabil escreveu a todos os Babis da região, encorajando-os a aceitar Bahá’u’llah.
Em 1870, Nabil foi exilado para Teerão onde esteve durante mais de três anos. Seguidamente viveu um ano em Akká onde esteve na presença de Bahá’u’lláh. Foi durante essa estadia em Akká que recebeu o título de “Nabil-i-Akbar” e que Bahá’u’lláh revelou a Epístola da Sabedoria em resposta às suas questões. Nesta Epístola Bahá’u’lláh alude aos sofrimentos de Nabil [6] e exorta-o a colocar a sua confiança em Deus para ultrapassar essas dificuldades. Bahá'u'lláh também encoraja Nabil a divulgar e ensinar a Causa com todas as suas capacidades e sabedoria [6, 15, 20]. A Abençoada Beleza também lhe recorda que eloquência e o poder das palavras humanas são factores a ter em conta na divulgação da Causa.
Após um ano na Terra Santa, regressou à Pérsia onde, apesar dos perigos, continuou a ensinar a Fé Bahá’í nas principais cidades do país: Teerão, Tabriz, Isfahan, Shiraz, Yazd, Kerman, Mashad, Zanjan e Qazvin. As ameaças à sua vida sucediam-se e foi preso mais algumas vezes. Em 1890 viajou para Ashkabad onde deu um grande contributo para a expansão e fortalecimento da Comunidade local. Faleceu 6 de Julho de 1892, em Bukara.
'Abdu'l-Bahá designou Nabil como Mão da Causa de Deus e escreveu a seu respeito: "...porque ele era tão firme na sua santa Fé, porque ele guiou almas, serviu esta Causa e espalhou a sua fama, esta estrela, Nabil, brilhará para sempre no horizonte da luz duradoura"(f)
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(a) - Na Epístola, Bahá’u’lláh refere-se a Nabil como Nabil[1, 43] e como Muhammad[2]. Na notação abaj o nome Nabil tem o mesmo valor que Muhammad, o que pode justificar o facto de Bahá'u'lláh se dirigir a Nabil com expressões do tipo "O Muhammad! Dá ouvidos à voz que procede do Domínio da Glória..."
(b) - Pessoa com competência para interpretar a lei divina [sharia] e tomar decisões legais com base em interpretação independente das fontes legais [alcorão e sunnah]
(c) - Adib Taherzadeh, The Reveletion of Bahá'u'llah, Vol I, cap 7
(d) - Adib Taherzadeh cita uma transcrição de uma conversa de Nabil em que a sua enorme reverência por Bahá'u'lláh pode ser entendida como uma forma de reconhecimento da Sua figura como Manifestante de Deus.
(e) - Trata-se de Nabil-i-A'ẓam, o autor do livro Os Rompedores da Alvorada
(f) - Memorials of the Faithful.
NOTA: entre parentesis rectos [ ] encontram-se referências aos parágrafos da Epístola da Sabedoria.
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| Nabil-i-Akbar |
Nabil nasceu em 29 de Março de 1829, perto de Birjand, (distrito de Qa'in); o seu pai era um conhecido e influente Mullah; muitos dos seus antepassados eram mujtahids. Seguindo a tradição familiar, desenvolveu interesse por temas religiosos e iniciou os seus estudos de teologia em Mashad. Mais tarde mudou-se para Sabzivar onde estudou filosofia com um dos mais famosos filósofos persas do seu tempo, Ḥaji Mullah Hadi Sabzivari. Cinco anos depois, foi para Najaf (Iraque) estudar jurisprudência; ali teve oportunidade de alargar os seus conhecimentos nas melhores escolas do mundo islâmico da época, tendo conseguido por obter o grau de mujtahid.
Em 1852, no tempo que se viviam as grandes perseguições aos Babis, Nabil estava em Teerão. Um dia foi preso e falsamente acusado de ser Babi; protestou e foi libertado. Mas o incidente fê-lo pensar. O contacto de Nabil com os ensinamentos do Báb só aconteceu pouco antes de ir para Najaf, quando um Babi lhe deu alguns exemplares de escrituras do Báb; no ano seguinte, Nabil aceitou a Fé Babi.(c)
Em 1859, pouco antes de regressar à Pérsia, foi persuadido por um Babi a visitar Bahá’u’lláh em Bagdade. Bahá’u’llah recebeu-o durante alguns dias como convidado. Alguns autores acreditam que Nabil pertence ao grupo restrito dos que reconheceram Bahá’u’llah antes da declaração de 1863(d).
Seguindo instruções de Bahá’u’llah, regressou à Pérsia com o objectivo de divulgar a Fé Babi. Primeiramente foi bem recebido e sabe-se que o governador de Qa’in tinha por ele muita estima e admiração. No entanto, o sucesso das suas actividades missionárias suscitou oposição e hostilidade. Nabil esteve preso e foi torturado durante dois meses numa prisão em Birjand; seguiu-se um período de dois anos em que esteve em prisão domiciliária em Qa’in, tendo sido posteriormente exilado para Mashad, onde permaneceu durante um ano.
Durante o exílio em Mashad, um outro Babi, Mullah Moḥammad-ʿAli Zarandi(e) informou-o que Bahá’u’llah tinha proclamado ser o Prometido anunciado pelo Báb. Como consequência, Nabil escreveu a todos os Babis da região, encorajando-os a aceitar Bahá’u’llah.
Em 1870, Nabil foi exilado para Teerão onde esteve durante mais de três anos. Seguidamente viveu um ano em Akká onde esteve na presença de Bahá’u’lláh. Foi durante essa estadia em Akká que recebeu o título de “Nabil-i-Akbar” e que Bahá’u’lláh revelou a Epístola da Sabedoria em resposta às suas questões. Nesta Epístola Bahá’u’lláh alude aos sofrimentos de Nabil [6] e exorta-o a colocar a sua confiança em Deus para ultrapassar essas dificuldades. Bahá'u'lláh também encoraja Nabil a divulgar e ensinar a Causa com todas as suas capacidades e sabedoria [6, 15, 20]. A Abençoada Beleza também lhe recorda que eloquência e o poder das palavras humanas são factores a ter em conta na divulgação da Causa.
Após um ano na Terra Santa, regressou à Pérsia onde, apesar dos perigos, continuou a ensinar a Fé Bahá’í nas principais cidades do país: Teerão, Tabriz, Isfahan, Shiraz, Yazd, Kerman, Mashad, Zanjan e Qazvin. As ameaças à sua vida sucediam-se e foi preso mais algumas vezes. Em 1890 viajou para Ashkabad onde deu um grande contributo para a expansão e fortalecimento da Comunidade local. Faleceu 6 de Julho de 1892, em Bukara.
'Abdu'l-Bahá designou Nabil como Mão da Causa de Deus e escreveu a seu respeito: "...porque ele era tão firme na sua santa Fé, porque ele guiou almas, serviu esta Causa e espalhou a sua fama, esta estrela, Nabil, brilhará para sempre no horizonte da luz duradoura"(f)
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(a) - Na Epístola, Bahá’u’lláh refere-se a Nabil como Nabil[1, 43] e como Muhammad[2]. Na notação abaj o nome Nabil tem o mesmo valor que Muhammad, o que pode justificar o facto de Bahá'u'lláh se dirigir a Nabil com expressões do tipo "O Muhammad! Dá ouvidos à voz que procede do Domínio da Glória..."
(b) - Pessoa com competência para interpretar a lei divina [sharia] e tomar decisões legais com base em interpretação independente das fontes legais [alcorão e sunnah]
(c) - Adib Taherzadeh, The Reveletion of Bahá'u'llah, Vol I, cap 7
(d) - Adib Taherzadeh cita uma transcrição de uma conversa de Nabil em que a sua enorme reverência por Bahá'u'lláh pode ser entendida como uma forma de reconhecimento da Sua figura como Manifestante de Deus.
(e) - Trata-se de Nabil-i-A'ẓam, o autor do livro Os Rompedores da Alvorada
(f) - Memorials of the Faithful.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Sobre o livro "Respostas a Algumas Perguntas"
Entrevista com Annie-Joëlle Jasion-Hurvy, sobre o livro "Respostas a Algumas Perguntas".
Programa "A Fé dos Homens", emitido na RTP2 em 09-Janeiro-2012.
Programa "A Fé dos Homens", emitido na RTP2 em 09-Janeiro-2012.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Presidentes de Universidades canadianas defendem Educadores Bahá'ís
![]() |
| Allan Rock e Lloyd Axworthy |
Num artigo publicado na edição canadiana do jornal "The Huffington Post", afirmam o quão "profundamente perturbados" se sentem por ser negado o acesso à educação superior aos Bahá’ís no Irão, e exprimem a sua preocupação por o "brutal regime de Teerão fazer orelhas moucas" aos apelos para acabarem com esta sistemática perseguição.
"Como presidentes de Universidades canadianas", escrevem, "damos um enorme valor ao acesso dos jovens ao conhecimento e às aptidões de que precisam para ter sucesso no mundo de amanhã. Consideramos a Educação como uma chave para um futuro melhor para todos os povos, e acreditamos ardentemente que todas as pessoas têm direito à Educação."
O seu artigo chama a especial atenção para o ataque lançado pelas autoridades iranianas a uma iniciativa informal da comunidade - conhecido como Bahá’í Institute for Higer Education (BIHE) - que foi criado para oferecer educação aos jovens Bahá’ís impedidos de ingressar nas Universidades.
Entre os presos, em Maio do ano passado, por estar associada ao BIHE, estava Nooshin Khadem - uma pós-graduada MBA da Universidade de Carleton, Ottawa, que está agora a cumprir uma pena de quatro anos de prisão e um casal, actualmente a aguardar julgamento, Kamran Rahimian e Faran Hessami, que concluíram os seus estudos de pós-graduação, em Aconselhamento Psicológico, na Faculdade de Educação, na Universidade de Ottawa.
"Eles foram acusados de ensinarem sem acreditação válida", afirma o artigo. "As autoridades iranianas confiscaram os seus diplomas de graduação e, em seguida, alegaram que eles nunca os tinham conseguido."
Os Presidentes Axworthy e Rock encorajam "todos os canadianos a juntar a sua voz para apelar ao governo iraniano que retire, incondicionalmente, todas as acusações contra os Educadores, que suspenda todas as agressões contra o Bahá’í Institute for Higer Education (BIHE) e permita o acesso dos Bahá’ís à educação. Os Bahá’ís do Irão devem saber que ao resistirem à opressão cruel daqueles que os perseguem, eles não estão sozinhos."
O artigo conclui com os dois presidentes a declararem que estão "orgulhosos de se juntarem" a um "grupo cada vez maior de académicos, administradores universitários e advogados notáveis para a paz, incluindo Desmond Tutu, Romeo Dallaire e José Ramos-Horta" que "condenam o regime do Irão, na sua recusa ao direito à educação".
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FONTE: Canadian university presidents speak out for Baha'i educators (BWNS)
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