terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Aliança das Civilizações: Semana da Harmonia Inter-Religiosa


Encontro inter-religioso realizado em Lisboa, sob o patrocínio da Aliança das Civilizações e da Câmara Municipal de Lisboa.
Programa "A Fé dos Homens" transmitido no dia 27-Fevereiro-2012.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SIDA e Igualdade de Género: Mudança de Atitudes e Comportamentos

Declaração da Comunidade Internacional Bahá'í preparada para uma Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o HIV-SIDA

Nova Iorque, 25-27 Junho 2001

A relação entre a pandemia da SIDA e a desigualdade de género está a ganhar o reconhecimento mundial. Novos casos de infecção HIV/SIDA estão agora a aumentar mais rapidamente entre as mulheres e as raparigas do que entre os homens e, por isso, no ano passado, metade dos novos casos ocorreram em mulheres. Na recente 45ª sessão da Comissão sobre o Estatuto das Mulheres, em que a SIDA foi um dos temas principais, a complexidade dos desafios na abordagem do tema sobressaiu devido à associação inegável da SIDA com um problema tão intratável como o sexismo. Não é possível negar a importância da investigação, educação e cooperação entre os governos e a sociedade civil. No entanto, cresce a consciência de que será necessária uma profunda mudança de atitude - pessoal, política e social - para parar a propagação da doença e garantir a assistência às pessoas já infectadas e afectadas. Esta declaração vai concentrar-se em duas das populações mais significativas que precisam de ser representadas nestas discussões globais: os homens, por causa do controle que, tradicionalmente têm, exercido sobre a vida das mulheres; e as confissões religiosas, devido ao poder que têm para influenciarem os corações e as mentes dos seus aderentes.

Para limitar a propagação da SIDA entre as mulheres, têm de se operar mudanças concretas nas atitudes e no comportamento sexual de homens e mulheres, mas especialmente dos homens. As noções falaciosas sobre o natural apetite sexual, voraz, dos homens, devem ser abordadas. As consequências reais para as mulheres - e homens - da prática de satisfazer o desejo sexual fora do casamento devem ser plenamente compreendido. Educar as mulheres e as jovens é muito importante mas, o actual desequilíbrio de poder entre homens e mulheres, pode impedir uma mulher de agir no seu próprio interesse. De facto, a experiência mostra que educar as mulheres sem educar os homens nas suas vidas, pode colocar as mulheres num risco maior de violência. Portanto, são necessários esforços para educar rapazes e raparigas a terem respeito por si próprios e uns pelos outros. Uma cultura de respeito mútuo vai melhorar não só a auto-estima das mulheres e das jovens, mas também a auto-estima dos homens e dos rapazes, o que os levará a um comportamento sexual mais responsável.

A negação da igualdade para as mulheres não só promove nos homens atitudes e hábitos nocivos que afectam as suas famílias, os locais de trabalho, as decisões políticas e as relações internacionais, mas também contribui substancialmente para a propagação da SIDA e retarda o progresso da sociedade. Veja-se como as desigualdades sociais, culturalmente aceites, conspiram com a vulnerabilidade económica que deixa as mulheres e as jovens com pouco ou nenhum poder de rejeitar o sexo indesejado ou inseguro. No entanto, uma vez infectadas com a SIDA, as mulheres são frequentemente estigmatizadas como as fontes da doença e perseguidas, por vezes violentamente. Entretanto, a responsabilidade de cuidar das pessoas que vivem com SIDA e das crianças órfãs pela doença, cai predominantemente sobre as mulheres. Os papéis tradicionais de género, transmitidos inquestionavelmente de geração em geração, devem agora ser reexaminados à luz da justiça e da compaixão. Em última análise, nada menos que uma transformação espiritual irá mover os homens - e as mulheres - a renunciar a comportamentos que contribuam para a disseminação da SIDA. Esta transformação é tão importante para os homens como para as mulheres, porque "Enquanto as mulheres forem impedidas de atingir as suas possibilidades mais elevadas, também os homens não serão capazes de alcançar a sua potencial grandeza".

Porque o desenvolvimento do que há de nobre e espiritual na humanidade, foi sempre um domínio da religião, as confissões religiosas podem desempenhar um papel importante na mudança dos corações e, consequentemente, na mudança dos comportamentos, de modo a possibilitar uma resposta eficaz para a crise da SIDA

Os dirigentes das confissões religiosas estão especialmente preparados para abordar a dimensão moral da crise da SIDA, tanto em termos da sua prevenção, como do seu tratamento. A propagação da SIDA seria significativamente reduzida se os indivíduos fossem ensinados a respeitar a santidade da família, praticando a abstinência antes do casamento e a fidelidade ao cônjuge, enquanto casados, como é sublinhado na maior parte das tradições religiosas

Os dirigentes religiosos e as pessoas de fé também são chamados a responder, com amor e compaixão, ao intenso sofrimento pessoal daqueles que, directa ou indirectamente, são afectados pela SIDA. No entanto, a tendência por parte da sociedade em geral para julgar e culpar, desde o início da doença, aqueles que já estão tão atormentados, faz sufocar a compaixão pelas suas vítimas. Assim, a subsequente estigmatização dos indivíduos infectados, fomentou uma profunda relutância por parte dos infectados em procurar tratamento e, por parte das sociedades, em mudar as atitudes e as práticas culturais necessárias para a prevenção e tratamento da doença. Semelhantes julgamentos podem ser particularmente rigorosos em confissões religiosas que se esforçam por manter um padrão elevado de conduta pessoal. Um dos aparentes paradoxos da fé é a obrigação individual dos crentes de aderirem a um padrão elevado de conduta pessoal e, ao mesmo tempo, terem o dever de dar amor e carinho àqueles que, por qualquer razão, não conseguiram atingir esse mesmo padrão

O que é frequentemente esquecido é que a "conduta moral" inclui não só a contenção pessoal, mas também compaixão e humildade. As confissões religiosas terão de se esforçar continuamente para se libertarem das atitudes de julgamento, para poderem exercer o tipo de liderança moral que incentiva a responsabilidade pessoal, o amor de um pelo outro, e a coragem para proteger os grupos mais vulneráveis da sociedade.

Vemos sinais de esperança na cooperação e no diálogo inter-religioso. Entre as confissões religiosas há um crescente reconhecimento de que, como Bahá'u'lláh afirma: "os povos do mundo, de qualquer raça ou religião, derivam a sua inspiração de uma só Fonte Celestial e são súbditos de um só Deus". É, de facto, a natureza transcendente do espírito humano, quando atinge a direcção dessa Essência, invisível e incognoscível chamada Deus, que galvaniza e aperfeiçoa a capacidade da humanidade para alcançar o progresso espiritual, que se traduz em progresso social. Com o aumento do diálogo, da cooperação e do respeito entre as confissões religiosas, as práticas culturais e religiosas, e as tradições que discriminam as mulheres, vão cedendo gradualmente, por muito enraizadas que estejam. Este será um passo essencial para retardar a propagação da SIDA.

Na verdade, é no reconhecimento da unicidade da família humana que os corações se suavizarão, que as mentes se abrirão, e que as atitudes dos homens e das mulheres se irão transformar. É só a partir dessa transformação que será possível uma resposta coerente, compassiva e racional, para a crise da SIDA, em todo o mundo
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FONTE: HIV/AIDS; Gender Equality: Transforming Attitudes and Behaviors (BIC)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Reino Unido: Rainha Isabel II numa recepção multirreligiosa

Representantes de nove religiões - Bahá’ís, Budistas, Cristãos, Hindus, Jainistas, Judeus, Muçulmanos, Sikhs e Zoroastrianos - estiveram presentes numa recepção multirreligioso para assinalar o Jubileu de Diamante da Rainha Isabel II. Durante o encontro, que teve lugar em Lambeth Palace - residência oficial do arcebispo de Cantuária - os representantes das diversas religiões apresentaram as suas crenças à Rainha e ao Duque de Edimburgo, e mostrando-lhes diversos objectos preciosos das várias religiões.

Isabel II contemplando o manto usado por 'Abdu'l-Bahá


Destacando as comemorações em curso do centenário das viagens de 'Abdu'l-Bahá ao Egipto e ao Ocidente, a Comunidade Bahá’í expôs um manto usado pelo filho de Bahá'u'lláh. A representante Bahá’í, Shirin Fozdar-Foroudi, descreveu o manto como uma recordação simples do espírito de 'Abdu’l-Bahá, cuja vida de serviço foi um exemplo para todos.

A exposição também incluiu uma moldura com reprodução das palavras da primeira palestra pública de 'Abdu'l-Bahá, proferida em 10 de Setembro de 1911 no City Temple de Londres: "O dom de Deus para esta época esclarecida é o conhecimento da unidade da humanidade e da unidade fundamental da religião".

A Rainha ouviu e seguiu cuidadosamente o texto como as palavras lidas pelo Dr. Fozdar-Foroudi, tendo posteriormente comentado que a Comunidade Bahá’í parece estar muito disseminada.

Esta recepção realizou-se em 15 de Fevereiro e foi um dos primeiros compromissos públicos da Rainha para comemorar seu Jubileu de Diamante. Ao dirigir-se aos representantes, afirmou: "A fé desempenha um papel fundamental na identidade de milhões de pessoas, proporcionando não só um sistema de crença, mas um sentimento de pertença".

"As nossas religiões oferecem uma orientação crítica para a forma como vivemos as nossas vidas e para a maneira como nos tratamos uns aos outros. Podem actuar como um estímulo para a acção social. Na verdade, os grupos religiosos têm um orgulhoso registo histórico ajuda àqueles que são mais necessitados."

A Rainha concluiu desejando felicidades a cada um dos grupos religiosos representados, “fazendo votos que - com a garantia da protecção da nossa Igreja Estabelecida - continuareis a florescer e a mostrar a força e a visão nas vossas relações uns com os outros e com o resto da sociedade. "

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 FONTE: Queen launches Diamond Jubilee year with multifaith reception (BWNS)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Egipto: Salafistas consideram Bahá’ís uma ameaça

Abdel Moneim al-Shahat
Um porta-voz do movimento Salafista em Alexandria disse que a minoria religiosa Bahá’í representa uma ameaça à segurança nacional do Egipto.

Abdel Moneim al-Shahat, conhecido dirigente Salafista e ex-candidato parlamentar, disse que o Estado deve agir para se proteger contra os que que afirmam que a Fé Bahá’í é uma religião. Anteriormente, na sequência da violência que se seguiu a um jogo de futebol Port Said, Shahat tinha afirmado que ver e jogar futebol é proibido pelo Islão.

"Vamos processar os Baha’is e acusá-los de traição", disse Shahat, num telefonema para o canal de TV Dream 2. "Nós, como salafistas, recusamo-nos a lidar com os Bahá’ís, porque eles não existem em virtude da sua fé."

De acordo com Shahat, os Bahá’ís não têm direitos sob o Islão, porque eles não são uma religião e não são reconhecidos como tal, e a nova Constituição não deve incluir qualquer emenda que proteja os seus direitos. Para justificar a sua decisão, citou uma declaração Al-Azhar, afirmando que os Bahá’ís não são muçulmanos.

Grupos de activistas de direitos humanos dizem os Bahá'is enfrentam discriminação sistemática no Egipto, país árabe conservador, que não reconhece oficialmente a fé. Em 2008, os Bahá'ís conseguiram o direito de obter documentos de identidade oficiais que omitem qualquer referência à sua fé.


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FONTE: Shahat: Baha'is threaten Egypt's national security (Egypt Independent)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Epístola da Sabedoria (7)

HISTORICIDADE

A ênfase nos valores éticos e a tendência para o monoteísmo existente em muitos filósofos gregos sugere que existiu na Grécia uma forte difusão dos valores culturais e religiosos da Palestina Hebraica. A ideia dessa influência dos hebreus sobre os helénicos já tinha sido avançada por Sto Agostinho na sua obra A Cidade de Deus (VIII:11)
Alguns têm pensado que tendo Platão ido ao Egipto, poderia ter ouvido Jeremias, ou lido os seus escritos proféticos durante a viagem. Eu mesmo consignei esta opinião em alguns dos meus livros. Mas um cálculo mais apurado das datas, tais como se contêm na história cronológica, mostra que Platão nasceu cerca de cem anos depois da época em que Jeremias profetizou… Platão não pôde, no decurso da sua viagem, nem ver Jeremias, morto desde há muito tempo, nem ler as suas Escrituras ainda não traduzidas para grego, língua em que era exímio. A menos, talvez, que, apaixonado estudioso como era, tenha delas tido conhecimento por intérpretes, como aconteceu com as egípcias – sem se tratar de uma tradução escrita… Mas sem dúvida que conseguiu, com as suas conversações, tomar conhecimento, na medida do possível, do seu conteúdo. (A Cidade de Deus, VIII:11)

Agostinho também nota que que o Antigo Testamento ainda não tinha sido traduzido para grego no tempo Platão e sugere que é a graça de Deus – e não contactos culturais directos – que explica as semelhanças entre a filosofia grega e as tradições culturais judaico-cristãs.

A sequência cronológica com que Bahá’u’lláh descreve os filósofos gregos, e a relação cronológica com outras personagens históricas tem sido alvo de debate (a, b, c). Existem discrepâncias entre a descrição que Bahá’u’lláh faz da história da Grécia antiga e as actuais teorias históricas. Vejamos o seguinte exemplo:

O texto da Epístola declara que Empédocles era "…contemporâneo de David"[25] e que Pitágoras "…viveu nos dias de Salomão"[25]. Segundo os historiadores modernos, David e Salomão terão vivido no século 10 aC. e Pitágoras viveu no século 6 aC; Empédocles viveu no século 5 aC. Assim encontramos uma grande discrepância entre as datas hoje aceites pela investigação histórica e a exposição cronológica apresentada na Epístola da Sabedoria.

O facto de estas inexactidões constarem numa Epístola de Bahá'u'lláh pode suscitar algumas dúvidas sobre a possibilidade dos textos sagrados conterem erros históricos.

Convém aqui termos presente que a Epístola não pretende descrever uma sucessão de eventos históricos sobre os quais não existem provas. O objectivo é demonstrar a forma como a tradição filosófica da Grécia antiga foi influenciada pelo monoteísmo profético dos hebreus. Essa demonstração é feita de acordo com o enquadramento histórico e filosófico com que o destinatário da Epístola estava familiarizado.

Além disso, é importante ter presente que o conhecimento que os muçulmanos possuíam sobre as biografias dos gregos antigos vinha dos neoplatónicos gregos e dos autores cristãos. A maioria dos historiadores islâmicos era pouco rigorosa relativamente à datação de eventos anteriores ao surgimento do Islão; havia algumas excepções como Abu-Rayhan Biruni (973-1050) e o sírio Abu’l Fidá.

O próprio 'Abdu'l-Bahá afirmou que a datação de eventos anteriores a Alexandre o Grande é pouco fidedigna(d). Desta forma, as datas atribuídas por historiadores islâmicos a eventos pré-islâmicos podem ser consideradas meras aproximações.

Sobre este assunto a Casa Universal de Justiça esclareceu:

“O facto de Bahá’u’lláh fazer estas afirmações para ilustrar princípios espirituais que pretende transmitir, não significa necessariamente que Ele defenda a sua exactidão histórica"(e)

Assim, parece correcto afirmar que a Epistola da Sabedoria contém uma afirmação factualmente incorrecta para os actuais padrões de conhecimento e investigação histórica; no entanto, essa afirmação era válida no meio cultural em que vivia Nabil-i-Akbar, o destinatário da Epístola. Também devemos ter presente que a Epístola da Sabedoria pretende mostrar uma verdade espiritual (Jerusalém exerceu uma influência espiritual sobre Atenas) e não um facto histórico. Assim, temos de acreditar que os conceitos básicos transmitidos na Epístola são verdades infalíveis e eternas, apesar de algumas frases específicas, que sustentam esses conceitos, possam ser incorrectas fora do seu contexto original.

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(a) - Problems of Chronology in Baha'u'llah's Tablet of Wisdom, Juan Cole (1979)
(b) – Some chronological Issues in the Lawh-i-Hikmat of Bahá'u'lláh, Peter Terry (1999)
(c) - A study of Pre-Islamic sources on the relation of Greek Philosophers and Jewish sages, Amin Egea, (2007)
(d) - Epístola datada de 1906 dirigida à Sra Ethel Rosenberg
(e) – Citado em "Hermes Trismegistus...", Keven Brown, p. 178

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Entrevista com Junior Seri

Programa "A Fé dos Homens" transmitido na RTP2 no dia 30-Janeiro-2012.
Entrevista com Junior Seri (Comunidade Baha'i de França).

Desigualdade entre ricos e pobres em destaque na ONU

Enquanto a crise económica tem levado muitos a concentrarem-se apenas nas desigualdades a nível nacional, as diferenças entre ricos e pobres a nível internacional têm aumentado ao ponto de se tornarem uma ameaça à estabilidade global. Este foi um dos temas levantados na sessão anual na Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social, que terminou hoje (10-Fevereiro).

O debate, organizada pela Comunidade Internacional Bahá'í e co-patrocinada pela ATD Forth, centrou-se no tema da Comissão, “a erradicação da pobreza” e reuniu diplomatas de topo da ONU, funcionários das agências da ONU e representantes de organizações não-governamentais.

Na sua intervenção, o embaixador Jorge Valero - representante Permanente da Venezuela na ONU e presidente da Comissão para o Desenvolvimento Social - culpou os excessos do capitalismo global pelo aumento da desigualdade, acrescentando que a "desigualdade e a pobreza, as mudanças climáticas e a destruição dos ecossistemas são questões pendentes na agenda internacional".

"Essas calamidades só podem ser tratadas eficazmente se forem atacadas as causas estruturais que as geram: um consumismo egoísta e predatório do sistema global, que se baseia na mercantilização do homem e da natureza" - concluiu.

Ming Hwee Chong (ao centro) participando no debate realizado na ONU como parte da sessão anual da Comissão para o Desenvolvimento Social.

Jomo Kwame Sundaram, secretário-geral Adjunto da ONU para o Desenvolvimento Económico, disse que, enquanto a questão da desigualdade for examinada apenas do ponto de vista nacional, dois terços da desigualdade global tem origem nas diferenças entre os países.

As diferenças internacionais são "muito, muito fortes", afirmou, salientando que essas desigualdades têm aumentado ao longo das últimas três décadas. "A grande promessa da globalização financeira era que, se as restrições fossem aliviadas, haveria um fluxo livre do capital, que o faria passar dos ricos para os pobres. Isso não aconteceu. O capital fluiu em sentido contrário, dos pobres para os ricos", acrescentou.

Entre os outros participantes do painel estavam Isabel Ortiz, directora adjunta de Políticas e Práticas da UNICEF, Christine Bockstal, da Organização Internacional do Trabalho, e Sara Burke, analista da Política Sénior do Friedrich-Ebert-Stiftung.

A Dra. Ortiz informou que, aos 20 por cento da população mais rica do mundo, cabem mais de 80 por cento do rendimento global - mas os 20% mais pobres têm menos de um por cento desse rendimento. "A redistribuição nacional não é suficiente para combater a desigualdade", declarou. "Há uma forte ligação entre a desigualdade dos altos rendimentos, a agitação social e a instabilidade económica."
Nas suas observações, Ming Chong Hwee, da Comunidade Internacional Bahá'í (BIC) chamou a atenção para as observações recentes feitas pelo Secretário-Geral Ban Ki-moon sobre o aumento da desigualdade de rendimentos, a todos os níveis, ao longo dos últimos 25 anos, o que representa um sério obstáculo em todo o mundo para a erradicação da pobreza e a integração social. O Sr. Chong acrescentou que é tempo de fazer algumas perguntas críticas a respeito da relação entre a erradicação da pobreza e as diferenças económicas que existem hoje no mundo.

Apresentando uma declaração da BIC, o Sr. Chong observou que as relações de dominação - uma nação sobre outra, uma raça sobre outra, ou uma classe ou sexo em detrimento de outro - contribuem para o acesso desigual aos recursos e ao conhecimento.

A declaração também expressa a preocupação de que uma "visão materialista do mundo, que sustenta grande parte do pensamento económico moderno, reduz o conceito de valores, de objectivos, e de interacções humanas, a uma busca egoísta de riqueza material."

O Sr. Chong acrescentou que - apesar da muita atenção que tem sido dada às dimensões políticas, diplomáticas e transaccionais da crise actual - o objectivo da discussão foi tentar encontrar colaboração para "criar um espaço para cavar mais fundo, a fim de trazer à superfície alguns dos pressupostos subjacentes que moldam a nossa realidade económica e social".


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FONTE: Inequality between rich and poor highlighted by UN panel (BWNS)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A Epístola da Sabedoria (6)

OS FILÓSOFOS ANTIGOS

NOTA: entre parêntesis rectos [ ] encontram-se referências aos parágrafos da Epístola da Sabedoria.

Academia de Atenas (Rafael)

Como já dissemos, uma das características mais salientes da Epístola da Sabedoria é a referência a vários filósofos da antiga Grécia. Nesta Epístola, o fundador da Fé Bahá’í afirma o Seu apreço pelos homens de conhecimento que descobrem coisas que promovem o bem-estar da humanidade[40]. Também nos adverte para que não deixemos que a sabedoria se torne um obstáculo entre Deus e os seres humanos [36].

A sabedoria é um bem precioso; é fruto da capacidade racional do ser humano. Essa capacidade é a maior dádiva de Deus à humanidade(a). Bahá'u'lláh afirma que essa capacidade é distribuída por todos os povos do mundo[37-38] e acrescenta que houve conhecimento desenvolvido por povos do passado que se perdeu e que hoje não pode ser reproduzido [39].

As grandes religiões semitas sempre tiveram uma relação estreita com a filosofia clássica. No Cristianismo e no Islão, a assimilação dos valores e ensinamentos da filosofia clássica grega foi um processo lento e nem sempre linear. S. Agostinho (354-430) introduziu o Neoplatonismo (desenvolvido por Plotino e Porfírio) no pensamento antigo cristão; S. Tomás de Aquino (1225-1274) introduziu o pensamento de Aristóteles no pensamento cristão medieval. No Islão, a assimilação desses valores e ensinamentos iniciou-se em Bagdade, entre 750 EC e 850 EC, com a tradução de textos clássicos gregos para árabe.

A Epístola da Sabedoria pode ser vista como o pivot da integração filosofia clássica grega na Fé Bahá’í. Ao longo de vários parágrafos desta Epístola Bahá'u'lláh faz a apologia dos antigos filósofos gregos. Esses sábios da antiguidade clássica lançaram os alicerces sobre os quais se desenvolveram a filosofia e sabedoria modernas. A Abençoada Beleza salienta o facto desses sábios nunca terem negado a existência de Deus[21, 22] e terem sido influenciados pelos Profetas do passado [26, 24].

Convém aqui referir que estes filósofos fizeram reflexões sobre o Divino, e simultaneamente criticaram os sistemas religiosos e mitológicos vigentes no seu tempo; cada um destes filósofos desenvolveu o seu próprio conceito do Divino, de acordo com a sua metafísica e a sua moral.

Ao referir-Se aos filósofos antigos, Bahá'u'lláh cita e parafraseia textos historiadores muçulmanos Abu'l-Fath-i-Shahristani (1076-1153 A.D.) e Imadu'd-Din Abu'l-Fida (1273-1331 A.D.). Os textos destes autores eram conhecidos de Nabil, o destinatário da Epístola. Desta forma, Bahá'u'lláh usa um enquadramento histórico-filosófico que é familiar a Nabil.

O texto da Epístola contém referências a Empédocles ("…distinguiu-se na Filosofia…"[25]), Pitágoras ("...Influenciado pelos Profetas hebraicos..."[25]), Hipócrates ("...Eminente filósofo que acreditava em Deus..."[28]) e Balinus ("...Excedeu outros da difusão de letras e ciências..."[30]).

Os maiores elogios vão para Sócrates; Bahá'u'lláh alonga-se em elogios e descreve-o como se tivesse sido o expoente máximo da sabedoria humana: "Ele é quem mais se distinguiu entre todos os filósofos e era altamente versado em sabedoria"[28], "Parece-Me que ele sorveu uma porção quando o Mais Grandioso Oceano"[28]

Aristóteles, que Bahá’u’lláh designa como "Célebre homem de conhecimento"[29], foi o primeiro a formular a teoria da degenerescência religiosa da humanidade(b), afirmando que as religiões apareciam e desapareciam numerosas vezes (esta ideia seria retomada por Averroes). Aristóteles acreditava que a existência de movimento no mundo era uma prova da existência de Deus.

Platão, a quem Bahá’u’lláh chama "o divino Platão"[29], acreditava que todo o movimento do mundo tinha origem numa "Primeira Causa" inamovível. Para ele, existia um artesão (Demiurgo) responsável pela construção e desenvolvimento do universo físico.

Antes da revelação desta Epístola, já ‘Abdu’l-Bahá, no livro "O Segredo da Civilização Divina", tinha tecido elogios à influência dos filósofos gregos no pensamento moderno, acrescentando que tinham sido influenciados por Profetas Hebreus. O filho de Bahá’u’lláh chega a afirmar que Sócrates esteve na Palestina para falar com sábios e teólogos hebraicos.

Posteriormente, durante as Suas viagens na Europa e Estados Unidos 'Abdu'l-Bahá repetiu essas referências elogiosas aos filósofos da antiguidade clássica.

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(a) - Selecção dos Escritos de Baha’u’llah, XCV. Ver também parágrafos iniciais d' O Segredo da Civilização Divina
(b) - Metafísica XII, cap. 7º

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Irão: bloqueio económico contra os Bahá’ís

A campanha do governo iraniano para arruinar economicamente os Bahá’ís não mostra sinais de abrandamento. Segundo informações recebidas pela Comunidade Internacional Bahá’í, esta campanha assumiu proporções significativas na cidade de Kerman (centro-sul do Irão).

"Fomos informados que o Departamento de Supervisão de Espaços Públicos negou a renovação de licenças - e revogou algumas já existentes - a empresas pertencentes aos Bahá’ís na cidade", declarou Bani Dugal, principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas. "Uma vasta gama de profissões estão a ser alvo - desde lojas de venda e reparação de computadores, até aos correctores de imóveis. Os Bahá’ís envolvidos na venda de ferragens, aço, ou ouro estão a perder as suas licenças, assim como as empresas de produtos alimentares, serviços de saúde e cosméticos e de oftalmologia", acrescentou.


Vários Bahá’ís de Kerman foram também informados de que não estão autorizados a possuir muitas lojas na mesma rua. "As autoridades foram ao ponto de revogar as licenças de parceiros de negócios dos Bahá’ís, mesmo quando estes não são membros da Fé Bahá'í", disse a Sra. Dugal.

Desde a Revolução Islâmica de 1979, milhares de Bahá’ís perderam os seus empregos ou fontes de subsistência. Em 1993, a ONU revelou um memorando do governo iraniano - aprovado pelo Líder Supremo do país – que delineava explicitamente um plano para "bloquear" o "desenvolvimento da comunidade Bahá’í iraniana."

Para além da limitações colocadas aos jovens Bahá’ís no acesso ao ensino superior, é claro que as autoridades continuam com uma série de outras acções para levar a cabo esta política, afirmou a Sra. Dugal. "Recebemos relatos de pelo menos 60 incidentes nos últimos cinco anos, destinados a reduzir as perspectivas económicas dos Bahá’ís", informou.

Alguns exemplos recentes incluem:
  • De 2 a 12 de Janeiro de 2012, mais de 70 por cento das empresas de Bahá’ís, em Sari e Ghaemshahr (província de Mazandaran), e outras em Gorgan e Gonbad (província de Golestan), foram sujeitas a rusgas para tentarem encontrar algum pretexto que justificasse ameaças ou detenção de bahá'ís. As autoridades revistaram ainda as residências de Bahá’ís, que trabalham em casa, em alguns casos há mais de dois anos, desde que foram obrigados a fechar as suas lojas.
  • Em Julho de 2011, o proprietário Bahá’í de uma loja, em Abadan recebeu uma notificação da união dos retalhistas e fabricantes de jóias, relógios e óculos, exigindo-lhe a devolução da sua licença de trabalho e a liquidação dos seus bens dentro de 24 horas;
  • Em Junho de 2011, uma loja de óptica foi selada sob o pretexto de transferir a licença para um novo local. O chefe do Departamento de Supervisão de Espaços Públicos informou que a ordem para selar a loja tinha sido emitida pelas autoridades superiores. A loja já tinha sido fechada pelas autoridades em Dezembro de 2008, juntamente com quatro outras lojas de Bahá’ís, em Nazarabad. Mas depois de uma batalha legal, o proprietário conseguiu reabri-la num novo local, apenas para ser selada novamente.
  • Após uma onda de ataques incendiários a uma dúzia de empresas de Bahá’ís em Rafsanjan, no final de 2010, foram enviadas cartas de aviso, a cerca de 20 casas e empresas, exigindo que os Bahá’ís assinassem um compromisso para "se absterem de ter contactos ou de criar amizades com os muçulmanos "e de" utilizar ou contratar estagiários muçulmanos. "
  • No início de 2009, na cidade de Semnan, a associação dos Sindicatos fez sair um regulamento declarando que nenhum Bahá’í podia receber licença comercial. Logo a seguir, uma série de empresas e lojas de Bahá’ís em toda a cidade, foram fechadas ou seladas.
  • Num exemplo de outro tipo de pressão económica, um Bahá’í, em Isfahan - pouco antes de ser demitido do seu trabalho - pediu à segurança social a retribuição do valor que tinha sido descontado do seu salário, para a pensão. Recebeu uma resposta dizendo que o seu pedido não estava a ser tratado porque era "uma falsa questão", dado o facto de que o motivo de ter perdido o emprego era a sua participação na "seita desviante bahaista". O aviso especificava ainda que, ele e outros 14 indivíduos, tinham sido demitidos com base na proibição legal de terem sido contratados, em primeiro lugar e, assim, as suas reivindicações não seriam levadas em conta.
"O direito internacional enuncia firmemente o direito das pessoas serem livres para trabalhar e ganhar a vida, sem discriminações", disse a Sra.Dugal. "No mês passado, a comunidade internacional votou esmagadoramente na ONU para condenar o Irão pelas suas contínuas e recorrentes violações dos direitos humanos. Seguramente, está na hora do Irão perceber que não pode continuar a oprimir os seus cidadãos e pensar que ninguém vai dar por isso."

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 FONTE: New crackdown highlights campaign to block progress of Iranian Baha'is (BWNS)


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os bahá’ís vivem numa espécie de “apartheid religioso” no Irão

Texto de Filipe Avillez, publicado no blog Actualidade Religiosa.
 
Transcrição completa de entrevista com Marco Oliveira, da Comunidade Bahá’í em Portugal. Vejam a notícia aqui.


Últimamente tem aumentado a perseguição aos bahá’í no Irão, mas a religião Bahá’í nasceu no Irão. Pode-nos contar brevemente a história das origens? 
A Fé Baha’i nasceu no Irão no século XIX. O fundador foi um nobre persa chamado Bahá'u'lláh que começou por apoiar um movimento messiânico, o Babismo, que é referido por Eça de Queirós. Por causa desse apoio foi exilado para o que é hoje o Iraque. No Iraque começou a organizar os seguidores da religião Babí e anunciou ser ele o profeta prometido pelo fundador da religião Babí, o Bab. Posteriormente foi novamente exilado, primeiro para Constantinopla, depois para Adrianópolis, ainda no império Otomano, e eventualmente para a fortaleza de Akká, na Palestina Otomana e hoje fica no Estado de Israel. Hoje há cerca de cinco milhões de Bahá’ís espalhados por todas as religiões do mundo.

Templo Baha'i

E no Irão, quantos há? Actualmente vivem no Irão cerca de 300 mil bahá’ís, são a maior minoria não muçulmana no Irão. 

Portanto a religião nasceu no seio do islão, mas os bahá’í consideram-se muçulmanos? A fé Baha’i é uma religião independente, tem os seus próprios livros sagrados, as suas próprias leis e a sua própria administração. A relação que tem com o Islão é a mesma que o Cristianismo tem com o Judaísmo, isto é, nasceu num meio islâmico mas mostrou rapidamente que era uma religião independente. No Irão há também comunidades cristãs e judaicas que até são respeitadas.

Porque é que os bahá’í são tão perseguidos? 
Há sobretudo um aspecto teológico-religioso na base dessa perseguição. Para os muçulmanos o Judaísmo e o Cristianismo são religiões do Livro. Os muçulmanos aceitam Moisés e aceitam Jesus como profetas legítimos e divinos, mas segundo o Islão Maomé terá sido o último dos profetas. A Fé Baha’i ensina que não houve um último dos profetas, mas que há uma sequência contínua de profetas e que o mais recente foi Bahá'u'lláh. Isto contraria aquilo em que os muçulmanos acreditam e é isso que está na base das perseguições. Para além disso os Bahá’í têm um conjunto de ensinamentos que o clero muçulmano mais tradicional não aceita, como por exemplo a igualdade de direitos entre homens e mulheres, a necessidade de investigação da verdade e a abolição de todas as formas de preconceito. Portanto há um conjunto de circunstâncias que tornam a Fé Bahá’í um alvo preferencial das ditaduras islâmicas.

E recentemente tem havido um aumento da perseguição? 
É verdade. Temos assistido com muita preocupação a um conjunto de medidas que visam descriminar e ostracizar a fé Baha’i no Irão. Em termos simplistas diria que se está a criar um sistema de apartheid religioso em que os Bahá’ís além de não terem direitos de cidadania, porque não estão defendidos pela constituição iraniana, neste momento estão impedidos de um conjunto de actividades. Por exemplo os jovens não podem ingressar na universidade, quando ingressam acabam por ser expulsos passados alguns meses. Os bahá’ís não podem ser funcionários públicos, os reformados viram canceladas as suas reformas e foram obrigados a devolver o que já tinham recebido, várias pessoas que têm pequenos negócios de comércio têm visto as suas licenças revogadas, há lares e propriedades destruídas ou incendiadas e tudo isto nos cria uma situação que nos preocupa verdadeiramente e para a qual temos chamado a atenção da comunidade internacional nos diversos fóruns internacionais e junto de Governos em todo o mundo.

E em Portugal também há bahá’ís de origem iraniana? 
Em Portugal há cerca de sete mil bahá’ís. Alguns destes são pessoas que nasceram no Irão e, devido às perseguições que lá ocorrem, tiveram que vir para Portugal como refugiados e acabaram por fazer aqui a sua vida. A maioria encontra-se hoje plenamente integrada na sociedade portuguesa. Há médicos, engenheiros, professores universitários, plenamente integrados na sociedade portuguesa

Nelson Évora é o Baha'i português mais conhecido

Rádio Renascença: Irão endurece perseguição aos Bahá’ís

Texto de Filipe Avillez, publicado no site da Rádio Renascença
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A Comunidade Bahá’í nasceu no Irão e é a maior minoria religiosa não islâmica no país. Nas últimas semanas têm sentido a pesada mão da perseguição de Teerão.

Dezenas de seguidores da religião Bahá’í foram detidos nas últimas semanas com o aumento das medidas persecutórias contra a comunidade naquele país.

Segundo Marco Oliveira, da comunidade Bahá’í em Portugal, os seus correligionários no iranianos vivem agora um sistema de “apartheid”, e um ambiente cada vez mais sufocante.

“Os bahá’ís além de não terem direitos de cidadania, porque não estão defendidos pela constituição iraniana, neste momento estão impedidos de um conjunto de actividades. Por exemplo os jovens não podem ingressar na universidade, quando ingressam acabam por ser expulsos passados alguns meses. Os bahá’ís não podem ser funcionários públicos, os reformados viram canceladas as suas reformas e foram obrigados a devolver o que já tinham recebido, várias pessoas que têm pequenos negócios de comércio têm visto as suas licenças revogadas, há lares e propriedades destruídas ou incendiadas”, explica Marco Oliveira.

Os piores episódios têm-se registado na cidade de Kerman, onde até parceiros e sócios que têm negócios com os bahá’í mas que não pertencem a essa religião, estão a ser afectados.

A religião Bahá’í nasceu na Pérsia e ainda existem naquele país cerca de 300 mil seguidores, que constituem a maior minoria não islâmica do Irão. O Irão tende a respeitar as comunidades indígenas de outras religiões, como os cristãos e os judeus, concedendo-lhes certos direitos na condição de que não interfiram na vida política. As excepções surgem quando muçulmanos se tentam converter a outras religiões.

Contudo, esse respeito não se estende aos bahá’í, por várias razões, como explica Marco Oliveira: “Para os muçulmanos o Judaísmo e o Cristianismo são religiões do Livro. Os muçulmanos aceitam Moisés e aceitam Jesus como profetas legítimos e divinos, mas segundo o Islão Maomé terá sido o último dos profetas. A Fé Baha’i ensina que há uma sequência contínua de profetas e que o mais recente foi Bahá'u'lláh. Isto contraria aquilo em que os muçulmanos acreditam e é isso que está na base das perseguições.”

Marco Oliveira acredita que há ainda outras razões que enfurecem a hierarquia islâmica do Irão e de outros países muçulmanos: “Os baha’i têm um conjunto de ensinamentos que o clero muçulmano mais tradicional não aceita, como por exemplo a igualdade de direitos entre homens e mulheres, a necessidade de investigação da verdade e a abolição de todas as formas de preconceito. Portanto há um conjunto de circunstâncias que tornam a Fé Bahaí um alvo preferencial das ditaduras islâmicas”.

Actualmente, segundo dados fornecidos pelos próprios bahá’í, há cerca de uma centena de pessoas da comunidade iraniana encarcerados unicamente pelas suas crenças religiosas, cerca de o dobro do que havia há poucos meses.

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FONTE: Irão endurece perseguição aos Baha'is (Rádio Renascença)