sábado, 28 de abril de 2012

O Infiel

"O Infiel" passou hoje na TVC4. Apresenta-nos a história de um muçulmano devoto, que depois de descobrir que foi adoptado, fica a saber que o seu pai biológico é judeu. Uma boa comédia que nos obriga a reflectir sobre a inutilidade dos preconceitos. Se tiverem a oportunidade de ver, aproveitem.

Mahmud Nasir, o protagonista da história é interpretado por Omid Djalali, um actor Baha'i.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Sentido de Deus

A imagem da Palavra de Deus que encontra voz antes e depois do Jesus histórico foi apresentada nos primeiros séculos da igreja pelos primeiros teólogos, chamados Pais da Igreja; reconheciam claramente que a capacidade e o desejo de Deus comunicar não pode estar limitada aos círculos cristãos. Além disso, João Calvino, um dos Reformadores originais, estava de acordo com Martinho Lutero, quando falou de um “sentido de Deus” infundido na natureza humana para que “o conhecimento de Deus e de si próprio esteja ligado por uma relação recíproca”. Os adeptos do modelo de substituição [que defende que o Cristianismo surgiu para substituir as outras religiões] parecem esquecer ou negligenciar estas indicações da Bíblia e dos primeiros teólogos.

Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 34

terça-feira, 24 de abril de 2012

Roxana Saberi: A Voz dos que não têm Voz



A história de Roxana Saberi que esteve na prisão com Mahvash Sabet e Fariba Kamalabadi, dois membros dos Yaran ("os amigos"), condenados a 20 anos de prisão simplesmente fazer parte de uma comissão ad-hocque administrava as necessidades da comunidade Bahá’í no Irão.
Apresentando pela jornalista Roxana Saberi e por Elise Auerbach, o Especialista sobre Irão na Amnistia Internacional EUA.
Roxana afirma: "Eu penso que as lições que Mahvash e Fariba me ensinaram na prisão são universais. E eles podem ser aplicadas a qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. Vocês não têm que estar na prisão. Nós temos as nossas próprias prisões, as nossas próprias adversidades, e podemos tentar transformar essas adversidades em oportunidades."

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Anunciados planos para construção de novos Templos Bahá’ís

Bahá'ís da província de Oro, na Papua Nova Guiné
Com a construção em curso no Chile da última das Casas continentais de Adoração Bahá'ís, foram anunciados planos para a construção dos dois primeiros templos nacionais Bahá'ís - na República Democrática do Congo e na Papua Nova Guiné.

O anúncio histórico foi feito ontem pela Casa Universal de Justiça na sua mensagem anual para assinalar o primeiro dia de Ridván, o festival mais sagrado no ano Bahá’í.

As Casas de Adoração Bahá'ís são edifícios especiais, abertos a todos, onde os visitantes podem simplesmente orar e meditar numa atmosfera serena, ou ouvir recitar ou cantar escrituras sagradas das religiões mundiais. Cada Casa de Adoração forma um centro espiritual em torno do qual se estabelecem agências de serviço social, humanitário e educacional para servir a população da região.

Esta instituição junta "dois aspectos essenciais, indissociáveis da vida Bahá’í: adoração e serviço", escreveu a Casa Universal de Justiça.

Além dos dois novos templos nacionais, serão iniciadas consultas para a construção de Casas de Adoração locais em cinco regiões do mundo: Battambang, no Camboja; Bihar Sharif, na Índia; Matunda Soja, no Quénia; Norte del Cauca, na Colômbia, e Tanna, no Vanuatu.

Estes são alguns dos locais onde as comunidades Bahá’ís estão a cultivar um "espírito devocional que encontra expressão em reuniões de oração e um processo educativo que desenvolve a capacidade de serviço à humanidade", escreveu a Casa Universal de Justiça.

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FONTE: Plans to build new Houses of Worship announced (BWNS)

sábado, 14 de abril de 2012

O “Sobrevivente” esquecido do Titanic

Artigo de Rainn Wilson, publicado no Huffington Post.

Como nos tem sido lembrado inúmeras vezes ao longo das últimas semanas, há cem anos atrás, o "inafundável" Titanic afundou-se no Atlântico Norte, levando consigo mais de 1500 vidas. A tragédia tem sido usada para relatos romanceados.

De todas as histórias, uma das mais extraordinárias é que de um persa com 68 anos de idade, que, na verdade, não estava a bordo do desafortunado navio, mas deveria estar.

Abbas Effendi - conhecido como 'Abdu'l-Bahá ou "Servo de Deus" - foi saudado pela imprensa, tanto na Europa e os EUA como um filósofo, um apóstolo da paz, e até mesmo o regresso de Cristo. Os seus admiradores americanos tinham-Lhe enviado milhares de dólares para comprar um bilhete no Titanic, e pediu-lhe que viajasse naquela grande opulência. Ele recusou e deu o dinheiro para obras de caridade.

"Fui convidado para viajar no Titanic", disse mais tarde, "mas meu coração não me levou a fazê-lo."

Em vez disso, 'Abdu'l-Bahá viajou para Nova Iorque no mais modesto SS Cedric. Os principais jornais de Nova Iorque noticiaram a sua chegada em 11 de Abril e a viagem que se seguiu durante oito meses de costa a costa. Este estrangeiro com turbante e "trajes orientais" era notícia de primeira página.

O New York Times informou que a sua missão era "acabar com preconceitos... preconceitos de nacionalidade, de raça, de religião". O artigo também o citava directamente: "Chegou o momento para a humanidade para hastear o estandarte da unidade do mundo humano, de modo que as fórmulas dogmáticas e superstições possam acabar."

A imprensa muitas vezes chamava-lhe profeta, especialmente um "profeta persa" (ah, aliteração!). Numa manchete, após a sua palestra na Universidade de Stanford, lia-se: "O Profeta diz que não é profeta." 'Abdu'l-Bahá era de facto o líder da - então recém-nascida - Fé Bahá'í, embora ele sempre negasse ser profeta.

Ele pregou a fé fundada pelo seu pai, Bahá'u'lláh, em meados do Séc. XIX, baseada na unidade de todas as religiões. Na época, havia apenas algumas centenas de Bahá’ís nos EUA; hoje existem 150.000. Dia após dia, mês após mês, as multidões em toda a América (muitas vezes na ordem dos milhares) reuniam-se para o ouvir falar. Nas sinagogas, ele elogiou Cristo. Nas igrejas, ele enalteceu os ensinamentos de Maomé. E ao longo das suas viagens a sua presença foi solicitada por luminares como Andrew Carnegie, Alexander Graham Bell e Kahlil Gibran.

Como se explica que 'Abdu'l-Bahá tenha inspirado tantos - esta figura obscura do oriente que passara mais de 40 anos preso devido à sua religião, que nunca frequentara a escola ou fora exposto à cultura ocidental?

Suspeito que tem algo a ver com não apenas com o que ele disse, mas com o que ele fez. "Ele é o único homem no mundo que na sua mesa de jantar reuniu persas, zorastrianos, judeus, cristãos, maometanos,"[sic], escreveu Kate Carew (a Liz Smith daquela época), do New York Tribune. Seguidamente, no artigo, sem a sua típica leviandade, ela descreve a visita 'Abdu'l-Bahá à Missão Bowery no Lower East Side - onde ele entregou pessoalmente moedas de prata para 400 pessoas sem-abrigo.

Durante sua visita aos EUA ele pôs de lado o protocolo social de segregação, insistindo que todos os lugares onde falava ser abertos a pessoas de todas as raças. Isso não agradava às grandes massas daquele tempo. No Great Northern Hotel na Rua 57 (agora o Meridien Parker), o gerente recusou-se veementemente a permitir a presença de negros no local.

"Se as pessoas virem que uma pessoa de cor entrou meu hotel, então nenhuma pessoa respeitável vai voltar a entrar aqui ", disse ele. Então, em alternativa, 'Abdu'l-Bahá organizou uma festa multirracial na casa de um dos seus seguidores, com muitos brancos a servir negros - um subversivo, uma noção perigosa na época.

Apenas entre os seres humanos a cor da pele é causa de discórdia, disse certa vez 'Abdu'l-Bahá. "Os animais, apesar de não possuírem razão e entendimento, não fazem das cores um motivo de conflito. Por que é que o homem, que tem a razão, cria conflito?"

As palestras de 'Abdu'l-Bahá tocaram as audiências com uma simplicidade radical. E mesmo assim ele apresentou ideias com as quais os americanos ainda se debatem um século mais tarde: a necessidade de verdadeira harmonia racial e a igualdade de género, a eliminação de extremos de riqueza e pobreza, os perigos do nacionalismo e do fanatismo religioso, e uma insistência na pesquisa independente da verdade. Já ouvimos falar disto em 2012?

A sua missão de unidade - disseminada por toda a nossa nação há cem anos - deve ser comemorada juntamente com as mensagens de Gandhi, o Dalai Lama e Martin Luther King Jr.


'Abdu'l-Bahá em Brooklyn, 1912


No seu primeiro discurso público nos EUA - na Igreja da Ascensão de Nova York na 5ª Avenida e Rua 10 - 'Abdu'l-Bahá saudou o progresso material da América nas artes, agricultura e comércio, mas advertiu também para o desenvolvimento das nossas potencialidades espirituais.

"Para o homem são necessárias duas asas; uma asa é a força física e a civilização material; a outra é o poder espiritual e a civilização divina; é impossível voar só com uma asa."

A palestra teve lugar no dia 14 de Abril de 1912. Mais tarde, naquele mesmo dia, o Titanic embatia num iceberg.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Como me tornei Bahá'í



Programa Caminhos, transmitido na RTP2, em 01-Abril-2012
Bruno Silvestre, Ivone Correia e eu próprio descrevemos a forma como conhecemos a Fé Bahá'í, o que mais os atraiu nos ensinamentos Bahá'ís e o que mudou nas nossas vidas depois de aceitarmos a Fé Bahá'í.
Entrevista conduzida por Pedro Marques.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Questions to the Special Rapporteur on Iran



At the 19th Session of the Human Rights Council, the Baha'i International Community ask the Special Rapporteur on the situation of Human Rights in Iran how the international community respond given Iran's refusal to engage in any substantive manner with UN human rights mechanisms.

The Community cited the Rapporteur's report and confirmed that the concerted efforts of the Iranian government "generated a dramatic increase in human rights abuses: multiple violations, across the entire spectrum of civil, political, economic, social and cultural rights, specifically directed against members of this community, literally from kindergarten to the grave."

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Statement to the 19th session of the Human Rights Council



The Baha'i International Community made a statement on the situation of the Baha'is in Iran at the 19th session of the Human Right Council held in Geneva. The statement cited the report of the Special Rapporteur on the situation of Human Rights in Iran, stating that "The report [of the Rapporteur]...makes it clear that Bahá'ís have no rights in that country. The government subjects them to arbitrary detention, violence, and prolonged solitary confinement...courageous Muslim lawyers are condemned for defending them; their homes and property are confiscated; they are denied employment and access to university, and Bahá'í educators who provide alternative higher education for Bahá'í students are also put behind bars....The government is well aware that Bahá'ís are not a threat, that schoolchildren are not a threat."

sábado, 31 de março de 2012

Senado Americano apela à libertação de dirigentes Bahá’ís no Irão

O Senado dos EUA aprovou - na quinta-feira passada - uma resolução em que "condena o governo iraniano por patrocinar a perseguição contra a minoria Bahá’í", e apela ao Irão para libertar os sete dirigentes Bahá’ís. Estes sete dirigentes foram condenados a 20 anos de prisão em 2010 com acusações de “espionagem para Israel”.

O Senado pediu ao Presidente Barack Obama para aplicar sanções contra funcionários iranianos envolvidos em perseguições contra baha’is, de acordo com sua decisão de 2010 em congelar os bens de oito funcionários superiores iranianos devido à repressão contra protestos da oposição protesta no ano anterior.

As perseguições aos Bahá'ís no Irão são anteriores à revolução islâmica de 1979. Actualmente o regime teocrático impede os Bahá'ís de aceder às universidades e a empregos na administração pública.

O senador Dick Durbin, o segundo na hierarquia do Partido Democrático no Senado, afirmou que chegou o tempo da "perseguição religiosa apoiada pelo Estado contra os Bahais no Irã chegar ao fim."

O gabinete do senador republicano Mark Kirk, um patrocinador principal da resolução, declarou em comunicado que a resolução "envia uma forte mensagem de que os EUA vão continuar a responsabilizar o governo iraniano pela violação dos direitos humanos fundamentais do seu povo."

Mona Mahmoudi, uma Bahá’í residente nos subúrbios de Washington, afirmou à AFP que as autoridades iranianas executaram os seus pais, logo após a revolução islâmica devido aos seus cargos de liderança na comunidade Bahá’í.

Mahmoudi manifestou a esperança de que a resolução do Senado, juntamente com os holofotes sobre o Irã devido ao seu programa nuclear, possa chamar a atenção para a situação precária da Bahá’ís. "A questão nuclear é um assunto muito quente e muito sexy, mas os direitos humanos normalmente ficam para trás. Mas informar e escrever sobre a situação ajuda e acho que no final o governo iraniano vai ser cada vez mais sensível à opinião pública", afirmou.

Mahmoudi disse que apesar do Irã não continuar a executar Bahá’ís, a perseguição tornou-se mais ampla através de medidas como as expulsões de alunos das escolas. "Quando um governo tem medo de crianças de cinco ou seis anos de idade que vão à escola, isso diz muita coisa", concluiu.

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FONTES:
US Senate urges help for Iran's Bahais (AFP)
U.S. Senate Urges Iran To Release Imprisoned Baha'i Leaders (RFEL)
US Senate urges Iran to free Bahai leaders (NOW Lebanon)
US Senate urges Iran to free Bahai leaders (Pakistan Today)
Kirk, Durbin Baha’i Resolution Passes in the U.S. Senate by Unanimous Consent (Mark Kirk)

terça-feira, 27 de março de 2012

Amnistia Internacional: Irão é responsável por mais de metade das execuções

No ano passado houve em todo o mundo pelo menos 676 aplicações da pena de morte e, destas, 360 ocorreram no Irão, segundo o relatório anual que a Amnistia Internacional acaba de divulgar. Houve execuções em menos países, mas os que aplicaram a pena de morte fizeram-no “a um ritmo alarmante”.

Os dados divulgados são aqueles que a Amnistia Internacional conseguiu confirmar, mas ficam muito aquém do verdadeiro número de execuções. De fora fica, por exemplo, a China, que continua a executar “milhares” de condenados à pena de morte apesar de as autoridades continuarem a manter secreta essa informação, sublinha o relatório agora divulgado. A AI também não obteve informações relativas à Síria ou à Malásia, onde é aplicada a pena de morte.

O Irão surge na lista logo após a China, com 360 execuções (mais 108 do que em 2010), seguido da Arábia Saudita, com 82, e do Iraque, com pelo menos 68 aplicações da pena de morte. Os Estados Unidos estão em quarto lugar, com 43 execuções, menos três do que em 2010, logo depois o Iémen com 41 e a Coreia do Norte, com “pelo menos 30” execuções confirmadas.
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NOTICIA COMPLETA: Irão é responsável por mais de metade das execuções confirmadas pela Amnistia (Público)