sábado, 29 de setembro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Peritos da ONU preocupados com minorias religiosas no Irão
Os Relatores Especiais das Nações Unidas - Ahmed Shaheed, relator especial para a situação dos direitos humanos no Irão, e Heiner Bielefeldt, relator especial para
a liberdade de religião ou crença - expressaram a sua profunda preocupação com a situação das religiões minoritárias no Irão e pediram uma "revisão completa e independente" de "todos os casos contra indivíduos presos e processados por acusações relacionadas com o direito à liberdade de religião e de crença".
"Nenhum indivíduo deve ser preso por exercer pacificamente os direitos à liberdade de religião e de crença, expressão e associação", afirmaram. O Dr. Shaheed sublinhou que a detenção e acusação de indivíduos por filiação religiosa contradiz a protecção de religiões minoritárias na Constituição do Irão e representa uma violação das obrigações do país, ao abrigo do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, que o Irão ratificou em 1975.
Os relatores especiais saudaram a recente libertação do Pastor Cristão, Youcef Nadarkhani, que tinha sido condenado à morte sob a acusação de apostasia. No entanto, realçaram a prisão e detenção de centenas de cristãos ao longo dos últimos anos e apelaram às autoridades iranianas para "aliviar o actual clima de medo em que muitas igrejas operam ..."
"O Irão possui um quadro jurídico básico para garantir aos Cristãos, como grupo, o direito à liberdade religiosa, e deve garantir que esse direito seja concedido também na prática", declarou o Dr. Bielefeldt, que observou ainda: "o direito à conversão, neste contexto, é uma parte inseparável da liberdade de religião ou crença... "
Pediu também a protecção dos Bahá'ís e outras minorias religiosas, que não são reconhecidas na Constituição Iraniana. Os processos judiciais contra 495 Bahá'ís ainda estão activos para as autoridades iranianas, e, actualmente, existem 111 Bahá'ís a cumprir penas de prisão.
A condenação por apostasia e sentença de morte para o Pastor Nadarkhani - que nasceu de pais muçulmanos, mas se converteu ao cristianismo, com a idade de 19 anos - provocou forte condenação de governos, organizações e líderes religiosos de todo o mundo. Em Outubro de 2011, a Comunidade Internacional Bahá'í divulgou um comunicado em seu apoio, descrevendo a sentença como "condenável" e "uma violação de todas as normas legais, morais, espirituais e humanitárias."
No início deste mês, a acusação do Pastor Nadarkhani foi reduzida para "evangelizar muçulmanos", com uma pena de três anos, que lhe foi creditada por já a ter cumprido.
-----------------------------
TRADUÇÃO: Ivone Correia
FONTE: UN experts' concern for religious minorities in Iran (BWNS)
"Nenhum indivíduo deve ser preso por exercer pacificamente os direitos à liberdade de religião e de crença, expressão e associação", afirmaram. O Dr. Shaheed sublinhou que a detenção e acusação de indivíduos por filiação religiosa contradiz a protecção de religiões minoritárias na Constituição do Irão e representa uma violação das obrigações do país, ao abrigo do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, que o Irão ratificou em 1975.
![]() |
| Ahmed Shaheed e Heiner Bielefeldt |
Os relatores especiais saudaram a recente libertação do Pastor Cristão, Youcef Nadarkhani, que tinha sido condenado à morte sob a acusação de apostasia. No entanto, realçaram a prisão e detenção de centenas de cristãos ao longo dos últimos anos e apelaram às autoridades iranianas para "aliviar o actual clima de medo em que muitas igrejas operam ..."
"O Irão possui um quadro jurídico básico para garantir aos Cristãos, como grupo, o direito à liberdade religiosa, e deve garantir que esse direito seja concedido também na prática", declarou o Dr. Bielefeldt, que observou ainda: "o direito à conversão, neste contexto, é uma parte inseparável da liberdade de religião ou crença... "
Pediu também a protecção dos Bahá'ís e outras minorias religiosas, que não são reconhecidas na Constituição Iraniana. Os processos judiciais contra 495 Bahá'ís ainda estão activos para as autoridades iranianas, e, actualmente, existem 111 Bahá'ís a cumprir penas de prisão.
A condenação por apostasia e sentença de morte para o Pastor Nadarkhani - que nasceu de pais muçulmanos, mas se converteu ao cristianismo, com a idade de 19 anos - provocou forte condenação de governos, organizações e líderes religiosos de todo o mundo. Em Outubro de 2011, a Comunidade Internacional Bahá'í divulgou um comunicado em seu apoio, descrevendo a sentença como "condenável" e "uma violação de todas as normas legais, morais, espirituais e humanitárias."
No início deste mês, a acusação do Pastor Nadarkhani foi reduzida para "evangelizar muçulmanos", com uma pena de três anos, que lhe foi creditada por já a ter cumprido.
-----------------------------
TRADUÇÃO: Ivone Correia
FONTE: UN experts' concern for religious minorities in Iran (BWNS)
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
O Médico Divino
Quando receita um medicamento, um médico qualificado leva em conta a constituição física específica do paciente, a sua idade, o seu estado físico ou a sua predisposição para reacções negativas a certas substâncias, para além de outros factores. Dependendo destas condições, o médico prescreverá o medicamento. Mesmo quando se trata de um mesmo paciente, um médico qualificado terá de levar em conta a reação do doente à dose prescrita, bem como as diferentes composições do medicamento, a fim de que possa ajustar tanto a dose como a composição às diferentes etapas do processo de cura. De igual forma, um mestre espiritual qualificado adapta os seus ensinamentos, mantendo sempre uma profunda sensibilidade face às necessidades específicas de uma determinada situação. Portanto, quando se refere aos ensinamentos de Buda, um budista não pode dizer «este ensinamento é o melhor», como se uma tal avaliação pudesse ser independente do contexto específico.
Dalai Lama, Caminhos da Fé, pag. 160
Este pequeno excerto das palavras de Dalai Lama despertou a minha curiosidade. Para mim, comparar os fundadores das grandes religiões mundiais a Médicos Divinos não é original. É algo recorrente nas Escrituras Bahá’ís. Deixo aqui dois exemplos:
Os Profetas de Deus devem ser vistos como médicos cuja tarefa consiste em promover o bem-estar do mundo e dos seus povos, para que, através do espírito da unidade, possam curar a doença de uma humanidade dividida. A ninguém é dado o direito de questionar as suas palavras ou denegrir a sua conduta, pois eles são os únicos que podem declarar ter compreendido o paciente e diagnosticado correctamente as suas enfermidades. Homem algum, por mais perspicaz que seja a sua percepção, pode esperar jamais alcançar as alturas que a sabedoria e a compreensão do Médico Divino atingiram. Não é de admirar, portanto, que o tratamento prescrito pelo médico neste dia não seja idêntico, àquele anteriormente prescrito. Como poderia ser de outro modo, quando os males que afectam o sofredor necessitam, em cada fase de sua doença, um remédio especial? De igual modo, cada vez que os Profetas de Deus iluminaram o mundo com o brilho esplendoroso do Sol do conhecimento Divino, eles, invariavelmente, convocaram os seus povos a abraçar a luz de Deus através dos meios que melhor satisfizessem as exigências do tempo em que apareceram. Assim eles puderam dissipar as trevas da ignorância e derramar sobre o mundo a glória do Seu próprio conhecimento. É para a mais íntima essência desses Profetas, portanto, que a visão de todo homem de discernimento se deve dirigir, na medida em que o seu único e exclusivo propósito sempre foi guiar os errantes e dar paz aos aflitos... Estes não são dias de prosperidade e triunfo. Toda a humanidade está atacada por múltiplas enfermidades. Esforça-te, pois, para lhe salvar a vida por meio do remédio salutar preparado pela mão omnipotente do infalível Médico.
(Bahá'u'lláh, Selecção dos Escritos de Bahá’u’llah, sec. XXXIV)
A existência do mundo pode ser comparada à vida do homem, e os Profetas e Mensageiros de Deus a médicos competentes. O ser humano não pode permanecer na mesma condição: diferentes enfermidades ocorrem e cada uma tem um remédio especial. O médico hábil não usa o mesmo remédio para todas as doenças e todos os males; ele altera os remédios e medicamentos de acordo com as necessidades das doenças e constituições. Se uma pessoa tiver uma doença grave causada por uma febre, um médico competente dar-lhe-á remédios refrescantes; e quando, noutra ocasião, a condição desta pessoa tiver mudado, e a febre for substituída por um calafrio, sem dúvida que o mesmo médico descartará o remédio refrescante e permitirá o uso de outros, de efeito contrário. Essa mudança na prescrição é exigida pelo estado do paciente, e é uma prova evidente a habilidade do médico.
('Abdu'l-Bahá, Respostas a Algumas Perguntas, cap 20)
domingo, 23 de setembro de 2012
Eslováquia: Académicos apelam à libertação de Educadores Bahá’ís no Irão
Mais de 80 conhecidos académicos eslovacos apelaram ao governo iraniano para acabar com a perseguição aos educadores e aos estudantes Bahá’ís. Entre estes encontrava-se a ex-Primeira Ministra da Eslováquia, professora Iveta Radičová, e um ex-ministro de Educação, Professor Ján Pišút, que assinam uma carta aberta, apresentada numa conferência de imprensa na passada segunda-feira.
A carta expressa o seu "desagrado no que respeita ao tratamento de alunos e professores Bahá’ís no Irão". "Essas pessoas estão a ser punidas pela administração do Estado devido aos seus esforços para conseguirem educação", declara-se.
![]() |
| Dr. Gregorij Mesežnikov, presidente do Instituto de Assuntos Públicos da Eslováquia |
A carta foi redigida em resposta à política de longa data, seguida pelo governo iraniano, que proíbe a entrada dos Bahá'ís no ensino superior, bem como os esforços sistemáticos para acabar com uma iniciativa informal da Comunidade Bahá'í, que visa educar os seus jovens.
Os signatários pedem às autoridades iranianas para libertarem os educadores Bahá'ís que estão actualmente a cumprir penas de prisão de quatro e cinco anos. Pretendem também que seja dado aos estudantes bahá'ís o mesmo direito à educação que as instituições académicas da Eslováquia concedem a todos os alunos e professores, "independentemente da religião, tradição ou país de origem".
A carta aberta foi elaborada em cooperação com o presidente do Instituto de Assuntos Públicos, Dr. Gregorij Mesežnikov. Este afirmou, na conferência de imprensa de ontem, que acha injusto qualquer governo negar direitos, a um grupo inteiro, apenas pelo facto de pertencerem a uma determinada religião.
Congratulando-se com a iniciativa, Jitka Spillerová, da Comunidade Bahá'’í da Eslováquia, afirmou que os académicos "enviaram uma mensagem ao governo iraniano porque não podem ser ignoradas as injustiças que estão a ser cometidas contra os Bahá'ís e outros intelectuais do seu país - nem mesmo por um público que está tão distante geograficamente".
Em Janeiro deste ano, o Comité de Relações Externas do Parlamento Eslovaco emitiu uma proclamação, descrevendo como"abominável", a incitação do governo iraniano ao ódio, com base na religião. Exigiu, também ao Irão, o fim dos "esforços crescentes para destruir a comunidade Bahá'í Iraniana”.
--------------------------
Tradução: Ivone Correia
FONTE: Slovakian academics tell Iran to free Baha'i educators (BWNS)
sábado, 22 de setembro de 2012
Minorités religieuses: Un avenir très incertain
Au cours de ces derniers mois, alors que les difficultés économiques ont monopolisé les unes de la presse mondiale, une crise constante et d’ampleur similaire est souvent passée plus inaperçue : la dégradation de la liberté religieuse dans le monde. Dans ce contexte, comment envisager l’avenir des minorités religieuses ? Quels succès et quels échecs rencontreront-elles à l’horizon 2050 ? La prospective est un exercice délicat. Tentons néanmoins une projection sur les quarante prochaines années.
La théocratie iranienne est particulièrement virulente à l’encontre de sa plus grande minorité, les bahaïs. Seul culte postérieur à l’islam, le bahaïsme est officiellement accusé d’apostasie et ses membres sont considérés comme des « infidèles non protégés ». Peut-on escompter une amélioration du sort des bahaïs d’Iran dans le prochain demi-siècle ? « Tant que les ayatollah sont au pouvoir, il n’y a aucun espoir que cette comédie macabre s’arrête », répond le docteur Foad Saberan, spécialiste de la question. À l’échelle mondiale, la communauté bahaïe, qui rassemble environ 10 millions de fidèles, connaîtra néanmoins une expansion dans les décennies futures.
--------------------------
Continuar a ler (registo obrigatório): Minorités religieuses: Un avenir très incertain (Le Monde des Religions)
La théocratie iranienne est particulièrement virulente à l’encontre de sa plus grande minorité, les bahaïs. Seul culte postérieur à l’islam, le bahaïsme est officiellement accusé d’apostasie et ses membres sont considérés comme des « infidèles non protégés ». Peut-on escompter une amélioration du sort des bahaïs d’Iran dans le prochain demi-siècle ? « Tant que les ayatollah sont au pouvoir, il n’y a aucun espoir que cette comédie macabre s’arrête », répond le docteur Foad Saberan, spécialiste de la question. À l’échelle mondiale, la communauté bahaïe, qui rassemble environ 10 millions de fidèles, connaîtra néanmoins une expansion dans les décennies futures.
--------------------------
Continuar a ler (registo obrigatório): Minorités religieuses: Un avenir très incertain (Le Monde des Religions)
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Wendi Momen
Program "Fe dos Homens" broadcasted on RTP2 (Portugal), on the 17th September 2012. Filmed at the EBBF Conference in Ericeira.
Programa "Fé dos Homens" transmitido na RTP2 em 17 de Setembro de 2012. Gravado durante a Conferência do EBBF, na Ericeira.
Programa "Fé dos Homens" transmitido na RTP2 em 17 de Setembro de 2012. Gravado durante a Conferência do EBBF, na Ericeira.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Supermercado de Religiões
Falo frequentemente de um «supermercado de religiões». Da mesma forma que qualquer supermercado se gaba da qualidade e variedade dos seus produtos alimentares, também o mundo das religiões pode vangloriar-se da sua rica diversidade de ensinamentos. Quanto à razão porque certas pessoas consideram certos ensinamentos religiosos mais apelativos e eficazes que outros, enquanto outras reagem de forma negativa aos mesmos ensinamentos, isso tem a ver (do ponto de vista do Budismo e das religiões clássicas da Índia) com o condicionamento de cada pessoa, incluindo o seu karma. De uma perspectiva teísta, esta é uma questão que depende dos misteriosos desígnios de Deus. De facto, esta é a razão principal por que aconselho as pessoas a manterem-se fiéis à sua fé tradicional.
Dalai Lama, Caminhos da Fé, pag. 160
Dalai Lama, Caminhos da Fé, pag. 160
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Proibidos de representar o seu país
Em qualquer país do mundo, um adolescente campeão de xadrez, um destacado judoca nacional e um pianista talentoso seriam considerados como importantes contributos para a sociedade. Mas no caso de três jovens iranianos, porém, pelo facto de serem Bahá'ís foi-lhes proibido representar o país em eventos internacionais.
O judoca Khashayar Zarei, o xadrezista Pedram Atoufi e a pianista Pegah Yazdani são todos vítimas da política sistemática do para "bloquear" o progresso e o desenvolvimento dos bahá'ís e "negar-lhes qualquer posição com influência".
A HISTÓRIA DE KHASHAYAR
Depois do Irão ter conseguido um número record de medalhas nos Jogos Olímpicos de 2012, Khashayar Zarei, com 19 anos, apenas pôde sonhar com o que poderia ter sido. Na sua idade e classe de peso, Khashayar é um dos melhores judocas do país, mas foi impedido de concorrer, por ser Bahá'í.
"Apesar do facto de em três ocasiões sido o primeiro do meu peso na equipa nacional, como resultado de minha crença na Fé Bahá'í, fui proibido de participar nas competições mundiais asiáticas", escreveu ele numa carta publicada pela Agência de Notícias dos Direitos Humanos.
Recentemente, para aumentar a sua decepção, teve de interromper os seus estudos de arquitectura na Universidade de Shiraz por causa de suas crenças religiosas. Foi-lhe dito que tinham recebido instruções para expulsá-lo através de uma carta confidencial do Ministério da Ciência, Investigação e Tecnologia. Isso também faz parte da política oficial do governo: assim que se torna conhecido que um estudante é Bahá'í, ele ou ela devem ser expulsos.
Khashayar não está sozinho entre a juventude iraniana com esperanças frustradas.
Os formulários de inscrição para admissão em programas especiais, para alunos superdotados, exigem que o candidato especifique a sua religião, permitindo aos administradores desqualificar candidatos bahá'ís e não há a opção de deixar a linha em branco. Um Bahá'í - um estudante distinto do 2º ano do ensino secundário na cidade de Sari - foi recentemente expulso da sua escola. A outros dois foi negada a oportunidade de participar numa Olimpíada de Ciência e Matemática, para sobredotados.
Em Teerão, uma notável estudante Bahá'í, que alcançou um alto nível nos preliminares para a iniciativa tecnológica "Robocup" foi impedida de se registar numa escola para se preparar para competir a nível nacional e internacional.
Em 2008, a Comunidade Internacional Bahá'í soube que os pais de um aluno foram informados por um simpático administrador da escola, que todos os directores de escolas em Marvdasht tinham recebido instruções verbais para dar aos alunos de "seita Bahaista" e outras minorias, apenas a mais baixa nota de passagem em exames escolares - independentemente do seu nível real de desempenho - de modo a impedir que sejam elegíveis para ingressarem em universidades.
CAMPEÃO DE XADREZ
Este tipo de exclusão não é novo. Depois de ganhar um campeonato nacional de xadrez, em 1991, com a idade de 16 anos, foi dito a Pedram Atoufi que não poderia representar o Irão no Campeonato de Xadrez da Ásia porque era Bahá’í.
Após a revolução islâmica de 1979, o xadrez foi proibido no Irão durante uma década inteira. Quando Pedram venceu o primeiro torneio nacional do país, para jovens, ficou entusiasmado com a oportunidade de representar o seu país nas competições internacionais mas, quando tentou obter o passaporte, foi-lhe entregue um formulário em que tinha de colocar a sua religião.
"Eu escrevi Bahá'í", disse ele. "A pessoa que estava a processar o meu formulário disse: “Se você escrever Bahá'í, não vai ser fácil obter um passaporte".
Pedram foi informado de que a única alternativa era pedir ao presidente da Federação Iraniana de Xadrez, que lhe desse um visto de equipa. O presidente, no entanto, ficou furioso quando soube que Pedram era Bahá'í e enviou uma carta a todos membros da Federação dizendo que Pedram estava impedido de competir em qualquer torneio oficial de xadrez. Naquele ano, ninguém foi enviado para competir pelo Irão no Campeonato Asiático de Xadrez.
A proibição foi gradualmente atenuada ao longo de quatro anos, mantendo-se apenas a proibição de concorrer a nível internacional. Quando a sua equipa venceu o campeonato nacional em 1997, ele foi substituído e os seus companheiros representaram o Irão nos torneios internacionais.
Hoje, Pedram, vive em Scottsdale, Arizona (EUA), onde dirige um clube que visa desenvolver o conceito de unidade através do xadrez. Não pode voltar ao seu país natal. Um amigo seu que foi ao campeonato juvenil de xadrez com ele, só agora foi libertado da prisão.
PIANISTA NO EXÍLIO
A negação do ensino superior para os bahá'ís aplica-se também a outras formas de educação artística e profissional. Impedida de prosseguir as suas ambições musicais no Irão, Pegah Yazdani mudou-se para Moscovo, em 1998, para estudar piano. Chorou durante toda a viagem.
"Emocionalmente, foi um tempo muito difícil; tive que deixar toda a gente para trás", disse. "Ao mesmo tempo, estava muito entusiasmada porque ia perseguir o meu sonho." Ao fim de cinco anos, obteve o seu diploma e voltou para o Irão, junto da sua família, esperando poder executar e abrir uma escola de piano.
Foi-lhe oferecido um emprego, em part-time, no Conservatório de Teerão. Mas quando teve de preencher um formulário e lhe pediram para indicar a sua religião, Pegah foi demitida e proibida de dar aulas de música ou tocar em recitais.
"Se eles virem escrito a palavra ‘Bahá'í’, nem olham para nós; simplesmente não aceitam o formulário", afirma. "Eu não ia conseguir fazer nada no Irão. Não conseguiria estudar lá. Não conseguiria trabalhar lá. Não iria conseguir viver lá normalmente."
Em 2007, Pegah concluiu o mestrado no London College of Music and Media, em Piano e agora vive no Canadá, onde se encontra verdadeiramente envolvida na música – tocar e ensinar piano, e a trabalhar como acompanhante de ballet.
Apesar das suas provações, Pegah - agora com 36 anos - diz que ainda ama muito o seu país e que deseja poder voltar. Espera que um dia, em breve, aos bahá'ís que permanecem no Irão lhes seja permitido dar o seu contributo pleno.
Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, diz que a estratégia do governo iraniano para os bahá'ís está a privar o país de uma série de talentos e capacidades. "As dificuldades para os jovens bahá'ís ingressarem no ensino superior tem aumentado cada vez mais e são cada vez mais complicados", disse. "Estas histórias são exemplos lamentáveis de uma campanha patrocinada pelo Estado que, no final, só priva o Irão das valiosas e excitantes contribuições, que poderiam ser dadas por alguns dos melhores e mais brilhantes jovens do país".
----------------------
FONTE: Banned from making their mark (BWNS)
O judoca Khashayar Zarei, o xadrezista Pedram Atoufi e a pianista Pegah Yazdani são todos vítimas da política sistemática do para "bloquear" o progresso e o desenvolvimento dos bahá'ís e "negar-lhes qualquer posição com influência".
![]() |
| A pianista Pegah Yazdani, o xadrezista Pedram Atoufi e o judoca Khashayar Zarei |
A HISTÓRIA DE KHASHAYAR
Depois do Irão ter conseguido um número record de medalhas nos Jogos Olímpicos de 2012, Khashayar Zarei, com 19 anos, apenas pôde sonhar com o que poderia ter sido. Na sua idade e classe de peso, Khashayar é um dos melhores judocas do país, mas foi impedido de concorrer, por ser Bahá'í.
"Apesar do facto de em três ocasiões sido o primeiro do meu peso na equipa nacional, como resultado de minha crença na Fé Bahá'í, fui proibido de participar nas competições mundiais asiáticas", escreveu ele numa carta publicada pela Agência de Notícias dos Direitos Humanos.
Recentemente, para aumentar a sua decepção, teve de interromper os seus estudos de arquitectura na Universidade de Shiraz por causa de suas crenças religiosas. Foi-lhe dito que tinham recebido instruções para expulsá-lo através de uma carta confidencial do Ministério da Ciência, Investigação e Tecnologia. Isso também faz parte da política oficial do governo: assim que se torna conhecido que um estudante é Bahá'í, ele ou ela devem ser expulsos.
Khashayar não está sozinho entre a juventude iraniana com esperanças frustradas.
Os formulários de inscrição para admissão em programas especiais, para alunos superdotados, exigem que o candidato especifique a sua religião, permitindo aos administradores desqualificar candidatos bahá'ís e não há a opção de deixar a linha em branco. Um Bahá'í - um estudante distinto do 2º ano do ensino secundário na cidade de Sari - foi recentemente expulso da sua escola. A outros dois foi negada a oportunidade de participar numa Olimpíada de Ciência e Matemática, para sobredotados.
Em Teerão, uma notável estudante Bahá'í, que alcançou um alto nível nos preliminares para a iniciativa tecnológica "Robocup" foi impedida de se registar numa escola para se preparar para competir a nível nacional e internacional.
Em 2008, a Comunidade Internacional Bahá'í soube que os pais de um aluno foram informados por um simpático administrador da escola, que todos os directores de escolas em Marvdasht tinham recebido instruções verbais para dar aos alunos de "seita Bahaista" e outras minorias, apenas a mais baixa nota de passagem em exames escolares - independentemente do seu nível real de desempenho - de modo a impedir que sejam elegíveis para ingressarem em universidades.
CAMPEÃO DE XADREZ
Este tipo de exclusão não é novo. Depois de ganhar um campeonato nacional de xadrez, em 1991, com a idade de 16 anos, foi dito a Pedram Atoufi que não poderia representar o Irão no Campeonato de Xadrez da Ásia porque era Bahá’í.
Após a revolução islâmica de 1979, o xadrez foi proibido no Irão durante uma década inteira. Quando Pedram venceu o primeiro torneio nacional do país, para jovens, ficou entusiasmado com a oportunidade de representar o seu país nas competições internacionais mas, quando tentou obter o passaporte, foi-lhe entregue um formulário em que tinha de colocar a sua religião.
"Eu escrevi Bahá'í", disse ele. "A pessoa que estava a processar o meu formulário disse: “Se você escrever Bahá'í, não vai ser fácil obter um passaporte".
Pedram foi informado de que a única alternativa era pedir ao presidente da Federação Iraniana de Xadrez, que lhe desse um visto de equipa. O presidente, no entanto, ficou furioso quando soube que Pedram era Bahá'í e enviou uma carta a todos membros da Federação dizendo que Pedram estava impedido de competir em qualquer torneio oficial de xadrez. Naquele ano, ninguém foi enviado para competir pelo Irão no Campeonato Asiático de Xadrez.
A proibição foi gradualmente atenuada ao longo de quatro anos, mantendo-se apenas a proibição de concorrer a nível internacional. Quando a sua equipa venceu o campeonato nacional em 1997, ele foi substituído e os seus companheiros representaram o Irão nos torneios internacionais.
Hoje, Pedram, vive em Scottsdale, Arizona (EUA), onde dirige um clube que visa desenvolver o conceito de unidade através do xadrez. Não pode voltar ao seu país natal. Um amigo seu que foi ao campeonato juvenil de xadrez com ele, só agora foi libertado da prisão.
PIANISTA NO EXÍLIO
A negação do ensino superior para os bahá'ís aplica-se também a outras formas de educação artística e profissional. Impedida de prosseguir as suas ambições musicais no Irão, Pegah Yazdani mudou-se para Moscovo, em 1998, para estudar piano. Chorou durante toda a viagem.
"Emocionalmente, foi um tempo muito difícil; tive que deixar toda a gente para trás", disse. "Ao mesmo tempo, estava muito entusiasmada porque ia perseguir o meu sonho." Ao fim de cinco anos, obteve o seu diploma e voltou para o Irão, junto da sua família, esperando poder executar e abrir uma escola de piano.
Foi-lhe oferecido um emprego, em part-time, no Conservatório de Teerão. Mas quando teve de preencher um formulário e lhe pediram para indicar a sua religião, Pegah foi demitida e proibida de dar aulas de música ou tocar em recitais.
"Se eles virem escrito a palavra ‘Bahá'í’, nem olham para nós; simplesmente não aceitam o formulário", afirma. "Eu não ia conseguir fazer nada no Irão. Não conseguiria estudar lá. Não conseguiria trabalhar lá. Não iria conseguir viver lá normalmente."
Em 2007, Pegah concluiu o mestrado no London College of Music and Media, em Piano e agora vive no Canadá, onde se encontra verdadeiramente envolvida na música – tocar e ensinar piano, e a trabalhar como acompanhante de ballet.
Apesar das suas provações, Pegah - agora com 36 anos - diz que ainda ama muito o seu país e que deseja poder voltar. Espera que um dia, em breve, aos bahá'ís que permanecem no Irão lhes seja permitido dar o seu contributo pleno.
Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, diz que a estratégia do governo iraniano para os bahá'ís está a privar o país de uma série de talentos e capacidades. "As dificuldades para os jovens bahá'ís ingressarem no ensino superior tem aumentado cada vez mais e são cada vez mais complicados", disse. "Estas histórias são exemplos lamentáveis de uma campanha patrocinada pelo Estado que, no final, só priva o Irão das valiosas e excitantes contribuições, que poderiam ser dadas por alguns dos melhores e mais brilhantes jovens do país".
----------------------
FONTE: Banned from making their mark (BWNS)
domingo, 9 de setembro de 2012
Homa Tavangar
Programa "Fé dos Homens" transmitido na RTP2 em 27 de Agosto de 2012.
Gravado durante a Conferência do EBBF, na Ericeira.
Gravado durante a Conferência do EBBF, na Ericeira.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
A Fé Bahá’í e o Sincretismo
por Robert Stockman
(tradução de Ivone Correia. As fotos e os sublinhados são da minha responsabilidade. MO)
Um dos pressupostos mais comuns sobre a Fé Bahá'í que aparecem nos livros de Estudos Religiosos é que se trata de um sincretismo. Um livro introdutório diz mesmo que a Fé Bahá'í é "intencionalmente sincrética." No entanto, é importante notar, que a alegação de que a Fé Bahá'í é um sincretismo é fortemente rejeitada pelos próprios Bahá'ís e pelas suas escrituras. De onde vem a ideia de que a Fé Bahá'í é sincrética? O que é que essa ideia implica?
![]() |
| Uma religião sincrética consiste numa mistura de ideias díspares copiadas de outras religiões e filosofias. |
Embora o termo sincretismo tenha muitos significados, uma definição básica é dada pelo Dicionário Oxford de Inglês: é uma "tentativa de união ou reconciliação de diferentes doutrinas ou práticas opostas, especialmente na filosofia ou na religião." Historicamente, a palavra tem sido usada para designar uma religião que consiste, primordialmente, ou totalmente, de ideias díspares que são copiadas de outras tradições religiosas. Uma tal religião é "artificial" ou "sintética", aquela que não é sui generis, mas derivada de outras.
Muitos estudiosos pensam que a Fé Bahá'í se afirma a si própria sincrética (daí a referência acima "intencionalmente"). Mas isso não é verdade. A religião Bahá'í afirma basear-se nos ensinamentos que Deus revelou a Bahá'u'lláh, profeta fundador da Fé Bahá'í. Os Bahá'ís levam esta afirmação muito a sério; de facto, Bahá'u'lláh afirmou ser o regresso de Cristo, o Prometido de todas as religiões, e, num certo sentido, afirmou ser Deus ou a Divindade.
A alegação de que a Fé Bahá'í foi fundada sobre a Revelação não afasta totalmente a questão do sincretismo, porque o conceito de revelação não implica necessariamente que os escritos de Bahá'u'lláh não tenham recebido qualquer influência do mundo. Particularmente notável é o facto de que praticamente todo o corpo literário de Bahá'u'lláh consistir em epístolas - algumas em formato de livro - escritas em resposta a perguntas de seguidores, críticos, ou espectadores interessados. Uma vez que a revelação surgiu em resposta a perguntas de seres humanos, o seu conteúdo foi, pelo menos parcialmente, moldado pelas condições culturais do século XIX no Médio Oriente. Além disso, Bahá'u'lláh escreveu num estilo distinto, um estilo diferente do Báb ou de Maomé, dois outros indivíduos que, acreditam os Bahá'ís, também receberam a Revelação de Deus.
O facto da Revelação de Bahá'u'lláh estar num estilo distintamente pessoal, e aparecer em resposta a perguntas culturalmente condicionadas, pode ser entendido de maneiras diferentes pelos Bahá'ís. Alguns estarão inclinados a ver o estilo pessoal como parte do processo da Revelação Divina e as perguntas inspiradas por Deus como destinadas a estimular o surgimento da Revelação. Outros Bahá'ís podem entender que a Revelação consiste numa garantia divina de que as respostas de Bahá'u'lláh às perguntas, de algum modo inspiradas por Deus, mas formuladas nas Suas próprias palavras e, pelo menos parcialmente, com base na Sua educação e experiência, foram afiançadas por Deus como válidas. Nesta última perspectiva, a revelação inclui um processo criativo de filtrar as ideias existentes na sociedade do Médio Oriente, aceitando algumas e rejeitando outras, e inovando frequentemente quando as ideias vigentes mostram ser inadequadas.
| Como evitar equívocos entre "unidade das religiões" de "sincretismo religioso"? |
A influência da cultura e da linguagem na Revelação, ainda que indirecta, deixa a porta aberta para o argumento de que os escritos Bahá'ís representam um sincretismo. Mas o estudo das influências culturais e linguísticas na Revelação Cristã, ou na Revelação reivindicada por qualquer outra religião, levaria também à mesma conclusão acerca das outras religiões. Eruditos cristãos escreveram centenas de livros que exploram o efeito da religião e da cultura Helenista, do Judaísmo do primeiro século, das seitas judaicas "hereges", e até mesmo das ideias Zoroastristas, no Novo Testamento Cristão. Do ponto de vista dessas obras, o Novo Testamento era sincrético e, por implicação, o Cristianismo moderno é também um sincretismo. Nem mesmo os Cristãos conservadores podem negar que Cristo não inventou o baptismo, mas "copiou-o" de João Baptista. Assim, pareceria que, para todas as religiões, a Revelação deve, pelo menos parcialmente, envolver o processo criativo de aprovar ou rejeitar ideias e práticas que já existiam. Neste sentido, todas as religiões são sincretismos.
Por conseguinte, academicamente não é muito correcto classificar a Fé Bahá'í como um sincretismo. Se os Bahá'ís alegassem que a sua religião é sincrética, a descrição seria útil; se o sincretismo estivesse ausente na história das outras religiões, a descrição seria adequada; mas afirmar que a Fé Bahá'í é um sincretismo e sugerir que as outras religiões não são, é uma generalização precipitada.
Claro que é possível que um estudo comparativo dos escritos de Bahá'u'lláh revelasse que estes fossem mais sincréticos do que o Alcorão ou o Novo Testamento. Mas aqueles que argumentam que a Fé Bahá'í é um sincretismo nunca apresentaram semelhantes evidências comparativas. Normalmente, são incapazes de elaborar esse argumento porque não estão familiarizados com os detalhes da vida e das escrituras de Bahá'u'lláh. Isso constitui outro sinal de alerta de que o argumento é precipitado; qualquer estudioso experiente sabe que é uma tarefa difícil e trabalhosa reunir um forte argumento histórico de que X foi influenciado por Y, a menos que X, ou alguém que conhecia bem X, ateste a influência de Y.
Muitos teólogos Cristãos, reconhecendo a importância de ordenar as ideias existentes num estilo novo e criativo, começaram a usar a palavra sincretismo de uma forma positiva. Isso está em contraste com a conotação habitual da palavra, que as notas do Dicionário Oxford de Inglês é "quase sempre ... depreciativo." Alguns teólogos têm apelado aos Cristãos para construírem a sua teologia num modo deliberadamente "sincrético", para acolherem antigos símbolos em formas completamente novas, formas essas, adequadas aos valores e às necessidades da cultura pós-moderna. Tal processo não é visto como uma rejeição do Cristianismo, mas um desenvolvimento do mesmo, um avanço do Cristianismo para entrar no século XXI.
É, por isso, particularmente irónico ouvir alguns professores de religião protestantes liberais chamar a Fé Bahá'í de sincrética, pois eles não usam o termo no sentido positivo e criativo, mas sim pejorativamente. Eles não referem a teologia da libertação, que é claramente um sincretismo de ideias Marxistas e da Bíblia; nem chamariam sincrética à teologia feminista.
Além de louvar onde o louvor é devido, as escrituras Bahá'ís oferecem uma crítica dos vários aspectos das religiões que a precederam. Por exemplo, as escrituras Bahá'ís rejeitam crenças como a Trindade Cristã, a crença Hindu da transmigração da alma, e a crença Muçulmana de que o termo "selo dos profetas" significa que Maomé não seria sucedido por qualquer outro Mensageiro. Neste aspecto, a Fé Bahá'í assemelha-se ao Novo Testamento Cristão, que criticou o Judaísmo na sua época, e o Alcorão, que criticou Cristãos e Judeus. Mas por causa de uma falta de compreensão detalhada da perspectiva Bahá'í acerca das outras religiões, os indivíduos Bahá'ís nem sempre transmitem o equilíbrio entre os elogios e as críticas que se encontra nas escrituras Bahá'ís. Desejando ser positivos sobre as outras religiões, e não querendo ofender outras pessoas, às vezes, os Bahá'ís simplesmente afirmam que todas as religiões anteriores são "verdadeiras". Eles, muitas vezes, minimizam as inúmeras críticas Bahá'ís às crenças centrais de outras religiões. Assim, a compreensão de um Bahá'í, da Revelação Progressiva, pode soar como uma fé sem sentido crítico, de que a religião Bahá'í aceita tudo o que as religiões anteriores ensinam. A partir desta percepção equivocada, e de um mal-entendido do princípio da Revelação Progressiva, vem a ideia de que a Fé Bahá'í é um sincretismo.
Em conclusão, a questão de saber se a Fé Bahá'í é sincrética precisa de ser discutida a um nível mais sofisticado do que foi anteriormente. Se por "sincretismo" um erudito pretende dizer que os Bahá'ís acreditam que a sua religião é uma mistura do melhor das outras tradições religiosas, esta compreensão da auto-identidade Bahá'í é incorrecta. Se por "sincretismo" um erudito pretende que a Fé Bahá'í é uma mistura simplista de ideias das outras religiões, sem um núcleo de verdades que lhes são próprias, esta é uma generalização precipitada e, muitas vezes, é parcialmente baseada em explicações inadequadas da religião Bahá’í, pelos seus membros. Se por "sincretismo" um erudito quer dizer que a Fé Bahá'í é um produto complexo de pensamento original e recombinação original de ideias já presentes no mundo, então todas as religiões são sincretismos e nada de novo está sendo dito sobre a Fé Bahá'í. Se por "sincretismo" um estudioso - consciente ou inconscientemente - diz que a Fé Bahá'í é um epifenómeno indigno de estudo, então esse rótulo impede o estudo da religião e o diálogo inter-religioso. Daí o uso do termo "sincretismo" que destaca a necessidade de um conhecimento mais profundo sobre a Fé Bahá'í em particular, e da natureza da religião em geral.
--------------------------------
Texto Original: The Baha'i Faith and Syncretism by Robert Stockman
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Aceitar as diferenças entre as religiões
Dado que acredito profundamente na natureza positiva do potencial humano, defendo a ideia de que uma harmonia entre as grandes religiões do mundo é possível. No entanto, só poderemos alcança-la se promovermos um verdadeiro entendimento entre as religiões. A compreensão mútua deve assentar em fundamentos sólidos que incluem, entre outros factores, um reconhecimento explícito das verdadeiras diferenças entre as fés. Uma abordagem bem-sucedida não pode ocultar as diferenças, promover uma visão vaga de que todas as religiões acabam por ser uma só, nem tentar fundir todos os seus valores positivos numa espécie de fé universal. Pelo contrário, terá de envolver a articulação explícita e a celebração dessas mesmas diferenças, visto que as diferenças entre as religiões representam a beleza da infinita sabedoria de Deus (de um ponto de vista teísta) e a riqueza do espírito humano.
Dalai Lama, Caminhos da Fé, pags. 138-139
Dalai Lama, Caminhos da Fé, pags. 138-139
Subscrever:
Mensagens (Atom)




