sábado, 31 de maio de 2014
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Porque Sofremos? (2ª parte)
Segunda parte de uma apresentação dedicada ao tema "Porque Sofremos?"
Conteúdo:
- Pressupostos para uma teodiceia Baha'i;
- A Necessidade do Sofrimento;
- Pode haver justiça no sofrimento?
Conteúdo:
- Pressupostos para uma teodiceia Baha'i;
- A Necessidade do Sofrimento;
- Pode haver justiça no sofrimento?
sábado, 24 de maio de 2014
As minhas 3 questões para estudar as Escrituras Bahá’ís
Por Sonjel (publicado no Baha'i Blog).
Pensava, de forma ignorante e ingénua, que conhecia bem as Escrituras, por ter sido educada como Bahá’i. Não demorou muito até perceber que apesar de conhecer muitos princípios da Fé, eu mal conhecia os seus textos sagrados. Bahá'u'lláh exorta-nos a mergulhar no oceano das Suas palavras e eu estava apenas a flutuar à superfície. E num barco!
Pessoalmente, considero que uma pequena parte do mergulho no estudo de um texto requer aquilo que considero o seu contexto. Em várias aulas de aprofundamento, aprendi que existem três perguntas que se podem revelar muito úteis.
A primeira pergunta que eu coloco, principalmente quando se trata de uma obra de Bahá'u'lláh, é a seguinte:
Quando e onde foi revelado o texto, ou quem o compilou?
A resposta a esta questão adiciona um novo nível de apreço no meu estudo. Por exemplo, o meu entendimento sobre a majestade e grandeza do Kitab-i-Aqdas eleva-se quando considero que, paradoxalmente, foi revelado num pequeno quarto, de uma minúscula habitação cheia de gente, sob prisão domiciliar, numa colónia penal pestilenta cujo ar era tão imundo que se dizia que um pássaro cairia morto com o fedor.
A data da revelação também é importante. Trata-se de um texto que surgiu antes ou depois do anúncio da revelação de Bahá'u'lláh? No livro A Revelação de Bahá'u'lláh (volume I), Adib Taherzadeh descreve como a condição de Bahá'u'lláh antes da Sua revelação era como uma lâmpada coberta por um pano. O seu brilho estava ofuscado, mas ainda assim estava presente. O Kitab-i-Íqán, por exemplo, foi revelado um ano antes da Sua declaração; tendo isto em mente, o meu apreço pelas Suas palavras e afirmaçõesaumenta.
Alguns dos livros de escrituras que temos disponíveis são compilações - como Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh. Uma vez houve um amigo que me disse que se fosse parar a uma ilha deserta apenas com um livro, ele gostaria que fosse um exemplar do Seleção, pois esta compilação de escrituras de Bahá'u'lláh é ainda mais encantadora porque foi elaborada por Shoghi Effendi. De todos os escritos da Abençoada Perfeição, estes são os que ele seleccionaria pessoalmente para estudo essencial.
Para mim, a mais comovente de todas as compilações é a Epístola da Visitação, que é recitada na Santuários do Báb e Bahá'u'lláh. Esta epístola é uma tapeçaria de textos da Abençoada Beleza que foram carinhosamente costuradas por um Nabil adoentado, e à qual o Mestre atribuiu autoridade. Recitar as suas palavras é homenagear o Báb e Bahá'u'lláh - ao longo de uma homenagem silenciosa de um servo fiel tão abatido pelo falecimento de Bahá'u'lláh que se lançou ao mar e suicidou-se.
A segunda pergunta que coloco é:
Que medida de autoridade possui o texto?
Isto torna-se particularmente interessante no caso das escrituras de ‘Abdu’l-Bahá, porque nem todas as publicações das Suas palavras têm o mesmo peso. Aqueles escritos pela Sua própria mão - como O Segredo da Civilização Divina, Memorias dos Fiéis, e A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá, para citar alguns – possuem autoridade inegável e irrevogável. Outros textos, como A Promulgação da Paz Universal, proporcionam um tipo diferente de inspiração: contêm transcrições das Suas palestras que nunca foram aprovadas pelo Mestre, e de certa forma isso pode ser considerado semelhante as notas de peregrinos.
Além disso, o Guardião esclarece o seguinte:
A terceira pergunta que eu gostaria de colocar é a seguinte:
O que diz o Guardião sobre o texto?
O livro Presença de Deus é um recurso fantástico por muitos motivos; mas uma das razões é que apresenta um resumo, uma descrição e uma homenagem completas às escrituras. Ao examinar um texto em particular, pode ser realmente útil ler o que Shoghi Effendi escreve magistralmente sobre este. E porque as sagradas escrituras da nossa Fé são tão diferentes de tudo que já li, sinto a necessidade de um entendimento básico sobre um texto antes de mergulhar nele e considero que Presença de Deus, pode ajudar-me nisso.
Estes são as minhas três questões favoritas para estudo; mas existem por aí muitas outras ferramentas! Estão publicados guias de estudo, como este guia para o Kitáb-i-Íqán, por Hooper Dunbar; existem alguns imensos recursos on-line (como este site, onde se pode fazer download da ferramenta Ocean, uma biblioteca pesquisável de textos religiosos ), e você nunca sabe que pedras preciosas vai encontrar quando estuda com os outros.
[1] De uma carta escrita em nome de Shoghi Effendi para a United States Publishing Committee, 29 de Dezembro de 1931
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Sobre a autora: Sonjel é bibliotecária e vive na ilha de Prince Edward (costa oriental do Canadá). É escritora, leitora ávida, mãe e esposa.
Pensava, de forma ignorante e ingénua, que conhecia bem as Escrituras, por ter sido educada como Bahá’i. Não demorou muito até perceber que apesar de conhecer muitos princípios da Fé, eu mal conhecia os seus textos sagrados. Bahá'u'lláh exorta-nos a mergulhar no oceano das Suas palavras e eu estava apenas a flutuar à superfície. E num barco!
Pessoalmente, considero que uma pequena parte do mergulho no estudo de um texto requer aquilo que considero o seu contexto. Em várias aulas de aprofundamento, aprendi que existem três perguntas que se podem revelar muito úteis.
A primeira pergunta que eu coloco, principalmente quando se trata de uma obra de Bahá'u'lláh, é a seguinte:
Quando e onde foi revelado o texto, ou quem o compilou?
A resposta a esta questão adiciona um novo nível de apreço no meu estudo. Por exemplo, o meu entendimento sobre a majestade e grandeza do Kitab-i-Aqdas eleva-se quando considero que, paradoxalmente, foi revelado num pequeno quarto, de uma minúscula habitação cheia de gente, sob prisão domiciliar, numa colónia penal pestilenta cujo ar era tão imundo que se dizia que um pássaro cairia morto com o fedor.
A data da revelação também é importante. Trata-se de um texto que surgiu antes ou depois do anúncio da revelação de Bahá'u'lláh? No livro A Revelação de Bahá'u'lláh (volume I), Adib Taherzadeh descreve como a condição de Bahá'u'lláh antes da Sua revelação era como uma lâmpada coberta por um pano. O seu brilho estava ofuscado, mas ainda assim estava presente. O Kitab-i-Íqán, por exemplo, foi revelado um ano antes da Sua declaração; tendo isto em mente, o meu apreço pelas Suas palavras e afirmaçõesaumenta.
Alguns dos livros de escrituras que temos disponíveis são compilações - como Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh. Uma vez houve um amigo que me disse que se fosse parar a uma ilha deserta apenas com um livro, ele gostaria que fosse um exemplar do Seleção, pois esta compilação de escrituras de Bahá'u'lláh é ainda mais encantadora porque foi elaborada por Shoghi Effendi. De todos os escritos da Abençoada Perfeição, estes são os que ele seleccionaria pessoalmente para estudo essencial.
Para mim, a mais comovente de todas as compilações é a Epístola da Visitação, que é recitada na Santuários do Báb e Bahá'u'lláh. Esta epístola é uma tapeçaria de textos da Abençoada Beleza que foram carinhosamente costuradas por um Nabil adoentado, e à qual o Mestre atribuiu autoridade. Recitar as suas palavras é homenagear o Báb e Bahá'u'lláh - ao longo de uma homenagem silenciosa de um servo fiel tão abatido pelo falecimento de Bahá'u'lláh que se lançou ao mar e suicidou-se.
A segunda pergunta que coloco é:
Que medida de autoridade possui o texto?
Isto torna-se particularmente interessante no caso das escrituras de ‘Abdu’l-Bahá, porque nem todas as publicações das Suas palavras têm o mesmo peso. Aqueles escritos pela Sua própria mão - como O Segredo da Civilização Divina, Memorias dos Fiéis, e A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá, para citar alguns – possuem autoridade inegável e irrevogável. Outros textos, como A Promulgação da Paz Universal, proporcionam um tipo diferente de inspiração: contêm transcrições das Suas palestras que nunca foram aprovadas pelo Mestre, e de certa forma isso pode ser considerado semelhante as notas de peregrinos.
Além disso, o Guardião esclarece o seguinte:
Shoghi Effendi estabeleceu o princípio de que os Bahá’ís não devem dar muita importância às palestras atribuídas ao Mestre, se estas não obtiveram, de uma forma ou outra, a Sua aprovação. [...] Aquelas palestras do Mestre que foram posteriormente revistas por Ele, corrigidas ou de alguma outra forma consideradas autênticas por Ele próprio, tais como " Respostas a Algumas Perguntas", podem ser consideradas como Epístolas e, portanto, ser-lhes atribuído a necessária poder vinculativo. Todas as outras palestras, como as que estão se encontram no diário de Ahmad ou notas de peregrinos, não se enquadram nesta categoria e podem ser considerados apenas como material interessante por aquilo que valem.[1]Isto torna o Respostas a Algumas Perguntas ainda mais especial e o seu processo único de autorização está descrito na sua introdução:
Como interlocutora, a Sra. Barney conseguiu que um dos genros de 'Abdu'l-Bahá, ou que um dos três distintos persas do seu secretariado durante esse período, estivesse presente durante as palestras para garantir a exactidão no registo das Suas respostas às questões que Lhe eram colocadas. 'Abdu'l-Bahá posteriormente leu as transcrições, por vezes mudando uma palavra, ou uma linha, com Sua caneta. Depois foram traduzidas para inglês pela Sra. Barney.O que significa esta diferença? Pessoalmente, isso significa que eu estudo e ganho inspiração com todos os textos acima mencionados, e o meu coração alegra-se com a semântica daqueles textos que não são autênticos.
A terceira pergunta que eu gostaria de colocar é a seguinte:
O que diz o Guardião sobre o texto?
O livro Presença de Deus é um recurso fantástico por muitos motivos; mas uma das razões é que apresenta um resumo, uma descrição e uma homenagem completas às escrituras. Ao examinar um texto em particular, pode ser realmente útil ler o que Shoghi Effendi escreve magistralmente sobre este. E porque as sagradas escrituras da nossa Fé são tão diferentes de tudo que já li, sinto a necessidade de um entendimento básico sobre um texto antes de mergulhar nele e considero que Presença de Deus, pode ajudar-me nisso.
Estes são as minhas três questões favoritas para estudo; mas existem por aí muitas outras ferramentas! Estão publicados guias de estudo, como este guia para o Kitáb-i-Íqán, por Hooper Dunbar; existem alguns imensos recursos on-line (como este site, onde se pode fazer download da ferramenta Ocean, uma biblioteca pesquisável de textos religiosos ), e você nunca sabe que pedras preciosas vai encontrar quando estuda com os outros.
[1] De uma carta escrita em nome de Shoghi Effendi para a United States Publishing Committee, 29 de Dezembro de 1931
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Sobre a autora: Sonjel é bibliotecária e vive na ilha de Prince Edward (costa oriental do Canadá). É escritora, leitora ávida, mãe e esposa.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Porque Sofremos? (1ª parte)
Primeira parte de uma apresentação dedicada ao tema "Porque Sofremos?"
Conteúdo:
- Algumas questões possíveis sobre "Sofrimento";
- Perspectivas das grandes religiões Mundiais sobre o Sofrimento;
- O Sofrimento durante o Iluminismo.
Conteúdo:
- Algumas questões possíveis sobre "Sofrimento";
- Perspectivas das grandes religiões Mundiais sobre o Sofrimento;
- O Sofrimento durante o Iluminismo.
sábado, 17 de maio de 2014
Cemitério Histórico Bahá’í destruído em Shiraz, Irão
![]() |
| Camiões alinhados durante a demolição do cemitério Bahá'í de Shiraz |
As suas mortes tornaram-se um símbolo da pior perseguição governamental contra os Bahá’ís, que são a maior minoria religiosa do Irão. Uma das mulheres enforcadas, Mona Mahmudnizhad, tinha apenas 16 anos de idade quando foi executada por ensinar numa escola dominical para as crianças.
Após a sua morte, Mona Mahmudnizhad tornou-se uma heroína para a comunidade Baha'i. Sabe-se que ela foi torturada e humilhada na prisão, e pouco antes de ser enforcada beijou as mãos do seu carrasco e depois a corda. Ela própria colocou a corda no seu pescoço e sorriu "num acto final de desafio", de acordo com Payam Akhavan, co-fundador do Iran Human Rights Documentation Centre.
O cemitério está a ser destruído pela Guarda Revolucionária, apesar das críticas internacionais, e de não existir uma autorização de demolição por parte das autoridades municipais. A Guarda Revolucionária anunciou planos para construir um novo centro cultural e desportivo no local do cemitério .
Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, criticou a inacção do presidente iraniano, afirmando: "Considerando que o seu próprio conselheiro tem viajado pelo país pedindo respeito pelas minorias religiosas, esperávamos que o Presidente Rouhani interviesse e pusesse fim a este acto de profanação da Guarda Revolucionária ".
E acrescentou: " Dado o carácter histórico deste local, onde estão sepultados cerca de 950 Bahá’ís, incluindo dez mulheres que foram enforcadas em 1983 por se recusarem a negar a sua fé Bahá’í, este acto continuado não é apenas ilegal, mas moralmente ultrajante."
Em Dezembro, o Senado dos EUA condenou formalmente perseguição contra os Bahá'ís do Irão, aprovando a Resolução 75, que pressionou o governo iraniano a resolver a situação da comunidade Bahá’í e a incluí-lo na sua proposta-projecto de "Carta dos Direitos dos Cidadãos"
Durante o seu julgamento, foi dito às mulheres que se renunciaram à sua fé, seriam libertadas. No entanto, nenhuma aceitou. Zarrin Muqimi-Abyanih (com 28 anos de idade) respondeu: "Quer vocês aceitem isso ou não, eu sou Bahá’í. Vocês não podem tirar-me isso. Eu sou Bahá’í com todo o meu ser e com todo o meu coração."
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FONTE: Historic Baha'i Cemetery In Iran Excavated, Destroying Graves Of Martyrs (Huffington Post)
SOBRE ESTE ASSUNTO:
sexta-feira, 16 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
sexta-feira, 9 de maio de 2014
O Boko Haram, a unidade das religiões e a educação das meninas
Por David Langness.
No dia 16 de Abril, durante a noite, homens armados raptaram 234 adolescentes de uma escola secundária pública, em Chibok na Nigéria. Militantes do grupo extremista islâmico Boko Haram assumiram a responsabilidade. Apesar dos pais das jovens terem procurado intensamente as suas filhas nas remotas florestas nigerianas, até agora ainda não encontraram qualquer rasto das moças.
O termo Boko Haram significa "a educação ocidental é proibida e pecaminosa". O grupo teve o seu início como um sistema educativo para muçulmanos do norte da Nigéria, quando o seu fundador, Muhammad Yusuf começou a manifestar-se contra o modelo educativo colonial britânico utilizado na Nigéria, culpando o sistema pela profunda corrupção existente no país. A abordagem educativa estilo-Taliban do Boko Haram rejeita grande parte da ciência moderna, incluindo a ciência da evolução, em favor daquilo que os seguidores de Yusuf chamam "ciências corânicas". A ideologia do Boko Haram defende que a terra é plana e que a chuva não surge através do processo de evaporação, mas da graça de Deus. Também proíbe a educação das meninas.
Quando o Boko Haram inicialmente criou suas escolas estilo-Madrassa, atraíram como estudantes os jovens pobres e desempregados da Nigéria. Muitos muçulmanos do país acusavam o governo nigeriano, controlado esmagadoramente por cristãos nigerianos do sul, de oprimir os pobres e desfavorecidos seguidores do Islão. O Boko Haram inicialmente pretendia que as suas escolas lidassem com a opressão, e aquilo que os seus líderes consideravam como a degradação moral da sociedade. Com o passar do tempo, enquanto as escolas cresciam, começaram a pregar a necessidade de impor a Sharia (lei islâmica) a todos os nigerianos. As organizações policiais e militares nigerianas intervieram de forma repetida e violenta, e em 2009, o líder do Boko Haram, Muhammad Yusuf, morreu enquanto estava sob custódia policial. Isto radicalizou ainda mais o grupo, que começou a condenar o que designava como "educação pecaminosa", atacando violentamente as escolas de estilo ocidental, especialmente aquelas que educavam meninas.
Em Julho de 2013, os militantes do Boko Haram deitaram fogo a um dormitório escolar no norte da Nigéria, matando 29 jovens estudantes trancados no interior. Também realizaram ataques suicidas contra igrejas e incendiaram diversas escolas. O novo líder, Abubakar Shekau, declarou: "Os professores que ensinam educação ocidental? Vamos matá-los! Vamos matá-los à frente dos seus alunos; diga aos alunos para, a partir de agora, estudar o Alcorão". Shekau, no seu último comunicado em vídeo, disse que as meninas sequestradas seria "vendidas no mercado".
O mais recente rapto do Boko Haram indignou o mundo.
Muito do que estes grupos violentos "pseudo-religiosos" fazem viola o espírito da verdadeira religião. Na verdade, à indignação mundial contra o último rapto juntaram-se várias organizações e grupos islâmicos, que afirmam que o Islão moderno não tem qualquer semelhança com a imagem de extremismo muçulmano do Boko Haram. Muitos outros grupos religiosos também se juntaram para condenar a violência.
Os Bahá’ís acreditam que estes conflitos mortais de religião, de classe e de cultura só podem ser evitados através de uma abordagem que combine três factores: uma cessação completa da violência; uma abordagem de unidade em que muitos grupos religiosos que trabalham em conjunto; e educação obrigatória para todas as crianças, especialmente as meninas.
Em primeiro lugar, a violência deve parar:
Em segundo lugar, as diversas religiões da Nigéria devem fazer um esforço conjunto para contactar outros grupos religiosos, reduzindo as suas diferenças e perceber que todos adoram o mesmo Deus:
Por fim, a sociedade nigeriana como um todo deve alcançar um acordo sobre a educação dos seus filhos. Os Bahá’ís recomendam a aplicação do princípio Bahá’í de escolaridade obrigatória universal para todas as crianças - especialmente as meninas - como um objectivo desejável e uma realidade necessária no mundo moderno. Com esse objectivo em mente, os Bahá’ís da Nigéria desenvolvem projectos educacionais de sucesso, com as escolas, como a Escola Bahá’í Harmatan, em Uyo (Nigéria) e vários outros instituições pré-escolares e projectos de alfabetização em funcionamento, que incluem ambos os sexos. Os Bahá’ís acreditam que:
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Texto original em inglês: Boko Haram, Religious Unity and the Education of Girls
David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
No dia 16 de Abril, durante a noite, homens armados raptaram 234 adolescentes de uma escola secundária pública, em Chibok na Nigéria. Militantes do grupo extremista islâmico Boko Haram assumiram a responsabilidade. Apesar dos pais das jovens terem procurado intensamente as suas filhas nas remotas florestas nigerianas, até agora ainda não encontraram qualquer rasto das moças.
O termo Boko Haram significa "a educação ocidental é proibida e pecaminosa". O grupo teve o seu início como um sistema educativo para muçulmanos do norte da Nigéria, quando o seu fundador, Muhammad Yusuf começou a manifestar-se contra o modelo educativo colonial britânico utilizado na Nigéria, culpando o sistema pela profunda corrupção existente no país. A abordagem educativa estilo-Taliban do Boko Haram rejeita grande parte da ciência moderna, incluindo a ciência da evolução, em favor daquilo que os seguidores de Yusuf chamam "ciências corânicas". A ideologia do Boko Haram defende que a terra é plana e que a chuva não surge através do processo de evaporação, mas da graça de Deus. Também proíbe a educação das meninas.
Quando o Boko Haram inicialmente criou suas escolas estilo-Madrassa, atraíram como estudantes os jovens pobres e desempregados da Nigéria. Muitos muçulmanos do país acusavam o governo nigeriano, controlado esmagadoramente por cristãos nigerianos do sul, de oprimir os pobres e desfavorecidos seguidores do Islão. O Boko Haram inicialmente pretendia que as suas escolas lidassem com a opressão, e aquilo que os seus líderes consideravam como a degradação moral da sociedade. Com o passar do tempo, enquanto as escolas cresciam, começaram a pregar a necessidade de impor a Sharia (lei islâmica) a todos os nigerianos. As organizações policiais e militares nigerianas intervieram de forma repetida e violenta, e em 2009, o líder do Boko Haram, Muhammad Yusuf, morreu enquanto estava sob custódia policial. Isto radicalizou ainda mais o grupo, que começou a condenar o que designava como "educação pecaminosa", atacando violentamente as escolas de estilo ocidental, especialmente aquelas que educavam meninas.
Em Julho de 2013, os militantes do Boko Haram deitaram fogo a um dormitório escolar no norte da Nigéria, matando 29 jovens estudantes trancados no interior. Também realizaram ataques suicidas contra igrejas e incendiaram diversas escolas. O novo líder, Abubakar Shekau, declarou: "Os professores que ensinam educação ocidental? Vamos matá-los! Vamos matá-los à frente dos seus alunos; diga aos alunos para, a partir de agora, estudar o Alcorão". Shekau, no seu último comunicado em vídeo, disse que as meninas sequestradas seria "vendidas no mercado".
O mais recente rapto do Boko Haram indignou o mundo.
Muito do que estes grupos violentos "pseudo-religiosos" fazem viola o espírito da verdadeira religião. Na verdade, à indignação mundial contra o último rapto juntaram-se várias organizações e grupos islâmicos, que afirmam que o Islão moderno não tem qualquer semelhança com a imagem de extremismo muçulmano do Boko Haram. Muitos outros grupos religiosos também se juntaram para condenar a violência.
Os Bahá’ís acreditam que estes conflitos mortais de religião, de classe e de cultura só podem ser evitados através de uma abordagem que combine três factores: uma cessação completa da violência; uma abordagem de unidade em que muitos grupos religiosos que trabalham em conjunto; e educação obrigatória para todas as crianças, especialmente as meninas.
Em primeiro lugar, a violência deve parar:
O uso da força pelos fisicamente fortes contra os mais fracos, como um meio de impor a vontade própria e cumprir os seus desejos, é uma transgressão flagrante dos Ensinamentos Bahá’ís. Não pode haver nenhuma justificação para uma pessoa forçar, através do uso da força ou pela ameaça de violência, aquilo que outra pessoa não pretende. 'Abdu'l-Bahá escreveu: " Ó amantes de Deus! Neste ciclo do Deus Todo-Poderoso, a violência e a força, a coacção e a opressão, são todos eles condenados" (A Casa Universal de Justiça)Na perspectiva Bahá’í, pôr fim a essa violência é responsabilidade de todo o mundo, e não apenas do governo nacional onde ocorre a violência.
Em segundo lugar, as diversas religiões da Nigéria devem fazer um esforço conjunto para contactar outros grupos religiosos, reduzindo as suas diferenças e perceber que todos adoram o mesmo Deus:
Este ódio e inimizade, este fanatismo e intolerância são resultados de desentendimentos; a realidade da unidade religiosa surgirá quando estes atritos forem dissipados. Pois a base das religiões divinas é uma fundação única. ('Abdu'l-Bahá, Foundations of World Unity, p. 96)Os Bahá’ís da Nigéria estão prontos para ajudar neste processo de construção da unidade.
Por fim, a sociedade nigeriana como um todo deve alcançar um acordo sobre a educação dos seus filhos. Os Bahá’ís recomendam a aplicação do princípio Bahá’í de escolaridade obrigatória universal para todas as crianças - especialmente as meninas - como um objectivo desejável e uma realidade necessária no mundo moderno. Com esse objectivo em mente, os Bahá’ís da Nigéria desenvolvem projectos educacionais de sucesso, com as escolas, como a Escola Bahá’í Harmatan, em Uyo (Nigéria) e vários outros instituições pré-escolares e projectos de alfabetização em funcionamento, que incluem ambos os sexos. Os Bahá’ís acreditam que:
A educação ocupa um importante lugar na nova ordem das coisas. A educação de cada criança é obrigatória. Se não houver dinheiro suficiente numa família para educar a menina e o menino, o dinheiro deve ser dedicado à educação da menina, pois ela é a potencial mãe. Se não existirem pais, a comunidade deve educar a criança. ('Abdu'l-Bahá, Divine Philosophy, p. 83)
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Texto original em inglês: Boko Haram, Religious Unity and the Education of Girls
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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
The Adventure of Baha'i Study
Intervenção de Hooper Dunbar na Persian Conference. Maio de 2013. Toronto, Canada.
domingo, 4 de maio de 2014
Sub-Humanos
No decorrer da Segunda Guerra Mundial, quando os nazis começaram a perder grandes batalhas na Europa, Hitler e Himmler aumentaram os seus esforços para exterminar os povos que designavam como "Untermensch" (sub-humanos).
Além dos campos de concentração e de trabalhos forçados, aceleraram as actividades nos "Todeslager" - os campos de extermínio - cuja missão era o extermínio global e industrial de todos aqueles que o regime nazi considerava sub-humanos.
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| Crianças a caminho do campo de extermínio de Chelmno |
Os seres humanos têm dificuldade em compreender números como estes, ou mesmo como começou tamanha selvajaria. Posteriormente, todos os artistas, escritores, académicos, historiadores, cineastas e cronistas do Holocausto (ou Shoah, como é referido por muitas pessoas) ao enfrentar a imensidão de um mal tão incompreensível e desumano, questionaram-se se seria possível descrevê-lo ainda que de forma vaga.
Uma história da jornalista e escritora húngara Renée Szanto-Felbermann no seu livro de memórias Rebirth, apresenta a dimensão humana dessa tragédia monstruosa, revelado a odisseia de dois amigos improváveis:
O primeiro novo Bahá'í que nos encontrou após o fim da guerra foi um jovem estudante de medicina ...
Durante a guerra, quando tinha dezoito anos, teve que trabalhar num batalhão de trabalhos forçados devido à sua origem judaica, e foi deportado para Weimar Neustadt, na Áustria... Ali encontrou um Bahá’í da Polónia, um homem de grande cultura, que lhe falou de Bahá'u'lláh e da Fé Bahá'í e lhe deu a força moral para suportar os terríveis sofrimentos a que todos eram submetidos. No fim, já não tinham nada para comer. Estavam a deixá-los morrer à fome e tinham sido seleccionados para serem levados para as câmaras de gás em Auschwitz. O rapaz estava tão fraco que pensou que ia morrer. O Baha'i polaco ainda tinha uma cenoura que tinha arrancado num campo e guardava-a como uma última reserva. Ofereceu a cenoura ao seu jovem amigo, dizendo: "Eu sou muito mais velho que tu e já vivi a minha vida; a tua ainda está à tua frente. Toma esta cenoura, talvez salve a tua vida e te lembres de Bahá'u'lláh." A cenoura permitiu ao jovem ter forças para prosseguir e procurar água. De repente ele viu-se frente a frente com um conhecido húngaro de ascendência alemã, agora soldado envergando um uniforme alemão. "O que estás a fazer aqui?", perguntou-lhe surpreendido. Depois de ouvir a sua história, disse-lhe: "Vem depressa… posso salvar-te. Tenho aqui um camião e estou prestes a regressar a Budapeste. Escondo-te no camião e levo-te de volta."
E foi assim que ele escapou.
O Bahá'í polaco, juntamente com os outros membros do batalhão de trabalhos forçados, foi levado para Auschwitz onde todos pereceram. (Rebirth, p. 160)
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| Nazis efectuando estudos antropométricos na Índia |
Os ensinamentos Bahá’ís abordam directamente esta questão fundamental. Os Bahá’ís acreditam que um Criador bondoso e amoroso abomina o sofrimento humano; mas Ele deu-nos livre arbítrio para que possamos traçar os nossos próprios destinos. Os Bahá’ís acreditam que a humanidade tem a responsabilidade de pôr um fim trazer a um mal endémico. Os Bahá’ís também acreditam que os seres humanos estão num momento do espiritual e físico - e que, se nos concentramos na nossa vida interior e na nossa realidade espiritual, elevaremos aquilo que os seres humanos podem ser e fazer; mas se ignorarmos as nossas almas e permitirmos que o ódio governe os nossos corações e mentes, iremos afundar-nos nas profundezas da depravação, a um nível inferior ao mais cruel dos animais:
No homem há duas naturezas; a sua natureza espiritual ou superior e a sua natureza material ou inferior. Numa ele aproxima-se de Deus e na outra ele vive apenas para o mundo. Sinais de ambas as naturezas encontram-se nos homens. No seu aspecto material, ele expressa falsidade, crueldade e injustiça; tudo isto é resultado da sua natureza inferior. Os atributos da sua natureza divina surgem no amor, na misericórdia, na bondade, na verdade e na justiça; todas são expressões da sua natureza superior. Cada bom hábito, cada qualidade nobre pertence à natureza espiritual do homem, enquanto todas as imperfeições e acções pecaminosas nascem da sua natureza material. (‘Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p. 60)Os nazis foram derrotados por um enorme esforço global na Segunda Guerra Mundial, mas a sua ideologia de supremacia racial existe nas naturezas inferior de muitas pessoas. Os ensinamentos Bahá'ís apresentam um plano para a humanidade em que se apela à eliminação desses preconceitos e ódios.
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Texto original em inglês: Sub-Human
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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Amanhã de manhã vais ser fuzilada
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| Mulheres Judias detidas em Budapeste, 1944 |
A Fé Bahá'í surgiu em meados do séc. XIX, e espalhou-se rapidamente por todo o mundo durante os seguintes 100 anos. Em pouco mais de um século, tornou-se a segunda fé mais dispersa no mundo.
A Fé Bahá'í é a única religião que cresceu mais rapidamente em todas as regiões das Nações Unidas nos últimos 100 anos do que a população em geral; [a Fé] Bahá’í foi, assim, a religião que mais cresceu entre 1910 e 2010, crescendo pelo menos duas vezes mais rápido que a população de praticamente todas as regiões da ONU (The World’s Religions in Figures: An Introduction to International Religious Demography, p. 59.)As primeiras comunidades Bahá'ís fora do Médio Oriente - Estados Unidos, Grã-Bretanha, Índia e Alemanha – surgiram nas décadas 1890 e 1900. Os primeiros Bahá'ís alemães - Alma Knobloch e o Dr. Edwin Fischer, um dentista – conheceram a Fé quando eram imigrantes em Nova Iorque, e regressaram a Estugarda no início do século XX. Começando com essas duas pessoas, a comunidade Bahá’í alemã cresceu rapidamente.
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| Antigo e Novo Memorial de 'Abdu'l-Bahá em Bad Mergentheim |
Apesar das angústias e tribulações da Primeira Guerra Mundial e da inflação galopante durante a República de Weimar, a comunidade Bahá’í floresceu durante a década de 1920. Em 1923 a comunidade Bahá’í alemã estava suficientemente bem estabelecida e formou uma das primeiras Assembleias Espirituais Nacionais Bahá'ís do mundo, o órgão dirigente democraticamente eleito pelos Bahá'ís do país.
E depois os nazis tomaram o poder.
Quando Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha, em 1937, ele acusou a religião de "tendências internacionais e pacifistas." Após decreto de Himmler, o governo nazi começou a atacar os Bahá’ís, primeiro destruindo o memorial público a 'Abdu'l-Bahá em Bad Mergntheim, e depois, em 1939, lançando na prisão os antigos membros da Assembleia Espiritual Nacional Bahá’í da Alemanha. Os Bahá’ís estiveram na cadeia, alguns durante longos períodos de tempo, sem acusações. Em 1942, ocorreram mais prisões. Muitos dos Bahá'ís da Alemanha e dos países vizinhos desapareceram nos campos de concentração nazis, e os pormenores sobre os seus destinos, como milhões de outros, provavelmente nunca será conhecido.
Ironicamente, em Maio de 1944 - exactamente cem anos após o surgimento da Fé Bahá'í - o governo alemão realizou um julgamento público de alguns dirigentes Bahá'ís presos em Darmstadt. Um conhecido Bahá’í alemão, Dr. Hermann Grossmann, pode aparecer e falar em defesa da Fé no julgamento, mas todos sabiam que o veredicto estava foi pré-definido. O governo considerou os Bahá’ís culpados, aplicou multas elevadas e proibiu todas as instituições Bahá’ís, ordenando que fossem imediatamente dissolvidas.
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| Renee Szanto-Felbermann |
Szanto-Felbermann, uma jornalista húngara criado na Alemanha e na Suíça na fé judaica, tornou-se a primeira Bahá’í húngara em 1937. Ela e toda a sua família foram apanhadas nas perseguições nazis contra Judeus e Bahá’ís em Budapeste durante a guerra; Szanto-Felbermann em várias ocasiões escapou por pouco às deportações e às marchas para os campos da morte. Apesar de várias prisões e situações limite, a sua inteligência e coragem mantiveram-na longe dos campos; mas muitos dos seus parentes e amigos mais próximos, tanto Judeus como Bahá'ís, não tiveram tanta sorte. Szanto-Felbermann começa a contar a sua história desta maneira:
Os dois oficiais alemães das SS olharam-me com as suas pistolas apontadas à minha cabeça. "O que está nesta caixa?", gritaram os alemães. "Abra-a."Através de uma combinação de pura sorte, coragem e oração, Renée, juntamente com a mãe e a filha, escaparam com vida. Também o marido, que trabalhava na resistência húngara contra os nazis, e corria grandes perigos ao tentar salvar outros, acabou por conseguir evitar o terrível destino de muitos dos seus compatriotas. A emocionante caminhada de Renée Szanto-Felbermann, como pesquisadora espiritual, escritora, Bahá’í e alvo de perseguição nazi, levam cada leitor a perceber como a gentileza e a graça podem por vezes superar um grande mal.
"Isto são livros e manuscritos sobre a minha religião, a religião Bahá’í". O oficial ajoelhou-se em frente da caixa, pegou numa folha de papel e começou a ler. Os seus olhos encontraram o seguinte texto [de Bahá'u'lláh] traduzido para alemão:
"Aqueles que estão intoxicados pela arrogância interpuseram-se entre ela e o infalível Medico Divino. Vede como eles enredaram todos os homens, inclusive a si próprios, na rede dos seus estratagemas", leu em voz alta.
"Isto parece muito suspeito", gritou, "amanhã de manhã vais ser fuzilada e atirada ao Danúbio, mas primeiro a Gestapo virá investigar." E apontando para minha mãe, gritou: "Ela também será fuzilada e lançada no Danúbio! E a criança também" (Rebirth, pags. 124-125)
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Texto original em inglês: In the Morning You Will Be Shot (bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
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