sábado, 11 de outubro de 2014

6 Lições Importantes do Prémio Nobel da Paz

Por Homa Sabet Tavangar.


Esta manhã, enquanto esperava que o meu café aquecesse, tive um sobressalto ao ler as notícia no meu telemóvel quando vi o título “Malala Yousafzay e Kailash Satyarthi recebem Prémio Nobel da Paz”. Fiquei com o coração aos saltos e senti que o meu cérebro quase já não precisava de café. Isto é fantástico. E quem é o Kailash não-sei-quantos?

Malala Yousafzay recebida na Casa Branca pelo Presidente Obama
Li rapidamente a notícia e fiquei a saber mais alguma coisa sobre os vencedores e porque motivo ambos constituem uma escolha ponderada pelo Comité Nobel norueguês. É também um fantástico momento de aprendizagem, um estudo de contrastes que demonstra que o mundo tem, de facto, capacidade para a paz, apesar dos títulos das notícias que usualmente apontam o contrário.

Leia-se todo o anúncio do Prémio Nobel da Paz para compreender a ideia por detrás da escolha. Explica-se que o prémio vai para "Kailash Satyarthi e Malala Yousafzay pela sua luta contra a supressão de crianças e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação. O Comité Nobel ... considera isso como um aspecto importante para um hindu e uma muçulmana, um indiano e uma paquistanesa,juntarem-se numa luta comum pela a educação e contra o extremismo".

Esta escolha tem seis lições importantes para reflectir sobre os ingredientes da paz:

1.   Todas as idades podem causar impacto: Aos 17 anos, Malala é a mais jovem vencedora do Prémio Nobel da Paz por décadas. (O vencedor mais jovem seguinte do Prémio Nobel da Paz foi a iemenita Tawakkol Karman, que tinha 32 anos na época, também muçulmana, mulher, e do Médio Oriente). O sr. Satyarthi tem 60 anos de idade. Com idade suficiente para ser avô de Malala, ele passou décadas num serviço paciente e protesto pacífico pelos direitos das crianças na tradição de Gandhi.

2.   Mulheres e homens devem trabalhar juntos: quando homens e mulheres trabalham juntos para promover a paz, a educação e os direitos de todos, todos nós nos beneficiamos. São como as duas asas de um pássaro que se complementam, trabalhando em conjunto para a humanidade voar mais alto. Com o encorajamento do seu pai, Malala estabeleceu a sua voz em nome dos direitos da educação das meninas, e tem voado cada vez mais alto desde então. 
O mundo da humanidade tem duas asas - uma são as mulheres e a outra são os homens. Só quando ambas as asas estiverem igualmente desenvolvidas, o pássaro poderá voar. Se uma asa continuar fraca, é impossível voar. Só quando o mundo das mulheres se tornar igual ao mundo dos homens na aquisição de virtudes e perfeições, podem o sucesso e a prosperidade ser alcançados como deveriam ser. (’Abdu’l-Bahá, A Compilation on Women, pp. 8)
3.   Respeitar a diversidade de religiões: como salienta a declaração Prémio Nobel da Paz, os dois laureados são hindu e muçulmana, trabalhando para objetivos semelhantes, de forma pacífica. Durante décadas, os extremistas e os líderes lutaram uns contra os outros, mas nunca falaram em nome de muitas pessoas.

4.   Respeitar a diversidade de nacionalidades: apesar de vizinhos (e por vezes, parentes), indianos e paquistaneses têm estado envolvidos em conflitos durante décadas. Mais uma vez, podemos fazer melhor. Queremos paz.

5.   Respeitar a diversidade de abordagens: depois escrever em blogs e defender os direitos da educação das meninas, Malala, seguidamente, sobreviveu a um violento, tornando-se uma porta-voz inspiradora ao nível global durante a sua dramática convalescença; ela ainda está na escola secundária. O sr. Satyarthi desistiu da sua carreira como engenheiro elétrico há mais de três décadas atrás, para criar o Bachpan Bachao Andolan, ou Movimento Salvem a Infância, liderando o caminho para eliminar o tráfico de crianças e o trabalho infantil na Índia.

6.   Respeitar a diversidade da fama: Malala é um dos rostos e nomes mais conhecidos no mundo, respeitada pela sua coragem, pela sua eloquência e pelos seus apoios. Satyarthi, apesar de ter dedicado décadas ao assunto, é praticamente um desconhecido fora do seu país e da causa, mostrando que não é preciso ser famoso para causar impacto.

À medida que aprendemos mais sobre a escolha do Nobel, tenho certeza que vamos descobrir muitas mais lições nos exemplos inspiradores e contrastantes destas duas vidas incríveis. No seu todo, pude ler outra mensagem nas entrelinhas: o princípio Bahá'í de que todos são necessários para construir a paz. Precisamos de compromisso, tal como estes dois heróis têm mostrado, e precisamos de respeitar as nossas diferenças, aumentando a persistência, a probabilidade e a força de paz numa escala global. Acima de tudo, precisamos de unidade.

Parabéns Malala e sr. Satyarthi! E que os nossos próprios esforços vos deixem orgulhoso.

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Texto original: 6 Important Lessons from the Nobel Peace Prize (bahaiteachings.org)

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Homa Tavangar Sabet é autora do conhecido livro Growing Up Global: Raising Children to Be At Home in the World. Este livro foi muito bem recebido pela crítica da BBC, NBC, ABC, Washington Post.com, Chicago Tribune, Boston Globe, PBS, FoxNews.com e Huffington Post. Este livro tem servido de base para diversas iniciativas nos EUA que pretendem ajudar diversas audiências (desde administradores de empresas a educadores de infância) a viver melhor num mundo global.

Fareed Zakaria: Sejamos honestos; hoje, o Islão tem um problema

Excertos de um artigo de opinião de Fareed Zakaria no Washington Post (09/Outubro/2014).
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Conheço os argumentos contra as vozes que falam do Islão como sendo violento e reacionário. Tem 1.6 mil milhões de seguidores. Locais como a Indonésia ou a Índia têm centenas de milhões de muçulmanos que não encaixam nestas representações. É por isso que [Bill] Maher e [Sam] Harris erram ao fazer generalizações grosseiras. Mas sejamos honestos. Hoje, o Islão tem um problema. Os lugares que têm dificuldade em acomodar-se no mundo moderno são desproporcionalmente muçulmanos.

Em 2013, dos 10 principais grupos que realizaram ataques terroristas, 7 eram muçulmanos. Dos 10 principais países onde ocorreram ataques terroristas, 7 têm maioria muçulmana. O Pew Research Center classifica países de acordo com o nível de restrições que os governos impõem ao livre exercício da religião. Dos 24 países mais restritivos, 19 têm maioria muçulmana. Dos 21 países que têm leis contra apostasia, todos têm maioria muçulmana.

Existe um cancro de extremismo no Islão de hoje. Uma pequena minoria de muçulmanos festeja a violência e a intolerância, e acolhe atitudes profundamente reacionárias contra as mulheres e as minorias. Apesar de alguns confrontarem os extremistas, não são suficientes, e os protestos não são suficientemente sonoros. Quantas manifestações gigantescas se realizam hoje contra o Estado Islâmico (também conhecido como ISIS) no mundo Árabe?

A expressão “Islão de hoje” é importante. O problema central das análises de Maher e Harris é que pegam numa realidade - o extremismo no Islão - e descrevem-na de forma que sugere que é inerente ao Islão. Bill Maher afirma que “o Islão é a única religião que actua como a Mafia, que mata se alguém diz o contrário, se faz um desenho errado ou se escreve o livro errado”. Ele tem razão sobre o aspecto maligno, mas está errado quando o liga ao Islão - em vez de o ligar a “alguns muçulmanos”.

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Harris devia ler o livro de Zachary Karabell Peace Be Upon You: Fourteen Centuries of Muslim, Christian and Jewish Conflict and Cooperation. Ali descobriria que houve guerras mas também muitos séculos de paz. O Islão esteve por vezes na vanguarda da modernidade, mas tal como hoje, também já o grande retardatário. Como Karabel me disse: “Se excluirmos os últimos 70 anos, em geral o mundo islâmico foi mais tolerante com as minorias do que o mundo cristão. É por isso que viviam mais de um milhão de Judeus no mundo árabe até à década de 1950 - só no Iraque eram 200.000”

Se existiram períodos em que o mundo islâmico era aberto, moderno, tolerante e pacífico, isso pressupõe que o problema não está na essência da religião e que as coisas podem mudar mais uma vez. Então porque é que Maher faz estes comentários? Compreendo que como público intelectual ele sinta necessidade de falar daquilo que vê como uma verdade elementar (apesar da sua “verdade” estar simplificada e exagerada). Mas existe certamente outra tarefa para um público igualmente intelectual: tentar mudar o mundo para melhor.

(...)

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Texto original (em inglês): Fareed Zakaria: Let’s be honest, Islam has a problem right now

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Violência contra Meninas



A violência contra meninas é frequentemente tolerada devido à desigualdade de género. E é tão comum que muita gente não a considera como um abuso, e nem sequer a denuncia.

Para acabar com a violência contra as meninas, é urgente capacitá-las com conhecimento, aptidões e dar-lhes opções de escolha, para que possam desenvolver o seu potencial.

Para saber mais: http://uni.cf/endviolence #dayofthegirl

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Reza Aslan, entrevistado por Rainn Wilson

Reza Aslan é entrevistado por Rainn Wilson, numa Igreja Presbiteriana, e falam sobre o livro “O Zelota”. O autor reitera o seu respeito e admiração por Jesus. Depois refere-se o outro livro sobre Maomé e menciona-se a Fé Bahá’í.

Reza Aslan é um dos mais prestigiados académicos irano-americano. No ano passado apoiou apelos à liberdade de educação dos Bahá’ís no Irão

Note-se a forma respeitosa como Wilson fala com Aslan (em contraste com os apresentadores da CNN e da FOX).

Esta entrevista teve lugar em 25/Julho/2013.


Reza Aslan in conversation with Rainn Wilson from Ted Habte-Gabr on Vimeo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Acabar com a Selvajaria e a Vingança

Por David Langness.


Olho por olho e o mundo acabará cego - Mahatma Gandhi

… a vingança, segundo a razão, também é condenável, pois não traz proveito algum ao vingador. Se um homem atacar outro, e este se vingar, retribuindo o golpe, qual será a vantagem conseguida? Será isso um bálsamo para sua ferida, ou um remédio para a sua dor? Não, Deus nos proteja! Na verdade, os dois actos são iguais; ambos são ofensas. A única diferença é que um ocorreu primeiro e o outro ocorreu depois. Se, pelo contrário, aquele que foi atacado perdoar, e agir de forma contrária àquilo que lhe foi feito, isso será louvável... Quando aquele que foi atacado perdoa, ele mostra a maior misericórdia. Isto é digno de admiração (‘Abdu'l-Bahá, Respostas a Algumas Perguntas, cap 76)
Algumas das culturas ainda valorizam a vingança e a retaliação. O desejo de retaliar - para retribui os mesmos danos a quem nos magoou - atravessa toda a história da sociedade humana. Em alguns lugares, ainda é ensinada às crianças: se ele te bate, bate-lhe também!

De facto, muitos dos antigos códigos de conduta invocam a antiga regra de retaliação, a lei de talião (olho por olho).

Mas retribuição apenas perpetua a selvajaria.

Marsel (6 anos) é orfão devido uma vingança do tipo Kanun
Vivi durante algum tempo nos Balcãs, onde muitos povos rurais ainda praticam o Kanun, conhecido como o código das montanhas. Este antigo código de conduta, que provavelmente tem origens na Idade do Bronze, é muito parecido com o conceito italiano de vendetta - exige uma retribuição igual por um assassinato. Se alguém assassina um membro de uma família, então o autor do crime, ou alguém da sua família, deve ser assassinado. É claro que estes actos de vingança (chamados Gjakmarrja) nunca acabam, e as famílias vão-se matando umas às outras, literalmente, durante séculos; a vingança só é considerada concluída quando todos os homens de uma família estiverem mortos. O governo albanês estima que mais de 3000 famílias rurais que vivem nas montanhas, estão hoje envolvidas em vinganças do tipo Kanun, e que estas provocaram mais de 10.000 mortos nas últimas duas décadas.

Quando fui militar no Vietname aprendi que este tipo de vingança aumenta sempre e nunca termina. Vi isso acontecer durante quase todos os dias da guerra. E funciona assim: você vê um amigo ser ferido ou morto. Você experimenta a sua agonia ou a sua morte, e isso deixa-o furioso. Você quer vingança, e assim você mata o primeiro "inimigo" que vê. Muitas vezes, essa pessoa não é nem sequer é um soldado do outro lado, mas apenas um pobre civil. Alguém do outro lado vê essa a morte, e quer vingança. E as mortes vão-se somando.

São exactamente estes mesmos padrões que ocorrem na violência de gangues, no terrorismo selvagem que mata o inocente, e na guerra.

O professor e psicólogo Ian Robertson, que estudou a selvajaria humana, afirma que alguma da selvajaria e brutalidades recentes praticada pelos combatentes do “Estado Islâmico”, no norte da Síria e no Iraque pode ser atribuída a esse tipo de vingança retributiva:
A vingança, que é um valor forte na cultura árabe, pode desempenhar um papel na perpetuação da selvajaria. Claro que a vingança devido a uma selvajaria gera mais selvajaria num ciclo interminável. Mas se a vingança é um motivador poderoso, ela também é enganadora, porque as evidências mostram que a vingança contra alguém, longe de aplacar a angústia e raiva, na verdade perpetua-a e amplia-a.
Do ponto de vista bahá'í, acabar com vinganças define a própria razão pela qual a humanidade educa os seus filhos e desenvolve sociedades civis. As leis de todas as civilizações avançadas impedem hoje a vingança, limitam a aplicação da justiça ao sistema jurídico e proíbem a violência contra outros. Mas sem inculcar os valores de misericórdia, amor e bondade, a sociedade humana, volta a cair, inevitavelmente, na velha lei da selva ou no código das montanhas:
Se queremos iluminar este plano escuro da existência humana, devemos retirar o homem do cativeiro desesperante da natureza, educá-lo e mostrar-lhe o caminho da luz e do conhecimento, até que, elevado acima da sua condição de ignorância, ele torna-se sábio e conhecedor; não mais selvagem e vingativo, ele torna-se civilizado e bondoso; outrora malvado e sinistro, ele é dota-se de atributos celestiais. Mas abandonado na sua condição natural, sem educação ou formação, é certo que ele se tornará mais depravado e cruel do que o animal... ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 309)
Se não houvesse um educador, todas as almas permaneceriam selvagens; e se não fosse o professor, as crianças seriam criaturas ignorantes. ('Abdu'l-Bahá, Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, nº 98)
Então, como é que vamos parar tamanha selvajaria? Os ensinamentos Bahá’ís vêem a solução para a violência e brutalidade humanas na aplicação da mensagem de Bahá'u'lláh para a humanidade:
Os santos Manifestantes de Deus vêm ao mundo para dissipar as trevas da natureza animal, ou física, do homem e purificá-lo das suas imperfeições, para despertar a sua natureza celestial e espiritual, despertar as suas qualidades divinas, para tornar visíveis as suas perfeições, para revelar as suas potencialidades e para trazer à existência todas as virtudes do mundo humano nele latentes. Estes santos Manifestantes de Deus são os Educadores e Instrutores do mundo da existência e Professores do mundo humano. Eles libertam o homem das trevas do mundo da natureza, salvam-no do desespero, do erro, da ignorância, das imperfeições e de todas as qualidades malignas. Eles vestem-no com o traje das perfeições e virtudes elevadas. (Abdu’l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, pp. 465-466.)

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Texto original: Stopping Savagery and Revenge (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 27 de setembro de 2014

Demonizar os "Outros": os tormentos do inferno

Por David Langness.


Pensai no amor e no bom companheirismo como as delícias do céu; pensai na hostilidade e no ódio como os tormentos do inferno. ('Abdu'l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 244.)
Há milénios que as pessoas se organizam em unidades exclusivas, chamadas tribos, raças, etnias ou nacionalidades. Parece natural que as pessoas façam isso; basta pensar nos grupos que muitas vezes se formam nas escolas, para perceber o que quero dizer.

Hoje sabemos que todas essas identidades de grupo tinham originalmente um propósito, nomeadamente, a protecção e a auto-defesa; mas além disso tinham tendência a provocar uma divisão entre as pessoas. Quem pertence a um "grupo" cria também os “fora do grupo”, os inimigos, ou aquilo a que os psicólogos chamam os "outros".

O professor Ian Robertson do Trinity College descobriu na sua investigação que à medida que este mecanismo de divisão se desenvolve algumas pessoas começam a ver o “outro” como menos humano:
Quando as pessoas se unem, os níveis de oxitocina aumentam no seu sangue, mas a consequência disso é uma maior tendência para demonizar e desumanizar quem está fora do grupo. Esse é o paradoxo da entrega altruísta ao grupo: torna-se mais fácil anestesiar a empatia para com os fora do grupo e vê-los como objetos. E fazer coisas terríveis a objetos é aceitável, porque eles não são humanos.
O holocausto foi um exemplos flagrante de desumanização
Esta desumanização é mais flagrante na guerra. Quando estamos em guerra, os outros - os "inimigos" - tornam-se sub-humanos, monstros do mal, e são retratados como criaturas terríveis e desprezíveis que não merecem viver. Todos os militares conhecem este mecanismo para demonizar o inimigo. Durante a guerra do Vietname, por exemplo, os soldados norte-americanos chamavam “gooks” (chinos) aos soldados vietnamitas, uma alcunha depreciativa que pretendia diminuir a sua humanidade e torná-los - na consciência - mais fáceis de matar.

Os Bahá'ís não acreditam em qualquer forma de separação dos seres humanos uns dos outros. Em vez disso, os ensinamentos Bahá’ís enfatizam a unidade da humanidade - que não tem fronteiras raciais, étnicas, religiosas ou nacionais. Os ensinamentos Bahá’ís declaram que as antigas divisões de religião já não se aplicam mais, que não se pode simplesmente afirmar pertencer a uma religião e fugir aos seus ensinamentos morais, e que um sistema de crenças é definido pelas acções dos indivíduos:
Nos tempos antigos, os homens ou se tornavam crentes, ou se tornavam inimigos da causa de Deus... A fé consistia na aceitação cega destas verdades; aqueles que aceitavam eram considerados salvos, os outros eram sentenciados à condenação eterna. Mas, neste dia, a questão é muito mais importante. A fé não consiste na crença; consiste em acções. (‘Abdu’l-Bahá, Divine Philosophy, p. 38)
A psicologia de grupo que nos permite demonizar outros pode transformar o mundo inteiro num campo de guerra, onde o antagonismo se torna normativo e começamos a pensar nas pessoas, não como seres humanos, mas como inimigos. Quando isso acontece, segue-se o conflito.

Como alternativa, as escrituras Bahá’ís exortam-nos a banir completamente o próprio conceito de inimigo dos nossos corações:
Bahá'u'lláh afirmou claramente nas Suas Epístolas que se você tem um inimigo, não deve considerá-lo como um inimigo. Não seja apenas paciente; não, pelo contrário, ame-o… Nem diga que ele é seu inimigo. Não veja quaisquer inimigos. Apesar de ele ser o seu assassino, não o veja como inimigo. Veja-o com os olhos da amizade. Tenha em mente que se o deixar de considerar como um inimigo e apenas o tolerar, isso é simplesmente um estratagema e hipocrisia. Considerar um homem como inimigo e amá-lo é hipocrisia. Isto não é digno de nenhuma alma. Você deve encará-lo como amigo. Você deve tratá-lo bem. Isso está certo. ('Abdu'l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, p. 267)

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Texto original: Demonizing the “Other”—The Torments of Hell

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 20 de setembro de 2014

A Multidão e a Perda de Consciência Humana

Por David Langness.


No texto anterior desta pequena série, iniciámos uma exploração psicológica e espiritual de um dos mais sombrios e terríveis aspectos do comportamento humano: a selvajaria. Como exemplo mais recente de guerras brutais em vários lugares do mundo, a crise do “Estado Islâmico” no norte da Síria e no Iraque chamou a atenção do mundo com selváticos assassinatos em massa, decapitações e genocídio sectário.

Quando estes crimes terríveis contra a humanidade ocorrem, fazem-nos muitas vezes querer culpar um determinado grupo étnico, seita religiosa ou nacionalidade. Mas os instintos selvagens nos seres humanos são muito mais profundos do que essas filiações; segundo com os ensinamentos Bahá’ís encontram-se, potencialmente, em todos nós:
... mas quando o homem não abre o seu coração e a sua razão para a bênção do espírito, mas volta a sua alma para o lado material, para a parte física da sua natureza, então ele cai da sua posição elevada e ele torna-se pior que os habitantes do reino animal. Neste caso, o homem encontra-se numa situação miserável! Porque, se as qualidades espirituais da alma, aberta ao sopro do Espírito Divino, nunca são usadas, atrofiam-se, enfraquecem, e, por fim, tornam-se inúteis; quando as qualidades materiais da alma se exercitam isoladamente tornam-se terrivelmente poderosas - e homem, infeliz e perdido, torna-se mais selvagem, mais injusto, mais vil, mais cruel, mais maléfico do que os próprios animais inferiores. Todas as suas aspirações e desejos são fortalecidos pela sua natureza inferior, ele torna-se cada vez mais brutal, até que todo o seu ser deixa de ser superior à dos animais que perecem. Homens assim, pretendem fazer o mal, magoar e destruir; eles estão totalmente desprovidos do espírito da compaixão divina, pois a natureza celestial da alma foi dominada pela material. Se, pelo contrário, a natureza espiritual da alma tiver sido tão fortalecida ao ponto de dominar o lado material, então o homem aproxima-se do Divino; a sua humanidade torna-se tão gloriosa que as virtudes da Assembleia Celestial se manifestam nele; ele irradia a Misericórdia de Deus, estimula o progresso espiritual da humanidade, pois tornou-se uma lâmpada que ilumina o seu caminho com luz. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, pp 97-98.)
As qualidades materiais da alma, como salienta ‘Abdu'l-Bahá, podem levar a um existência brutal e selvagem. Os psicólogos sabem que quando essas qualidades são socializadas num grupo ou até mesmo uma multidão sem lei, estas tendem a reforçar cada membro e a contribuir para uma identidade de grupo agressiva, violenta e cruel. O professor Ian Robertson do Trinity College, em Dublin, que estudou essas tendências dos seres humanos para a brutalidade, diz que a imersão numa identidade de grupo pode produzir uma enorme selvajaria:
Quando o Estado entra em colapso, e com ele a lei e a ordem e da sociedade civil, há apenas um recurso para a sobrevivência: o grupo. Seja definido pela religião, raça, política, tribo ou clã - ou mesmo pelo domínio brutal de um líder - a sobrevivência depende da segurança mútua oferecida pelo grupo. 
A guerra une as pessoas nos seus grupos e esta ligação alivia um pouco o medo terrível e sofrimento que o indivíduo sente quando o Estado colapsa. Também oferece auto-estima às pessoas que se sentem humilhadas pela sua perda de lugar e estatuto numa sociedade relativamente ordenada. À medida que isto acontece, as identidades individuais e de grupo fundem-se parcialmente e as acções da pessoa tornam-se tanto uma manifestação do grupo, como da vontade individual. Quando isso acontece, as pessoas podem fazer coisas terríveis que nunca teria imaginado fazer noutras circunstâncias: a consciência individual tem pouco espaço num grupo aguerrido e hostilizado, porque as identidades individuais e de grupo tornam-se uma, enquanto existir a ameaça externa. São os grupos que são capazes de selvajaria, muito mais do que qualquer indivíduo isolado.

Podemos ver isso nos rostos dos jovens militantes do Estado Islâmico, quando desfilam nos seus veículos, agitando bandeiras negras, com grandes sorrisos, erguendo punhos cerrados, recém-chegados de uma matança de infiéis que não se converteram ao Islão. O que podemos ver é uma elevada concentração bioquímica combinando a hormona oxitocina de pertença e a hormona testosterona de dominância. Muito mais do que a cocaína ou o álcool, estas drogas naturais levantam o humor, induzem o optimismo e estimulam uma acção agressiva por parte do grupo. E porque a identidade individual se encontra fortemente imersa na identidade do grupo, o indivíduo estará muito mais disposto a sacrificar-se numa batalha - ou num atentado suicida. Porquê? Porque se eu estiver imerso grupo, eu vivo no grupo mesmo que o "eu individual" morra.
Esta perda de vontade individual - e da consciência humana individual - pode ocorrer de forma rápida e completa num contexto de grupo. Quando nos entregamos a nossa própria humanidade a um qualquer grupo - uma milícia violenta, uma multidão, um exército, um gangue, uma seita - arriscamo-nos a perder a nossa própria humanidade.

Testemunhei pessoalmente a forma como esta mentalidade de multidão e a selvajaria se pode desencadear - entre soldados e guerrilheiros de ambos os lados durante a guerra do Vietname; em motins urbanos em Los Angeles e Manila; no comportamento bárbaro dos esquadrões da morte patrocinados pelo governo durante a guerra civil em El Salvador; e nos terríveis crimes de guerra cometidos pelos sérvios e depois pelas forças albanesas durante, e após, a limpeza étnica no Kosovo. Depois de ver essas coisas acontecerem, percebi que quase toda a gente - se a crueldade, a miséria e depravação desumana os estimularem suficientemente - pode cair no pântano espiritual de mentalidade de multidão e perder a sua consciência humana.

E quem pensa: "A mim, não. Eu sou uma boa pessoa! Eu nunca faria essas coisas!", então não está sozinho. Quase todas as pessoas cujo comportamento caiu na selvajaria, provavelmente também sentiu uma vez o mesmo sobre si próprio, até que as circunstâncias das suas vidas lhes fizeram sentir que não tinham escolha.

A única coisa que eu sei que pode impedir tal queda face a uma dificuldade extrema é uma fé clara e inabalável.

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Texto original: Mob Mentality and the Loss of Human Conscience (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 13 de setembro de 2014

O "Estado Islâmico" e a Selvajaria Humana

Por David Langness.

Deus dotou-nos com intelecto, não com o propósito de nos fazer instrumentos de destruição, mas para que pudéssemos tornar-nos difusores de luz, criar o amor entre os corações, estabelecer a comunhão entre os espíritos e reunir o povo do oriente e do ocidente. ('Abdu'l-Bahá, Divine Philosophy, p. 182)
Não há nada tão desolador e terrível como uma explosão de selvajaria humana! ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p. 28)
Horrorizado, o mundo viu militantes do recém-formado "Estado Islâmico" no Iraque e na Síria a chacinar milhares de pessoas, e a filmar alguns desses assassinatos em massa e decapitações.

No Ocidente, muitas pessoas que se aperceberam deste tipo de selvajaria culpam o fundamentalismo islâmico, e atribuem-no "àqueles muçulmanos loucos". A comunicação social ocidental raramente dá cobertura aos milhões de muçulmanos pacíficos e devotos, preferindo focar-se numa pequena minoria de militantes armados e terroristas genocidas, que são motivo de notícias mais sensacionais. Revoltada com a crueldade bárbara e abominável dessas acções, e desconhecendo os ensinamentos islâmicos sobre paz e justiça, classificam - errada e injustamente - todos os muçulmanos como um grupo fundamentalista violento.

Militantes do "Estado Islâmico" na Síria
Se o leitor pensa assim, eu posso entender a forma como desenvolveu essa ideia. Mas eu gostaria de argumentar contra esse tipo de reacção, e tentar explicar porque é que isso desvaloriza e destrói a humanidade de milhões de pessoas muito boas, amáveis e pacíficas.

Primeiro, e mais importante, quero dizer que a selvajaria humana e barbárie não são pertença exclusiva de uma etnia, uma nacionalidade ou de um grupo "religioso".

E infelizmente, não faltam provas que demonstrem esse facto.

O genocídio Hutu contra os Tutsi no Ruanda, em 1994; o genocídio nazi nas décadas de 1930 e 1940; o genocídio dos Khmer Vermelhos contra a elite intelectual do Cambodja na década de 1970; o genocídio americano e canadiano contra os índios; o genocídio sérvio contra Kosovo na década de 1990; todos estes exemplos provam que selvajaria humana não pode ser confinada a um grupo. Existem centenas de outros exemplos deste tipo. Massacres brutais, selvagens e desumanos, se eles ocorrem numa hora ou num dia ou ao longo de um século, não são exclusivo dos muçulmanos, dos cristãos, dos judeus ou dos budistas; atravessam todas as barreiras e, ao longo da história da humanidade, quase todos os grupos já foram perpetradores ou vítimas.

Se não podemos identificar as origens desses surtos terríveis de selvajaria numa qualquer etnia, religião, nacionalidade, grupo racial ou ideologia política em particular, então de onde vem ela? E se potencialmente vem de dentro de qualquer pessoa, o que isso diz sobre nós? E se todos nós temos o potencial para a selvajaria, o que podemos fazer sobre isso?

Ian Robertson, professor de psicologia no Trinity College, em Dublin, na Irlanda, e ex-diretor e fundador do Instituto de Neurociências do Trinity College, estudou as origens da selvajaria humana, e, na sua pesquisa, descobriu que esta não pode ser atribuída a qualquer um religião ou ideologia. Na verdade, o professor Robertson diz que, como seres humanos, todos estamos potencialmente propensos a comportamentos selvagens e desumanos. A investigação de Robertson indica que as principais causas da selvajaria incluem os seguintes factores:

  1. Selvajaria gera selvajaria 
  2. Submersão no grupo 
  3. Os extra-grupo como objectos 
  4. A Vingança 
  5. Líderes

Neste pequeno conjunto de ensaios, vamos examinar essas cinco causas da selvajaria, explorar como se podem desenvolver e criar metástases, e, posteriormente, analisá-las através de uma perspectiva espiritual e humanitária dos ensinamentos Bahá’ís, que explicam como entender a selvajaria e o que podemos fazer para pará-la.

O professor Robinson diz:
A primeira parte de uma resposta pode ser terrivelmente simples: a selvajaria gera selvajaria. Brutalidade, agressividade e falta de empatia são respostas comuns de pessoas que foram mal tratadas. Nos campos de concentração nazis, por exemplo, muitos dos guardas mais cruéis eram eles próprios prisioneiros - os conhecidos "kapos". Crianças abusadas sexualmente - especialmente os homens - são mais propensos a tornarem-se abusadores sexuais quando se tornam adultos, embora isso não aconteça com a maioria. As vítimas, por outras palavras, muitas vezes respondem ao trauma tornando-se elas próprias vitimizadoras.
Os abusados, por outras palavras, tornam-se muitas vezes os abusadores. Na vida, quando se sofre abusos terríveis ou violência ou guerra ou condições desumanas na vida, é-se mais propenso a perder a sensibilidade a essas coisas e reconhecê-la nos outros. A investigação mostra que entre trinta a quarenta por cento das crianças abusadas tornam-se abusadores na idade adulta.

Estes dados estatísticos contêm dor e esperança. Dizem-nos que a interrupção do ciclo de selvajaria e abuso pode ser uma difícil tarefa multi-geracional; mas também nos diz que os seres humanos podem conscientemente parar o ciclo, e que muitos conseguem fazê-lo.

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Texto original: The ISIS Crisis and Human Savagery (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 6 de setembro de 2014

Os Bahá’ís acreditam no inferno?

Por Maya Bohnhoff.


Se existe um "paraíso" na religião Bahá’í, como se vai para lá? Há alguma coisa que se deva fazer? Ou toda a gente pode entrar?

Bahá'u'lláh afirmou que os conceitos de céu e inferno não representam lugares físicos, mas sim estados de existência que podemos experimentar aqui neste mundo físico - e na próxima vida. Em qual destes estados habitamos depende inteiramente de nós, e da graça de Deus.

O conceito Bahá'í de "paraíso" ou “céu” não nada semelhante ao conceito de “céu” que me foi transmitido quando era jovem e frequentava igrejas. Os ensinamentos Bahá’ís não descrevem o céu como um lugar para onde se vai se Deus autoriza, ou se se acredita numa doutrina, numa igreja ou num sistema específico.

Em vez disso, Bahá'u'lláh compara o céu com proximidade de Deus, e o inferno com afastamento de Deus.

Do ponto de vista Bahá’í, temos de fazer escolhas - aqui neste nível de existência - sobre que tipo de pessoa que vamos ser e que qualidades espirituais (ou vícios animais) vamos desenvolver. Se nos esforçamos por desenvolver qualidades divinas (amor, perdão, lealdade, justiça, etc) isso irá nutrir e estimular faculdades espirituais que nos permitirão prosperar na próxima vida. Se não as desenvolvermos, não iremos prosperar - em vez disso, entraremos na vida futura com deficiências espirituais significativas.

E além disso, se não as desenvolvermos, não vamos crescer espiritualmente neste mundo. Nem vamos ajudar os outros a crescer.

A minha opinião pessoal sobre isto é semelhante à minha opinião sobre as leis da física. Quem tenta violar uma das leis da física, pode sofrer um choque violento. Um passo fora do telhado de um edifício e lei da gravidade entra em acção - podemos acabar com uma perna partida. Buda disse que "O ódio não cessa com o ódio; o ódio cessa com o amor. Esta é uma lei eterna". Outros professores Divinos também ensinaram que o amor é a primeira lei. Se violarmos essa lei espiritual fundamental, então podemos estragar ou destruir alguma coisa - uma amizade, uma família, uma comunidade, uma nação, o nosso próprio espírito. Violar essa lei tem consequências. Vemos essas consequências expostas todos os dias nas notícias. Eu vejo-as sempre que falo com pessoas envoltas em ódio contra outros seres humanos. Penso que isso é uma boa definição de inferno.

Bahá'u'lláh também diz que as pessoas têm diferentes capacidades para crescer espiritualmente:
O dever integral do homem neste Dia, é atingir aquela parte do fluxo de graça que Deus derrama para ele. Que ninguém, portanto, considere a grandeza ou pequenez do recipiente. A porção de alguns pode estar na palma da mão de um homem, a porção de outros pode encher uma taça, e a de outros, pode até ter a medida de um galão. (SEB, V)
Por este motivo, não estamos autorizados, nem obrigados, a julgar os outros. Um pequeno teste para uma alma pode ser uma imensa tarefa para outra, e só Deus sabe a diferença.

Jesus falou sobre a "porta estreita" que conduz à vida eterna: "estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram." (Mateus 7:14). Essa porta estreita, no contexto das Suas palavras, é este mandamento que Ele dá imediatamente antes de advertir sobre a estreiteza da porta. Este existe nas escrituras de todas as religiões reveladas: "... o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas" (Mateus 7: 12)

Assim, nós não adoramos a Deus porque desejamos o "céu" ou porque temos medo do "inferno". O Báb escreveu:
Adora tu a Deus de tal maneira que, se a tua adoração te levasse ao fogo, nenhuma alteração se mostraria na tua adoração, e, o mesmo aconteceria se o paraíso fosse a recompensa. Assim - e somente assim - deveria ser a adoração digna do Deus Uno e Verdadeiro. Fosse tu adorá-Lo por medo, isso seria impróprio na Corte santificada da Sua presença, e não poderia ser considerado como um acto teu dedicado à Unicidade do Seu Ser. Ou se o teu olhar fixasse no paraíso, e tu O adorasses nutrindo essa esperança, estarias a fazer da criação de Deus um parceiro d’Ele, não obstante o facto de o paraíso ser desejado pelos homens. (Selecção das Escrituras do Báb)
Bahá’ís não acreditam que apenas os Bahá’ís "vão para o céu", mas simplesmente que Bahá'u'lláh tem os ensinamentos de Deus para esta época - tal como Cristo tinha os ensinamentos adequados para um povo de outra época e também falou sobre a próxima etapa do seu desenvolvimento. Bahá'u'lláh descreve a situação desta forma:
O Médico Omnisciente tem o Seu dedo no pulso da humanidade. Ele percebe a doença e, na Sua sabedoria infalível, prescreve o remédio. Cada era tem o seu próprio problema, e cada alma a sua aspiração particular. O remédio a que o mundo necessita nas suas aflições actuais nunca poderá ser o mesmo exigido numa era posterior. Preocupai-vos impacientemente com as necessidades da era em que viveis e concentrai as vossas deliberações nas suas exigências e nos seus requisitos. (SEB, CVI)

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Texto original: Do Baha’is Believe in Hell? (bahaiteachings.org)


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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.