A Comunidade Internacional Bahá'í lamentou o facto do presidente iraniano, Hassan Rohani, ter evitado abordar o tema dos direitos humanos no seu país durante o seu discurso de ontem (29/Setembro) nas Nações Unidas.
"Apesar de notarmos a promessa de convivência e diálogo com as outras nações que marcaram o discurso do presidente Rouhani, estamos profundamente desapontados por ele não referir qualquer iniciativa para melhorar a situação dos direitos humanos dos cidadãos iranianos", afirmou Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í junto das Nações Unidas.
A Sra. Dugal disse o presidente Rouhani não conseguiu acabar com a discriminação religiosa, apesar de ter prometido fazê-lo; esse facto foi referido na semana passada pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon no seu relatório anual à Assembleia Geral sobre os direitos humanos no Irão.
É de salientar que nesse relatório o Secretário-Geral expressou preocupação com "relatos de discriminação persistente" contra as minorias étnicas e religiosas, acrescentando que o próprio presidente Rouhani tinha assumido o compromisso de "assegurar a igualdade, defender a liberdade de crença e de religião, oferecer protecção a todos os religiosos grupos e alterar a legislação que discrimina grupos minoritários".
"O presidente Rouhani já teve dois anos inteiros para cumprir as suas promessas sobre o fim da discriminação religiosa no Irão. Infelizmente, apesar de toda a sua conversa, poucos progressos foram feitos", disse Dugal. "No caso da comunidade Bahá'í iraniana, o governo tem intensificou a sua campanha de propaganda anti-Bahá'í nos meios de comunicação. A prisão arbitrária e a detenção dos Bahá'ís continuam; os jovens Bahá'ís ainda são expulsos ou impedidos ingressar de ensino superior."
A Sra. Dugal afirmou que foram publicados 7300 itens de incitamento ao ódio e propaganda anti-Baha’i nos meios de comunicação controlados pelo governo desde que o o presidente Rouhani assumiu o cargo em Agosto de 2013. O governo também continuou a repressão contra as empresas pertencentes a Bahá'ís, declarou a Sra. Dugal, acrescentando que há registo de mais de 200 ocorrências distintas de opressão económica contra os Bahá'ís sob a administração do presidente Rouhani.
"Com 74 Bahá'ís actualmente nas prisões iranianas, unicamente devido às suas crenças religiosas, é evidente que as promessas de mudança do presidente Rouhani não têm valor", disse a Sra. Dugal. "Num momento em que os líderes mundiais estão reunidos com o presidente Rouhani, o relatório do Secretário-Geral lembra-nos de forma sóbria que a situação dos direitos humanos no Irão tem necessariamente de permanecer na agenda internacional", acrescentou.
"Quanto tempo mais devem os Bahá'ís iranianos enfrentam estas perseguições? Quanto tempo mais devem esperar até poderem entrar na universidade, ter permissão para sepultar os seus mortos sem problemas, ou viver sem medo da prisão?" questionou a Sra. Dugal, que lembrou ainda um artigo recente publicado na revista americana Newsweek, onde o ex-jornalista Maziar Bahari escreveu que “a melhor maneira de testar a vontade do governo iraniano sobre uma nova etapa na sua relação com o resto do mundo é questioná-lo sobre a forma como tratam os 300.000 Baha’is iranianos.”
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FONTE: Iranian President Rouhani's speech to UN falls short on human rights (BWNS)
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
sábado, 26 de setembro de 2015
Progressistas, Conservadores e a Paciência
Por David Langness.
O/A leitor(a) gostaria de ver mudanças significativas na nossa sociedade, ou sente-se geralmente satisfeito com a forma como as coisas estão? Pensa em si próprio como uma pessoa que favorece a mudança ou como alguém que prefere preservar o status quo?
Esta típica questão diferenciadora permite separar progressistas de conservadores. De uma forma simplista diríamos que uma pessoa que pensa de forma progressista considera que o estado actual das coisas deve progredir ou mudar. E de forma igualmente simplista, uma pessoa que pensa de forma conservadora olha para o estado actual das coisas e quer "conservá-las”, de modo que elas continuem tal como estão.
Isto não tem nada a ver com política partidária. Infelizmente, os sistemas políticos de muitos países apropriaram-se e distorceram estas definições tradicionais e usam-nas para os seus próprios fins: dividir e conquistar. As organizações políticas partidárias gostam de nos identificar com um desses rótulos ideológicos, e alinhar-nos nas suas agendas. Mas quando pensamos no propósito original daquelas palavras, e tentamos separar os seus significados reais do conteúdo que acumularam através da política partidária, estas revelam uma dicotomia gritante. Uma pessoa conservadora é, de acordo com o dicionário Webster, alguém "disposto a preservar as condições e instituições existentes", enquanto uma pessoa progressista é alguém que "favorece ou advoga o progresso, a mudança, a melhoria ou a reforma, ao contrário dos que desejam manter as coisas como elas estão."
De acordo com estas definições, os Bahá'ís encaixam-se, claramente, na descrição progressista. Os ensinamentos Bahá'ís apelam à mudança e à reforma em praticamente todos os sectores da actividade humana, dizendo que vivemos:
Os Baha'is querem reformar o mundo. Bahá'u'lláh pediu que todos trabalhassem para o objectivo de um mundo sem violência, injustiça, opressão e ódio. Apelou a todos nós para que encontrássemos formas de aplicar os princípios Bahá'ís a um padrão consistente de reforma mundial, para construir uma nova civilização global, para desenvolvermos (e conservarmos) o progresso que fizemos no reino material das ciências e aplicá-lo com a mesma energia e cuidado no reino espiritual.
Como é que vamos lá chegar?
Paciência. As Escrituras Bahá'ís afirmam que toda a mudança duradoura leva tempo:
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Texto original: Progressives, Conservatives and Patience (www.bahaiteachings.org)
David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
O/A leitor(a) gostaria de ver mudanças significativas na nossa sociedade, ou sente-se geralmente satisfeito com a forma como as coisas estão? Pensa em si próprio como uma pessoa que favorece a mudança ou como alguém que prefere preservar o status quo?
Esta típica questão diferenciadora permite separar progressistas de conservadores. De uma forma simplista diríamos que uma pessoa que pensa de forma progressista considera que o estado actual das coisas deve progredir ou mudar. E de forma igualmente simplista, uma pessoa que pensa de forma conservadora olha para o estado actual das coisas e quer "conservá-las”, de modo que elas continuem tal como estão.
Isto não tem nada a ver com política partidária. Infelizmente, os sistemas políticos de muitos países apropriaram-se e distorceram estas definições tradicionais e usam-nas para os seus próprios fins: dividir e conquistar. As organizações políticas partidárias gostam de nos identificar com um desses rótulos ideológicos, e alinhar-nos nas suas agendas. Mas quando pensamos no propósito original daquelas palavras, e tentamos separar os seus significados reais do conteúdo que acumularam através da política partidária, estas revelam uma dicotomia gritante. Uma pessoa conservadora é, de acordo com o dicionário Webster, alguém "disposto a preservar as condições e instituições existentes", enquanto uma pessoa progressista é alguém que "favorece ou advoga o progresso, a mudança, a melhoria ou a reforma, ao contrário dos que desejam manter as coisas como elas estão."
De acordo com estas definições, os Bahá'ís encaixam-se, claramente, na descrição progressista. Os ensinamentos Bahá'ís apelam à mudança e à reforma em praticamente todos os sectores da actividade humana, dizendo que vivemos:
... um tempo de reforma universal. As leis e estatutos dos governos civis e federais estão em processo de mudança e transformação. As ciências e artes estão a ser novamente moldadas. Os pensamentos são transformados. As fundações da sociedade humana estão a mudar e a fortalecerem-se. Hoje, as ciências do passado são inúteis. O sistema ptolomaico de astronomia, incontáveis outros sistemas, teorias científicas e explicações filosóficas são descartados, e tornam-se conhecidos como falsos e inúteis. Antecedentes e princípios éticos não podem ser aplicados às necessidades do mundo moderno. Pensamentos e teorias de tempos passados são agora infrutíferos. Tronos e governos desintegram-se e caem. Todas as condições e requisitos do passado, inaptos e inadequados para o tempo presente, estão a passar por uma reforma radical. (‘Abdu’l-Bahá, Baha’i World Faith, pp. 228-229)Num mundo onde vemos guerras constantes, os ensinamentos Bahá'ís defendem a paz. Onde vemos grandes diferenças entre riqueza e pobreza, os ensinamentos Bahá'ís incentivam um movimento progressivo em direcção à eliminação desses extremos. Onde vemos enormes disparidades entre os educados e os iletrados, os ensinamentos Bahá'ís apelam para o ensino obrigatório universal em todo o planeta. Onde experimentamos o ódio, o preconceito e a intolerância, os ensinamentos Bahá'ís exigem a todos nós que trabalhemos para a unificação e harmonia de toda a raça humana. Onde vemos enormes desigualdades e injustiças para com as mulheres, os ensinamentos Bahá'ís defendem a igualdade absoluta entre homens e mulheres.
Os Baha'is querem reformar o mundo. Bahá'u'lláh pediu que todos trabalhassem para o objectivo de um mundo sem violência, injustiça, opressão e ódio. Apelou a todos nós para que encontrássemos formas de aplicar os princípios Bahá'ís a um padrão consistente de reforma mundial, para construir uma nova civilização global, para desenvolvermos (e conservarmos) o progresso que fizemos no reino material das ciências e aplicá-lo com a mesma energia e cuidado no reino espiritual.
Como é que vamos lá chegar?
Paciência. As Escrituras Bahá'ís afirmam que toda a mudança duradoura leva tempo:
É certo que os empreendimentos monumentais não podem ser apressadamente concluídos com sucesso; nesses casos, a pressa só causaria estragos.
O mundo da política é como o mundo do homem; primeiramente ele é uma semente, e depois, passa gradualmente à condição de embrião e feto, adquirindo uma estrutura óssea, revestindo-se com carne, assumindo a sua própria forma especial, até que finalmente atinge a condição em que pode adequadamente cumprir as palavras: "o mais excelente dos Criadores". Tal como isto é um requisito da criação e baseia-se na Sabedoria Universal, o mundo político, da mesma forma, não pode evoluir instantaneamente do ponto mais baixo da imperfeição para o cume da rectidão e da perfeição. Em vez disso, as pessoas competentes devem esforçar-se de dia e de noite, e usar todos os meios que conduzem ao progresso, até que o governo e o povo se desenvolvam ao longo de cada vertente, de dia para dia e até mesmo de momento para momento. (‘Abdu'l-Bahá, The Secret of Divine Civilization, pp. 105-106)No entanto, para os Bahá'ís a paciência não significa esperar eternamente:
Se, porém, com atrasos e adiamento isso significa, que em cada geração apenas se realiza uma fracção das reformas necessárias, isso não é senão letargia e inércia, e nenhum resultado se conseguirá com esse procedimento, excepto a interminável repetição de palavras inúteis. Se a pressa é prejudicial, a inércia e a indolência são mil vezes pior. (‘Abdu'l-Bahá, The Secret of Divine Civilization, p. 106)Activistas sociais, agentes de mudança e trabalhadores para a evolução social progressista, tenham coragem: os ensinamentos Bahá'ís homenageiam e incentivam a vossa devoção e as vossas acções. Simultaneamente, também apelam a uma abordagem paciente e humilde para reformar a sociedade.
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Texto original: Progressives, Conservatives and Patience (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
sábado, 19 de setembro de 2015
Refugiado ou Migrante: qual a diferença?
Por David Langness.
Pergunta: qual é a diferença entre um migrante e um refugiado?
Se respondeu que os refugiados têm direito à protecção ao abrigo do direito internacional e os migrantes não têm, então está absolutamente certo.
Em 1951, o tratado internacional multilateral designado Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, definiu a diferença legal entre refugiados e migrantes, e também determinou os direitos dos requerentes de asilo. A Convenção define “refugiado” como uma pessoa que foge da guerra ou da perseguição no seu país de origem; e os migrantes como pessoas que voluntariamente optaram por abandonar o seu país natal. A esmagadora maioria das nações do mundo concordou com estas definições assinando a Convenção dos Refugiados de 1951, que teve origem no artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Esta convenção define “refugiado” como uma pessoa :
"Um dos princípios mais fundamentais previstos no direito internacional é que os refugiados não devem ser expulsos ou devolvidos a situações em que a sua vida e liberdade sejam ameaçadas", afirmou recentemente António Guterres, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. O ACNUR emitiu esta declaração principalmente porque vários políticos e funcionários em diversos países insistiram em chamar "migrantes" aos refugiados, confundindo o seu estatuto jurídico com o objectivo inflamar a opinião pública contra eles.
Os ensinamentos Bahá'ís têm uma visão única sobre estas questões internacionais cruciais e essenciais. Os Bahá'ís acreditam que as fronteiras nacionais feitas pelo homem devem um dia vir a ser abolidas, de forma a que a terra - o lar da humanidade - se torne um único país:
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Texto original: Refugee or Migrant: What’s the Difference? (www.bahaiteachings.org)
David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
Uni-vos, ó reis da terra, pois assim a tempestade da discórdia acalmar-se-á entre vós e os vossos povos encontrarão sossego, se sois dos que compreendem... Se alguém procurar refúgio entre vós, ofereçam-lhe a vossa protecção e não o traiam. (Bahá'u'lláh, The Summons of the Lord of Hosts, p. 93)
Que todos fiquem unidos, em harmonia, para que possam servir a solidariedade humana. Que sejam simpatizantes de toda a humanidade. Que sejam ajudantes de cada pobre. Que sejam enfermeiros do doente. Que sejam fonte de conforto para os que têm o coração despedaçado. Que sejam um refúgio para o caminhante. Que sejam uma fonte de coragem para o atemorizado. Assim, através do favor e assistência de Deus, o estandarte da felicidade humana será erguido bem alto e a insígnia da concórdia humana será desfraldada. ('Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 425)
Pergunta: qual é a diferença entre um migrante e um refugiado?
Se respondeu que os refugiados têm direito à protecção ao abrigo do direito internacional e os migrantes não têm, então está absolutamente certo.
Em 1951, o tratado internacional multilateral designado Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, definiu a diferença legal entre refugiados e migrantes, e também determinou os direitos dos requerentes de asilo. A Convenção define “refugiado” como uma pessoa que foge da guerra ou da perseguição no seu país de origem; e os migrantes como pessoas que voluntariamente optaram por abandonar o seu país natal. A esmagadora maioria das nações do mundo concordou com estas definições assinando a Convenção dos Refugiados de 1951, que teve origem no artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Esta convenção define “refugiado” como uma pessoa :
... que temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não querer valer-se da protecção desse país, ou que, se não tem nacionalidade e se encontra fora do país no qual tinha sua residência habitual em consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não quer voltar a ele.Nos termos da Convenção de 1951 e outros acordos multilaterais subsequentes, que já foram aceites pelo direito internacional, os países signatários devem abrigar e proteger os refugiados. Por lei, os países podem deportar imigrantes, mas nenhuma nação signatária pode enviar legalmente os refugiados de volta para países onde suas vidas estariam em perigo.
"Um dos princípios mais fundamentais previstos no direito internacional é que os refugiados não devem ser expulsos ou devolvidos a situações em que a sua vida e liberdade sejam ameaçadas", afirmou recentemente António Guterres, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. O ACNUR emitiu esta declaração principalmente porque vários políticos e funcionários em diversos países insistiram em chamar "migrantes" aos refugiados, confundindo o seu estatuto jurídico com o objectivo inflamar a opinião pública contra eles.
Os ensinamentos Bahá'ís têm uma visão única sobre estas questões internacionais cruciais e essenciais. Os Bahá'ís acreditam que as fronteiras nacionais feitas pelo homem devem um dia vir a ser abolidas, de forma a que a terra - o lar da humanidade - se torne um único país:
Este é um globo, uma terra, um país. Deus não o dividiu com fronteiras nacionais. Ele criou todos os continentes, sem divisões nacionais. Porque devemos nós fazer essa divisão? Isso são apenas linhas imaginárias e fronteiras. A Europa é um continente; não está dividida naturalmente; o homem desenhou as linhas e estabeleceu os limites de reinos e impérios. O homem declara que um rio é uma linha de fronteira entre dois países, chamando a um dos lados francês e ao outro lado alemão; mas o rio foi criado para ambos e é uma artéria natural para todos. Não são a imaginação e a ignorância que impelem o homem a violar a intenção divina e fazer das dádivas de Deus a causa de guerra, derramamento de sangue e destruição? Portanto, todos os preconceitos entre os homens são falsidades e violações da vontade de Deus. Deus deseja unidade e do amor; Ele decretou a harmonia e a solidariedade. A inimizade é a desobediência humana; o próprio Deus é amor. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, pp. 299-300)Nas citações apresentadas no início deste texto, tanto Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá aconselham os reis e governantes do planeta - e também os povos do mundo - a oferecer refúgio para aqueles que o procuram. Em termos muito concretos, os ensinamentos Bahá'ís aconselham todos a tentar praticar a bondade para com todos, não importa a sua cidadania:
Não deixem que convencionalismos vos façam parecer frios e antipáticos quando encontrarem pessoas estranhas de outros países. Não os olhem como se suspeitassem que eles fossem malfeitores, ladrões ou rudes. Pensais que é necessário ter muito cuidado para não vos expordes ao risco de conhecer pessoas, possivelmente, indesejáveis.
Peço-vos para não pensem apenas em vós próprios. Sejam gentis com os estranhos, venham eles da Turquia, do Japão, da Pérsia, da Rússia, da China ou qualquer outro país no mundo. Ajudem a fazê-los sentirem-se em casa; descubram onde estão hospedados; perguntem se lhes podem prestar algum serviço; tentem tornar as suas vidas um pouco mais felizes. Desta forma, mesmo se, por vezes, o que suspeitam inicialmente possa ser verdade, deveis continuar a ser simpáticos com eles - esta bondade irá ajudá-los a tornarem-se melhor.
Afinal, porque é que quaisquer povos estrangeiros devem ser tratados como estranhos?
Deixai que aqueles que se encontram convosco saibam, sem que proclamem o facto, que sois verdadeiramente Bahá'ís. Coloquem em prática o ensinamento de Bahá'u'lláh, da bondade para com todas as nações. Não se contentem em mostrar amizade apenas com palavras, deixem o vosso coração arder com bondade para todos os que se cruzarem no vosso caminho.
Ó vós das nações ocidentais, sejam gentis com aqueles que vêm do mundo oriental, para residir entre vós. Esqueçam os vossos convencionalismos quando falam com eles; eles não estão acostumados a isso. Para os povos do Oriente este comportamento parece frio, hostil. Pelo contrário, que os vossos modos sejam simpáticos. Deixai ver que estais plenos de amor universal. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, pp 15-16)
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Texto original: Refugee or Migrant: What’s the Difference? (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
Deus existe? O argumento da beleza
Por David Langness.
E agora, considere o seguinte: quão mais belo do que aquelas criações naturais deve ser o seu Criador?
O filósofo grego clássico Plotino reflectiu sobre metafísica universal de Platão, perguntando e tentando responder a essa questão básica: de onde vem a beleza?
Plotino, autor de Eneiadas, fundador do neoplatonismo e talvez o mais influente de todos os filósofos, tanto no Cristianismo e no Islão, escreveu que a autêntica felicidade consiste nos verdadeiros seres humanos se identificarem com o melhor do universo; "Uma fuga das formas e coisas deste mundo", disse ele. Para ele, o melhor no universo estava exemplificado no que ele designou o Uno, aquela força supremamente bela e totalmente transcendente que está para lá de todas as limitações do ser e do não-ser. O nosso objectivo como seres humanos, afirmou Plotino, é alcançar a união mística com o Uno - imergindo-nos na libertação, na iluminação e alegria extasiante da mais grandiosa beleza.
Esta é a formulação básica da prova clássica - e agora muito moderna - sobre a existência de Deus, que os filósofos designam o argumento da beleza:
Os filósofos modernos perguntam "Quem fez essas coisas mutáveis belas, se não aquele que é belo e imutável?" Richard Swinburne, o filósofo britânico contemporâneo de religião, fez um resumo interessante do argumento da beleza:
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Texto original: Does God Exist? The Argument from Beauty (www.bahaiteachings.org)
David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
Nunca perca uma oportunidade para ver algo bonito, pois a beleza é a caligrafia de Deus. (Ralph Waldo Emerson)Pense no seguinte durante um momento: qual foi a coisa mais bela que alguma vez viu? Foi uma flor a desabrochar, um pôr-do-sol, uma paisagem esplendorosa nas montanhas, uma floresta tropical vigorosa, um oceano de pleno de vida, o rosto sorridente de uma criança?
... Cada homem foi, e continuará a ser, capaz por si próprio para apreciar a Beleza de Deus, o Glorioso. ... Pois a fé de qualquer homem apenas pode ser condicionada ele próprio (Bahá'u'lláh, SEB, LXXV)
O amor da Palavra de Deus é o íman da glória e beleza celestiais. ('Abdu'l-Baha, Star of the West, Volume 5, p. 164)
E agora, considere o seguinte: quão mais belo do que aquelas criações naturais deve ser o seu Criador?
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| Plotino, 204-270 EC |
Plotino, autor de Eneiadas, fundador do neoplatonismo e talvez o mais influente de todos os filósofos, tanto no Cristianismo e no Islão, escreveu que a autêntica felicidade consiste nos verdadeiros seres humanos se identificarem com o melhor do universo; "Uma fuga das formas e coisas deste mundo", disse ele. Para ele, o melhor no universo estava exemplificado no que ele designou o Uno, aquela força supremamente bela e totalmente transcendente que está para lá de todas as limitações do ser e do não-ser. O nosso objectivo como seres humanos, afirmou Plotino, é alcançar a união mística com o Uno - imergindo-nos na libertação, na iluminação e alegria extasiante da mais grandiosa beleza.
Esta é a formulação básica da prova clássica - e agora muito moderna - sobre a existência de Deus, que os filósofos designam o argumento da beleza:
- Tudo o que é fisicamente belo pode conceptualmente ser ainda mais belo
- portanto, toda a beleza física fica aquém da perfeição;
- portanto beleza perfeita só existe na sua forma eterna;
- portanto, a ideia intemporal de beleza vem de um reino não-material, independente e superior ao mundo imperfeito dos sentidos;
- portanto beleza perfeita descreve Deus.
Os filósofos modernos perguntam "Quem fez essas coisas mutáveis belas, se não aquele que é belo e imutável?" Richard Swinburne, o filósofo britânico contemporâneo de religião, fez um resumo interessante do argumento da beleza:
... Se existe um Deus há mais motivos para esperar um mundo basicamente belo do que basicamente feio. À priori, porém, não há nenhum motivo particular para esperar o basicamente belo, em vez do mundo basicamente feio. Em consequência, se o mundo é belo, esse facto será uma evidência da existência de Deus.Estes argumentos filosóficos sobre a existência de um Ser Supremo têm duas componentes - a racional e a estética. Os ensinamentos Bahá'ís combinam os dois, convidando-nos a reconhecer não só a soberania de Deus, mas também a Sua grandeza:
Quão maravilhosa é a unidade do Deus Vivo, o Sempiterno - uma unidade que está enaltecida acima de todas as limitações, que transcende a compreensão de todas as coisas criadas! Ele, desde a eternidade, habitou na sua morada inacessível de santidade e glória, e continuará eternamente entronizado sobre os cumes da Sua soberania e grandeza independentes. Quão sublime é a Sua Essência incorruptível, quão completamente independente do conhecimento de todas as coisas criadas, e quão imensamente enaltecida permanecerá acima do louvor de todos os habitantes dos céus e da terra!Assim, da próxima vez que você vir algo belo no mundo natural, pense nisso como um espelho da beleza de Deus, e veja-o como um caminho para o transcendente, como um mero reflexo de uma beleza maior e mais duradoura no reino espiritual.
Da fonte enaltecida e da essência da Sua graça e generosidade, Ele confiou a cada coisa criada um sinal do Seu conhecimento, de modo que nenhuma das suas criaturas pudesse ser privada de expressar a sua parte desse conhecimento, cada uma de acordo com a sua capacidade e condição. Este sinal é o espelho da Sua beleza no mundo da criação. (Bahá'u'lláh, SEB, sec. CXXIV)
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Texto original: Does God Exist? The Argument from Beauty (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
sábado, 12 de setembro de 2015
Candidatura Incompleta: o pretexto para impedir os Bahá’ís de entrar na Universidade
Ava Amini Yazdeli, uma estudante Baha'i iraniana, realizou o exame nacional de admissão à universidade. Quando saíram os resultados, foi surpreendida com o aviso “Candidatura Incompleta”, o que lhe impede de entrar na universidade e prosseguir os seus estudos.
Segundo a agência de notícias iraniana HRANA (Human Rights Activists News Agency) este é mais um caso de estudantes Bahá’ís discriminados e impedidos de ingressar nas universidades iranianas.
Uma fonte que não se quis identificar declarou à agência HRANA: “Desde 2006 o aviso «Candidatura Incompleta» é usado como pretexto para impedir os Bahá’ís de entrar no Ensino Superior. E isto acontece apesar de Hasan Rouhani (actual presidente iraniano) ter feito promessas sobre a privação da educação. Depois de realizarem os exames nacionais de admissão à universidade, muitos Bahá’ís são confrontados com o aviso «Candidatura Incompleta» e são impedidos de prosseguir a sua educação”.
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FONTE: Once Again Deprivation from Education with the Excuse of Incomplete Application (Iran Press Watch)
Segundo a agência de notícias iraniana HRANA (Human Rights Activists News Agency) este é mais um caso de estudantes Bahá’ís discriminados e impedidos de ingressar nas universidades iranianas.
Uma fonte que não se quis identificar declarou à agência HRANA: “Desde 2006 o aviso «Candidatura Incompleta» é usado como pretexto para impedir os Bahá’ís de entrar no Ensino Superior. E isto acontece apesar de Hasan Rouhani (actual presidente iraniano) ter feito promessas sobre a privação da educação. Depois de realizarem os exames nacionais de admissão à universidade, muitos Bahá’ís são confrontados com o aviso «Candidatura Incompleta» e são impedidos de prosseguir a sua educação”.
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| O website com o resultado das candidaturas às universidades iranianas não adianta mais justificações para rejeitar os Bahá'ís. |
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FONTE: Once Again Deprivation from Education with the Excuse of Incomplete Application (Iran Press Watch)
Por uma ecologia integral
Por Arthur Dahl.
A encíclica do Papa Francisco, no capítulo 4, apela a uma ecologia integral, que respeite claramente as suas dimensões social e humana:
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Texto original: An Integral Ecology, Based on Oneness (bahaiteachings.org)
Arthur Lyon Dahl foi investigador do Museu de História Natural de Washington e consultor da UNCED (United Nations Conference on Environment and Development). É autor de diversas publicações e actualmente é Presidente do Forum Ambiental Internacional, em Genebra (Suiça)
Os Profetas de Deus devem ser considerados como médicos cuja tarefa consiste em promover o bem-estar do mundo e de seus povos, para que, através do espírito da unidade, possam curar a doença de uma humanidade dividida (Bahá'u'lláh, SEB, XXXIV)Depois de diagnosticar as muitas doenças - tal como Bahá'u'lláh, o Fundador da Fé Bahá'í, fez no século XIX e as instituições internacionais Bahá'ís têm feito mais recentemente - a recente encíclica do Papa Francisco descreve a transformação fundamental das necessidades mundiais para resolver os seus graves problemas ambientais e económicos. Não será suficiente - declaram os ensinamentos Bahá'ís e a encíclica papal - realizar uma série de acções urgentes e parciais para os problemas imediatos da poluição, degradação ambiental e esgotamento dos recursos naturais:
Deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático. (¶111)
Se a crise ecológica é uma expressão ou uma manifestação externa da crise ética, cultural e espiritual da modernidade, não podemos iludir-nos de sanar a nossa relação com a natureza e o meio ambiente, sem curar todas as relações humanas fundamentais… Com efeito, não se pode propor uma relação com o ambiente, prescindindo da relação com as outras pessoas e com Deus. (¶119)
Não haverá uma nova relação com a natureza, sem um ser humano novo. (¶118)
O que está a acontecer põe-nos perante a urgência de avançar numa corajosa revolução cultural. A ciência e a tecnologia não são neutrais, mas podem, desde o início até ao fim dum processo, envolver diferentes intenções e possibilidades que se podem configurar de várias maneiras. Ninguém quer o regresso à Idade da Pedra, mas é indispensável abrandar a marcha para olhar a realidade doutra forma, recolher os avanços positivos e sustentáveis e ao mesmo tempo recuperar os valores e os grandes objectivos arrasados por um desenfreamento megalómano. (¶114)
Não podemos segregar o coração humano do ambiente exterior e dizer que assim que um deles for reformado tudo será melhor. O homem é orgânico com o mundo. A sua vida interior molda o ambiente e é, também ela própria, profundamente afetada por este. Um actua sobre o outro e cada mudança permanente na vida do homem é o resultado destas reacções mútuas. (de uma carta escrita em nome da Casa Universal de Justiça, de Março de 1985).Os primórdios dessa mudança já são aparentes. "A humanidade autêntica, que convida a uma nova síntese, parece habitar no meio da civilização tecnológica de forma quase imperceptível" (¶112). Este tema também foi abordado nas declarações da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, tais como "Repensar a Prosperidade: Forjando Alternativas para a cultura de consumismo" (2010)
A encíclica do Papa Francisco, no capítulo 4, apela a uma ecologia integral, que respeite claramente as suas dimensões social e humana:
A ecologia estuda as relações entre os organismos vivos e o meio ambiente onde se desenvolvem. E isto exige sentar-se a pensar e discutir acerca das condições de vida e de sobrevivência duma sociedade, com a honestidade de pôr em questão modelos de desenvolvimento, produção e consumo. Nunca é demais insistir que tudo está interligado. (¶138)"Mas, ao mesmo tempo, torna-se actual a necessidade imperiosa do humanismo", diz o Papa Francisco, "que faz apelo aos distintos saberes, incluindo o económico, para uma visão mais integral e integradora" (¶141). "A ecologia humana implica também algo de muito profundo que é indispensável para se poder criar um ambiente mais dignificante: a relação necessária da vida do ser humano com a lei moral inscrita na sua própria natureza." (¶155). É animador ver o Papa a abordar temas a que muitos de nós temos dedicado as nossas vidas, e que por isso reflectem claramente a perspectiva Baha'i:
Isto impede-nos de considerar a natureza como algo separado de nós ou como uma mera moldura da nossa vida. Estamos incluídos nela, somos parte dela e compenetramo-nos... É fundamental buscar soluções integrais que considerem as interacções dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise sócio-ambiental. As directrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza. (¶139)
Todos se devem unir e concordar: todos são gotas de um rio, águas de um mar, brisas de um jardim, regatos que fluem de uma fonte, pássaros voando de uma montanha, jacintos que adornam um parque intoxicados com um vinho, e com os seus corações arrebatados por uma melodia. ('Abdu'l-Bahá, Star of the West, Volume 10, p. 173.)Na sua encíclica, o Papa também reconhece a necessidade de abordagens que atinjam o nível da comunidade local e que tornem a ciência mais acessível. A ecologia apela a uma maior atenção às culturas locais quando se estudam os problemas ambientais, favorecendo um diálogo entre a linguagem técnico-científica e a linguagem do povo. A cultura é mais do que simplesmente o que herdámos do passado; é também, e acima de tudo, uma realidade viva, dinâmica e participativa, que não pode ser excluída quando repensamos a relação entre os seres humanos e o meio ambiente. Isso inclui a importante contribuição das culturas indígenas e a necessidade de uma maior participação no planeamento urbano.
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Texto original: An Integral Ecology, Based on Oneness (bahaiteachings.org)
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Arthur Lyon Dahl foi investigador do Museu de História Natural de Washington e consultor da UNCED (United Nations Conference on Environment and Development). É autor de diversas publicações e actualmente é Presidente do Forum Ambiental Internacional, em Genebra (Suiça)quarta-feira, 9 de setembro de 2015
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Suheil Bushrui: uma vida a construir pontes entre Ocidente e Oriente
Suheil Bushrui, professor, investigador e académico Bahá’í, incansável defensor da causa da paz, faleceu no dia 2 de Setembro em Yellow Springs, Ohio (EUA). Tinha 85 anos de idade.
O Professor Bushrui provinha de uma família cuja história remonta aos primeiros tempos da Fé Bahá'í. O seu profundo conhecimento dos ensinamentos de Bahá’u’lláh revelaram-se nas suas notáveis contribuições para o diálogo inter-religioso e inter-cultural, nos seus esforços para construir pontes entre o Ocidente e o Oriente, e na sua dedicação à realização do princípio fundamental da Fé Bahá’í: a unidade da humanidade.
As suas contribuições nos campos da literatura e da educação nos mundos de língua árabe e inglesa mereceram destaque. Foi autor de vários livros e artigos académicos em assuntos como literatura, religião e ordem mundial. Foi um dos mais destacados académicos na literatura árabe e inglesa e o primeiro não-Ocidental a ser nomeado para a Cátedra da Associação Internacional para o Estudo da Literatura Irlandesa.
Na sua vida como educador, o Prof. Bushrui leccionou em universidades de África, Europa, Médio Oriente e da América, e foi o primeiro árabe a ser nomeado para a Cátedra de Inglês na Universidade Americana de Beirute, um cargo que ocupou entre 1968 e 1986.
Em 1992, o Prof. Bushrui tornou-se o primeiro a ocupar a Cátedra Bahá’í para a Paz Mundial na Universidade de Maryland (EUA), um cargo que ocupou até se reformar em 2005. Aqui desenvolveu alternativas à resolução violenta de conflitos, promoção da educação global, e estudo de soluções espirituais para problemas sociais complexos.
Mais recentemente, até ao início deste ano, o Prof. Bushrui foi director da Cátedra Kahlil Gibran para os Valores e a Paz, na Universidade de Maryland (EUA) e membro do Centro para o Desenvolvimento Internacional e Gestão de Conflitos.
Ao longo da sua prolífica carreira, o Prof Bushrui recebeu diversos louvores e prémios. Além do seu trabalho académico, também trabalhou com gerações mais jovens para promover uma cultura de paz e era reconhecido em muitos países onde leccionou como agente de transformação na vida dos seus alunos.
A Casa Universal de Justiça homenageou a sua memória, destacando além das suas realizações académicas, as suas qualidades de carácter que suscitaram a amizade muitas pessoas em diversos países:
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FONTE: Extraordinary life bridged East and West (BWNS)
O Professor Bushrui provinha de uma família cuja história remonta aos primeiros tempos da Fé Bahá'í. O seu profundo conhecimento dos ensinamentos de Bahá’u’lláh revelaram-se nas suas notáveis contribuições para o diálogo inter-religioso e inter-cultural, nos seus esforços para construir pontes entre o Ocidente e o Oriente, e na sua dedicação à realização do princípio fundamental da Fé Bahá’í: a unidade da humanidade.
As suas contribuições nos campos da literatura e da educação nos mundos de língua árabe e inglesa mereceram destaque. Foi autor de vários livros e artigos académicos em assuntos como literatura, religião e ordem mundial. Foi um dos mais destacados académicos na literatura árabe e inglesa e o primeiro não-Ocidental a ser nomeado para a Cátedra da Associação Internacional para o Estudo da Literatura Irlandesa.
Na sua vida como educador, o Prof. Bushrui leccionou em universidades de África, Europa, Médio Oriente e da América, e foi o primeiro árabe a ser nomeado para a Cátedra de Inglês na Universidade Americana de Beirute, um cargo que ocupou entre 1968 e 1986.
Em 1992, o Prof. Bushrui tornou-se o primeiro a ocupar a Cátedra Bahá’í para a Paz Mundial na Universidade de Maryland (EUA), um cargo que ocupou até se reformar em 2005. Aqui desenvolveu alternativas à resolução violenta de conflitos, promoção da educação global, e estudo de soluções espirituais para problemas sociais complexos.
Mais recentemente, até ao início deste ano, o Prof. Bushrui foi director da Cátedra Kahlil Gibran para os Valores e a Paz, na Universidade de Maryland (EUA) e membro do Centro para o Desenvolvimento Internacional e Gestão de Conflitos.
Ao longo da sua prolífica carreira, o Prof Bushrui recebeu diversos louvores e prémios. Além do seu trabalho académico, também trabalhou com gerações mais jovens para promover uma cultura de paz e era reconhecido em muitos países onde leccionou como agente de transformação na vida dos seus alunos.
A Casa Universal de Justiça homenageou a sua memória, destacando além das suas realizações académicas, as suas qualidades de carácter que suscitaram a amizade muitas pessoas em diversos países:
“Ficámos profundamente entristecidos ao saber do falecimento do muito amado e altamente estimado Suheil Bushrui, cujas muitas décadas de incansável serviço à Causa de Deus e à humanidade suscitam profundo apreço. As suas contribuições académicas amplamente reconhecidas para a literatura árabe e inglesa, foram animadas por uma vida - inspirada pelo ideal Bahá'í da unidade da humanidade e da verdade religiosa - que ansiava apresentar mutuamente as ricas heranças literárias, culturais e espirituais do Oriente e do Ocidente e revelar a universalidade do espírito humano que lhes está subjacente. Acima de tudo, o que distinguia o seu extraordinário registo académico e outras realizações, era a radiância do seu carácter genuíno iluminado pelos atributos da alma que nos fazem recordar a descrição de 'Abdu’l-Bahá sobre os sábios como aqueles «versados nos segredos da sabedoria divina e conhecedores das realidades interiores dos Livros Sagrados; que usam no seu coração a jóia do temor a Deus e cujas faces luminosas brilham com as luzes da salvação»”Em 2010, o Prof. Bushrui esteve em Portugal, tendo participado numa Escola de Verão. Os vídeos que se seguem são de um programa de TV gravado nessa Escola e emitido na RTP.
FONTE: Extraordinary life bridged East and West (BWNS)
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
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