segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Energia solar abastece Templo Bahá’í de Nova Delhi

A empresa indiana Tata Power Solar anunciou hoje que assinou um contrato com a Comunidade Bahá’í da Índia para a construção de uma central solar junto ao Templo de Lótus de Nova Delhi. Esta pequena central fornecerá 25% das necessidades de energia do edifício e jardins circundantes, permitindo reduzir 120 toneladas de emissões CO2 por ano.

Ashish Khanna, administrador da Tata Power Solar, afirmou: “Estamos orgulhosos desta parceria com o Templo Lotus num projecto desta natureza, em que um empreendimento espiritual é líder na utilização de energia limpa nas suas necessidades diárias de energia. Existe uma enorme necessidade de um esforço colectivo para usar energia solar no nosso país e iniciativas como esta vão alargar a consciência e aumentar o acesso à energia limpa.”

“Ao utilizar energia solar, queremos estabelecer um exemplo e encorajar os nosso seguidores assim como todos os visitantes do Templo de Lótus a seguir um modo de vida sustentável. Tivemos uma boa experiência com a Tata Power Solar e gostaríamos de lhes agradecer por nos permitirem alcançar as nossas metas de energia verde. A Casa Bahá’í de Adoração é visitada por vários diplomatas estrangeiros e o projecto é muito apreciado por eles. Esta iniciativa está em linha com a nossa filosofia de vivermos em harmonia com a natureza e continuará no rumo de criar uma solução sustentável., comentou Shaheen Javid, administrador geral da Casa Bahá’í de Adoração.

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FONTE: Tata Power Solar’s renewable energy powers Lotus Temple

Curdistão Iraquiano reconhece Bahá’ís como minoria religiosa

Mapa do Curdistão Iraquiano
O Ministério dos Assuntos Religiosos da Região do Curdistão anunciou que Judeus, Zorastrianos, Kakai e Bahá'ís terão representantes no nesse Ministério. O Governo Regional do Curdistão aprovou esta decisão e o representante Judaico já iniciou as suas funções. Não há indicação sobre a nomeação do representante Bahá’í, mas sabe-se que o Cônsul Iraniano visitou o Ministério dos Assuntos Religiosos para protestar sobre a existência de representantes Judeus e Bahá’ís.

O porta-voz do Ministério dos Assuntos Religiosos, sr. Mariwan Naqshbandi, declarou em Agosto que de acordo com a Constituição, as pessoas têm o direito a escolher e praticar livremente a sua religião, e podem ter representantes no Ministério. “Várias minorias religiosas da região do Curdistão, incluindo Judeus, Kakai e Bahá'ís terão representantes no Ministério para tratar das suas actividades religiosas no futuro”.

Não existem estatísticas sobre os Bahá’ís no Iraque. No entanto, sabe-se que existem comunidades em Bagdade e também em Sulaimaniyah (na região Curda) onde vivem com alguma segurança.

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FONTE:
- Kurdistan Region of Iraq recognizes Bahais as religious minority (Sen’s Daily) 
- Kurdish Religious Minorities to have Representative in KRG (BasNews)

domingo, 1 de novembro de 2015

Cemitério Bahá’í atacado na Índia

É o primeiro incidente do género naquele país

O único cemitério da comunidade Bahá'í no Rajastão foi atacado por uma multidão liderada pelo chefe da aldeia Shri Ram Ki Nangal. Os dirigentes da comunidade Bahá’í afirmaram-se estupefactos com este que é o primeiro incidente do género na Índia.

Na sexta-feira, uma multidão de 40 a 50 pessoas liderada por Nathu Jangid atacou o vigilante do cemitério, destruiu a sua casa, e vandalizou uma casa de oração, danificado as portas, janelas e outras partes de uma sala de oração que estavam em construção no cemitério, declarou Niyaz Alam, um Bahá'í da aldeia de Shri Ram Ki Nangal.

"A Autoridade de Desenvolvimento Jaipur (capital do Rajastão) tinha-nos atribuído este terreno para o cemitério no ano de 2002. No entanto, Nathu Jangid candidatou-se às eleições de Panchayat com a promessa de que ele iria reaver o terreno do cemitério", disse Alam. A polícia tomou nota da ocorrência.

Ontem, sábado, a Comunidade Bahá’í em Jaipur emitiu uma declaração em que exige uma acção imediata contra os responsáveis pelo incidente.

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FONTES:
- Baha'i burial place vandalised (The Hindu)
- FIR lodged after mob vandalises Jaipur’s lone Baha’i burial ground (India Express)

sábado, 31 de outubro de 2015

Ensinar Crianças a Odiar

Por Shirin Sabri.


Há muito exemplos históricos de sociedades que se esforçam por manter os seus preconceitos mais profundos.

Morris Fraser, um psicólogo infantil que trabalhou em Belfast com crianças traumatizadas pelo conflito na Irlanda do Norte, descreveu uma situação em que as crianças de cada lado viam as pessoas do outro lado como criaturas monstruosas:
... os equívocos e os preconceitos das crianças, como seria de esperar, reflectem os dos mais velhos - a sua única fonte de informação na ausência de experiência. Para a criança Protestante, o católico é um preguiçoso, desonesto, sujo, um criador de grandes famílias, gerador de pobreza comunitária... Na atitude da criança católica há um medo mais consciente. Para ela, o protestante é a pessoa que quer queimá-la, matá-la, privá-lo do seu lar e dos seus pais (Children in Conflict, p. 139)
Esta percepção preconceituosa e exagerada tornou-se uma parte significativa do trauma infantil.

Na Irlanda do Norte,
uma criança tenta falar com um militar britânico
Se pegarmos na citação anterior e substituirmos a palavra "Católica" por "Preto" e a palavra "Protestante" por "Branco", o texto poderia igualmente descrever de forma correcta as crianças em algumas áreas dos Estados Unidos. E poderíamos, igualmente, substituir a palavra "católica" por "Cigana" ou "Palestiniana", e a palavra "protestante" por "Checa" ou "Israelita". A imagem preconceituosa parece encaixar-se sempre. Isso dá-nos sinais fortes de que o preconceito não é sobre o grupo-alvo. Quando os fanáticos lançam os mesmos insultos humilhantes através das linhas de separação, sabemos que esses insultos são criados pelos sentimentos e desejos pessoais, e têm pouco a ver com as características observáveis nos alvos em causa.

Quando crianças irlandesas do doutor Fraser conheceram e falaram pela primeira vez com pessoas católicas (ou pessoas protestantes, conforme o caso) o seu terror e ódio desapareceram. No fundo, eram apenas pessoas; não eram as criaturas repugnantes e más que tinham imaginado. No seu livro, Fraser afirma que as crianças da Irlanda (e sociedade irlandesa como um todo) beneficiariam muito com uma educação integrada. Quando o livro foi escrito, todas as crianças católicas frequentavam a escolas católicas e todas as crianças protestantes frequentavam escolas públicas. Fraser salientou que todos os esforços para mudar esta situação enfrentaram uma resistência vigorosa, tanto do Estado como da Igreja. E acrescenta:
Os líderes da Igreja em Ulster não gostam da palavra "segregação"; preferem dizer que o sistema é simplesmente de "educação separada." Dizem-nos que as crianças podem brincar nas ruas depois da escola, pois não existe qualquer proibição sobre isso. "Lamentável absurdo", escreveu um professor no Irish News. "Lamentável, porque soa como a justificação agradável para qualquer leitor que não conhece o Ulster. Absurdo, porque, num sistema de gueto, isso é uma impossibilidade física." - Ibid., P. 168.
Cada grupo quis manter o que entendia ser o seu território, a sua área de poder e de controlo. Era contra os seus próprios interesse deixar que as crianças se misturassem, vissem as coisas com os seus próprios olhos e aprendessem por si próprias.

Preconceitos, deliberadamente atiçados por quem está no poder, criam uma atmosfera que produz atrocidades. No período que antecedeu os 1994 massacres de Tutsis e Hutus moderados em Ruanda, "foram distribuídos cartazes e folhetos que desumanizadas Tutsis como «cobras», «baratas» e «animais»" (Leia uma crónica dos acontecimentos que ocorreram no Ruanda, em 1994). Esta desumanização deliberada permitiu o genocídio que ocorreu depois.

Os Bahá'ís compreendem esse tipo de preconceito, porque eles próprios, por vezes, sofrem com essa eliminação deliberada da sua humanidade. Desde a revolução no Irão, por exemplo, os trabalhadores de recenseamento muitas vezes informam que aldeias predominantemente ou exclusivamente Baha'is não têm população. E quando lhes pedem para explicar a discrepância, respondem friamente: "eles não são humanos seres" ou "eles são apenas Bahá'ís" (Peter Smith, In Iran: Studies in Babi and Baha’i History, p. 218).

'Abdu'l-Bahá sugere:
Não se enalteçam acima dos outros, mas considerem todos como vossos iguais, reconhecendo-os como servos do Deus uno. Saibam que Deus é compassivo para com todos; portanto, amem a todos das profundezas dos vossos corações, dêem preferência aos seguidores de todas as religiões antes de vós próprios, tenham pleno amor por todas as raças e sejam amáveis com pessoas de todas as nacionalidades. Nunca falem de modo depreciativo sobre os outros, mas elogiem sem distinção. Não manchem as vossas línguas a falar mal dos outros. (The Promulgation of Universal Peace, p. 452)
Nestes tempos, temos muitas oportunidades para observar os resultados da educação das crianças numa atmosfera de preconceito, e da sua alimentação com imagens manipuladas e fantasiosas sobre "o mal dos outros." Quando as crianças não podem investigar a verdade por si próprias, elas aprendem a ver o outro lado como o bicho-papão, pois eles são facilmente doutrinadas. Muitos tornaram-se crianças-soldados, tragicamente incapazes de ver os seus inimigos como seres humanos. Um jovem que fugiu à vida de criança-soldado no Sudão recorda: "O meu desejo era matar o maior número possível de muçulmanos e árabes, e o segundo era que eu queria uma bicicleta" (leia esse relato a partir de uma ex-criança-soldado no Sudão).

Estas atitudes desenvolvem-se numa atmosfera de desconfiança e ódio entre adultos. As crianças da comunidade absorvem as atitudes dos adultos. Isso não surpreende, nem assusta, os adultos envolvidos, até que eles percebam que a criança reflecte algo bizarro, distorcendo e exagerando tudo o que vê, por vezes transformando uma simples aversão e desprezo num desejo selvagem de aniquilação, tal como acontece em muitas comunidades divididas. Em todo o mundo, os filhos de adultos preconceituosos e intolerantes entram na sua própria vida adulta cheios de necessidade de justificar as suas próprias acções repletas de ódio, culpando ainda mais as suas vítimas. E depois, a sociedade que semeou ventos começa a colher tempestades.

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Texto original: Teaching Children to Hate (www.bahaiteachings.org)

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Shiring Sabri é professora de história e Literatura na Townshend International School na Republica Checa. Tem vários ensaios e poemas publicados, nomeadamente The Incomparable Friend: The Life of Bahá’u’lláh Told in Stories (2006), The Pinckelhoffer Mice (1992) e  The Purpose of Poetry (the Journal of Bahá’í Studies Vol.1, no.1).

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Realeza da Noruega promove diálogo inter-religioso

Um encontro inter-religioso promovido pelo rei Harald e pela rainha Sónia da Noruega contou com mais de 90 participantes de diversas religiões, incluindo vários membros da Comunidade Bahá’í. O objectivo deste evento era aumentar o diálogo e a compreensão inter-étnica e inter-religiosa. No seu discurso de abertura, o rei Harald da Noruega expressou o seu desejo de contribuir para a unidade do país, cuja população se está a diversificar cada vez mais rapidamente.

"Quando a rainha e eu viajamos no nosso país sentimos a diversidade de culturas e religiões muito de perto, através da comida, da cultura e de conversas com as pessoas que têm raízes noutras partes do mundo" declarou o Rei Harald da Noruega aos presentes, que também incluíam budistas, cristãos, judeus, muçulmanos.

"Então reflectimos: Esta é a Noruega. Esta é a Noruega no ano de 2015. E só isso é tão emocionante... A identidade norueguesa - os múltiplos povos que agora constituem os noruegueses - está em constante mudança. Precisamos de solidariedade. Isto é importante para recordar, especialmente nestes dias."

No seu discurso, Rainha Sónia da Noruega salientou a importância da união de esforços das organizações religiosas na promoção da unidade.


"Este evento, iniciativa da família real em cooperação com o Conselho Inter-religioso, é um evento único e, como tal, representa um modelo para o diálogo para o resto da sociedade", disse Arne Kittang, um dos representantes da comunidade Bahá'í da Noruega, que participou do evento.

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FONTE: Norway royals host interfaith dialogue (BWNS)

sábado, 24 de outubro de 2015

O Fim do Mundo

Por Deshon Fox.


No Evangelho de S. Marcos encontramos um interessante diálogo sobre este assunto entre Cristo e os Seus Discípulos, quando estavam no Monte das Oliveiras.

Perplexos com a profecia de Cristo sobre a destruição do templo, os discípulos pedem a Jesus que diga uma data em que acontecerá essa destruição. Em resposta, Jesus refere uma série de eventos que irão ocorrer antes do fim do mundo. Estes eventos incluem coisas como falsos profetas que enganam os fiéis, guerras e rumores de guerras, fomes, epidemias e terramotos. Além disso, Cristo promete que o Seu evangelho seria pregado em todo o mundo e a todas as nações antes da chegada do fim:
Jesus começou a dizer-lhes: «Acautelai-vos para que ninguém vos iluda. Surgirão muitos com o meu nome, dizendo: 'Sou eu'. E seduzirão a muitos. Quando ouvirdes falar de guerras e de rumores de guerras, não vos alarmeis; é preciso que isso aconteça, mas ainda não será o fim. Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino; haverá terramotos em vários lugares, haverá fome. Isto apenas será o princípio das dores.» (Marcos 13:5-8)
Evangelho de S. Marcos
Estas frases intrigantes captam a nossa atenção e soam como um presságio sobre o fim do mundo. Mas poderá o fim de que Cristo falava já ter ocorrido e estarmos agora a viver um novo período da existência humana? Poderão as "dores de parto" que Cristo descrevia simbolizar as enormes convulsões mundiais dos últimos dois séculos?

À primeira vista não parece possível. O fim significa sempre o fim; não seria um acontecimento que passasse despercebido. Os finais são cataclismicos, apoteóticos e derradeiros - ou não será assim? Alguém consegue indicar o momento exacto em que terminou a sua infância e começou a sua adolescência? Os finais assinalam sempre o início de uma experiência nova e totalmente diferente. No entanto, ocorrem frequentemente de forma subtil, simples e discreta.

A Fé Bahá’í afirma que as profecias dos "fins dos tempos" que se encontram na Bíblia e noutros Livros Sagrados referem-se a ciclos de orientação divina que o Criador proporciona à humanidade. Esses ciclos - e os Mensageiros que os trazem - iniciam-se com a alvorada ("o princípio") da nova revelação de Deus à humanidade. Também possuem a suprema autoridade divina enquanto estão na terra ("o fim"); e actuam como portas para o reino celestial, pontes para uma mais profunda consciência da alma sobre a sua ligação eterna com o seu Criador.

Os Bahá’ís entendem as coisas desta forma: sempre que um novo profeta e mensageiro é enviado do reino celestial, nós vivemos o fim do anterior ciclo da orientação divina e, simultaneamente, o início de um novo ciclo. Inícios e fins caminham sempre lado a lado:
Sabe tu que o regresso de Cristo, não significa aquilo que as pessoas acreditam, mas sim quer dizer que o Prometido viria depois d’Ele. Ele virá com o Reino de Deus e o Seu poder que envolve o mundo. Este domínio está no mundo dos corações e dos espíritos, e não na matéria... Em verdade, Cristo veio com o Seu Reino, desde o início, que não teve início, e virá com o Seu Reino para a eternidade das eternidades, pois neste sentido, "Cristo" é uma expressão da Realidade Divina, a Essência elementar e Entidade celestial, que não tem início nem fim. Existe surgimento, ascensão, manifestação e declínio em cada um dos ciclos. (‘Abdu’l-Bahá, quoted by Dr. J. E. Esselmont in Baha’u’llah and the New Era, p. 224)
Desta maneira, podemos compreender, de uma forma nova e mais profunda, as profecias de Cristo sobre o fim dos tempos conforma registadas nos Evangelhos.

Sem dúvida que já experimentámos as "guerras e os rumores de guerras" - as duas guerras mundiais no século XX, e a Guerra Fria que se seguiu encaixam-se perfeitamente nesta descrição. As fomes, certamente, custaram a vida de inúmeros seres humanos. E testemunhámos vários terramotos devastadores. Parece que já aconteceu o "fim" que estes sinais referem.

Então, o que acontece após o "fim do mundo"? A vida torna-se um vazio absoluto, ou existe simultaneamente, como com todos os fins, um novo início?

Os ensinamentos Bahá'ís dizem-nos que o fim do mundo profetizado por Cristo significa o fim de um ciclo divino e o início de um novo destinado a cumpri-lo.

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Texto original: The End of the World - and a New Beginning (www.bahaiteachings.org)

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Deshon Fox é o autor do livro The Middle Theory. Vive nas Bahamas com a esposa e três filhos. Tem um mestrado em Engenharia Civil pela Universidade de Minnesota e trabalha numa empresa de engenharia sediada nas Bahamas. Actualmente é membro da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís das Bahamas, um papel que ele teve desde 2009.

domingo, 18 de outubro de 2015

Parecia a Última Ceia


A exibição do programa Inside Iran’s Revolutionary Courts foi apenas mais uma demonstração da face tirânica e criminosa da República Islâmica do Irão. Essa face não foi expressão de um momento de paixões revolucionárias; pelo contrário, tornou-se uma das suas características mais marcantes e repetidamente afirmada desde 1979.

Surpreendeu pelo facto de exibir pela primeira vez um filme antigo com julgamento da AEN dos Bahá’ís do Irão. Ali se vêem 7 dos 8 membros detidos perante um tribunal Revolucionário. Por vezes o filme foca cada um dos sete; outras vezes mostra todo o grupo.

O programa recolheu também o testemunho de familiares destes dirigentes Bahá’ís executados. Viram o filme pela primeira vez e não conseguem conter as emoções. A carga dramática da imagem dos sete a serem julgados, evoca memórias e diversos comentários. Um dos familiares desabafa: “Aquela imagem dos sete durante o julgamento faz lembrar o quadro da Última Ceia.”

E é verdade. Ao longo do julgamento torna-se cada vez mais claro que o seu destino está traçado. Mas eles enfrentam serenamente as questões e opiniões de um juiz, cuja palavra era a lei. Aquela “Última Ceia” era o teste derradeiro à fé de cada um.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A Assembleia Espiritual que desapareceu

Por Sepehr Atefi (BBC-Persa).

No dia 11 de Novembro de 1979, o Dr. Alimorad Davoodi, secretário da Assembleia Espiritual Nacional (AEN) dos Bahá’ís do Irão, e professor de Filosofia da Universidade de Teerão, foi fazer o habitual passeio no parque Laleh de Teerão e nunca regressou.

Vários telefonemas ameaçadores recebidos nos dias anteriores e investigações dos seus amigos no próprio dia indiciam que se tratou de um rapto.

O Dr. Alimorad Davoodi, secretário da AEN dos Bahá’ís do Irão, e professor de Filosofia da Universidade de Teerão,
 raptado no dia  11 de Novembro de 1979 em Teerão.


A sua filha, Marjan Davoodi, que na época tinha 18 anos, recorda: “Fomos ao parque com alguns dos seus amigos à procura dele. O guarda vigilante do parque disse que apareceu um jipe e que ele foi forçado a entrar no carro. Assumimos que o jipe pertencesse ao governo, pois a maioria dos carros não pode entrar no parque. Quando os amigos regressaram ao parque no final desse dia, o guarda negou tudo”.

Alimorad Davoodi não foi o primeiro Bahá’í a ser raptado. Os raptos tinham começado vários meses antes, com o sequestro de Mohammad Movahed. Este tinha nascido numa família de clérigos de Shiraz e seguiu estudos islâmicos durante vários anos, durante os quais tinha conhecido e aceite a Fé Bahá’í. Ter-se tornado Bahá’í foi algo tão inacreditável para a sua família e amigos que ele foi internado numa instituição psiquiátrica, e posteriormente transferido para Teerão. Apesar das numerosas reuniões, demoradas discussões e até ameaças, ele nunca renunciou ou escondeu as suas crenças. Anos mais tarde, após a Revolução, a pressão aumentou. Finalmente após várias sessões de interrogatório e convocações pelo Comité Revolucionário, foi raptado numa rua, em Maio de 1979. O rapto seguinte que criou grande ansiedade na Comunidade Bahá’í teve lugar em Dezembro desse ano. Ruhi Roshani, secretário da Assembleia Espiritual Local (AEL) de Teerão, que tinha sido alvo de ameaças por parte de fanáticos religiosos após a publicação do seu livro “Khatamiyyat” (a crença de que o Profeta Maomé foi o último mensageiro de Deus) também desapareceu. O seu destino, tal como o de Davoodi e Movahed, permanece desconhecido.

Rapto dos Membros da AEN do Irão e Execução dos Membros da segunda AEN

Enquanto crescia a pressão sobre as instituições Bahá’ís, dois Bahá’ís de Shiraz foram acusados de “espiar para Israel” e executados em Abril de 1980. As instituições Bahá’ís (ou “Assembleias”) encarregam-se dos assuntos administrativos da Comunidade Bahá’í, e são constituídas por nove membros eleitos pela Comunidade Bahá’í em cada cidade ou aldeia. A negação de qualquer envolvimento pelas autoridades governamentais amplificava os rumores sobre o destino das pessoas desaparecidas. Marjan Davoodi afirma: “Apelámos a praticamente todos os organismos responsáveis, mas todos negaram envolvimento. Durante muito tempo tivemos esperança de encontrá-lo, mas suspeitávamos que, tal como outros durante esse período, ele tivesse sido torturado e forçado a negar a sua fé, ou a confessar-se culpado de uma acusação falsa. Estas especulações eram extremamente perturbadoras para nós”.

Em circunstâncias semelhantes, vários homens invadiram a casa do Hossein Naji, membro da AEN do Irão, para prendê-lo; não o tendo encontrado em casa, detiveram a sua esposa, Vajdieh Rezvani. Esta recorda: “Vieram à nossa casa quatro vezes; de cada vez eram sete ou oito homens armados. Na primeira vez disseram que procuravam armas; mas nas ocasiões seguintes queriam ver o Dr. Naji, e uma vez levaram-no para ser interrogado”.

Em 21 de Agosto de 1980, homens armados prenderam todos os membros da AEN (na foto), assim como dois dos seus colegas.
Essas 11 pessoas raptadas nunca mais foram vistas por familiares e amigos.

Hossein Naji escreveu ao Ayatollah Khomeini, ao Presidente Abul-Hassan Bani-Sadr, ao Ministro da Saúde Hadi Manafi, e ao Procurador-Geral do Tribunal Revolucionário Ayatollah Ali Qodusi, descrevendo as rusgas em sua casa por homens armados e a detenção da sua esposa, e solicitou uma investigação. Mas os seus apelos enfrentaram uma total ausência de resposta pelas autoridades, e nenhum organismo assumiu a responsabilidade pela detenção da sua esposa.

Finalmente em 21 de Agosto de 1980, homens armados prenderam todos os membros da AEN, assim como dois dos seus colegas, quando realizavam uma reunião rotineira. As 11 pessoas raptadas nunca mais foram vistas por familiares e amigos.

A investigação aos desaparecimentos começou imediatamente. As famílias reuniram-se com o Procurador-Geral do Tribunal Revolucionário, o Chefe do Sistema Judicial Iraniano e o Presidente do Parlamento.

Vajdieh Rezvani recorda: “Fomos a todos os locais que podíamos pensar… esta prisão, aquela prisão; fomos ver o Ayatollah Beheshti, o filho do Ayatollah Montazeri, o Ayatollah Behjat, o Ayatollah Gilani… todos negaram saber qualquer coisa, mas descobrimos mais tarde que eles os tinham executado na primeira noite... apesar de 35 anos depois ainda não sabemos o que aconteceu verdadeiramente”.

Numa reunião com o Presidente do Parlamento, Akbar Hashemi Rafsanjani, este prometeu investigar os desaparecimentos. Alguns dias mais tarde, ele confirmou que tinha sido emitida uma ordem de detenção para os onze Bahá'ís, mas que eles deviam permanecer incomunicáveis até que os interrogatórios estivessem concluídos. Menos de um mês depois, Rafsanjani negou a sua primeira declaração e culpou um grupo independente pelos desaparecimentos. Os membros da Comunidade Bahá'í do Irão também suspeitavam de outros grupos - incluindo a Sociedade Hojjatieh [1] - estarem envolvidos nos desaparecimentos.

Em Dezembro de 1981, durante uma das raras ocasiões em que oito dos nove membros da AEN seguinte estavam reunidos, todos foram detidos. Farideh Samimi recorda: “…não nos mostraram um mandado de captura. O Sr. Amin Amin, que era advogado, perguntou se eles tinham um mandado para os prender; não tinham um mandado - a sua palavra era a lei”.

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Mina Yazdani, historiadora, comenta a extensão do envolvimento do governo nos raptos[2]: 
No caso do Dr. Davoodi e de Mohammad Movahed, não há dúvida que algumas organizações governamentais estiveram envolvidas. O facto de todos os apelos por justiça terem sido ignorados, e o facto de algum tempo mais tarde se ter sabido que um poderoso e influente membro do clero tinha decretado a execução de Mohammad Movahed, não deixa qualquer dúvida que alguns ramos do governos estiveram envolvidos”.

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Após o rapto da primeira AEN formada após a Revolução, foi formada uma segunda AEN. Esta tratou dos assuntos da comunidade Bahá’í durante um ano com condições extremamente difíceis. A pressão e execução de membros das AEL's de Yazd, Hamadan, Tererão e Tabriz, e a execução de dois Bahá’ís de Mashad por um pelotão de fuzilamento, foram alguns dos tormentos sentidos pela Comunidade Bahá’í entre 1980 e 1981.

Mais tarde, em 27 de Dezembro de 1981, os oito membros da AEN foram mortos por um pelotão de fuzilamento. Inicialmente, a sua execução foi negada, mas acabou por ser posteriormente confirmada pelo Chefe do Sistema Judicial Ayatollah Ardebili, que anunciou que eles tinham sido executados devido a “espionagem para potências estrangeiras”. Assim, a prisão e execução dos Bahá’ís tornaram-se oficiais.

Dissolução das Instituições Bahá’ís e execução de vários membros da terceira AEN

Em 29 de Agosto de 1983, Hassan Mousavi Tabrizi, Procurador-Geral do Tribunal Revolucionário afirmou:
 “As instituições Bahá’ís são consideradas... como renegadas e conspiradoras, e qualquer colaboração com estas está proibida”.

Em 29 de Agosto de 1983, Hassan Mousavi Tabrizi, Procurador-Geral do Tribunal Revolucionário afirmou numa entrevista: “Os Bahá'ís fazem espionagem; são arruaceiros... Hoje, proclamo que devido às suas actividades imorais e subversivas, as instituições Bahá’ís são consideradas pelo Procurador-Geral do Tribunal Revolucionário da República Islâmica como renegadas e conspiradoras, e qualquer colaboração com estas está proibida”.

Na sua última mensagem aos amigos Bahá’ís do Irão, a terceira AEN anunciou a suspensão de todas as actividades Bahá’ís, de acordo com o princípio Bahá'í de obediência às leis do governo. Simultaneamente, enviou uma carta aberta a dois mil dos mais influentes e proeminentes membros do governo, pedindo o fim das perseguições, detenções, torturas e execuções de Bahá’ís. Nessa carta questionava: “Como pode um homem com 85 anos de idade de Yazd, que nunca saiu da sua aldeia, ser um espião? Como se pode acusar de espionagem estudantes, donas de casa, meninas inocentes e homens e mulheres idosas? Que documento e informações secretas tinham? Que aparelhos de espionagem possuíam?

Apesar disso, a perseguição aos Bahá’ís e a hostilização das Assembleias Espirituais locais e nacional não parou. Nos meses seguintes, sete membros da terceira AEN formada após a Revolução - Jahangir Hedayati, Shapour Markazi, Farhad Asdaqi, Farid Behmardi, Ardeshir Akhtari, e Amir Hossein Naderi - foram presos e executados.

Os Bahá’ís e a Revolução Islâmica

Apesar dos Bahá'ís também terem sido alvo de discriminação durante o regime de Pahlavi, com o advento da Revolução Islâmica a discriminação intensificou-se e institucionalizou-se. A Constituição da República Islâmica distingue claramente os seguidores do Islão Xiita de outras minorias reconhecidas. Ao excluir os Bahá'ís das “minoria não-reconhecida” criou o pretexto para pressioná-los. O Ayatollah Khomeini, que nunca escondeu a sua hostilidade aos Bahá’ís, afirmou numa entrevista em Dezembro de 1978 com o professor James Cockroft da Rutgers University, em resposta a uma questão sobre a liberdade religiosa e política dos Bahá’ís sob o novo regime: “A liberdade não será concedida a pessoas que são perigosas para o país”.

Assim, não foi surpreendente que desde os primeiros anos da Revolução os Bahá’ís, perseguidos pelos inimigos do passado, também o fossem pelo poder dominante.

Mas qual foi a reacção dos Bahá’ís à Revolução? Mina Yazdani, professora de história que é Bahá’í, afirma: “Considerando as circunstâncias e eventos desse período, por exemplo, os incêndios de residências Bahá’ís em Shiraz dois meses antes da Revolução, as premonições dos perigos que se adivinhavam não tiveram grande impacto. Muitos de nós sentíamos que haveria dificuldades e sofrimento no futuro”.

As confiscações das suas propriedades, as expulsões das escolas e universidades, os despedimentos nos empregos, a proibição de transacções legais etc - foram alguns dos efeitos da Revolução para os Bahá’ís.

Três décadas após a Revolução, os direitos humanos dos Bahá'ís não melhoraram. Por exemplo, sete membros da comunidade que administram os assuntos da comunidade (na ausência de uma instituição eleita) estão actualmente a cumprir 20 anos de prisão cada um.

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FONTE: The Spiritual Assembly that Vanished (Iran Press Watch, via BBC-Persian)

REFERÊNCIAS:
[1] - Para mais informações sobre a Sociedade Hojjatieh, ver este link na Wikipedia
[2] - O artigo completo da Drª Yazdani: The Islamic Revolution’s Internal Other: The Case of Ayatollah Khomeini and the Baha’is of Iran

sábado, 10 de outubro de 2015

Pessoas e Armas de Fogo

Por Rodney Richards.


... os armamentos, até agora limitados, estão agora a crescer numa escala colossal. As condições estão a extremar-se, aproximando-se do ponto em que os homens combatem nos mares, combatem nas planícies, combatem na própria atmosfera com uma violência desconhecida em séculos anteriores. Com o crescimento do armamento e dos preparativos, os perigos são cada vez maiores. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 321)
A maioria de nós somos pessoas inteligentes em muitos aspectos; mas todos nós conhecemos a frase, "as pessoas inteligentes podem fazer coisas estúpidas". Eu sei que faço. Na verdade, conclui que a estupidez do homem só está limitada pelo desejo pessoal de agradar a si próprio.

Ou, como disse Albert Einstein: "Há duas coisas que são infinitas: o universo e a estupidez humana; mas não tenho certeza sobre o universo". Claro que isto é uma frase irónica de um dos nossos maiores pensadores e cientistas; e ele nem sequer via exemplos sucessivos de estupidez nos noticiários na TV todas as noites, ou diariamente quando conduzia um carro numa estrada. Talvez nas nossas próprias palavras e acções impensadas ou descuidadas, todos nós tenhamos feito algo estúpido recentemente. Exemplos da vida real abundam quando consideramos a nossa própria estupidez e a dos outros, ou melhor, acções estúpidas.

Felizmente, sabemos que as pessoas têm capacidade para se elevar acima de palavras e acções estúpidas:
O poder do intelecto é uma dos maiores dádivas de Deus aos homens; é o poder que o torna uma criatura maior do que o animal. Enquanto, século após século, era após era, a inteligência do homem cresce e torna-se mais perspicaz, a do animal permanece a mesma. Eles não são mais inteligentes hoje do que eram há mil anos! Existe uma prova maior do que esta para mostrar a dissimilaridade do homem para a criação animal? É, certamente, claro como o dia. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p. 72)
Os seres humanos podem ter uma natureza animal inferior, mas a nossa vontade e inteligência podem superar e dominar os nossos instintos, vontades e desejos mais básicos. Os nossos espíritos-inatos - os nossos corações, mentes e almas - podem superar a natureza mais baixa, a velha natureza, da humanidade como um todo.

Por exemplo: vejamos o desejo aparentemente interminável por armas aqui nos Estados Unidos, onde vivem mais de 311 milhões de pessoas. De acordo com uma sondagem (2007 Small Arms Survey), nos Estados Unidos, existem 88,8 armas por 100 residentes, um valor superior ao existente na Sérvia, Iémene, Arábia Saudita ou Iraque. De facto, os EUA estão em primeiro lugar. A Tunísia, o último classificado, tem um décimo de uma arma por 175 habitantes. A partir de 2009, "o número total estimado de armas de fogo disponíveis para civis nos Estados Unidos aumentou para cerca de 310 milhões: 114 milhões de pistolas, 110 milhões de espingardas e 86 milhões de caçadeiras."

Isto significa que, estatisticamente, cada homem, mulher e criança nos EUA tem agora uma arma de fogo.

Você, eu e a maioria dos americanos conhecemos estas estatísticas, e conhecemos cada vez mais tragédias pessoais devidas ao uso de armas de fogo. A nossa inteligência informa-nos sobre os factos, e nós queremos conter a onda de violência armada. A mudança está a chegar devagar; aparentemente não chega a algumas áreas, mas atinge rapidamente outras.

Mas as leis e regulamentos não nos levarão até onde precisamos ir. Em vez disso, precisamos reformar e renovar a própria natureza do homem: velho contra novo; crueldade contra simpatia; ódio, raiva e ganancia contra amor e generosidade e tranquilidade.


Quando era jovem fiquei impressionado com o facto dos polícias britânicos não andarem armados. Não sabia que alguns esquadrões de elite usam armas, mas, em geral, os polícias ainda não usam armas de fogo. Para citar a Wikipédia, "No ano de 2011-12, havia 6756 Agentes Autorizados com Armas de Fogo, houve 12.550 operações policiais, em toda a Inglaterra e País de Gales, em que foram autorizadas armas de fogo e 5 incidentes em que foram utilizadas armas de fogo convencionais. Desde 2004, as forças policiais têm usado cada vez mais tasers (armas de electrochoque) contra assaltantes armados. Os tasers são considerados pelas autoridades como uma alternativa não-letal às armas de fogo."

Então, é verdade! Existem alternativas às armas de fogo para manter a ordem social - quando a população não está mais armada do que a polícia. E mais importante que isso: a população tem de confiar na polícia, um tema sob um escrutínio nos EUA após as notícias de assassinatos cometidos pela polícia e, também, assassinatos de agentes da policia. Porque devem os cidadãos ser desconfiados? Este tema fracturante está agora a ser amplamente debatido com os proprietários e não-proprietários de armas de fogo. A rápida propagação da violência armada suscitou conversas abertas sobre a posse de armas letais (incluindo por agentes policiais) neste país.

Os Estados Unidos têm participado em negociações sobre desarmamento com outras nações durante décadas e a maioria tem sido bem sucedida. Porque não começar agora as suas próprias negociações internas sobre desarmamento? As alternativas - ainda mais armas e ainda mais assassinatos - não é em nada desejável para ninguém, excepto para os fabricantes de armas. Assim em vez de sermos estúpidos, podemos ser mais espertos sobre a nossa sociedade, e tentar encontrar uma maneira de desarmá-la.

Algo drástico tem de mudar nas nossas ideias sobre liberdade pessoal e o "direito à posse de armas". Nos nossos braços devemos levar os nossos filhos para os seus berços e camas; não para as suas sepulturas.

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Texto original: The Right to Bear Babies, Not Arms (www.bahaiteachings.org)

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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sábado, 3 de outubro de 2015

Aceitar a Fé Bahá’í é trair Jesus?

Por David Langness.


... a imitação cega do passado inibe o desenvolvimento da mente. Mas quando cada alma investigar a verdade, a sociedade ver-se-á livre das trevas da repetição contínua do passado. (’Abdu’l-Baha, Selections from the Writings of ’Abdu’l-Baha, #202)

… a imitação cega entorpece os sentidos do homem, e quando se fizer uma pesquisa irrestrita da verdade, o mundo da humanidade será libertado dos grilhões da imitação cega. (’Abdu’l-Bahá, Letter to Martha Root.)

... imitações cegas e preconceitos hereditários tornaram-se invariavelmente causa de azedume e ódio e encheram o mundo com escuridão e violência da guerra. Por isso devemos procurar a verdade fundamental para nos libertarmos dessas condições e depois, com rostos iluminados, procurar o caminho para o Reino de Deus. (’Abdu’l-Bahá, Baha'i World Faith, p. 239)
Quando conheci a Mary, falámos do medo que surge quando mudamos as nossas crenças mais profundas. Tendo nascido numa família católica, ela desenvolveu desde a infância um amor por Jesus que ainda sente; suspeito que ela tem medo que “mudar de religião” seja uma traição a esse amor.

Não tive a oportunidade de falar muito mais com ela. Por isso vou abordar esse assunto aqui.

Se perguntarmos a alguém porque segue uma determinada religião ou sistema de crenças, a maioria das pessoas dirá que o faz porque a herdou. Os seus pais e os seus antepassados transmitiram-lhe essas crenças. Provavelmente foi educado(a) em criança para seguir a Fé dos seus pais e avós. E seguiu. E quando crescia percebeu a beleza dessa Fé, tentou compreendê-la e seguir os seus ensinamentos, e desenvolveu a sua identidade com base nessa perspectiva específica sobre o mundo. Se os seus pais não seguiam qualquer Fé, provavelmente também seguiu esse caminho.

Em qualquer dos casos, as suas crenças mais profundas podem estar incorrectas. Podem não lhe pertencer. Podem ser imitações cegas. Se não as questionou desde cedo, se não examinou verdadeiramente a sua realidade espiritual mais profunda, então talvez queira procurar uma verdade profunda começando por questionar aquilo que há muito tempo imita cegamente.

Quando os ensinamentos Bahá'ís nos apelam para evitarmos imitar cegamente os outros, também nos pedem que examinemos os nossos sistemas de crenças mais profundas. Mas em vez de seguir um conjunto de imitações de princípios e crenças, porque não procurar o original? Um dos principais princípios da Fé Bahá’í - a investigação independente da verdade - pede-nos que não nos fiemos nas percepções e opiniões de outros, mas que procuremos as nossas próprias crenças:
O homem deve ser justo. Devemos pôr de lado ideias pré-concebidas e preconceitos. Devemos abandonar as imitações dos avós e dos antepassados. Nós próprios devemos investigar a realidade e ser honestos nos nossos juízos. ('Abdu’l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, p. 346)
Essa justiça e honestidade significa que os Bahá’ís seguem todos os profetas de Deus. Os Bahá’ís acreditam no amor e veneram os profetas e fundadores das grandes religiões mundiais: Abraão, Moisés, Krishna, Buda, Zoroastro, Jesus Cristo, Maomé e agora, Bahá’u’lláh. Tornar-se Bahá’í não significa que estamos a rejeitar uma religião anterior. Os Bahá’ís não descartam as suas anteriores religiões; apenas as entendem sobre uma nova perspectiva - como parte integrante da unicidade da religião. Para um Bahá’í, a realidade fundamental da religião é uma e não múltipla.

Na verdade, ser Bahá’í, significa ser seguidor da luz e não da lâmpada:
... as religiões divinas dos santos Manifestantes de Deus são, na realidade, a mesma, embora sejam designadas por nomes diferentes. O homem deve ser amante da luz, não importa em que fonte ela apareça. Ele deve ser amante da rosa, não importa em que solo ela cresça. Ele deve ser um pesquisador da verdade, não importa de que fonte ela venha. O apego à lâmpada não significa amor à luz. (‘Abdu’l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, p. 151)
Assim, expliquei à minha amiga Mary que ela não tinha nada a recear. Quando alguém se torna Bahá’í não está a rejeitar a sua antiga religião ou o seu profeta; na verdade, está a aceitá-la e simultaneamente a alargar o âmbito das suas crenças, englobando ensinamentos e sabedoria de todas as religiões:
Ó tu que procuras a verdade! O mundo do Reino é um só mundo. A única diferença é que a primavera regressa vezes sem conta, e dá início a uma nova e grande agitação que afecta todas as coisas criadas. Depois, a planície e a colina ressuscitam; as árvores vestem-se de verde delicado; e as folhas, as flores e os frutos manifestam-se em beleza terna e infinita. Assim, as revelações das eras passadas estão intimamente ligadas com as que lhes sucederam; na realidade, são uma só, mas, à medida que o mundo cresce, o mesmo ocorre com a luz, com as chuvas das graças celestiais, e então o sol brilha no seu esplendor do meio-dia. (‘Abdu’l-Baha, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #29)
Os Bahá'ís não negam qualquer dos mensageiros de Deus, porque cada um representa o regresso prometido da mensagem de Deus. Ligados como uma corrente eterna de educadores divinos, os profetas e os fundadores das grandes religiões do mundo personificam um único sistema espiritual:
Vamos compreender o que constitui a realidade das religiões divinas. Se um cristão põe de lado as formas tradicionais e a imitação cega de cerimoniais, e investiga a realidade dos evangelhos, ele descobrirá que os princípios fundamentais dos ensinamentos de Sua Santidade Cristo eram misericórdia, o amor, o companheirismo, a benevolência, altruísmo, o esplendor ou brilho das dádivas divinas, a obtenção dos sopros do Espírito Santo e unidade com Deus. ('Abdu'l-Baha, Foundations of World Unity, p. 105)
Por isso, Mary, aceitar a Fé Baha'i não é trair Jesus; pelo contrário, é reconhecer a verdadeira realidade de Cristo.
É claro e evidente para ti que todos os Profetas são os Templos da Causa de Deus, que apareceram adornados com trajes diversificados. Se quiseres observar com olhos discernentes, verás que todos estão no mesmo tabernáculo, voam alto no mesmo céu, sentam-Se no mesmo trono, proferem o mesmo discurso, e proclamam a mesma fé. (Bahá'u'lláh, Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. XXII)

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Texto original: Does Becoming a Baha’i Betray Jesus? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA